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As macieiras e a Imaculada Conceição

por Teresa Power, em 30.11.15

- Mamã, se não fosse o pecado das macieiras, agora vivíamos no paraíso?

- O quê?

- O pecado das macieiras! Sabes, aquela história da Bíblia!

Gargalhada geral. Estamos na hora da oração e da catequese familiar diárias, e falávamos da guerra do mundo e da paz que Jesus quer trazer a todos os homens de boa vontade.

- Quem te disse que eram macieiras? Na Bíblia só fala em árvore de fruto!

- Vá, não gozes, responde-me!

Ficamos mais sérios. É preciso responder... Todos olham para mim, com muita curiosidade. Eu também estou curiosa, claro! Como posso eu falar de pecado original a uma criança de nove anos? Bem, pelo menos o dogma do pecado original é o dogma mais simples de comprovar. Basta olhar à nossa volta para entender que o pecado nos é anterior, que o pecado atinge todas as pessoas nas suas consequências como uma onda que, na praia, engole justos e injustos. Os atentados de Paris e as guerras do mundo inteiro estão aí como sinais evidentes do poder do mal.

 

- David - Começo - a origem do mal é um mistério muito grande, que ninguém pode explicar totalmente. Mas a grande notícia é que já conhecemos o fim da história! Vês a Bíblia? Eu já li o fim do livro. O fim do livro diz que a paz vai triunfar, que Jesus vai ser aclamado Rei por toda a Terra. O Advento não recorda apenas a vinda de Jesus, há dois mil anos atrás; é também a nossa preparação para a sua vinda em cada dia, na Igreja, e para a sua vinda no fim dos tempos, esses tempos que Deus já visitou e que nos promete serem felizes! A Bíblia, David, é um livro com um final feliz!

O David, que tem alguma tendência para o medo, parece mais descansado.

- Mas se não fosse a história das macieiras...

- Se não fosse o pecado de Adão e Eva, não teríamos tido a história maravilhosa de Maria e de Jesus. Logo no início da Bíblia, Deus promete-nos Maria e Jesus para que Eles possam vencer o mal na nossa vida. Ora lê:

 

"Farei reinar a inimizade entre ti (a serpente) e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Ela esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar." (Gn 3, 15)

 

- Há uma oração muito antiga que diz: "Bendito o pecado de Adão, que nos mereceu um tão grande Redentor!" Sabes, David, se Deus não fosse capaz de fazer o bem triunfar, não teria permitido o mal! Deus é capaz de tirar o bem mesmo do que é mau. Da humanidade pecadora, Deus foi capaz de fazer surgir Maria, sem qualquer mancha de pecado...

- É por isso que dizemos que Maria é conseguida sem pecado?

- Lúcia, quantas vezes te dissemos que não é conseguida, mas concebida?

- Não é a mesma coisa?

- Não: concebida quer dizer que Maria foi formada totalmente pura já na barriga da sua mamã.

- Ah!

 

Luís e Zélia Martin, pais de santa Teresinha, recentemente canonizados em conjunto, rezavam diariamente em família diante de uma belíssima imagem de Nossa Senhora das Vitórias. A Imaculada Conceição é verdadeiramente a grande vitória do povo cristão, Aquela que nos oferece a vitória divina do bem sobre o mal. Num dia treze de maio, muito tempo antes de Fátima, esta imagem sorriu a Teresinha, curando-a milagrosamente da sua doença. Desde então tem sido venerada como a Virgem do Sorriso:

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                  (imagens tiradas da net)

Lembrei-me do sorriso de Maria perante esta divertida catequese familiar que tivemos. Certamente que, no céu, escutando a nossa conversa sobre macieiras, Maria nos sorri e nos abraça com carinho, enquanto esmaga a seus pés o nosso pecado!

 No ano passado compus uma novena bíblica para prepararmos juntos o grande dia da Imaculada Conceição. Deverá começar hoje, dia 30 e terminar no dia 8. Querem voltar a fazê-la connosco? Aqui fica pois, com a promessa da nossa oração por todos vós nestes dias santos. E que a Senhora do Sorriso nos ajude a vencer sempre o mal com o bem, a guerra com a paz, o ódio com o amor! Novena da Imaculada Conceição.pdf

Esta semana ainda, fica prometido um post sobre o nosso Canto de Oração de Advento...

