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Árvore de Jessé

por Teresa Power, em 30.11.14

Hoje é o primeiro dia do Advento. Amanhã vos direi o que fizemos hoje, para transformar o nosso Canto de Oração num Canto de Oração expectante, alerta, esperando o Senhor que vem! Entretanto, proponho-vos uma actividade que nos seduziu imenso e que vamos pela primeira vez realizar: a construção de uma Árvore de Jessé. A ideia partiu deste blogue americano, onde cheguei através do blogue Família Católica.

Os Evangelhos falam da gruta de Belém, mas não referem nenhuma Árvore de Natal. Donde surgiu pois este símbolo natalício? Há quem sugira que a resposta está no início dos Evangelhos de Mateus e Lucas, ocupados com a árvore genealógica de Jesus. Mateus, no capítulo 1, começa a sua genealogia em Abraão, pai dos crentes; Lucas, no capítulo 3, começa em Adão, pai da humanidade.

Da última vez que lemos a leitura da genealogia de Jesus na nossa oração familiar, os meninos desataram à gargalhada perante a estranheza dos nomes. Depois perguntaram-me:

- Mãe, para que serve ler isto tudo? Que me interessa a mim saber que Jesus descende de Malat, Melqui, Levi, Janai, Naum, Esli, Maat, Joanan, Meleá e tantos outros nomes?

Interessa, sim, e muito! A genealogia de Jesus diz-nos algo tão simples e tão magnífico como isto: Jesus não surgiu na História a partir do nada. Através de seus pais - José foi verdadeiramente pai de Jesus, não em virtude da carne, mas em virtude do poder do sacramento do matrimónio - Jesus recebeu uma descendência humana. Da sua genealogia fazem parte grandes santos, mas também, e sobretudo, grandes pecadores, incluindo uma prostituta, Raab. Desde o seu nascimento num estábulo de pastores, na altura considerados os últimos do povo, à sua morte na cruz entre dois ladrões, Jesus viveu rodeado de pecadores, e fez questão que soubéssemos que era esse mesmo o seu desejo:

 

"Não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Lc 5, 32)

 

José, pai de Jesus, era descendente do rei David, filho de Jessé, e daí o nome de Árvore de Jessé. Durante o Advento, somos convidados a enfeitar a nossa Árvore de Jessé com um símbolo cada dia, percorrendo todos os acontecimentos bíblicos, desde Adão a João Baptista, que anunciaram a salvação trazida por Jesus. Podem encontrar os símbolos no blogue de que vos falei.

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Como os textos explicativos que os acompanham estão em inglês, estive ontem algum tempo a escrevê-los em português. Não traduzi exactamente as reflexões propostas, antes as adaptei um pouco de acordo com a minha sensibilidade. Se as desejarem, podem descarregar este PDF: Árvore de Jessé 

Cristianizar assim a nossa Árvore de Natal, inserindo o nascimento de Jesus no contexto da grande epopeia bíblica, parece-me uma forma fantástica de evangelização nas nossas casas! Vai ser giro ler os pequenos textos bíblicos e a sua explicação, e depois pedir às crianças que procurem entre os diversos símbolos o mais adequado. Façam também esta actividade connosco e contem-nos como foi!

Entretanto, não se esqueçam: hoje é o primeiro dia da Novena da Imaculada Conceição, disponível aqui: Novena da Imaculada Conceição. Façamos uma magnífica corrente de oração uns pelos outros neste blogue, preparando a festa de Nossa Senhora!

 

Um feliz início de Advento para todos vós, e que o Senhor vos abençoe!

 

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Uma pequena fresta

por Teresa Power, em 29.11.14

Como alguns de vós se devem lembrar, temos quatro gatinhas, que foram abandonadas à nossa porta e que nos vimos caridosamente forçados a acolher. São simpáticas, alegres, brincalhonas e bonitas, mas também são bastante inconvenientes, pois não suportam um "não" como resposta. Assim, se um de nós abre uma frestinha da porta ou da janela, logo as quatro saltam para dentro de casa, e num ápice estão na cozinha, em cima da banca, o que me irrita bastante. Já vos mostrei num vídeo engraçado como até a Sara, na altura com vinte e dois meses, aprendeu a enxotar as gatas para o jardim (podem rever o vídeo aqui).

