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Primeira Comunhão

por Teresa Power, em 25.04.15

O dia dezanove de abril está gravado no crucifixo que o David, desde então, traz ao peito; e está gravado no seu peito. Neste post, escrevi sobre a tranquilidade e a alegria pura deste dia. Hoje vou falar-vos um bocadinho daquilo que vivemos na Eucaristia...

Os meninos da primeira comunhão começaram o dia com uma breve procissão diante do santuário. Na mão, levavam uma flor, para no final da Eucaristia oferecerem a Nossa Senhora. O David ia, como costume, muito compenetrado:

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A entrada solene no santuário emocionou-me, e foi com dificuldade que continuei a cantar ao microfone. "Vinde e louvai-O!" Cantavamos todos, com voz sonora e decidida. E os meninos vieram e louvaram Jesus, sempre em procissão. Na coxia central, pararam cada um ao lado do banco onde se encontrava a sua família, e depois de uma genuflexão bem feita, mantiveram-se de pé.

Uma das belas surpresas que tive nesta paróquia foi a forma como, na primeira comunhão, as crianças permanecem junto dos pais e da sua família, e não em grupo nos primeiros bancos. Assim, nem elas, nem os pais se distraem, e o momento mais belo das suas curtas vidas acontece a nosso lado e sob o nosso olhar. Estar ao lado do David - como já estive ao lado da Clarinha, que também fez a sua primeira comunhão neste santuário - foi para mim um enorme privilégio.

A Clarinha cantou o salmo, o David leu uma oração dos fiéis, e todos participámos de coração na cerimónia. Às vezes, a voz faltava-me e sentia os olhos molhados, mas acho que ninguém deu conta...

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- David e Matilde, querem mostrar a todos o painel que o grupo construiu? - O senhor padre falava aos meninos do encontro profundo com Jesus, o Bom Pastor. - Cada um de vós é uma ovelhinha diferente, especial, única; e cada um de vós quer viver a sua vida nos prados do Bom Pastor, Aquele que dá a sua vida...

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Depois da comunhão, as catequistas tinham uma lembrança para os meninos: um livro de orações feito por elas e muito personalizado. Os meninos adoraram! Desde então, todos os dias o David se senta com o seu livro, acompanhando com ele os mistérios do Rosário.

Ao receber o seu livrinho, o David sussurrou à Carla, sua querida catequista: "Também tenho um presente para ti!" O presente era um simples cartãozinho, feito com muito esforço e carinho. Nele, o David escreveu o versículo da Carta de S. Paulo aos Gálatas:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!" (Gl 2, 20)

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Depois, nós, os pais, oferecemos às duas evangelizadoras dois lindos ramos de flores, com esta mensagem:

 

"Queridas evangelizadoras
Hoje, Jesus vive de modo especial no coração dos nossos filhos. A nossa alegria é profunda, e a nossa gratidão imensa: sabemos que este dia aconteceu graças também à vossa fé, ao vosso carinho, às horas que ambas passaram a preparar as evangelizações, a imaginar formas diferentes e interessantes de trabalhar com os nossos filhos as histórias de Jesus. Agradecemos a paciência com que os ensinam todas as semanas. Agradecemos, acima de tudo, o vosso amor por Jesus, pois é esse amor que vos faz trabalhar com os nossos meninos. Por tudo, e sempre, o nosso obrigado!"

 

E neste obrigado sentido, fica aqui a minha homenagem a todos os catequistas e evangelizadores que trabalham com as crianças cristãs. É um trabalho gratuito, difícil, demorado, às vezes sem ver frutos imediatos, e mais vezes ainda sem ouvir um "obrigado". Mas o Senhor, que vê o que está oculto, não os deixará sem a sua recompensa. Bem-hajam especialmente a Carla, aTeresa, o João e a Isabel, catequistas dos nossos filhos; e a Paula, na Barra, onde o Francisco fez a sua primeira comunhão há alguns anos atrás! 

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E a comunhão do David? A mesa está posta, o Pão e o Vinho preparados. Jesus já entregou a sua vida. Tudo está consumado. Falta a nossa parte... É preciso deixar o nosso lugar e correr ao manancial da vida, à Fonte de Eternidade. O David dá um passo e fica diante de Jesus. Depois, cheio de felicidade, recebe Jesus em sua casa.

