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Conjugando o verbo amar

por Teresa Power, em 28.02.15

- Sabes, mamã, a minha melhor amiga é a Leonor. - Diz-me a Lúcia, enquanto a ajudo no banho. Geralmente, durante a hora do banho dos mais novos temos sempre conversas muito profundas.

- Ai sim? Nunca tinha ouvido falar na Leonor!

- Pois não. Ela é nova na escola.

- E já é a tua melhor amiga?

- Sim. Quando ela chegou à escola, ela veio ter comigo e perguntou: «Queres ser a minha melhor amiga?» Eu respondi: «Quero!» E agora somos as melhores amigas.

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 A conversa da Lúcia acordou em mim memórias queridas da infância. Recordo com nitidez a escolha de cada uma das minhas "melhores amigas", e todas elas foram feitas da mesma forma, pelo menos até aos meus dez, onze anos. Uma decisão. A minha primeira "melhor amiga" tinha os cabelos tão longos, tão longos (tão diferentes dos meus, curtinhos e rebeldes), que me lembrava uma princesa dos contos de fadas. Quem não queria ser amigo de uma princesa? A segunda era a minha vizinha de cima, pelo que dava muito jeito sermos melhores amigas, para aproveitarmos bem todo o tempo juntas. A terceira era a minha vizinha de baixo. Decisões tomadas instantaneamente, e alimentadas todos os dias com muita brincadeira.

 

O amor é sempre uma decisão. Na base de qualquer relação de amor ou amizade podem estar as mais variadas razões - incluindo a semelhança do amigo ou amado com um príncipe ou princesa de conto de fadas... - mas depois de feita a escolha, é preciso alimentá-la diariamente, através da decisão. Amar é agir, fazer, atuar; porque amar é um verbo, tal como Deus é Verbo - o Verbo feito carne (Jo 1, 14).

Custa, manter a fidelidade a um amor que se sente como passado? Custa, amar sempre, e amar quem não merece ser amado? Custa amar os colegas de trabalho menos simpáticos, os amigos que nos magoaram, os alunos insolentes, os vizinhos barulhentos? Custa alimentar a amizade com os amigos distantes, não esquecendo as datas importantes e oferecendo o nosso serviço? E no entanto, se não amarmos, nunca conheceremos a verdadeira alegria... Um ato de vontade, uma decisão, e uma oração: "Senhor, ajuda-me a amar! Senhor, dá-me a alegria de amar..."

Nos Evangelhos, este verbo "amar" está no imperativo:

 

"É este o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei." (Jo 15, 12)

 

 

 

 

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Fios de luz

por Teresa Power, em 27.02.15

Francisco:

 

"Eu e a Clarinha nunca fazemos trabalhos em conjunto na escola. Primeiro porque temos dois anos e meio de diferença, mas essencialmente porque temos gostos e talentos muito diversos. No entanto, nas Jornadas Culturais do nosso colégio este ano, tivemos a oportunidade rara de trabalharmos em conjunto no mesmo projeto, cada um a fazer coisas completamente diferentes mas de tal modo que, sem um, o trabalho do outro não faria sentido: juntos e com mais uma colega do 9º ano, preparámos uma dança executada pelas duas, com efeitos especiais feitos por mim e projetados nelas. A inspiração veio de um vídeo do Youtube, que procurámos imitar e adaptar.

Fazer isto não foi fácil. Foi necessário uma sincronização perfeita (ou quase!) entre as bailarinas e o vídeo com os efeitos especiais. Isso foi possível filmando as bailarinas, contruindo os efeitos nesse vídeo, removendo o fundo e adicionando outro. Uma complicação! Eu tive de seguir as mãos das bailarinas com pontos a cada segundo do vídeo, o que deu uma trabalheira enorme. Só assim pude, por exemplo, unir as bailarinas com raios de luz.

Depois de dois dias a fazer o vídeo sem parar, chegou a vez da Clarinha e a amiga começarem a treinar os movimentos todos de modo a sincronizarem com o vídeo que foi feito sincronizado com elas (sim, eu também fiquei confuso!). Isso requereu prática, mais uns ajustes da minha parte, umas improvisações da parte delas, mas creio que no final tudo ficou bem, como podem avaliar pelo vídeo.

