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Primeira Comunhão

por Teresa Power, em 25.04.15

O dia dezanove de abril está gravado no crucifixo que o David, desde então, traz ao peito; e está gravado no seu peito. Neste post, escrevi sobre a tranquilidade e a alegria pura deste dia. Hoje vou falar-vos um bocadinho daquilo que vivemos na Eucaristia...

Os meninos da primeira comunhão começaram o dia com uma breve procissão diante do santuário. Na mão, levavam uma flor, para no final da Eucaristia oferecerem a Nossa Senhora. O David ia, como costume, muito compenetrado:

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A entrada solene no santuário emocionou-me, e foi com dificuldade que continuei a cantar ao microfone. "Vinde e louvai-O!" Cantavamos todos, com voz sonora e decidida. E os meninos vieram e louvaram Jesus, sempre em procissão. Na coxia central, pararam cada um ao lado do banco onde se encontrava a sua família, e depois de uma genuflexão bem feita, mantiveram-se de pé.

Uma das belas surpresas que tive nesta paróquia foi a forma como, na primeira comunhão, as crianças permanecem junto dos pais e da sua família, e não em grupo nos primeiros bancos. Assim, nem elas, nem os pais se distraem, e o momento mais belo das suas curtas vidas acontece a nosso lado e sob o nosso olhar. Estar ao lado do David - como já estive ao lado da Clarinha, que também fez a sua primeira comunhão neste santuário - foi para mim um enorme privilégio.

A Clarinha cantou o salmo, o David leu uma oração dos fiéis, e todos participámos de coração na cerimónia. Às vezes, a voz faltava-me e sentia os olhos molhados, mas acho que ninguém deu conta...

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- David e Matilde, querem mostrar a todos o painel que o grupo construiu? - O senhor padre falava aos meninos do encontro profundo com Jesus, o Bom Pastor. - Cada um de vós é uma ovelhinha diferente, especial, única; e cada um de vós quer viver a sua vida nos prados do Bom Pastor, Aquele que dá a sua vida...

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Depois da comunhão, as catequistas tinham uma lembrança para os meninos: um livro de orações feito por elas e muito personalizado. Os meninos adoraram! Desde então, todos os dias o David se senta com o seu livro, acompanhando com ele os mistérios do Rosário.

Ao receber o seu livrinho, o David sussurrou à Carla, sua querida catequista: "Também tenho um presente para ti!" O presente era um simples cartãozinho, feito com muito esforço e carinho. Nele, o David escreveu o versículo da Carta de S. Paulo aos Gálatas:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!" (Gl 2, 20)

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Depois, nós, os pais, oferecemos às duas evangelizadoras dois lindos ramos de flores, com esta mensagem:

 

"Queridas evangelizadoras
Hoje, Jesus vive de modo especial no coração dos nossos filhos. A nossa alegria é profunda, e a nossa gratidão imensa: sabemos que este dia aconteceu graças também à vossa fé, ao vosso carinho, às horas que ambas passaram a preparar as evangelizações, a imaginar formas diferentes e interessantes de trabalhar com os nossos filhos as histórias de Jesus. Agradecemos a paciência com que os ensinam todas as semanas. Agradecemos, acima de tudo, o vosso amor por Jesus, pois é esse amor que vos faz trabalhar com os nossos meninos. Por tudo, e sempre, o nosso obrigado!"

 

E neste obrigado sentido, fica aqui a minha homenagem a todos os catequistas e evangelizadores que trabalham com as crianças cristãs. É um trabalho gratuito, difícil, demorado, às vezes sem ver frutos imediatos, e mais vezes ainda sem ouvir um "obrigado". Mas o Senhor, que vê o que está oculto, não os deixará sem a sua recompensa. Bem-hajam especialmente a Carla, aTeresa, o João e a Isabel, catequistas dos nossos filhos; e a Paula, na Barra, onde o Francisco fez a sua primeira comunhão há alguns anos atrás! 

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E a comunhão do David? A mesa está posta, o Pão e o Vinho preparados. Jesus já entregou a sua vida. Tudo está consumado. Falta a nossa parte... É preciso deixar o nosso lugar e correr ao manancial da vida, à Fonte de Eternidade. O David dá um passo e fica diante de Jesus. Depois, cheio de felicidade, recebe Jesus em sua casa.

