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A Mãe de família

por Teresa Power, em 20.08.15

O dia 15 de agosto é sempre um dia de grande festa para nós - ou não fosse ele o dia da glória da nossa Mãe! E só os filhos que não se sentem amados não festejam as glórias das suas mães. Quando se discutia a diminuição do número de feriados nacionais, o nosso saudoso D. José Policarpo foi muito claro: "Nos dias santos marianos não vamos tocar!" Mãe é mãe.

Por isso, faz-me sempre muita confusão quando, vestidos de festa, cheios de expetativa e de alegria, entramos na igreja em dia 15 de agosto e a encontramos praticamente vazia. Claro, muitas pessoas estão de férias... Mas estarão as igrejas nos locais de férias particularmente cheias? Onde está a alegria da festa mariana?

Ser católico é, acima de tudo, ter a graça de nos sabermos família - família que tem no céu um Pai e uma Mãe. E as famílias gostam de se reunir, para celebrar datas especiais, na casa de família, na casa paterna. É aí que, nas grandes datas, os filhos casados se encontram com os irmãos, os cunhados, os primos, os sobrinhos, os tios, e os pais se alegram com os frutos do seu amor. Assim, não há melhor forma de celebrar os dias santos de Maria do que reunirmo-nos na Casa de Família, a Igreja, em clima de festa e gratidão!

Na véspera do dia 15, fizemos os possíveis por preparar esta grande festa. Começámos por nos confessar no santuário. O senhor padre teve a gentileza de nos confessar "em série" e de esperar pacientemente que o António tirasse os patins ou o David descesse da trotinete para a sua confissão. Só a Sara, que ainda não fez três anos, não se confessou - e olhem que não foi por falta de tentativas da sua parte, pois não há nada que os irmãos façam que ela não imite a seu jeito!

Depois, preparámos o nosso Canto de Oração com as cores marianas. Na verdade, o dia 15 de agosto é apenas o começo de uma série de festas marianas: dia 8 de setembro teremos o aniversário de Nossa Senhora, e durante todo o mês de outubro teremos o mês do rosário. Assim, o Canto de Oração fica bem caracterizado para estes próximos meses. Que vos parece?

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Finalmente, na Eucaristia de dia 15, cantámos os louvores de Maria na companhia das poucas famílias que aí se reuniram também.

No Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, há uma imagem belíssima de Nossa Senhora "em saída", pronta a visitar as nossas casas como visitou Isabel, há dois mil anos atrás. No final da Eucaristia, cantando, convidámos Maria a vir connosco:

"Vem vem connosco a caminhar, Santa Maria vem!"

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Uma das três Famílias de Caná que participaram na Eucaristia foi a família da Olívia e do Álvaro, que fizeram duas horas de viagem para passarem o dia connosco. Assim, durante a tarde, as crianças puseram a brincadeira em dia, os adultos a conversa, e claro, como sempre que duas Famílias de Caná se encontram, rezámos o terço, em honra da nossa Mãe e Rainha, neste dia em que o céu inteiro festejava.

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 O dia foi tão bom, a oração tão bela, o convívio tão simples, que por várias vezes me lembrei do Cântico de Maria, o Magnificat, escutado na missa da manhã:

 

"A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador!

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão Bem-Aventurada

todas as gerações!

O Todo Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome!"

(Lc 1, 46-49)

 

Maria tem esta forma tão própria de unir em oração as famílias e os amigos, criando comunidade ao redor do terço. À noite, quando me deitei, agradeci-lhe com sinceridade a graça de permitir aos meus filhos crescerem em família de famílias, como certamente Jesus cresceu em Nazaré... Não são precisamente isto, as Aldeias de Caná?...

 

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publicado às 06:26

Thalita kum

por Teresa Power, em 30.06.15

No domingo, com a casa cheia de amigos, a Sara caiu no jardim, batendo com toda a força com o cotovelo na esquina da tijoleira. O choro foi intenso, e o cotovelo precisou de um beijinho. No entanto, passado algum tempo, a Sara deixou de mexer o braço. Ficou com o braço rígido ao longo do corpo, imóvel, e choramingava baixinho.

- Sara, o que se passa? Consegues levantar o braço?

Choro cada vez mais forte, acompanhado de lágrimas cada vez mais abundantes. Teria partido o braço? Imaginei a Sara de gesso durante o verão, a areia da praia a fazer comichão... Como o Francisco já foi engessado duas vezes, uma delas durante um mês de verão inteiro, sei bem como é.

- Talvez seja melhor levá-la ao Pediátrico fazer um raio-x - Sugeriu o Niall. Olhámos uns para os outros, os nossos amigos sentados à sombra, no jardim, as crianças a brincar... Que dia para isto acontecer! Mas a Sara continuava a choramingar e o braço continuava bem quieto, encostado ao corpo. Decidiu-se que era preciso tirar a dúvida, e lá foi o Niall com a Sara para o hospital. Entretanto, nós e os nossos amigos fomos até ao Parque da Mealhada brincar e patinar, antes de nos despedirmos.

