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Thalita kum

por Teresa Power, em 30.06.15

No domingo, com a casa cheia de amigos, a Sara caiu no jardim, batendo com toda a força com o cotovelo na esquina da tijoleira. O choro foi intenso, e o cotovelo precisou de um beijinho. No entanto, passado algum tempo, a Sara deixou de mexer o braço. Ficou com o braço rígido ao longo do corpo, imóvel, e choramingava baixinho.

- Sara, o que se passa? Consegues levantar o braço?

Choro cada vez mais forte, acompanhado de lágrimas cada vez mais abundantes. Teria partido o braço? Imaginei a Sara de gesso durante o verão, a areia da praia a fazer comichão... Como o Francisco já foi engessado duas vezes, uma delas durante um mês de verão inteiro, sei bem como é.

- Talvez seja melhor levá-la ao Pediátrico fazer um raio-x - Sugeriu o Niall. Olhámos uns para os outros, os nossos amigos sentados à sombra, no jardim, as crianças a brincar... Que dia para isto acontecer! Mas a Sara continuava a choramingar e o braço continuava bem quieto, encostado ao corpo. Decidiu-se que era preciso tirar a dúvida, e lá foi o Niall com a Sara para o hospital. Entretanto, nós e os nossos amigos fomos até ao Parque da Mealhada brincar e patinar, antes de nos despedirmos.

- Estamos à espera do raio-x - Escreveu-me o Niall em sms. - A Sara continua com o braço imóvel e muito chorosa. Vamos ver!

O que aconteceu depois foi, no mínimo, cómico. Segundo me contou o Niall, a Sara escutou o médico com muita atenção e deixou que lhe fizessem o raio-x, sem refilar. Com o raio-x na mão, o médico concluiu que não havia nada partido. O Niall voltou-se para a Sara e deu-lhe a boa notícia, sorridente:

- Sara, estás boa, não tens doi-dói!

Nesse preciso momento, a Sara abriu um sorriso, esticou o braço como quem se espreguiça, levantou-o bem alto, voltou a dobrá-lo e a esticá-lo, e concluiu em alta voz:

- A Sara não tem doi-dói! A Sara não tem doi-dói!

O Niall e o médico entreolharam-se, divertidos.

- Bem, ela está muito melhor! - Concluíram, a rir.

E foi uma menina risonha e muito feliz que apareceu no Parque da Mealhada, meia hora mais tarde, aos gritos de alegria, a correr para mim de braços abertos e a atirar-se para o meu colo:

- Mamã, mamã, a Sara não tem doi-dói!

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A Sara perfeitamente convencida de que não conseguia mexer o seu bracinho fez-me pensar... Conheço várias pessoas perfeitamente convencidas de que nunca serão capazes de ser católicas, porque a Igreja, vista de fora, assusta um bocadinho; ou de rezar em família, porque o tempo não chega; ou de levar os seus bebés à missa, porque vão incomodar... Pessoas perfeitamente convencidas de que não poderão ser Famílias de Caná, porque as "Seis Bilhas" parecem grandes demais; ou de que ser santo está completamente fora do seu alcance... Pessoas perfeitamente convencidas de que nunca conseguirão evangelizar os seus filhos, contar-lhes histórias da Bíblia ou rezar com eles, porque tiveram uma catequese muito rudimentar, e a Bíblia, antes de nela pegarmos, parece um livro imenso e quase codificado...

Conheço muitas pessoas - algumas só através dos comentários deste blogue ou dos mails que recebo - com o "braço" imobilizado ao longo do "corpo", sem coragem para verificar se, de facto, o conseguem "mexer".

No domingo passado, no Evangelho, escutámos como Jesus foi a casa de Jairo, o chefe da sinagoga, e ressuscitou a sua filha de doze anos, acabada de falecer:

 

"Jesus pegou-lhe na mão e disse: «Thalita kum!» Que significa: «Menina, eu te ordeno, levanta-te!» Imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar." (Mc 5, 41)

 

Talvez todos afinal precisemos de um "médico" que nos mostre do que somos capazes, e que nos revele que podemos muito mais do que imaginamos. Talvez todos afinal precisemos de escutar a ordem de Jesus e de nos levantar corajosamente, para ousar o que antes não acreditávamos possível.

