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Bilhas, crianças e a festa do Evangelho

por Teresa Power, em 30.09.15

Quando chegámos à igreja paroquial da Quinta do Conde, para o Retiro Famílias de Caná, reparámos de imediato nas grande bilhas que estavam colocadas à porta, ornamentando o pequeno e cuidado jardim. “Bilhas!” Pensei. “Bom começo para um retiro sobre As Seis Bilhas das Famílias de Caná…”

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Ao entrar na igreja, apercebi-me de que estava cheia, transbordante de crianças, com os seus risos, a sua alegria, a sua inquietude.

Ainda na véspera do retiro, o Niall e eu tínhamos estado a contar as crianças e os jovens inscritos, e tínhamos sido assaltados por uma espécie de pânico: 64! 64 crianças e jovens para acolher, para evangelizar, para ajudar a fazer encontro com o Senhor enquanto os pais me escutariam, descansados. Como iria ser possível? A equipa que ia trabalhar connosco era grande e estava entusiasmadíssima. A troca de e-mails, nos dias anteriores ao retiro, tinha sido uma verdadeira loucura, e todos pareciam andar a trabalhar a mil à hora… Mas 64 é um número muito elevado, mesmo para uma grande equipa!

Durante a Eucaristia, as crianças foram convidadas a sentar-se à frente, sobre uns tapetes dispostos no chão em sua honra. Os nossos filhos, claro, estavam felicíssimos, e tivemos de lhes lembrar continuamente que a conversa era para pôr em dia lá fora, depois da missa. Eu sorria: que abençoados eles são! De retiro para retiro, ganham novos amigos e vão cimentando as amizades antigas.

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 Chegou a hora do Pai-Nosso. O celebrante, visivelmente satisfeito com a afluência de crianças, convidou-as a subir os degraus do altar para rezarem juntos a oração dos filhos de Deus. Algumas responderam ao convite, e o altar encheu-se de crianças. A Sara bem tentava espreitar por detrás do altar, mas a sua baixa estatura não lhe permitiu grande visão! De mãos dadas, transbordantes de alegria, elas rezaram: “Pai Nosso, que estais nos céus…”

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Mas foi durante a comunhão, quando Jesus Salvador entrou no meu coração, que me deixei tomar totalmente pelas suas Palavras:

 

“Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais,

porque é delas o Reino dos Céus!”

(Lc 18, 16)

 

De repente, apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo, emocionada perante a quantidade de crianças que se aproximaram do altar para receber Jesus, ou simplesmente serem abençoadas, em seu nome, pelo sacerdote. “Deixai vir a Mim as criancinhas…” E de um momento para o outro, fui libertada daquela sensação de pânico. 64 crianças? Podiam ser muitas mais! Se é Jesus quem as chama; se é Jesus quem nos dá esta ordem clara de não as impedir de caminhar ao seu encontro, por que hei de ter medo?

Recordei-me das bilhas de barro à porta da igreja apontando para o essencial: cada criança é uma pequena bilha que o Senhor nos confia, para que nela derramemos a sua Água Viva até transbordar! Quantas bilhas confiou o Senhor a cada um de nós?

Na nossa casa, são seis. No retiro foram 64… O Senhor tem-nos vindo a revelar, pouco a pouco, a sua vontade para este movimento nascente que são as Famílias de Caná. Uma das suas surpresas tem sido o espantoso número de crianças que levamos a Jesus em cada retiro e em cada encontro, e a abertura magnífica ao dom da vida – também através da adoção e do acolhimento de crianças - que as Famílias de Caná vão experimentando nas suas casas, à medida que crescem em proximidade com o Senhor. Uma igreja ou uma casa a transbordar de crianças é um dos mais belos sinais de esperança no nosso mundo!

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O dia foi pleno, profundo e belo. Conversando no carro, a caminho de casa, o Niall e eu sentimo-nos felizes por não termos colocado entraves à obra do Senhor, limitando o número de crianças. Deus gosta de multiplicações!

Mais tarde vim a saber que naquele mesmo domingo, no encerramento do VIII Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia, no qual estiveram presentes mais de um milhão de fiéis, o Papa Francisco dizia: "A ação de Deus no nosso mundo ultrapassa a burocracia, o oficial e os círculos restritos. Deus quer que todos os seus filhos tomem parte na festa do Evangelho.”

