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Piratas e bolas de sabão

por Teresa Power, em 12.08.15

Férias é tempo de brincadeira. Na montanha, não fizemos nós outra coisa!

Conhecem o Barco dos Piratas da Terra do Nunca?

- Eu sou o Barrica! - Apressava-se a gritar a Sara, entusiasmadíssima. E olhem que nenhum caiu lá de cima!

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 Numa das idas do pai ao hipermercado, a vinte minutos da nossa casa, os meninos receberam um presente magnífico: bolas de sabão! Vejam só o que acontece quando se espalham bolas de sabão no céu, na terra e na água... Quanta beleza!

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 Perto da nossa casa de férias encontrámos uma fantástica casinha numa árvore. Teria pertencido a alguma criança no passado? Hoje, apenas quatro crianças habitam na aldeia durante o ano inteiro...

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 Numa das suas expedições, os meninos descobriram que podiam brincar no socalco por cima da casa, ou seja... no telhado:

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 E noutro dia descobriram o galinheiro com a vista mais bela do mundo:

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Numa das nossas manhãs na barragem, o Francisco utilizou o seu canivete e a sua imaginação e construiu esta deliciosa canoa em miniatura:

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Por fim, junto ao rio havia todo o tipo de objetos curiosos, pertencentes a uma casinha abandonada, e que serviram para grandes brincadeiras:

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 Um fim de tarde, o dono do galinheiro passou por nós e ofereceu-nos um saquinho com todos os ovos do dia. Ficámos encantados, e entabulámos uma agradável conversa. Mas houve uma frase deste simpático senhor que me chocou. Dizia eu:

- Que bonito que isto é! A serra, a fonte, os animais, tudo tão bonito!

Ao que ele comentou:

- Bonito? Isto? Não há nada bonito aqui! Nada bonito aqui!

E enquanto se afastava, continuava a murmurar, abanando a cabeça:

- Não há nada bonito aqui!

Fiquei em silêncio. Claro que percebi a mensagem: o que para mim são férias e lazer, para ele é trabalho e suor. Mas onde terá ele deixado a pureza de olhar que nos permite transformar um palheiro abandonado num barco de piratas? Quando terá ele crescido assim tanto?

Senhor, dá-me um coração de criança, capaz de se alegrar com as coisas simples que me ofereces! Ensina-me a amar a minha rotina, a minha realidade, sem reclamar, e a perder tempo com uma bola de sabão a fluturar nas águas de um rio...

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 "Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque dos que são como elas é o Reino dos Céus!" (Mt 19, 13-15)

 

Ámen!

 

 

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Flores na rocha

por Teresa Power, em 08.08.15

- Mãe, já viste como são bonitas as flores da montanha?

- Sim, António, são maravilhosas... E já reparaste que não precisam de quase nada para viverem?

- Pois é! Elas nascem nas pedras!

- Basta-lhes um espacinho entre as rochas, um bocadinho de terra, umas gotinhas de chuva aqui e ali, e olha que bonitas ficam!

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 Na Laudato Si - Louvado Sejas - , a nova encíclica do Papa Francisco, o Papa escreveu (nº222):

 

"É importante adotar um antigo ensinamento, presente em distintas tradições religiosas e também na Bíblia. Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». Com efeito, a acumulação constante de possibilidades para consumir distrai o coração e impede de dar o devido apreço a cada coisa e a cada momento. Pelo contrário, tornar-se serenamente presente diante de cada realidade, por mais pequena que seja, abre-nos muitas mais possibilidades de compreensão e realização pessoal. A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres."

 

Deixem-me sublinhar esta frase: "sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos."

 

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 A vida é tão simples, e nós complicamo-la tanto! Um pedacinho de terra, um espacinho entre duas pedras, umas gotinhas de chuva...

 

"Olhai os lírios do campo: não fiam nem tecem, e nem Salomão, com toda a sua magnificência, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis..." (Mt 6, 28-31)

 

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 Encontrar alegria nas pequenas coisas, saborear cada detalhe que nos é concedido viver, descobrir o trigo no meio do joio, brincar à chuva e ao sol, não invejar os bens alheios, não nos apegarmos aos nossos, e sobretudo, recusar o queixume - eis o segredo da verdadeira felicidade!

