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As estrelas e o Sangue de Jesus

por Teresa Power, em 31.03.14

Sempre me encantou a história de Abraão, o fundador do povo hebreu. Imagino a sua surpresa quando Deus, fazendo ouvir a sua voz com clareza cristalina no mais íntimo do seu coração, lhe prometeu:

 

"Conta as estrelas do céu, se fores capaz... Terás mais descendentes do que há estrelas no céu ou areias na praia!" (Gen 22, 17)

 

Olhar para o céu e contar as estrelas é uma paixão cá em casa. Quando, aos serões, passeamos no jardim e contemplamos a noite, como já dissemos aqui, costumamos cantar este pequeno cântico, que compus na quaresma alguns anos atrás:

 

Lá                                              Mi

"Eis-me aqui (eis-me aqui), vou subir (vou subir)

Mi7                           Lá

À montanha do Senhor!

Lá                                                  Mi

Jerusalém (Jerusalém) a tua porta (a tua porta)

Mi7                     Lá

É Jesus, o Salvador!

 

                  Fá#m                            Sim

Conta as estrelas que brilham no céu!

                   Mi                              Lá

Assim é o povo que Deus escolheu!

Fá#m                      Sim    

Nele serão abençoadas

Mi7

todas as nações da terra...

 

Em Jerusalém, Senhor, Tu entraste

Cordeiro Pascal, por mim Te imolaste!

Abriste a Porta das Ovelhas

Quem por Ti passar, a vida há-de achar..."

 

Aproxima-se a celebração do dia em que Jesus, qual Cordeiro Pascal, entrou em Jerusalém. Uma das doze portas da cidade chamava-se a Porta das Ovelhas, e Jesus pregou perto desta porta, segundo Jo 5, 1-2. Era por esta porta que entravam os rebanhos destinados aos sacrifícios no Templo. Um dia, Jesus disse assim:

 

"Eu sou a Porta das Ovelhas. Quem entrar por Mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pastagem." (Jo 10, 9)

 

Jesus, o Cordeiro de Deus, abriu-nos a Porta das Ovelhas. E abriu-a ao derramar todo o seu sangue, no verdadeiro sacrifício do Templo do seu Corpo. Da sua entrega de amor nasceu o novo povo de Deus, esse povo numeroso como as estrelas. Cada gota do sangue de Jesus lançou no céu uma nova estrela cintilante! A promessa que Deus fez a Abraão realizou-se plenamente no mistério da Cruz. Nunca nos esqueçamos do preço do nosso resgate! Se no Céu de Deus brilham milhões de "estrelas", é porque Jesus nos amou até à loucura de dar a vida por nós.

Contemplemos então o céu nocturno, pensando no outro Céu... Sabendo que cada "estrela" custou a morte de Jesus!

Escutem e cantem connosco...

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publicado às 08:47

Desertos floridos

por Teresa Power, em 30.03.14

No início da quaresma, partilhámos aqui o nosso Canto de Oração quaresmal e desafiámo-vos a fazerem um também. Os leitores deste blogue, em especial as Famílias de Caná (mas não só!), enviaram-nos belas fotos dos seus Cantos de Oração para o nosso endereço electrónico. Aqui fica, como prometido, uma pequena amostra desta riqueza!

 

A Lena e o James optaram por construir um Canto de Oração nas escadas. Assim, sempre que sobem e descem podem sorrir para Jesus!

 

 

Da Marinha Grande, da casa da Guida e do Luís, chegou este lindo Canto de Oração. A menina mais nova gosta especialmente de... soprar a vela no final da oração, de preferência a acompanhar com uma salva de palmas! Cá em casa há sempre conflitos quando é hora de apagar as velas, Guida, e por isso optámos por quatro, uma para cada um dos mais pequenos...

