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Uma figueira pequenina

por Teresa Power, em 31.08.14

O telemóvel tocou. Era o senhor padre.

- Boa tarde família Power! As nossas figueiras aqui no Santuário estão carregadinhas de figos maduros e bons. São tantos, que nós não conseguimos dar-lhes vazão! Não querem vir até cá com cestos e fazer a apanha?

Os mais novos saltaram de alegria. Adoram ir ao Santuário, porque o espaço é fantástico para praticamente tudo: andar de bicicleta, jogar à bola, trepar às árvores e, claro, apanhar figos, ameixas, uvas e tudo o que é bom. Assim, enfiámo-nos no carro com o Jack e a Winnie e lá fomos nós. Apenas o Francisco não foi, pois está a passar o fim-de-semana no norte, em casa de um grande amigo. Como devem imaginar depois do post que ele escreveu sobre a sua família barulhenta, está muito feliz no seu merecido descanso!

 

As figueiras do Santuário são muito antigas, e sabe bem sentarmo-nos à sombra sob os seus ramos curvados, carregadinhos de frutos. O David, a Lúcia e o António devem ter comido todos os figos que apanharam, pois os únicos que enchiam os cestos eram o Niall e a Clarinha! Eu entretinha-me com a Sara, a subir e a descer degraus, e claro, fui tirando fotografias...

 

 

 

 

- Quem me dera uma figueira assim no nosso quintal - Comentei com o Niall, enquanto me deliciava com um figo.

- Mas tu tens uma figueira! Eu já te plantei uma, como tanto desejavas - Respondeu-me ele, espantado.

- Não tenho uma assim, curvada, carregada de figos, a fazer uma sombra destas - Expliquei.

- Bem, tu querias uma figueira velhinha, com uma longa história para contar! A nossa irá ser assim quando os teus netos e bisnetos vierem visitar-nos.

- Mas eu queria essa figueira agora...

- Fazes-me lembrar Jesus, quando amaldiçoou a figueira! Ele sabia que não era altura de figos, mas insistiu em procurar figos na pobre figueira! Que impaciência!

 

"No dia seguinte, ao saírem de Betânia, Jesus sentiu fome. Viu ao longe uma figueira coberta de folhas e foi ver se encontrava alguma coisa. Mas nada encontrou a não ser folhas, pois não era tempo de figos. Disse, então, à figueira: «Jamais alguém coma fruto de ti!»" (Mc 11, 12-14)

 

Quando cheguei a casa, olhei para a nossa pequenina figueira, com dois anos de vida, e vi como nela cresciam alguns pequeninos figos também. Podia não dar muita sombra, mas já produzia os seus frutos! Depois pensei nas Famílias de Caná...

O movimento das Famílias de Caná ainda não tem um ano de vida. Como a figueira do meu jardim, é muito novo! Mas embora a sua sombra não cubra ainda uma multidão, os seus frutos já são abundantes.  Se Jesus passar hoje sob alguma das pequenas figueiras que são as Famílias de Caná e sentir fome, Ele tem todo o direito de estender a mão e colher até se saciar! Os anos trarão a sombra, o sussurro do vento por entre as folhas, a beleza; mas os frutos têm de estar prontos desde já!

Não há aí por Lisboa, Setúbal e arredores famílias com vontade de se tornarem também "figueiras" no jardim das Famílias de Caná? Inscrevam-se! Na coluna do lado direito deste blogue têm o link directo para o post sobre o próximo retiro e para a inscrição online. Venham, que não se vão arrepender! Nós esperamos por vós!

 

 

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publicado às 06:48

Telefonemas

por Teresa Power, em 30.08.14

O Niall e eu namorámos por telefone durante dois longos anos, depois de nos conhecermos e antes dele vir definitivamente viver para Portugal. Talvez nem todos os que lêem este blogue tenham noção do que significava namorar por telefone há vinte anos atrás! Na era "pré-telemóvel" e numa situação de "namoro internacional" como a nossa, ambos a viver fora de casa como estudantes universitários, precisávamos de coleccionar muitas moedas e de nos fecharmos naquelas casinhas simpáticas chamadas "cabines telefónicas". Depois falávamos o mais depressa que conseguíamos até a última moeda nos cortar a palavra a meio. Era, no mínimo, um bocadinho stressante...