Foi muito interessante trabalhar em conjunto com a minha irmã. Primeiro porque podia ir consultando uma das bailarinas para ver se ela “aprovava” o meu trabalho, segundo porque ela podia ir vendo e imaginando na sua mente o que teria de fazer em palco, no dia das Jornadas, por último porque… bem, é minha irmã e é raro fazermos este tipo de trabalhos! Foi divertido, valeu a pena!"

 

Clarinha:

 

"Este ano participei de uma forma diferente nas Jornadas Culturais. Um grupo de professores desafiou-me a mim, a uma amiga e ao meu irmão a construir uma "dança das estrelas".

A primeira vez que experimentámos dançar com a projeção foi no ensaio geral, e por vezes não conseguimos fazer a dança sincronizadas com os efeitos especiais. Tivemos de encontrar estratégias, contar os passos, etc.

Depois de muito praticar com a minha colega, entrámos em palco. Foi engraçado como, sem ver, tínhamos de "agarrar as estrelas" sem nos enganarmos.

Quando terminámos a apresentação, saímos do palco e demos saltos de alegria por termos conseguido trabalhar em equipa e lançar estrelinhas!"

 

Foi preciso concentrar toda a sua atenção no outro, no trabalho do outro, nos movimentos do outro, no talento do outro...

Foi preciso ser generoso e oferecer o seu tempo livre...

Foi preciso ter fé para acreditar que os gestos e movimentos no ar, aparentemente vazios, lançaram estrelas no palco.

Alguns santos receberam de Deus dons especiais, permitindo-lhes ver a luz ou as trevas que iluminam ou escurecem o interior de cada pessoa. Deus ofereceu-lhes a oportunidade de ver os homens como Ele os vê. S. João, na sua primeira Carta, diz-nos:

 

"Deus é Luz e n'Ele não há nenhuma espécie de trevas. Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário, se caminhamos na luz, como Ele, que está na luz, então temos comunhão uns com os outros..." (1Jo 1, 5-7)

 

O Francisco, a Matilde e a Clarinha descobriram que estavam unidos por fios de luz; e que, mesmo sem verem nem sentirem, podiam agarrar as estrelas.

Seremos nós capazes, ao cruzarmos todos os dias a nossa vida com a dos irmãos, ao rezarmos no silêncio de uma igreja vazia... de fazer a mesma descoberta?

 

 

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Um quilo de algodão

por Teresa Power, em 26.02.15

- Mamã, o que pesa mais: um quilo de chumbo ou um quilo de algodão?

- Não sei, António.

Eu estava muito atrapalhada entre fazer o jantar e evitar que a Sara se queimasse ou partisse a cabeça enquanto me ajudava, e por isso respondi sem pensar.

- Não sabes mesmo? Que esquisito! - Comentou o meu filho, sem desistir.

Peguei na Sara ao colo com um braço e destapei a panela da carne com a mão livre. Com um suspiro, decidi entrar no jogo:

- Acho que é o chumbo. O chumbo é muito mais pesado do que o algodão! O algodão não pesa nada, não é verdade?

- Errado! - O António estava triunfante, tal como eu esperava com a minha resposta parva. - O algodão e o chumbo pesam o mesmo, porque um quilo é sempre um quilo!

A rir, o António saiu da cozinha, e a Sara perseguiu-o aos pulinhos. Enfim só, fiquei a pensar... E recordei-me de uma meditação que gosto de reler no livro A Fé em Família, de Christine Ponsard... Um quilo é sempre um quilo, seja de algodão, seja de chumbo. Mas em matéria de pecado, diz Christine, parecemos esquecer esta verdade. Acumulamos "pecados de algodão" uns atrás dos outros, sentindo-nos muito descansados porque não são "pecados de chumbo", daqueles que matam o amor, e esquecemo-nos que, de algodão em algodão, já temos um quilo bem pesado.

Amanhã irei entregar este quilo ao Senhor, confessando o meu pecado. O Senhor livrar-me-á deste peso mortal, restituindo-me a vida com o seu perdão. Ah, que seria de mim sem o sacramento da Confissão?...

 

"Feliz aquele a quem é perdoada a culpa

e absolvido o pecado.

Enquanto me calei, os meus ossos definhavam

no meu gemido de todos os dias,

pois a tua mão pesava sobre mim dia e noite.