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A seu lado,o Niall e eu acompanhamos o David em oração intensa. Depois, também nós comungamos.

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De volta ao lugar, o David reza, muito compenetrado.

Regresso ao meu lugar na condução do coro, cantando com emoção um cântico que escrevi há alguns anos, e escolhi de propósito para este dia: "Nada me separará do teu amor, ó Senhor!" Porque como diz S. Paulo,

 

"Nem a morte, nem a vida,

nem a altura, nem a profundidade,

nem a largura, nem o abismo,

nem o passado, nem o futuro,

nem os anjos, nem os principados,

nem qualquer outra criatura

nos poderá separar do amor de Deus,

manifestado em Jesus Cristo, Nosso Senhor."

(Rm 8, 35-39)

 

 

Que nada separe estes meninos do amor de Jesus!

Que cada Eucaristia seja um renovar da comunhão intensa com o Senhor!

Que cada comunhão seja a primeira e a última, a única, a definitiva. Ámen! Aleluia!

 

E se quiserem ver e escutar a alegria com que cantámos e dançámos o cântico final, vão ao blogue da Lena, nossa acólita e mãe de uma linda Família de Caná. Do altar, onde servia, ela filmou este belo cântico... Cantem connosco!

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Primeira confissão

por Teresa Power, em 06.03.15

Os meninos do grupo dos seis anos - o primeiro ano de catequese - fez no sábado passado a sua confissão quaresmal. Para quase todos, tratou-se da primeira confissão, pelo que os catequistas João e Isabel (uma bela Família de Caná!) não pouparam esforços para que fosse uma experiência memorável. O encontro do nosso pecado com o perdão transbordante do Senhor tem de ser uma ocasião de festa, e é preciso que as crianças o vejam assim!

A Laura Puet, no seu blog La Familia, Lugar de Fiesta, na Argentina, mostrou-nos como se pode fazer uma celebração penitencial belíssima com crianças pequeninas. Utilizando algumas das suas ideias (que vêm ao encontro da nossa simbologia quaresmal cá em casa), o João e a Isabel prepararam um poster com a imagem de Jesus, Bom Pastor. Depois, cada criança que se confessava trazia a sua ovelhinha, bem identificada, até junto de Jesus, onde a colocava com muita alegria:

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 Falar de perdão é, na verdade, falar de uma grande festa. Diz o Senhor:

 

"Qual de vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai em busca da ovelha perdida até a encontrar? Quando a encontra, com que alegria a coloca aos ombros! Volta então para casa e chama os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: «Alegrai-vos comigo porque encontrei a ovelha perdida.» Eu vos digo que também no céu haverá mais alegria por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão." (Lc 15, 1-7)

 

Não afastemos as crianças pequeninas desta grande festa! O reencontro com o Bom Pastor é a maior alegria que podemos experimentar na vida, e elas devem sabê-lo desde muito pequeninas. Não terão certamente "pecados de chumbo" para apresentar ao Senhor, mas aos seis anos já têm um bom quilinho de "pecados de algodão"! Todos os dias as ensinamos a pedir desculpa - a nós, ao professor, ao irmão... Porque bateu no amigo, porque falou alto na aula, porque tirou um brinquedo ao mano, porque mentiu à mãe... Ensinemo-las também a pedir desculpa ao Senhor!

E Jesus toma-las-á aos ombros, cheio de alegria, chamará os amigos e vizinhos do céu e da terra e fará uma festa...

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Festa da Fé

por Teresa Power, em 20.01.15

No sábado e no domingo passados, a nossa paróquia celebrou a sua fé numa grande festa, que envolveu pequenos e grandes.

As festas da catequese são, na nossa paróquia, vividas por toda a paróquia e todos os grupos de catequese em conjunto. Assim também a chamada Profissão de Fé, que nós celebramos com solenidade nestes dias.

