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Tempos Livres VI - Felicidade

por Teresa Power, em 30.01.16

Termino hoje a "saga" da Clarinha, tal como espero e desejo que tenha terminado cá em casa, e termino esta pequena "série" de posts sobre os tempos livres dos Power. Quem chegar ao blogue aqui pela primeira vez, talvez seja conveniente ler esta sequência de seis posts antes deste!

 

Depois de jantar, na sala, fazemos alguns jogos ou lemos histórias todos juntos. São apenas dez minutos do nosso serão, o suficiente para nos divertirmos em família, antes da nossa oração familiar. Numa destas noites, durante um animado jogo em que o monstro maior da casa procurava agarrar os seus pequenos prisioneiros, que fugiam aos gritos e às gargalhadas, a Clarinha fez uma roda e um pino tão entusiásticos, que atirou para o chão a fotografia do Tomás e a imagem de S. Tiago vinda diretamente de Compostela.

- Clarinha, por favor, sabes bem que a nossa sala é pequena para os teus pinos! - Ralhei. Ela desatou a chorar:

- Mãe, eu não aguento ficar sem fazer ginástica! Eu não sou capaz de passar os dias sem me esticar muito bem esticadinha!

Suspirei fundo e abracei-a.

- Clarinha, podes sempre voltar às aulas de ginástica sem estares em competição...

- Sabes bem que não, mãe. Outras poderão, não eu. As professoras iriam pressionar, porque não me querem perder. Eu ajudo a dar nome ao clube... Não. Não posso arriscar. Além disso, as aulas são iguais para todos, estejam ou não em competição, e deixa-me que te diga... são uma seca! Temos de treinar em silêncio completo, se nos distraímos ou rimos, gritam logo connosco. Não quero isso para mim! Só quero descontrair e divertir-me ao fim de um dia de escola...

- Mas se precisas assim tanto de fazer ginástica, temos de encontrar uma alternativa à ginástica rítmica.

Ela acalmou um pouco, perante os olhares espantados dos irmãos mais novos, que com o aparato, se tinham esquecido de fugir do "monstro". Ouvi o David a murmurar baixinho, abanando a cabeça com sabedoria: "Não entendo nada... Chora por fazer, e chora por não fazer..."

De repente, lembrei-me de uma conversa que tivera há alguns dias com uma amiga.

- Clarinha, disseram-me que no velódromo, ao mesmo tempo que há aulas de ginástica rítmica, também há de artística. É verdade?

- Sim, é. Mas iria ser a mesma coisa, mãe. Quando os treinadores vêem do que eu sou capaz, começam a pressionar.

- Contudo, disseram-me que tu já és demasiado crescida para começar competição agora, em artística. Disseram-me que o professor se concentra nos pequeninos, que vão trabalhar para competir, e vai ensinando os mais crescidos de forma descontraída, sem lhes dedicar demasiada atenção. No fundo, o que tu queres...

No dia seguinte, levei a Clarinha à sua primeira aula de artística. O professor disse-me que, a começar nesta altura do ano, só seria possível se a Clarinha soubesse fazer uma roda, um pino, uma cambalhota... Descansei-o. Depois expliquei-lhe que a Clarinha não tem espírito de competição, e que seria melhor não a abordar sequer sobre tal. Foi a sua vez de me descansar.

Quando a aula terminou, a Clarinha vinha radiante, e o seu sorriso iluminava.

- Então, Clarinha, gostaste?

- Adorei! Podemos conversar e rir enquanto treinamos. Já fiz amigas! Adoro ir ter com as meninas e apresentar-me: "Olá, sou a Clara." É tão bom conviver! O professor nem acreditava, quando eu lhe disse que aprendi a roda sem mãos sozinha, pela internet. Ia ensinar-me o flick, mas descobriu que eu já sei fazer dez seguidos. Na próxima aula ensina-me a fazer um mortal! Fiz uma aranha na trave e não tive medo. Não te preocupes: temos uma piscina de esponjas espetacular por baixo, se por acaso cairmos! - Atirou-se para o sofá, esgotada e feliz. E acrescentou: - Eu adoro ginástica, eu preciso de ginástica, mas a ginástica não é a minha vida. Nestas novas aulas tenho espaço para conversar, rir, descontrair enquanto treino, que é o que eu preciso ao fim de um dia de escola e estudo... Tive um sonho, concretizei-o, já é passado.