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A seu lado,o Niall e eu acompanhamos o David em oração intensa. Depois, também nós comungamos.

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De volta ao lugar, o David reza, muito compenetrado.

Regresso ao meu lugar na condução do coro, cantando com emoção um cântico que escrevi há alguns anos, e escolhi de propósito para este dia: "Nada me separará do teu amor, ó Senhor!" Porque como diz S. Paulo,

 

"Nem a morte, nem a vida,

nem a altura, nem a profundidade,

nem a largura, nem o abismo,

nem o passado, nem o futuro,

nem os anjos, nem os principados,

nem qualquer outra criatura

nos poderá separar do amor de Deus,

manifestado em Jesus Cristo, Nosso Senhor."

(Rm 8, 35-39)

 

 

Que nada separe estes meninos do amor de Jesus!

Que cada Eucaristia seja um renovar da comunhão intensa com o Senhor!

Que cada comunhão seja a primeira e a última, a única, a definitiva. Ámen! Aleluia!

 

E se quiserem ver e escutar a alegria com que cantámos e dançámos o cântico final, vão ao blogue da Lena, nossa acólita e mãe de uma linda Família de Caná. Do altar, onde servia, ela filmou este belo cântico... Cantem connosco!

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Misericórdia

por Teresa Power, em 26.03.15

Domingo de manhã. O Niall saiu para ir buscar pão (não, não houve tempo para panquecas!) e regressou muito feliz:

- Teresa, encontrei a resposta para a minha dúvida do outro dia!

- Que dúvida? - Perguntei-lhe, enquanto vestia a Sara, a única criança acordada. O Niall estava cheio de entusiasmo:

- Aquela dúvida sobre o perdão de Deus. Deus perdoa, mas será que esquece?

- Ah, já me lembro! Estávamos a falar na omnisciência de Deus, e como é possível para Deus, que sabe tudo, perdoar e esquecer mesmo a sério. E então, podes explicar-me como é que chegaste à resposta enquanto foste comprar pão? Terá sido o padeiro a tirar-te a dúvida?

- Não, foi a própria Palavra de Deus. Enquanto fui ao pão, liguei a Renascença e acertei mesmo em cheio: estavam a ler as leituras deste domingo. A primeira leitura é tão bela, tão bela, que senti arrepios ao escutá-la. Foi ela que me trouxe a resposta.

- E?

- Ora escuta... Prepara-te, porque é mesmo muito bonito. Vou tentar lembrar-me das palavras exatas:

 

"Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e a casa de Judá uma aliança nova. Hei-de imprimir a minha Lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas." (Jer 31, 31-34)

 

- Que maravilha, esta Palavra! Tens razão, Niall. Deus fala muito claramente aqui!

- Sim. Ele diz que o nosso pecado não só é totalmente perdoado, mas também que não mais será recordado. Deus esquece as nossas faltas, e não mais se lembra delas, depois de nos perdoar! Não devemos voltar a confessar faltas antigas já confessadas por medo de não termos sido perdoados, porque isso é uma ofensa ao perdão absoluto que o Senhor nos dá.

- Pois é. O amor de Deus supera a sua omnisciência... Espero não estar a dizer nenhum disparate teológico!

- Não estás. Todas as qualidades de Deus estão inseridas naquilo que Ele é: Amor. Fora do Amor absoluto que Ele é, Deus não é mais nada.

- Mas não é possível fazer uma confissão geral da nossa vida, em determinadas alturas, como por exemplo no Ano Santo?

- Claro que sim, por desejo profundo de colocar tudo diante da luz do Senhor. Dizia o Rei David: "Tenho sempre diante de mim o meu pecado..." (Sl 50) Mas não o devemos fazer por medo de não termos sido perdoados, isso nunca!

 

Os mais velhos acordaram entretanto, e todos juntos fomos tomar o pequeno-almoço.

- Meninos, tenho um desafio para vos fazer. - Disse o Niall, enquanto comíamos - Hoje, na missa, quero que estejam muito atentos à primeira leitura, porque ela vai trazer a resposta para uma pergunta que tinhamos feito uns aos outros no outro dia, durante a oração familiar.

- E qual é essa pergunta? Nós fazemos sempre tantas!

