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Nós, Jesus

por Teresa Power, em 30.09.14

O início do ano lectivo cá em casa é sempre muito atarefado, pois coincide com um dos momentos mais atarefados também da minha vida profissional enquanto professora - conhecer as turmas, planificar aulas, adaptar planificações para alunos especiais, preparar materiais, etc etc etc. Se a tudo isto juntar a preparação e a realização de um retiro Famílias de Caná, a preparação da catequese e algumas outras coisas, fico com um volume de trabalho bem mais elevado do que seria desejável. Felizmente que esta montanha de tarefas se irá simplificar nas próximas duas semanas, até me permitir entrar no meu ritmo normal da vida, que é geralmente muito preenchido, mas muito tranquilo. Contudo, entre o "agora" e o "finalmente", ainda ficam uns "entretantos" por resolver...

 

Quando o volume de trabalho é mesmo demasiado; quando estou tão cansada, que já não tenho forças para continuar a apanhar brinquedos e lixo do chão; quando a paciência parece escoar-se mais depressa do que as birras dos filhos; quando o barulho na sala de aula custa a controlar; quando só me apetece fugir de volta para o verão... - então eu uso uma fórmula infalível: "Nós, Jesus, Tu e eu!"

 

"Nós, Jesus, vamos juntos dar mais esta aula."

"Nós, Jesus, vamos lavar a louça."

"Nós, Jesus, vamos estender a roupa enquanto a sopa ferve, e dar comida às galinhas enquanto o assado não termina."

"Nós, Jesus, vamos enfrentar o cesto de roupa para passar a ferro, que quase toca o tecto (acho que estou a exagerar, mas só um pouquinho...)"

"Nós, Jesus, vamos procurar na net actividades giras para os alunos daquelas turmas difíceis."

"Nós, Jesus, vamos controlar as birras do António, verificar os trabalhos de casa da Lúcia e do David, limpar o chichi no chão da Sara."

 

Também os apóstolos falavam sempre no plural, incluindo Deus nas suas decisões e nos seus trabalhos:

 

"O Espírito Santo e nós decidimos..." (At 15, 28)

 

Penso que é isto que Jesus nos pede, quando nos convida a rezar sem cessar: Jesus quer que transformemos todo o nosso dia em oração, todas as nossas decisões em oração, todas as nossas actividades em oração. A nossa vida deixa então de estar nas nossas mãos e aninha-se inteira nas mãos do Senhor.

Há por aí tantas propostas de exercícios psicológicos ou oriundos de religiões pagãs, sobre métodos para alcançar a paz interior... Eu ainda não descobri nenhum mais poderoso do que esta simples oração!

 

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Anjos

por Teresa Power, em 29.09.14

Hoje é dia de festa no Céu! Hoje é dia dos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel. A Bíblia fala destes três arcanjos com muito carinho e ensina-nos a honrá-los. Daqui a a três dias, no dia 2 de outubro, será o dia dos anjos da guarda.

Pergunto-me muitas vezes como será quando, finalmente, conhecer o meu anjo. Reconhecê-lo-ei? Saberei agradecer-lhe toda a ajuda que me tem prestado ao longo da vida? Tenho igualmente imensa vontade de conhecer os anjos da guarda dos meus filhos, para lhes agradecer tudo o que fazem por eles. Invoco-os todos os dias! Quando o Francisco sai de casa de bicicleta para passar a tarde a montar a cavalo, quando a Sara me chama de longe e eu pressinto que está a fazer equilibrismo instável em qualquer canto; mas sobretudo, quando eles partem para a vida a cada manhã para fazer amigos, aprender, crescer e, consequentemente, arriscar, eu invoco os seus anjos e peço-lhes que estejam atentos.