No sábado, convidámos S. Sebastião, esse grande mártir cristão, numa procissão simbólica pelas ruas da aldeia, para vir celebrar connosco. Entre cânticos e mistérios do rosário, as crianças da catequese e os seus pais trouxeram o andor da sua capela até ao santuário:

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Depois, no santuário, o grupo de crianças que se prepara para a primeira comunhão - entre os quais o David - fez-nos um belíssimo ensinamento sobre o Papa Francisco. A Carla, a catequista, escreveu o texto, depois de ler muito sobre a vida do nosso querido papa, e o João, o catequista da Lúcia, vestiu-se de branco. Os meninos da primeira comunhão fizeram então uma visita imaginária ao vaticano e estavam carregados de perguntas!

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Entretanto, os grupos de catequese juvenis e de preparação para o crisma fizeram a sua reflexão numa outra capela da nossa aldeia: a capela de S. Mateus, onde se venera Santo Amaro. Também ele foi "convidado" para celebrar connosco a fé cristã! Numa caminhada pontuada com oração e cânticos, os jovens trouxeram o andor de Santo Amaro até ao santuário.

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No domingo, na missa, fizemos então a nossa profissão de fé. Os andores de S. Sebastião e de Santo Amaro recordavam-nos que vale a pena viver e morrer por Jesus:

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Depois, ao rezarmos o nosso credo, professando a nossa fé, todos acendemos as velas baptismais:

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Que significa, no mundo de hoje, professar a nossa fé? Que significa realmente dizer "Eu sou Cristão"?

Para muitas famílias das nossas paróquias, infelizmente, ainda não significa muito. Foram muitas as ausências nesta grande festa, talvez porque estava a chover, ou porque a missa foi antecipada meia hora e é difícil levantar cedo ao domingo depois de uma semana inteira de trabalho duro; ou talvez - e esta doi mais... - porque o nosso - o meu - testemunho de crentes ainda não é suficientemente contagiante.

Que significa realmente dizer "Eu sou Cristão"?

Para muitas famílias por esse mundo fora, significa arriscar a vida, como S. Sebastião; significa arriscar ser preso e viver pobre, ver os seus filhos morrer, perder a casa e os bens. Nunca é demais lembrar os milhares de irmãos nossos perseguidos e assassinados nos dias de hoje!

E para mim? Que significado tem acender a vela do meu baptismo e professar o meu Credo?

Faço-me cada vez com mais frequência esta pergunta. Serei verdadeiramente cristã, nos meus gestos, na minha forma de viver, na educação que dou aos meus filhos? Saberei realmente renunciar a cada dia ao meu conforto, aos meus interesses, à minha vaidade e ao meu amor-próprio, para seguir Aquele que deu a vida por mim?

 

"Vim trazer o fogo à terra, e que ânsias até que ele se ateie!"

(Lc 12, 50)

 

Será a chama da minha vela suficientemente forte, para atear à minha volta este fogo luminoso de amor?...

 

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Dizer sim

por Teresa Power, em 07.12.14

A catequista do David veio ter comigo no fim da missa de domingo passado:

- Viste o caderno do teu filho, no final da catequese?

- Não - confessei - Sábados não costumo ter tempo para espreitar cadernos... Mas porquê?

- Na catequese falámos de Maria. Falámos da generosidade de Maria, capaz de dizer "sim" ao Senhor sem reservas.

 

"Maria disse então: 'Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra.' E o anjo deixou-a." (Lc 1, 38)

 

E a catequista continuou:

- Seguimos a evangelização que propuseste nos Mistérios da Fé (volume 3) sobre a Anunciação. Assim, fiz com eles a actividade que sugeres: tomar nota de três ocasiões em que cada um se sente chamado a dizer "sim". As respostas foram semelhantes: obediência aos pais ou ao professor, ir à catequese, ajudar os outros... Bem, agora espreita o caderno do teu filho.

Fui espreitar. Fiz o scanner da página para vos mostrar:

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No dia 30 de Novembro, o Santo Padre inaugurou o Ano da Vida Consagrada.  A entrega total a Deus, na vida religiosa ou no sacerdócio, não está fora de moda, pelo contrário! Nalguns países desenvolvidos no mundo, a tendência é exactamente para o crescimento desta resposta radical a Deus. A insatisfação crescente causada por tanto consumismo, a escravidão da moda e o relativismo moderno faz com que muitos se questionem sobre uma entrega maior da sua vida.