- Também vos desafio a descobrir a pergunta, Francisco.

 

Depois da missa, à hora do almoço, o Niall quis saber se todos tinham encontrado a resposta.

- Sim, encontrámos - Adiantou-se a Clarinha. - A pergunta era: Deus perdoa sempre, mas será que esquece? E a resposta é: sim, Deus esquece.

- Muito bem! O Papa Francisco tem toda a razão ao propor um Jubileu da Misericórdia para o ano que vem. Nós ainda entendemos muito mal o perdão de Deus!

- Vai ser maravilhoso viver um Ano Santo, experimentando na nossa vida este perdão absoluto, e redescobrindo o amor absoluto do Senhor!

- O Papa quer as igrejas abertas e muitas, muitas confissões. Vamos ver a misericórdia do Senhor a correr como um rio na sua Igreja, e uma nova primavera a desabrochar. Ah, que alegria...

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Cinzas

por Teresa Power, em 19.02.15

- Despachem-se, meninos!

- Temos de mudar de roupa?

- Não, quer dizer, não há tempo! Mas têm de tirar os patins. David, tens de lavar a cara, está toda preta! Meteste a cabeça na chaminé?

- Ora! Foi em Náturia.

- Ponham a Sara a fazer xixi, e vamos embora!

- Estamos atrasados?

- Um bocadinho.

- Missa! Missa! Eu! Eu!

- Sim, Sara, vamos à missa.

- Vais tocar e cantar?

- Hoje não. Vamos, todos para o carro!

A toda a pressa, vamos para o santuário, e chegamos mesmo antes do Evangelho. Um pouco atrasados, mas nada de muito grave! Durante a homilia, o senhor padre explica o ritual das cinzas:

"Num mundo onde o corpo é um absoluto, e tudo parece andar à volta dele, as cinzas recordam-nos que somos pó, e que o melhor de nós está para além do corpo..."

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 "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gn 3, 19)

 

As palavras do Génesis convidam-nos à humildade, à consciência do nada que somos sem o sopro divino, com que um dia o Senhor animou o barro que moldou...

 

"Arrepende-te e acredita no Evangelho!" (Mc 1, 15)

 

 Para acolher a Salvação que Jesus nos veio trazer, precisamos de nos reconhecer pecadores. Quem não se sente pecador, não precisa de salvação...

 

- Para que é que precisamos desta marca na cabeça?

- Fala baixinho, Lúcia, que estamos na missa! As cinzas querem lembrar-nos que o importante não é se somos altos ou baixos, brancos ou pretos, ricos ou pobres, muito ou pouco inteligentes. O importante é o nosso coração!

- Ah, já entendi...

- Olha, o senhor padre pôs à Sara as cinzas no nariz!

- Estava a brincar com ela!

- Bem, ela também já tinha a cara com cinzas suficientes. Esquecemo-nos de a lavar antes de sair de casa...

- Francisco, tiras uma foto aos manos?

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publicado às 06:23

Festa da Fé

por Teresa Power, em 20.01.15

No sábado e no domingo passados, a nossa paróquia celebrou a sua fé numa grande festa, que envolveu pequenos e grandes.

As festas da catequese são, na nossa paróquia, vividas por toda a paróquia e todos os grupos de catequese em conjunto. Assim também a chamada Profissão de Fé, que nós celebramos com solenidade nestes dias.

No sábado, convidámos S. Sebastião, esse grande mártir cristão, numa procissão simbólica pelas ruas da aldeia, para vir celebrar connosco. Entre cânticos e mistérios do rosário, as crianças da catequese e os seus pais trouxeram o andor da sua capela até ao santuário:

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Depois, no santuário, o grupo de crianças que se prepara para a primeira comunhão - entre os quais o David - fez-nos um belíssimo ensinamento sobre o Papa Francisco. A Carla, a catequista, escreveu o texto, depois de ler muito sobre a vida do nosso querido papa, e o João, o catequista da Lúcia, vestiu-se de branco. Os meninos da primeira comunhão fizeram então uma visita imaginária ao vaticano e estavam carregados de perguntas!

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Entretanto, os grupos de catequese juvenis e de preparação para o crisma fizeram a sua reflexão numa outra capela da nossa aldeia: a capela de S. Mateus, onde se venera Santo Amaro. Também ele foi "convidado" para celebrar connosco a fé cristã! Numa caminhada pontuada com oração e cânticos, os jovens trouxeram o andor de Santo Amaro até ao santuário.