Que as Famílias de Caná sejam a ilustração viva das palavras inspiradas do nosso Pastor! Ámen.

 

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As rãs, as teorias da conspiração e a oração familiar

por Teresa Power, em 28.08.15

Na quarta-feira fomos passar a tarde ao pequeno refúgio da serra do Caramulo, onde gostamos de fazer piqueniques e de nadar. Pela primeira vez desde que conhecemos este lugar paradisíaco, há três anos, partilhámos o "nosso" lago com desconhecidos: duas crianças, talvez da idade do David, brincavam alegremente na água. A sua conversa em francês permitiu-nos concluir que se tratavam de filhos de emigrantes, de férias na sua aldeia natal.

Surpreendidos com estes companheiros inesperados de brincadeira, o David, a Lúcia e o António tentaram uma aproximação. As crianças eram simpáticas e bem dispostas, mas estavam a fazer algo que horrorizou os nossos filhos: pegavam em pequenas rãs e apertavam-nas entre os dedos.

- Deixa-a em paz! - Gritava o David, muito aflito. - Não vês que vais matar a rã?

- Mas ela é venenosa! - Respondia o rapazinho, num português trapalhão. - Sabes que as rãs são venenosas?

Os nossos filhos abriam os olhos de espanto:

- Venenosas? As rãs?

- Sim! Elas têm uns furinhos na cabeça por onde ejetam um veneno que te pode cegar para sempre! Para sempre! São muito, muito más!

E com um gesto propositado, o rapazinho estendia o punho cerrado com a rã lá dentro diante do narizito da Sara, tentando assustá-la. A Sara, claro, ficava impávida e serena.

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Observando a interação entre as crianças, passaram-me muitas perguntas pela mente.

Como terão aquelas crianças chegado à conclusão de que as rãs são animais perigosos e merecedores da morte? E da mesma forma - como terão os meus filhos descoberto a beleza das rãs, a sua fragilidade e a sua riqueza? (Bem, esta é fácil...)

De que forma olhamos nós para o mundo que nos rodeia, em particular os nossos vizinhos, as nossas escolas, os nossos locais de trabalho? Vemos veneno em toda a parte, ou procuramos encontrar em tudo a beleza escondida de Deus? Há tantas "teorias da conspiração" a sugar-nos a alegria de viver!

Deverei eu afastar os meus filhos dos locais onde convivem meninos "maldosos"? Serão eles más companhias? De novo, prefiro a perspetiva oposta: os meus filhos é que são boas companhias para essas crianças... Serão as escolas locais seguros? A esmagadora maioria dos professores são pessoas bem intencionadas, procurando educar as crianças nos valores humanos universais.

Quem poderá destruir os nossos filhos e roubar-lhes a inocência? Bem, muita gente, mas apenas - e esta é a grande questão - se nós, pais, deixarmos brechas abertas por onde os ladrões assaltem. Pais que abandonam os seus filhos em frente do televisor ou do computador, ou por horas sem fim no ATL ou na escola; pais que não têm tempo para escutar e observar, conversar e ensinar, são pais que deixam assaltar o seu castelo.

Há um caminho seguro para educarmos uma criança. Tem sido percorrido pelos crentes desde o tempo de Moisés:

 

"Estes mandamentos que hoje te imponho estarão no teu coração. Repeti-los-ás aos teus filhos e refletirás sobre eles, tanto sentado em tua casa, como ao caminhar, ao deitar ou ao levantar. Escrevê-los-ás sobre as ombreiras da tua casa e nas tuas portas." (Dt 6, 6-9)

 

Na sua catequese nesta mesma quarta-feira, 26 de agosto, o Papa atualizou esta Palavra: 

"Na vida da família, além das horas de trabalho e dos momentos de festa, há também o tempo da oração. Sabemos como o tempo é sempre pouco; nunca chega para tudo. É frequente ouvir este lamento: «Devia rezar mais…, mas não tenho tempo». Quem tem uma família, aprende a resolver uma equação que nem os grandes matemáticos conseguem: dentro das vinte e quatro horas do dia, fazem entrar o dobro. Há pais e mães que merecem o Prémio Nobel por isso! O segredo está no afecto que provam pelos seus.