Confessei-Te o meu pecado e não escondi a minha culpa;

disse: «Confessarei ao Senhor a minha falta.»

E Tu me perdoaste a culpa do pecado." (Sl 32/31)

 

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PS - E por falar em confissões... Inscrevam-se o quanto antes no Retiro de Quaresma!

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Saltinhos de passarinho

por Teresa Power, em 25.02.15

- Meninos, estudem o texto para a próxima aula e pensem nas apresentações orais.

- Mas, professora, na próxima aula são revisões!

- Revisões de quê?

- Revisões para o teste.

- Teste? Já vamos ter teste?

- Sim, a professora marcou para dia 4...

Engoli em seco, abri o calendário escolar e confirmei: sim, vão ter teste para a semana - eles e as restantes seis turmas que leciono. O que significa que tenho de o fazer, e depois tenho de o corrigir. Numa fração de segundo, passaram-me pelo pensamento todas as coisas que têm de ser feitas nos próximos dias, para além daquilo que constitui a minha função principal, ou seja, todo o trabalho familiar. Quando, alguns instantes depois, a campaínha tocou e os meus alunos saíram da sala, fui invadida por uma sensação de pânico. Como irei eu ser capaz? Desci as escadas e dirigi-me ao carro.

- Boa tarde - Murmurei apressadamente para as senhoras do bar da escola, ao passar por elas a correr.

- Boa tarde, professora! - Responderam, sorridentes. E uma delas acrescentou: - Estávamos mesmo aqui a comentar que nunca vimos uma professora a correr tanto! Parece um passarinho aos saltinhos, o dia inteiro!

Dei-lhes o meu melhor sorriso e continuei a correr. Sentei-me ao volante, e o meu pensamento voava. Tinha cerca de vinte minutos disponíveis entre uma escola e outra - quase todos os dias dou aulas em três escolas diferentes - vinte minutos que costumo aproveitar para estender uma máquina de roupa ou adiantar o jantar. Mas desta vez, o caso era urgente, e eu precisava de uma solução. A meio caminho, decidi portanto ir ter com a única pessoa capaz de resolver o meu problema: virei para a esquerda e segui pela estrada de campo, até chegar a uma pequena capela, sempre aberta, onde Jesus espera por mim diariamente no sacrário. Estacionei e entrei.

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Tudo estava silencioso, e junto do sacrário brilhava tranquilamente uma luzinha vermelha. Ajoelhei-me e contei a Jesus a minha história, desabafando com Ele o meu pânico. É sempre melhor desabafar com Jesus do que cansar os outros com os nossos problemas!

Enquanto falava, contemplava o enorme crucifixo que se elevava sobre o sacrário. Pareceu-me então escutar um diálogo que a Madre Teresa de Calcutá costumava ter com as suas irmãs. Quando as via agitadas, nervosas, tristes ou cansadas, fazia-lhes uma pergunta:

- Irmã, o que é que Jesus disse: para seguirmos à frente da Cruz ou atrás?

- Atrás, Madre - Respondia a Irmã, já com um sorriso.

- Então levante esse ânimo e caminhe atrás da Cruz de Nosso Senhor!

Caminhar atrás da Cruz é realmente bastante mais simples do que ter de abrir o caminho sozinhos. Quem vai atrás não precisa de se preocupar com as direções, pois tudo é decidido por quem vai à frente. O maior esforço de quem segue atrás é não perder de vista o que abre caminho, mantendo fixo nele o seu olhar. Se eu mantiver o meu olhar fixo em Jesus, se eu estiver disposta a colocar os meus pés nas suas pegadas marcadas a sangue no chão, nada me poderá perturbar ou roubar a paz...

 

"Vinde a Mim, vós todos que andais cansados, que Eu vos aliviarei!

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de Coração

e achareis alívio para as vossas almas.

Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve." (Mt 11, 28-30)

 

Quando saí da capela, sorri sozinha ao recordar o comentário das senhoras do bar. Agora sim, parecia um passarinho aos saltinhos, de tão leve estava...