Hoje, e porque trabalhamos a uma distância de trinta quilómetros um do outro, continuamos a namorar ao telefone, mas temos todas as vantagens da era moderna, com os seus sofisticados meios de comunicação. É, na verdade, raro o dia em que não conversamos à hora do almoço.

Às vezes, na primavera e no outono, quando os dias estão muito azuis, o Niall pede-me que adivinhe de onde está a falar. Então afasta o telemóvel da sua cara, e eu consigo escutar o som cavo do mar e do vento.

- Estás na praia! E deves estar a comer aquelas maravilhosas sandes de bife panado que fizeste esta manhã!

- Adivinhaste! Estou a almoçar na praia, e nem imaginas as conchas que por aqui há!

Ao fim da tarde, quando chega a casa, traz-me uma prova física da sua estadia na praia: uma concha, um búzio, uma pena de gaivota.

Outras vezes, sou eu que lhe faço inveja:

- Estou sentada no nosso jardim, com um gato ao colo, a olhar para as galinhas a esgravatar... Tenho meia hora ainda antes da próxima aula!

Noutros dias, o nosso telefonema é um pedido de perdão:

- Desculpa esta manhã ter-te falado tão mal. Os miúdos não se despachavam e eu estava tão atrasado!

- Desculpa tu. Eu é que estava nervosa. Vamos ser amigos de novo?

- Boa ideia! E tenho uma ideia ainda melhor: fazemos as pazes logo à noite, quando os miúdos estiverem a dormir!

 

E assim, à distância de um telefonema, sem interrupções de crianças, namoramos um pouco à hora de almoço, para nos recordarmos do que é realmente importante na vida. Mesmo que o trabalho esteja a correr mal, os filhos estejam particularmente difíceis, a casa esteja um caos e o mundo esteja ainda pior, eu sei que, à noite, vou poder deitar-me nos braços do Niall e recuperar o dom primeiro do nosso amor, aquele amor que prometemos um ao outro há dezoito anos atrás e que, nesse mesmo abraço conjugal, elevámos à dignidade de sacramento, sinal da presença amorosa de Deus entre nós.

 

"Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e se tornarão uma só carne." (Gen 2, 24)

 

 

 

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Uma terra que o céu rega

por Teresa Power, em 29.08.14

- Tenho lido tudo o que posso sobre educação, crianças, alimentação saudável, etc.  Antecipo-me assim a todos os problemas que ele possa vir a ter, de saúde e de personalidade, para que se torne então num adulto feliz.

Escutei esta frase ontem na praia, à beira-mar, enquanto "ele" e os meus quatro mais novos brincavam juntos na água, em alegres gargalhadas. Não tenho qualquer dúvida sobre a boa intenção desta mãe e as suas capacidades maternais, que são evidentes. Mas embora, como esta mãe, eu também me empenhe o mais que posso na educação dos meus filhos, não me identifico com a sua segurança. Porque esta segurança transforma-se muito depressa em culpabilização, se por acaso as coisas não correrem tão bem assim.

Os nossos filhos são antes de tudo filhos de Deus. Em oração e através do estudo - sim, é importante estudar, ler e reflectir sobre educação - precisamos de encontrar caminhos de felicidade para eles. Mas nunca nos esqueçamos de que o Pai dos nossos filhos é também o nosso Pai, e portanto, diante do Senhor somos todos irmãos.