Num retiro que fiz no ano passado em Fátima, quando Vassula visitou Portugal (já falei de True Life in God aqui várias vezes), escutei um testemunho apaixonante de um jovem polaco. Não recordo o seu nome, mas nunca conseguirei esquecer a sua história!

Dizia ele que, a partir da adolescência, e durante toda a sua vida estudantil, descera cada vez mais baixo, praticando todos os pecados que puderem imaginar, consumindo drogas, etc. Um dia, na véspera de um exame, atordoado com a droga e completamente esgotado, fez uma coisa que não fazia há muito tempo: rezou. A sua oração foi apenas isto: "Ó Deus, se Tu existes, ajuda-me a passar neste exame." Depois ligou o computador, e sem saber como nem porquê, viu diante dele aberta uma mensagem lindíssima sobre o amor de Jesus por cada um de nós, no site True Life in God. Começou a ler, e começou a chorar, e decidiu explorar todo o site. Continuou a ler, e continuou a chorar, e quando chegou a madrugada, ainda estava a ler e a chorar. Deitou-se já de manhã, faltando ao exame, e adormeceu por algumas horas. Quando acordou, uma sensação diferente percorria o seu corpo: estava limpo de todas as drogas! Nessa tarde, voltou à universidade, mas não para fazer o exame: decidira mudar de curso e estudar teologia, para descobrir quem era Aquele que o libertara. Quando nos deu o seu testemunho, este jovem estava a um mês de ser ordenado sacerdote.

 

Só o Senhor chama, e quem somos nós para Lhe dizer onde e como chamar? Mas se Ele quiser vir à nossa casa buscar um sacerdote, tenhamos a porta aberta. À radicalidade da sua entrega por nós só podemos responder com radicalidade também! Ámen.

 

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Família a Caminho e o matrimónio, porta aberta ao Senhor

por Teresa Power, em 04.12.14

Há uns tempos, falei-vos da fresta na porta, que o Senhor aproveita para Se esgueirar para dentro da nossa vida.

Olhando para trás, vejo hoje com clareza que uma das frestas mais importantes na minha porta foi o meu matrimónio com o Niall. Juntos, descobrimos o Senhor de uma forma que não teria sido possível em qualquer outra circunstância. Através do matrimónio, tornámo-nos um para o outro canal da graça divina. Deus tem falado ao Niall através de mim, e tem-me falado a mim através do Niall. Pela graça do sacramento, muitas feridas têm sido curadas, muitas graças derramadas. Quantas histórias teríamos para contar!

Alguém me perguntava outro dia, por mail: "Que diferença podem alguns papéis fazer na nossa vida, se nós nos amamos?" Os papéis não podem fazer diferença alguma; mas a graça de Deus pode. S. Paulo explica assim o poder do sacramento do matrimónio:

 

"Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja." (Ef 5, 31-32)

 

Cristo surge nos Evangelhos como o Esposo, o Amado do Cântico dos Cânticos, aquele que é ardentemente esperado e anunciado pelos profetas ao longo de toda a História de Israel:

 

"Poderão jejuar os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado; então, nesses dias, hão-de jejuar." (Lc 5, 34-35)

 

A Igreja surge no Apocalipse como a Esposa, aquela que acolhe o Esposo divino e a Ele se entrega sem retorno:

 

"Vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo." (Ap 21, 2)

 

Pelo sacramento do matrimónio, o amor entre um homem e uma mulher torna-se espelho deste amor entre Cristo e a Igreja, entre o Esposo divino e a alma humana. O Papa Francisco explicou assim este sacramento na sua catequese de quarta-feira, dia 2 de Abril de 1914:

 

"O matrimónio é uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, por força do sacramento, os esposos são investidos de uma verdadeira missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e comuns, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço."

 

Cada família, selada pelo sacramento do matrimónio, é única e tem uma missão única. Hoje quero falar-vos de uma família em especial: a família Duarte Sousa. A Cláudia descobriu este blogue em Maio deste ano, e dois dias depois, inscreveu-se no retiro Famílias de Caná que iria decorrer no dia 24 desse mês. "Atirou-se de cabeça", como ela nos contou no retiro. Hoje, a sua família é uma belíssima Família de Caná, com muitas histórias para contar. E sim, eles decidiram contar essas histórias num blogue: Família a Caminho.