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Um bocadinho mais

por Teresa Power, em 24.02.15

Como já contei, a Clarinha praticou ginástica artística no Colégio, como desporto escolar, até ao ano passado, altura em que finalmente abriu um clube de ginástica rítmica perto de nós, no Velódromo Nacional de Sangalhos. A Clarinha pôde assim concretizar o seu sonho e iniciar a competição em ginástica rítmica. Desde então, de aula em aula, de competição em competição, a Clarinha tem crescido como atleta e como pessoa. E com ela, todos temos crescido também!

 

Quando entrou para a ginástica rítmica, a Clarinha já fazia a espargata com muita facilidade. No entanto, um ângulo de 180º é pouco na ginástica rítmica. Assim, a professora ensinou a Clarinha a treinar a espargata apoiada num banquinho primeiro, depois em duas cadeiras. O treino é duro, mas eficaz: um bocadinho mais de cada vez, durante cinco ou dez minutos, aguentando alguma dor ou até limpando alguma lágrima fortuita, enquanto se põe a conversa em dia com as amigas, e a espargata vai abrindo...

 

- Eu nunca seria capaz de fazer a espargata - Digo-lhe eu muitas vezes.

- Eras, se treinasses - Responde-me a Clarinha. - Na ginástica estão algumas meninas que não conseguiam fazer espargata alguma, e agora já treinam com um banquinho. Um bocadinho mais de cada vez!

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Um bocadinho mais de cada vez. Não apenas na ginástica, claro... "Um bocadinho mais" tornou-se o nosso lema no treino da santidade. É preciso treinar a generosidade, a oração, a renúncia, a vontade, a gratidão...? Um bocadinho mais de cada vez:

Hoje, fazemos quinze minutos de oração; amanhã, podemos fazer dezoito, e depois de amanhã, já conseguiremos fazer vinte minutos...

Hoje, rezamos um mistério do terço em família; amanhã, podemos rezar dois; em breve rezaremos o terço inteiro...

Hoje, levantamos a mesa sem que nos peçam; amanhã, levantamos a mesa e colocamos a louça na máquina; em poucos dias, somos capazes de arrumar a cozinha sozinhos...

Hoje, mordemos o lábio quando queremos responder a alguém que nos insulta; amanhã, um suspiro será suficiente; em breve seremos capazes de sorrir de volta a quem nos insultar...

Hoje, gerimos com facilidade dois filhos; amanhã seremos capazes de arriscar um terceiro; em breve deixaremos de ter medo de uma família numerosa... 

Doi? Um bocadinho. Como a espargata. Nada que não se aguente...

Jesus deixou-nos este conselho no Evangelho:

 

"Se alguém te tirar a túnica, dá-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas." (Mt 5, 40-41)

 

No domingo, a Clarinha competiu nas distritais. A sua alegria, às seis da manhã, antes de sair de casa, era imensa! As distritais foram o culminar de um treino longo e intensivo, e a recompensa do seu esforço. Também nós vivemos um tempo de treino intensivo: a quaresma. Um bocadinho mais cada dia, e a Páscoa despontará finalmente, bela e luminosa, na nossa vida...

 

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Semeando flores de amor

por Teresa Power, em 23.02.15

- David, vem brincar comigo!

- Agora não, António, deixa-me ler.

- Vá lá!

- Já te disse que quero ler. Vai-te embora.

- Faz um sacrifício!

- ... Está bem, vou brincar contigo. Ainda não ofereci nenhuma flor a Jesus hoje...

 

- Mamã, vem ver o escritório!

- Acho melhor não ir, Lúcia. Fico mal disposta só de olhar para a desarrumação!

- Mas eu fiz uma surpresa. Queres vir? Anda, dá-me a mão.

- Meu Deus, Lúcia! Arrumaste tudo sozinha?

- Sim, é uma flor para Jesus!

 

- Mamã, hoje já sei qual é a flor que vou dar a Jesus.

- Que bom, António! E qual é?

- Não vou fazer birra ao jantar!

 

Fazer o Canto de Oração quaresmal é divertido. Mas o maior desafio é cobri-lo de flores! A primavera está aí, e não há tempo a perder. Escreveu Santa Teresinha numa carta à sua irmã Leónia:

"Não tenho outro meio de te provar o meu amor, diz a Jesus, a não ser atirar flores, isto é, não deixar escapar nenhum sacrificiozinho, nenhum olhar, nenhuma palavra, aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor... Quero sofrer por amor e até mesmo gozar por amor, assim atirarei flores diante do teu trono; não deixarei uma sem desfolhar por Ti."