- Só podemos fazer o que está ao nosso alcance. O resto, temos de entregar nas mãos de Deus. Peço todos os dias a Nossa Senhora que me ajude a educar estas crianças como educou Jesus - Dizia-me uma outra mãe, numa outra tarde, desta vez no parque. Estava preocupada, porque depois de ler tudo e tentar todas as técnicas, continuava sem ver resultados num determinado campo da vida de um dos seus filhos. A sua confiança em Deus, contudo, despertou em mim a certeza de que tudo irá correr bem com a sua família. Pois quando aceitamos o Senhor como o Pai dos nossos filhos e o nosso Pai, quando confiamos em Maria como a Mãe dos nossos filhos e a nossa Mãe, nada temos a temer.

 

Quando o povo de Deus chegou à Terra Prometida, Deus explicou-lhe:

 

"A terra em que vais entrar para dela tomar posse não é como a terra do Egito de onde saíste, onde lançavas a semente e a regavas bombeando com os pés, como se rega uma horta. A terra que ides ocupar é uma terra de montes e vales, que bebe a água das chuvas do céu. É uma terra da qual o Senhor teu Deus cuida e pela qual olha continuamente, desde o começo até ao fim do ano." (Deut 10, 10-12)

 

A educação assemelha-se mais a Canaã que ao Egito. Educar uma criança é semear, cuidar, plantar, fazer crescer;  mas se Deus não cuidar desta terra continuamente, desde o começo até ao fim do ano, ela não dará fruto, por muito que nos esforcemos! Assim, rezemos pelos nossos filhos e com os nossos filhos, para que a chuva do céu nunca deixe de cair...

 

 

 

 

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Felizes os pobres

por Teresa Power, em 28.08.14

Os sete primos mais novos brincavam juntos no jardim. Eu estendia a roupa, em silêncio, enquanto escutava as suas conversas. A Lúcia acabava de abrir as duas tendas de brincar e enfiara-se lá dentro com a prima.

- Eu quero uma tenda só para mim - Disse o António.

- Nós somos muitos e precisamos de duas tendas - Respondeu a Lúcia, paciente.

- Mas eu quero uma tenda só para mim - Insistiu o meu filho teimoso.

- Então vem brincar connosco, e assim brincamos todos - Sugeriu a Lúcia, calmamente, enquanto ajudava a Sara e o priminho mais novo a entrar nas tendas.

- JÁ DISSE QUE QUERO A TENDA TODA PARA MIM!

- António, nós não gostamos das tuas birras - Continuou a Lúcia.

Eu também continuei a estender roupa, mas mantinha um ouvido atento para o caso de ter de intervir. Não foi preciso:

- Já sei! - Disse de repente a Lúcia - Anna, vamos brincar aos pobres! Ficamos todos numa só tenda e damos a outra ao António!

- Damos-lhe esta que não tem telhado - Disse a Anna, alinhando.

- EU QUERO A TENDA QUE TEM TELHADO!

- Não, Anna, damos-lhe a que tem telhado, porque os pobres não têm telhado. Às vezes têm de dormir na rua! E vivem em casas muito pequeninas. Traz os nossos bonecos todos para esta tenda pequenina sem telhado, e assim brincamos melhor!

A Lúcia e a Anna ficaram excitadíssimas com a nova brincadeira. E as ideias não paravam de nascer:

- Nós eramos pobres e a nossa mãe tinha morrido na guerra - Continuou a Lúcia. - Anda, vamos brincar! Sara, vem para esta tenda connosco!

O António continuava muito sério. Até que por fim, sozinho na tenda com telhado, perguntou:

- Posso brincar convosco aos pobres? Posso entrar na vossa tenda sem telhado?