Então correremos ao encontro do Senhor, de braços abertos e felicidade estampada no rosto, como a Sara a correr ao meu encontro naquele parque...

 

 

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Do sul e do norte, no Centro...

por Teresa Power, em 29.06.15

Uma dos mais bonitos milagres que Jesus tem operado nas nossas vidas através deste blogue chama-se amizade. Este fim-de-semana tivemos a visita quase surpresa (porque foi decidida muito perto do sábado) de uma família muito querida da diocese de Setúbal. Conheceram-nos "virtualmente" há pouco mais de um ano, e depois fizeram dois retiros Famílias de Caná connosco. Foi, na verdade, graças à sua preciosa colaboração que pudemos fazer o retiro de Almada, em setembro passado. Desde então, temos mantido contacto por mail, e neste fim-de-semana pudemos finalmente reencontrar-nos. Que grande festa! Os nossos filhos puseram a brincadeira em dia e nós, a conversa! Juntos, fizemos um piquenique fabuloso no Caramulo...

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Já viram como duas famílias podem ser... tanta gente? Que invasão, nesta pacata aldeia da serra! O rebuliço e a alegria que provocámos fizeram sorrir as pouquíssimas pessoas com que nos cruzámos.

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 Domingo à tarde, antes dos nossos amigos regressarem a casa, para sul, recebemos um telefonema de uma outra família magnífica, desta vez de Braga, norte de Portugal. Vinham de regresso a casa e estavam a passar na auto-estrada perto da zona dos Power... Daria para fazer uma breve visita, para que a nossa amizade deixasse de ser apenas virtual? Rimo-nos a valer: num só dia, no centro de Portugal iríamos juntar, por breves momentos, uma família do sul e uma família do norte! Quem pode unir assim os corações, lançando pontes inimagináveis entre famílias que, de outra forma, nunca se cruzariam? Onde fica, verdadeiramente, o Centro, o ponto de interceção?

 

"Eis que alguns virão de longe, outros do norte e do ocidente e outros ainda do país de Sinim. Céus e Terra, entoai cantos de júbilo e alegria, montes, explodi de alegria! Pois o Senhor consola o seu povo e compadeceu-se dos seus pobres." (Is 49, 12-13)

 

Bendito sejas, Senhor, por assim nos reunires, do norte e do sul, do leste e do oeste, de todas as línguas, cores, povos e nações...

Bendito sejas, Senhor, pelo dom da amizade sincera, pura, verdadeira...

Bendito sejas, Senhor, pelos teus pequenos grandes milagres...

Bendito sejas, Senhor, porque no teu Coração, todos nos encontraremos um dia, e todos nos podemos encontrar desde já...

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Ámen!

 

 

 

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Nada me separará do teu amor

por Teresa Power, em 27.06.15

Hoje deixo-vos a letra de outro dos meus cânticos. Também foi escrita num dia de verão, na tranquilidade de um piquenique familiar, no cimo da serra. Encontram a música na nossa entrevista à Rádio Terranova, no link disponível na coluna lateral deste blogue. Vão cantando aí em casa e levem para as vossas paróquias! Na nossa paróquia, este cântico é muito cantado no momento da comunhão - e assim acontecerá amanhã, pois a segunda estrofe é o Evangelho deste domingo...

 

NADA ME SEPARARÁ

Lá      Mi         Fá#m Ré                  Lá             Mi /Lá
Nada me separará         do Teu amor, oh Senhor! (2x) (Rom 8, 38-39)

 

Lá                     Fá#m                Ré     Mi                                Lá / Fá#m
1 – Hoje vou sentar-me a Teus pés / Ouvir o que tens p’ra me dizer!
              Mi 7
Eu ando ocupado com tantas coisas...
A melhor parte eu vou escolher! (Lc 10, 38-42)

 

2 – Hoje ao Teu encontro vou correr
Só quero no Teu manto tocar!
Sei que me vais olhar com tanto amor...
E Teu perdão vai-me curar! (Mc 5, 25-34)

 

3 – Hoje escondi-me na multidão
Eu queria apenas ver-Te passar!
Mas Tu vieste e meu nome chamaste...
Em minha casa queres ficar! (Lc 19, 1-10)

 

4 – Hoje, junto à cruz, eis-me Senhor
Em silêncio venho adorar!
Tua sede sacio com meu amor...
E no Teu sangue vou-me lavar! (Jo 19, 25-28)


5 – Hoje em Tuas chagas quero tocar
Delas jorrou minha salvação!
Meu Deus e meu Senhor, Tu estás vivo...
Vem habitar no meu coração! (Jo 20, 24-29)

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Neblinas de verão

por Teresa Power, em 26.06.15

Sair de casa às nove da manhã, entrar no carro e fazer trinta quilómetros com o limpa-parabrisas a funcionar...