É belo ver as mães ensinando aos filhos pequeninos a mandar um beijo a Jesus ou à sua Mãe bendita. Está aqui o espírito da oração, que nos leva a arranjar tempo para Deus, fazendo-nos sair da obsessão duma vida onde sempre falta tempo, para encontrar a paz das coisas necessárias. E a coisa verdadeiramente essencial, a «parte melhor» do tempo é aquela em que se escuta o Senhor, como fez Maria de Betânia. O Evangelho, lido e meditado em família, é como um pãozinho bom que nutre o coração de todos."

Sejamos então capazes de resolver a grande equação que nos propõe o Papa e, nas vinte e quatro horas de cada dia, dar à catequese e oração familiares o primeiro lugar! A Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada compensará qualquer outra influência que os nossos filhos possam ter recebido durante o seu dia e moldará os seus corações e as suas vidas.  Olhemos para Santa Mónica e Santo Agostinho, que a Igreja celebra nos dias 27 e 28 de agosto: a oração da mãe obteve do céu a santidade do filho...

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Birras e pecados

por Teresa Power, em 20.07.15

- Está, senhor padre? Sim, é o Niall... Tudo bem? Senhor padre, aqui em casa vive uma família de pecadores! Sim... Estávamos aqui a ver se o senhor padre tinha um buraquinho no seu horário para nós, esta tarde! Queríamos confessar-nos antes do retiro de amanhã... Que bom! Vamos já para o carro, assim eu os consiga encontrar a todos nos próximos cinco minutos. Até já!

Logo que o Niall desligou o telefone, corri para o jardim:

- Meninos, vamos confessar-nos! Depressa, para o carro!

- Vamos todos?

- Sim, Francisco, temos de levar todos, claro! Não temos com quem deixar o António e a Sara. Eles ficam por lá a brincar enquanto nos confessamos.

- Mas eu também me quero conversar!

- Tu, António?

- Sim! Eu também me vou conversar!

- Tu ainda és pequenino, António. Já tens pecados?

- Então não tenho? Não te lembras das minhas birras? Nem das vezes em que eu bato na Sara?

- Ah... Lembrar, lembro muito bem! Então anda daí, que também te podes confessar!

 

O Catecismo da Igreja Católica diz que se pode confessar "todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição" (CIC 1457). Se por "discrição" entendermos a consciência de pecado, então o António já tem a maior idade... Aos cinco anos já somos capazes de avaliar as nossas ações e de perceber quando praticamos o mal.

 

Pacientemente, o António esperou pela sua vez para se confessar, e fê-lo com uma enorme felicidade. Ao sair do confessionário, sorridente, abraçou-me e disse:

- Agora vou rezar um bocadinho no meu coração. Sabes, tenho o coração limpinho, sem nenhum pecado! Vais ver: quando chegar a casa vou portar-me sempre bem!

Com a cabeça no meu ombro, rezou a Jesus, enquanto os irmãos se confessavam. Depois, no pátio do Santuário, correu e brincou cheio de alegria, e cheio de Deus.

Olhando para ele a transbordar felicidade, lembrei-me das palavras de Jesus:

 

"Deixai vir as Mim as criancinhas, não as impeçais, porque é delas o Reino dos Céus." (Mt 19, 14)

 

Os sacramentos são poderosos encontros com Jesus, o Salvador. Confessar os nossos pecados, um a um, e escutar as palavras de perdão e salvação é uma das maiores graças que o Senhor nos faz a todos, pequenos e grandes, enquanto caminhamos nesta Terra...

 

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Uma ajuda infantil

por Teresa Power, em 07.05.15

A Sara é quem mais gosta de ajudar cá em casa. Quando repara que estamos ocupados com algum serviço interessante, como descascar legumes para fazer sopa, dobrar meias ou estender roupa, logo se decide ajudar. Como devem imaginar, as coisas tornam-se muito mais rápidas e eficientes quando a Sara nos ajuda... ou não!