Antes de entrar na sala de aula também invoco os anjos da guarda, sim! Na semana passada pensei que não ia conseguir controlar uma das minhas turmas de Curso Vocacional, formada por adolescentes muito problemáticos. Enquanto contemplava a bagunça geral da sala e escutava as risadas e as provocações, invoquei silenciosamente os seus anjos da guarda. Afinal, naquela sala estava um verdadeiro exército celeste - pelo menos vinte anjos, pensei eu! Jesus foi muito claro:

 

"Não desprezeis  um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus." (Mt 18, 10)

 

 

Tantos anjos juntos podiam certamente convencer os seres humanos a fazer silêncio... Devem ter-se esforçado bastante, porque pouco a pouco, o silêncio regressou à sala. Não me esqueci de lhes agradecer! 

 

A oração ao anjo da guarda é talvez a primeira oração que as crianças aprendem, aos pés da cama.

"Anjo da Guarda, minha companhia,

guarda a minha alma de noite e de dia!"

Estarão elas conscientes da constante companhia do seu anjo? O Santo Padre Pio brincou durante toda a sua infância com o seu anjo da guarda, sem se dar conta do privilégio que experimentava. Na sua inocência, achava que toda a gente brincava assim!

 

A Ana Cristina, mãe de uma bela Família de Caná, fez com as suas filhas estes lindos anjos em papel:

Simples e bonitos! Façam também aí nas vossas casas com os mais pequeninos, comemorando o dia de hoje ou antecipando o dia 2, e falem-lhes do anjo da guarda, esse grande companheiro da vida...

 

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O espelho

por Teresa Power, em 28.09.14

Ontem de manhã fomos à praia. Fomos muito cedo, pois a meteorologia anunciava trovoada a partir do meio da manhã, e nós queríamos saborear o calor suave de setembro antes da chuva nos apanhar. Chegámos à praia por entre gritos de alegria e exclamações: a manhã estava luminosa e serena, o areal era inteiro para nós, e o mar desfazia-se em espuma branca e ondas muito pequeninas...

Felizes, os meninos brincaram toda a manhã na água:

Enquanto os observava, dei-me conta da beleza do seu reflexo na areia. A Clarinha apercebeu-se do fenómeno quase ao mesmo tempo, e veio a correr contar-me:

- Mãe, já viste como é bonita a nossa imagem reflectida no chão? Olha só...

 

 

 

Veio-me de imediato à lembrança a Palavra de S. Paulo:

 

"Todos nós que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor como num espelho, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais gloriosa..." (2Cor 3, 18)

 

Reflectirei eu a glória do Senhor, como um espelho? Serei eu capaz de espelhar toda a luz, toda a bondade, todo o amor que emanam do meu Deus? Será a minha praia suficientemente mansa, será o meu mar suficientemente transparente...?

Olhei para o céu cheio de luz...

... olhei para a areia iluminada...

 

... e rezei: "Que eu seja espelho também, meu Deus! Ámen."

 

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publicado às 06:35

A oração do caminho

por Teresa Power, em 27.09.14

Assim que comecei a trabalhar como professora, comecei a fazer longas viagens de carro a caminho das mais diversas escolas, dispersas por montes e vales no distrito de Aveiro. Neste momento, a distância mais longa que tenho de percorrer demora apenas quinze minutos. Com excepção de um ou outro tractor, não encontro trânsito, e delicio-me a contemplar as vinhas a perder de vista, o recorte do Caramulo no azul da distância, a torre do meu querido Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. São assim quinze minutos tranquilos, que me permitem fazer a ponte entre a casa e a escola, deixando para trás no meu espírito uma ou outra, conforme a direcção da minha viagem.