- Isto é chuva, mãe?

- Não, filha, não é. São só gotas de orvalho!

Seria uma pena não aproveitar a única manhã livre de todos, sem exames do Francisco ou trabalho na escola da mãe - exceção feita para o pai, que só terá férias em agosto.

O nosso destino é o paredão dos pescadores, na Praia da Barra, onde a ria se encontra com o mar e os navios entram para o porto... A neblina é húmida e fresca, mas ninguém se importa: de patins nos pés ou com os pés no chão a dar balanço na bicicleta sem pedais, a alegria é completa.

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 Depois de uma hora a patinar, o lanche sabe mesmo bem!

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O mar estende-se, imenso, diante de nós...

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 - Mãe, estamos cheios de calor! Podemos ir tomar banho ao mar?

- Vá lá!

- Vá lá!

Há duas grandes vantagens em ir à praia com mau tempo: temos muito espaço para brincar, e não gastamos tempo e dinheiro em... protetor solar!

- OK, então vão lá dar um mergulho!

E assim acontece... E não, não encontrei cubinhos de gelo a boiar na água, embora tenha procurado :)

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Não será esta também uma forma de pobreza evangélica? Aproveitar as circunstâncias da nossa vida, sejam elas quais forem, para saborear o amor de Deus? Só um coração verdadeiramente pobre é um coração grato, porque reconhece que nada lhe é devido e a nada tem direito... Embora o tempo atmosférico seja das circunstâncias mais fáceis de aceitar - quando comparado a uma doença, ao desemprego, a um divórcio, a uma traição - é capaz de gerar tanto descontentamento no nosso povo!

 

"Aleluia!

Como é bom cantar ao nosso Deus!

O Senhor cobre os céus de nuvens,

prepara a chuva para a terra,

faz brotar a erva sobre os montes...

Ele faz cair a neve como lã,

espalha a geada como cinza,

lança granizo aos punhados.

Aleluia!" (Sl 147)

 

 

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Os golos falhados e o poder de Deus

por Teresa Power, em 25.06.15

Hora de oração familiar. A primeira leitura da missa diária é de S. Paulo, da Segunda Carta aos Coríntios.

 

"Falarei agora das visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo, que há catorze anos - com o seu corpo ou sem o corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao terceiro Céu. E sei que esse homem ouviu palavras inefáveis, que um homem não pode repetir. Mas não me gloriarei senão das minhas fraquezas. Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne, para que não me orgulhe. Por três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder.» Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte." (2Cor 12, 1-10)

 

- Não percebi muito bem essa história do espinho na carne. - Diz a Lúcia.

- Um espinho espetado no nosso corpo é algo que nos incomoda, não é verdade? Ninguém sabe ao certo a que é que S. Paulo se referia, mas ele falava de alguma coisa nele mesmo que o irritava, que o fazia perceber como era apenas humano, como não era perfeito. Podia ser uma lembrança dolorosa, um defeito físico, um problema espiritual, enfim, qualquer coisa que o humilhava.

- E isso é bom?

- Claro! Sem isso, talvez S. Paulo se tivesse tornado muito vaidoso. A primeira parte da leitura diz-nos que S. Paulo teve visões de Jesus fantásticas. Ora  ninguém chega ao céu por ter visões, aparições, orações cheias de ardor, emoções fortes no campo da fé. Se essas visões não forem acompanhadas de uma grande humildade, tornam-se fonte de vaidade, e lá se vai o Céu! Nós falamos muito em humildade, mas a verdade é que, para nos tornarmos humildes, precisamos de sofrer humilhações.

- Sabes - Diz o David, depois de pensar um pouco - Ao jogar futebol sozinho, eu faço uma coisa que se calhar não é muito certa: quando marco golo, faço festa achando que sou o maior; mas quando falho, faço de conta de que sou outra pessoa, isto é, que foi o meu adversário que falhou.

Sorrisos.