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 Ah, e se quiserem ir mais longe e encontrar magia na montanha, escondida nas fontes e crescendo nas rochas, visitem o canal de magia do Francisco... Divirtam-se e mostrem aos vossos filhos. Há lá muito para descobrir!

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Nevoeiro

por Teresa Power, em 07.08.15

A nossa semana de férias foi muito variada e interessante em termos atmosféricos. Tão depressa tomámos banhos de sol...

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 ... como de chuva - literalmente!

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A chuva nunca foi, para nós, um impedimento a mergulhar nas águas atraentes da lagoa. Um dia em que tive de contactar a proprietária da casa por telefone, ela manifestou a sua preocupação connosco, por causa da chuva miudinha que caía. Dei uma gargalhada: naquele preciso momento, todos os meus filhos estavam dentro de água!

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Um dia, ao acordar, olhámos pela janela e não vimos absolutamente nada... Estava tudo branco!  Não se via o jardim, nem o caminho, nem a fonte, nem sequer a montanha, que parecia ter-se dissolvido no ar.

Depois, com uma velocidade incrível, o nevoeiro derreteu-se em gotinhas minúsculas, que o sol aqueceu...

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... e num instante evaporou!

- Como é possível? Ainda agora não se via nada...

- Parecia que não havia montanha!

- Mas ela sempre lá esteve!

- Quem diria! Uma montanha tão grande, e não se via nem uma pontinha!

- Ah!

O nevoeiro tem este poder de nos fazer esquecer o que ele esconde e, se apanhados em plena caminhada, de nos fazer acreditar que estamos perdidos. De facto, se não vemos a montanha, quem nos assegura de que ela lá está? E se não vemos o caminho, como podemos ter a certeza de que estamos no trilho certo? Todos os anos, várias dezenas de caminhantes se perdem nas montanhas.

Mas o nevoeiro são apenas gotículas de chuva, que num instante o sol faz evaporar. De que temos medo?

Cantou o Rei David, no seu belíssimo salmo:

 

"O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Em verdes prados me faz descansar

e conduz-me às águas refrescantes.

Ainda que atravesse vales tenebrosos,

de nenhum mal terei medo

porque Tu estás comigo.

A tua vara e o teu cajado dão-me confiança."

(Sl 23/22)

 

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Que importa o nevoeiro, a chuva, o frio, a tempestade? A montanha continua no mesmo sítio, imensa, imóvel e serena... A fonte continua a cantar, e os caminhos não desapareceram. Na nossa caminhada pelas montanhas da vida não estamos sozinhos! Temos connosco o melhor dos guias de montanha... Não percamos o nosso tempo à espera que o nevoeiro se dissipe ou que a chuva páre! Avancemos, confiantes, de mão dada com o Pastor, Aquele que conhece todos os cumes e todos os abismos, todos os trilhos e todas as fontes...

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O caminho para o paraíso

por Teresa Power, em 06.08.15

A Serra da Peneda-Gerês é um verdadeiro paraíso, mas um paraíso de difícil acesso. Senão vejamos:

Para chegarmos a casa, precisávamos de subir uma calçada estreita, onde o carro, para passar, ficava a cerca de meio milímetro da parede e outro meio do abismo... A pé era bem mais fácil!

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No primeiro dia em que acordámos na casinha de férias, decidimos ir tomar banho na barragem de Vilarinho das Furnas. A barragem ficava à distância exata de um terço, de carro, num percurso de montanha digno da Heidi:

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Ao chegarmos perto da barragem, vimos a água a brilhar lá em baixo, azul e tranquila, e procurámos na estrada sinais indicativos de praia fluvial. Nem um... Percorremos a estrada para cima e para baixo, para trás e para a frente, mas não conseguíamos encontrar forma de descer até àquela água tão bonita. A nossa vista da estrada era assim:

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- Se calhar não é possível descer até lá abaixo...

- Claro que é! Não vim até ao Gerês para ficar a ver paisagem. Vamos encontrar um caminho!