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Árvore de Jessé e o Advento

por Teresa Power, em 26.11.15

O Retiro Diocesano das Famílias, em Castelo Branco, terminou com a eucaristia presidida pelo senhor bispo D. Antonino. Durante o ofertório, os jovens e as crianças ofereceram ao Senhor o seu trabalho do dia inteiro: a Árvore de Jessé, artisticamente decorada com luzes, sinos e bolas, como convém a qualquer Árvore de Natal, e ricamente vestida da Palavra de Deus através dos símbolos de Jessé.

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 Ali, no retiro, a Árvore de Jessé foi feita num único dia. O Niall contou história após história, que intercalou com divertidos jogos, e os meninos foram procurando os símbolos correspondentes às histórias. Nas nossas casas, esta atividade deve demorar o Advento inteiro, como expliquei no ano passado, neste post. Querem experimentar?

Dizem os Evangelhos que Jesus é descendente do Rei David. As histórias do Rei David - cheias de dramatismo e suspense como convém a qualquer rei - estão narradas no Primeiro e no Segundo Livro de Samuel. Aí ficamos também a saber que David era filho de Jessé. Mais tarde, Isaías profetizará:

 

"Brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes, um ramo surgirá." (Is 11, 1)

 

Se quisermos, pois, fazer a árvore genealógica de Jesus, teremos de ir até Jessé, pai de David. Mas Jesus não descende apenas de Jessé: Jesus é verdadeiramente o Filho do Homem, prometido por Deus desde o início da humanidade, no Jardim do Éden, como o Redentor do género humano. Assim, se quisermos traçar a árvore genealógica de Jesus, precisamos de fazer como Lucas no início do seu Evangelho, e subir até Adão.

Então tomemos a Bíblia nas mãos e comecemos! A cada dia do advento, tomemos uma história bíblica, começando no Génesis, passando pelo Êxodo, juízes, profetas, reis, até chegar à história do Natal. E por cada história, penduremos na Árvore de Natal uma imagem, até a revestirmos por inteiro da Palavra! Os símbolos, fui buscá-los a este post num blogue americano; as passagens bíblicas correspondentes podem ser encontradas neste PDF: Árvore de Jessé

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No advento passado, a aventura foi magnífica. Domingo iniciaremos a aventura deste advento! Que o Senhor a todos abençoe, para que também nós, descendentes de Adão, sejamos descendentes de Jesus, unidos na única família dos Filhos de Deus. Ámen!

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O caminho do presépio em dia de Cristo Rei

por Teresa Power, em 25.11.15

- Viva, hoje é dia de retiro!

Foi com o entusiasmo do costume que os meninos entraram nos carros, domingo de madrugada. Às nove e meia da manhã deveríamos estar no seminário de Alcains, perto de Castelo Branco, para orientar o Retiro Diocesano das Famílias. E para os meus filhos, "retiro" é sinónimo de festa, amigos velhos e amigos novos, boa comida e muita, muita alegria.

- Tu viveste em Castelo Branco, não foi, mamã?

- Sim, vivi em Castelo Branco até entrar na universidade. Depois a vida deu muitas voltas... O meu papá morreu, a minha mãe regressou à sua terra natal, Aveiro. Desde então, talvez não tenha ido a Castelo Branco mais do que duas ou três vezes.

- E tu gostavas de Castelo Branco?

- Adorava! Adorava mesmo... O céu muito azul, as ruas brancas, o frio e o calor, os amigos, e sobretudo, a minha casa onde cresci com tanto amor... Tudo me deixou saudades!

A viagem foi feita sempre no limite superior de velocidade, e ao passarmos ao largo de Castelo Branco mal tive tempo de apontar para o castelo, os prédios, os campos, as recordações de infância e juventude que deslizavam, velozes, à beira da estrada. Por fim, o seminário de Alcains e um belíssimo grupo de quase cem pessoas à nossa espera. Que alegria!

O retiro foi magnificamente preparado pela equipa da pastoral familiar, que nos presenteou com espaços bem organizados, lanches deliciosos e um belo almoço. Como sinal visível do Evangelho, e muito ao jeito do Papa Francisco, o almoço foi servido pelos dois sacerdotes que acompanharam o retiro. Bonito testemunho de caridade!

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Começámos o retiro por nos apresentar enquanto família. A Sara adorou o momento, claro!

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Depois, todos juntos louvámos o Senhor com cânticos e danças, e meditámos nos mistérios do Rosário.