- Realmente, David, S. Paulo diz-nos que as nossas fraquezas são uma bela oportunidade para aprendermos que sem Deus, nada somos.

- Então eu não me devia irritar tanto ao perder contra mim mesmo?

- Nem contra ti mesmo, nem contra ninguém. O importante é dares o teu melhor. Depois, se ganhares, ficas feliz, e se perderes, ficas feliz na mesma, porque descobres que nada vales, e só Deus vale tudo em ti!

- Eu também já experimentei isso muitas vezes - Confessa o Francisco - As minhas fraquezas ajudam-me a ser humilde, ajudam-me a perceber que os meus dons, foi Deus quem mos deu, e que não sou melhor do que ninguém por ter mais facilidade para algumas coisas.

- Sim - Diz a Clarinha - Eu às vezes fico desanimada comigo mesma, com o meu feitio...

- Mas até o teu feitio te foi dado por Deus, para te santificares!

- Sim, tudo nos foi dado... Não há qualquer razão para nos envaidecermos!

A conversa prolonga-se muito para além do esperado. Todos têm uma história a contar, um desabafo a fazer, um desafio a lançar a si mesmos. A Palavra, meditada diariamente em família, torna-se verdadeiramente espelho no qual contemplamos a nossa vida, os nossos valores, os nossos pecados e as nossas virtudes. É a Palavra meditada e partilhada que abre caminho à nossa frente, resolvendo conflitos e aperfeiçoando temperamentos.

- Então vamos procurar memorizar este versículo, e repeti-lo muitas vezes, sobretudo quando não nos conseguimos suportar a nós mesmos... Quando, como diria o David, desejaríamos que tivesse sido outra pessoa a falhar o golo, e não nós.

 

"Quando sou fraco, então é que sou forte!"

 

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Pobreza, Obediência, Castidade e S. João Batista

por Teresa Power, em 24.06.15

Na sexta-feira à noite, como tinhamos aqui anunciado, fomos participar no Painel da Vida Consagrada, em Aveiro, a convite do senhor bispo.

O Painel era às nove horas da noite, pelo que foi preciso sair de casa pouco depois das oito horas. O Francisco e a Clarinha ficaram encarregues de deitar os irmãos e fazer as tarefas rotineiras do nosso serão - tratar dos cães e dos gatos, fechar as portadas da casa, etc. Estávamos a chegar a Aveiro quando recebemos um sms da Clarinha: "Os manos pequeninos já estão a dormir. O David, o Francisco e eu estamos a rezar o terço. Adoramo-vos. Bjs." Suspirei, e entreguei-os de novo a Deus, numa breve oração. Também o Niall e eu rezáramos o terço durante a nossa viagem, unidos de coração à família que ficara em casa.

No Salão da Sé de Aveiro esperava-nos uma assembleia de irmãs, a grande maioria já de bastante idade. Olhavam para nós um pouco surpresas: que teria um casal a dizer sobre os votos de pobreza, obediência e castidade? Que percebíamos nós desse assunto? Suspirei novamente... Mas de repente, quatro caras conhecidas: a Lena, a Vera e o casal Menício - quatro belos membros de Famílias de Caná. Não estávamos sós! Logo depois, chegou o senhor bispo. Agora sim, sentimo-nos em casa!

O encontro começou. Os consagrados deram o seu testemunho, que muito nos impressionou, especialmente a história da vocação de uma irmã jovem, da Aliança de Santa Maria, congregação também jovem e bem portuguesa. Que palavras inspiradoras! Tive pena que o Francisco e a Clarinha não pudessem escutar o seu testemunho.

Por fim, tivemos a palavra. Tal como planeáramos, falámos à vez, partilhando a nossa vivência dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, ajudados pelos slides com fotografias da nossa família, para que não houvesse qualquer dúvida da escola que frequentamos: uma família católica.

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Podem as famílias viver a sua vida como uma consagração total ao Senhor, seguindo os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade? Claro! Todos, sem exceção, somos chamados a seguir Jesus deixando tudo para trás - pai, mãe, marido, esposa, filhos, terras, bens, emprego... Deixar tudo para trás? Sim: centrar em Deus o nosso coração. E como Ele prometeu, receberemos a cem por um - receberemos de volta o pai, a mãe, o marido, a esposa, os filhos, as terras, os bens, o emprego... Complicado? S. João Batista, cuja festa hoje celebramos, deixou-nos um lema de vida:

 

"É preciso que eu diminua para que Ele cresça" (Jo 3, 30)

 

Por isso celebramos o seu nascimento no solstício do verão, quando os dias começam a diminuir - e o nascimento de Jesus no solstício do inverno, quando os dias começam a crescer...