E eu continuei a estender roupa, sempre em silêncio, enquanto recordava a Palavra de Jesus sobre a pobreza interior:

 

"Se alguém te tirar a túnica, dá-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a carregar a sua mochila por um quilómetro, leva-a por dois. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado." (Mt 5, 40-42)

 

E a alegria da Lúcia confirmou-me a verdade da Bem-Aventurança:

 

"Felizes os pobres que o são no seu íntimo, porque é deles o Reino dos Céus!" (Mt 5, 3)

 

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publicado às 06:40

Privacidade (ou a falta dela)

por Teresa Power, em 27.08.14

Escrito pelo Francisco:

 

De sábado até ontem (terça-feira) tivemos, cá em casa, a companhia dos nossos primos de Barcelona. Três crianças, da idade do António, da Lúcia e do David. “Só” mais três crianças para juntar à confusão que os meus cinco irmãos já fazem. Eles divertiram-se imenso, mas o seu divertimento implicou que a minha privacidade (que já não era muita) fosse reduzida a um mínimo. Quando eu queria ler um livro, praticar magia em paz, pesquisar qualquer coisa na internet, etc., eu ia para o meu quarto. Mas lá estavam o David e o primo a jogar Lego. Tentava o escritório mas ora estava lá a minha mãe a trabalhar ou estava lá o António e o primo a jogar Lego ou a disfarçar-se. Por estranho que pareça a sala era impensável, pois como é a divisão da casa com mais entradas, estava sempre a ser “visitada” por crianças aos gritos (isso quando o órgão não estava com o volume no máximo com eles a tocar, e eles não tocam propriamente Beethoven). Em suma, não havia nenhum lugar confortável onde eu pudesse estar em paz. Tive que me contentar com esta falta de privacidade.

 

 


Esta falta de privacidade não é assim tão má como parece por uma razão: ensina-me (ou devo dizer “obriga-me”) a ser menos egoísta. Ensina-me que nunca tenho tempo só para mim. Quando penso que tenho algum tempo só meu aparece o António a pedir que lhe faça um avião de papel, ou um primo a pedir que eu faça magia.
Eu tenho noção de que quando partilho alguma coisa com os meus irmãos essa coisa não vai acabar no mesmo estado em que começou. Desde que partilhei a minha colecção de Lego com o David, o que antes eram camiões, aviões ou helicópteros de Lego é agora um monte de peças soltas. Ou o meu cubo mágico que já perdeu dois autocolantes desde que o David começou a usá-lo. Sim, partilhar é difícil e até perigoso para mim, mas desde que estou numa família numerosa tornou-se inevitável.
Cá em casa gostamos muito do acrónimo J.O.Y.: "Jesus first, Others second, You last. That is the secret of joy" (Jesus primeiro, os outros em segundo, tu em terceiro, eis o segredo da alegria). E a verdade é que apesar desta falta de privacidade sou muito feliz.

 

 

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Vocação de leigos

por Teresa Power, em 26.08.14

Entre os 124 mártires coreanos que o Papa Francisco acaba de beatificar, apenas um era sacerdote chinês. Os restantes 123 eram, portanto, leigos coreanos! O Papa Francisco não se cansou de exaltar a beleza, a dignidade e a grandeza desta vocação no seio da Igreja. Na verdade, foram os leigos que introduziram o cristianismo na Coreia e que permitiram o seu crescimento até hoje! Já várias vezes antes o Papa Francisco se referira ao papel dos leigos na Igreja:

 

"Mas os leigos têm uma potencialidade nem sempre bem aproveitada. Basta pensar que o Batismo pode ser suficiente para ir ao encontro das pessoas. Faz-me lembrar aquelas comunidades cristãs do Japão que ficaram sem sacerdotes durante mais de 200 anos. Quando os missionários voltaram, encontraram todos os fiéis batizados, catequizados, validamente casados pela Igreja. Além disso, vieram a saber que todos os que tinham morrido tiveram um funeral católico. A fé tinha permanecido intacta pelos dons da graça que alegraram a vida dos leigos, que só tinham recebido o Batismo e viveram a sua missão apostólica." (Papa Francisco - Conversas com Jorge Bergoglio, ed. Paulinas)

 

Como sei que a História é conduzida por Deus, não me surpreendo nada com a crise actual das vocações sacerdotais. Sei que nunca nos faltarão sacerdotes, pois Jesus prometeu estar connosco até ao fim dos tempos, e sem sacerdotes não há Eucaristia, ou seja, Jesus entre nós; mas sei também que, se não fosse a escassez de sacerdotes, os leigos não teriam arregaçado as mangas e lançado a mão ao arado!