Li o blogue de ponta a ponta há alguns dias, quando a Cláudia o partilhou comigo. Fiquei muito tocada com a forma como Deus Se esgueirou para dentro da vida da Cláudia, era ela já uma jovem adulta... Depois de uma infância infeliz, a Cláudia descobriu o amor de Jesus e fez a sua primeira comunhão aos vinte anos! O seu matrimónio com o Cristóvão, tal como o meu com o Niall, foi para ela uma porta aberta a Deus. E até hoje, essa porta continua escancarada, deixando Deus entrar a jorros de luz.

Deixo-vos com duas fotos do retiro de 24 de Maio, onde aparecem duas das filhotas da Cláudia e do Cristóvão (a Alice era uma bebé muito, muito pequenina), bem moreninhas e simpáticas:

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 Leiam, que vão gostar!

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De olhos vendados

por Teresa Power, em 25.11.14

"Abraão! Abraão! Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar." (Gn 12, 1)

 

O chamamento de Abraão é a primeira narrativa histórica do Livro do Génesis. Para trás, ficam os contos e as parábolas sobre a Criação do mundo. Abraão é o primeiro homem histórico de que temos registo capaz de escutar a voz única e inconfundível do Criador, e de Lhe responder "Sim".

 

- Mas Abraão via Deus? - Queriam saber os mais pequeninos, na sala da Lúcia, na catequese.

- Não, não via, apenas ouvia. Era uma voz paternal, forte, profunda, que Abraão ouvia com os ouvidos do coração...

- Ah! E ele obedeceu a Deus?

- Sim. Abraão obedeceu, seguindo a voz que ouvia, mesmo sem ver. Vou mostrar-vos como foi!

E o catequista da Lúcia chamou uma menina, vendou-lhe os olhos e começou a dar-lhe instruções:

- Para a direita! Agora em frente... Dois passos... Isso. Para a esquerda... Boa! Agora podes sentar-te... Ena, acertaste! Tira a venda: estás sentada na minha cadeira!

A Lúcia regressou a casa eufórica com este jogo tão simples.

- Vês, mãe, já sei como é obedecer a Deus! É como jogar à cabra-cega!

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 Fiquei a pensar nas palavras da Lúcia. Como ela tem razão! A vida assemelha-se tantas vezes a um caminho que percorremos de olhos vendados, totalmente incapazes de vislumbrar o que fica para além da próxima colina ou da curva seguinte... De olhos vendados, sem GPS e sem trilhos marcados, resta-nos apurar os nossos ouvidos interiores e escutar.

 

- Nós temos bem mais sorte do que Abraão - Expliquei eu aos meus catequisandos, mais velhos que a Lúcia.

- E porquê?

- Porque temos mais formas de escutar a voz de Deus...

- Claro! Temos a Bíblia!

- Sim, temos a Bíblia. Milhões e milhões de Palavras de Deus, que podemos escutar sempre que quisermos! Além disso, temos a Igreja, que se esforça por estar atenta ao Senhor, traduzindo a sua Palavra para cada geração. Precisamos de estudar o Catecismo! Se lermos as cartas papais, se lermos as suas catequeses semanais e homilias diárias, por exemplo no site do vaticano, não nos vamos perder no caminho. Naturalmente que, sem a oração pessoal, nenhuma destas palavras, da Bíblia ou do Papa, farão caminho dentro de nós...

 

Oração pessoal, meditação da Bíblia, Catecismo da Igreja Católica: três formas de escutar a voz de Deus! Depois, é preciso abandonar a nossa terra, a nossa zona de conforto, o nosso pecado, os nossos sonhos, os nossos projectos pessoais, e lançarmo-nos à estrada. De olhos vendados, mas de coração atento, saibamos imitar o nosso pai na fé, Abraão, e como ele, montar a nossa tenda no Coração do Senhor...

 

 

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A Visitação da Fada Madrinha

por Teresa Power, em 15.11.14

- Que dia é hoje, mamã?

- Sábado. Hoje não há escola.

