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E aconteceu...

por Teresa Power, em 04.07.16

Domingo, 3 de julho de 2016. A Igreja estava em festa. O Santuário Nossa Senhora Auxiliadora acolheu famílias de vários pontos do país, e durante toda a Eucaristia, a música mais bela foi a das crianças e bebés de peito. Aliás, era de crianças e bebés de peito que nos falava a primeira leitura deste domingo:

 

"Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, vós todos que a amais. Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os seus joelhos. Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados.»" (Is 66, 10-13)

 

Foi uma festa linda... Divina... E para saberem mais, e continuarem a acompanhar esta aventura que ainda desponta no horizonte como sol nascente, visitem-nos e fiquem connosco no site das Famílias de Caná!

 

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FIM

 

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ALTERAÇÃO DE ÚLTIMA HORA

por Teresa Power, em 27.06.16

Queridos amigos, o senhor bispo acaba de telefonar: ele faz questão em estar presente connosco no dia 3, para nos dar a aprovação do movimento, a nível diocesano, por um período de três anos. Deus, de facto, dá sempre muito mais do que Lhe pedimos! Que grande graça, a presença do nosso bispo e a certeza da aprovação!

Para que o senhor bispo possa estar presente, a Eucaristia será às 15h30, uma Eucaristia celebrada especialmente para nós. Não é fantástico? Assim, os nossos planos ficam um bocadinho alterados: a todos - todos mesmo - convido a estar presentes às 15h30 no Santuário, para a Eucaristia, e para o lançamento do site pelas 16h30, no final. Tragam o piquenique para celebrarmos depois, num grande lanche ajantarado, que partilharemos enquanto conversamos e as crianças brincam. Uma vez que temos a presença do nosso bispo, ele mesmo nos fará um belo ensinamento durante a Eucaristia, como sabem aqueles que já o escutaram no retiro de quaresma.

Não faltem às Bodas! Deem-nos essa grande, grande alegria!

 

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Uma missa, um site, um piquenique

por Teresa Power, em 27.06.16

Queridos amigos leitores, o site está pronto, com a graça de Deus. E todos podem assistir em direto ao seu lançamento, quer aqui connosco, quer nas vossas casas. Será no domingo, dia 3 de julho, na Eucaristia das 10 h no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, Mogofores. O Santuário tem cobertura de internet e tem projeção de imagem, pelo que no final da Eucaristia, pelas 11h, faremos o lançamento.

Convido para este momento de graça as Famílias de Caná, mas convido também todos os nossos amigos e todos os nossos leitores, com fé ou sem fé, católicos ou evangélicos, cristãos ou ateus. Façam festa connosco! Acompanhem-nos, aqui ou nas vossas casas! Pelas 11h, entrem connosco no site. Depois, os que estiverem connosco no Santuário continuarão a fazer festa no pátio, no meio das brincadeiras das crianças e das conversas dos crescidos, e em seguida partilharemos o almoço na cantina do colégio salesiano, onde está o Santuário. Tragam portanto um piquenique para partilharmos entre nós! Teremos ainda tempo para refletir sobre a nossa caminhada de Famílias de Caná, pois farei um ensinamento no início da tarde. Terminaremos com oração familiar.

Li atentamente todos os comentários que fizeram ao último post. Rezei a partir deles e com eles. E quero dar-vos a minha palavra de que o site é mesmo para todos, Famílias de Caná ou não, pessoas mais religiosas e pessoas menos religiosas. Há tantos e tão variados "menus", que ninguém ficará de fora!

Na página principal, eu continuarei, como sempre fiz, a escrever  para todos, a partir da vida e da Palavra, com a simplicidade e a profundidade deste blogue. Em literatura, sempre recusei ler ou dar a ler aos meus filhos as "obras simplificadas" dos grandes autores clássicos, preferindo ler menos a ler resumos, que matam a letra e o espírito da obra. Assim também com a Palavra de Deus: sempre anunciei e continuarei a anunciar a Palavra na sua integridade, tanto a quem não tem fé, como a quem tem mais fé do que eu. De outra maneira, não sei falar ou escrever.