Imaginem tentar descascar legumes para uma sopa com a Sara ao lado, os deditos sempre a querer tocar nos legumes que estou a cortar, a faca a evitar não cortar senão legumes... Ou então, pendurar roupa no estendal, esperando pacientemente, para cada peça, que a Sara decida que mola me vai oferecer... Ou tentar fazer uma cama, puxando os lençóis de um lado e vendo a Sara a puxar do outro, voltando ao outro lado para refazer o trabalho e ver a Sara a desfazer do outro. Enfim, ossos de ofício!

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Ás vezes, falta-me a paciência, e para não gritar com a Sara, que não tem culpa nenhuma do meu mau feitio, tranco-me na cozinha a fazer a sopa, ou escondo-me muito bem escondida no jardim a pendurar a roupa, enquanto peço aos mais velhos que vigiem a Sara o tempo suficiente para eu acabar a minha tarefa. Então faço tudo rapida e eficazmente, como gosto, e o trabalho fica realmente bem feito.

 

Ontem, enquanto a Sara me ajudava a descascar batatas, dei comigo a pensar na paciência de Deus. Desde o início da humanidade, Deus decidiu fazer tudo com a nossa ajuda! Em vez de se "trancar" e fazer o trabalho de limpeza e arrumação deste planeta com rapidez e eficiência, Deus decidiu convidar-nos, um a um, para o ajudarmos, e nada faz sem a nossa ajuda. Que paciência infinita!

Quantas vezes escuto comentários como este: "Porque não pára o Senhor de vez com as guerras? Porque não mata a fome a tantos inocentes?" A resposta está aqui: Deus quer precisar de nós para parar as guerras, matar a fome, fazer a paz, curar as feridas, abrir as prisões, levar o amor a todas as periferias da vida. Sim, Ele podia fazer tudo sozinho - mas não o fará. Como Pai, e Pai muito mais amante e paciente do que eu, Deus nada faz sem nós.

Sim, às vezes atrapalhamos a obra de Deus, sobretudo com o nosso orgulho e a nossa teimosia; mas outras vezes, fazemos Deus sorrir, feliz, diante dos nossos esforços sinceros, ainda que pouco eficazes. Então, diante da nossa boa vontade, Deus capacita-nos, dando-nos de graça os dons de que precisamos para a realizar a sua obra. Diz Isaías, e podemos todos dizer:

 

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, curar os desesperados, levar a libertação aos prisioneiros..." (Is 61, 1)

 

Todos os dias, diante da obra da minha família a crescer, diante da obra das Famílias de Caná a crescer, diante do meu trabalho como professora e catequista, eu peço ao Senhor: "Senhor, Tu que caíste na asneira de quereres precisar de mim, não deixes, por favor, que eu atrapalhe a tua obra!" E para não correr o risco de só fazer disparates, como uma certa pessoazinha que eu cá sei, repito muitas e muitas vezes esta invocação: "Nós, Jesus"...

 

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Disparates

por Teresa Power, em 29.04.15

Não sei se todos os leitores deste blogue sabem ou recordam o que é viver com uma criança de dois anos em casa. Para os mais esquecidos, aqui ficam algumas pistas...

Num destes dias, a Sara veio do jardim muito contente, acompanhada do António e da Lúcia. Na mão, segurava isto:

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 Aproximei-me para ver mais de perto o curioso objeto. A Clarinha entrou nesse momento na sala e os gritos que deu fez a nossa casa parecer um filme de terror. Querem ver mais de perto também?

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 Sim, é um rato morto, certamente pelos nossos gatos...

Outro dia, deixei a Sara sentada na sanita. Passados alguns minutos, ela correu para junto de mim, muito satisfeita, a dizer: "Mamã, disparate! Mamã, disparate!" Dirigi-me à casa de banho para ver o disparate... E deparei-me com isto:

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Já não é a primeira vez que a Sara se entretem a desenrolar o papel higiénico, claro!

De outra vez, o telemóvel tocou, tocou, e eu não o conseguia encontrar. Sempre atrás do toque, fui levada até ao jardim, e no jardim, até à oliveira. O som vinha abafado e contínuo. Poderia o telemóvel estar... dentro da oliveira? De repente, vi isto:

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Aproximei-me... E encontrei o que tão desejado telemóvel!

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 Nessa mesma tarde, o Niall tinha recebido uma mensagem supostamente minha, a dizer: "aoytm,m ghrmme yeertidm"... Bem... Tive sorte a mensagem ter ido ter ao Niall e a mais ninguém!

