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A hora extra

por Teresa Power, em 31.07.14

Sete e meia da manhã. Excitadíssimos, os meninos entraram nos carros, puseram os cintos e prepararam-se para a grande aventura: o dia da viagem chegara! Em breve estariam rodeados de primos, tios e avós no lindo país da Irlanda! O Niall e eu, atarefados até ao último minuto, entrámos também nos carros e ligámos a ignição. O carro do Niall não pegou à primeira. O Niall rodou a chave mais uma vez… e mais uma vez ainda… Não era possível, não estava a acontecer, devíamos estar a sonhar… O carro tinha acabado de passar a inspecção! Não, não iria avariar no dia em que tínhamos um avião para apanhar…
Mas avariou. O carro simplesmente não pegava. Saímos todos novamente dos carros, nervosos e com vontade de chorar. O Niall telefonou ao nosso mecânico, que se prontificou a vir de imediato com uma bateria nova. Entretanto, entrámos de novo em casa e sentámo-nos no Canto de Oração. A Lúcia distribuiu os terços e, juntos, começámos a rezar.


O mecânico apareceu logo que acabámos de rezar o terço. Mudou a bateria do carro, mas o carro continuou sem trabalhar. O problema parece ser mais sério! Só havia uma coisa a fazer – e já estávamos com uma hora de atraso na nossa viagem: empurrar o carro para a estrada, a fim de desimpedir a passagem do monovolume, deixar o mecânico a cuidar dele e seguirmos viagem todos juntos no monovolume. Rapidamente, mudámos as bagagens e acomodámo-nos o melhor que pudemos. A Lúcia e o David partilharam o mesmo cinto de segurança e a mesma cadeira, e lá fomos nós, a alta velocidade, oito pessoas num carro de sete lugares, rumo a Lisboa! À saída da auto-estrada havia obras, que nos atrasaram ainda mais e que nos roubaram os poucos minutos que teríamos para almoçar no aeroporto. Sempre a correr, comprámos algumas “Happy Meals” no aeroporto, fizemos o check-in e, num instante, lá estávamos nós a subir as escadas que nos levariam à Irlanda. Vitória!

Enquanto descíamos a auto-estrada a 140Km à hora, O Niall e eu conversávamos sobre a surpresa da nossa manhã, já bem dispostos.
- Estou muito orgulhosa da forma como reagiste, com tanta calma – Disse-lhe eu – Há uns anos atrás, a avaria do carro teria sido um momento de alto stress e alguns palavrões… Hoje, telefonaste ao mecânico com calma, tomaste a decisão certa com paciência e mantiveste o sorriso. Parabéns!
- Vamos tentar chegar ao fim do dia sem discutir – Sugeriu ele – Nas viagens, é tão fácil encontrar razões para discutirmos e nos enervarmos!
- OK, combinado!
- Sabes – Continuou o Niall – Fiquei calmo porque começo a conhecer Deus um bocadinho melhor. Ele gosta muito de brincar connosco e de nos pregar algumas partidas, exactamente para testar a nossa confiança, a nossa paciência e a nossa fé n’Ele. Eu sabia que tudo ia correr bem, e afinal, o que Deus fez foi aproveitar o espaço que Lhe demos no nosso horário.
- Qual espaço?
- A hora extra, lembras-te? Nós planeámos a viagem com uma hora extra, para as surpresas que aparecessem. Foi essa hora extra que Deus utilizou para nos surpreender! E admite que foi muito mais interessante assim… Teremos de esperar pelo Céu para saber qual a razão de ser de toda esta confusão, mas podes ter a certeza de que Deus sabe!

Fiquei a pensar em Nossa Senhora, com a sua vida tão bem organizada, os seus sonhos de menina, os seus projectos de aldeã simples. Preparava-se certamente para casar com José, quando Deus a surpreendeu com um sonho totalmente diferente, e tão extraordinário, que custava acreditar. Sim, Maria tinha uma “hora extra” marcada no seu projecto de vida, para que Deus a pudesse surpreender!

 

"Nada é impossível a Deus" (Gen 18, 14 e Lc 1, 37)


E rezo para que, em qualquer projecto, em qualquer sonho, em qualquer decisão, tenha sempre uma “hora extra”, um espaço aberto no meu coração para as surpresas de Deus – as boas e as menos boas. Como dizia Chiara Badano: “Tu queres, Jesus? Então eu também quero.” Ámen!