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No domingo, na missa, fizemos então a nossa profissão de fé. Os andores de S. Sebastião e de Santo Amaro recordavam-nos que vale a pena viver e morrer por Jesus:

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Depois, ao rezarmos o nosso credo, professando a nossa fé, todos acendemos as velas baptismais:

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Que significa, no mundo de hoje, professar a nossa fé? Que significa realmente dizer "Eu sou Cristão"?

Para muitas famílias das nossas paróquias, infelizmente, ainda não significa muito. Foram muitas as ausências nesta grande festa, talvez porque estava a chover, ou porque a missa foi antecipada meia hora e é difícil levantar cedo ao domingo depois de uma semana inteira de trabalho duro; ou talvez - e esta doi mais... - porque o nosso - o meu - testemunho de crentes ainda não é suficientemente contagiante.

Que significa realmente dizer "Eu sou Cristão"?

Para muitas famílias por esse mundo fora, significa arriscar a vida, como S. Sebastião; significa arriscar ser preso e viver pobre, ver os seus filhos morrer, perder a casa e os bens. Nunca é demais lembrar os milhares de irmãos nossos perseguidos e assassinados nos dias de hoje!

E para mim? Que significado tem acender a vela do meu baptismo e professar o meu Credo?

Faço-me cada vez com mais frequência esta pergunta. Serei verdadeiramente cristã, nos meus gestos, na minha forma de viver, na educação que dou aos meus filhos? Saberei realmente renunciar a cada dia ao meu conforto, aos meus interesses, à minha vaidade e ao meu amor-próprio, para seguir Aquele que deu a vida por mim?

 

"Vim trazer o fogo à terra, e que ânsias até que ele se ateie!"

(Lc 12, 50)

 

Será a chama da minha vela suficientemente forte, para atear à minha volta este fogo luminoso de amor?...

 

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A manjedoura

por Teresa Power, em 01.01.15

Conseguir ir à missa todos os dias tem sido a grande novidade deste Natal. Em tempo de aulas, é quase impossível para nós ir à missa diariamente, pois saímos de casa pelas oito da manhã, e a missa ainda não está terminada a essa hora. Mas agora que são férias, e a Sara já está crescidinha, torna-se mais simples.

Simples, mas não fácil: a cama está tão quentinha, estamos de férias, os meninos gostam de se enfiar no nosso edredão um bocadinho, para quê levantar-me e sair para o frio?

Porque Jesus está à minha espera na manjedoura.

Manjedoura?

Sim, claro! "Belém" significa literalmente "Casa do Pão"; e as manjedouras, meus senhores, segundo a palavra indica, são o lugar onde os animais vão manjar, ou seja, tomar a sua refeição! Ao deitar Jesus sobre as palhinhas, Nossa Senhora ofereceu-nos o verdadeiro Pão do Céu. E fê-lo com o coração em acção de graças, um coração "eucarístico". As palhinhas pobres, rudes, despidas de enfeites, foram o primeiro altar do Senhor!

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 Não viveremos o Natal no seu sentido mais profundo enquanto não encontrarmos Jesus pobre, humilde e escondido na fragilidade da Eucaristia. As luzes, as canções, o bolo-rei e o perú recheado não têm comparação com a entrega silenciosa e ternurenta do nosso Deus feito alimento para saciar a nossa fome de infinito.

Em Belém, poucos se deixaram conduzir ao casebre onde Jesus Se dava em alimento; em Belém, poucos se deram conta da passagem do Senhor... Também hoje, Ele nasce para nós e torna-Se alimento de salvação numa igreja fria, pequena e humilde, às primeiras horas da manhã, longe do calor das nossas casas e das luzes das nossas praças. E poucos se dão conta...

Acontece que, quando começamos a alimentar-nos diariamente deste Pão, começamos também a precisar diariamente dele. Como vamos fazer neste ano que começa? Será que vou conseguir recuperar a missa diária, como fazia antes de ter (tantos) filhos? Um bom desafio para o Ano Novo...

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          (Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, segundo o David!)