Mas não importa o quanto eu me zangue com elas, a insistência continua. Num destes dias, andava eu em arrumações pela casa, fechando gavetas e apanhando lixo do chão, e olhem só o que eu vi... Decidi pegar na máquina e fotografar, para vocês poderem ver que não estou a exagerar:

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Depois ri-me sozinha: uma pequena fresta na porta ou na janela, e as gatas saltam para dentro de casa; uma pequena fresta nas gavetas (os mais novos, em vez de retirar os brinquedos das gavetas, retiram as gavetas dos móveis), e logo se ajeitam, confortáveis, sobre as roupas... Não pedem muito, realmente!

 

Amanhã começa o Advento. Jesus vai bater à nossa porta com insistência e pedir-nos que abramos, nem que seja apenas uma pequena fresta... 

No livro True Life in God, que contém mensagens de Jesus a uma cristã ortodoxa dos nossos tempos e que está disponível online aqui, Jesus diz assim:

 

"Se ao menos vós soubésseis como Eu estou disposto a perdoar os crimes da vossa era, por um só olhar afetuoso que fosse, dirigido a Mim... um momento de saudade... um suspiro de hesitação... uma ligeira reflexão. Por um só sorriso à Minha Santa Face, Eu perdoarei e esquecerei. Não olharei sequer para as Minhas Chagas. Tirarei da Minha Vista todas as vossas iniquidades e os vossos pecados. Tivésseis vós apenas um momento de pesar, e todo o Céu celebraria esse vosso gesto, uma vez que o vosso sorriso e o vosso olhar afetuoso me seriam agradáveis como incenso e esse pequeno instante de pesar seria por Mim entendido como um novo cântico. (29 de Agosto, 1989)

 

Acreditemos ou não no carácter sobrenatural destas revelações (ainda não confirmadas ou recusadas pela Igreja), estas palavras são de um consolo infinito. Olhemos para trás, para a nossa história... Quando foi que abrimos uma frestinha na porta? Como foi que Jesus entrou? Como foi que, pouco a pouco, Jesus começou a transformar a nossa vida?

Para alguns, a fresta na porta foi uma leitura apressada de algum texto deste pobre blogue; para outros, uma oração hesitante; para outros ainda, um suspiro de tristeza perante a desarrumação da sua vida... Olhemos para trás: terá sido um convite para um retiro? O desafio de uma simples novena a Nossa Senhora, como o que ontem vos fiz e que foi tão bem acolhido?  As palavras de um cristão amigo? Um programa na televisão?

Pouco a pouco, demo-nos conta de que Jesus entrara, e começava a remexer as gavetas da nossa alma, à procura de um lugar confortável onde Se instalar... E quase sem darmos por isso, estávamos a caminhar com passadas de gigante na estrada da santidade!

 

"Eis que estou à porta e bato. Se alguém abrir, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo." (Ap 3, 20)

 

Ajuda-me, Senhor, a abrir uma pequena fresta na porta da minha vida e da minha alma! Entra, Senhor, como puderes, e desarruma as ideias, desinstala os medos e os preconceitos, e faz de mim, para Ti, uma nova gruta de Belém. Ámen!

 

 

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Preparando o grande dia da Imaculada Conceição

por Teresa Power, em 28.11.14

Aproxima-se a grande solenidade da Imaculada Conceição, no próximo dia 8 de Dezembro. Cá em casa, as festas de Nossa Senhora são vividas com um carinho muito especial, ou não fosse Maria a nossa Mãe e a nossa Rainha, que todos os dias invocamos e a quem todos os dias nos consagramos, de manhã e à noite.

- Por que razão celebramos esta festa mesmo antes do Natal? Nossa Senhora não era já crescida quando o Natal estava a chegar? - Perguntou a Clarinha.

- Era, claro! Mas na Igreja, temos duas formas de contar o tempo. Uma delas é a forma litúrgica: celebramos o Advento, para preparar o Natal, depois vêm a Quaresma e a Páscoa, e entretanto, vamos vivendo no Tempo Comum. Durante um ano inteiro, viajamos por todos os grandes acontecimentos da nossa salvação! A outra forma de contar o tempo é uma forma cronológica, semelhante à que usamos para contar o nosso tempo.

- Mas continuo sem entender porque é que celebramos o momento em que Maria foi concebida, no dia 8!

- Quantos meses demora uma gravidez?

- Nove.

- Sabes quando celebramos o aniversário de Nossa Senhora?

- Sim, sei. Dia 8 de Setembro!