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O tesouro e a pérola

por Teresa Power, em 31.07.14

Um diálogo recorrente em torno do tema "família", com que sou brindada de tempos a tempos, diz assim:

- Quantos filhos tens?

- Seis.

- Seis??? Enfim... Eu tenho dois, mas por opção: os meus filhos têm tudo, não lhes falta nada.

- Pois, compreendo... Aos meus, falta muita coisa! Só não lhes falta alegria, graças a Deus!

 

Seis filhos não podem ter quartos individuais, brinquedos intactos, computadores privados, roupas de marca, campos de férias no estrangeiro. Seis filhos não podem comer bife todos os dias nem ir ao restaurante com frequência. Com seis filhos, a roupa, os sapatos e os brinquedos são herdados dos irmãos. Falta muita coisa, sim! A eles e a nós...

Mas esta semana, o Evangelho de domingo dizia-nos que não podemos "comprar" o Reino de Deus se antes não "vendermos" tudo o que temos; e que precisamos de renunciar ao "tudo" do mundo para termos o "Tudo" de Deus:

 

"O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Quem o encontra esconde-o de novo e, cheio de alegria, vai vender tudo o que tem e compra o campo.

O Reino dos Céus é também semelhante a um comerciante à procura de boas pérolas. Achando uma preciosa, vende tudo o que tem e compra-a." (Mt 13, 44-46)

 

Nem todos somos chamados a ter famílias numerosas; como também, ser família numerosa não é sinónimo de cumprir o Evangelho, naturalmente! Mas quer tenhamos poucos, quer tenhamos muitos filhos, esforcemo-nos para que lhes falte, sim, alguma coisa, a fim de aprenderem a desejar o que não lhes pode mesmo faltar! Porque todos somos convidados a "vender" tudo o que temos para "comprar" o Reino de Deus. Neste evangelho, como na vida, à renúncia segue-se a alegria...

                                  (À procura de pérolas...)

 

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publicado às 06:30

Jogar às escondidas

por Teresa Power, em 30.07.14

- Mamã, vem brincar connosco! - Pediam os quatro mais novos. - Vem lá!

- Está bem. Vamos brincar às escondidas? Eu conto! - Gosto sempre de brincar às escondidas, porque enquanto "conto", vou continuando a tratar da roupa ou da cozinha, e eles, como se estão a esconder, não dão por nada...

- Já podes vir! - Gritaram lá de longe, entre risadinhas divertidas. Pousei o alguidar da roupa e percorri o jardim, fingindo não os ver por detrás do poço, por entre os caules dos girassóis ou do outro lado do carro. Quando, finalmente, os "encontrei", foi uma excitação!

Repetimos o jogo novamente. Como é comum nas crianças, o António escondeu-se exactamente no mesmo sítio em que o David se tinha escondido; mas antes fez-me uma recomendação:

- Não me encontres, está bem, mamã?

 

 

Enquanto os procurava no jardim - que não é assim tão grande, nem tem tantos esconderijos - pus-me a meditar na história da ovelha perdida. Disse Jesus aos seus discípulos:

 

"Quem de vós, se tiver cem ovelhas e perder uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai em busca da ovelha perdida até a encontrar? E quando a encontra, com alegria põe-na aos ombros, volta para casa e chama os amigos e os vizinhos, dizendo: «Alegrai-vos comigo, porque encontrei a ovelha perdida!» Eu vos digo que também no céu haverá mais alegria por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão." (Lc 15, 4-7)

 

Depois pensei... Quando pecamos gravemente e nos afastamos da Igreja, achamos, na nossa infantilidade de fé, que nem Deus nos vai conseguir encontrar! Às vezes, como o António, suplicamos-Lhe: "Não me encontres, por favor!" apenas para não termos de fazer aquilo que já sabemos que precisamos de fazer, para mudar de vida...

Não, por mais profundos que sejam os abismos onde nos fomos esconder do Senhor, Ele tem tanta dificuldade em nos encontrar como eu tive, no meu jardim, a encontrar a Lúcia, o David, o António e, principalmente, a Sara! Diz o salmista:

 

"Para onde irei, longe do teu sopro?

Para onde fugirei, longe da tua presença?

Se subir aos céus, aí estás;

se descer aos abismos, aí Te encontras também.

Se tomar as asas da aurora

e for morar nos confins do mar,

também aí a tua mão me conduz

e a tua direita me guia.

Se eu disser: «Ao menos as trevas me envolvam

e a noite seja um cinto ao meu redor.»