O desafio que faço pois a todos e a cada um de vós é o mesmo: o desafio da santidade. Cada um responde a ele com os dons e a fé possíveis em cada momento. Nunca falei para um "clube", e as Famílias de Caná são tudo menos um "clube de sócios", porque a sua vocação já foi há muito definida por Jesus:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas a todos quantos encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Encontramo-nos domingo, e encontramo-nos sempre que Deus quiser! A todos, a promessa da minha oração e o convite do Senhor: vinde às Bodas!

E antes de fechar definitivamente este blogue, deixo-vos um breve resumo fotográfico dos nossos últimos dias, dos tempos em família que conseguimos encaixar entre exames, festas de final de ano, espetáculos de dança, ginástica e ilusionismo, testemunhos, trabalho no site e arranjos na casa...

Os buracos que o Niall escava no jardim à procura de canalização rota são ótimos para brincar:

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A pizza sai sempre melhor a quatro pares de mãos:

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Ao fim da tarde, nada como um passeio em família:

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E a oração familiar também se faz no meio do campo:

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Às vezes distraímo-nos, e não nos apercebemos de que alguém adormeceu no meio da brincadeira:

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Entretanto, há quem aproveite as férias para pôr a leitura em dia:

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Subir às árvores é uma paixão familiar bem experimentada:

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E este ano, tanto a Clarinha como o Francisco fazem mortais na praia! Ainda não os apanhei em pleno salto, com a máquina fotográfica, por isso deixo-vos com um pino:

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Por falar em subir às árvores... Conseguem identificar alguém neste eucalipto de Náturia?

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Eu sei que é difícil de acreditar, mas há quem o suba quando precisa de espaço e silêncio para pensar... Vou fazer zoom:

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E se estiverem no cimo das vossas árvores, desçam depressa e venham às bodas! Venham às Bodas, que os servos estão preparados:

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 Ámen!

 

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A Deus...

por Teresa Power, em 06.06.16

Hoje podia contar-vos como foi magnífico o espetáculo de ilusionismo do Francisco, no colégio, e como todos saímos de coração cheio - porque o Francisco encantou, e porque a amizade faz milagres, e o Francisco já tem quase metade da viagem para Cracóvia paga, graças a tanta generosidade!

Também vos podia contar como foi lindo ver o António de novo no altar, pequeno acólito do Senhor.

Ou falar-vos da conversa, longa e saborosa, que o Niall e eu tivemos com o nosso bispo no sábado, dia do Imaculado Coração de Maria, em que recebemos a promessa da aprovação do nosso movimento ainda este mês, se Deus quiser.

Mas não vos vou falar de nada disto.

 

Há dois anos e meio, eu estreava-me no mundo dos blogues, escrevendo o primeiro de 772 posts, que durante um ano, diariamente, depois várias vezes por semana, vos entraram pela casa dentro. Lembro-me, a rir, dos dias em que consultava as estatísticas para ver se mais alguém, que não eu, lia o que eu escrevia, e lembro-me da alegria que foi quando um dia verifiquei ter vinte visualizações - para concluir depois, com um suspiro resignado, terem sido todas minhas... Lembro-me dos primeiros comentários que chegaram, dos blogues e jornais que entretanto falaram de nós e nos deram a conhecer... Mas lembro-me sobretudo dos dias especiais em que fizemos amigos novos, amigos a valer, amigos para a vida.

Graças a este blogue, temos agora todos nós - pais e filhos - amigos em vários pontos do país, com quem não nos limitamos a conversar virtualmente, mas que encontramos com muita frequência para brincar, conversar, rir à gargalhada, partilhar uma refeição, rezar. Sabe tão, mas tão bem!

O blogue acompanhou o nosso crescimento como pessoas, como família, como filhos de Deus. Hoje estamos mais perto do Senhor do que há dois anos e meio atrás, e daqui a outros dois anos e meio esperamos estar muito, muito mais perto ainda. Afinal, que é a vida senão uma bela peregrinação em direção a Casa? Assim, todos vocês foram testemunhas da nossa caminhada, das nossas falhas, das nossas conquistas, da força e da fraqueza, da alegria e da tristeza. Partilhámos a vida, a oração, a fé com simplicidade e generosidade, dia após dia, sempre iguais a nós próprios.