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Tenho tido oportunidade de escutar a Clarinha a responder a quem lhe pergunta pelas suas razões de desistência. "Foi a professora?" "Ela não exigia o suficiente de ti, que podias dar mais?" "Ela exigia demasiado de ti?" "Ela era fria?" A resposta da Clarinha tem-me surpreendido: "Não, não saí por causa da professora. Saí por minha causa. A professora fez o que tinha de fazer. Eu é que não estava bem." E uma das maiores alegrias da Clarinha nos últimos dias foi um abraço e um sorriso da sua antiga treinadora (a que a acompanhava mais de perto), que no velódromo lhe estendeu os braços: "Clarinha, parabéns, tens imenso jeito para a artística! O importante é estares feliz."

Às vezes, na cama, a Clarinha chora um bocadinho com saudades das bolas, das fitas, dos arcos, das cordas. Também eu recordo, com alguma emoção, a alegria imensa da Clarinha durante o verão, quando, com o pai, fez a sua encomenda, pela Internet, da bola e da fita mais lindas do mundo, o cuidado que pôs na escolha, a festa que fez ao receber a encomenda... Depois, recordo-me da história de Lot e da sua mulher, habitantes de Sodoma, a cidade pecadora que o Senhor queria destruir. Conhecem o episódio? O anjo do Senhor foi enviado a Lot e disse-lhe:

 

"Foge, se quiseres conservar a tua vida. Não olhes para trás nem te detenhas em parte alguma do vale. Foge para o monte, de contrário morrerás." (Gn 19, 17)

 

Há passagens da Bíblia que só conseguimos entender quando vivemos a sua força. Esta é uma delas. De facto, às vezes é preciso partir sem olhar para trás, para não corrermos o risco de sermos transformados, como a mulher de Lot, numa estátua de sal. Ao longo da nossa vida, Deus irá desafiar-nos a abandonarmos tudo aquilo que nos prende ao mundo, incluindo - sim, incluindo - os nossos próprios sonhos. Porque, se não nos detivermos em parte alguma do vale, em breve alcançaremos o único monte que existirá para sempre, o Coração de Deus...

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Tempos livres III - A net, a escola, os cavalos...

por Teresa Power, em 27.01.16

Continuamos a sequência de posts sobre a ocupação dos tempos livres dos Power, e de novo repito que esta é a nossa opção, sem qualquer juizo de valor sobre outras opções de outras famílias felizes!

Os nossos filhos têm muitos e bons amigos, mas já toda a gente sabe: não adianta convidar os Power para dormir lá em casa, porque eles dormem sempre na sua própria casa, a não ser que o convite venha de outro lugar no país, e aí tem de haver uma boa razão... Para nós, o tempo de família por excelência é o fim do dia e o serão, pelo que não sacrificamos estas horas sem uma razão muito forte. Não somos fãs de "festas do pijama"!

Jogos de computador, não temos, nem eles jogam online. Mas vão à net, claro. É com o tablet na mão que a Clarinha faz as suas receitas de bolos e bolachas, ou costura com a sua máquina. Se precisa de alguma ajuda, pedimos a quem domina a arte, com a tia Inês ou a Isabel, madrinha da Lúcia. E tudo se resolve!

Foi também pela Internet que o Francisco aprendeu ilusionismo, vendo e revendo mágicos como Luís de Matos, David Copperfield e outros cujos nomes nem sequer consigo pronunciar. E pela Internet que descobriu como resolver o cubo mágico e como participar em competições. A Internet também lhe oferece ideias e conhecimentos científicos para os seus projetos, que ocupam fins-de-semana inteiros:

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Depois, claro, é preciso aspirar e limpar o quarto - e isso também é ocupação dos tempos livres...

Os mais novos, encorajados pelos irmãos, vão dando os primeiros passos nas suas descobertas. Com a ajuda de livros, vídeos e dos irmãos, aprendem a fazer origamis, a construir objetos interessantes, a desenvolver projetos, a costurar.

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Para todos eles, o tempo livre é sobretudo isso: livre. E porque é livre, é feliz.

- Mãe, amanhã preciso que me acordes às seis e meia da manhã, se fazes favor - Pediu-me o Francisco nas últimas férias do Natal. Ele não tem despertador porque dorme num quarto de três.

 - Ai sim? E porquê?

- Combinei com o João irmos dar uma grande volta de bicicleta. Vou ter com ele a Aveiro de comboio, e o comboio é às sete da manhã. Seguimos de bicicleta para as praias, e regressamos pela hora de almoço. Não te preocupes, já verifiquei o boletim meteorológico, e o tempo vai estar bom.

- Ah... Então está tudo combinado?

- Tudo. Só preciso que me acordes a essa hora.