- Agora faz as contas, e anda para trás nove meses. Exacto! Como ninguém sabe quando se deram todas estas maravilhas, foi preciso atribuir-lhes uma data. Se celebramos os anos de Nossa Senhora a 8 de Setembro, então celebramos a sua imaculada concepção a 8 de Dezembro. É simples!

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Para prepararmos bem esta grande data, vamos fazer uma novena a Nossa Senhora: durante nove dias, logo pela manhã, meditaremos numa passagem bíblica relacionada com a vida de Maria e faremos uma breve oração. Querem unir-se a nós? Descarreguem este PDF Novena da Imaculada Conceição,  imprimam-no e levem-no convosco para a escola e para o trabalho. Numa pequena pausa durante o dia, ou mais solenemente, na oração familiar ao serão, rezem connosco!

E Maria, concebida sem pecado, Maria nossa Mãe, Maria nossa Rainha, derramará sobre nós as bênçãos do Senhor. Ámen!

 

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Vem, Senhor Jesus!

por Teresa Power, em 27.11.14

"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas, e na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. (...) Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima." (Lc 21, 25-28)

 

As leituras da missa destes últimos dias do ano litúrgico falam-nos da última vinda de Jesus, na glória, como Rei e Senhor de todo o universo, e desafiam-nos a estar vigilantes, bem despertos, atentos aos sinais dos tempos. Só assim seremos capazes de reconhecer os passos do Senhor e o murmúrio da sua voz, quando Ele regressar.

Enquanto escutava o Francisco, a Clarinha ou o David a lerem algumas destas passagens, na nossa oração familiar ao serão, eu observava a Winnie, a nossa querida e velha cadelinha preta. À janela, silenciosa, atenta, o corpo em alerta máximo, o olhar fixo na rua, a Winnie era toda ela a imagem perfeita da sentinela vigilante. Mas porquê esta pose tensa, no final do dia? Porque a Winnie estava à espera do Niall.

 

Como convém a alguém que trabalha em Relações Internacionais, o Niall viaja bastante, passando de cada vez dois ou três dias no estrangeiro. Os meninos suspiram, saudosos do abraço paterno, mas não há como evitar a separação.

- Quantos dias faltam para o papá voltar? - Perguntam, a cada manhã e a cada noite. E eu vou respondendo.

Mas a Winnie não sabe contar os dias, e acho que não iria entender se eu lhe explicasse... Assim, não lhe resta outra alternativa senão estar vigilante, atenta ao mais pequeno sinal do regresso do seu dono e senhor, a quem ela adora acima de tudo. E mesmo velhinha, a Winnie não desiste de esperar de pé...

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O Evangelho assegura-nos de que o Senhor virá, em glória, para recolher o que semeou. Virá no final dos tempos, e virá no final do tempo de cada um de nós...

O nosso mundo não gosta de falar na morte. Mas nós sabemos que a morte nos pode surpreender a qualquer momento, no meio de qualquer actividade do nosso dia. O Senhor está perto, sim! Estaremos nós verdadeiramente em alerta máximo, conscientes de que o seu regresso é iminente? Estaremos nós verdadeiramente centrados no essencial? Ou andaremos distraídos, perdendo tempo com futilidades, desperdiçando as oportunidades que a vida nos oferece para amar, para servir, para perdoar, para dar?

Como passamos o nosso serão? Será que o ocupamos apenas com as novelas políticas ou fictícias que a televisão nos oferece? Ou, à semelhança da Winnie - mas com muito mais razão - sabemos guardar alguns momentos para nos colocarmos de pé, vigilantes, de olhos fitos na noite estrelada, à espera do nosso "Dono"?

 

Como sempre, a Winnie foi a primeira a perceber que o Niall chegara. Eram onze e meia da noite! Com grande alarido, a Winnie correu e saltou à sua volta, feliz.

O Senhor vai chegar, sim. Não deixemos que os animais nos ultrapassem em vigilância e esperança! Está na altura de nos erguermos e levantarmos a cabeça, porque a nossa libertação está próxima. Ah, a festa que vai ser...

 

 

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Cansados, mas santos!

por Teresa Power, em 26.11.14

- Niall, acabei de ler uma história fascinante de um casal de santos.

- É do novo livro?

- Sim, do livro que os nossos amigos nos enviaram por correio: Esposos e Santos. Posso contar-te?

- Agora? Não pode ser depois de eu lavar a louça?