- E há catequese?

- Sim, há, António. Para os manos, claro!

- Que bom! A Isabel vem cá a casa e faz um bolo!

 

A Isabel já foi convidada várias vezes pelo nosso pároco para dar catequese. Ela conhece o catecismo e, sobretudo, tem uma grande fé. Mas a Isabel tem recusado, porque aos sábados, na hora da catequese, está muito ocupada: está na casa dos Power a cuidar dos mais pequeninos e a fazer bolo de chocolate! Eu explico:

Lembram-se da forma como comecei a dar catequese, aqui em Mogofores? A falta de catequistas, na altura, era tão grave, que o Niall se viu também na obrigação de colaborar. Afinal, havia um grupo sem catequista! Mas se os dois íamos dar catequese à mesma hora, quem iria cuidar do nosso bebé, o David? A avó adoraria fazer esse serviço, claro, mas vive a trinta quilómetros de distância e tem a seu cargo a sua mãe e minha avó, que sofre de demência e não pode ficar sozinha. Teríamos de levar o David connosco, naturalmente...

Foi então que um pequeno milagre aconteceu: a Isabel, mãe de três meninas, duas das quais iriam ser nossas catequisandas, ofereceu-se para ficar com o David durante essa hora.

- Tens a certeza de que não te importas? - Perguntei várias vezes, antes de aceitar ser catequista. A resposta foi invariável:

- Claro que não me importo! Tu e o Niall dão catequese às minhas filhas, e eu cuido do vosso bebé.

O acordo estava feito. Mas acontece que ao David, se sucedeu a Lúcia, e à Lúcia o António, e ao António a Sara... A Isabel tinha aceite vir à nossa casa sábado à tarde durante uma hora e pouco para cuidar de um bebé, mas não pensara na altura vir a cuidar de mais três! A cada um que nascia, eu perguntava de novo:

- Tens a certeza de que queres continuar a vir aqui sábados à tarde?

E a resposta foi sempre a mesma:

- Claro que sim!

 

Neste ponto, os meus caros leitores podem pensar que a Isabel se senta confortavelmente no sofá, durante a hora da catequese, e folheia uma revista... Nada disso! Eu acho que nessa hora, a Isabel corre e trabalha mais do que eu o dia inteiro, porque quando chego a casa, tenho a louça arrumada, a roupa passada, a roupa estendida, a sala aspirada, os botões pregados nas batas ou nas camisas e, por fim, um bolo a sair do forno para o lanche. Todos os sábados eu fico maravilhada diante de tanta capacidade de trabalho e de serviço. Nunca pedi à Isabel para fazer mais nada senão cuidar dos meus filhos, o que ela faz com esmero. Mas a Isabel arranja sempre tempo para me prestar mil outros serviços!

O Niall e eu já tentámos todas as estratégias para evitar que a Isabel trabalhasse em nossa casa. Um dia em que não conseguimos de todo lavar a louça do almoço (a catequese é logo depois de almoço), cobrimos a banca com um pano grande e colocámos em cima um papel a dizer: "PROIBIDO MEXER. PERIGO DE MORTE". De nada adiantou... Outro dia, atirámos com a desarrumação toda para dentro do escritório e colámos na porta um letreiro a dizer: "SE ENTRAR POR ESTA PORTA ESTARÁ POR SUA CONTA E RISCO. NÃO NOS RESPONSABILIZAMOS PELOS DANOS." Quando regressámos, o escritório estava imaculadamente arrumado. Ainda hoje não entendo como ela conseguiu!

Os pequeninos, claro, adoram a companhia e o bolo de chocolate, que a mãe nunca tem tempo de fazer, mas que a Isabel faz com tanto amor e tanta rapidez!

Quando a Lúcia nasceu, não hesitámos em convidar a Isabel e o marido para padrinhos, o que eles aceitaram com muita alegria. O estatuto de madrinha da Lúcia, aliado à capacidade milagrosa que a Isabel tem de transformar o caos da nossa casa em ordem, mereceu-lhe entre nós o título de "Fada madrinha"

Embora eu tenha muitas e lindas fotografias da Isabel com os meus filhos, achei que ela não iria gostar de as ver publicadas aqui. Assim, pedi à Lúcia que a desenhasse, para vocês a ficarem a conhecer. A Lúcia desenhou pois a Isabel e assinou o seu nome por cima. Acho que agora já a irão reconhecer quando se cruzarem com ela, não é verdade?