O resultado desta fantástica liberdade está neste vídeo, que o Francisco publicou a semana passada no seu canal:

Ser capaz de escolher uma madrugada às seis da manhã para um passeio de bicicleta em vez de uma noitada até às seis da manhã numa qualquer discoteca só faz sentido quando se cresce no ambiente correspondente, observando as escolhas felizes dos pais, passando a infância longe de centros comerciais e de noitadas. Não se chega a este nível de liberdade responsável e feliz por acaso... Digo eu, claro!

A Clarinha também adora passear de bicicleta com as amigas que têm autorização para o fazer, e os três mais novos (com exceção da Sara) já dão os seus passeios sozinhos, de bicicleta ou com os cães, ao redor da nossa casa, dentro do nosso campo de visão:

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Brincar em Náturia é a maior fonte de aventuras cá em casa. Mas não se preocupem: há sempre alguém a vigiar, e se não puder ser a mãe, os irmãos mais velhos arranjam forma de o fazer sem perderem o direito ao seu próprio tempo livre. Vejam como a Clarinha contornou a situação!

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Que mais se pode aprender em família, sem recurso a aulas exteriores? A nadar. Nos lagos, nos rios, no mar, vamo-nos desafiando uns aos outros. Um curso intensivo de verão ou, em alternativa, uma aula por semana durante alguns meses, também podem ajudar, mas não substituem a aprendizagem livre em família.

A patinar. Nem o Niall, nem eu sabíamos patinar quando, num Natal há muitos anos, oferecemos ao Francisco e à Clarinha o seu primeiro par de patins. Eles aprenderam sozinhos, e os irmãos aprenderam com eles. Desde então, a diversão é imensa, como podem (re)ver neste vídeo feito no inverno passado:

 

Também não é preciso frequentar atividades extracurriculares para se aprender, por exemplo, a subir e descer do telhado, ou pelo menos do cimo da garagem. Ora vejam só esta arte, filmada há dois anos (e não se assustem, que desde então o David já repetiu a proeza centenas de vezes):

Qual é então o nosso papel enquanto pais? Penso que é sobretudo o de facilitar e encorajar a aprendizagem, estando atentos aos interesses e às necessidades de cada um. Que grande alívio! Não é preciso dominar todos os saberes do mundo para se ser pai e mãe. Eu não sei costurar; origamis, só sei fazer um barquinho; magia, faço alguma, como curar um "doi-doi" com um beijinho, mas nada de mais; a minha ginástica é toda feita enquanto aspiro a casa ou movo vigorosamente os braços a lavar vidros cheios de dedadas e lambidelas... O Niall e eu ensinamos os nossos filhos a tocar guitarra, quando eles manifestam vontade de o fazer, mas a Clarinha aprendeu a tocar bandolim pela Internet. O Francisco gosta de fazer parkour, aprendendo com vídeos do Youtube.

 

E se eles quiserem aprender alguma coisa fora de casa? O Francisco, quase por acaso, descobriu a equitação. Como a atividade acontecia na sua tarde livre e era suficientemente perto para ele ir e vir de bicicleta, encorajámo-lo a tentar. E o Francisco adorou. Andar a cavalo às quartas-feiras à tarde tornou-se para ele uma forma de descontrair e desanuviar da escola, sonhar, desafiar-se a si próprio.

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À hora de almoço e nas tardes de quarta-feira, o colégio oferece atividades como ginástica, xadrez, desportos com bola. Todos os nossos filhos aproveitam a oportunidade, que não rouba tempo familiar e torna alguns recreios da semana mais interessantes. Para a Clarinha, a ginástica artística praticada em desporto escolar, nas tardes de quarta-feira, foi durante anos o momento alto da sua semana.

Assim, as nossas atividades extracurriculares são simplesmente formas divertidas de crescer e de explorar o mundo e o universo, pondo a render os talentos que o Senhor inscreveu em cada um, segundo a Palavra:

 

"A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade." (Mt 25, 15)

 

Um dia, há dois anos atrás, ao entrar na minha escola, esbarrei com um cartaz na porta envidraçada: uma menina pequenina e sorridente fazia uma espargata com uma bola vermelha na mão, vestida com um fatinho de brilhantes... O meu coração deu um pulo no peito. Mas sobre isso, conto-vos amanhã!  

 

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Tempos livres II - Livros e mais livros

por Teresa Power, em 26.01.16

E continuamos na série de posts sobre a forma como os Power ocupam os seus tempos livres. Repito que estou a falar dos Power, não estou a formular nenhuma teoria educativa! Se escrevo sobre a nossa experiência é porque adoro ler sobre as experiências dos outros, em variados blogues e livros, e aprender com elas (eu estou sempre a aprender), pelo que calculo que outros queiram ler e aprender, se acharem bem, connosco.