 

 A Família da Isabel e do João estão em fase de construção do seu Canto de Oração. Entretanto improvisaram um nesta mesinha. À noite, quando rezam, partilham silêncios mas também gargalhadas, segundo me constou! Reparem no Caminho de Quaresma, que decidiram colocar em destaque, para cada membro da família ir tomando consciência do caminho a percorrer!

 

A Olívia e o Álvaro construiram este belo Canto de Oração depois de começarem a ler este blogue. Escreveu a Olívia: "Lá em casa rezávamos cada qual no seu quarto e agora elas já sabem que depois do jantar vamos ao nosso cantinho onde rezamos, pedimos perdão e agradecemos." No placard vão colocando frases simples, que transmitem a caminhada quaresmal da sua diocese, Santarém; e sobre a mesa têm dois recipientes. Como a Olívia explicou:

"No baú colocamos mensagens para Jesus, frases, pedidos de perdão (a Maria faz uns desenhos) no frasco de vidro, que é o frasquinho da gratidão colocamos as coisas pelas quais estamos gratos (ex. sol, primavera, bons resultados na escola...) e assim vamos caminhando ao encontro do Senhor!"

Acho a ideia fantástica e digna de ser imitada. Obrigada, Olívia!

 

Na casa da Marina e do Miguel, a quaresma adquiriu a cor do deserto que se cobre de flores. A Joana deu forma às ideias de todos, desenhando este belo cartaz. E toda a família desenhou a sua própria pegada, como sinal de que quer seguir o caminho do Senhor:

 

Ao longo das semanas da quaresma, esta família vai procurando viver e meditar mais profundamente num dos cinco mistérios dolorosos do rosário. Aqui fica o resumo da meditação dos dois primeiros mistérios. Está ou não bonito?

 

Numa das leituras desta semana, li o seguinte:

 

"Qual é a nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? Mas tende cuidado; prestai atenção para não esquecer tudo quanto viram os vossos olhos nem o deixeis fugir do pensamento em nenhum dia da vossa vida. Ensinai-o aos vossos filhos e aos filhos dos vossos filhos." (Deut 4, 7-9)

 

Deus está tão perto de nós! Ele vive na nossa casa e na nossa vida, sempre que O invocamos, como nos ensina Moisés. Façamos em casa então um espaço para nos recordarmos da sua presença, e encontremos na nossa vida um tempo para O invocar! Recordemos continuamente as suas maravilhas, não deixando fugir do pensamento o seu amor, mesmo naqueles momentos em que tudo parece ruir... E ensinemos a Lei de Deus aos nossos filhos e aos fihos dos nossos filhos, segundo o seu mandamento. Então o Senhor cobrirá de bênçãos a nossa casa e a nossa família!

 

Já agora... Têm por aí fotos dos crucifixos com molas de madeira, que construíram em família? ...

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publicado às 12:38

De novo a família real

por Teresa Power, em 29.03.14

- Rei David, rogai por nós! - Reza o David todas as manhãs e todas as noites, cheio de orgulho. Na verdade, ter por padroeiro um santo que foi também Rei de Israel não é para todos!

 

Reis, rainhas, príncipes e princesas... A Bíblia está recheada de histórias de encantar! Amanhã, quarto domingo da quaresma, iremos escutar na missa o início do capítulo 16 do 1º Livro de Samuel. Veremos como o profeta Samuel foi visitar Jessé, um homem simples do campo, a pedido do Senhor. Jessé apresentou ao profeta sete dos seus oito filhos, todos rapazes altos, fortes e belos. Mas nenhum deles era o escolhido de Deus. Finalmente, Jessé mandou chamar o mais novo, o pastorinho David. Pequeno, ruivo, ainda a "cheirar a ovelha", como convém aos pastores (assim alertou o papa Francisco aos bispos!), David veio conhecer Samuel. E Samuel escutou em seu coração: sim, é este o eleito!

O pastorinho David tornou-se rei de Israel. O salmo 88 (89) proclama:

 

"Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David, meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações."