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É por tudo isto que a Isabel não dá catequese. Ela está onde Deus lhe pediu para estar, servindo sem que ninguém o saiba, dando sem pedir em troca, fazendo muito mais do que lhe foi pedido. A Isabel vive na perfeição a "quinta pedrinha" das Famílias de Caná, a "Visitação"... Nela se cumprem as palavras de Jesus:

 

"Quem de entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja o vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão." (Mt 20, 26-28)

 

Eu não tenho com que lhe agradecer, para além da minha amizade, da minha oração diária, quando a incluo no grupo dos nossos benfeitores, e da bênção diária que peço ao Senhor para ela e a sua família. Mas Deus tem! Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Um dia, no céu, Deus receberá a Isabel na sua alegria, pegar-lhe-á ao colo e dir-lhe-á, cheio de gratidão: "Agora é a Minha vez..."

 

 

 

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Um baptismo em dia de S. Martinho

por Teresa Power, em 12.11.14

O dia de S. Martinho tem na verdade muitas festas associadas! Para além da festa de S. Martinho, que merece um post à parte, já aqui falei na festa da Ana Maria Javouhey, que foi baptizada a 11 de novembro. Pois bem, cá em casa há ainda uma outra festa: a memória do baptismo da Sara! Foi também no dia de S. Martinho que a Sara, com quase dois meses, foi baptizada. Um dia que recordamos com muito carinho!

Recordo a sensação de estar à porta da Igreja, com a minha filha ao colo, pedindo a Deus e à comunidade cristã licença para entrar... Que emoção, e que experiência profunda de fé! Faz-nos bem tomar consciência de que a fé é um dom, e de que ninguém entra na Igreja de Deus senão através dos irmãos, que nos acolhem, que nos transmitem a fé e que nos ajudam a crescer. Assim, faz-nos bem bater à porta e escutar a voz sonora da comunidade a cantar, e a voz sonora do sacerdote que nos recebe de braços abertos. Disse o Papa Francisco na sua catequese sobre o baptismo:

"O baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna. Eu não posso baptizar-me sozinho, devo pedir o baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, um acto de filiação na Igreja." (8.1.14)

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Como foi bonito, então, caminhar pela igreja dentro com a Sara nos braços, e contemplar os sorrisos nos rostos que se voltavam para nós, em jeito de acolhimento fraterno!

Mais um pouco, e a Sara foi finalmente baptizada. Continua o Papa Francisco a explicar, na sua catequese:

"Com o baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos."

 

Lembro-me da alegria nova, pura e profunda que senti quando a água se derramou sobre a sua cabecita. Foi verdadeiramente um novo nascimento... De repente, ela já não era minha filha, já não estava dependente da minha história ou do meu pecado, mas era toda de Deus!

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Pensando em mim e na minha natural tendência para o pecado, penso também em todas as mães solteiras, abandonadas, traídas que se abeiram da Igreja de Jesus para poderem baptizar os seus bebés... Penso na alegria que devem sentir ao perceber que, a partir do baptismo, aquele bebé está liberto do peso da história dos seus pais, e renasce como filho muito amado de Deus. Que nada nem ninguém nos impeça de pedir o baptismo para os nossos bebés!

 

Envolta numa veste branca, a Sara foi para todos nós, naquela igreja, sinal do poder santificante da graça de Deus. Como diz o Apocalipse:

 

"Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas túnicas e as branquearam no Sangue do Cordeiro." (Ap 7, 14)

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Perceber que a Sara, tão pequenina, antes de alguma vez ter sequer pecado, foi salva pelo Sangue de Jesus, é profundamente comovente. Jesus não espera que pequemos para nos salvar! Jesus nem sequer espera que sejamos capazes de Lhe agradecer! O baptismo dos bebés, ao não exigir sequer que eles se apercebam do dom que recebem, é talvez o sacramento que melhor exprime a gratuidade do amor divino.