 

Faz este mês sete anos que deixámos os arredores de Aveiro para virmos morar em Mogofores. Nessa altura andávamos cansados - O Tomás morrera há um ano, o David era bebé, a minha profissão de professora fazia-me cirandar de escola em escola. Antes de irmos pela primeira vez à missa aqui em Mogofores, o Niall sugeriu-me:

- Teresa, acho que estamos a precisar de umas "férias paroquiais", ou seja, acho que não nos devemos envolver já nesta nova paróquia. Por favor, não te ofereças já para trabalho nenhum! Vamo-nos dar um tempo e ganhar algumas raízes aqui primeiro, OK?

 Prometi-lhe que sim.

No final da missa, dirigi-me ao sacerdote para lhe apresentar a minha família.

- Bem-vindos! - Respondeu-me o padre José Fernandes. - Vejo que têm três filhos... E vão frequentar a catequese?

- Sim, senhor padre. O Francisco acaba de fazer a primeira comunhão!

- Ah, que bom! O que nós precisávamos mesmo era de catequistas. Por acaso não estão interessados...?

- ... Bem... Acho que não...

- Que pena! É sempre assim. Quem pode não sabe, quem sabe não pode...

Respirei fundo:

- Está bem, senhor padre, seremos catequistas se assim deseja!

- Ótimo. Para a semana teremos a nossa primeira reunião. E por acaso sabem tocar algum instrumento, cantar...? O nosso coro está tão fraquinho!

Respirei fundo novamente, e nem me atrevi a olhar para o Niall:

- Bem, senhor padre, eu estou habituada a conduzir coros infantis... Toco guitarra, canto, isso tudo!

- Fantástico! Então domingo conto já consigo aqui na condução do coro e da assembleia!

Quando saí da igreja olhei pela primeira vez para o Niall. Ele abanava a cabeça, mas tinha um sorriso nos lábios:

- Tu nunca ouves nada do que te digo, pois não?

E cá estamos hoje ainda, na catequese, no coro, no trabalho com as famílias, no grupo de oração, onde for necessário!

 

"Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2, 5) disse Maria aos serventes, nas Bodas de Caná...

 

 

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Retiro para famílias a 20 de setembro em Almada

por Teresa Power, em 25.08.14

No retiro de Proença-a-Nova participaram duas famílias de Setúbal. Vieram com muitos filhos, muita alegria, muita generosidade e muito entusiasmo, e o resultado é este: graças aos seus esforços, no dia 20 de setembro teremos novo Retiro Famílias de Caná no Seminário Maior de S. Paulo, em Almada! Pensamos assim servir as populações de Lisboa, Setúbal e arredores, e contamos com a casa bem cheia, ou não se trate da capital! Como esperamos muitas, muitas inscrições, já tratámos de reforçar a nossa equipa, para que os jovens, as crianças e os bebés façam uma bela experiência do amor de Deus também. Não tenham medo de trazer recém-nascidos , que os membros da equipa têm muita prática com biberões e mudas de fraldas...

No domingo, dia 21, concluiremos o nosso retiro com a Eucaristia celebrada pelo sacerdote que nos irá acompanhar, o padre Marco Luís, na sua Paróquia do Seixal. Se houver mais sacerdotes na zona de Lisboa e Setúbal com vontade de conhecer este novo movimento, basta aparecer, que serão sempre bem-vindos!

E quanto às famílias deste país, é hora de fazer a vossa inscrição! Como nos retiros anteriores, também este está aberto a todos, sem excepção: famílias tradicionais, famílias reconstruídas, famílias monoparentais, famílias com muitos filhos, poucos filhos ou zero filhos, famílias crentes e famílias que querem entender melhor o que é isto de ser família católica, famílias com caminhada cristã profunda e famílias que ainda não se puseram a caminho. Todos têm espaço nos nossos retiros! Uma coisa vos asseguro: Jesus, Aquele que a todos acolhia, curava, abençoava e enviava, estará lá também. Creio que está à vossa espera! E mesmo que o retiro vos desiluda, e mesmo que a Família Power vos desiluda, Ele nunca o fará!