 

Já me dei conta de que estes quinze minutos podem ser um perfeito desperdício se eu deixar a minha mente seguir atrás de qualquer borboleta imaginária e dispersar-se no nevoeiro das ideias. S. Paulo escreveu ao seu querido discípulo Timóteo:

 

"Evita as vãs conversas profanas" (1Tm 2, 16)

 

E eu sou bem capaz de ter "vãs conversas profanas" comigo própria durante quinze minutos de viagem! Por isso, e porque o meu tempo vale mesmo muito mais do que ouro, faço um esforço para me manter atenta ao essencial, transformando estes quinze minutos de estrada em quinze minutos de oração. E para que estes quinze minutos sejam mesmo de oração, e a minha mente "hiperactiva" não tente escapar, eu rezo em voz alta. O som das palavras nos meus próprios ouvidos não me dá espaço para as tais "vãs conversas profanas"!

 

Primeiro canto e louvo ao Senhor, agradecendo-Lhe por ser quem é, por me amar, por me dar a vida, pela natureza em redor, pela minha família e pelos meus alunos e amigos. Depois, peço a bênção do Senhor para aqueles com quem me vou encontrar durante o dia - em especial se me espera uma turma problemática ou barulhenta! Rezo também pela minha família, por todas as Famílias de Caná, todos os meus amigos, conhecidos ou não, e todos os que sofrem no mundo.

Finalmente, rezo um mistério do terço, entregando a Nossa Senhora os meus problemas e todos os problemas do mundo. Rezando o terço em voz alta, saboreio com o coração cada palavra, e deixo que a alegria do Evangelho - "Alegra-te, ó Cheia de Graça!" (Lc 1, 28) desça até ao mais profundo do meu ser. O terço é, por excelência, a oração dos caminhantes, e cada conta, um passo dado em direcção ao Céu. Medindo as distâncias em Avé-Marias, tudo em mim se vai aquietando e pacificando, até nada mais restar que a vontade de Deus. Geralmente, é então que chego ao meu destino...

 

 

 

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publicado às 06:51

Rogai por nós!

por Teresa Power, em 26.09.14

 A Marisa, uma leitura assídua e muito simpática deste blog, foi a primeira pessoa a assegurar-nos que iria ao retiro, antes ainda de nós abrirmos inscrições. Bastou publicarmos um post a falar do futuro retiro, para a Marisa comentar, muito feliz, que iria de certeza estar presente! E esteve. Uma presença muito atenta, silenciosa e orante, cheia de sede, cheia de Deus. No final, a Marisa tinha um presente para nós, feito por ela com todo o carinho desde o primeiro momento em que soube que iria haver um retiro perto de sua casa:

 

Reconhecem-nos? Sim, são os nossos santos padroeiros! Não estão lindos?

Todas as manhãs, no carro, e todas as noites, no Canto de Oração, nós invocamos os nossos padroeiros e pedimos-lhe que rezem por nós junto de Deus. Fazemo-lo por ordem crescente de idades. Começa sempre a Sara, que repete as minhas palavras:

- Mãe Sara!

E todos rezamos em coro: - Rogai por nós!

- Santo António! - Diz o António.

- Rogai por nós!

- Irmã Lúcia!

- Rogai por nós!

- Rei David!

- Rogai por nós!

- Santa Clara!

- Rogai por nós!

- S. Francisco!

- Rogai por nós!

- Santa Teresinha!

- Rogai por nós!

- S. Estêvão!

- Rogai por nós!

 

Reparem nos pormenores das imagens: a Sara idosa e muito feliz, com o seu bebé ao colo; Santo António com o Menino Jesus nos braços; a irmã Lúcia com os seus óculos carregados; o Rei David, de coroa e harpa; Santa Clara, a santa da Eucaristia; S. Francisco, com a pomba da paz; Santa Teresinha e a sua chuva de rosas; S. Estêvão, com os Evangelhos e o Pão na mão!

Os nossos filhos adoram escutar as histórias dos seus santos padroeiros. E nós contamos-lhas muitas vezes, repetindo os episódios que mais os entusiasmam, para que eles cresçam na sua amizade e os tratem como membros da família, a grande família dos filhos de Deus.