É este o sentido do nosso sacrifício quaresmal: oferecer a Jesus pequenas flores de amor, pequenos gestos de bondade e de renúncia, de generosidade e de auto-domínio, para que a nossa quaresma, pouco a pouco, nos conduza à primavera pascal...

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 "Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus."

(1Co 10, 31)

 

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A receita

por Teresa Power, em 22.02.15

O Rogério deixou uma pergunta na caixa de comentários ao post Panquecas: "Receita?" O Niall decidiu responder, e como me parece que haverá mais interessados na receita das Panquecas Power, aqui fica o comentário do Niall tornado post nesta manhã de domingo:

 

So here is the recipe for Power pancakes:Take three or four small lively children just before 7:00am and put them on stools at the sideboard. Give each of them a wooden spoon.

Take one large bowl and a bag of flour. Give each child a turn at pouring in some flour. Hoping for the best, now take two or three eggs and ask the children to share them by breaking them into the flour.

Then take a litre of milk, and, taking care to ensure each child has blown his nose and cleaned his/her hand, pour in the milk slowly, with the four wooden spoons whizzing around. Try to avoid making a mess (good luck with that part!). Add a pinch of salt, give each child a turn to shake in some cinemon and hope that the mixture turns into what resembles a heavy liquid.

Remove the children and heat the saucepans to a high temperature.

With luck, other family members will have arrived in the kitchen and can keep the children occupied with milk etc. while the pancakes cook two by two.

Finally, never forget to make a complete fool of yourself by trying to turn the pancakes by throwing them in the air and catching them in the pan.

Add chocolate spread or other messy toppings and call it fun (if you dare!).Niall

 

Tradução (porque nem todos são obrigados a saber Inglês!):

"Pegue em três ou quatro crianças pequenas um pouco antes das sete da manhã e coloque-as em banquinhos ao lado da bancada da cozinha. Dê a cada uma delas uma colher de pau.

Pegue numa taça larga e num pacote de farinha. Dê a cada criança uma oportunidade de deitar farinha na taça. Com otimismo, pegue em dois ou três ovos e peça às crianças que os abram sobre a farinha.

Depois adicione um litro de leite, certificando-se primeiro que os narizes e as mãos das crianças estão limpos, enquanto as quatro colheres de pau vão voando à sua volta. Evite fazer porcaria nesta altura (boa sorte!).

Adicione uma pitada de sal, dê a cada criança a oportunidade de deitar uma pitada de canela sobre a mistura e espere que nesta altura a mistura se pareça com um líquido espesso.

Retire as crianças e aqueça as frigideiras a alta temperatura.

Com alguma sorte, outros membros da família terão chegado entretanto e estarão dispostos a ocupar as crianças com chávenas de leite, etc enquanto as panquecas se fazem, duas a duas.

Finalmente, não se esqueça de fazer a figura de um completo idiota tentando virar as panquecas, atirando-as ao ar.

Sirva acompanhado de creme de chocolate para barrar ou doce, e chame a isto diversão (se se atrever!) Niall

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E porque quaresma é tempo de mudança, porque não experimentar a receita aí em casa também? ...

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Panquecas

por Teresa Power, em 21.02.15

- Acorda, papá! Acorda, já são horas!

- Deixem-me dormir um bocadinho, meninos. Ainda não são sete da manhã! Se fosse dia de escola, aposto que tinha de vos acordar. Porque é que ao fim-de-semana não deixam o pai e a mãe dormir um bocadinho?

- Porque se não te levantares depressa não tens tempo de fazer as panquecas antes da missa!

O Niall suspira, e um pouco contrariado, levanta-se. Os meninos têm razão: nos dois últimos domingos ficaram sem panquecas, porque acordámos todos um pouco mais tarde, isto é, depois das sete e meia.

As panquecas ao domingo de manhã fazem parte dos rituais da nossa família desde o início. Tipicamente irlandesas, foi o Niall quem as introduziu em nossa casa e é o Niall quem as continua a fazer todas as semanas. Como cada vez há mais crianças para comer panquecas, cada vez levam mais tempo a fazer, e daí a pequena hesitação do Niall em algumas manhãs mais apertadas de domingo.