 

 

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Aquele olhar

por Teresa Power, em 23.06.15

Com o fim do ano, chegam as festas. Cá em casa, é talvez a época mais ocupada do ano inteiro, com a multiplicação de festas do colégio, da pré-escola, da catequese, da ginástica rítmica e de mil e uma outras coisas. Passamos os fins-de-semana em festa, e confesso que estou a precisar de... férias!

No sábado, depois da festa da catequese, foi a vez do Centro Social S. José de Cluny. O António e a Sara deviam estar no centro pelas cinco e meia da tarde, e às seis horas iriam dançar as marchas populares. E assim foi.

O dia estava de calor intenso, e foi com bastante esforço que nos deslocámos ao colégio. O António e a Sara estavam excitadíssimos:

- Mamã, tu vais ver, eu sei dançar muito bem! - Dizia o António.

- Muito bem, muito bem! - Repetia a Sara, entre gargalhadas.

Sob o calor do sol, assistimos então à atuação dos nossos pequeninos. O António e a Sara dançaram marchas diferentes. Mas ambos entraram em cena com a mesma atitude: bem dispostos, atentos, compenetrados.

- Põe-te de pé, mamã, para ele te ver - Dizia-me o David.

- Oh, a Sara está à nossa procura com o olhar, mas não nos consegue identificar - Suspirou a Clarinha - Aqui, Sara! Aqui!

- Olha, ela já nos viu! Vê como está feliz! Adeus, Sara!

- E o António também! Adeus, António! Adeus!

- Ena, que bom, o António está a rir-se para nós! Cuidado, não o distraias! Já sabe que estamos aqui.

Gesticulando o mais possível, lá nos conseguimos fazer mostrar aos nossos filhos. Como todos os outros pais, também nós sabíamos que as crianças em palco não estavam a atuar para absolutamente mais nada nem ninguém, senão para aquele olhar... Aquele olhar de amor do pai e da mãe.

Conseguem identificá-los? Bem, eles estão mesmo a olhar para nós...

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Crescer significa também procurar no público outros olhares diferentes, e descobrir na vida outras motivações para os nossos gestos. Talvez esta seja mais uma razão pela qual Jesus compara os verdadeiros discípulos às crianças pequeninas... Só elas estão totalmente focadas em trabalhar para fazer sorrir os olhos do pai e da mãe.

E eu?... No meu trabalho, na minha família, junto dos amigos e dos colegas, dos vizinhos e dos clientes, dos pais e dos filhos - e eu? Quem procuro eu com o meu olhar?

Quantas vezes faço o que tem de ser feito e dou o meu melhor para obter a aprovação dos olhares errados... Ajo para que falem de mim, para que não falem de mim, para que não me incomodem, para que fique feito, para despachar, para agradar ao patrão, para desagradar ao colega, para que ninguém tenha nada a dizer, para que todos tenham algo a dizer, para...

 

"O Senhor olha do céu e vê toda a humanidade.

Do lugar da sua morada Ele observa

todos os habitantes da terra

e está atento a tudo o que fazem.

Eis que o Senhor pousa o seu olhar sobre os que O temem..."

(Sl 33)

 

Senhor, que em cada momento da minha vida, eu trabalhe apenas para Ti. Senhor, que no palco da minha vida, todos os meus gestos sejam por causa do Teu olhar. Senhor, que eu não descanse enquanto não cruzar com o Teu o meu olhar... Ámen!

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Todos diferentes, todos iguais

por Teresa Power, em 22.06.15

Na última semana, passei algumas tardes a recolher as avaliações de todos os meus filhos. Só numa tarde fui prendada com quatro entregas de avaliações! Foi uma semana muito interessante, por tudo aquilo que escutei e refleti sobre cada um dos meus filhos, sobre a sua escola e sobre os seus professores.