- Não. Depois de lavares a louça tens de ir limpar a garagem, que os gatos portaram-se mal, e arrumar os brinquedos do jardim, que esta noite vai chover. E eu tenho de ir passar a ferro e fazer um teste para o nono ano.

- Bem, então conta lá!

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Giovanni Gheddo e Rosetta Franzi, que se casaram em 1928, viveram uma vida comum, de esposos e pais, em Itália. Rosetta morreu de parto com 32 anos, deixando três filhos pequeninos, e Giovanni morreu durante a Segunda Guerra Mundial, num acto de heroísmo caridoso, ao oferecer-se para tomar o lugar de um colega condenado.

Em tão pouco tempo de vida em conjunto - seis anos -, como puderam Giovanni e Rosetta alcançar a santidade, que lhes é reconhecida por todos quantos com eles conviveram?

Ambos pertenciam à Acção Católica e ambos trabalharam activamente na sua paróquia e na sua aldeia. O seu curto namoro foi vivido num clima de pureza e simplicidade invulgares. Depois de casarem, iam todos os dias juntos à primeira missa da manhã; e ao serão, rezavam o terço com os filhos e faziam a sua leitura espiritual. Os pobres e infelizes tinham lugar privilegiado nas suas atenções, e são muitas as histórias que as pessoas da aldeia contam sobre isso!

 

- Niall, o que eu te queria dizer sobre este casal é... Bem, era uma nota de esperança para ti!

- Não te estou a entender.

- Bem, vou ler-te um bocadinho do texto, escrito pelo seu filho sacerdote:

 

"Giovanni, desenhador técnico, durante o dia trabalhava muito, visitando as quintas e as aldeias vizinhas de bicicleta, mas de manhã acordava-nos às cinco e meia para nos levar à primeira missa na paróquia, que era às seis. E às sete, começava o seu trabalho nas quintas. Nós, os dois mais velhos, ajudavamos à missa, e o Mário ficava com o pai no coro, atrás do altar. Uma recordação maravilhosa daquelas missas de madrugada é que eu fora incumbido pelo pai, se ele não aparecesse, de ir ao coro chamá-lo para a comunhão, pois às vezes, ele adormecia! Vinha imediatamente e, depois da missa, ia a sacristia, pedir desculpa ao sacerdote."

 

O Niall riu-se, e eu pisquei-lhe o olho.

- Vês, Teresa, não sou só eu que adormeço a rezar! - Disse-me, divertido.

Na verdade, de vez em quando o Niall adormece enquanto rezamos o terço em família, pois tal como Giovanni, também trabalha muitas horas e viaja muito. O cansaço, por vezes, é mais forte... A partir de agora, ele já sabe quem invocar quando todos o atacarmos por se deixar adormecer!

 

Com demasiada frequência, acusamos as circunstâncias da vida moderna de não nos permitirem uma oração familiar digna do nosso nome de cristãos. O trabalho, as viagens, os horários, as actividades dos filhos, o cansaço e o direito legítimo ao descanso, tudo nos parece desculpa suficiente para não procurarmos, criativamente, formas de nos aproximarmos de Deus em família. É por isso que nos faz bem conhecer os exemplos de santidade do passado mais recente, em que o amor maior tudo tornava possível! E mesmo que passemos pelo sono durante a oração, vencidos pelo cansaço, saibamos que

 

"aos seus amigos, Deus dá o pão até durante o sono..." (Sl 127/126)

 

 

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De olhos vendados

por Teresa Power, em 25.11.14

"Abraão! Abraão! Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar." (Gn 12, 1)

 

O chamamento de Abraão é a primeira narrativa histórica do Livro do Génesis. Para trás, ficam os contos e as parábolas sobre a Criação do mundo. Abraão é o primeiro homem histórico de que temos registo capaz de escutar a voz única e inconfundível do Criador, e de Lhe responder "Sim".

 

- Mas Abraão via Deus? - Queriam saber os mais pequeninos, na sala da Lúcia, na catequese.

- Não, não via, apenas ouvia. Era uma voz paternal, forte, profunda, que Abraão ouvia com os ouvidos do coração...

- Ah! E ele obedeceu a Deus?

- Sim. Abraão obedeceu, seguindo a voz que ouvia, mesmo sem ver. Vou mostrar-vos como foi!

E o catequista da Lúcia chamou uma menina, vendou-lhe os olhos e começou a dar-lhe instruções:

- Para a direita! Agora em frente... Dois passos... Isso. Para a esquerda... Boa! Agora podes sentar-te... Ena, acertaste! Tira a venda: estás sentada na minha cadeira!