E a grande maravilha foi receber em troca, nos comentários e nos mails, a vossa partilha, tão rica, tão bela, tão forte, que nos estimulou e nos encorajou ainda mais. Transbordamos de gratidão por tudo isto!

O blogue deu-nos a conhecer muito do bem que se faz em Portugal, nas paróquias e comunidades, pelas famílias. Graças ao blogue, aproximámo-nos de pessoas e movimentos que antes desconhecíamos - e crescemos.

O blogue veio preencher uma falha que existia no ciberespaço português, de partilha da vida católica familiar no concreto de cada dia. Hoje, graças a Deus, existem muitos outros blogues católicos escritos por portugueses, onde se partilha vida verdadeiramente cristã. O nosso impulso foi a forma que Deus teve de chamar tantos outros a partilhar, e como "servos inúteis", agora deixamos de ser necessários.

O blogue tornou possível as Famílias de Caná. Nunca louvaremos suficientemente o Senhor por este dom que Ele quis fazer à sua Igreja, nestes tempos novos, nestes tempos em que o Papa nos pede que evangelizemos o mundo em clave familiar. Através do blogue, o Senhor enviou-nos um punhado de famílias especiais, pilares bem sólidos deste novo movimento. São famílias que vivem em profundidade o chamamento do Senhor:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas todos os que encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Sem estas famílias, não teríamos hoje as Famílias de Caná, mas apenas a Família Power. E o mundo estaria muito mais pobre!

 

O tempo do blogue chegou ao fim. Queria pedir-vos desculpa se por acaso feri alguém, se fui indelicada em algum comentário, se não ajudei como devia. Queria pedir-vos desculpa e dizer-vos que sim, que sempre vos desiludirei, pois todos os seres humanos se desiludem uns aos outros. Apenas Deus, o Senhor, nunca desilude!

E depois de vos pedir desculpa, queria agradecer-vos. Por tudo, tudo. Pelas oportunidades que me deram para pensar, para ler a minha Bíblia à procura da Palavra certa, para rezar por vós. Pelas vezes em que me escreveram para o mail, encorajando-me e dizendo-me o quanto foi importante este blogue, palavras que me fizeram tão bem especialmente em alguns momentos mais duros de partilha. Pelas vezes em que os vossos comentários me alegraram, e pelas vezes em que me magoaram, permitindo-me assim a honra de carregar a Cruz. Agradecer-vos pelas vezes em que comentaram, e pelas vezes em que deixaram passar sem nada dizer. Pelas vezes em que rezaram por mim, por nós. Pelas vezes em que partilharam connosco tanto conhecimento e tanta experiência de vida. Pelas vezes em que nos visitaram, na missa dominical das dez horas no Santuário, apenas para dizerem "olá", ou nos cumprimentaram na rua. Pelas surpresas e miminhos que nos enviaram pelo correio. Pelas vezes em que abriram, literalmente, a porta da vossa casa para nos receber. Bem hajam!

O tempo do blogue chegou ao fim, porque um novo tempo se inicia: o tempo do Site das Famílias de Caná, que inauguraremos muito em breve, no mesmo dia em que o movimento for aprovado. Teremos então uma grande festa, e todos estão convidados para as "Bodas", sejam ou não Famílias de Caná! Sim, voltarei ao blogue para anunciar este grande dia - que também será anunciado nos meios de comunicação social católicos - antes de mudar definitivamente de "casa"... Gostaria de ter feito tudo ao mesmo tempo - passar de uma "casa" para outra - mas não consigo encontrar tempo para escrever aqui e trabalhar no site em simultâneo nesta altura de final de ano letivo.