- Estamos à espera do raio-x - Escreveu-me o Niall em sms. - A Sara continua com o braço imóvel e muito chorosa. Vamos ver!

O que aconteceu depois foi, no mínimo, cómico. Segundo me contou o Niall, a Sara escutou o médico com muita atenção e deixou que lhe fizessem o raio-x, sem refilar. Com o raio-x na mão, o médico concluiu que não havia nada partido. O Niall voltou-se para a Sara e deu-lhe a boa notícia, sorridente:

- Sara, estás boa, não tens doi-dói!

Nesse preciso momento, a Sara abriu um sorriso, esticou o braço como quem se espreguiça, levantou-o bem alto, voltou a dobrá-lo e a esticá-lo, e concluiu em alta voz:

- A Sara não tem doi-dói! A Sara não tem doi-dói!

O Niall e o médico entreolharam-se, divertidos.

- Bem, ela está muito melhor! - Concluíram, a rir.

E foi uma menina risonha e muito feliz que apareceu no Parque da Mealhada, meia hora mais tarde, aos gritos de alegria, a correr para mim de braços abertos e a atirar-se para o meu colo:

- Mamã, mamã, a Sara não tem doi-dói!

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A Sara perfeitamente convencida de que não conseguia mexer o seu bracinho fez-me pensar... Conheço várias pessoas perfeitamente convencidas de que nunca serão capazes de ser católicas, porque a Igreja, vista de fora, assusta um bocadinho; ou de rezar em família, porque o tempo não chega; ou de levar os seus bebés à missa, porque vão incomodar... Pessoas perfeitamente convencidas de que não poderão ser Famílias de Caná, porque as "Seis Bilhas" parecem grandes demais; ou de que ser santo está completamente fora do seu alcance... Pessoas perfeitamente convencidas de que nunca conseguirão evangelizar os seus filhos, contar-lhes histórias da Bíblia ou rezar com eles, porque tiveram uma catequese muito rudimentar, e a Bíblia, antes de nela pegarmos, parece um livro imenso e quase codificado...

Conheço muitas pessoas - algumas só através dos comentários deste blogue ou dos mails que recebo - com o "braço" imobilizado ao longo do "corpo", sem coragem para verificar se, de facto, o conseguem "mexer".

No domingo passado, no Evangelho, escutámos como Jesus foi a casa de Jairo, o chefe da sinagoga, e ressuscitou a sua filha de doze anos, acabada de falecer:

 

"Jesus pegou-lhe na mão e disse: «Thalita kum!» Que significa: «Menina, eu te ordeno, levanta-te!» Imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar." (Mc 5, 41)

 

Talvez todos afinal precisemos de um "médico" que nos mostre do que somos capazes, e que nos revele que podemos muito mais do que imaginamos. Talvez todos afinal precisemos de escutar a ordem de Jesus e de nos levantar corajosamente, para ousar o que antes não acreditávamos possível.

Então correremos ao encontro do Senhor, de braços abertos e felicidade estampada no rosto, como a Sara a correr ao meu encontro naquele parque...

 

 

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Do sul e do norte, no Centro...

por Teresa Power, em 29.06.15

Uma dos mais bonitos milagres que Jesus tem operado nas nossas vidas através deste blogue chama-se amizade. Este fim-de-semana tivemos a visita quase surpresa (porque foi decidida muito perto do sábado) de uma família muito querida da diocese de Setúbal. Conheceram-nos "virtualmente" há pouco mais de um ano, e depois fizeram dois retiros Famílias de Caná connosco. Foi, na verdade, graças à sua preciosa colaboração que pudemos fazer o retiro de Almada, em setembro passado. Desde então, temos mantido contacto por mail, e neste fim-de-semana pudemos finalmente reencontrar-nos. Que grande festa! Os nossos filhos puseram a brincadeira em dia e nós, a conversa! Juntos, fizemos um piquenique fabuloso no Caramulo...

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Já viram como duas famílias podem ser... tanta gente? Que invasão, nesta pacata aldeia da serra! O rebuliço e a alegria que provocámos fizeram sorrir as pouquíssimas pessoas com que nos cruzámos.

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 Domingo à tarde, antes dos nossos amigos regressarem a casa, para sul, recebemos um telefonema de uma outra família magnífica, desta vez de Braga, norte de Portugal. Vinham de regresso a casa e estavam a passar na auto-estrada perto da zona dos Power... Daria para fazer uma breve visita, para que a nossa amizade deixasse de ser apenas virtual? Rimo-nos a valer: num só dia, no centro de Portugal iríamos juntar, por breves momentos, uma família do sul e uma família do norte! Quem pode unir assim os corações, lançando pontes inimagináveis entre famílias que, de outra forma, nunca se cruzariam? Onde fica, verdadeiramente, o Centro, o ponto de interceção?