- Sim, dois adultos sozinhos conseguem encontrar um caminho, mas... Temos crianças pequeninas e dois cães cansadíssimos!

- De facto, não se vê ninguém dentro de água...Parece um espelho! Não há barquinhos, não há traços de creme solar... Não há lixo, não há confusão... Será que não dá mesmo para descer?

A conversa prolongava-se no carro, e nem sinais de escadas, caminhos ou pontes até à água. Quase uma hora depois, encontrámos um pequeno trilho por entre as árvores... É agora! Ajudando-nos uns aos outros, conseguimos descer... E repetimos a proeza todas as manhãs!

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O nosso esforço foi bem recompensado. Não vos parece? Uma "praia privada" deste tamanho...

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À tarde, descíamos até ao rio, que saltava de pedra em pedra lá em baixo, no vale junto da "nossa" casa. Havia uma pequena placa a indicar "Praia Fluvial", mas nunca vimos ninguém nesta "Praia". A razão não é difícil de descobrir: para a alcançar, era preciso estar disposto a fazer uma grande caminhada, sempre a descer - e no regresso, sempre a subir!

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Neste belíssimo caminho, e como em qualquer estrada que se preze, nem sequer faltava... uma rotunda :)

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 Também esta aventura tinha um final feliz:

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A regressar da barragem ou do rio, cansados e bem dispostos, recordávamos, a rir, a passagem do Evangelho:

 

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição,  e muitos são os que seguem por ele. Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!"

(Mt 7, 13-14)

 

Na verdade, se estas nossas praias fluviais estivessem bem sinalizadas, com acessos fáceis e bares carregados de música e cerveja, deixariam de ser paradisíacas... E nós, que somos amantes da natureza, do silêncio e da tranquilidade, não perderíamos tempo com elas! Os parques naturais só se mantêm "naturais" assim. Se queremos o paraíso, temos de estar dispostos a trilhar o caminho que poucos encontram, estreito, pedregoso, difícil, cansativo e pouco popular... Ah, mas vale bem a pena!

- Mãe, já pensaste numa coisa?

- Em quê, Clarinha?

- Se isto é tão bonito, como será o Céu?

- ...

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A sede e a fonte

por Teresa Power, em 05.08.15

A nossa casa de férias ficava elevada num socalco. E no socalco imediatamente abaixo, havia este magnífico tanque:

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A água jorrava, pura, abundante, fresca, sem cessar. Desde muito pequena que adoro tanques, e lembro-me de me meter dentro deles para brincar, na quinta dos meus avós, ou de ver as lavadeiras a esfregar a roupa, na aldeia. Não imaginam a alegria que me invadiu quando vi este tanque! A máquina de lavar a roupa que havia na casa alugada deixou de me interessar, e várias vezes por dia desci os degraus perfumados de hortelã-pimenta para me dedicar a esta belíssima atividade, rodeada, claro, de crianças curiosas:

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Ainda mais vezes ao dia, porém, havia uma outra atividade que nos encantava a todos:
- Quem vai encher a jarra?
- Eu!
- Eu!
- Eu!
Até a Sara queria ir, se nós, claro, a deixássemos! Descalços na terra, os meninos desciam os socalcos e traziam cuidadosamente a jarra cheia, que colocavam sobre a mesa. A água da fonte sabia-nos infinitamente melhor, apesar da água canalizada ser também muito boa.

- David, importas-te de encher a taça dos cães? - Pediu um dia o Niall, distraído a fazer o jantar. Uns  bons cinco minutos mais tarde, o David apareceu no terraço, rabugento:

- Estou todo molhado! A taça está sempre a entornar!

Olhámos para ele, espantados: o David tinha ido à fonte com a taça dos cães, e trazia-a encostada à barriga, cheia de água.

- David, os cães bebem a água da torneira, como aliás também nós bebemos em casa! - Explicou-lhe o pai - Não era preciso ir à fonte!

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 Na nossa vida moderna, raramente sentimos sede, sede a sério. Aos primeiros sinais, dirigimo-nos à cozinha, abrimos a torneira, enchemos um copo e bebemos. Mas em algumas partes do mundo não é assim... Ainda há quem não tenha água canalizada, e milhares de crianças, da África à Índia, têm de fazer diariamente vários quilómetros para ir buscar a água de que a sua família necessita. Será que sabemos o que significa a palavra "sede"?