Mesmo as trevas não são bastante escuras para Ti,

e a noite é tão clara como o dia..." (Sl 139/138)

 

Deus está tão perto, tão perto de nós! Ele habita as nossas trevas e os nossos abismos, desde aquele dia trágico e santo em que morreu na nossa cruz. Sim, Ele vai encontrar-nos, oh se vai...

 

 

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publicado às 06:27

Tempo para rezar

por Teresa Power, em 29.07.14

Ontem, no meio da azáfama das arrumações, antes de irmos de férias, a máquina de lavar a roupa avariou. Sim, eu sei que a carrego sempre demasiado, mas numa família numerosa, não tenho muita escolha... Acontece que o António tinha molhado a cama durante a noite (muito raro!) e a máquina estava particularmente cheia, com resguardos e lençóis. Como o programa não centrifugou, o resultado foi este:

 

 

Posso ser uma "grande mulher" em muitas coisas, mas na força muscular não sou de certeza. E torcer a roupa de cama toda à mão, não me convidem! O Niall e o Francisco são bastante mais capazes do que eu, e até se divertiram durante a tarefa improvisada. E eu fiquei a pensar no trabalho que era exigido à mulher antes das máquinas de lavar a roupa e a louça, dos micro-ondas, dos aspiradores, dos congeladores, do Continente, dos ultracongelados, dos Douradinhos...

 

Ouço com bastante frequência as famílias comentarem, com tristeza, que não têm tempo para rezar, porque a vida de hoje é muito complicada... Será que houve algum tempo em que a vida não fosse complicada? Quando o homem caçava mamutes e a mulher defendia as crias humanas das feras dos campos, seria mais simples ter tempo para rezar? Se, na verdade, rezar fosse uma questão de tempo, então as férias seriam o tempo ideal para as igrejas se encherem...

 

Rezar nunca foi uma questão de tempo. Rezar é uma decisão. Enquanto eu não estiver plenamente convencida da necessidade vital da oração, encontrarei sempre algo mais importante para fazer! Mas quando entender que nada é mais necessário no meu dia do que este encontro pessoal com o Senhor, então a oração ganhará prioridade sobre tudo o resto, e eu encontrarei tempo, mesmo que tenha de o "roubar" à televisão, ao sono, às tarefas domésticas, ao computador, ao trabalho ou ao descanso, e mesmo que tenha de torcer a roupa toda à mão!

 

"Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás o Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E amarás o próximo como a ti mesmo. Faz isto e serás feliz!" (Lc 10, 27-28)

 

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Plano de voo

por Teresa Power, em 28.07.14

Os meus filhos têm na Irlanda dois avós, dezasseis tios e dezassete primos. Ena, que fartura! Infelizmente, quase nunca se vêem, pois as viagens para famílias numerosas como a nossa ficam muito caras. A última vez que fomos à Irlanda foi há cinco anos atrás. Os avós nunca deixaram de nos visitar, e de vez em quando aparece por cá uma família Power, com dois ou três primos simpáticos. É uma festa!

Há uns meses, os avós telefonaram-nos muito tristes. Tinham chegado à conclusão de que já não conseguiam viajar de avião, e lamentavam ainda nem sequer conhecerem a Sara. O Niall concordou que estava na altura de voltarmos à Irlanda... Enchemo-nos de coragem, e para a semana, lá vamos nós! Preparem-se aí desse lado para postagens do país verde...

 

Estes nossos serões têm sido muito atarefados. O Niall senta-se ao computador, de telefone em punho e calculadora à mão, e tecla sem parar, quer no computador, quer no telefone, quer na calculadora, para marcar tudo o que é preciso marcar antes de partirmos. Eu fico a olhar para ele, muito espantada, pois não faço ideia do que ele está a tratar...

- Como não entendes o que é preciso fazer? - Pergunta-me ele, tentando sorrir no meio da atrapalhação - Temos de marcar comboios, estacionamento dos carros no aeroporto, autocarros, mais comboios na Irlanda, mais autocarros, porque isto não é apanhar o avião e acordar em casa dos meus pais!

Eu aceno com a cabeça e finjo escutar com muita atenção tudo o que ele me diz. Também aceno quando ele me pergunta se acho que lhe fizeram um bom preço por uma viagem de comboio para os oito, ou um bilhete de autocarro. E ele lá continua, calculadora na mão, a fazer contas e mais contas...