Diz o Livro de Ben Sirá:

 

"Um amigo fiel é uma poderosa protecção. Quem o encontrou, descobriu um tesouro." (Sir 6, 14)

 

Ter um amigo fiel no céu - haverá protecção mais poderosa? Os santos são joias preciosas no tesouro do Reino! Na sua companhia, nunca estamos sós...

 

 

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Trabalhando na vinha

por Teresa Power, em 25.09.14

Quem, como nós, vive na Bairrada, está acostumado à azáfama que marca estes dias de outono um pouco por todas as casas: é hora de vindimar! As famílias reúnem-se nas quintas, os vizinhos ajudam os vizinhos, as donas de casa afadigam-se na cozinha, preparando o almoço para os trabalhadores, e a vindima começa. São dias grandes, e reza-se para que a chuva não caia até a vindima estar pronta.

Uma das três escolas onde lecciono este ano fica em pleno coração da Bairrada, e a estrada tem estado um pouco congestionada com tractores bem carregados, atrasando a minha viagem de quinze minutos. Em compensação, tenho tempo para tirar belas fotos:

 

 

 

 

Abrir caminhos por entre as vinhas é abrir caminhos de suor e de convívio, de trabalho e de festa, de alegria e de cansaço. E eu fico a pensar nos caminhos que é preciso abrir na Vinha do Senhor... Dizia-nos o Evangelho no domingo passado, que o Reino de Deus é semelhante a uma bela vinha, onde trabalham todos os que são chamados. Passando perto de cada um de nós, Jesus desafia-nos:

 

"Ide vós também trabalhar para a minha vinha!" (Mt 20, 7)

 

Na vinha do Senhor iremos suar, sim; mas iremos também partilhar uma refeição de festa e descobrir a alegria da entreajuda. Há tanto para fazer! E há tantos caminhos diferentes a percorrer...

Em casa, no trabalho, com os vizinhos, com os amigos, na paróquia e na Internet, lancemos mãos à obra! Há lugar para todos - os que conduzem os tractores e os que levam os cestos, os que cozinham o almoço e os que cavam a terra, os que colhem e os que semeiam, os que põem a mesa e os que lavam a louça. Estamos no início de mais um ano lectivo e pastoral - é outono na vinha...

 

 

 

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As duas margens

por Teresa Power, em 24.09.14

Eram quase oito e meia da manhã de sábado quando atravessámos a Ponte 25 de abril. Os meninos abriam a boca de espanto perante a beleza azul da água e a imponência da ponte à luz da manhã.

- Olhem o Cristo Rei! - Gritei eu de repente.

- Onde? Onde? Onde?

- Aquela imagem ali ao fundo, vêem? É uma estátua de Jesus!

- Ah, e tem os braços abertos!

- Sim, tem os braços bem abertos!

Ficámos em silêncio durante alguns segundos. E enquanto o carro atravessava a ponte, deixando a margem de Lisboa e aproximando-se cada vez mais da margem sul, a belíssima imagem de Jesus crescia diante de nós, até quase parecer abraçar-nos de verdade.

Ao longo de todo o dia, Cristo Rei abençoou-nos na margem do rio, voltado para a ponte que vem de Lisboa:

 

 

 

Durante uma breve pausa no meu dia, aproximei-me do muro do seminário e contemplei o Cristo Rei, o rio e a ponte. O som dos carros a atravessar a ponte era um zumbido constante e estranho para mim. E eu pensei na quantidade de pessoas que todos os dias, ao cair da tarde, cruzam o seu olhar com o do Cristo Rei, no regresso a casa...

A nossa vida é uma ponte lançada entre duas margens. Vivemos entre a margem do trabalho e a margem do descanso, entre a margem do mundo e a margem da família, entre a margem da evangelização e a margem da oração,  entre a margem do nascimento e a margem da eternidade... A toda a hora somos enviados por um Cristo de braços abertos, que nos chama a atravessar a ponte para trabalhar na sua vinha. Mas no fim do dia, como no fim da vida, somos convidados a regressar a Casa, ao Coração de Jesus, que do alto da colina nos chama com intenso amor:

 

"Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei!" (Mt 11, 28)

 

Ámen!