 

"Eis que alguns virão de longe, outros do norte e do ocidente e outros ainda do país de Sinim. Céus e Terra, entoai cantos de júbilo e alegria, montes, explodi de alegria! Pois o Senhor consola o seu povo e compadeceu-se dos seus pobres." (Is 49, 12-13)

 

Bendito sejas, Senhor, por assim nos reunires, do norte e do sul, do leste e do oeste, de todas as línguas, cores, povos e nações...

Bendito sejas, Senhor, pelo dom da amizade sincera, pura, verdadeira...

Bendito sejas, Senhor, pelos teus pequenos grandes milagres...

Bendito sejas, Senhor, porque no teu Coração, todos nos encontraremos um dia, e todos nos podemos encontrar desde já...

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Ámen!

 

 

 

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Ide e evangelizai

por Teresa Power, em 21.05.15

Domingo, dia 17 de maio. Acordámos felizes, na Casa dos Órfãos de Castelo de Neiva, depois do nosso retiro de sábado. O sol brilhava, e o mar batia com força na praia. Para o pequeno-almoço havia de tudo - dos "doze cestos cheios" (Jo 6, 13) com as sobras do retiro. Um banquete, logo de manhã!

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Eram oito horas quando o irmão Guillermo apareceu. Que capacidade de acolhimento tão grande, a deste irmão e da sua congregação! Não só nos proporcionou dormida completamente gratuita na Casa dos Órfãos, como se ofereceu para nos conduzir a Viana, à paróquia de Nossa Senhora de Monserrate, onde tínhamos um pequeno encontro com os pais da Catequese Familiar do Padre Vasco Gonçalves.

Viana é uma cidade linda! E o convento de S. Domingos pareceu-nos um lugar belíssimo para um próximo retiro. Depois da pequena apresentação que fiz, uma mãe veio falar comigo:

- Obrigada por me lembrar que posso falar de Deus aos meus filhos em todo o lugar... Às vezes acho que não tenho tempo, mas como nos disse há pouco, até numa curta viagem de carro podemos rezar. Bem-haja!

Fiquei feliz. Era mesmo essa a mensagem que eu queria passar...

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Às dez e meia, participámos na alegre eucaristia da paróquia, transbordante de vida.

 - Mãe, porque é que toda a gente fala de nós? - Perguntou a Lúcia no início da missa. O padre Vasco acabava de mencionar a Família Power, reportando-se ao encontro com os pais da catequese familiar.

- Parece que somos importantes, mas não somos, Lúcia! - Respondeu-lhe o David, antecipando-se a mim.

Era domingo da Ascensão do Senhor, e dia das Comunicações sociais. Um grande dia a celebrar pelos bloguistas católicos! Agradeci interiormente ao Senhor pelos blogues das Famílias de Caná, instrumento do seu amor junto de um público cada vez mais vasto. Também através da internet podemos pôr em prática as palavras de Jesus, ao subir ao Céu:

 

"Ide por todo o mundo e ensinai a Boa Nova a toda a criatura."

(Mc 16, 15)

 

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Depois da missa, despedimo-nos das famílias da Olívia, Lena e Isabel e rumámos até Barcelos, ao Colégio de La Salle. À nossa espera estava um grupo de jovens que queriam conversar comigo. Descemos para uma salinha muito acolhedora, enquanto os nossos filhos visitavam o Colégio e davam uns toques na bola no ginásio.

Fiquei absolutamente encantada com o grupo. Eram cerca de dez jovens, em caminhada desde há muitos anos com os Irmãos La Salle, primeiro como alunos do colégio, agora já nas suas vidas universitárias ou profissionais. Sentámo-nos ao redor de uma mesa, apresentaram-se, e depois começaram a perguntar. Tantas e tão belas perguntas! Por que razão dou tanta importância à oração do terço? Como ter uma família católica divertida? Como tornar a fé acessível aos mais novos? Podemos viver em comunidade de famílias? Em que consiste a visitação?

Entre os jovens, há uma que não esteve presente fisicamente, mas nunca deixou de estar presente na conversa dos seus amigos e nos pensamentos de todos: a Joana Lopes, de vinte e três anos. Esta jovem alegre e bonita encontra-se na Índia, numa missão de vários meses. Segundo me disseram os amigos, ela é a fã número um do nosso blogue. Assim, quando os vi falar por skype com ela, durante o almoço, resolvi meter-me na conversa:

- Olá Joana! Vai dando notícias para o meu mail dessa tua bela missão!

Ela sorriu e acenou:

- O vosso vídeo do dia da família é lindo! Vi-o aqui na Índia!