 

Mas não pensem que eu não faço nada! Chegou a minha vez de me vingar - agora é ele que fica a olhar para mim:

- Estás tão atarefada porquê? - Pergunta-me, espantado - É abrir as gavetas, pegar em algumas roupas e meter nas malas!

- Algumas roupas? Para oito pessoas? Na Irlanda nunca sabemos se é inverno ou verão (bem, cá também não) e precisamos de camisolas de lã, fatos de banho, impermeáveis, botas e sandálias... E isto para oito pessoas! A Sara costuma mudar de roupa pelo menos duas vezes por dia. Depois ainda há os presentes para levar, e objectos que não podem ficar para trás. Sim, senhor Niall, isto demora!

 

E lá continuamos os dois nos nossos preparativos, cada um com as suas tarefas, mas ambos muito ocupados.

 

Uma família cristã é acima de tudo uma família que sabe de onde vem e para onde vai: vem de Deus, pelo baptismo, e vai para o Céu, a sua verdadeira Casa! Assim, uma família cristã não se pode "deixar andar", rumando ao sabor dos ventos sem grande preparação. A ideia de que "tudo se ajeita" não resulta na vida da fé! Precisamos de pensar muito bem na viagem desta vida, tratando de cada pormenor com atenção e seriedade. A "segurança do voo" das nossas crianças depende de nós, seus pais! Que "bagagem" não podemos esquecer? Que "ligações de trajectos" não podemos deixar ao acaso? Que "contas" é preciso fazer? Jesus foi muito claro:

 

"Quem de vós, ao construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos para ver se tem com que terminá-la? De contrário, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos o verão e começarão a troçar, dizendo: «Este homem começou a construir e não pôde acabar.»" (Lc 14, 28-30)

 

Quantas famílias começam a construir e não conseguem acabar! Sentemo-nos então todos os dias, ou todas as semanas, e façamos os nossos preparativos. O plano de voo, já o temos: está bem delineado nas Escrituras Sagradas! Podemos meditar nele através das três leituras que a Igreja propõe na missa diária. Nós fazemo-lo sempre cá em casa desde que nos casámos, e podemos testemunhar como o Espírito Santo tem guiado o nosso voo, pela Palavra, no meio dos mais terríveis furacões...

 

 

 

 

 

 

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Já lá vão dezoito anos...

por Teresa Power, em 27.07.14

... desde o dia em que nos casámos!

 

 

Na altura, antes do final da missa, rezámos assim:

 

"Que a nossa família seja um cântico de louvor,

um Magnificat para glória de Deus! Ámen"

 

Na igreja, sobre o altar, tínhamos escrito um cartaz a dizer:

 

"Obrigado, Senhor, porque nos criaste!"

 

E é apenas isso que continuamos a pedir e a agradecer ao Senhor para a família que fizemos nascer há dezoito anos atrás... Hoje, durante a nossa oração familiar, o Niall e eu iremos rezar novamente as leituras da missa do nosso matrimónio. Depois, repetiremos as orações dos fiéis desse mesmo dia, e finalmente, renovaremos os nossos votos matrimoniais diante dos nossos filhos. De todas estas Palavras, guardo as de S. Paulo:

 

"O amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso; o amor não é orgulhoso, não se envaidece; não é descortês, não é interesseiro, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará..." (1Cor 13, 4-8)

 

Talvez hoje façamos um piquenique no jardim, ou um passeio a pé pelos campos à volta de casa... Ainda não será desta que a Lúcia ficará a saber o que é um restaurante :) 

 

 

 

 

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E os doze netos são...

por Teresa Power, em 26.07.14

... estes! Parabéns, vovó Mimé! Seis netos da filha Teresa, três netos da filha Margarida, e três netos da filha Inês! No céu, um neto ainda: o Tomás! Mas esse não posa nesta fotografia...

 

"Eis como será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião, o Senhor te abençoe!

Verás a prosperidade de Jerusalém todos os dias da tua vida

e verás os filhos dos teus filhos!

Paz a Israel!" (Sl 128/127)

 

 

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Vovó Mimé

por Teresa Power, em 26.07.14

Hoje é dia de S. Joaquim e Santa Ana, os pais de Nossa Senhora, segundo o evangelho apócrifo de S. Tiago. Joaquim e Ana foram, pois, os avós de Jesus! Imagino Jesus muito alegre, brincando ao colo dos seus queridos avós, recebendo deles miminhos e coisas doces, mas também palavras cheias de sabedoria.

