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Um trampolim para Deus

por Teresa Power, em 29.11.13

Ser família numerosa é fantástico, mas também exigente. Acho que uma das principais razões de Deus ao pedir-nos generosidade no nosso planeamento familiar é esta: os filhos são belos trampolins para a santidade. Senão vejamos:

 

Chego a casa exausta depois de um longo dia de trabalho. Ah, como sabia bem poder tomar um belo duche e relaxar meia hora em frente da televisão ou com um bom livro nas mãos! Se não tivesse filhos, era isso que faria de certeza. Se tivesse só um ou dois filhos, não poderia fazer isso durante alguns anos, mas em breve estaria de novo em condições de tomar conta de mim, pois eles crescem depressa.

Mas com muitos filhos, há um regressar contínuo à idade das fraldas, das birras, das brincadeiras no chão, das bulhas entre irmãos, da ajuda nos trabalhos de casa. Com muitos filhos, há mais jantar para fazer, mais livros, brinquedos, roupas e sapatos para arrumar, mais lixo para limpar, mais desenhos para pendurar na parede, mais histórias para ouvir e para contar, mais abraços para receber e para dar. Com muitos filhos, não sobra tanto tempo para me centrar em mim.

 

"Quem quiser encontrar a sua vida há-de perdê-la, e quem a perder por causa de Mim há-de encontrá-la" (Mt 10, 39), disse Jesus.

 

Ter uma família numerosa obriga-me a ser mais paciente, mais generoso, menos egoísta. Os meus filhos fazem de mim uma pessoa melhor pelo simples facto de existirem. Claro que muita gente é já assim por natureza, ou graças a outro belo "trampolim" do amor de Deus (há muitos, claro, como cuidar de uma pessoa com deficiência ou dedicar-se de corpo e alma a alguma missão...), mas eu precisei de todos os meus filhos para me tornar quem sou.

Naturalmente que posso desperdiçar este dom, como posso desperdiçar qualquer outro dom. Quantas vezes não lhes respondo com impaciência, não dou palmadas a despropósito, não grito sem razão? Certamente mais do que desejaria. No entanto, também tenho mais oportunidades de corrigir o mal feito e de alterar o meu comportamento. Eduquei o meu primeiro filho com muitos gritos? Tenho mais cinco com quem treinar a mansidão... Deus é mesmo o Senhor das "Novas Oportunidades", e ser mãe de uma família numerosa é uma escola  fantástica (uma, não a única...) de humildade, de perdão e de amor.

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Uma casa no céu

por Teresa Power, em 28.11.13

A Lúcia e o António estavam a brincar no jardim. De repente, a Lúcia correu para o António:

- Queres saber um segredo?

- Quero! - Respondeu o irmão.

A Lúcia então colou a sua boca ao ouvido do António e segredou - em voz alta, que eu bem ouvi:

- Um dia, António, vamos brincar no céu com o Tomás e a Kitty tal como estamos a brincar agora!

Depois regressou à brincadeira.

 

A Kitty era uma linda gatinha preta, que morreu atropelada no nosso pátio (!) com apenas algumas semanas de vida. O Tomás era o nosso terceiro filho, que morreu com um ano e meio e um tumor celebral. A Lúcia nunca o conheceu, mas aguarda ansiosamente o dia em que o irá encontrar e brincar com ele no céu. Ela tem a certeza, do alto dos seus cinco anos, que a nossa verdadeira casa familiar não é aqui, mas no céu, onde estaremos todos juntos e imensamente felizes. Entretanto, continua a brincar!

 

 

As leituras desta última semana do ano litúrgico, depois da Solenidade de Cristo Rei, falam-nos mais do céu do que da terra. Caminhando para o fim do ano litúrgico, somos chamados a olhar para aquilo que começa onde tudo parece acabar: a Vida.