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Durante o dia, fiz três ensinamentos sobre a caminhada familiar que o Advento nos propõe. Enquanto isso, o Niall deveria estar a trabalhar com os jovens, enquanto outra pessoa deveria estar a trabalhar com as crianças. Por motivos desconhecidos dos próprios organizadores do retiro, essa pessoa nunca apareceu.

- Vou ficar sozinho com trinta crianças e jovens, entre os três e os dezassete anos? - O Niall olhava para mim com os olhos muito grandes. Sim, era mesmo isso que estava a acontecer!

Enquanto eu fazia os ensinamentos, na sala ao lado a animação era completa. Podíamos perceber risos, cantos, brincadeiras e muitas gargalhadas. Eu sorria para mim mesma: o Senhor não tinha abandonado o Niall na sua tarefa de evangelização! De facto, nos intervalos, eu fui testemunha do entusiasmo dos mais novos que, transbordando felicidade, corriam para junto do Niall:

- Niall, quando é o próximo jogo?

- Niall, qual é a próxima história?

- Para estes retiros podes trazer-me sempre, mãe! - Dizia uma jovem de dezasseis anos que tinha pensado ficar apenas durante a manhã e acabou por ficar o dia inteiro.

As fotografias falam por si:

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- Niall, como conseguiste agradar a crianças e a jovens ao mesmo tempo? - Perguntei, por fim, completamente maravilhada com este dom que o Senhor lhe deu. Ele encolheu os ombros:

- O Francisco e a Clarinha ajudaram-me imenso. Dei-lhes várias tarefas para realizar como animadores, e cumpriram-nas na perfeição. Além disso, todos os meninos eram educados e estavam ali de coração aberto, prontos para escutar, trabalhar e brincar. E claro, a obra é do Senhor, que tomou conta da situação!

(Fica prometido para amanhã um post sobre o conteúdo catequético do trabalho do Niall neste dia...)

O dia estava a chegar ao fim. Faltava o momento mais importante: a Eucaristia. E de repente, surpresa das surpresas: o senhor bispo D. Antonino, bispo da diocese de Portalegre e Castelo Branco, estava diante de nós, pronto para presidir. Que grande alegria! Na homilia falou-nos dos desafios nascidos no sínodo dos bispos sobre a família, segundo o que ele próprio viveu enquanto participante. Que bela prenda o Senhor nos fez!

- Vamos embora de coração cheio - Diziam as famílias, despedindo-se.

Eu pensei nos pastores que visitaram o Menino no Presépio de Belém:

 

"Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. E os pastores voltavam, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido."

(Lc 1, 17-20)

 

Depois pousei os meus olhos na imagem de Cristo Rei, que presidiu ao nosso encontro, neste dia soleníssimo de Cristo, Rei do Universo. E rezei para que sejamos sempre testemunhas deste reinado de amor, correndo apressadamente, como os pastores, entre o presépio e a nossa vida de todos os dias...

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Estrelas

por Teresa Power, em 23.11.15

Quase todas as noites, antes dos meninos se deitarem, vamos ao jardim ver o céu estrelado. O ar ameno, a brisa suave, o silêncio da noite apenas interrompido pelo leve cantar de algum grilo, tudo parece acalmar o nosso interior e preparar-nos para o descanso da noite.

Estrelas. O céu coberto de estrelas. Primeiro, o olhar, ainda ofuscado com as luzes da casa, mal as distingue. Mas pouco a pouco, habituando-se à escuridão, os olhos aprendem a definir os seus contornos e a identificar constelações.

- Onde é a Ursa Maior? Sabes, Francisco?

- Olha, não vês ali? Isso, aquelas estrelas formam a cauda...

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- E onde está o T?

- O T?

- Não conhecem a história? O pai de Santa Teresinha, S. Luís, costumava passear com a menina à luz das estrelas, aos domingos à noite. Num desses belos passeios, Teresinha descobriu no céu aquela constelação ali... Vêem? Forma um T! E disse: "Papá, papá, o meu nome está escrito no céu!"

- E acertou!

- Pois acertou. O nome de todos nós está escrito no céu, no Coração de Deus...

- Olha, mamã, uma estrela cadente! Passou no céu tão depressa!

- Onde?

- Onde? Bolas, não vi!

- Olha outra!

- Agora vi!

- Sabem uma história que vi outro dia num dos canais de ciência que costumo ver na net?

- Conta, Frankie!

- Há uns anos atrás, houve um apagão total em Nova Iorque. Durante várias horas, não houve uma única luz. Por fim, quando a luz regressou, muitas pessoas telefonaram para as televisões a anunciar que tinham visto estranhas luzes e cores no céu...