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Os rituais familiares são como uma lareira numa casa: aproximam as pessoas e fazem-nas demorar um bocadinho mais umas com as outras, antes de se dispersarem pelos seus afazeres. As famílias precisam de rituais. O Principezinho diz que os rituais são uma coisa de que toda a gente parece ter-se esquecido... Será? Na verdade, muitas famílias vivem ao sabor da corrente, sem tomar grande consciência dos gestos de cada dia, deixando que os espaços em branco entre as pessoas sejam ocupados com a televisão ou os auriculares. É preciso um bocadinho de criatividade e muita força de vontade para transformar as rotinas em rituais.

Como nascem os rituais? Alguns são herdados da família alargada. Que bem que sabem! "Sempre se fez assim", repetem os pais aos filhos, transmitindo gestos de amor. Outros, pelo contrário, precisam de cortar com os rituais da família alargada, pelas mais variadas razões. Há rituais que nascem espontaneamente nas famílias, outros que são pensados, desenhados, inventados com amor. Alguns pegam, como pequenas sementes na terra, outros murcham e são postos de lado. Todos precisam de cuidados para crescerem e darem fruto.

 

Como uma sã família judia, a Família de Nazaré tinha muitos e belos rituais. Enquanto crescia, Jesus contemplava a repetição dos gestos de Maria e de José, acendendo castiçais, preparando alimentos, curvando-se em oração, levantando a candeia na casa, contando histórias das Escrituras.

Nós também temos muitos rituais, que dão magia aos momentos mais triviais do dia: as panquecas ao domingo de manhã; a televisão ao sábado antes de jantar; os croissants com nutella domingo depois do grupo de oração; os walkie-talkies nas viagens longas com dois carros; a hora da história bíblica, ao serão; a história antes de dormir; a oração familiar; os jogos de cartas aos serões, nas férias familiares...

 

Será que alguns destes rituais vão passar para a geração dos nossos netos, através da memória feliz dos nossos filhos? Afinal, os rituais mais não são do que formas de narrarmos a nossa vida, parábolas sobre a nossa família...

 

"Quando amanhã o teu filho te perguntar: «Que significam estes mandamentos, estas leis, estes decretos que o Senhor nosso Deus vos prescreveu?» Então responderás ao teu filho: «Nós éramos escravos do Faraó no Egito, e o Senhor libertou-nos do Egito com mão forte...»" (Deut 6, 20-25)

 

 PS - Hoje à tarde estaremos no Centro Paroquial da Sé de Aveiro para falar de Família Escola de Fé. Apareçam!

 

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As grutas do Senhor

por Teresa Power, em 20.02.15

No domingo passado fizemos um passeio em família às Grutas da Moeda, a dois quilómetros de Fátima. Naturalmente que antes, cumprimentámos Nossa Senhora no seu Santuário!

A Lúcia e o António iam com algum receio:

- Vamos andar debaixo da terra? E há lá minhocas?

- Não, Lúcia, são buracos muito grandes por isso há lá toupeiras. Há lá toupeiras, mamã?

- Não, António, nem minhocas nem toupeiras!

- Então só há moedas?

- Moedas?

- Não disseste que são grutas de moedas?

- Bem, moedas é capaz de haver. Depois tu vês!

Mas quando o António e a Lúcia chegaram às grutas e descobriram que podiam descer em pé, em túneis iluminados e de mão dada com o pai e a mãe, o medo dissipou-se!

Visitámos uma sala conhecida por "Sala do Presépio", dada a semelhança das figuras do presépio com as estalactites:

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 E vimos um crocodilo com muitos milhares de anos, ali no meio de um lago subterrâneo, onde realmente não faltavam moedas:

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Vimos colunas com trinta mil anos, e descobrimos que cada centímetro de estalactite ou estalagmite leva cem anos a formar...

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 - Não sabia que debaixo de terra podia haver uma coisa assim! - Exclamava a Lúcia, de mão na minha mão.

- É verdade, Lúcia, lá em cima só vemos chão, e quando descemos um pouco, descobrimos esta maravilha!

Entretanto, o guia explicava-nos:

- Estas grutas foram encontradas por acaso, por dois caçadores em 1970 que perseguiam uma raposa...