Como explicar às crianças o que é o céu? Para nós tem funcionado a parábola de Jesus:

 

"Não acumuleis riquezas na terra, onde a traça e a ferrugem as corroem e os ladrões assaltam e roubam. Juntai riquezas no céu, onde não há traça nem ferrugem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam. Pois onde estiver o vosso tesouro, aí também estará o vosso coração" (Mt 6, 19-21)

 

Explicamos então aos mais pequeninos que colocamos um tijolo na nossa casa do céu sempre que fazemos uma boa acção na terra. Pouco a pouco, gesto a gesto, vamos construindo no céu a nossa casinha. Eles gostam de imaginar que estão a construir um palácio de cada vez que praticam o bem...

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publicado às 21:37

Oração familiar

por Teresa Power, em 27.11.13

- Francisco, desliga o computador, são horas de rezar!

- Espera!

- Clara, fecha o livro, vamos rezar!

- Estou quase a acabar, espera!

- David, não chutes a bola com tanta força! António, pára de saltar para o sofá, já sabes que está partido. E a Lúcia, alguém sabe onde ela se meteu?

- Está no quarto a chorar. A Sara estragou o seu desenho.

- LÙUUUUcia! VAMOS REZAR! ALGUÉM PÕE ORDEM NESTA CASA? VAMOS REZAR!

- Depressa, meninos, a mãe está a ficar irritada e a Sara está quase a adormecer ao meu colo. Agora parou mesmo tudo. Vamos lá!

- Já cá estou!

- E eu também!

 

Há dias em que a hora da oração parece uma batalha. O choro de uns, a pressa de outros, a distracção de quase todos dão vontade de desistir. Rezamos sempre bem todos os dias? Não. Rezamos todos os dias? Sim. Uma das maiores armadilhas do demónio é convencer-nos de que os nossos esforços são patéticos e não vale a pena insistir. Mas nós sabemos que Deus é Pai, e como qualquer pai, só precisa de ver o esforço do filho para ficar feliz.

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publicado às 21:50

Família Power

por Teresa Power, em 26.11.13

Somos a Família Castel-Branco Power. O pai, irlandês, chama-se Niall e trabalha na Universidade de Aveiro. A mãe, portuguesa, chama-se Teresa e é professora de Inglês em Anadia. Somos ambos catequistas.

O Francisco tem quinze anos, a Clarinha tem doze, o David sete, a Lúcia cinco, o António três e a Sara um. O Tomás, que está no céu desde a idade de ano e meio, teria agora quase nove.

Vivemos em Mogofores, uma pequena aldeia perto de Anadia, numa casa cor-de-rosa. Temos dois cães, um gatinho, algumas galinhas, uma pequena horta, um baloiço, uma oliveira. Temos bicicletas, patins, bolas, bonecas e guitarras, e fazemos muito barulho! Temos na nossa casa um Canto de Oração onde nos juntamos todas as noites para rezar. Vivemos a  nossa fé na paróquia de Mogofores, que está entregue aos salesianos. Assim, todos os domingos vamos à missa no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, nossa Mãe. 

Vivemos uma vida cheia de alegrias e problemas, risos e lágrimas, pecados e virtudes, como toda a gente. Somos católicos e procuramos celebrar a nossa fé em família, com criatividade e generosidade. Sabemos que Deus nos pede para sermos santos, e que para isso temos muito, muito que trabalhar! Assim, criámos este blog para podermos partilhar com outras famílias ideias, sugestões, experiências e reflexões sobre esta caminhada, tão imperfeita, rumo à santidade.

 

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Bem-vindo

por Teresa Power, em 25.11.13

Pedi aos alunos para ligarem os computadores, a fim de darmos início a uma pesquisa para a aula de Inglês. Pouco depois, um dos meus alunos mais irrequietos, famoso pelas suas faltas disciplinares, chamou-me. Fui junto dele e vi o seu sorriso aberto, enquanto apontava para o "ambiente de trabalho" prestes a abrir: "Vê, professora, o único lugar onde sou "Bem-Vindo"!

Ser católico é também fazer os outros sentirem-se bem-vindos à nossa vida, todos os dias e a toda a hora. Jesus era capaz de acolher até os mais rejeitados pela sociedade, desde as pecadoras públicas aos leprosos ou aos samaritanos. Será que o meu sorriso, as minhas palavras e os meus gestos transmitem esta mensagem de acolhimento e amor? Nem sempre. Talvez vezes demasiadas, a minha impaciência ou irritabilidade levam os outros - amigos, alunos, marido ou filhos - a sentirem-se intrusos junto de mim. "Bem-vindo!" O meu aluno sentiu-se mais acolhido pela máquina do que por mim. Perdão, Senhor!