- Quer dizer que há pessoas que não sabem o que são estrelas?

- Elas sabiam que há estrelas, e já tinham provavelmente visto estrelas, mas não tinham nunca visto a Via Láctea tal como se vê quando não há luz alguma. Tu também ainda não viste! As imagens mostram cores, formas, luzes brilhantes no céu escuro, para além das próprias estrelas... Deve ser impressionante! Mas para isso é preciso que esteja tudo, tudo escuro.

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Enquanto os meus filhos conversavam sobre estrelas, contemplando o céu nocturno, fiquei a pensar no apagão de Nova Iorque, e desejei interiormente também eu poder experimentar, no mais profundo do meu ser, um apagão assim de vez em quando... As nossas luzes materiais, mundanas, terrenas, brilham tão intensamente, que raramente temos oportunidade de contemplar a verdadeira Luz.

O Advento está aí. Nas montras, na televisão, na publicidade, na música, nas escolas, nos cafés, nas ruas, as luzes do mundo brilham sem cessar. Se os magos vivessem aqui e agora, seriam capazes de encontrar no céu a estrela que os conduziu ao Presépio?

Advento é tempo de olhar para o céu em busca da estrela. Mas não vale a pena levantar os olhos na noite antes de apagar todas as luzes da casa...

 

"Ao verem a estrela, sentiram imensa alegria. E entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e prostrando-se, adoraram-n'O" (Mt 2, 10)

 

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Aos pés de Jesus

por Teresa Power, em 18.11.15

No sábado, a Aldeia de Caná de Mogofores reuniu para mais um encontro de adoração. Que alegria! Depois da catequese, as Famílias de Caná dirigiram-se à capelinha do santuário, dispuseram as cadeiras em roda e espalharam almofadas pelo chão. Depois o padre Gabriel expôs o Santíssimo, enquanto todos cantámos e louvámos o Senhor.

 

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 Em silêncio ou em voz alta, fomos rezando diante do Senhor. Depois, sentados, escutámos um belíssimo ensinamento feito pelo João e a Isabel. Falaram-nos do amor apaixonado de Deus, tal como Oseias, o profeta, o experimentou, o contemplou e o comunicou a Israel:

"O Senhor disse-me: 'Ama de novo uma mulher que foi amada pelo seu amigo, e que foi adúltera.' Pois é assim que o Senhor ama os filhos de Israel, embora se voltem para outros deuses e gostem das tortas de uvas." (Os 3, 1)

 

Somos tão infiéis para com Deus como uma mulher adúltera para com o seu marido. Mas o Senhor nunca desiste de nós, não nos repudia, não nos abandona no nosso pecado. A cada queda, a cada traição, o Senhor vem procurar-nos com paciência e imensa ternura. Oseias viveu isto na pele, aceitando a sua mulher de volta depois de cada traição porque a sua vida devia espelhar o amor do seu Senhor. Que mistério!

Enquanto os mais crescidos meditavam neste amor louco de Deus, os mais novos coloriam o desenho representando Oseias e a mulher adúltera, ou Deus e Israel, que o João e a Isabel distribuiram. Uma sopa de letras com palavras relacionadas com o tema completou a atividade, mantendo as crianças bem ocupadas durante a oração do terço, que fizemos seguidamente. Que bonito foi!

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 Rezámos pela França invocando os seus santos padroeiros, desde Santa Joana d'Arc a S. Martinho, do casal Martin à sua filha Teresa de Lisieux, de Santa Margarida Maria ao Santo Cura d'Ars, numa oração que a Helena nos trouxe. França tem tantos santos! Certamente que, do céu, intercedem pelo seu país com fervor, unindo a sua oração à nossa e à de tantos homens e mulheres de boa vontade. Que os santos de França sejam faróis a iluminar o seu país também na forma de reagir, respondendo ao ódio com amor, às armas com a paz.

Rezámos ainda pelos países em guerra, onde cenas de terrorismo gratuito como a que aconteceu em França têm lugar várias vezes por dia, vários dias por semana, sem que nós, europeus, disso nos apercebamos... Rezámos pelas famílias, rezámos pela paz.