Inscrevam-se aqui:

Programa do retiro de 20 de Setembro Almada

E se quiserem imprimir o programa para o afixarem nas vossas paróquias, escolas, etc, aqui fica:

Programa do retiro de 20 de Setembro Almada_Imprimir

Se não conseguirem, por qualquer razão, abrir os documentos (estão em PowerPoint) ou inscrever-se, contactem-me para o mail, que vem indicado no fundo de todos os posts.

Até dia 20!

 

 

(Seminário Maior de S. Paulo, Almada)

 

 

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publicado às 06:13

Desarrumação

por Teresa Power, em 24.08.14

A Clarinha tem passado grande parte das férias a realizar belos trabalhos manuais. A máquina de costura, que recebeu nos seus anos, não tem parado! Com ela, a Clarinha faz carteiras, bolsas, sacolas, bonecas de pano para a Lúcia e a Sara, bolas de trapos. Com missangas, continua a fazer terços e dezenas, que oferece aos amigos ou guarda para os retiros. A Sara anda toda bonita com um colar que a mana lhe fez, e a Lúcia nem pode esperar que a sua carteira nova esteja pronta!

 

Mas tanta criatividade tem um preço. Ora apreciem as imagens:

 

 

Sim, o preço chama-se desarrumação!

 

Já antes referi uma frase muito bonita do Papa Francisco, por altura do Natal:

"Muitos cristãos parecem ter na porta do coração um letreiro a dizer: Não perturbar!" (23/12/13)

Na verdade, quando Deus entra na nossa vida, desarruma sempre um bocadinho... Enquanto não nos deixarmos desarrumar por Ele, varrendo para os cantos as ideias feitas, os preconceitos, mas acima de tudo, aquilo que pensamos já saber, já fazer, já ter adquirido, já ser suficiente - "Eu já cumpro tudo isso desde a minha juventude" (Mc 10, 20), disse o jovem rico a Jesus... - enquanto não nos deixarmos perturbar por Deus, seremos sempre cristãos de fato e gravata, muito certinhos, muito cumpridores, mas também muito pouco criativos, muito aborrecidos e muito pouco ousados.

Vem, Espírito Santo, vem com o teu vento e desalinha os meus cabelos, levanta a poeira, desarruma as ideias e espalha os perfumes...

 

"Ao ouvir estas palavras, Maria ficou perturbada." (Lc 1, 29)

 

Possamos nós também ficar perturbados! Como o quarto da Clarinha, a nossa vida ficará de pernas para o ar, mas será extremamente criativa!

(O retiro perturba, sim, perturba... Estejam atentos às incrições, já amanhã!)

 

 

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Leitura espiritual

por Teresa Power, em 23.08.14

Ontem, ao pesquisar um pouco sobre a vida e o martírio dos novos beatos coreanos, dei comigo a sorrir e a acenar com a cabeça, feliz por ver reconhecido algo que para mim sempre foi muito importante: o papel da leitura espiritual na vida de um crente.

Como tão bem explicou o papa na sua homilia de beatificação, o cristianismo não chegou à Coreia através dos missionários, como terá chegado a quase todas as partes do mundo, mas através... da leitura espiritual! Foi do contacto com a leitura dos Evangelhos e de livros de espiritualidade católica escritos por jesuítas missionários na China que os intelectuais coreanos se aperceberam da maravilha desta nova doutrina, tão diferente do Confusionismo nos seus princípios de fraternidade, amor ao próximo, profundidade do amor de Deus por nós. Apaixonados por tão grandes verdades, estes homens de cultura decidiram investigar, estudar, ler ainda mais. Finalmente, puseram mãos à obra e divulgaram a nova doutrina que já transformara as suas vidas e aquecia os seus corações. Ainda não eram baptizados, e já eram catequistas! Quando os sacerdotes chegaram à Coreia, doze anos mais tarde, encontraram uma comunidade católica de... 4000 membros. O trabalho principal estava feito!