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publicado às 15:55

Cristo Rei

por Teresa Power, em 24.11.13

Dia de Cristo Rei. Na missa, escutámos como Jesus Se revelou nosso Rei, crucificado entre dois ladrões. As crianças ficaram curiosas: um rei numa cruz? Em casa, à noite, um pouco de catequese: sim, Jesus foi rei, tendo por coroa, espinhos, por jóias, três cravos, e por trono, uma cruz. Mesmo já cheios de sono, os meninos cantaram o refrão de um cântico que compus há alguns anos...

 

Dó                      Lám          Rém          Sol                     

"Por coroa, espinhos, por trono uma cruz,

        Mim           Lám             Fá       Sol            Dó

por jóias, três cravos: e és Rei, és Rei, bom Jesus!"

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publicado às 21:23

A oliveira

por Teresa Power, em 23.11.13

No centro do nosso jardim há uma oliveira. Velhinha, com mais de duzentos anos, foi-nos oferecida quando nos mudámos cá para casa, há seis anos atrás, e aqui voltou a rebentar, a dar sombra e a dar frutos. Os meninos adoram subir aos seus ramos, sentar-se lá em cima a sonhar ou a ler um livro, brincar às escondidas por detrás do seu tronco forte. Na primavera, os passarinhos fazem ninhos num pequeno buraco no tronco, e é uma delícia observá-los a entrar e a sair para alimentar os filhotes!

 

 

 

 

Cada vez que observo os meus filhos a brincar na oliveira, vem-me à memória o belíssimo versículo do salmo 128 (127):

 

"Teus filhos, como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa!"

 

No sábado passado fizemos a apanha da azeitona. Com uma só oliveira, passámos a tarde inteira à volta das azeitonas... Imagine-se quem tem dez! Enfim, tentámos todas as técnicas: abanar a árvore a ver se as azeitonas caem ao chão (não resulta!); subirem todos à árvore (muito giro, mas os ramos vão-se partindo!); construir um sistema de roldanas com baldes da praia e cordas de saltar (muito divertido, os mais velhos constroem e os mais novos destroem, mas pouco eficaz!); finalmente, quando os meninos se cansam da tarefa e decidem ir patinar, o pai sobe à oliveira e apanha as azeitonas (única técnica que realmente resulta!). Foi uma fantástica tarde de outono em família!

 

 

 

 

 

 

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publicado às 13:27

Escuta, Israel

por Teresa Power, em 22.11.13
- Atenção, meninos! Vamos fazer um pequeno vídeo com a oração do Shemá. Depressa, venham rezar!
- Bem-comportados?
- Sim, claro, bem-comportados! Ou querem fazer um vídeo cómico?
- Era mais natural se ficássemos a rezar enquanto brincamos ou atiramos aviões de papel...
- Mas às vezes vocês também se sabem comportar!
- Eu sei, os manos é que não!
- Sabemos sim! Lá porque damos uma cambalhota de vez em quando não significa que não estejamos a rezar!
- Despachem-se! Não tenho o tempo todo!
- OK, vamos lá. Quem acende as velas?
- E quem toca guitarra?
- Todos de pé! Agora é mesmo a sério...
 

"Escuta Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E amarás o próximo como a ti mesmo. Faz isto e serás feliz." (Lc 10, 27-28)
 
Recordar em família que só o Senhor é Deus é a base da felicidade. Rezando todos os dias o Shemá de Jesus, procuramos dizer aos nossos filhos e a nós mesmos que o segredo da felicidade é o amor. E aprende-se a amar dando a Deus o primeiro lugar. Não importa se rezamos mal ou se nos distraímos de vez em quando, desde que Lhe dediquemos o Horário Nobre da nossa vida. No vídeo, a mamã está por detrás da câmara, a filmar...
 

 
 

 

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publicado às 09:47



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