Em cada sala, para além dos resultados escolares medidos em números, procurei informar-me sobre o caráter, as qualidades e os defeitos de cada um dos Power. Esforçam-se? Dão o seu melhor? São honestos com os professores quando se esquecem dos trabalhos de casa? Ajudam os colegas? Dão bom exemplo? Contribuem para manter o bom ambiente na sala de aula? São criativos? O que devem melhorar? O que podem corrigir?

Confiar seis irmãos a uma mesma escola é uma fonte de aprendizagem para todos. Ao longo dos anos, os professores de uns tornam-se também professores dos outros, e pouco a pouco, todos conseguem comparar os Power entre si. Felizmente - e essa é a primeira grande lição -, já todos se deram conta de que há coisas que não são comparáveis, como a personalidade e a capacidade de cada um e, consequentemente, os resultados escolares. Assim, alguns dos Power são teimosos, outros dóceis; alguns são  belíssimos alunos, outros mais medianos; alguns são faladores, outros calados. Como me disse a auxiliar que toma conta do recreio, foi preciso a Lúcia entrar na escola para ela chamar à atenção um Power... Espere até chegar o António!

Porque os Power são todos diferentes, estamos a ser injustos comparando resultados e sucessos. É que o sorriso pronto da Lúcia pode ter menos mérito que o sorriso esforçado do António, e as notas mais medianas, mas esforçadas, do David podem ter mais mérito que as notas excelentes do Francisco.

Conversando com os professores, apercebi-me que, apesar de todas estas diferenças, há coisas que são comparáveis e que permitem dizer: "Aquela menina é uma Power". Que coisas são essas? Talvez não sejam fáceis de nomear... Talvez seja apenas um traço de alegria, uma presença tranquila, uma forma simples de estar na vida. Talvez seja apenas o facto de se deixarem amar e educar pelo mesmo pai e pela mesma mãe...

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Não seria fantástico se os cristãos fossem facilmente identificáveis pela educação recebida do mesmo Pai e da mesma Mãe? Diferentes em personalidades, capacidades, histórias de vida, diferentes nos genes, na inteligência, no sotaque, na cor, na classe social, diferentes em tudo - mas iguais no amor... ?

 

"Permanecei unidos no mesmo pensar, no mesmo amor, no mesmo ânimo, no mesmo sentir. Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus." (Fl 2, 2.5)

 

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Vinde a Mim

por Teresa Power, em 20.06.15

A pedido de algumas famílias, aqui fica a letra de um dos meus cânticos. Como todos os cânticos que escrevo, a letra é muito pouco original: podem encontrá-la quase palavra por palavra na Bíblia!

Este cântico em particular, escrevi-o há dois ou três verões passados, no cimo da serra do Caramulo, enquanto as crianças brincavam na água. Quando o canto, a Clarinha sente saudades do verão e dos nossos longos passeios em família, de tal maneira o cântico evoca nela a memória da água, do campo, da tranquilidade do Caramulo... Realmente, naquele dia ela passou o tempo a mergulhar, e eu passei o tempo de guitarra na mão, a cantar!

 

VINDE A MIM

Mi                                                        Lá
Vinde a Mim, vós todos que andais oprimidos
Si 7                 Mi
E Eu vos aliviarei! (Mt 11, 28)
Sobre o Meu peito reclinai vossas cabeças (Jo 13, 25)
E a paz encontrareis!


Mi                                            Lá
1 – O mundo está sempre em mudança
            Si7               Mi
Como a areia sob a maré.
                  Dó#m     Fá#m
Mas em Ti pus a confiança
            Si7                     Mi
Na Tua Palavra eu tenho fé.
                               Lá
Sobre esta Rocha vou construir
           Si7             Mi
Serei feliz se Te seguir! (Lc 6, 47-49)


2 – Tu que alimentas os passarinhos
E os lírios vestes com tanto amor
De mimTe ocupas com carinho
Nada me falta, oh meu Senhor!
Teu Reino em primeiro lugar
E tudo o mais Tu me irás dar! (Mt 6, 25-34)

 

3 – Há ondas fortes em alto mar
Meu barco querem engolir.
Tu prometeste comigo estar
Mas não Te sinto... vais a dormir!
Ensina-me a confiar
E a tempestade vem acalmar! (Mt 8, 23-27)

 

4 – Estreita é a porta, duro o caminho
Que à vida eterna nos conduz. (Mt 7, 13-14)
De fora deixo tudo o que tenho
E sigo atrás da Tua cruz.
Se por amor a vida der
De Ti a hei-de receber! (Mt 10, 38-39)

 

A música, encontram-na na nossa entrevista familiar à rádio Terranova :)

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                (Caramulo, verão de 2013)

 

 

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Diz Stop

por Teresa Power, em 19.06.15

Hora de oração familiar. Sentados diante do Canto de Oração, lemos em voz alta as leituras da missa diária.