 

"Madrugaremos para ir aos vinhedos,

ver se as vides lançaram rebentos

ou se já abrem suas flores,

se florescem as romãzeiras.

Ali te darei o meu amor.

As mandrágoras exalam seu perfume,

e à nossa porta há mil frutas deliciosas,

tanto frescas como secas,

que para ti, meu amado, reservei." (Cc 7, 12-14)

 

Como estão vocês de desafios?... Não se esqueçam do Retiro de Natal no sábado, em Fátima! Na coluna lateral em cima encontram as informações necessárias!

 

Entreguemos o novo ano que hoje começa nas mãos daquela que nos oferece Jesus, em cada eucaristia, como ofereceu em Belém, pão celeste, fruta deliciosa que para nós reserva nas madrugadas silenciosas da nossa vida!

Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser. Ámen!

 

Feliz Ano 2015!

 

 

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publicado às 06:45

Santo Estêvão e oTsunami da Indonésia

por Teresa Power, em 27.12.14

Durante as férias do Natal, o Niall e eu procuramos que pelo menos um de nós vá à missa todos os dias. Ontem, por ser dia de Santo Estêvão, o padroeiro do Niall, coube-lhe a vez. Assim, enquanto eu fiquei na cama - ou melhor, num cantinho da cama, que àquela hora já estava rodeada de crianças a brincar sob o edredão - o Niall foi à missa.

Regressou quando tomávamos o pequeno-almoço.

- Foram bonitas as leituras hoje? - Perguntaram os meninos.

- Sim, claro, mas é estranho... Estamos no Natal, e as leituras falam de perseguição e morte! Por que razão se festejará o martírio de Santo Estêvão no dia imediatamente a seguir ao Natal?

Ficamos em silêncio por instantes.

- Bem, Niall, enquanto nós passámos o Natal em festa e em família, na Síria, no Iraque e em muitos outros lugares do mundo, o Natal foi um dia de perseguição, de medo, e até de terror...

- E faz hoje precisamente dez anos que aconteceu aquele desastre terrível, o tsunami na Indonésia!

- Natal não é luzinhas a brilhar e casinhas de Pai-Natal, prendas na lareira e perú recheado!

- O nascimento de Jesus não nos traz a paz que gostaríamos de viver, realmente... O nascimento de Jesus traz-nos uma outra paz, a paz do Senhor, a paz que resulta da luta contínua por construir o Reino de Deus.

 

"Penseis que vim trazer a paz? Eu não vim trazer a paz, mas a espada." (Mt 10, 34)

 

Celebrar o Natal não pode ser ficar no quentinho da lareira, a pensar nas ovelhinhas de lã e nos anjinhos do presépio. Celebrar o Natal também não pode ser ficar a recordar os Natais da nossa infância, numa nostalgia do passado sem qualquer proveito para o presente.

Celebrar o Natal é prepararmo-nos para a espada - a espada da dor, da luta contínua contra os valores deste mundo, do combate da fé. O nascimento de Jesus em Belém não teve nada de burguês! Jesus nasceu fora de portas, num estábulo, longe da sua terra e da sua casa, e poucos dias depois já era um refugiado no Egito, perseguido por um louco assassino, o Rei Herodes... O Natal de Jesus foi muito pouco romântico!

E no entanto, nada houve de mais sublime, de mais belo, de mais verdadeiro: ali, deitado na manjedoura, refugiado, pobre, esquecido, estava o Amor; ali, deitado na manjedoura, sinal de contradição, estava a Paz.

Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, deu a vida por este Amor e por esta Paz.

Jesus nasceu para dar a vida por nós; e nós celebramos o Natal porque estamos dispostos a dar a vida por Ele. Deixemo-nos de romantismos: tudo o que não for isto, não é Natal.

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           (A Sara a evangelizar a sua boneca: "Vês, é o Jesus no ó-ó...")

 

 

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Festa da Palavra

por Teresa Power, em 10.11.14

Ontem, na nossa paróquia, foi a Festa da Palavra. Temos o costume de realizar esta festa com toda a comunidade cristã, e não apenas com um dos grupos de catequese, pelo que todos foram convidados a prepará-la de coração.