Dei uma gargalhada. O nosso vídeo chegou à Índia! No dia das comunicações sociais... E vivam os blogues católicos! Mas um "viva" especial para os jovens que, como a Joana, têm a coragem de aceitar os desafios do Senhor e partir em missão para longe da sua família e dos seus amigos. Deus, que nunca Se deixa vencer em generosidade, abençoá-los-á a cem por um, enchendo as suas vidas de felicidade plena. Rezo para que também os meus filhos saibam dizer sim a tudo o que Jesus lhes propuser!

 

Depois da nossa conversa, esperáva-nos um almoço muito especial: uma bela e enorme paelha, especialidade do irmão Guillermo, espanhol. Que delícia! À volta da mesa, com os irmãos, os jovens e outros membros da pastoral do colégio, sentimo-nos família de Deus. Quanta simplicidade, quanta amizade, quanta partilha se gera nas almas que buscam o Senhor!

Depois, o irmão Guillermo levou os nossos filhos a visitar o seu museu da natureza. Embora nunca tenha estudado biologia, o irmão Guillermo orienta o Clube da Natureza no Colégio, cativando com a sua sabedoria e amizade os jovens alunos, especialmente os mais difíceis, que há muitos ali... Ficámos deslumbrados. Tenho tanta pena de não ter tirado uma única fotografia para vos mostrar! Mas estávamos tão entretidos a ver e a conversar, que nos esquecemos completamente de fazer a "reportagem".

E chegou a hora de regressar. O fim-de-semana fora maravilhoso, e para ficarem com uma ideia do impacto que teve na nossa família, deixo-vos com este diálogo caricato entre a Lúcia e eu, no carro a caminho de casa:

- Mãe, é agora que vamos para casa?

- É. Lúcia.

- Ah! Sabes, já não me lembro como é a nossa casa...

- ???????

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O nosso retiro de Castelo de Neiva

por Teresa Power, em 20.05.15

O dia do retiro amanheceu muito cedo, como costume. Às sete da manhã, encontrámo-nos no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora com os nossos amigos que nos iam acompanhar: a São, a Vera e a sua filhota Maiara,  a Isabel e o João, catequistas da Lúcia, com as filhas Maria e Maria João. Esta simpática família fez o seu primeiro retiro há um ano, e desde então não perdem um! Seguimos em caravana até Neiva, onde chegámos pelas nove horas.

A pequena aldeia brilhava alegremente à luz da manhã. À nossa frente, uma estrada de terra batida e bem esburacada conduzia-nos até ao mar. Seria por aqui o caminho? Não devíamos antes seguir por uma estrada larga e alcatroada? Ri-me para comigo, a pensar no humor de Jesus. Na verdade, não faz sentido procurar estradas largas quando o Evangelho nos diz:

 

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos seguem por ele.

Como é estreita a porta e quão apertado o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!" (Mt 7, 13-14)

 

E a verdade é que o caminho acidentado e poeirento foi difícil de encontrar e de percorrer por quase todas as famílias participantes, mas levou-nos a um verdadeiro paraíso terrestre:DSC02247.JPG

A Paula estava à nossa espera para nos abrir a porta e podermos assim preparar a casa para o Retiro. Entretanto, a Olívia e a sua família (do blogue Adotar Amar Viver) chegaram, e de imediato arregaçaram as mangas e começaram a trabalhar. Que alegria, abraçar os amigos e fazer uma festinha na barriga da Olívia, onde muito resguardado, viaja ainda o filhote mais novo! Também vieram a Lena (As Surpresas de Deus), o James e o Xavier, que tinham chegado a Viana de véspera, aproveitando para fazer umas mini-férias em torno do nosso retiro. É tão bom estar entre amigos, nas Famílias de Caná!

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Entretanto, os participantes foram chegando. Algumas caras já conhecidas dos retiros da Quaresma e do Natal, e outras novas, mas já sobejamente conhecidas virtualmente... Entre elas, emocionou-me especialmente encontrar a Cecília, com o seu magnífico sorriso a transbordar felicidade. Lembram-se dela? Escrevi sobre a sua aventura feliz com o cancro aqui... Foi tão bom abraçá-la!

Os mais novos não perderam tempo a fazer novas amizades e a explorar o imenso espaço circundante.

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O nosso retiro começou com a santa missa, celebrada pelo pároco de Barcelinhos, paróquia a que pertencem os Irmãos de La Salle. Foram eles que nos propuseram este retiro e que convidaram a maior parte das famílias nele participantes.

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Depois, os mais pequeninos ficaram com a Vera e a São, duas grandes educadoras de infância. Fizeram jogos e escutaram histórias sentados em duas mantas fofinhas...

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... E brincaram na praia, onde encontraram muitas pedras para pintar!

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Olhem só para esta selfie à beira-mar:

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Na foz do Neiva, longe das ondas fortes, puderam molhar os pés em segurança. Que alegria!