Estaremos sempre muito perto de vocês, se assim o desejarem! No site terão imensas surpresas, desafios, ensinamentos, gravações das nossas canções em mp3 para as poderem aprender aí em casa, histórias do que as Famílias de Caná vão fazendo um pouco por todo o lado, e - naturalmente - os meus posts, talvez de uma forma diferente, mas com a mesma alegria e simplicidade, porque eu sou a mesma aqui ou lá.

Ah, e depois do verão - quem sabe? - talvez ao espreitar para alguma livraria vejam um livro que vos pareça familiar... E mais não digo :)

O blogue chegou ao fim. Este é mesmo o penúltimo post, antes do que escreverei a anunciar o lançamento do site. Lembram-se da fotografia inicial do blogue?

 

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Aqui fica a última:

 

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 Ámen!

 

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Crianças na Casa de Deus

por Teresa Power, em 01.06.16

- Eu também vou à catequese - Afirmou a Sara, muito séria, quando viu a Lúcia, o António e a Clarinha a trocarem de roupa e a lavarem a cara.

- Não, Sara, tu não vais porque só tens três anos - Explicavam-lhe os irmãos.

- Vou sim!

- Não vais.

- Vou, vou ficar na sala da Lúcia porque lá vêem filmes de Jesus e cantam canções e fazem desenhos e contam histórias.

- Mas a Lúcia está no segundo ano, e tu ainda nem entraste na escola. Não vais à catequese.

- VOU SIM! EU VOU À CATEQUESE!

E as palavras decididas transformaram-se em gritos histéricos, bater de pé no chão e uma cascata de lágrimas.

- Deixa-a ir, Niall - Intercedi eu, por fim.

Mas o Niall não se queria deixar convencer:

- Tu não achas que o João e a Isabel já têm que fazer, com vinte meninos da idade da Lúcia? Como podemos pedir-lhes que cuidem também da Sara?

Chegou a hora de entrar no carro, e a Sara entrou também. O Niall ficou desarmado.

- Pronto, anda lá!

Ao chegar ao Santuário, a Sara correu para junto da Isabel e do João, catequistas da Lúcia, que a acolheram com imensa alegria e o carinho habitual. Mais tarde, a Isabel enviou-me estas duas fotos, tiradas com o seu telemóvel:

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- A Sara é a nossa catequisanda mais empenhada - Comentaram os catequistas no final, a rir. E tem convite feito para ir sempre que quiser!

 

Entretanto, o António e o David tiveram uma conversa séria entre os dois, que resultou nesta afirmação do António:

- Mamã, amanhã vou ser acólito.

- Ai sim? Não és ainda pequenino para tanta concentração?

- Não. Não sabes que já tenho seis anos?

Perante tanta convicção, não nos restou alternativa senão apoiar o nosso filho nesta sua grande decisão. Lindo, sereno, muito sério, muito compenetrado, o António serviu o altar do Senhor com imenso entusiasmo. No final da eucaristia, teve direito a uma salva de palmas...

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 Os filhos crescem, e como Jesus, crescem em todas as áreas da sua humanidade:

 

"Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens." (Lc 2, 52)

 

É um privilégio tão grande, este que o Senhor nos concede de os podermos acompanhar!

Também o nosso primogénito cresceu. Sexta-feira participará na missa dos finalistas do Colégio Nossa Senhora da Assunção, Colégio a que tanto, tanto deve, e que embora não tenha podido frequentar este ano letivo, o continua a considerar como aluno.

Será também no Colégio que, no próximo domingo às três da tarde, o Francisco fará um espetáculo de Ilusionismo. Querem vir? Temos bilhetes para vender, e só precisam de me escrever para o mail. O espetáculo foi a forma que o Francisco encontrou de reunir algum dinheiro para, no final de Julho, ir a Cracóvia, às Jornadas Mundiais da Juventude, inserido num grupo de jovens salesianos. Que grande graça! O Francisco terá oportunidade de ver o Papa, de conviver com milhões de outros jovens crentes, de escutar catequeses fantásticas, de participar em atividades divertidas e sérias, de visitar o Santuário da Misericórdia, de me trazer uma imagem de Jesus Misericordioso :)  

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Apareçam no domingo!