Nós também o fizemos: na véspera, o Niall e eu escolhemos, da nossa biblioteca, seis Bíblias ou livros com a Palavra de Deus, para oferecer um a cada filho. Eis a nossa selecção, por ordem de idades:

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Ao Francisco e à Clarinha, decidimos oferecer os seus Novos Testamentos de bolso, como forma de os encorajar a ler e a meditar a Palavra mais frequentemente e em todo o lugar; para o David, escolhemos um livrinho muito bonito com textos bíblicos ligeiramente adaptados; para a Lúcia, uma versão infantil do Novo Testamento; para o António, o seu querido livro das Histórias da Bíblia, e para a Sara, um livrinho para bebés baseado na Bíblia, escrito em verso com ilustrações muito divertidas.

Os nossos filhos já conheciam estes livros, pois nenhum deles foi comprado para a ocasião. Afinal, o sentido desta festa é renovar a adesão interior à Palavra, comprometer-se com ela, responsabilizar-se pela sua própria evangelização. Oferecendo aos nossos filhos uma Bíblia, especialmente uma Bíblia que já cá está em casa, queremos dizer-lhes que a Palavra de Deus não é para estar esquecida na estante de um escritório a apanhar pó, mas para ser lida, meditada e vivida.

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A Eucaristia foi muito participada, transbordante de crianças alegres. Depois da homilia, o senhor padre chamou ao altar todas as crianças, e pediu aos pais que, sem qualquer tipo de ordem, mas com a espontaneidade do coração, se dirigissem também ao altar, para oferecer aos filhos as Bíblias escolhidas. Foi um momento lindo!

 

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 Durante o resto da missa, as crianças atarefaram-se a folhear as suas Bíblias "novas", partilhando as gravuras e conversando baixinho. Talvez durante a tarde ou ao serão, nas suas casas, se tenham contado histórias da Bíblia... Talvez pais e filhos juntos tenham folheado os belos livros cheios de ilustrações, ou lido e meditado a Palavra na Bíblia grande, verdadeira, completa, cheia de milhões e milhões de Palavras de Deus... Ele fala tanto, e nós escutamos tão pouco!

Possa esta festa ser para nós um renovar do nosso compromisso de educadores cristãos:

 

"Trarás no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás muitas vezes a teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em casa ou andando pelos caminhos, quando te deitares ou te levantares..." (Deut 6, 6-7)

 

Ámen!

 

 

 

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Missa

por Teresa Power, em 19.09.14

Aula de Inglês do nono ano. Turma irrequieta, mas simpática. Inicio com eles uma conversa em Inglês.

- Ora bem, vamos lá contar uns aos outros como foram as férias. Quem quer começar?

- Eu não fiz nada.

- Nada? Como nada? Se calhar viste televisão...

- Claro, mas isso não conta.

- Ai não? Conta, pois! Melhor que nada. Vamos, vem escrever no quadro. Muito bem...

- E tu, João? Foste à praia?

- Sim, fui a Mira.

- Fantástico. Vens escrever essa frase no quadro também? Boa! Maria, praticaste algum desporto?

- Só andei de bicicleta.

- Vem então também registar. Muito bem! Vamos ver quem se lembra de mais vocabulário de férias. Cinema, alguém foi?

- Eu!

- Eu!

- E concertos? Vamos registar também viagens, visita aos amigos...

- Conversas de Facebook, professora!

- Sim, tudo isso... Outras coisas. Acampamentos, alguém acampou?

- Eu. Com os escuteiros.

- Boa! Sabes dizer "escuteiros" em Inglês? Então vem registar...

. Eu também acampei na praia!

- Sim, já registámos isso... E missa? Quem foi à missa nas férias?

- Missa??????? Ó professora, nós não vamos à missa! Que coisa tão estranha!

- Ninguém vai à missa, professora! Isso é para velhos!

- Isso era antigamente!

- Que piada! A professora está a gozar, não está?

- Acha mesmo que temos cara de ir à missa?

- Já somos crescidos!

- Já nem sequer andamos na catequese, professora!

-????????

 

- OK, então esta frase é para mim. Eu registo-a no quadro, porque eu e a minha família fomos todos os domingos à missa. Registem por favor nos vossos cadernos! Quem sabe se um dia precisam da palavra...

 

 

 

 (A missa em lego, feita pelo David)

 


 (A missa em lego, feita pela Lúcia. Os dois tiveram a ideia de fazer uma igreja em Lego inspirados no blogue da Bruxa Mimi, e rechearam-na de toda a actividade que experimentam na nossa igreja...)