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Quando Samuel foi ungir David Rei de Israel, Jessé apresentou-lhe os seus sete filhos, antes de finalmente chamar o mais novo, o pastorinho. Enquanto via desfilar diante de si cada um destes filhos, Samuel escutava no seu coração a voz do Senhor:

 

"Que não te impressione o seu belo aspeto, nem a sua alta estatura, pois Eu rejeitei-o. O que o homem vê não importa; o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16, 7)

 

Finalmente, Samuel viu David, ainda com cheiro a ovelha, despenteado e pequeno. E logo o Senhor lhe sussurrou:

 

"Ei-lo, unge-o: é esse." (1Sm 16, 12)

 

Dentro de cada um de nós, sob a roupagem do nosso corpo, da nossa vida, das nossas rotinas e ocupações, existe uma gruta que só Deus conhece e só Deus sabe construir.

Dentro da História Universal, sob a roupagem dos acontecimentos, das guerras, dos acordos, das épocas, das artes e das ciências, o Reino de Deus vai crescendo em segredo. E se a História se mede em horas, anos e séculos, o Reino de Deus, como as Grutas da Moeda, mede-se numa unidade cronológica diferente - que nem sequer é uma unidade geológica ou astronómica, mas antes divina...

 

"Mil anos, diante de Ti, são como o dia de ontem, que passou."

(Sl 90/89)

 

Quaresma é tempo de desviar um pouco o olhar do exterior e de o concentrar no interior, nas grutas belíssimas que só o Senhor sabe fazer, em nós, nos outros, no mundo e na História. Quaresma é tempo de trabalhar na Catedral divina que Deus quer construir na nossa vida.

Não podemos encontrar estas grutas enquanto não descermos. Quaresma é também tempo de descer... Tempo de nos humilharmos diante do Senhor, descobrindo o nada que somos, o pecado que fizemos, e o Tudo que Ele é. E a escada perfeita para entrar nesta gruta divina é o sacramento do Perdão.

Quaresma é tempo de esperança. Um centímetro a cada cem anos, e as grutas estão aí, belas, imponentes, deslumbrantes. Contra todas as aparências e as previsões, também a nossa história pessoal e a História do mundo serão um dia uma bela gruta, ricamente trabalhada para glória de Deus... Acreditamos nisto?

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Cinzas

por Teresa Power, em 19.02.15

- Despachem-se, meninos!

- Temos de mudar de roupa?

- Não, quer dizer, não há tempo! Mas têm de tirar os patins. David, tens de lavar a cara, está toda preta! Meteste a cabeça na chaminé?

- Ora! Foi em Náturia.

- Ponham a Sara a fazer xixi, e vamos embora!

- Estamos atrasados?

- Um bocadinho.

- Missa! Missa! Eu! Eu!

- Sim, Sara, vamos à missa.

- Vais tocar e cantar?

- Hoje não. Vamos, todos para o carro!

A toda a pressa, vamos para o santuário, e chegamos mesmo antes do Evangelho. Um pouco atrasados, mas nada de muito grave! Durante a homilia, o senhor padre explica o ritual das cinzas:

"Num mundo onde o corpo é um absoluto, e tudo parece andar à volta dele, as cinzas recordam-nos que somos pó, e que o melhor de nós está para além do corpo..."

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 "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gn 3, 19)

 

As palavras do Génesis convidam-nos à humildade, à consciência do nada que somos sem o sopro divino, com que um dia o Senhor animou o barro que moldou...

 

"Arrepende-te e acredita no Evangelho!" (Mc 1, 15)

 

 Para acolher a Salvação que Jesus nos veio trazer, precisamos de nos reconhecer pecadores. Quem não se sente pecador, não precisa de salvação...

 

- Para que é que precisamos desta marca na cabeça?

- Fala baixinho, Lúcia, que estamos na missa! As cinzas querem lembrar-nos que o importante não é se somos altos ou baixos, brancos ou pretos, ricos ou pobres, muito ou pouco inteligentes. O importante é o nosso coração!

- Ah, já entendi...

- Olha, o senhor padre pôs à Sara as cinzas no nariz!

- Estava a brincar com ela!

- Bem, ela também já tinha a cara com cinzas suficientes. Esquecemo-nos de a lavar antes de sair de casa...

- Francisco, tiras uma foto aos manos?

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publicado às 06:23

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