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A missa II

por Teresa Power, em 09.01.14

A propósito deste post, um leitor deixou o seguinte comentário:

 

Teresa: se eu amo DEUS, e adoro DEUS, procurarei estar com ele o meu máximo possível, certo? procurarei ouvir falar dele no meu máximo possível, certo? procurarei ouvir a sua palavra no meu máximo possível, certo? mas.. se eu não sinto que tenho que ir à missa... quererá dizer que afinal Deus não estará no centro da minha vida?!

 

Vou aqui traduzir o primeiro parágrafo de um livro que só conheço em inglês Getting Real about Education de Thomas J. Norris:

 

"Se quiseres conhecer o tesouro de alguém, olha para aquilo que o ocupa mais. O que quer que o absorva mais é o que a pessoa mais ama. Não é o que alguém diz que é importante para si que realmente o é. Pelo contrário, o que é verdadeiramente importante é o que a pessoa persegue na sua vida, ao planificar o seu dia, a sua selecção de objectivos, os sacrifícios que faz. Pois «onde está o teu tesouro, aí está o teu coração» (Lc 12, 34)."

 

E o padre Vasco Pinto Magalhães, conhecido jesuita, escreveu assim no seu livro Só avança quem descansa:

 

"Reparem que, habitualmente, todos achamos que queremos o que dizemos... Todos dizemos ter as prioridades relativamente bem arrumadas. Só que nos esquecemos de algo fundamental: é que uma coisa são as "prioridades da cabeça", outras são as "prioridades do coração" (...) Há grandes desfasamentos entre o que nós pensamos e o que nós fazemos, isto é, o que realmente queremos."

 

Façamos então o exercício proposto: olhemos com humildade e verdade para a nossa vida. Reparemos se as nossas acções correspondem às nossas crenças. Reparemos se dedicamos tempo áquilo que julgamos ser o mais importante. Reparemos se, nos nossos gestos, Deus tem mesmo o primeiro lugar.

Ao darmos o primeiro lugar à nossa relação com Deus, iremos descobrir que toda a nossa vida se "ajeita", que as pessoas que amamos recebem mais, e não menos, de nós e do nosso tempo, que a nossa família, o nosso trabalho e os nossos projectos se reconstroem e crescem. E porquê? Porque Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Nós damos-Lhe cinco, Ele retribui com cem. O evangelho conta-nos como Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes ao ponto de alimentar cinco mil pessoas!

 

Se eu disser: "Adoro a minha mãe, mas não sinto necessidade de estar com ela senão muito raramente", alguma coisa está a falhar na nossa relação. Talvez eu me sinta mal na sua companhia, talvez tenhamos assuntos mal resolvidos entre nós, etc!

Se eu disser: "Adoro o Senhor, mas não sinto necessidade de ir à missa todos os domingos", o que será que está a falhar? De novo, é preciso humildade e verdade para ver a nossa realidade como ela é, sem a imaginarmos como gostaríamos que ela fosse. A missa é o encontro mais profundo que podemos ter com Deus. Se hoje não sentimos necessidade dela, temos de insistir, insistir, insistir, até não podermos passar sem ela. Ninguém gosta de natação ao primeiro mergulho! Só depois de muita prática, de muitas braçadas, de muito suor, é que aprende a nadar e a gostar...

Cada semana tem 168 horas, todas oferecidas gratuitamente por Deus. Será que uma hora é assim tanto tempo? Não temos uma hora para Ele?

Peçamos ajuda ao Senhor para ver a verdade e, vendo, a viver. Há muitos e bons livros escritos sobre a missa, mas mesmo depois de os lermos todos, nunca entenderemos o valor da missa senão experimentando, com fidelidade, domingo após domingo, sem desistir. E quando o descobrirmos, descobrimos também que não podemos passar sem ela!

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:54


2 comentários

De Glória a 11.01.2014 às 03:07

Cara Teresa, muito obrigada por este seu blog em que partilha a vossa vivência da fé no dia-a-dia de uma forma tão bela, tão humilde e verdadeira. Gostava de deixar o meu contributo neste tópico sobre a \"obrigação\" da missa, ao menos dominical. De facto, quando dizemos amar alguém, temos naturalmente gestos concretos reveladores desse amor. Então na nossa relação com Deus- Trino e Uno, além da oração (individual, de coração, pessoal) e do amor ao próximo (em gestos e atitudes concretos), a missa naturalmente que se torna uma necessidade fulcral na vida de um Cristão. Não há como ser uma \"mera\" obrigação\" imposta pela Santa Mãe Igreja, que muito sabiamente nos indica como um dos seus cinco mandamentos. Como se faz então necessária a missa para uma alma que busca a Deus, que diz e quer amá-lo e concretizar esse Amor a Ele e no próximo?
1- A missa é a Oração mais completa que temos. É individual e comunitária, tem a oração penitencial -reconciliamos-nos pedindo perdão, com Deus, com os irmãos, connosco próprios; tem orações de louvor; de petição , intercessão; de acção de graças; de Adoração!! Tudo em comunidade no intervalo de uma hora!! Quando é que em casa conseguimos este \"prodígio\"?
2- a escuta da palavra, a escuta Activa da palavra, em que nas diferentes leituras e através da homilia o Senhor nos fala, a todos e a cada um!! Quando é que em casa conseguimos, muitos de nós, ler a palavra diária ou simplesmente regularmente? Nela o Senhor, nosso amado, se nos revela, mostra o Seu rosto, fala-nos, instrui-nos, mostra-nos caminhos da vida. Então como desperdiçar esta oportunidade de ouvi-lo em comunidade?
3- a missa é uma verdadeira Festa! Além do sacrifício do cordeiro imolado sobre o altar que muitos nem percebem este momento, na missa a igreja universal - terrena e celeste se une em oração e aclama, adora e louva o cordeiro, o zCristo Jejus, sob a acção do Espírito Santo! Somos um corpo místico, o povo de Deus! Que Alegria cantar o Santo com os anjos, os santos os coros celestes!!
4- a partilha do pão, que não é nada menos, que o próprio Jesus presente sob aquelas espécies! Aproximamos-nos da mesa, para qual estamos todos convidados e o Senhor no seu imenso amor se entrega por e a cada um de nós. Ele é o verdadeiro alimento, faz jorrar torrentes de agua no nosso deserto espiritual. Faz presente em nos, podemos \"leva-lo\" connosco!
E poderia enumerar mais e mais....
Mas parando por aqui pergunto:
Como pode,então, a missa ser uma \"obrigação\"? Não será mais uma necessidade? Uma Grande oportunidade de, ao menos uma por semana, termos a oração, a palavra e o pão? Como podemos viver sem este maravilhoso encontro com Deus vivo e com os irmãos na comunidade para podermos vivê-lo e encontra-Lo no mundo?

De Teresa Power a 11.01.2014 às 09:30

Obrigada, Glória, pelo seu comentário fantástico sobre o valor da Eucaristia! É maravilhoso ter leitores que partilham connosco as suas vivências, os seus pensamentos, as suas questões, pois é, na verdade, em comunidade - e na comunidade alargada que a Internet nos proporciona - que vamos crescendo na fé. A sua última questão - onde termina a obrigação e começa a necessidade - só pode ser respondida com a vida. Como eu escrevi, por muito belos que sejam os livros sobre a Eucaristia, só a vivência da missa, domingo após domingo, nos leva a encontrar o seu valor! Assim, nos próximos posts sobre a missa é nossa intenção partilhar aquilo que vivemos... porque para nós, a missa é a necessidade primeira da nossa vida!

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