 

"Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério." (2Tm 4, 3-5)

 

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Deixai vir a Mim as criancinhas

por Teresa Power, em 16.08.14

Na Irlanda fomos à missa algumas vezes. No primeiro domingo que ali passámos, entrámos numa igreja muito bonita e sentámo-nos ao fundo, procurando manter o silêncio. Quem nos conhece, contudo, sabe que estar sossegado na igreja não é exactamente uma das virtudes dos nossos filhos mais novos. Ao descobrirem a escadaria que levava ao coro da igreja, logo se entretiveram a subir e a descer, encantados. Assim, e porque também eramos muitos, não conseguimos passar despercebidos. Foi com alegria que, antes da bênção final, nos apercebemos que o sacerdote falava de nós, dando-nos as boas vindas à sua paróquia. Isto é ser acolhido!

 

No domingo seguinte, regressámos à mesma igreja. Desta vez, para evitar as escadas, sentámo-nos na primeira fila. Asneira... A Sara, que se sente em casa na Casa de Deus, tão habituada está a frequentá-la, manteve naquela igreja desconhecida o à-vontade que tem aqui no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. E sem que eu o pudesse evitar, correu para os degraus do altar, subiu e pôs-se alegremente a brincar no chão. Ficámos estarrecidos, em silêncio absoluto, sem saber o que fazer. Ir buscá-la seria provocar uma enorme birra, com direito a pontapés e tudo; mas deixá-la estar ali poderia levar a algum comentário mais duro do sacerdote, já que não o conhecíamos.

 

Enquanto eu procurava pensar no que fazer, o sacerdote adiantou-se: com um sorriso, pronunciou uma das frases de Jesus que mais gosto de escutar:

 

"Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque é dos que são como elas que é o Reino dos Céus." (Lc 18, 16-17)

 

E acrescentou: "Deixem a menina no altar, que Jesus fica contente!"

A assembleia explodiu então numa gargalhada até aí muito bem contida, e eu suspirei de alívio. Antes de sair da igreja, e diante do sorriso de todos, tirámos uma fotografia junto da estátua de S. Patrício, padroeiro da Irlanda, o santo bispo que introduziu o cristianismo na ilha:

 

                   S. Patrício, rogai por nós!

 

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Duas missas, dois rosários e a Mãe de Caná

por Teresa Power, em 14.07.14

Na sexta-feira de manhã, o entusiasmo das crianças era enorme: estávamos prestes a partir para Proença, para fazermos o nosso quinto retiro Famílias de Caná!

- Quanto tempo é a viagem, mamã? - Perguntou o David, aos saltos.

- Duas horas. É muito tempo, por isso não vale a pena começar logo a perguntar se já chegámos!

O David foi a correr ter com a Lúcia.

- Então, já sabes quanto tempo demoramos? - Perguntou a Lúcia.

- Duas missas - Respondeu o David...

 

Começámos a viagem. Como sempre, distribuí terços pelos meninos para rezarmos pelo caminho.

- Dá tempo para rezarmos o terço, mamã? - Desta vez, a pergunta veio do António.

- Dá tempo para rezarmos muitos terços. Olha, dá tempo para dois rosários - Respondeu o Francisco. E acrescentou muito depressa: - Mas não te preocupes, porque só vais rezar um terço!

Na verdade, o terço familiar, na nossa casa, não demora mais do que quinze minutos. Se cada rosário são quatro terços - mistérios da alegria, da luz, da dor e da glória - então cada rosário é uma hora de oração!

Tão bom, quando os nossos filhos medem as distâncias em terços e em missas...

 

Amanhã conto-vos tudo sobre o nosso retiro em Proença. Bem, tudo não, porque o melhor não dá para contar... Quem lá esteve sabe que é verdade!

Por hoje, deixo-vos com uma imagem da Mãe de Caná feita com feltro, da nossa grande artista Clarinha. Fê-la para oferecer à Rute e ao Serge, em casa de quem ficámos alojados, e tratados como reis! Se quiserem que a Clarinha vos ofereça uma linda imagem da Mãe de Caná, para fazerem um quadro, peçam para o mail!

 

 

 

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