Mas ontem passou das marcas. A Sara apareceu junto de mim sem sapatos, sem meias, sem calças e sem cuecas. "Sara, onde tens a roupa?" Perguntei. "Não sei!" Foi a resposta. Corri a casa toda à procura, mas sem sucesso. Decidi vesti-la com outra roupa, e não pensei mais no assunto. Até que horas depois, no pátio, tive esta visão:

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 Sim, são as casotas dos cães e os seus pratinhos... Mas há mais alguma coisa no recipiente da água. Querem ver mais de perto?

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- Deve ter aprendido contigo, Teresa - Disse-me o Niall a rir, quando o chamei para ver - Passas a vida a lavar roupa! A Sara só te quis imitar!

 

As crianças de dois anos são verdadeiros artistas na arte de esgotar a nossa paciência. Nem sempre reajo pegando na máquina fotográfica... Às vezes, reajo com uma palmadita no rabo e um raspanete. Em dias de maiores disparates, quando a oração familiar é complicada e agitada, ao fazermos a invocação dos nossos santos protetores - Santa Clara, rogai por nós! Irmã Lúcia, rogai por nós! Etc - alguém acrescenta, brincalhão: "Santa Paciência!" e todos respondemos a rir, "Rogai por nós!"

 

Os disparates da Sara fazem-me sempre, sempre meditar no amor de Deus - embora nem sempre na hora...

Diz o Senhor através do profeta Oseias:

 

"Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o, e chamei do Egito o meu filho. Mas quanto mais o chamei, mais ele se afastou. Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar, trazia-o nos meus braços, mas não reconhecia que era Eu quem cuidava dele. Segurava-o com laços humanos, com laços de amor, fui para ele como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto, inclinei-me para ele para lhe dar de comer..." (Os 11, 1-4)

 

Os disparates da Sara, que às vezes me fazem rir, e outras vezes me fazem perder a paciência, em nada beliscam o imenso amor que tenho por ela. Por ela, eu sou capaz de dar a minha vida. E de cada vez que ela corre para mim, dizendo com simplicidade e confiança: "Disparate!" Eu aperto-a contra o peito e parece-me amá-la ainda mais.

Os meus disparates, que às vezes fazem sorrir, outras vezes entristecem o Senhor, em nada beliscam o imenso amor que me tem. Por mim, o Senhor é capaz de dar a vida. Por mim, aliás, Jesus já deu a sua Vida... E de cada vez que corro para os seus braços, dizendo com simplicidade e confiança: "Perdoa-me!" Ele aperta-me contra o peito e ama-me ainda mais...

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O jasmim florido

por Teresa Power, em 17.04.15

O nosso jardim tem sofrido muito ao longo dos anos. Coitado dele! Este pedaço de terra à volta da nossa casa é alvo das mais acérrimas lutas entre flores e bolas de futebol, relva a crescer e sopas para bonecas em panelinhas de plástico, couves verdinhas e galinhas que se soltam do galinheiro. No outro dia de manhã, à hora do pequeno-almoço, os nossos filhos assistiram, boquiabertos, a esta discussão entre o Niall e eu:

- Niall, há galinhas à solta no jardim, olha só pela janela!

- O quê???? Depois de eu ter passado o fim-de-semana curvado a plantar a horta? Será possível? É desta que acabamos com o galinheiro.

- Nem penses! Eu adoro escutar o cacarejar das galinhas logo de manhã!

- Mas eu adoro ver uma horta bonita, e olha só para a desgraça da nossa horta! E esta primavera vou ter de vedar parte do jardim para a relva poder recuperar.

- Não vedas não, que os meninos precisam de espaço para jogar à bola.

- E como queres que tenham relva para jogar à bola se eu nunca lhe der uma oportunidade para recuperar?

- Mãe, pai, está na hora de irmos para a escola - Interrompeu a Clarinha, trocando olhares divertidos com o Francisco.

- OK, falamos de galinhas e crianças mais tarde - Concluí.

Pela hora de almoço, como costume, telefonei ao Niall.

- Niall, desculpa esta manhã. Se achas melhor destruir o galinheiro, eu aceito - Disse-lhe. - E se quiseres, vedamos parte do jardim também.