 

Da sua descendência nasceu José, que deu o seu nome a Jesus e que O ajudou a crescer, como todos os pais fazem. O nosso Deus é o Deus que dos pastores faz reis, e que dos meninos pequenos faz grandes homens. O nosso Deus, proclamou  Maria no seu Magnificat, olha para a humildade e abate a soberba.

Sentimo-nos pobres, pequenos e mal-cheirosos diante do Senhor? Não nos preocupemos, pois a família real de Deus é mesmo assim!

 

Há dois anos, contei cá em casa a história da unção de David e o nosso pároco pediu para filmar, publicando o vídeo no Youtube. Fica aqui o vídeo, para que aí em casa se conte esta história também!

 

 

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publicado às 08:32

Tempo para plantar

por Teresa Power, em 28.03.14

Chegou a primavera. Continua a chover, continua a fazer frio, mas para lá das aparências de inverno, tudo está diferente: os campos transbordam de cor, a brisa espalha aromas pelo ar, o dia e a noite enchem-se de sons, os corações estão mais leves. 

Diz o Eclesiastes que há um tempo para tudo...

 

"Tempo para nascer e tempo para morrer

Tempo para plantar e tempo para colher

Tempo para matar e tempo para curar

Tempo para destruir e tempo para construir

Tempo para chorar e tempo para rir

Tempo para abraçar e tempo para separar

Tempo para guardar e tempo para deitar fora

Tempo para rasgar e tempo para costurar

Tempo para calar e tempo para falar..." (Ecl 3, 1-8)

 

Pois bem, agora é tempo para plantar!

 

Primeiro é preciso convencer as galinhas a regressar de vez ao galinheiro, que já não está inundado. Enquanto passearem pelo jardim como se tudo lhes pertencesse, não há horta que resista!

Depois é preciso trabalhar a terra. E isso faz-se com a enxada na mão e com força muscular! Há que suar, há que perder tempo, há que dar o litro para que a terra fique macia e pronta a acolher a semente...

 

 

- Que flores tão lindas estas, Niall!

- Flores? Então não sabes que são ervas daninhas?

- Ervas daninhas? Mas são tão bonitas! Não as arranques!

- Se as não arrancar, elas vão alastrar por toda a horta, e não terás uma única couve. O que é que tu queres afinal?

 

A Sara é a melhor ajudante do Niall, claro. Enquanto houver terra para cavar, ei-la disponível! A Lúcia prefere a bicicleta, e o António já se cansou de cavar. É divertido durante um bocadinho, mas depois dói nos braços...

 

O Francisco vai a Náturia (se alguém por acaso ainda não sabe onde fica Náturia, pode ler este post) buscar canas para plantar o tomate. Também ele tem de trabalhar, cortando e limpando as canas!

 

Finalmente, a terra está preparada. Agora sim, podemos começar a semear e a plantar! Ao longo de todo o inverno, o Niall e eu conversámos e tomámos decisões sobre a disposição e o conteúdo da nossa horta este ano. Está na hora de pôr em prática o que decidimos fazer.

Vejam como está bonito o primeiro carreirinho da nossa horta primaveril!

 

Quaresma. É a primavera da Igreja que regressa! No nosso Canto de Oração, multiplicam-se as flores. A cada novo dia, novos gestos de amor brotam no deserto...

Quaresma. Tempo para cavar, suar, trabalhar com coragem e determinação a "terra" do nosso coração. É preciso revolvê-la sem medo da "enxada", trabalhar com persistência sem medo que doa, até ela ficar macia. Diz o Senhor através do profeta Ezequiel:

 

"Eu extrairei do seu corpo o coração de pedra e lhes darei um coração de carne, de modo que andem segundo as minhas leis..." (Ez 11, 19-20)

 

As "ervas daninhas" são atraentes, fáceis, cómodas, mas perigosas. Com que rapidez e eficiência elas alastram na "horta" da nossa vida e da nossa família! Se as colhermos apenas superficialmente, em breve regressarão, e com mais força ainda. É preciso ir ao fundo, cavar a terra com as mãos e arrancar a raíz.