A Lúcia regressou a casa eufórica com este jogo tão simples.

- Vês, mãe, já sei como é obedecer a Deus! É como jogar à cabra-cega!

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 Fiquei a pensar nas palavras da Lúcia. Como ela tem razão! A vida assemelha-se tantas vezes a um caminho que percorremos de olhos vendados, totalmente incapazes de vislumbrar o que fica para além da próxima colina ou da curva seguinte... De olhos vendados, sem GPS e sem trilhos marcados, resta-nos apurar os nossos ouvidos interiores e escutar.

 

- Nós temos bem mais sorte do que Abraão - Expliquei eu aos meus catequisandos, mais velhos que a Lúcia.

- E porquê?

- Porque temos mais formas de escutar a voz de Deus...

- Claro! Temos a Bíblia!

- Sim, temos a Bíblia. Milhões e milhões de Palavras de Deus, que podemos escutar sempre que quisermos! Além disso, temos a Igreja, que se esforça por estar atenta ao Senhor, traduzindo a sua Palavra para cada geração. Precisamos de estudar o Catecismo! Se lermos as cartas papais, se lermos as suas catequeses semanais e homilias diárias, por exemplo no site do vaticano, não nos vamos perder no caminho. Naturalmente que, sem a oração pessoal, nenhuma destas palavras, da Bíblia ou do Papa, farão caminho dentro de nós...

 

Oração pessoal, meditação da Bíblia, Catecismo da Igreja Católica: três formas de escutar a voz de Deus! Depois, é preciso abandonar a nossa terra, a nossa zona de conforto, o nosso pecado, os nossos sonhos, os nossos projectos pessoais, e lançarmo-nos à estrada. De olhos vendados, mas de coração atento, saibamos imitar o nosso pai na fé, Abraão, e como ele, montar a nossa tenda no Coração do Senhor...

 

 

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Festa do pijama

por Teresa Power, em 24.11.14

No dia 20 deste mês, o António e a Sara foram para a escola de pijama. Sim, de pijama! Nos braços, levavam a sua almofadinha e um ursinho de peluche. E na cara, um grande sorriso!

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20 de novembro foi o Dia Nacional do Pijama, e o Centro Social de S. José de Cluny é uma das escolas que adere a esta celebração. A intenção é recordar ao país que todas as crianças têm direito a viver no seio de uma família, seja a sua, seja uma família de acolhimento. Em Portugal existem 8142 "crianças invisíveis", como os mentores deste dia lhes chamam, separadas dos seus pais e que vivem em instituições. Na maior parte dos outros países europeus, a norma é estas crianças viverem em famílias de acolhimento. Porque não em Portugal?

 

No dia 20, ao ver os meus filhos tão divertidos a brincar de pijama o dia inteiro, recordei os meus quatro sobrinhos adoptados, na Irlanda. Sim, a irmã mais velha do Niall sabia que não iria poder ter filhos biológicos desde os doze anos de idade, altura em que foi submetida a uma delicada operação e lhe foi retirado o útero; o irmão mais velho do Niall também não conseguiu ter filhos biológicos, apesar da sua mulher ter engravidado algumas vezes. Ambos os casais adoptaram duas crianças, que vivem felicíssimas no seio das suas famílias.

A minha sobrinha mais velha, filha da irmã mais velha do Niall, é uma bela rapariga romena, bem morena, estudante universitária de grandes olhos negros. Os pais foram buscá-la à Roménia quando a menina tinha quatro anos. Vivia num enorme orfanato, com muitas outras crianças, e assim que viu os meus cunhados entrar no recinto, atirou-se-lhes para os braços com a exclamação (em romeno, naturalmente):

- Finalmente já chegaram! Estava à vossa espera! Vamos para casa?

Os meus cunhados apertaram-na nos braços. Que emoção! Estavam pela primeira vez diante da sua filha... Precisavam de um intérprete para entenderem as suas palavras, mas não as suas emoções.

- Vamos ficar no hotel uns dias - Disseram-lhe. - Depois vamos para casa.

A menina mostrou-se extremamente desapontada. Num hotel? A cada dia que passava, mais se impacientava. Até que os meus cunhados decidiram desistir das três semanas que tinham pensado passar na Roménia, achando que seriam necessárias para a integração da menina... A sua nova filha esperara quatro anos por uma casa e uma família, não por um hotel! Alteraram o voo como puderam e em poucos dias regressaram à Irlanda, onde a sua nova filha foi recebida com grande alegria pelos avós, tios e primos. Que futuro teria esta menina tido na Roménia? Certamente um futuro de prostituição e pobreza extrema. Na Irlanda, é uma jovem realizada e bem disposta.