E hoje, Dia mundial da Criança, rezemos ao Senhor por todas as crianças do mundo, para que todas cresçam bem pertinho da Casa de Deus! Ámen.

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Estrela

por Teresa Power, em 30.05.16

A nossa querida gata Tiger tem sido uma mãe exemplar. Já deu à luz duas ninhadas, e de cada vez entregámos a famílias nossas amigas todos os gatinhos exceto um, ficando assim sempre com uma cria em casa, o que nos tem permitido observar a forma carinhosa com que as gatas cuidam dos seus bebés.

Mas na semana passada ficámos muito tristes: a Estrela, a gatinha multicolor que conservámos desta última ninhada, desaparecera. A Tiger parecia irrequieta e confusa, sem nenhum dos seus gatinhos para amamentar e lamber, e os meninos suspiravam de tristeza, imaginando cenários de frio e fome para a pequena Estrela.

- Ela não morreu atropelada, isso tenho eu a certeza - Dizia o Niall, que ao serão se dedicava a percorrer a berma da estrada para cima e para baixo, à procura de sinais da Estrela. - Certamente que alguém a viu sobre o muro e a levou para sua casa.

- Achas que tratam bem dela? - Perguntava a Lúcia especialmente, muito preocupada.

- Sim, Lúcia, não tenhas medo!

Mas nem a Lúcia, nem ninguém descansou. Até que sábado de manhã bem cedo, enquanto passeava os cães, o Niall ouviu um miar aflitivo para além do jardim. Depois de procurar um bocado, descobriu a Estrela, escondida sob um carro. Feliz, aproximou-se e pegou nela com jeitinho, para logo a trazer para casa abrigada dentro do seu casaco.

- Olha, Teresa, o que eu encontrei! - Disse-me assim que abriu a porta.

Dei um pulo de alegria: - Dá cá, vou acordar a Lúcia com a gatinha!

E assim fiz: devagarinho, enfiei a gatinha na cama da Lúcia, que abriu os olhos de espanto e deu um salto como não é nada habitual nas manhãs de sábado.

- Ah! Voltaste, Estrela! Ah, querida Estrela!

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Mas se pensam que a maior festa foi a da Lúcia, estão bem enganados...

- Vamos levar a gatinha à mãe dela - disse eu por fim, pegando na Estrela e levando-a para o jardim. A Tiger estava por lá, muito parada, como costume. Pousei a gatinha no chão e chamei a Tiger. E de repente, num salto único e simultâneo, mãe e filha entrelaçaram-se, rebolando depois pelo chão. Finalmente, ronronando de pura felicidade, a Tiger lambeu a Estrela de alto a baixo, enquanto a Estrela mamava, e assim ficaram, imóveis, por longo, longo tempo.

Durante o resto do dia, mãe e filha não se separaram. No jardim, nos sofás, sobre as camas dos meninos, no meio dos bonecos e dos brinquedos, mãe e filha brincaram uma com a outra, intercalando lambidelas e mamadas com um quieto ronronar.

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Os pensamentos que às vezes me passam pela cabeça poderiam ser considerados sacrílegos, se Jesus não se tivesse também lembrado de comparações semelhantes... Sim, ao olhar para as duas gatas tão felizes com o reencontro, lembrei-me do Evangelho.

Nem sempre é fácil entender afirmações chocantes de Jesus, como por exemplo:

 

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão."

(Lc 15, 7)

 

Jesus fez esta afirmação, se bem se lembram, depois de contar a história do pastor que deixa noventa e nove ovelhas sozinhas para ir buscar uma única que andava perdida. Jesus com ovelhas, eu com gatos...

Como? Mais alegria por um que regressa do que por noventa e nove que nunca sairam de casa? O reencontro da mãe Tiger com a filha Estrela não podia ser melhor ilustração. Quanta alegria! Naturalmente que a Tiger teria preferido que a sua gatinha nunca tivesse saído de casa, mas lá que a alegria que sentiu com o seu regresso foi mil vezes superior à que sentia antes da sua partida, lá isso foi.