Terminámos com o Shemá, a Consagração à Mãe de Caná e a bênção do Santíssimo. Depois, foi preciso arrumar a capela, pois o chão estava coberto de desenhos e lápis de cor:

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 Já em casa, enquanto estendia um alguidar cheio de roupa à luz das estrelas, eu pensei na maravilha que é isto de podermos desenhar no chão com Jesus por perto... Crescer à sombra do Santíssimo é uma graça que não conseguimos calcular! Deus é tão simples, que não se importa que as nossas crianças Lhe manifestem o seu amor com desenhos e lápis de cor; mas é bem mais grandioso que uma noite estrelada, e as próprias crianças sentiam a majestade de Deus enquanto desenhavam em silêncio e continham a sua vontade de fazer barulho. Alguma vez, durante a eternidade, tomaremos realmente consciência do que acontece quando Jesus Se nos entrega no Pão? Só um Deus apaixonado Se dá assim...

 

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Olhares (des)cruzados

por Teresa Power, em 16.11.15

No domingo passado, de manhã cedo, o Niall encontrou os quatro filhos mais novos empoleirados no frágil portão que separa o jardim do pátio. Estavam divertidíssimos, rindo à gargalhada e fingindo que o portão era um baloiço.

- Meninos, que é isso? SALTEM IMEDIATAMENTE DAÍ! - A voz do Niall não deixava margem para dúvidas: estava mesmo, mesmo zangado.

Os meninos saltaram para o chão, com ar comprometido e cabeças baixas. Mas já era tarde: o portão estava partido.

- Quantas vezes vos avisei de que o portão não é um baloiço? E agora, o que faço?

Depois, o Niall olhou para o David:

- Tu és o mais velho dos quatro. Não sabias que não podias fazer esta brincadeira estúpida?

O David acenou com a cabeça, muito sério. Ele sabia. Sem proferir palavra, afastou-se para se arranjar para a missa, porque estávamos quase na hora de sairmos para o santuário.

Alguns minutos mais tarde, entrei no carro com o Francisco, a Clarinha, o David e a Lúcia. O Niall, como costume, iria mais perto da hora da missa com a Sara e o António, que ainda não fazem parte do coro. Quando, portanto, o Niall chegou ao santuário, já o David estava na sacristia, para se preparar para servir o altar como acólito. O Niall engoliu em seco: como iria concentrar-se na Eucaristia sem fazer as pazes com o David? Como lhe iria comunicar o seu perdão e fazê-lo sentir-se amado? A missa estava quase, quase a começar...

Cântico de entrada. O David entrou no santuário ao lado do senhor padre e ocupou o seu lugar junto do altar. "Talvez ele olhe para mim, e com um só olhar farei com que perceba que está tudo bem", pensou o Niall, cheio de esperança. Ao longo de toda a Eucaristia, o Niall tentou, em vão, cruzar o seu olhar com o David. Mas o David é um rapazinho muito sério e muito compenetrado, que durante a missa apenas olha para os outros acólitos para tentar perceber se está a fazer tudo corretamente.

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Pouco a pouco, o Niall deixou-se invadir por um outro pensamento; e do olhar do David passou para o seu próprio olhar. Quantas vezes desviamos o nosso olhar do Senhor, ocupados com tantas outras coisas, ou envergonhados das nossas ações? Não andará o Senhor desesperadamente à procura do nosso olhar, como o Niall à procura do olhar do David? Que gestos, que sinais nos fará Ele, procurando, em vão, que cruzemos o nosso olhar com o seu?

Ah... Tudo o que Deus nos quer dizer é que sim, que já fomos perdoados, que Ele não guarda ressentimento, que há muito esqueceu o nosso pecado... tudo o que Deus nos quer dizer é que podemos regressar a Casa.

Afinal, na história que Jesus contou, não foi isso mesmo o que o pai do filho pródigo fez o tempo todo que o seu filho se ausentou? A cada entardecer, o pai subia a colina e prescrutava a distância, esperando cruzar o seu olhar com o de seu filho. Foi assim que...

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos..." (Lc 15, 20)

 

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Parabéns, Olívia!

por Teresa Power, em 12.11.15

Ainda ontem escrevia que não iria haver mais nenhum post até segunda-feira, e já aqui estou a quebrar a minha palavra... Mas é por uma boa causa. Certamente já adivinharam qual! Sim, é verdade, a pequena Lúcia, a bebé da nossa querida Olívia, foi ontem para casa! Depois de muitos e complexos exames, a neuropediatra concluiu que a menina não tinha quaisquer sequelas resultantes da paragem cardio-respiratória durante o parto. O susto passou, com a graça de Deus e a oração poderosa de todos quantos se uniram a nós! Aguardamos agora com alegria que toda a família recupere emocional e fisicamente de tão dura batalha, e possamos ter notícias fresquinhas no belíssimo blogue da Família Batista. Tenho a certeza de que a Olívia terá muitas coisas para contar! Que dizem deste sorriso maroto?