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E os jovens? Os jovens passaram o dia com o Niall, meditando e trabalhando o Mistério das Bodas de Caná a partir do meu livro Os Mistérios da Fé. Mas vou deixar o Francisco ou a Clarinha escrever sobre o seu dia num outro post. Deixo-vos apenas com algumas fotografias sugestivas, na esperança de vos encorajar também a participar, um dia, nesta aventura:

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Entretanto, os adultos refletiram sobre as Seis Bilhas das Famílias de Caná, num clima de retiro, de silêncio, e de partilha.

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À hora de almoço, e como eu calculara, a merenda foi uma típica merenda de cristãos: da partilha nasceu a abundância, e se não sobejaram doze cestos cheios, andou lá perto!

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Depois, chegou a hora da magia. O Francisco encantou e arrancou grandes gargalhadas a pequenos e grandes. Ao terminar, tirou o seu chapéu e pôs-nos a todos a rezar a Maria. Que belo momento!

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Terminámos o retiro em oração familiar, com cânticos alegres, o terço na mão e a consagração de cada família à Mãe de Caná. Com um gesto simbólico, cada um de nós deitou um pouco da sua água na bilha que Maria nos oferece.

Infelizmente, um dos momentos mais importantes do retiro - a adoração e as confissões - teve de ser cancelado, porque o padre Manuel Graça foi obrigado a deixar o retiro logo depois da missa. O irmão Guillermo tentou contactar todos os sacerdotes que conhecia na região, mas não foi possível a nenhum deslocar-se até à Casa de Neiva. Mas Jesus não nos abandonou: de manhã, na eucaristia, o padre Manuel tinha consagrado já uma hóstia para a adoração da tarde, e com a ajuda do irmão Guillermo, tinha improvisado um sacrário num recanto do salão, onde Jesus permaneceu todo o dia. Foi pois na sua Presença sacramental que rezámos durante a oração da tarde.

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O retiro terminou, mas ninguém parecia ter pressa em ir embora. Ali mesmo, junto à imagem da Mãe de Caná, conversando com várias famílias, vi os esboços de algumas Aldeias de Caná, lá para os lados de Barcelos e de Famalicão... Rezo para que o fogo do Espírito, tão forte no retiro, não deixe de queimar estes corações, e em breve tenhamos belas notícias destas novas "Aldeias"!

Finalmente, ficámos apenas o grupo que foi de Mogofores e a família da Olívia.

- Mãe, queremos ir à praia! Por favor!

Eram seis e meia da tarde, daquele que foi talvez o dia mais quente do ano até agora.

- Acho uma ótima ideia! Toca a vestir os fatos de banho!

A hora que se seguiu foi deliciosa... Não fomos à praia, porque o mar estava muito bravo, mas à foz do Neiva, que se avistava da casa onde nos encontrávamos. Observem as imagens e tentem imaginar o quanto nos divertimos!

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No meio de tanta brincadeira, o João caiu à água vestido. Quantas gargalhadas divertidas!

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Seguiu-se um banho quente e um belo jantar. Tínhamos combinado entre todos levar ovos, por ser muito prático de cozinhar. Não entrámos para o Guiness, mas estivemos perto, ao devorar numa única refeição quase quarenta ovos caseiros!

No nosso grupo temos várias cozinheiras de grande qualidade. Entre elas, a Vera até tem um blogue dedicado às suas receitas favoritas. Ultimamente, decidiu "cristianizar" o seu blogue, partilhando não só receitas, como também a sua fé. Se gostam de cozinhar e se querem aprender a fazer receitas apetitosas para as múltiplas festas do calendário litúrgico, visitem o seu blogue: Pipoquices cor de rosa!

E neste clima de alegria e de festa, a noite chegou docemente... Mas a nossa aventura do fim-de-semana ainda não estava terminada. Amanhã conto-vos porquê.

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Não sei o que é que as famílias recebem através do retiro que lhes proporcionamos, mas sei aquilo que nós, Família Power, recebemos: graça sobre graça. As Famílias de Caná têm sido uma verdadeira bênção na nossa vida, preenchendo os nossos dias com amizades sinceras e alegrias simples.

Na mensagem do dia 2 de maio, em Medjugorge, Nossa Senhora disse à Mirjana:  "A santidade opera milagres". Penso poder dizer: "A procura da santidade opera milagres". Porque se nós ainda estamos bem longe de sermos santos, já vemos os milagres a acontecer à nossa volta e na nossa vida.

Que Deus abençoe os nossos amigos e todas as Famílias de Caná! Ámen.     

 

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Gratidão...

por Teresa Power, em 07.03.15

...Porque hoje é o Retiro de Quaresma Famílias de Caná.

...Porque o Senhor Bispo estará connosco.

...Porque o sol brilha, a primavera chegou.

...Porque já não estou cansada.

...Porque nas últimas semanas, numa altura de cansaço imenso e algum desalento, recebi mais provas de amizade do que merecia, desde um postal que chegou pelo correio com uma mensagem de força, ânimo e oração...

...até esta belíssima lasanha, que uma amiga - mãe de família de caná - trouxe para alimentar a minha família sem que eu tivesse de fazer o jantar!