- Hoje a primeira leitura é de S. Paulo, da sua segunda carta aos cristãos de Corinto - Digo.

Dando uma rápida vista de olhos ao texto, apercebo-me da sua complexidade. Decido então usar uma das estratégias que costumam ajudar a manter a atenção dos meninos:

- Eu vou ler o texto, e cada um vai memorizar a frase que lhe parecer mais importante ou mais bonita. De acordo?

- Sim! Começa, estamos atentos.

 

"Irmãos: Lembrai-vos disto: quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente. Dê cada um segundo o impulso do seu coração, sem tristeza, porque Deus ama aquele que dá com alegria. E Deus é poderoso para vos cumular de todas as graças, de modo que, tendo sempre e em tudo o necessário, vos fique ainda muito para toda a espécie de boas obras, como está escrito..." (2Cor 9, 6-11)

 

- Mãe, já me perdi! - Interrompe o David. - Tinha uma frase tão boa, e agora já não me lembro.

- Nem eu - Confessa a Clarinha. - Acho que tens de começar outra vez.

- Então fazemos assim: eu volto a ler, e quando escutarem a frase que acharem mais importante, dizem "Stop!"

- Ok!

- Ok!

- Ok!

- Ok!

 

"Irmãos: lembrai-vos disto: quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente..."

 

- Stop!

- Sim, Lúcia?

- O que é "abundantemente"?

- É muito.

- Então temos de semear muito!

- É isso mesmo, precisamos de semear muito se queremos colher muito. E o que é que precisamos de semear?

- Isso é fácil - atalha o David - Semear é espalhar a Palavra de Jesus.

- E como espalhamos nós a Palavra de Jesus?

- Com palavras e com obras - Explica o Francisco - É preciso falar de Deus, mas é sobretudo preciso fazer as obras de Deus.

- Bem, vou continuar a ler:

 

"Dê cada um segundo o impulso do seu coração, sem tristeza, porque Deus ama aquele que dá com alegria..."

 

- Stop!

- Stop!

- Ena, dois stop, David e Clarinha: o que vos diz esta Palavra?

- Eu gosto daquela coisa do coração - Diz o David - Mas, mamã, o que significa dar segundo o impulso do coração?

- Estava mesmo a pensar nisso - Diz o Francisco.

- Bem, eu penso que muitas vezes nós sentimos o impulso para dar, para sermos generosos, mas a razão diz-nos que não podemos, porque se dermos demais ficamos pobres, ou porque os outros não merecem, ou por milhares de outras coisas... Se escutarmos a voz do coração, seremos bem melhores!

- Eu gostei da frase da alegria - Diz a Clarinha - Precisamos de dar sem resmungar, não é mesmo?

- Sim, é isso! A primeira coisa que damos é a alegria, o sorriso pronto.

Nesse momento, o pai entra em casa. Excecionalmente, não estivera connosco durante a oração familiar.

- Dad, terás de dizer stop quando a mamã ler o texto para ti - Explica-lhe o David. - Vais ler outra vez, não vais, mãe?

- Talvez não seja preciso - Respondo, sorrindo - Se cada um de vocês disser ao papá a frase que escolheu, ele vai ficar a conhecer a leitura, e depois podemos continuar a rezar o salmo e o Evangelho.

- A minha é sobre sementes...

- E a minha sobre o coração!

- A minha é sobre alegria...

- A minha sobre boas obras!

- Querem repeti-las comigo?

 

"Quem semeia muito colherá muito."

"Dá segundo o impulso do teu coração."

"Dá sem tristeza, porque Deus ama aquele que dá com alegria."

 

- Até já sabemos de cor!

- É verdade, vamos decorando as Escrituras quase sem darmos por isso, como faziam Jesus, Maria, José, e todos os seus amigos.

A oração continua, e a semente da Palavra vai caindo, sulcando, ganhando raizes, dando flor e dando fruto... 

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