- Oh, não, eu queria mesmo telefonar-te para te pedir desculpa - Respondeu-me ele - Eu sei que tu gostas das tuas galinhas e que as achas fofinhas. No sábado vou arranjar o galinheiro e refazer a horta. E a relva há-de crescer, deixa lá!

- Não, destruímos o galinheiro.

- Não, não é preciso. As tuas galinhas são umas queridas...

- Mas eu aceito!

- Mas eu não aceito!

E lá discutimos nós novamente... Desta vez, para decidir quem era o primeiro no amor!

 

O jardim, as bolas de futebol, as sopas de ervinhas para as bonecas, as galinhas e a horta lá continuam a conviver, e nós vamos gerindo tudo isto com muita paciência e, sobretudo, muito amor.

Ontem de manhã acordei com um perfume delicioso, vindo do jardim. Um perfume tão forte, que atravessava as janelas fechadas. Abri as cortinas e as portadas, e deparei-me com o jasmim todo em flor:

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 Lembrem-me então de um dos meus livros preferidos na Bíblia, o Cântico dos Cânticos. Diz o Amado:

 

"Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha Amada!

Eis que o inverno já passou,

a chuva parou e foi-se embora;

despontam as flores na terra,

chegou o tempo das canções,

e a voz da rola já se ouve na nossa terra;

a figueira faz brotar os seus figos

e as vinhas floridas exalam perfume.

Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha Amada!"

(Ct 2, 10-13)

 

Abracei o Niall. O jasmim florido era a prova de que necessitávamos para acreditar que mesmo os terrenos mais sofridos se podem deixar trabalhar e cobrir de perfume. O mundo, o outro, os meus defeitos e os problemas que se abatem sobre nós ameaçam destruir o pouco que vamos conseguindo construir? O poder de Deus é muito maior! Os jardins da nossa vida e do nosso sucesso teimam em murchar? O importante é que o nosso jardim interior esteja coberto de flores, e o Senhor se agrade passeando nele...

 

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Infância missionária

por Teresa Power, em 08.01.15

- Mamã, a minha amiga * não conhece histórias da Bíblia. Ela diz que a mãe também não conhece e o pai também não!

- Ai é?

- É. Eu disse-lhe que as histórias da Bíblia são muito giras.

- E ela o que achou?

- Ela pediu-me para lhe contar uma. Contei-lhe a história de Samuel.

- Logo vi...

- Tu sabes que eu adoro essa história!

- Sei. Ela gostou?

- Gostou. E sabes o que fez? Contou a história à mãe. E depois a mãe contou-lhe outra vez a história a ela, e assim ela escutou uma história da Bíblia em casa!

- Que bela ideia!

- Então eu decidi que todos os dias lhe conto uma história da Bíblia diferente. Assim, ela vai ter uma história nova para contar à mãe todos os dias. E assim, a mãe conta-lhe uma história nova todos os dias! E pronto.

- E pronto mesmo :)

 

A Lúcia contou-me este belo exemplo de evangelização na última semana de aulas. Alguns dias mais tarde, nas férias, fui dar com ela a brincar com a Sara e a prima, passando as contas do terço a toda a velocidade:

- Estamos a brincar à oração! Eu era a mãe e estava a ensinar a rezar o terço - Explicou-me ela.

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O Francisco, a Clarinha, o David e até o António também têm as suas pequenas histórias para contar! São geralmente exemplos muito práticos e muito simples de evangelização, de testemunho cristão no meio dos seus amigos, sem beatices ou afectações. A sua forma de demonstrar a amizade que sentem pelos colegas passa pela necessidade de lhes oferecerem Jesus. São vários os colegas do Francisco e da Clarinha que começaram a frequentar a catequese um pouco por contágio de amizade!

 

O Dia de Reis é também o Dia da Infância Missionária. Neste dia, recordamos às nossas crianças que a evangelização é o imperativo de todo o cristão, de qualquer idade. Transmitir, por palavras e por obras, o Evangelho de Jesus a todos os que nos rodeiam não é um luxo ou uma vocação específica, mas um mandamento do Senhor. São de S. Paulo estas palavras fortes e incomodativas:

 

"Ai de mim se não evangelizar!" (1Cor 9, 16)

 

Podemos ser missionários aos quarenta anos,  ou aos seis como a Lúcia. A pequena Jacinta de Fátima tinha sete anos quando Nossa Senhora lhe apareceu, e desde então não deixou de falar de Jesus e de Maria a todos os que a rodeavam!