 

Finalmente, podemos plantar.

Quantas conversas em família sobre os frutos que desejamos para este ano! Quantos sonhos, quantas ambições! A quaresma chegou e a Páscoa está quase aí. É preciso pôr em prática tudo o que decidimos mudar, semear, fazer crescer cá em casa...

 

Diz S. Paulo:

"Não vos enganeis. O que uma pessoa semear, também há-de colher. Não nos cansemos de fazer o bem, pois no momento certo havemos de colher, se não desanimarmos." (Gl 6, 7.9)

 

 A primavera chegou também para nós. Mãos à obra!

 

 

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publicado às 08:42

Príncipes e princesas

por Teresa Power, em 27.03.14

Na oração familiar do dia 25, solenidade da Anunciação, o David rezou assim:

_ Querida Maria, não te canses de ser nossa Rainha e continua sempre a ser a Rainha do céu!

Depois reflectimos um pouco nisto de termos por Pai, o Rei do universo e por Mãe, a Rainha do céu! Afinal, não somos simples servos, ou súbditos, ou meros empregados que cumprem ordens: somos filhos de Rei e filhos de Rainha, somos portanto príncipes e princesas do Reino de Deus! Como disse o pai do filho pródigo ao filho mais velho:

"Tudo o que é meu é teu." (Lc 15, 31)

E S. Paulo acrescenta:

"Se somos filhos, somos também herdeiros. Herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo." (Rm 8, 17)

 

A cruz, onde Jesus derramou todo o seu sangue, fez-nos participar na "família de sangue" de Jesus: ali mesmo, recebemos por mãe a sua própria mãe; ali mesmo, do seu lado aberto jorrou a fonte do baptismo, que faz de nós filhos. A cruz permitiu que Deus Se ligasse a cada um de nós por laços de sangue... Somos de descendência real! Se somos pó, como afirma Génesis 3, 19,  então somos pó de estrelas, como afirmam os cientistas! Que honra! Que privilégio! E que responsabilidade...

 

"Que mais poderia Eu fazer à minha vinha, que não lhe tenha feito?" (Is 5, 4) Pergunta o Senhor através de Isaías.

Na verdade, Deus desceu tão baixo, para nos elevar tão alto...

 

A Clarinha fez duas lindas coroas: uma para a Lúcia e outra para o António. Contentes, eles lá vão brincando com elas.

Quando nos perguntarem se somos ricos (costumam perguntar por causa do número de filhos...) já sabemos o que responder: sim, somos, pois pertencemos à Família Real do Senhor!

 

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publicado às 08:57

Anjos atarefados

por Teresa Power, em 26.03.14

Entre as quatro e meia e as oito e meia da tarde, não faço praticamente mais nada do que tomar conta da Sara. Ou melhor: faço milhares de coisas, mas tenho de as fazer enquanto tomo conta da Sara, sem lhe tirar a vista de cima um segundo sequer. Vou mostrar-vos porquê. Ora reparem na sequência:

 

 

 

 

E cenas como esta repetem-se a cada dois segundos. Sofás, mesas, cadeiras, tábua de passar a ferro, guitarras, brinquedos e até os cães funcionam para a Sara como óptimos escadotes, por onde ela trepa até alguém lhe lançar a mão e a fazer descer de novo. Se nos distraímos por um segundo sequer, aí vai ela direitinha ao chão! Já abriu o lábio, já bateu com a cabeça, já deitou sangue do nariz, e já foi apanhada no ar, em pleno voo, pelo Francisco, que se lançou no chão como um guarda-redes a agarrar a bola em frente da baliza - só que a "bola" era, claro, a cabeça da Sara! Enfim, pequenos acidentes sem consequências a manter-nos em alerta máximo. Resta-nos o consolo da experiência, que nos diz que em breve esta fase passará e poderemos respirar com algum alívio!