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             (Quem gosta de lasanha? EEEEEEuuuuuuu!)

 

Obrigada, Senhor, por tantos, tantos dons! Obrigada por esbanjares o teu amor na minha vida, e cobrires com as tuas ondas de misericórdia esta praia que eu sou!

Obrigada!

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"Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios..."

(Sl 103/102)

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Conjugando o verbo amar

por Teresa Power, em 28.02.15

- Sabes, mamã, a minha melhor amiga é a Leonor. - Diz-me a Lúcia, enquanto a ajudo no banho. Geralmente, durante a hora do banho dos mais novos temos sempre conversas muito profundas.

- Ai sim? Nunca tinha ouvido falar na Leonor!

- Pois não. Ela é nova na escola.

- E já é a tua melhor amiga?

- Sim. Quando ela chegou à escola, ela veio ter comigo e perguntou: «Queres ser a minha melhor amiga?» Eu respondi: «Quero!» E agora somos as melhores amigas.

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 A conversa da Lúcia acordou em mim memórias queridas da infância. Recordo com nitidez a escolha de cada uma das minhas "melhores amigas", e todas elas foram feitas da mesma forma, pelo menos até aos meus dez, onze anos. Uma decisão. A minha primeira "melhor amiga" tinha os cabelos tão longos, tão longos (tão diferentes dos meus, curtinhos e rebeldes), que me lembrava uma princesa dos contos de fadas. Quem não queria ser amigo de uma princesa? A segunda era a minha vizinha de cima, pelo que dava muito jeito sermos melhores amigas, para aproveitarmos bem todo o tempo juntas. A terceira era a minha vizinha de baixo. Decisões tomadas instantaneamente, e alimentadas todos os dias com muita brincadeira.

 

O amor é sempre uma decisão. Na base de qualquer relação de amor ou amizade podem estar as mais variadas razões - incluindo a semelhança do amigo ou amado com um príncipe ou princesa de conto de fadas... - mas depois de feita a escolha, é preciso alimentá-la diariamente, através da decisão. Amar é agir, fazer, atuar; porque amar é um verbo, tal como Deus é Verbo - o Verbo feito carne (Jo 1, 14).

Custa, manter a fidelidade a um amor que se sente como passado? Custa, amar sempre, e amar quem não merece ser amado? Custa amar os colegas de trabalho menos simpáticos, os amigos que nos magoaram, os alunos insolentes, os vizinhos barulhentos? Custa alimentar a amizade com os amigos distantes, não esquecendo as datas importantes e oferecendo o nosso serviço? E no entanto, se não amarmos, nunca conheceremos a verdadeira alegria... Um ato de vontade, uma decisão, e uma oração: "Senhor, ajuda-me a amar! Senhor, dá-me a alegria de amar..."

Nos Evangelhos, este verbo "amar" está no imperativo:

 

"É este o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei." (Jo 15, 12)

 

 

 

 

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Amigos

por Teresa Power, em 12.02.15

O dia de anos do António começou muito cedo. Seis horas da manhã, e já cantavam galos e meninos! Feliz, o António abria presentes e recebia abraços. Ena, as figurinhas do Jake e dos Piratas! Ah, e balões, que prenda magnífica! E tanto papel de embrulho para espalhar por todo o lado... Na cozinha havia croissants e pães com chocolate. E sobre a banca, o bolo que a Isabel fizera, pronto para ir para a escola.

Como nas tardes de quarta-feira não tenho aulas, o aniversário do António foi especial: na escolinha, os seus amigos cantaram os parabéns e partilharam o bolo; e logo depois do lanche, fui buscar o António e mais quatro amigos, para continuarem a festa cá em casa. Foi a primeira vez que o António festejou o seu aniversário com amigos da escola, e estava tão feliz!

 

Eu confesso que estava desejosa de conhecer mais de perto os seus amigos. Recordo as festas de anos do Francisco e da Clarinha, quando eram assim pequeninos... Ainda ontem me cruzei com um dos amigos do Francisco, que costumava vir aqui brincar nas festinhas e a quem tive de consolar mais do que uma vez, sentando-o ao meu colo por alguém lhe ter tirado um brinquedo. Ontem tive de olhar para cima para o poder cumprimentar... Meu Deus, como o tempo passa, e como eles crescem! As amigas da Clarinha estão altas e bonitas. Continuam a vir cá a casa, mas já não brincam com as bonecas: agora dançam no quarto, ou vão juntas dar um passeio de bicicleta.

O David tem grandes e bons amigos, que vêm cá brincar de vez em quando. Também já conheço as amigas da Lúcia, e elas também já conhecem a nossa casa, com tudo o que lhe pertence - os cães, os gatos, as galinhas, o barulho, a confusão.