Assim também com o Senhor, quando de todo o coração regressamos ao aconchego do seu abraço paternal. É que todos os dias, ao fim da tarde, Ele sobe ao cimo da colina e prescruta o horizonte, desejoso de que seja esse o dia do nosso regresso...

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos." (Lc 15, 20)

 

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Famílias em Jubileu

por Teresa Power, em 25.05.16

No domingo, a diocese de Aveiro viveu o Jubileu das Famílias. As Famílias de Caná estiveram presentes na preparação deste dia, como parte da equipa organizadora, e estiveram também presentes como famílias que fizeram o percurso sugerido e passaram a Porta Santa de Aveiro de coração transbordante de alegria. 

Durante uma hora e meia, nós cantámos, rezámos, louvámos o Senhor. Foi bom estarmos juntos, no ambiente de festa que costuma caracterizar as Famílias de Caná, rindo e servindo com entusiasmo. Foi bom passarmos juntos a Porta, e rejubilar na Eucaristia, tão bonita, que o nosso bispo presidiu, em união com todos os movimentos que servem a família na nossa diocese. E a verdade é que nos sentimos verdadeiramente unidos.

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É verdade que não estávamos muitos. A diocese tem tantas famílias, e tão poucas foram desafiadas a viver este dia! Por um lado, penso que houve pouca divulgação da data. Por outro, uma sobreposição de celebrações, em dias muito próximos, o que torna compreensível a fraca adesão. Foi pena, porque o percurso estava muito bem pensado e teria sido giro ser feito por muitas famílias, unindo numa só celebração o jubileu das crianças e adolescentes e o das famílias. Afinal, são as famílias que devem apresentar os seus filhos ao Senhor, e não os catequistas. Há divisões suficientes no mundo para ainda as perpetuarmos dentro da Igreja, e como o Papa Francisco tem insistido, tudo na Igreja precisa de ser projetado em chave familiar. Também o Jubileu.

Mas os números não importam, quando se trata da graça do Senhor. Ele é o Senhor dos pequenos, dos humildes, dos fracos, dos pobres. A Bíblia é a história de um povo pouco numeroso, de um povo fraco e escravizado, de um povo considerado estranho e retrógrado, com as suas ideias esquisitas de adoração a um único Deus. Mas não foi na civilização romana, grega, babilónica ou outra grande civilização da Antiguidade que o nosso Deus encarnou. Não foram as grandezas dos monumentos antigos que atrairam o seu olhar... O Filho de Deus escolheu este povo subjugado, pobre e mal visto para habitar entre nós.

Hoje também, vivemos num mundo onde a família é atacada de todas as frentes possíveis, num mundo onde os valores familiares são guerreados um a um. A Igreja Católica já não é a Igreja de massas, de grandes templos onde o incenso e as vestes solenes convidam à adoração. Talvez estejamos a caminho de um esvaziamento, de uma descida ao abismo, de uma debandada geral.

 

"Também vós quereis ir embora?" (Jo 6, 67)

 

Quando os católicos se derem conta de que não é possível ser católico e, simultaneamente, aceitar os valores modernos e politicamente corretos que vemos publicitados à nossa volta, então as igrejas ficarão vazias, sim. 

 

"Jesus, eles não têm vinho." (Jo 2, 5)

 

Assim se dirigiu Maria ao seu Filho, nas Bodas de Caná.

 

"Jesus, eles não têm vinho."

 

Assim se dirige certamente Maria hoje também a Jesus, olhando para o mundo onde vivemos. E para nos ensinar a fazer o que Jesus diz, Maria continua a visitar a Terra, como Mãe solícita.

Está na hora de estender as nossas bilhas a Jesus e fazer tudo - absolutamente tudo - o que Jesus nos disser. As Famílias de Caná e todas as famílias verdadeiramente católicas estão prontas.