 

- Será que damos tanto trabalho a Deus como a Sara a nós? - Perguntou-me o Niall uma destas noites, quando descansávamos no sofá depois de todos se deitarem. Dei uma gargalhada:

- Talvez demos ainda mais trabalho a Deus... Passamos a vida a fazer disparates, a tomar as decisões erradas, a falar sem pensar, a agir sem rezar... Tal como a Sara, também nós fazemos birra quando Deus, no seu amor, nos coloca de novo no nosso lugar! E tal como a Sara, a maior parte das vezes nem sequer nos damos conta do perigo que corremos, e do quanto devemos ao amor do nosso Pai! De vez em quando, lá "rachamos o lábio" ou "batemos com a cabeça", mas nada de muito grave... Não admira que Deus confie cada um de nós a um anjo-da-guarda, pois sem ele, dificilmente encontraríamos o caminho para Casa! Quantas vezes o nosso anjo-da-guarda "se atirará ao chão", como um guarda-redes e como o Francisco naquela tarde? Ah, só no céu saberemos...

 

Diz o salmo 91 (90):

 

"Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo

e te refugias à sua sombra,

diz ao Senhor: «Tu és o meu refúgio e fortaleza,

o meu protector, em quem confio!»

Pois Ele te livra do laço do caçador

e da peste maligna.

Ele te cobre com as suas plumas,

e debaixo das suas asas te refugias!

Sua fidelidade é um escudo e uma armadura.

Não temerás o pavor da noite,

nem a flecha que voa de dia,

nem a peste que ronda no escuro

nem a epidemia que devasta em pleno dia (...)

Pois aos seus anjos dará ordens a teu respeito

para que te guardem em todos os teus caminhos..."

 

 

 

 

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Anunciação

por Teresa Power, em 25.03.14

- Mamã só há uma, eu e mais nenhuma! - Repetia eu à Sara, rebolando com ela no sofá, como sempre fiz com todos os outros em pequenos. Ela ria, feliz.

A Lúcia, que escutava a conversa, interrompeu:

- Mamã há duas! Não há só uma!

- Ai sim, Lúcia? E então quem é a outra mãe? - Perguntei.

- A mãe de Jesus! - Respondeu.

Enquanto os meus filhos chamarem mãe à Mãe de Jesus, não temo por eles!

 

De manhã, escrevi sobre uma grande apóstola, a samaritana. Agora escrevo sobre a maior apóstola de sempre: Nossa Senhora. É que hoje celebramos a solenidade da Anunciação. Em plena quaresma?! Quem se lembra do Natal quando estamos quase na Páscoa? Pois é, o tempo litúrgico diz-nos que estamos quase na Páscoa, mas o tempo cronológico diz-nos que faltam exatamente nove meses para ser Natal! Quem já esteve grávida sabe bem o quão longos são estes nove meses... Numa linda manhã de primavera, Deus irrompeu na vida e no seio virgem de Maria.

 

Hoje é portanto o dia em que o Evangelho nasceu:

"Alegra-te, ó Cheia de Graça, porque o Senhor está contigo!" (Lc 1, 28) Disse o Anjo Gabriel à virgenzinha de Nazaré.

No preciso instante em que Maria disse "sim", Deus entrou na História e assumiu um corpo humano. E fê-lo para poder dar a vida inteira por nós, estendendo os braços e morrendo na cruz. A anunciação faz pleno sentido na quaresma...

 

Alegremo-nos nós também! Com o anjo, com Isabel, com toda a Igreja, rezemos:

 

"Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco!

Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores,

Agora e na hora da nossa morte, amen!"

 

E se quiserem cantar com o padre Zezinho uma das mais belas canções alguma vez escritas sobre Maria de Nazaré, cliquem aqui...