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 Enquanto recebia as notícias de perfeita felicidade da Olívia, pus-me a pensar no que significa isto de estarmos vivos. Talvez não sejam muitos os momentos em que nos damos conta da preciosidade da vida humana, da grandeza do mistério que nos envolve, e simultaneamente, da fragilidade de que somos feitos... O Livro do Génesis oferece-nos esta meditação logo no seu início:

 

"Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo." (Gn 2, 7)

 

Somos pó da terra e pó das estrelas, descendentes dos astros e dos mares, habitantes da lama e dos abismos; mas somos também espírito, sopro, Vida. Que mistério! E Deus contém-nos na concha da sua mão...

De revelação em revelação, acordaremos um dia para a notícia mais bela de todas: finalmente, definitivamente, estamos curados! Nesse dia sem ocaso, o Senhor pegará em nós ao colo e, como fez a Olívia ontem à noite à sua bebé, levar-nos-á para Casa. Se os reencontros e as celebrações da Terra podem expressar tamanha felicidade, imaginem as do Céu...

 

 

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Missões

por Teresa Power, em 11.11.15

As missões não páram: um pouco por todo o país, do Algarve ao Minho, há famílias, párocos, comunidades interessadas em conhecer as Famílias de Caná. Nalguns locais, há já Aldeias de Caná capazes de anunciar e testemunhar a nossa espiritualidade, mas noutros, é necessária a nossa presença e o nosso testemunho familiar.

Numa destas noites, e para podermos organizar a agenda, o Niall e eu marcámos uma reunião um com o outro e pedimos aos nossos filhos mais velhos (os mais novos já dormiam) para não nos interromperem. Foi uma experiência engraçada! Desta reunião formal sairam algumas datas (como por exemplo a do retiro do Algarve, que anunciaremos atempadamente, e a do Retiro de Natal) e algumas ideias importantes. Depois, diante do Santíssimo, nas semanas seguintes, perguntámos a Jesus o que achava Ele das nossas ideias.

A princípio, Jesus não disse nada. Ou melhor: nós nada escutámos. Passámos algumas semanas difíceis, lutando contra esta surdez espiritual que nos impede de conhecer a vontade do Senhor. Como todas as Famílias de Caná, temos um único objetivo na vida:

 

"Fazei tudo o que Jesus vos disser." (Jo 2, 5)

 

Mas para alcançar este objetivo, precisamos de saber o que Jesus nos diz! Deus fala muito baixinho, e nós precisamos de fazer muito silêncio para não interpretar erradamente as suas palavras. Quantas vezes tomamos as nossas ideias e os nossos sentimentos por ideias e sentimentos do Senhor... É tão fácil confundir a nossa vontade com a vontade de Deus!

Assim, para podermos escutar, tomámos uma primeira decisão: aumentar o tempo de oração diário diante do Santíssimo, aumentar o tempo de oração conjugal. E pouco a pouco, fomos sendo curados da nossa surdez. Jesus começou a responder à sua maneira - sem palavras, mas em ondas de tranquilidade ou, pelo contrário, de inquietude perante as nossas ideias e decisões.

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E que nos disse Jesus? Muitas coisas. Pouco a pouco, iremos dar-vos conta de todas elas. Mas a primeira é a necessidade de abrandar o ritmo deste blogue. Neste momento, a prioridade é a preparação dos retiros e encontros, que até ao Natal são pelo menos três de dia inteiro e outros tantos de algumas horas a um sábado à tarde ou ao serão. Nesta altura de mais trabalho, publicarei às segundas-feiras, embora possa naturalmente publicar noutros dias também quando surgirem novidades - como por exemplo, sobre a pequena Lúcia da Olívia. Não tenho qualquer intenção de encerrar o blogue, porque sei como ele é importante para a caminhada das Famílias de Caná e de muitas outras pessoas. Apenas abrandarei o ritmo.

Entretanto, e porque o advento se aproxima a passos largos, convido-vos a pesquisar no blogue posts antigos com as tags Advento e Natal, ou ler o que escrevi no ano passado sobre o s. Martinho, por exemplo... Há tanto para ler, que nem vão dar pela falta do post diário :)

Rezem connosco, para que sejamos fiéis ao que Jesus nos pede, e não estraguemos a sua obra. Rezem pelas Famílias de Caná, pelos Jovens de Caná, pelos leitores deste blogue. Ficamos unidos em oração, e quem sabe - porque não? - talvez nos encontremos na vossa paróquia, falando das Famílias de Caná...