Cada vez que descia os degraus de terra com uma jarra na mão, cada vez que bebia até à saciedade daquela água cristalina e fresca, cada vez que subia os degraus com cuidado, para não perder uma única gota, eu lembrava-me das palavras do salmista:

 

"Ó Deus, Tu és o meu Deus, anseio por Ti!

A minha alma tem sede de Ti,

todo o meu ser anela por Ti,

como terra árida, ressequida, sem água."

(Sl 63/62)

 

Terei eu verdadeira sede de Deus? Estarei eu consciente de que tenho sede? Serei eu capaz de deixar o conforto da minha casa e da minha vida para fazer a caminhada necessária até à Fonte? E quando encontro a Água, lembro-me de a trazer com cuidado comigo, para com ela saciar os que vivem na minha casa, e que também têm sede?...

A Fonte está tão próxima, jorrando abundante, fresca, cristalina em cada igreja paroquial, a alguns metros das nossas casas... E quantos morrem de sede sem nunca a encontrar!...

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S. José - Da casinha de Nazaré à casinha da montanha

por Teresa Power, em 04.08.15

Marcámos as nossas férias muito tarde, quando já quase tudo estava reservado. Como sempre, queríamos ir para a montanha – visto termos a praia tão perto durante todo o verão – e pensámos na Serra da Estrela, onde já passámos algumas das melhores férias da nossa vida. Mas os lugares que conhecíamos e que o nosso orçamento familiar permitia já estavam reservados. Então, o Niall e eu fizemos o que costumamos fazer nestas ocasiões: confiámos as nossas férias a S. José. A nossa oração foi mais ou menos assim:


- S. José, na tua vida terrena, tu tiveste uma bela missão: entre muitas outras coisas, coube-te encontrar uma casinha para Jesus nascer, organizar a fuga para o Egito, procurar certamente muitas outras casinhas para viver em terra estrangeira, encontrar o caminho de regresso a Nazaré e, de novo, uma casinha para Maria e para Jesus. Tu sabes que nós precisamos de umas pequenas férias, e sabes também que amamos muito a tua Maria e o teu Jesus… Assim, pedimos-te o grande favor de nos encontrares uma casinha de férias na montanha. O lugar fica à tua escolha! Aceitaremos o que nos ofereceres. Obrigado!


Na verdade, a Escritura guarda uma palavra profética sobre a missão de S. José:

 

“Não entrarei na minha tenda

nem me deitarei no meu leito de descanso,

não deixarei dormir os meus olhos

nem descansar as minhas pálpebras,

enquanto não encontrar uma casa para o meu Senhor.”

(Sl 132/131)

 

Nessa mesma noite, o Niall regressou à pesquisa no Google. E nessa mesma noite, encontrou o que não encontrara durante toda a semana anterior: uma casa na montanha, dentro do nosso orçamento, disponível na semana que pretendíamos! Percebi que se tratava da casa que S. José escolhera para nós. Quando fiz o telefonema para reservar e a voz do outro lado não levantou qualquer obstáculo ao facto de termos seis crianças e dois cães, tive a certeza.
A nossa casinha de férias ficava situada numa aldeia minúscula, com esta vista:

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A nossa rua chamava-se assim:

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A palavra “Mestre” não vos lembra nada? A casa de S. José, na Galileia, foi certamente a casa do único e verdadeiro Mestre…


- Vi que há uma bela igreja nesta aldeia – Comentei eu com a senhora que nos abriu a porta – Será que há missa aqui ao domingo?
- Ao domingo e três vezes por semana! – Respondeu-me a senhora, cheia de alegria – Sempre que há missa, eu vou. Olhe, amanhã é às nove horas da manhã!
Sorri para comigo. Claro, tendo a casa sido arranjada por S. José, não podia faltar a Eucaristia diária!
No dia seguinte, às nove da manhã, lá estávamos nós na igreja, para a Eucaristia. A igreja era lindíssima, cheia de luz, de cor e de vida, com mais fiéis reunidos em oração, em dia de semana, do que muitas igrejas da cidade:

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 O António gostou particularmente desta imagem…

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 E eu gostei desta, claro!