 

"Quem receber um destes pequeninos em meu nome, a Mim recebe." (Mt 18, 5)

 

A esterilidade física de um casal não precisa de ser esterilidade do coração. Às vezes, os tratamentos da infertilidade prolongam-se tanto e são de tal forma agressivos, que enchem o coração de amargura. E quando a amargura se instala no coração, é capaz de o tornar também infértil... Acolher uma criança, através da adopção ou tornando-se família de acolhimento, é acolher o próprio Deus. Aquele menino traquinas que vai aprender a crescer em casa dos seus novos pais, afinal, é o próprio Jesus... Que maravilha!   

 

O blogue Adotar, Amar, Viver e o blogue Beijo de Mulata são dois óptimos testemunhos de como a adopção pode encher a vida do amor de Deus. Mas há milhões de outros testemunhos, silenciosos e luminosos, no mundo inteiro! Que o Senhor nos mostre, em cada momento, como podemos acolhê-l'O em nossa casa. Ámen!

 

 

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Chiara Corbella Petrillo

por Teresa Power, em 23.11.14

Há dois anos, recebi um mail com a notícia de um funeral festivo, que atraíra multidões em Itália: o funeral de uma jovem mãe de vinte e oito anos, vítima de cancro. E porque fora o funeral uma festa? Porque Chiara vivera e morrera como testemunha do amor de Deus, deixando na Terra um rasto de santidade.

Chiara espalhava a alegria, a paz e a confiança em Deus por onde passava. Casada com Enrico, vivia a sua fé intensamente. Nos primeiros anos de casada, Chiara dera à luz dois bebés que tinham morrido poucos minutos depois do parto, e fizera-o sempre com uma serenidade invulgar. Em ambos os casos, recusara o aborto proposto pelos médicos, ao tomar consciência das mal-formações dos bebés.

A terceira gravidez fora finalmente de uma criança saudável, mas ao quinto mês de gestação, o cancro atacou Chiara. Caramba, não teria ela já tido uma dose suficiente de dor? Não. Da dor, nasce o amor, e Chiara é a prova disso mesmo: recusando a quimioterapia que a podia salvar, mas que mataria o bebé, Chiara assumiu a sua doença em favor da vida do seu filho. Quando finalmente pôde fazer os tratamentos, depois do bebé nascer, já não foi a tempo. Morreu um ano depois.

A história que, há dois anos, me foi contada por mail, podemos agora lê-la em livro. Melhor: quem vive em Lisboa ou no Porto poderá assistir ao lançamento do livro em português, com a presença do marido e do filho de Chiara! Aqui fica o cartaz que publicita este maravilhoso evento, em Lisboa e no Porto, nos dias 28 e 30, respectivamente: CARTAZ_Chiara.jpg

 

Vivemos tempos difíceis de relativismo, onde tudo parece depender dos nossos sentimentos e onde as atitudes radicais são apelidadas de fundamentalistas. Chiara parece ter vivido com uma missão: mostrar ao nosso mundo de hoje que é possível ser cristão até ao mais profundo de cada decisão; que podemos acreditar na Palavra de Jesus, quando Ele nos diz: "Não tenhais medo!" E que a verdadeira felicidade só se encontra no cumprimento perfeito da vontade de Deus.

 

"Quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la." (Lc 9, 24)

 

Neste dia de Cristo Rei, deixo-vos com um vídeo pequenino sobre a vida e a morte de Chiara. Que ela nos ajude a ver a verdade e a seguir o nosso Rei até ao fim!

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Parabéns, Uma Família Católica Blog!

por Teresa Power, em 22.11.14

Faz hoje um ano que demos início a este blogue familiar, e por isso, hoje é dia de festa!

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 Há já algum tempo que me parecia sentir um chamamento para partilhar com uma comunidade mais alargada a nossa vivência cristã. A ideia do blogue surgiu de repente, em forma de imperativo, num livro que estava a ler sobre a Nova Evangelização, escrito pelos autores do site "The Catholics Next Door", indicado na coluna lateral deste blogue. Num capítulo sobre formas de evangelizar no mundo actual, a primeira sugestão era esta: "Inicie um blogue católico". Deu-se um "click" dentro de mim, que partilhei de imediato com o Niall. Para meu grande espanto, ele não me chamou maluca, nem me falou dos perigos da net... A Palavra de Deus ressoava, poderosa, na nossa mente e no nosso coração:

 

"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa." (Mt 5, 14-15)

 

Antes do fim da semana, o blog nascia.