Há algumas gerações atrás, as crianças eram evangelizadas em casa, pelas suas famílias. Hoje, nas nossas escolas, há crianças cristãs que nunca, nunca ouviram falar de Jesus. Quem chamará Jesus para as evangelizar? É urgente que os nossos filhos, que receberam a graça de aprender a rezar ao colo, que conhecem as histórias da Bíblia, que frequentam os sacramentos, se tornem evangelizadores dos seus amigos. Não desiludamos o Senhor!

 

 

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Deixai vir a Mim as criancinhas

por Teresa Power, em 16.08.14

Na Irlanda fomos à missa algumas vezes. No primeiro domingo que ali passámos, entrámos numa igreja muito bonita e sentámo-nos ao fundo, procurando manter o silêncio. Quem nos conhece, contudo, sabe que estar sossegado na igreja não é exactamente uma das virtudes dos nossos filhos mais novos. Ao descobrirem a escadaria que levava ao coro da igreja, logo se entretiveram a subir e a descer, encantados. Assim, e porque também eramos muitos, não conseguimos passar despercebidos. Foi com alegria que, antes da bênção final, nos apercebemos que o sacerdote falava de nós, dando-nos as boas vindas à sua paróquia. Isto é ser acolhido!

 

No domingo seguinte, regressámos à mesma igreja. Desta vez, para evitar as escadas, sentámo-nos na primeira fila. Asneira... A Sara, que se sente em casa na Casa de Deus, tão habituada está a frequentá-la, manteve naquela igreja desconhecida o à-vontade que tem aqui no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. E sem que eu o pudesse evitar, correu para os degraus do altar, subiu e pôs-se alegremente a brincar no chão. Ficámos estarrecidos, em silêncio absoluto, sem saber o que fazer. Ir buscá-la seria provocar uma enorme birra, com direito a pontapés e tudo; mas deixá-la estar ali poderia levar a algum comentário mais duro do sacerdote, já que não o conhecíamos.

 

Enquanto eu procurava pensar no que fazer, o sacerdote adiantou-se: com um sorriso, pronunciou uma das frases de Jesus que mais gosto de escutar:

 

"Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque é dos que são como elas que é o Reino dos Céus." (Lc 18, 16-17)

 

E acrescentou: "Deixem a menina no altar, que Jesus fica contente!"

A assembleia explodiu então numa gargalhada até aí muito bem contida, e eu suspirei de alívio. Antes de sair da igreja, e diante do sorriso de todos, tirámos uma fotografia junto da estátua de S. Patrício, padroeiro da Irlanda, o santo bispo que introduziu o cristianismo na ilha:

 

                   S. Patrício, rogai por nós!

 

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Crianças e mais crianças

por Teresa Power, em 06.08.14

Desde o primeiro dia que vim à Irlanda, há vinte anos atrás, que fiquei apaixonada por este país. O verde, as falésias de cortar a respiração, os pastos e as vaquinhas, os caminhos estreitos por entre pequenas quintas, tudo me encantou desde o primeiro momento. No entanto, não é essa a vista mais bonita da Irlanda. Vou mostrar-vos qual é:

 

 

Estas fotos foram tiradas num parque infantil, a meio da semana. Sim, como disse ontem no post, a Irlanda transborda de crianças! Durante todo o dia de hoje, passeando no Kennedy Park, não encontrei famílias com menos de três filhos. É realmente fantástico caminhar por entre tanta algazarra e tanta alegria! Eu sei que sou suspeita, porque adoro estar rodeada de pequeninos (acho que já tinham reparado...) mas acreditem que é mesmo giro! Rezemos com força para que o nosso país apoie verdadeiramente as famílias, e para que as famílias cristãs não tenham medo de ter filhos... Não há nada mais bonito que um parque infantil a abarrotar! A sério.

 

"Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra" (Gen 1, 28)

 

Reconhecem os Powers portugueses?

 

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  52. D