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S. José, Castíssimo Esposo de Maria e Pai de Jesus, rogai por nós! Ámen.

 

 

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De Fátima ao Sameiro

por Teresa Power, em 03.08.15

... E a semana sem net já terminou... Tanto, tanto para vos contar! Mas vamos por partes:

 

A nossa partida para férias coincidiu com o nosso 19º aniversário de casamento, dia 27 de julho. Que grande alegria! Os meninos estavam excitadíssimos, e os cães não paravam de pular – desta vez tinham direito a viajar connosco! O destino era uma pequena aldeia junto ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde alugáramos uma casa de férias pequenina e simples.


- Vamos preparar um piquenique para o caminho? – Perguntou o Niall. Nós somos amantes de piqueniques, como já devem ter reparado.
- Bem, se o caminho é para norte, e se vamos passar por Braga, então sugiro o Sameiro…
- O Sameiro?
- Sim. O Santuário de Nossa Senhora, a sua casa no norte do país. Lembras-te? Fomos lá no Jubileu do ano 2000, quando estava à espera da Clarinha…
- Pois fomos!
- E casámos em Fátima… Faz todo o sentido celebrar o nosso aniversário em terra de Nossa Senhora, não achas?
E foi assim que rumámos ao Sameiro. Que maravilhoso santuário! O céu muito azul, a escadaria, a cidade dos homens lá em baixo sob o olhar atento de Maria, a cúpula a apontar para o céu…

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No chão, nas pedras azuis e brancas, uma frase: “Mais bela, só no céu!” Veio-me ao pensamento o texto do Apocalipse:

 

“Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça…” (Ap 12, 1)

 

De joelhos diante do altar, renovámos a consagração à Mãe de Caná, e pedimos a sua bênção para as nossas férias e a nossa vida. O nosso coração transbordava de ação de graças e de louvor perante tantas bênçãos, e perante esta bela prenda de aniversário! A paz e a alegria inundaram-nos a jorros. A vida é tão diferente, quando nos confiamos nos braços da Mãe, como crianças de colo que se abandonam sem medo! Com uma Mãe destas, que mal nos poderá acontecer?

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Depois, enquanto rezávamos o terço e meditávamos nos mistérios da vida de Jesus, retornámos à nossa viagem, a caminho de umas das mais belas férias de sempre.

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 Mas sobre isso falamos amanhã :)

 

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Partidas e chegadas

por Teresa Power, em 28.07.15

No domingo, pelas seis da tarde, recebemos um telefonema:

- Mãe, já podem vir ao Colégio buscar as minhas malas. Eu vou pôr-me a caminho de casa de bicicleta!

Gritos de alegria. O Frankie está a chegar! O Frankie está a chegar!

E foi uma grande claque que esperou por ele no muro do jardim:

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 - Olha! É ele! Já lá vem!

- Viva o Frankie!

- Viva! Viva!

- Viva!

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 Os meninos saltaram para os braços do irmão, e os cães saltaram para as pernas do dono, felizes. Que fim de tarde tão alegre!

Finalmente todos juntos, é hora de partir de férias.  Hoje, quando lerem este post, já estaremos bem longe de casa, algures no país, nas nossas férias familiares - uma semana sem telefones nem internet, sem trabalho e sem preocupações - uma semana em família, apenas os oito e o Senhor!

A todos os leitores deste blogue, desejamos umas férias felizes, cheias da paz e da alegria que só Deus pode dar! Quanto a nós, regressaremos para a semana, com novas forças e muita coisa para contar. Prometemos uma reportagem completa de Santiago e das nossas férias familiares!

Que o Senhor a todos abençoe e cubra do seu amor! Rezem por nós, que nós também rezamos todos os dias por vós!