Lembro-me dos dias em que tinha duas, três visualizações; lembro-me da tentação enorme de desistir, porque isto de actualizar um blogue diariamente, incluindo sempre uma citação bíblica e pesquisando, às vezes de forma bastante exaustiva, vários assuntos da fé, leva muito tempo... A pergunta surgia, constante, provocadora, no meu espírito: "Valerá a pena?"

E um dia começaram a chegar os testemunhos na caixa de comentários e especialmente no mail pessoal... Dei-me conta de que o blogue estava a fazer bem a alguém, algures, e se fazia bem a alguém, já valia a pena! Deixei de pensar em desistir, deixei de me preocupar com as visualizações e deixei de temer o tempo gasto com a actualização diária do blogue. Se Deus queria que o blogue existisse, Ele iria dar-me todos os dias o tempo e a inspiração necessários; se Deus queria que o blogue existisse, Ele mesmo iria levar o blogue às pessoas a quem ele se destinava. Pouco a pouco, o blogue deixou de ser problema nosso, para passar a ser problema "d'Ele"...

Em setembro, no final do retiro que fizemos em Almada, já deitados na cama, o Niall e eu demos uma gargalhada conjunta: ali estávamos nós, com os nossos seis filhos, preparados para dormir em casa de uma família que tinhamos conhecido através do blogue, e com quem partilhávamos uma amizade tão bonita! Quando é que alguma vez imaginaramos passar uma noite numa acolhedora casa no Barreiro, onde não temos família nem raízes? Só Deus, para aproximar assim os seus filhos uns dos outros!

Ao longo deste ano, foram certamente muitas as graças que o Senhor derramou sobre os seus filhos, servindo-Se, na maioria das vezes sem nós sequer o suspeitarmos, deste blogue tão simples. Conhece-las-emos no céu... Quanto às graças que Deus derramou sobre nós, elas foram verdadeiramente abundantes:

Através do blogue, Deus permitiu-nos fazer amigos virtuais um pouco por todo o país, no Brasil e na Argentina.

Através do blogue, Deus ofereceu-nos também amigos reais, de carne e osso, que abraçamos e com quem falamos ao telefone, com quem trocamos mails diários, que visitamos e com quem fazemos piqueniques:

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Através do blogue, os nossos filhos fizeram amigos para a vida.

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Foi o blogue que nos levou à aldeia de S. Bento, à "Casa da Paz" onde vive a família Almeida, e onde entre muitas outras coisas bastante mais importantes, também aprendi a ordenhar uma cabrinha, sonho que acalentava desde criança, quando via a "Heidi" na televisão :)

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O blogue serviu ainda para Deus estabelecer uma corrente belíssima de oração de bênção, que se estende pelo país e pela América do Sul.

O blogue inspirou outros blogues a nascer, a crescer e a fazer o seu trabalho de evangelização com beleza e profundidade.

O blogue fez o carteiro precisar de parar mais vezes à nossa porta, trazendo-nos livros, terços e outros presentes simpáticos de leitores amáveis, que quiseram partilhar connosco a sua alegria e nos encheram de gratidão. Alguns presentes são tão belos, mas tão pessoais, que só Deus e nós os conhecemos!

O blogue trouxe-nos imensas sugestões de leitura, meditação, oração, trabalhos manuais e arte cristã, e até, de lugares para piqueniques!

Num e-mail, uma leitora concluía:

"Acredite que o blogue tem um efeito infinito... É que ele inspira uma pessoa a fazer o bem, essa pessoa inspira outra, e assim por diante, sem nunca ter fim, como círculos na água. Não tem como medir o trabalho realizado através do vosso blogue!"

Eu penso que esta leitora acertou em cheio. A ideia é mesmo essa: lançar uma pedrinha - cinco pedrinhas... - nas águas paradas, agitá-las e provocar círculos cada vez mais vastos de esperança, alegria, fé, amor, partilha. Cada vez que um leitor se deixa amar e converter por Jesus, lançando-se na aventura da santidade e agitando as águas com as suas "pedrinhas", este blogue já valeu a pena!