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Missão STOP

por Teresa Power, em 10.11.15

És jovem - tens entre 16 e 26 anos aproximadamente - e queres aprofundar a espiritualidade das Famílias de Caná, ou simplesmente refletir sobre a vivência do amor cristão? Então a Missão STOP é para ti! Marca na tua agenda: dia 6 de dezembro, em Braga, das 9h30 às 17h30.

As inscrições, como sempre, são online, aqui: Missao_STOP_Programa

 

São cada vez mais os jovens que me escrevem, falando-me da forma prática e simples como o blogue tem influenciado a sua vida e a sua fé. São jovens suficientemente amadurecidos para procurar viver a sua própria vida de fé, não necessariamente na sequência da sua vivência familiar, mas a partir dos sonhos que vão alimentando para o seu futuro. Alguns destes jovens perguntam-me: "Teresa, eu gostava de participar num retiro Famílias de Caná, mas os meus pais não têm qualquer interesse. Como posso participar sozinho, se o retiro é para famílias?"Têm toda a razão! A resposta chegou. Parece-nos ser vontade de Deus que o movimento nascente das Famílias de Caná tenha também uma vertente mais juvenil, dirigida a jovens dos 16 aos 26, aproximadamente. As Seis Bilhas podem ser vividas pelos jovens com radicalidade!

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Foi a pensar nos Jovens de Caná que surgiu a Missão STOP - um desafio a parar, escutar, olhar, pensar, rezar, e depois avançar.

A trabalhar connosco temos um sacerdote muito especial, o Padre Pedro Boléo Tomé, a viver em Braga. Conhecemo-nos por causa do blogue, já trocámos largas dezenas de mails, já tivemos a honra de ter o padre Pedro a jantar na nossa casa, e agora teremos a honra de o ter a trabalhar connosco nesta missão magnífica. O Padre Pedro tem uma longa experiência de trabalho com jovens e uma sólida preparação para trabalhar a Teologia do Corpo - o pensamento de S. João Paulo II em relação ao tema da sexualidade e do amor humano. Estamos desejosos de o escutar!

Quanto a nós - o Niall e eu - iremos falar da nossa história, desde o namoro na Alemanha ao casamento em Fátima, do planeamento familiar à morte do Tomás, da oração de namorados à atual oração familiar, do tempo para os filhos ao tempo para os dois. Temos andado muito divertidos, recordando o passado, partilhando memórias nem sempre coincidentes, relendo cartas de amor... Acho que o encontro promete!

Ao longo do dia teremos tempos de oração, Eucaristia, possibilidade de confissões e, claro, muita brincadeira juvenil. Não revelamos tudo, para não estragar a surpresa!

Divulguem nos vossos grupos de jovens e inscrevam-se, para que a grande festa de Caná chegue cada vez mais longe! Jesus tem uma simpatia particular pelos jovens, como nos conta Marcos no episódio do Jovem Rico:

 

"Jesus olhou para ele com afeição" (Mc 10, 21)

 

E por falar no Padre Pedro... Há uns tempos,  partilhei aqui no blogue o nosso entusiasmo por um livro da sua autoria: Aventuras na Terra de Jesus. Hoje, terça-feira, o padre Pedro vai lançar a obra completa das Aventuras na Terra de Jesus, em Lisboa. Gostava tanto de estar presente! Tenho a certeza de que alguns de vós gostarão de participar neste lançamento e de adquirir este livro maravilhoso para ler aos mais novos! Aqui fica, pois, o convite que recebi, e que partilho convosco:

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Magusto, adoração e uma bebé recém-nascida

por Teresa Power, em 09.11.15

Sábado foi um dia de sol radiante. Tudo brilhava: as gotas de orvalho na relva, a roupa finalmente estendida, o chão lavado de fresco. Depois de uma longa semana de mau tempo, os meninos deliciaram-se no jardim e em Náturia, gritando de entusiasmo.

Também a nossa paróquia estava em festa, celebrando S. Martinho: sábado foi dia de magusto. Assim, depois da catequese, reunimo-nos todos no pátio do colégio salesiano para fazer a festa tradicional. Ora vejam a alegria!