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 "Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco." (Mc 6, 31)

 

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Harmonia - ou convivência forçada?

por Teresa Power, em 24.07.15

A nossa casa é uma casa extremamente barulhenta, entre crianças, galinhas, gatos e cães; mas é também uma casa extremamente pacífica. Senão vejam:

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 Sim, os cães e os gatos gostam de se enroscar uns nos outros e de brincar em grande grupo!

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 Se repararem bem nestas fotos, verão como os gatinhos se entretêm a observar os franguinhos, sem um único gesto ofensivo. Afinal, nasceram quase ao mesmo tempo!

Mais ainda: numa noite de inverno, no ano passado, descobri que a Tiger - a mãe dos gatinhos - dormia encostada às galinhas, provavelmente à procura de calor... A sério!

Já observaram esta oliveira florida? Aposto que não conheciam esta espécie, capaz de produzir flores brancas tão belas...

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Ora aqui fica a solução deste enigma: não, as flores não são da oliveira, mas de uma lindíssima trepadeira que decidiu abraçar a nossa oliveira, casando-se com ela vestida de alvura!

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Às vezes, também os nossos filhos experimentam momentos de intensa harmonia. Vejam, por exemplo, a felicidade dos mais novos, quando o Francisco se oferece para os ajudar a construir objetos especiais em lego:

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Ou a alegria da Sara, aos saltos nas ondas com os mais velhos:

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O David só se aventura nas ondas grandes se a Clarinha ou o Francisco estiverem por perto...

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E o António também!

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 Reparem neste trabalho conjunto na cozinha, enquanto a mãe escreve um "post"... O David lê a receita a partir do tablet da Clarinha, a Lúcia vai encontrando o material necessário, a Clarinha faz o bolo e a Sara, claro, rapa as tigelas!

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Depois, o piquenique no jardim sabe bem melhor:

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 - Lúcia, a Sara quer uma história, mas eu tenho de ir levar a Clarinha ao treino! Contas-lha tu?

- Sim, mamã!

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Os cães, os gatos e as galinhas não têm alternativa senão dar-se bem. A nossa casa não permite que vivam separados, e a porta do galinheiro está constantemente a ser aberta por mãozinhas pouco cuidadosas, que se esquecem de a fechar... A oliveira e a trepadeira também não têm alternativa: o espaço é pouco e ambas precisam de crescer!

Quanto aos nossos filhos... Bem, talvez o segredo não seja muito diferente! Um mesmo espaço continuamente partilhado por uma família numerosa, e multiplas ocasiões para se servirem uns aos outros e para cuidarem uns dos outros...

 As férias são tempo privilegiado para que os irmãos brinquem juntos, trabalhem juntos, se aborreçam juntos, discutam juntos, e se ajudem uns aos outros. Nos dias que correm, é frequente as férias separarem as famílias: os mais novos têm de frequentar o ATL, porque os pais trabalham; os jovens participam em inúmeras atividades longe de casa... Tudo faz parte e tudo é bom, claro! Mas corremos o grande risco de transformar as férias em mais uma sessão de "cada um por si".

Para que os irmãos aprendam a ser irmãos, é necessário que nós, pais, lhes ofereçamos contínuas oportunidades de cuidarem uns dos outros, dando-lhes responsabilidades de acordo com as suas idades e capacidades. Que não falte, nas férias, um tempo largo para unir pais e filhos e para unir os irmãos entre si!

 

"Como é bom e agradável os irmãos viverem em harmonia!" (Sl 133)

 

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O relógio adiantado e a felicidade conjugal

por Teresa Power, em 16.07.15

Cá em casa, estar de férias significa, entre muitas outras coisas, acordar cedo, às vezes mais cedo - e com muito mais vontade - do que em tempo de aulas. Quando vivíamos ao pé da praia, antes do Tomás morrer, costumávamos estar na areia pelas oito e meia. Nessa altura, havia quem brincasse connosco, dizendo que tínhamos as chaves da praia... Agora temos quarenta minutos de viagem diária a separar-nos do mar, mas mesmo assim, gostamos de chegar à praia entre as nove e as nove e meia, para contemplar as gaivotas que  ainda saltitam na areia e a praia que se estende, solitária, à nossa frente. Ao meio-dia, quando a praia começa verdadeiramente a encher-se de gente, nós já estamos de regresso a casa, com a sensação de ter brincado, rido, saltado e nadado por um dia inteiro!