 

Os padrinhos seguraram connosco a vela, símbolo da fé. E desde então, nunca deixaram de acompanhar a Sara na sua descoberta do amor de Deus:

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Nem eles, nem, claro, a avó, comovida como sempre fica em todos os baptismos dos seus netos! E tem razão em se comover: a simplicidade da cena de um baptismo esconde uma verdade tão profunda...

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Ontem, dois anos depois deste belo dia, fizemos festa, seguindo o conselho do nosso Papa Francisco na mesma catequese:

"É importante conhecer o dia em que fui imergido nessa corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar-vos um conselho, que é até um dever: hoje em casa, procurai, perguntai a data do baptismo. Conhecer a data do nosso baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não a saber é o de perder a consciência daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Devemos despertar a memória do nosso baptismo."

 

Assim, ontem à noite, para grande surpresa da Sara, colocámos-lhe entre as mãos a vela do seu baptismo, de novo acesa, e cantámos a plenos pulmões, no meio de muitas palmas: "Esta luz pequenina, vou deixá-la brilhar..." Olhem bem para a cara de felicidade:

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Querida Sara, que a luz que seguras entre as mãos brilhe por toda a eternidade, e guie sempre os teus passos! Tu que foste baptizada em Cristo, estás revestida de Cristo! Aleluia! Aleluia!

 

 

 

 

 

 

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Festa das Tendas

por Teresa Power, em 27.10.14

Sábado à tarde, no recinto do Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, as crianças e os jovens da catequese pareciam muito ocupados. Que estariam eles a fazer?

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Sim, estiveram a montar tendas! Algumas mais consistentes...

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 ... Outras mais... naturais!

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 Procurámos encaixar numa hora os sete dias da Festa das Tendas judaica, que acontece por esta altura no mundo judeu, e que Jesus celebrou durante toda a sua vida, em família e com os seus discípulos, para recordar...

...que na vida, tudo é passageiro, a alegria como a dor.

...que na Terra, vivemos acampados, pois a nossa verdadeira casa é o Céu.

...que enquanto alguns vivem em palácios, outros vivem refugiados em tendas sujas e podres, onde tudo falta.

...que nos faz bem passar algum tempo na vida sem os nossos confortos e espaços pessoais.

...que afinal, dependemos muito mais da providência de Deus do que imaginamos...

 

“Senhor, dá-me a conhecer o meu fim e o número dos meus dias,
Para que eu veja como sou efémero.
De poucos palmos fizeste os meus dias,
Diante de Ti a minha existência é como nada.
O homem não é mais do que um sopro!
Ele passa como simples sombra!
É em vão que se agita: amontoa riquezas e não sabe para quem ficam.
Senhor, a minha esperança está em Ti!” (Sl 39/38, 5-8)

 

 

 

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O Caminho para Casa

por Teresa Power, em 09.10.14

- Mamã, posso ir a casa do Rodrigo?

- Podes, António, quando ele te convidar.

- Mas ele já me convidou! Ele disse para eu ir a casa dele.

- Sim, mas eu nunca falei com a mãe dele, não sei onde ele mora nem nada…

- Ah, mas isso eu sei.

- Ai sabes? Então onde fica a casa do teu amigo? Em que terra, em que rua?

- Ele disse que é virar à esquerda.

- ????????

 

No início de mais um ano de catequese, a nossa grande preocupação enquanto catequistas é precisamente dar a conhecer o caminho para Casa. Talvez sejamos ainda mais vagos do que o António perante uma questão tão essencial: como se vai para Casa? Qual o caminho para o Céu, para o abraço de Deus?

Também os Apóstolos se viram um bocadinho aflitos diante desta pergunta:

 

“Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por Mim.»” (Jo 14, 5-6)

 

A catequese e toda a evangelização que possamos fazer nas nossas casas não tem senão este fim: ensinar o Caminho para Casa. E porque o Caminho é Jesus, dar catequese significa marcar encontro com Jesus! Dando a conhecer Jesus às crianças, aos jovens, às famílias, oferecendo a sua Palavra, para que O escutem, oferecendo os seus sacramentos, para que O acolham, abrimos o Caminho seguro que nos leva ao Céu...

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