 

Há muitos adultos doutorados e especializados que, a nível de fé, nunca ultrapassaram o nível de ensino da primária. A catequese recebida em criança é, na verdade, uma escolarização mínima na fé! O trabalho maior tem de ser feito depois. A Bíblia diz-nos que a sabedoria espiritual não é apenas um dom, mas é também fruto da aplicação, do estudo e do esforço humanos:

 

"Filho, desde a juventude acolhe a instrução, e até à velhice encontrarás a sabedoria. Como o lavrador e semeador, aproxima-te dela e espera os seus bons frutos. Por algum tempo terás trabalho em seu cultivo mas comerás em breve de seus produtos." (Ecl 6, 18-19)

 

Cá em casa, devoram-se as biografias de santos. Depois, os textos escritos pelos papas, naturalmente. "A Alegria do Evangelho" está todo bem sublinhado e anotado! Depois, livros que nos ajudam a estudar e a meditar na Bíblia. E depois ainda, livros sobre os sacramentos, as verdades da fé, a oração, a vida familiar cristã, etc.

Lamento que não existam boas biografias de santos para crianças. Sim, eu sei que existem muitas - tenho cá em casa uma vasta colecção - mas apesar das ilustrações, do tamanho e do formato, não estão escritas para crianças. Contêm geralmente uma linguagem piedosa há muito ultrapassada e nada apelativa às novas gerações e transpiram de palavras difíceis. Assim, acabo por não os ler, mas antes contar aos meus filhos, para que eles possam interessar-se pela história. Fica o desafio para aqueles "aí desse lado" que gostam de escrever...

 

Muitas pessoas se admiram de como encontro tempo para ler, no meio de tantas coisas que já me parecem ocupar tanto. Bem, tenho geralmente livros de espiritualidade - tal como livros de muita outra coisa - espalhados por toda a casa: na casa-de-banho, nas mesinhas de cabeceira, no chão da sala, na cozinha... Como costumo aproveitar todos os meios-minutos que tenho por dia, dá jeito esta dispersão! Li imensos livros enquanto amamentava os recém-nascidos (que saudades desses momentos de meditação, com um bebé ao peito ou ao biberão e um livro espiritual no colo!) e continuo a ler muito... na casa-de-banho! Costumo também trazer um livro na carteira para ler, por exemplo, nos intervalos das aulas, ou quando os alunos estão em teste, ou noutro lugar de espera. E, claro, leio na cama, à noite, pelo menos cinco a dez minutos. Realmente, nunca me faltou tempo para ler, desde criança.

 

 

A leitura espiritual - tradição na Igreja desde sempre - foi a forma que Deus encontrou para converter o povo coreano. Sorrio de novo, ao pensar nas famílias que, através da leitura deste blogue, se tornaram Famílias de Caná... Vieram fazer um retiro por causa do que leram, e o milagre aconteceu. Como Deus é grande! Em breve teremos novo retiro, desta vez no Seminário Maior de S. Paulo, em Almada. Será no dia 20 de setembro. Fiquem atentos às inscrições... Como o povo coreano, tenhamos a coragem de arriscar tudo por causa de algo que lemos, mesmo que isso pareça perigoso! Aos novos beatos coreanos, tal audácia custou a vida; mas trouxe-lhes a santidade...

 

 

A Olívia sugeriu no seu blogue a partilha e troca de livros. A minha biblioteca de espiritualidade cristã - que é bastante vasta e de que já falei aqui - está à diposição de quem quiser! Venham e escolham...