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Samaritana

por Teresa Power, em 25.03.14

"Como é que Tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?" (Jo 4, 9) Perguntou, surpreendida, a samaritana, junto ao poço de Jacob. Os próprios discípulos de Jesus ficaram surpreendidos diante desta nova atitude de inclusão, e levarão bastante tempo até entenderem que a salvação é para todos, judeus ou pagãos!

 

Timothy Radcliffe, que já citei várias vezes, escreveu:

 

"Para quê ir à igreja? Para trocar o beijo da paz com estranhos." (Ir à Igreja Porquê, página 230)

 

A missa, nascida da cruz, é verdadeiramente o poço de águas profundas, onde vão beber pessoas "de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7, 9) E só estas águas podem fazer florir os nossos desertos interiores.

 

Há umas semanas, em Fátima, no nosso piquenique, bebemos do poço da irmã Lúcia, onde o Anjo de Portugal ofereceu aos pastorinhos a água profunda da adoração e da contemplação:

 

 

No domingo, depois da missa, decidimos imitar o gesto da Samaritana e sentámo-nos sobre o nosso poço. Conhecem o capítulo 4 de S. João, que narra a história do encontro entre Jesus e a Samaritana? Aqui fica o cântico com a nossa versão! O Francisco toca guitarra, a Clarinha faz a segunda voz, eu canto por detrás da câmara. Apreciem o esforço do António, a tentar pronunciar palavras tão difíceis (acho que ele repete a palavra "cruz" durante toda a canção), e o entusiasmo da Lúcia, que gosta sempre de cantar muito alto. Vejam como o David toca bateria sobre os joelhos e divirtam-se com as tentativas falhadas da Sara em saltar do poço para o chão! Como ruído de fundo, não se assustem, são só as galinhas...

O vídeo tem apenas o refrão e uma estrofe, mas deixo aqui a letra completa e os acordes, para poderem cantar aí em casa.

 

Sol       Dó                        Ré                 Sol

Da tua cruz nasce um rio de água viva!

Mim             Lám          Ré                  Sol

Por onde passa, os desertos faz florir!

Na sua margem eu armei a minha tenda

e teu amor, minha vida inundou!

 

Sol                                     Dó                      Ré           Sol

Neste deserto onde eu vivo, Tu me vieste procurar

Sol                                                Dó                        Ré                       Sol

Junto ao meu poço Tu Te sentaste, a minha água queres provar!

Mim                                               Lám                    Ré                          Sol

"Eu sou teu Deus e ando à procura de um coração que saiba amar!

Mim                                            Lám                            Ré                Sol

Terás tu água para a minha sede? Será que em ti vou repousar?"

 

"Se conhecesses o dom de Deus e Quem te pede de beber

pedir-Lhe-ias da sua água, para sede não tornares a ter!"

"Senhor, agora que Te encontrei, a minha vida eu vou mudar!

Em mim, teu dom se tornará fonte de Vida sempre a jorrar!"

 

Junto ao poço, neste deserto, meu pobre balde eu vou deixar

Pois esta água que o mundo dá, a minha sede não vai matar!

E vou correr a anunciar: "Eu encontrei o Salvador!

Ele saciou a minha vida com o seu eterno, imenso amor!"

 

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publicado às 08:53

Ainda os irmãos

por Teresa Power, em 24.03.14

- A Sara é tão querida, mamã!

- Pois é, David. Olha, ela quer dar-te a mão!

- Então eu dou-lhe a mão. Vem, Sara, eu ajudo-te!

- David, anda mais depressa! Corre!

- Não posso, Lúcia! Tenho de ajudar a Sara!

 

Nas primeiras páginas da Bíblia, no Livro do Génesis, encontramos este interessante diálogo entre Deus e Caim:

 

"- Onde está o teu irmão Abel?

- Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?

- Que fizeste?" (Gen 4, 9-10)

 

Ao longo de toda a Bíblia e de toda a História, o Senhor repete esta pergunta das mais variadas formas. Sim, ser irmão é ser o guarda do outro, do mais fraco, do mais pequeno, do mais pobre. Foi esta a mensagem do Papa Francisco na homilia de inauguração do seu pontificado, no dia de S. José há um ano atrás: somos guardiães de toda a Criação, em especial dos que vivem nas periferias da sociedade!

