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A missa de uma família numerosa

por Teresa Power, em 12.01.14

Manhã de domingo. Nos quartos, as crianças vão acordando.

- Mãe, hoje é escola, praça ou missa? - Pergunta o António.

- Hoje é missa, despacha-te!

- Eu queria que fosse praça.

- Mas não é. Não te lembras que foste ontem à praça? Hoje é missa. Vamos, veste-te depressa, para não chegarmos atrasados!

 

Saio de casa às 9h30 com os três mais velhos, pois fazemos parte do coro e precisamos de nos preparar, de afinar as guitarras e as vozes. O Niall ainda fica com os três pequeninos mais uns minutos, ganhando coragem para a hora que se vai seguir, pois ela vai ser muito, muito difícil... Chega à igreja perto das 10h. E durante uma hora, terá de tomar conta de três crianças pequeninas que insistem em brincar nos degraus do altar, em dançar ao som do Aleluia, em passear para a frente e para trás entre os bancos. Às vezes é preciso ir buscar alguma ao ambão...

 

 

 Nos degraus do altar, eles são bem capazes de meter conversa com quem quer que passe, incluindo o senhor bispo nas ocasiões em que vem celebrar connosco:

 

 

Sabem o que a Lúcia estava a perguntar ao senhor bispo? Ora ouçam:

- Porque é que tu tens esse barrete na cabeça?

!!!!!

 

No final da missa, o Niall às vezes não tem bem a certeza de ter estado lá.

Mas esteve!

Não seria mais fácil ficar um dos pais em casa com as crianças? Não seria mais confortável para todos - pais e outros adultos da comunidade - deixar as crianças longe da Eucaristia? Claro que sim. Mas depois vem Jesus e diz-nos:

 

"Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque delas é o Reino dos Céus." (Lc 18, 16)

 

Sabemos que há muitos sacerdotes um pouco esquecidos desta passagem do evangelho, que convidam as crianças a sair ao menor sinal de irrequietude. Graças a Deus, o nosso pároco diz abertamente para todos os que quiserem ouvir: "As nossas Eucaristias têm estado mais barulhentas ultimamente, com muito choro e muito riso infantil. Ainda bem!" Uma igreja demasiado silenciosa não está de acordo com o Evangelho.

 

Jesus passa por nós todos os domingos na Eucaristia, da mesma forma que passava na Galileia, na Judeia e na Samaria. Há dois mil anos atrás, as multidões corriam atrás de Jesus para Lhe tocar ao menos na orla do seu manto! E à sua passagem, os coxos andavam, os cegos viam, os mudos falavam, os doentes eram curados e até os mortos ressuscitavam.

Na missa, fazemos muito mais do que tocar na orla do manto de Jesus: escutamos a sua Palavra, conversamos com Ele e recebemo-l'O em nossa casa, no nosso coração. Não pode haver maior intimidade!

No seu maravilhoso comentário ao post "A missa II", a Glória dizia: "A missa é a Oração mais completa que temos. É individual e comunitária, tem a oração penitencial -reconciliamos-nos pedindo perdão, com Deus, com os irmãos, connosco próprios; tem orações de louvor; de petição , intercessão; de acção de graças; de Adoração!! Tudo em comunidade no intervalo de uma hora!! Quando é que em casa conseguimos este "prodígio"?"

 

Então eu não quero de forma alguma que os meus filhos fiquem longe desta fonte de graça e de amor. Vou fazer tudo o que puder para que eles possam correr para Jesus, como as crianças judias corriam, e saltar para o seu colo amigo. Vou fazer tudo o que puder para que eles aprendam desde bebés a escutar a sua voz e a sua Palavra.

E mesmo que eles estejam distraídos, mesmo que eu, por sua causa, esteja distraída, eu sei que Jesus não está. Diz o salmista:

 

"Aos teus amigos, Tu dás o pão mesmo durante o sono"

(sl 127/126)

 

Na missa, estamos como que adormecidos, pois não temos capacidade para entender o mistério. A missa não é obra nossa, mas de Deus! E à sua passagem, eu e a minha família iremos ficar curados de ressentimentos e medos, iremos aprender a caminhar no bem, iremos converter o coração para que se torne uma morada digna do Céu.

 

Domingo é dia de missa. Como podemos ficar na cama quando sabemos que Ele vai passar na nossa terra? Depressa, não queremos chegar atrasados ao encontro! Juntemo-nos à multidão e deixemo-nos contagiar pela alegria dos que acreditam!

 

 

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publicado às 07:35


3 comentários

De Helena LE Blanc a 12.01.2014 às 22:41

Há dias que, de fato, é muito difícil ter uma criança na missa... várias então é obra! Mas eu acredito que Jesus nos quer a todos com ele... sejamos nós crianças, bebés, adultos, sábios, desempregados, divorciados, pecadores, desatentos ao seu amor, curiosos, em pecado mortal, indiferentes, distraídos, a dormir, a comer. Ele só nos quer amar. E isso é o que interessa, certo? Mas, claro, esta relação não tem só uma via... apesar de que na maior parte das vezes, e se pensarmos bem... Deus dá-nos muito mais do que nós damos a ele... Mas voltando ao assunto em si, é tão especial para mim quando o meu filho, ao colo, encosta a sua orelha à minha boca para me ouvir cantar e começa a abanar numa espécie de dança, como se soubesse que aquelas canções são diferentes.. .são orações ao nosso criador! Saio da missa, tendo eu estado mais atenta ou mais distraída, com a certeza que Deus está connosco, e como tal, proteger-nos-á do mal.

De Teresa Alexandre a 08.07.2015 às 12:23

Como nao costumo vir assiduamente ao teu blog, andei à procura até encontrar um post " sobre criancas e missa.
Ai, Teresa, ainda bem que escreveste isto. É que eu, mesmo antes de nascer a minha filha, era da opiniao que as criancas têm todo o direito de participar na eucaristia. E, sobretudo quando sao pequeninos, participam de uma maneira diferente da nossa: falam, gritam, correm, cantam, dancam. .
A minha mae nao gosta de ir comigo à missa quando estou em Portugal, porque eu insisto em levar a miúda comigo. É que a minha Isabel, apesar de ser meia alema , tem um temperamento muito português!
Mas eu uso exactamente as palavras de Jesus "deixai vir a mim as criancinhas...".
A nossa capela na aldeia cada dia está mais vazia, e os que lá vao sao quase todos velhotes. Se nao habituamos as nossa criancas a ir à casa do Pai, como é que podemos esperar que elas queiram lá ir quando forem crescidas? Há que semear para colher...
Eu só entro em accao quando a Isabel faz questao de ir até ao altar, mas, de resto, desde que o sr . padre Joao , que é bastante tolerante, nao me mande ir com a miúda para a rua, faco questao de continuar a ir com o meu pé de vento à missa.
Obrigada pela tua partilha!

De Teresa Power a 08.07.2015 às 12:41

Nos retiros falo abundantemente sobre isto, e na entrevista que dei à rádio Vagos fm também! É um dos meus "cavalos de batalha"... Bjs e continua a batalhar!

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