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 No entanto, nos nossos corações nem tudo exultava: as Famílias de Caná presentes no magusto não se esqueciam da pequena Lúcia, a bebé recém-nascida da Olívia, que está a fazer uma entrada no mundo tão dolorosa. Depois de um parto muito difícil, a Lúcia sofreu uma paragem cardio-respiratória e teve de ser levada para uma incubadora e para muitas avaliações. Como podíamos nós alegrarmo-nos enquanto a nossa amiga sofria? Fomos conversando entre nós, partilhando as notícias que tínhamos, e depois, um a um, fomos conversar com Quem tudo pode e tudo conhece:

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Tratava-se do primeiro sábado do mês, o que significa, na nossa paróquia, adoração ao Santíssimo durante todo o dia. Vinha mesmo a propósito! Era mesmo com Jesus que eu queria falar. Queria dizer-Lhe o quanto me custa saber que há bebés a sofrer, saber que os nossos amigos sofrem, saber que a pequena Lúcia não pode ir já para sua casa e aproveitar o colinho bom dos seus papás e maninhas. Queria dizer-Lhe que não concordo nada com este sofrimento, porque a Olívia não merece.

"Achas que Eu mereci?"

Jesus olhava-me do ostensório, carinhoso e firme.

"Achas que Eu mereci?"

Jesus-Eucaristia estava diante de mim, exposto como na Cruz, Pão que primeiro foi grão e que o sofrimento amassou. Eu gosto de fazer adoração eucarística em lugares que tenham um crucifixo por perto, pois ajuda-me a concentrar no mistério que tenho diante dos olhos: Jesus só se pode dar a mim na Eucaristia, como alimento e remédio, como vida e amor, porque morreu na Cruz. O Corpo de Jesus, oferecido na Eucaristia, é o mesmo Corpo suspenso da Cruz... Que fez Jesus para merecer a Cruz? Amou, perdoou, curou, salvou de dia e de noite, sem descanso? Imaginei os anjos de Deus na hora da crucifixão, estarrecidos, em choque perante a loucura do amor divino. Porquê, Senhor? Por que Te deixaste matar? Por que permites que haja dor? Depois lembrei-me de S. Paulo:

 

"Cristo, que era de condição divina,

não Se valeu da sua igualdade com Deus,

mas aniquilou-Se a Si mesmo.

Assumindo a condição de servo,

obedeceu até à morte,

e morte de Cruz!"

 

Mas S. Paulo continua:

 

"Por isso Deus O exaltou

e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes,

para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem

no Céu, na Terra e nos infernos,

e toda a lingua proclame que Jesus é o Senhor,

para glória de Deus Pai.

Amen!" (Fl 2, 6-11)

 

Há uma ligação intensa, misteriosa e profunda entre o sofrimento e a alegria, a dor e a glória, como duas faces da mesma moeda. O sofrimento da pequenina Lúcia é certamente muito mais fecundo do que a menor das minhas orações, e a dor da Olívia e do Álvaro é capaz de converter mais corações do que qualquer das minhas palavras. A Cruz tem um poder que nada mais consegue ter sobre a Terra. Mas estas coisas não podem ser explicadas, apenas vividas. 

Saí da oração para brincar um pouco com os meus filhos. Eles estavam felizes, sujos e transpirados, chutando bolas e enfarruscando a cara. O telemóvel vibrou, e eu li um SMS da Olívia: "A Lúcia está a ficar mais forte a cada hora! Obrigada a todos quantos se preocupam e não desistem de rezar. Nós seremos sempre gratos." Ao telefone, horas mais tarde, a Olívia explicou-me que a Lúcia terá ainda um longo caminho a fazer no hospital, para avaliar o seu comportamento neurológico, mas que já deixou a incubadora, embora continue nos cuidados intensivos neo-natais. Há fortes esperanças de que a bebé não fique com sequelas neurológicas. No mail, esperavam-me  duas lindas fotografias:

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A alegria do magusto e a dor da família Batista... Crianças a brincar e crianças nos hospitais a sofrer... Jesus Ressuscitado e Jesus Crucificado... Dizia Santa Teresinha, pouco antes de morrer: "Não sei como será quando eu chegar ao céu. Deus terá de modificar o meu temperamento, pois eu não consigo imaginar uma felicidade que não tenha uma mistura de dor." Enquanto vivermos neste mundo, nunca encontraremos alegria perfeita. Mas de uma forma misteriosa, esta mistura de dor e alegria é a fonte da nossa felicidade...

 

 

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