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Obrigada, Senhor, por não Te envergonhares de Te servires de nós, instrumentos tão fracos, para anunciar a Boa Nova do teu Reino a uma multidão! Guia sempre o nosso blogue, para que ele seja fidelíssimo ao teu Evangelho, nunca se desviando da doutrina da Igreja Católica. Guia sempre o nosso blogue, para que ele seja fonte de alegria, esperança e misericórdia para quem o ler!

E tu Maria, queria Mãe de Caná, ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser. Ámen!

 

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Vovó Mamã

por Teresa Power, em 21.11.14

Numa destas tardes de domingo fomos a Aveiro visitar a minha avó, a quem os meus filhos chamam carinhosamente "Vovó Mamã", talvez por ela ser a mamã da sua vovó. A minha avó, mulher forte, generosa, atenta aos outros, a quem eu devo tanto desde menina e até bem depois de casar, está ainda na sua casa, mas já não pode estar sozinha, visto não conseguir deslocar-se e sofrer de uma grave demência. Assim, a minha mãe passa quase todo o seu tempo com ela, tendo ainda a ajuda de funcionárias dedicadas e trabalhadoras.

A Palavra de Deus é muito clara:

 

"Filho, ampara o teu pai na velhice, não o desgostes durante a sua vida; mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes, tu que estás na plenitude das tuas forças. A caridade que exerceres com o teu pai não será esquecida, e ser-te-á considerada, em reparação de teus pecados." (Sir 3, 12-14)

 

Que palavra tão bonita! Deus está disposto a esquecer os nossos pecados por um acto de amor para com os nossos pais, algo que devia ser tão natural em nós...

Cuidar do pai e da mãe idosos aprende-se em família. Eu estou acostumada a ver a minha mãe cuidando incansavelmente da minha avó. E embora a minha avó nunca deixe de dizer "obrigada" e "por favor", já não reconhece a filha. Não é fácil acompanhar os seus delírios, ajudá-la a fazer a sua higiene quando ela quase não se mexe, partilhar o seu sofrimento todos os dias. Mas a minha mãe fá-lo de todo o coração. Terei eu, um dia, esta capacidade de entrega e esquecimento de mim mesma?

Sara e vovo mamã.jpg

Recordo aqui um texto de Santa Teresinha, que sempre me comoveu, em que ela relata a forma como cuidava de uma irmã muito idosa do convento:

"Custava-me muito oferecer-me para acompanhar a Irmã S. Pedro ao refeitório, porque sabia que não era fácil contentar a pobrezinha, que sofria tanto e que não gostava de mudar de acompanhante. Contudo, eu não queria deixar de aproveitar uma tão bela ocasião para praticar a caridade. Todas as tardes, quando via a Irmã S. Pedro sacudir a ampulheta, sabia que isso queria dizer: "Vamos!" É incrível como me custava sair, mas fazia-o imediatamente. Depois começava todo um cerimonial. Era preciso retirar e levar o banco de um modo especial, e sobretudo, não se apressar; a seguir, iniciava-se o passeio. Se ela dava um passo em falso, logo lhe parecia que eu a segurava mal; se procurava andar ainda mais devagarinho - "Logo vi que era nova demais para me acompanhar!" Quando chegávamos ao refeitório, era preciso arregaçar-lhe as mangas de um modo também especial...

Uma noite de inverno, em que cumpria, como de costume, o meu pequeno ofício, ouvi ao longe o som harmonioso de um instrumento musical. Então imaginei um salão bem iluminado, todo resplandecente de dourados, de donzelas elegantemente vestidas. A seguir, o meu olhar pousou na pobre doente que amparava; em vez de uma melodia, ouvia de vez em quando os seus gemidos queixosos; em vez de dourados, via os tijolos do nosso claustro austero, mal iluminado. Não consigo exprimir o que se passou na minha alma, o que sei é que o Senhor a iluminou com os reflexos da verdade, que ultrapassavam de tal maneira o brilho tenebroso das festas da terra, que não podia acreditar na minha felicidade! Ah, para gozar mil anos de festas mundanas, não teria dado os dez minutos gastos no cumprimento do meu humilde ofício de caridade!" (História de Uma Alma, Manuscrito C)

 

Que o Senhor nos ensine, como a Santa Teresinha, a escolher o mais importante, e a perceber que a felicidade do Céu vale bem um pequeno ou um grande esforço de caridade na Terra. Ámen!

 

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