Ontem fiquei a conhecer os amigos do António, de quem ele já falava há muito tempo. E pude observá-lo a brincar, a ser generoso, a zangar-se, a sorrir, a partilhar, a gerir emoções e pequenos conflitos...

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- Vai chamar o teu primo - Diz um dos amigos, filho único.

- Não é primo, é mano - Responde o António.

- Mano? E o outro também? - Pergunta, admirado.

- Sim, são todos manos!

 

- Vou ver bonecos - Diz-me outro menino, entrando disparado na sala e procurando qualquer coisa com o olhar. - Onde está o comando?

- Nós não vemos televisão cá em casa senão ao fim-de-semana - Respondo, sorrindo.

- Então com que é que brincam?

- Com os bonecos de brincar, não de ver. Já viste a coleção de animais do António? Vem que eu mostro-te!

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O António e os seus amigos irão crescer. Qualquer dia deixo de conseguir pegar-lhes ao colo ou intervir nas suas disputas. Alguns irão afastar-se, outros permanecerão fiéis, novos amigos se lhes juntarão. Como os irmãos, também o António terá de aprender a construir amizades, o que não é assim tão fácil! Agora está apenas a dar os primeiros passos.

Para se ter um amigo, é preciso reconhecer, antes de mais, que não se é o centro do mundo.  E alguns meninos, habituados ao primeiro lugar dentro da sua família - idolatrados, mas não necessariamente mais amados - irão descobrir isso demasiado tarde...

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Os amigos dos nossos filhos são um pouco também nossos filhos. Damos-lhes o lanche, abrimos-lhes a porta da nossa casa e da nossa vida, e oferecemos-lhes a gratidão que sentimos por quererem bem aos nossos. A vida sem amigos torna-se tão triste e vazia! Bem diz o Senhor:

 

"Um amigo fiel é uma poderosa proteção:

quem o encontra, encontra um tesouro."

(Ecl. 6, 14)

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 Abençoa, Senhor, os amigos dos meus filhos e os meus amigos! Que eles Te encontrem na luz da nossa amizade...

 

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Eu não sou Charlie

por Teresa Power, em 13.01.15

No domingo, a nossa casa voltou a encher-se: a família Almeida, com os seus três filhotes, veio visitar-nos e passar o dia connosco; ao mesmo tempo,  e por feliz coincidência, uma grande amiga precisou de nos confiar três dos seus nove filhos durante o dia. Assim, a nossa mesa à hora de almoço serviu para duas levas de almoços - uma com nove crianças, a outra - mais tarde - com os adultos e o Francisco e a Clarinha, que ficaram bastante aliviados por fazerem parte do grupo dos "grandes":

 

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O dia, naturalmente, passou-se entre correrias, brincadeiras, gritos de alegria, pequenos amuos, e muita animação, em casa, no jardim e sobretudo em Náturia. Antes da despedida, houve tempo para uma oração de louvor cantada e dançada, e um terço muito animado:

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No final, depois de todos irem embora, sentámo-nos à mesa para um jantar rápido, que o sono já era muito. Foi então que o Niall teve esta conversa caricata com a Lúcia:

- Lúcia, queria dizer-te uma coisa.

- Sim?

- Sim. Da próxima vez que estiveres com os teus amigos a brincar, há uma brincadeira que não podes fazer.

- Ai há?

- Há. Não podes estar sentada no muro a fazer caretas para os carros que passam na rua.

- ...

- Lúcia, nunca mais repetes isso, pois não?

- Não...

- Ainda bem.

 

Gerou-se quase um minuto de silêncio, pontuado por uma troca de olhares e sorrisos dissimulados, enquanto todos procurávamos imaginar a cena a que só o Niall assistira. Depois, a conversa retomou a alegria habitual.

 

À noite, vi nas notícias os milhões que desfilaram pelas ruas de Paris. Alegadamente, protestavam contra o terrorismo e a favor da liberdade de expressão. Contudo, os cartazes que carregavam deixaram-me um travo muito amargo na garganta: "Je suis Charlie". Que significa este slogan afinal? Que nos revemos no mau gosto das caricaturas, no insulto brejeiro e na sátira racista do jornal vitimado? Responder-me-ão, claro, que não importa se concordamos ou não com o jornal em causa, porque o importante é a liberdade de expressão. Liberdade de expressão? Será liberdade de expressão insultar o outro? Será que ser ocidental significa poder sentar-me sobre o muro do meu jardim e fazer caretas para quem passa na rua?