Derrotados? Tristes? Desanimados? Oh, não! No final do Jubileu das Famílias, regressámos a casa acompanhados da querida família Batista, que veio da diocese de Santarém de propósito para participar connosco nesta celebração. Comprámos à pressa uns frangos assados para o jantar e preparámos uma mesa de festa, enquanto pequenos e grandes punham a conversa - e as gargalhadas - em dia. Fez ontem dois anos que, depois de alguns meses a trocar e-mails, nos conhecemos pessoalmente, como a Olívia recorda aqui. Mas parece que somos amigos desde sempre! A amizade que experimentamos, e que nasceu unicamente em Jesus, é sinal de alegre esperança. Porque a partir do momento em que estendemos as nossas bilhas a Jesus e nos dispomos a cumprir a sua Palavra, provamos de imediato do "vinho melhor"...

 

"As pessoas costumam dar primeiro o vinho bom e, depois de todos terem comido e bebido bem, servem o de qualidade inferior. Mas tu guardaste o vinho melhor para o fim." (Jo 2, 10)

 

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O jardim e o deserto

por Teresa Power, em 23.05.16

Os dias têm sido difíceis cá por casa. Primeiro foi a gripe, que decidiu atacar a família um a um, num mês que, nos anos anteriores, já costumava ser, para nós, de praia e afins. Olhem só para a imagem do nosso início de maio:

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 Depois, uma série de problemas profissionais nas nossas vidas, que nos têm deixado um pouco em baixo, bem como toda a problemática da escola que escolhemos para os nossos filhos e que eles não querem deixar.

Maio é também o mês em que festejamos a entrada do Tomás no céu, há dez anos atrás. Nestes dias, e enquanto vou arrumando a casa e limpando o pó às estantes, preciso de um grande esforço de vontade para evitar folhear os albuns de fotografias ou remexer na caixa das recordações; porque se busco um Tomás terreno, corro o risco de me desligar do verdadeiro Tomás, que é eterno, como tão bem explica o Papa Francisco em A Alegria do Amor:

"O amor possui uma intuição que lhe permite escutar sem sons e ver no invisível. Isto não é imaginar o ente querido como era, mas poder aceitá-lo transformado, como é agora. Jesus ressuscitado, quando a sua amiga Maria Madalena O quis abraçar intensamente, pediu-lhe que não O tocasse para a levar a um encontro diferente." (nº255)

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Como se não bastasse, a canalização na nossa casa tem-nos dado muito que fazer: o contador da água sempre a rodar, a conta mensal de água sempre a triplicar, e nós sem descobrir a origem do problema. Foi preciso esburacar o jardim um pouco por todo o lado para ir arranjando furo atrás de furo, mas parece que ainda não está tudo no sítio... Um quadro desolador:

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Mas não é a qualidade da saúde da nossa família ou a qualidade da canalização da nossa casa que mais nos tem entristecido: é a qualidade moral do nosso país, lei após lei, decisão após decisão. Vamos esburacando o "jardim" à procura de um furo, e quando o encontramos, já outro faz rodar o contador da água e elevar a fatura moral para níveis insuportáveis. Os "buracos na relva" são tantos, que já não podemos falar de um "jardim à beira-mar plantado", mas antes de um deserto... O pecado, que destruiu o Jardim do Paraíso, continua a corromper todos os nossos jardins.

No início deste mês, como todos os anos, as estradas encheram-se de peregrinos a caminho de Fátima. E quando o Papa Bento XVI nos veio visitar, foram milhares a querer vê-lo de perto. Ouvi dizer que já está tudo lotado em Fátima para a visita do Papa Francisco, que ainda nem sequer foi confirmada. Pergunto-me o que estará errado na educação católica do nosso povo. Onde estão os milhares, quando chega a hora de votar ou de nos manifestarmos? Que fizemos da nossa fé? O que queremos verdadeiramente dizer, quando afirmamos que somos católicos? Como podem as pessoas afirmar-se católicas, ir à missa, comungar, e simultaneamente apoiar ou mesmo militar em partidos que aprovam o aborto, a eutanásia, as barrigas de aluguer e tudo o mais que por aí vem? Tantas perguntas que me têm ocupado a mente e o coração...