Como me mostrou o David, ser irmão é ficar para trás, perdendo um pouco de tempo para que o outro possa também chegar a Casa...

 

 

 

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publicado às 08:42

Brincando aos manos

por Teresa Power, em 23.03.14

Os meus filhos mais novos gostam muito de brincar aos pais e às mães. O António é o filho, a Lúcia a mãe, o David o pai, e vão trocando papéis até todos estarem felizes na sua função. Mas ontem dei com eles a brincar de forma diferente: estavam a brincar aos manos.

- Olá mana! - Dizia o António.

- Olá mano! - Respondia a Lúcia.

- Vamos dar um passeio, mana? - Perguntava o António.

- Vamos, mano! - Respondia a Lúcia.

Fiquei a observá-los durante uns instantes. Depois não resisti:

- A que é que vocês os dois estão a brincar?

- Aos manos! - Foi a resposta.

- Mas vocês são mesmo manos!

- Pois, mas agora estamos a brincar aos manos. É diferente - Explicaram.

 

Fiquei a pensar na utilidade de tal brincadeira.

Também nós, cristãos, somos todos irmãos. A nossa oração distintiva diz assim: "Pai Nosso..." No entanto, quantas vezes nos lembramos de que somos, de facto, irmãos? Se nos lembrássemos disso mais vezes, haveria tanta gente a morrer de fome no mundo?

 

Timothy Tadcliffe, um autor que muito admiro, escreveu assim a propósito do baptismo:

 

"Muitas vezes, os pais preferem um baptismo privado, em família. Mas isto é um pouco estranho, já que no baptismo a criança é entregue à família mais alargada do amor ilimitado de Cristo. E por isso, faz mais sentido realizar-se o baptismo no dia de reunião de assembleia paroquial e, até, que haja muitos bebés diferentes a serem baptizados ao mesmo tempo, rodeados dos seus novos irmãos e irmãs em Cristo, o primeiro e mais importante título de cada cristão." (Imersos na Vida de Deus, página 64)

 

E Bento XVI escreveu, quando ainda era cardeal:

 

"A Eucaristia não é um assunto privado no círculo de amigos que constituem um clube de pessoas com as mesmas afinidades, em que todas se buscam reciprocamente. Pelo contrário, do mesmo modo que o Senhor Se submeteu publicamente à cruz, fora das muralhas da cidade, à vista de todo o mundo, e do mesmo modo que as suas mãos se estenderam de tal forma que abraçam a todos, assim também a celebração da Eucaristia significa uma assembleia pública de culto de todos os convocados pelo Senhor, a Quem é indiferente quem são os que a compõem. Os homens de qualquer partido, de qualquer posição ou de qualquer ideologia são congregados no momento culminante da sua palavra e do seu amor." (Homilia para a festa do Corpo de Deus, 25-5-78)

 

Enquanto os cristãos de todas as confissões e com diferentes visões da Igreja não viverem como irmãos, partindo um só Pão, o mundo não vai acreditar no nome de Jesus. Foi Ele quem o disse:

 

"Que eles sejam um, para que o mundo acredite que Tu, ó Pai, Me enviaste." (Jo 17, 21)

 

Aos domingos, na missa, somos tratados por "irmãos" e tratamos os estranhos que se sentam ao nosso lado por "irmãos" também: 

"Confesso a Deus, Todo Poderoso, e a vós, irmãos..."

"Orai, irmãos, para que este sacrifício seja aceite..."

 

Pelo baptismo, somos irmãos de Jesus e irmãos uns dos outros. A missa é uma bela ocasião para "brincar aos manos", treinando em oração o grande jogo da vida!

 

                           (Festa da Palavra, novembro 2012)

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publicado às 08:07

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