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A primeira confissão da Lúcia

por Teresa Power, em 22.08.14

Como tinha dito aqui, decidi marcar um dia para o senhor padre nos atender a todos em confissão. Assim, ontem à tarde lá foi a família Power até ao Santuário. Apenas o Niall não esteve presente, pois já está a trabalhar. Terá de marcar outra hora!

Antes de sairmos, recordei com a Lúcia o que estava prestes a acontecer:

- Hoje é um grande dia, não é verdade, Lúcia?

- Sim, vou confessar-me - Respondeu ela solenemente.

- E tu lembras-te de algum disparate que tenhas feito e que tenha causado tristeza a Jesus?

- Acho que Jesus não gostou quando eu espetei as unhas no braço do António. E acho que também não gostou quando eu tirei os legos ao David.

- Sim, não deve ter gostado. Queres que te ajude a lembrar de mais algumas coisas?

- Sim!

- Vamos lá ver... Se calhar já disseste algumas mentiras, não? E nem sempre obedeces à mamã...

- Pois é.

- E então o que é que vai acontecer na confissão?

- Vou falar com o senhor padre, mas não é bem com o senhor padre. É com Jesus!

- Isso mesmo! Durante a confissão, o senhor padre representa Jesus para nós. Porque Jesus quer que a gente escute a sua Palavra de perdão! Ele quer que a gente escute mesmo aquela Palavra tão bonita: "Vai em paz, que os teus pecados estão perdoados."

- É então que acontece a festa?

- Sim, logo que os teus pecados, os teus disparates, ficam perdoados, começa a festa! A tua alma fica mais brilhante do que o sol, tão bonita como no dia do teu baptismo.

- Posso levar o meu vestido mais lindo?

- Claro! Quero que vás muito bonita. E penteia o cabelo!

- Mamã, o Tomás também está na festa?

- Sim, está o Tomás, está o teu anjo da guarda, e estão todos os santos do céu! Quando alguém confessa os seus pecados e pede perdão a Jesus, Jesus fica tão feliz que todo o céu entra em festa! O que Jesus mais gosta de fazer é perdoar os pecados. A confissão é uma das mais belas festas do céu!

A Lúcia sorriu, feliz. Com a ajuda da Clarinha, escolheu o seu vestido, penteou-se e calçou-se. Finalmente, lá fomos todos até ao Santuário.

 

O senhor padre estava à nossa espera. O Francisco foi o primeiro a confessar-se, seguido da Clarinha e do David. Depois foi a vez da Lúcia. Sorridente, entrou no confessionário...

 

Quando saiu, trazia um sorriso sereno e vinha feliz...

 

 

A Sara e o António não acharam muita graça a ficarem do lado de fora, e fizeram o que puderam para serem admitidos lá dentro também:

 

 

 

E conseguiram! Divertido, o senhor padre abençoou-os e conversou com eles, antes de me confessar a mim.

Regressámos a casa.

- Mamã, a festa no céu já começou?

- Já, Lúcia! Neste momento, os anjos e os santos estão todos à gargalhada...

 

"Em verdade vos digo: há mais alegria no céu por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão." (Lc 15, 7)

 

Talvez estejam a pensar: a Lúcia, que ainda não fez seis anos, com pecados? O importante, nesta fase, não é se a Lúcia tem ou não pecados; o importante é a Lúcia interiorizar o gesto, o ajoelhar, o contar, o confiar no sacerdote, o perceber que ele representa Jesus e a Igreja; o importante é a Lúcia não crescer com medo do sacramento, mas descobrir a alegria do perdão; o importante é a Lúcia ser conduzida ao sacramento pela sua família, num ambiente de festa, intimidade, naturalidade e alegria. Como em tudo na vida, aprendemos primeiro o gesto, e com o tempo, enchemo-lo de significado... Quando, um dia, a Lúcia precisar realmente do poder do sacramento, o hábito já estará criado. A rotina sadia da confissão frequente fará com que nada separe a Lúcia do amor de Jesus!

 

Hoje, a Lúcia cresceu mais um bocadinho...

 

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