E as Famílias de Caná a surgir, cada vez com maior clareza, dentro de mim como uma resposta do Senhor. O "vinho melhor" que Jesus prometeu e ofereceu em Caná já está entre nós, nesta ânsia de evangelizar toda a família, dos mais pequeninos aos mais crescidos, dos bebés batizados assim que nascem aos avós que não se cansam de contar histórias da Bíblia.

Permitam-me que vos lance um desafio: vamos fazer uma grande corrente de oração e jejum por Portugal! Vamos oferecer ao Senhor as nossas "bilhas" e suplicar-Lhe que faça hoje o milagre de Caná, para que o vinho da fé, da esperança e do amor nunca acabe no nosso país! Comecemos hoje mesmo a rezar e a jejuar do que acharmos melhor, e façamo-lo a sério, para doer. Estão dispostos? Nove dias por Portugal, todos os leitores de Uma Família Católica e todos os que, a partir de vocês, se quiserem unir a nós!

 

"Então se abrirão os olhos do cego, os ouvidos do surdo ficarão a ouvir, o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo dará gritos de alegria; porque as águas jorrarão no deserto, e as torrentes na estepe. A terra queimada mudar-se-á em lago, e as fontes brotarão da terra seca..." (Is 35, 5-7)

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O Jubileu e um convite às Famílias

por Teresa Power, em 16.05.16

No sábado, a nossa diocese esteve em festa: foi o Jubileu das Crianças e dos Adolescentes, que cheios de alegria, quiseram passar pela Porta Santa e celebrar em conjunto a alegria de sermos cristãos. Entre crianças, adolescentes, pais e catequistas, estávamos cerca de duas mil pessoas! Houve tempo para lançar balões ao céu, cantar, rezar, jogar, visitar o Túmulo da nossa padroeira, Santa Joana Princesa de Portugal. Embora a manhã tivesse sido entrecortada de bastantes momentos de "pausa", porque uma multidão tão grande não é fácil de organizar, o mais importante aconteceu: duas mil pessoas testemunharam, pela sua serenidade, pela sua paciência, pela sua vivacidade, pelos sorrisos e palavras simpáticas que trocaram, que Jesus é a Verdadeira Porta por onde todos passamos para encontrar a Vida.

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No próximo domingo será o Jubileu das Famílias na Diocese de Aveiro. Que grande dom para nós! As Famílias de Caná, enquanto movimento nascente, estão representadas desde há alguns meses no Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar. Assim, o Niall e eu pertencemos à equipa que tem vindo a preparar este jubileu, e estamos entusiasmadíssimos. Vai ser um encontro muito giro e cheio de sentido para as famílias: começando às 15 horas na igreja de S. Francisco, no parque da cidade de Aveiro, cada família, com o seu ritmo particular, será desafiada a percorrer um determinado percurso até à Porta Santa, na Sé Catedral, onde será celebrada a Eucaristia com a presidência do nosso querido bispo. Durante o percurso, as famílias irão fazer algumas paragens de cerca de dez minutos, breves oportunidades para refletir sobre o jubileu. Numa dessas paragens estarão as Famílias de Caná, representadas por nós, Família Power, e três outras famílias completas. Aí iremos refletir sobre oração familiar e, sobretudo, rezar em família de famílias. Farei também um brevíssimo ensinamento de dois minutos e meio sobre oração familiar. Venham estar connosco! E se nos conhecem já deste blog, façam-nos o favor de se apresentar, que para nós é um verdadeiro prazer descobrir os rostos dos nossos leitores!

 Cartaz Jubileu da Familia 22 Maio 2016 Versao Web.

"Eu sou a Porta. Quem entrar por Mim será salvo." (Jo 10, 9)

 

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publicado às 06:00

Dia da família

por Teresa Power, em 15.05.16

Que o Senhor abençoe hoje e sempre todas as famílias da Terra!

Que o Espírito Santo desça hoje e sempre sobre todos nós e nos espalhe pelo mundo como testemunhas da alegria do amor!

Deixo-vos a entrevista que ontem dei no Grupo Renascença, no programa Lusofonias. A entrevista pode ser ouvida a partir do minuto catorze e tem a duração de cerca de vinte minutos. Disfrutem!

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