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 Mas não foi sempre assim. Quando nos casámos, o Niall e eu tivemos naturalmente de orquestrar hábitos e gostos, temperamentos e sonhos. E não foi tarefa fácil! Às diferenças naturais que existiam entre nós, havia ainda a juntar a diferença cultural - o Niall é irlandês - que era significativa. O nosso primeiro ano de casados foi talvez o mais difícil...

Como portuguesa, criada no interior e habituada ao calor, eu achava que a praia só era boa com muito sol. Como irlandês, habituado ao mau tempo e a baixas temperaturas, o Niall gostava de caminhar na areia contra o vento e de nadar à chuva. Ao fim-de-semana ou durante as férias, eu ficava na cama até depois das nove horas, enquanto o Niall se levantava de madrugada. Para mim, antes das nove horas, em férias, não valia a pena estar acordado, porque aqui no litoral está sempre fresco, pelo que a praia não seria uma experiência agradável. O Niall sentia-se frustrado. Para ele, o melhor do dia estava perdido.

Uma manhã de sábado, acordei com o seu chamar entusiasmado:

- Teresa, Teresa, levanta-te depressa, já passa das nove e tu prometeste que íamos passear à beira-mar!

Abri os olhos, estremunhada. Estava ainda cheia de sono. Seria possível ser tão tarde? Olhei para o meu relógio de pulso: nove e um quarto. Olhei para o relógio de parede: nove e um quarto. E quando cheguei à cozinha, olhei para o relógio no micro-ondas: nove e um quarto (nessa altura, nós não tínhamos ainda telemóvel). Tomei o pequeno-almoço à pressa, vesti-me e saímos para o prometido passeio. Cá fora, na rua, o vento fresco e o silêncio da manhã souberam-me deliciosamente bem. Quanta beleza! Entrámos no carro, e naturalmente olhei para o relógio: marcava sete da manhã.

- Niall, que se passa? O relógio do carro... Sete da manhã? Mas... O meu relógio...?

O Niall sorriu, triunfante, enquanto conduzia a caminho da praia.

- Enganei-te bem, não foi?

Não contive uma gargalhada:

- Tu deste-te ao trabalho de mudar todos os relógios lá de casa? Nem te esqueceste do micro-ondas...

- Sim, mudei os relógios todos. Não tinha outra forma de te convencer a vires fazer este passeio comigo. Vais ver que valeu a pena!

E valeu. Valeu tanto a pena, que nunca mais preferi a cama a um passeio pela madrugada...

 

Quem, como eu, já fez quarenta anos, recorda-se certamente da primeira telenovela brasileira difundida em Portugal, Gabriela Cravo e Canela, baseada no belíssimo romance de Jorge Amado. A música, cantada por Maria Bethânia, parece contudo ser o refrão de muitos casamentos fracassados: "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim..."  Quanta gente recusa a mudança na sua vida! E quanta gente acaba por incorporar na sua vida, não as virtudes, mas os defeitos do conjuge, baixando os braços e desistindo do esforço necessário para que a mudança aconteça!

Quando olhamos para trás, quase dezanove anos depois do dia do nosso casamento, e procuramos o segredo que nos permitiu chegar até aqui com tamanha felicidade, encontramos um refrão contrário... No meio de muitos defeitos e muitos erros, o Niall e eu tivemos sempre uma virtude: a vontade de aprender com o outro o melhor que ele tem para dar, e de o incorporar na nossa vida conjunta. Os hábitos que hoje temos resultam deste desafio constante que fomos fazendo um ao outro a todos os níveis, e da forma como aceitámos ser desafiados, recusando o "vou ser sempre assim". Ao longo dos anos, o Niall adquiriu muitos dos meus melhores hábitos e eu adquiri muitos dos dele, e juntos esforçámo-nos por abandonar hábitos destrutivos e adquirir novos hábitos vencedores. Acordar cedo, para nós, é um deles!

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"Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e desta maneira, ambas as coisas se conservam." (Mt 9, 16-17)

 

 

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