 

Os meus filhos têm uma grande avó: a minha mãe, a vovó Mimé. Ela encarrega-se de os encher de mimos! Vive em Aveiro, a trinta quilómetros da nossa casa, e tem a seu cargo a sua mãe e minha avó, já muito velhinha e doente. Quase todas as sextas-feiras do ano, o Francisco e a Clarinha apanham o comboio no fim das aulas e vão visitar as duas, regressando também de comboio sábado de manhã. Outro dia, a sorte de dormir em casa das avós coube ao David e à Lúcia (que não foram de comboio, naturalmente!). Que alegria, passear com a avó por Aveiro, ver montras cheias de estátuas (pelo menos foi o que me disse a Lúcia... Acho que estava a referir-se aos manequins!!!), dar pão aos patos na ria e brincar no parque!

Quando não vão a Aveiro, vem a avó dormir a nossa casa. Ficamos todos tão contentes! Ninguém como as avós para encher uma casa de histórias, gargalhadas e mimos!

 

Pedi ao David que escrevesse um pequeno texto à sua querida vovó Mimé. Passou-o a limpo três vezes antes de o conseguir escrever sem riscos - as férias fazem destas coisas! Aqui fica:

 

 

Há uma passagem nas Escrituras que gosto muito de ler. Diz assim:

 

"Jovens e velhos rejubilam em conjunto

As jovens dançarão de alegria!" (Jr 31, 13)

 

É verdadeiramente uma alegria, quando uma família consegue rejubilar em conjunto, os mais velhos com os mais novos! E ainda melhor, quando conseguem rezar juntos, como fazemos cá em casa e referiu o David. Escreveu um autor que muito admiro, Mark Miravalle:

 

"A oração do Rosário é uma das poucas orações com a flexibilidade que lhe permite ser ao mesmo tempo oração vocal, meditação e oração contemplativa - e isto enquanto todos rezam a mesma oração. As crianças estão a fazer oração vocal; os pais podem estar a meditar nos mistérios do Rosário; e os avós podem até alcançar a contemplação, basicamente porque não são os responsáveis pela disciplina das crianças durante a oração familiar! As suas mentes podem elevar-se como asas de águia, como diz S. João da Cruz. Que outras orações permitem às pessoas, em diferentes estádios da sua maturidade espiritual, beneficiar completamente da mesma oração?" (Mark Miravalle, Medjugorje and the Family)

 

Experimentem... Chamem os avós para a oração do Rosário - ou então, avós, chamem os netos! E rezem em conjunto para celebrar o dia de hoje! Feliz dia dos avós!

 

 

 

 

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Oração, jejum e boas notícias!

por Teresa Power, em 25.07.14

Hora do conto. Leio ao David uma história sobre Santa Isabel da Hungria, no nosso livro de lendas e Contos Cristãos. Isabel cresceu num meio hostil, mas soube dar testemunho da sua fé até à morte! Quando deito o David, ele tem uma pergunta para fazer:

- Mamã, como é que Isabel aprendeu a ser santa, se não tinha a seu lado uma mãe para a ensinar?

Fico a pensar um bocadinho. O David faz-me pensar muito! Depois respondo:

- Às vezes, Deus não precisa das mães para ensinar os meninos a serem santos. Ele mesmo Se encarrega de os ensinar! Assim, quando Deus vê que um menino tem um coração muito bonito, mas não tem ninguém para o ajudar, Deus faz um pequeno milagre e ensina a esse menino tudo sobre Jesus.

- Ah, entendo... Ainda bem! Mas eu gosto que tu me ensines muitas coisas. É mais fácil assim.

E com um beijo, o David fecha os olhos para dormir.

 

 

Hoje, a Igreja do oriente pede a todos os cristãos um dia de jejum e oração pela paz no Médio Oriente. Tantos inocentes a morrer na guerra, tantos cristãos perseguidos e torturados pela sua fé em Cristo! Como Santa Isabel da Hungria, da história do David, muitos tornam-se santos nos ambientes mais hostis que podemos imaginar.

 

Como irmãos, filhos do mesmo Pai, como membros do mesmo Corpo, precisamos de unir as nossas orações e os nossos esforços e trabalhar pela paz, dom de Deus. Façamos então uma oração mais cuidada em família, ajudemos as crianças a renunciar a qualquer coisa de bom, e sejamos nós capazes de fazer o mesmo, segundo a nossa capacidade. É o nosso sangue também que é derramado nas ruas de Gaza e da Síria, pois somos família de sangue - no Sangue de Jesus!