A Bíblia é bastante mais antiga que a nossa carta de direitos humanos, de que tanto nos orgulhamos. Na Bíblia, estão magistralmente compilados dez mandamentos, que visam precisamente a boa harmonia entre os homens e entre os homens e Deus. O oitavo diz assim:

 

"Não levantarás falso testemunho contra o próximo." (Deut 5, 20)

 

Desculpem-me o desabafo, mas depois de ver o triste slogan "Eu sou Charlie" percorrendo toda a comunicação social, incluindo a imprensa cristã, não pude ficar calada. Que hipocrisia! Dizem os jornalistas por esse mundo fora, e neste nosso Portugal, estarem dispostos a morrer pela liberdade de expressão. Não me lembro de ver nenhuma manifestação de milhões de pessoas nos últimos tempos, defendendo a liberdade de expressão dos cristãos nos países onde o terror é a palavra de ordem de cada manhã, e onde se é assassinado sem nunca se ter sequer aberto a boca para ofender seja quem for. O século XX teve mais mártires cristãos do que os outros dezanove séculos juntos, e o século XXI não parece ser muito diferente. Milhões a sair em sua defesa?... Asia Bibi está há cinco anos presa por ter bebido água de um poço que pertencia a muçulmanos. Mãe de cinco filhos, aguarda o enforcamento. Nem ela, nem a família aceitam renegar a fé cristã, que lhe traria a liberdade imediata. Quantas manifestações têm ocupado a nossa imprensa tão livre, as nossas praças tão orgulhosamente liberais, as nossas televisões tão isentas? Quando eu vir algum destes manifestantes parisienses a segurar um estandarte que diga "Eu sou cristão" - não por se identificar com os cristãos, mas por se identificar com a causa da liberdade de expressão dos cristãos perseguidos, claro... - então eu acreditarei na sua sinceridade.

 

E já agora, caros leitores, a liberdade de expressão não é o valor supremo pelo qual nos devemos bater. O valor supremo é o amor. Tudo o resto é relativo, porque tudo o resto está subordinado a este valor absoluto - até a liberdade de expressão... Já Santo Agostinho dizia: "Ama e faz o que quiseres." E o Evangelho não nos dá nenhum outro critério para o julgamento final que não o amor. Leiam Mateus 25...

 

 

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Caravanas de amigos

por Teresa Power, em 06.01.15

Via Sacra de Natal levou-nos a percorrer o caminho que os pastorinhos faziam, todos os dias, descalços, entre as suas casas e a Cova da Iria, os Valinhos ou a Loca. As crianças, alegres, lembravam-me esses mesmos pastorinhos, cabriolando pelos campos e apanhando flores, ao som das nossas Avé-Marias:

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E enquanto brincavam, faziam amigos:

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Vejam por exemplo a cara de felicidade da Helena, ao fundo, caminhando com uma filha aos gritos atravessada nos braços!

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 Ou imaginem a correria por estas rochas brancas, acima e abaixo, como cabritos monteses!

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 Os jovens também seguiam em grupo, fazendo amigos enquanto rezavam afincadamente:

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E de repente, deixei de saber onde estavam os meus filhos! Calculem que até deixei de saber com quem seguia a Sara, de apenas dois anos, pois tão depressa a via empurrada na cadeirinha pelo paciente João Teles, como às cavalitas da Lilian, como ao colo da Raquel, que com oito anos, insistia em cuidar da minha filha...

Lembrei-me então da caravana da Sagrada Família, entre Nazaré e Jerusalém, todos os anos pela Páscoa:

 

"Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando ele fez doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o Menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos..." (Lc 2, 41-44)

 

Nunca entendi muito bem como podiam Maria e José ter perdido Jesus. Com seis filhos, como eu, ainda vá que não vá, mas com um?... Maria nem sequer precisava de "fazer a contagem", gesto que eu repito várias vezes por dia, em ocasiões festivas! O que se teria passado?

Em Fátima, no Caminho dos Pastorinhos, entendi. Maria e José viajavam no meio de amigos! Jesus fazia parte de uma grande família - a tribo, a aldeia inteira. Este conceito de família alargada era tão forte na altura, que os judeus usavam a mesma palavra para referir "irmãos" ou "primos". Todos se sentiam unidos pelos laços tribais. E como geralmente as famílias eram muito numerosas, as caravanas deviam ser fenomenais! Se a nossa em Fátima já foi interessante, imaginem as de então...

Assim, Jesus caminharia com os jovens da sua idade, e os seus pais não tinham com que se preocupar. Ele havia de chegar, e chegar bem!

Em Fátima, dei graças a Deus por estas caravanas de amizade, onde os nossos filhos são também filhos de todos, onde cada um cuida dos seus sem esquecer os dos outros. Que alegria, quando as famílias podem confiar nos amigos, certos de que, juntos, havemos de chegar à meta! As nossas tribos são mais latas que as dos judeus, pois podem estender-se a todos os homens e mulheres de boa vontade, de qualquer raça, cor, nação ou religião...

Rezo hoje insistentemente por aqueles que caminham sem nenhuma caravana, segurando os filhos pela mão com medo que se magoem pelo caminho. Rezo para que as nossas Famílias de Caná cresçam em Aldeias, onde os filhos dos outros são meus filhos também, e onde nos podemos perder sem medo, porque à frente ou atrás, à direita ou à esquerda, está um colo, um abraço, uma mão amiga... Ámen!

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