 

 

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publicado às 06:42

Dançar como David

por Teresa Power, em 23.09.14

No final do retiro, em jeito de despedida, várias famílias vieram ter connosco para nos comunicarem o seu desejo de se tornarem Famílias de Caná. Queriam saber se precisavam de preencher algum formulário, ou de participar em qualquer acto formal para além de terem participado no retiro. Descansámos toda a gente: ser Família de Caná é um compromisso de vida de fé, exigente mas caseiro, como toda a vida de família. O importante, dissemos, é viver as Cinco Pedrinhas, começando por rezar em família todos os dias.

Ontem à noite, depois da nossa oração familiar, sentei-me diante do computador e abri o mail. A primeira mensagem que me aguardava vinha de uma destas famílias e trazia um anexo: o vídeo de um curto momento de louvor durante a sua primeira oração familiar! Chamei o Niall e os meninos, e todos assistimos, encantados, enquanto no vídeo as crianças pequeninas e os seus pais dançavam e cantavam, batendo palmas e rezando com todo o coração. A letra do seu cântico dizia assim:

 

"Quando o Espírito de Deus habita em mim, eu danço como David."

 

Fiquei então a pensar no Rei David e no episódio que deu origem a este cântico: num momento de louvor intenso, o Rei David dançou e cantou para Deus, esquecido da sua condição de rei e pessoa séria, sem qualquer espécie de respeito humano:

 

"David, cingindo a insígnia votiva de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor." (2Sm 6, 14)

 

Quando a sua mulher sentiu vergonha da "triste" figura que o Rei fizera, dançando como uma criança, David respondeu-lhe:

 

"Foi diante do Senhor que dancei. E bailarei ainda mais!" (2Sm 6, 21-22)

 

No vídeo de alguns segundos que esta família nos enviou não se viam os anjos da guarda de cada um dos membros... Mas não era difícil imaginá-los a cantar e a dançar também, na presença do Senhor! Rezo para que, como o Rei David, as famílias cristãs "bailem ainda mais", descobrindo a alegria do louvor e da oração familiar...

 

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O nosso retiro em Almada

por Teresa Power, em 22.09.14

O grande dia do Retiro Famílias de Caná em Almada chegou. Que alegria para nós! Saímos de casa perto das seis da manhã, confiantes de que duas horas e meia seriam suficientes para chegarmos ao seminário de S. Paulo. Tínhamos pedido a todas as famílias participantes no retiro que rezassem uma Ave-Maria com essa intenção ao acordarem, e todas o devem ter feito, a julgar pela serenidade da nossa viagem!

Chegámos ao seminário quase ao mesmo tempo que a grande maioria das famílias. A pontualidade continua a ser uma grande marca das Famílias de Caná! De repente, o refeitório estava cheio de cestos de piquenique, donde subia um cheirinho muito apetitoso; e o pátio do seminário abarrotava de crianças de todas as idades, que corriam, saltavam e faziam barulho cheias de energia. O Niall e eu sorrimos um para o outro, e entendemo-nos sem palavras: tínhamos ali novas Famílias de Caná, com toda a certeza!

 

O dia decorreu com muita alegria, muita música, muita partilha e muita oração. Houve barulho, sim, e não foi fácil trabalhar com tantas crianças, de tantas idades. Precisamos de aperfeiçoar o seu espaço de retiro também, naturalmente - não ter nada para aperfeiçoar seria uma pena! Mas o reboliço não beliscou nem ao de leve o nosso encontro com o Senhor. Também na Galileia, há dois mil anos atrás, os grandes encontros de Jesus com os homens aconteceram no meio da multidão - Zaqueu, a hemorroísa, a mulher adúltera, Pedro - e no entanto, nada foi mais pessoal e poderoso nas suas vidas...