 

Ontem, a Igreja recebeu uma boa notícia: Meriem Ibrahim, a mãe e médica sudanesa condenada à morte por ser cristã, e libertada recentemente, foi recebida no Vaticano e abençoada pelo Papa Francisco. Já está a caminho da liberdade, a caminho dos Estados Unidos, mas não quis partir sem esta bênção...Que grande mulher, Meriem! Com quem aprendeu ela a santidade? Quem lhe deu o dom da fortaleza e a coragem para lutar até ao fim? Quem a ajudou durante o parto da sua menina, no chão sujo da prisão, com os pés acorrentados, ao ponto de não conseguir abrir as pernas o suficiente e a criança ter nascido lesionada? Quem, David? O próprio Deus... Pois Jesus já nos prometera:

 

"Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como ou o que haveis de dizer; porque naquela hora vos será inspirado o que deveis dizer. Não sereis vós que falareis, e sim o Espírito do Pai que falará por vós." (Mt 10, 19-20) E profetizando sobre o que realmente aconteceu a Meriem: "O irmão entregará à morte o irmão; o pai entregará o filho. Todos vos odiarão por causa do meu nome, mas quem perseverar até ao fim será salvo." (Mt 10, 21-22)

 

O Papa agradeceu a coragem de Meriem, e Meriem agradeceu as orações do Papa,de toda a Igreja e todos os homens de boa vontade. Vitória do Reino de Deus sobre os reinos da terra, vitória da oração, vitória da justiça e do amor, pelo menos desta vez! Um dia, sabemos, a vitória será completa. Até lá, acompanham-nos as palavras de Jesus:

 

"Ide, pois, fazei discípulos meus em todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim do mundo." (Mt 28, 19-20)

 

Ámen!

(imagem retirada de NBCNews)

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Girassóis

por Teresa Power, em 24.07.14

Há uns meses atrás, plantámos semente de girassol no nosso jardim. Eram tão pequeninas! Um dia, um caule verdinho furou a terra, e logo cresceu, até se tornar numa enorme planta. Ontem, o primeiro girassol floriu!

- Ele está sempre a olhar para o sol, mamã? - Queriam saber os meninos. 

- Sim, está... Já repararam que estão todos a abrir para este lado, onde passa o sol no céu? Os girassóis sabem o que procuram! Procuram o sol, e seguem-no com muita atenção. É assim também que nós devemos fazer!

- Virarmo-nos para o sol?

- Sim, virarmo-nos para o sol, mas um sol diferente, o sol da alma. Alguém sabe qual é o nosso sol?

- Jesus!

- Jesus!

- Jesus!

 

O mundo pede-nos continuamente para nos voltarmos sobre nós mesmos, para nos "centrarmos", isto é, olharmos para o nosso umbigo, fazermos de nós o centro do universo. Que tristeza! A humanidade levou tanto tempo a entender que a Terra gira em volta do Sol, e não o Sol em volta da Terra... Quando entenderemos que a "terra" que somos deve girar em volta do "Sol" que é Deus? Não queiramos ser deuses, como Adão e Eva! Imitemos antes o girassol, de cabeça erguida em busca da luz que o mantém vivo - e feliz!

 

Temo uma admiração e um carinho enormes por Moisés, e quanto mais leio sobre ele na Bíblia, mais me atrai. Moisés falava com o Senhor "como um amigo com o seu amigo" (Ex 33, 11). Diz o Livro do Êxodo:

 

"Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, trazendo na mão as duas placas da Aliança, não sabia que a pele da sua face resplandecia por ter falado com o Senhor." (Ex 34, 29)

 

A partir de então, todos os dias Moisés entrava na Tenda da Reunião e conversava a sós com Deus. Ao sair, o seu rosto brilhava como o sol, de tal forma, que Moisés tinha de o cobrir com um véu.

No verão, na praia, a nossa pele também resplandece porque estamos voltados para o sol - como o girassol!

 

Manter o rosto voltado para o Senhor é um trabalho árduo, de todos os dias e de todas as horas. Como Moisés, precisamos de "subir à montanha" ou de passar algum tempo a sós na sua "tenda", escutando atentamente os seus ensinamentos e meditando na sua Lei. Mas depois, que felicidade!

 

Ensina-me, Senhor, a sabedoria do girassol...

 

 

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