 

 

No retiro rezámos, no retiro cantámos, no retiro partilhámos...

 

 

 

Durante o espectáculo de Magia e Evangelização, o Francisco arrancou fortes gargalhadas, mas também nos fez a todos rezar a Ave-Maria!

 

 

 

No final do dia, os jovens e as crianças apresentaram os seus trabalhos. Parece que se divertiram tanto quanto aprenderam também! A Rute e o Serge, a Olívia e o Álvaro, a São, a Vera, a Sofia e o Niall desdobraram-se e multiplicaram-se o mais que puderam o dia inteiro para que os mais pequeninos encontrassem Jesus:

 

 

 

Antes do almoço, o padre Marco Luís celebrou a Eucaristia, rezando connosco e desafiando-nos à santidade com o seu carisma tão especial. Jesus habitou então plenamente entre nós! Durante todo o dia, juntamente com o padre Marco, também o padre Casimiro e o padre Francisco Crespo se disponibilizaram para confessar e fazer direcção espiritual. Um dom muito grande, esta presença intensiva dos sacerdotes nos retiros das Famílias de Caná!

 

Antes do dia terminar, cantámos os parabéns à Sara, claro! Foi um aniversário cheio de barulho, gente e alegria, ingredientes perfeitos para a felicidade da Sara!

 

Também o Edu, que com a sua linda mulher, a Carmina, foi o grande impulsionador deste retiro em Almada, celebrou o seu aniversário. Assim, tivemos direito a dois bolos numa só festa!

 

Do alto da colina, Cristo Rei recordava-nos, com os seus braços abertos, o amor maior, em nome de Quem ali nos reunimos:

 

Lá em baixo, o Tejo brilhava à luz clara do dia que, como em todos os retiros, foi de sol e serenidade:

 

Os nossos filhos fizeram grandes amigos, ficaram a saber o que são Lisboa, Almada, Seixal, Barreiro; atravessaram as duas pontes (ena, que grandes elas são!) e, como sempre, regressaram do retiro como quem regressa de férias.  A Sofia e o Toni acolheram-nos na sua casa de braços abertos - olhem que somos oito, repeti-lhes eu várias vezes... E eles sem se importarem! Que belas horas passámos juntos! Na verdade, o coração de quem se abre ao amor de Jesus é sempre muito grande. A família Cardoso desdobrou-se em cuidados para que tudo corresse na perfeição e nada faltasse, servindo com alegria e humildade, como Maria nas Bodas de Caná. São as Aldeias de Caná a nascer...

 

"Vai para tua casa, para junto dos teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor fez por ti e como teve misericórdia de ti." (Mc 5, 19)

 

Sim, agora é preciso contar!

 

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A estrela escondida

por Teresa Power, em 21.09.14

- Mamã, posso comer uma maçã?

- Podes, claro. Podes colher da macieira, se preferires, e assim não precisas de lavar.

- Mas eu quero que tu cortes, para eu ver a estrela!

- Então traz cá... Pronto, já está! Que estrela tão bonita!

 

Todas as maçãs escondem uma estrelinha no seu interior. Para a encontrarmos, precisamos de cortar a maçã da forma correcta, que é geralmente a forma menos comum de a cortar. A recompensa é este lindo desenho, capaz de extrair grandes exclamações de miúdos e graúdos cá em casa. É que não há duas estrelas iguais, e algumas são tão perfeitas, que custa a acreditar que tenham estado escondidas no interior de uma simples maçã...

 

Há uma estrela no interior de cada criança. Só Deus a conhece, pois

 

"o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16, 7)

 

Para a encontrarmos, precisamos de educar a criança, amando-a e disciplinando-a. É preciso cortar, sim, é preciso abrir, é preciso trazer para fora a estrela de cada um. Ah, mas é preciso fazê-lo de forma correcta, porque de outra forma, a estrela morre...

 

 

 

 

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