Uma das maiores fontes de prazer e de liberdade cá em casa são... os livros. Quem entrar em nossa casa a qualquer hora do dia, vai de certeza tropeçar em dois ou três livros logo ali à entrada, porque os mais novos esquecem-se de os arrumar depois de os lerem ou de verem as imagens; e vai encontrar livros na sala, na cozinha, no chão dos quartos, na casa-de-banho, livros no jardim e livros na garagem. Todos os nossos filhos adoram livros.

Uma questão de sorte? Pode ser, claro. Como diz a Pipi das Meias Altas - tenho andado a ler a história à Lúcia todas as noites, capítulo a capítulo, e por isso ela é uma referência constante nestes dias - estamos num país livre, pelo que cada um pode pensar como quiser. Mas eu tenho outra teoria, e como ando em maré de revelar segredos, aqui fica:

Na nossa casa, os livros nunca sofreram concorrência desleal. Refiro-me à televisão, aos jogos de vídeo e de computador, aos telemóveis, aos tablets e a tudo o que as crianças desde muito pequeninas manuseiam para terem acesso a aventuras e histórias. Todos os professores sabem que hoje, para conseguirmos a atenção das crianças, precisamos de estímulos constantes de som e imagem. Para quem cresce num ambiente altamente estimulado sensorialmente, um livro é mesmo uma grande sensaboria!

Com a televisão desligada e sem jogos de computador, "livros", cá em casa, significam aventuras, histórias, suspense, enredo, alegria. Aliás, não só significam, como são mesmo essenciais para uma viagem ao mundo da ficção, visto não haver alternativas. Os meus filhos gostam do cheiro dos livros, de virar as páginas, de os meter na mochila e os levar para a escola, para ocupar os "tempos mortos" em sala de aula.

Mas "livros" significam ainda outra coisa: significam tempo de família, tempo de carinho, tempo de atenção privilegiada dos pais. Através da leitura partilhada, cumpre-se também a Palavra do Senhor:

 

"Farei com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais..." (Ml 3, 24)

 

De facto, desde muito pequeninos que os nossos filhos têm direito a pelo menos uma história por dia. Uma história contada enroscados no sofá ao colo dos pais, ou junto da lareira, ou no jardim, ou sob os cobertores da cama, ou à volta da mesa acompanhada de um chocolate quente. Nunca, para nós, os livros foram uma obrigação (bem, com exceção de Os Maias, leitura obrigatória no secundário, que o Francisco, muito embora o 18 a Português, ainda não leu por inteiro); pelo contrário, os livros são uma recompensa: "Se arrumares depressa o quarto, leio dois capítulos da Pipi em vez de um!" "Hoje foste tão lindo, ajudaste tanto a mãe, que tens direito a uma longa história antes de dormir!"

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E não, não deixamos de contar histórias em voz alta quando os meninos aprendem a ler. Continuamos a fazê-lo até eles o desejarem, geralmente por volta dos doze anos. Todas as noites? Sim, todas as noites (ninguém disse que alimentar o gosto pela leitura não dava trabalho!): uma história para a Sara, outra para o António e a Lúcia, outra para o David, pois as idades e os interesses são diferentes. E não julguem que os mais velhos já não gostam de ouvir histórias: a Clarinha pousa tudo o que está a fazer para escutar a Pipi, ou a Heidi, ou a Casa na Pradaria, ou a Anne of Green Gables, ou a Princesinha, ou o Pequeno Lord que nós lemos aos mais novos, e até o Francisco tira os auscultadores dos ouvidos quando repara que todos nos rimos à gargalhada com um episódio.

- Oh, mãe, tenho de lavar a loiça agora? Mas tu vais ler a Pipi! Eu queria ouvir! - Disse-me ontem a Clarinha, quando acabámos de jantar.

- Conta lá outra vez como é que o gato que ensinou a gaivota a voar apanhava as moscas! - Pedia o António ao pequeno-almoço.

- Deixa-me contar-te o que lemos ontem na Casa na Pradaria - Diz-me o Niall, às vezes, ao deitar. E vai buscar o livro, que deixou na mesa de cabeceira do David, para me reler uns parágrafos. Também nós parecemos duas crianças, entusiasmados com as histórias que contamos filho após filho até quase, quase as conhecermos de cor. Como em tudo o resto, o Senhor recompensa o nosso esforço dando-nos doses abundantes de verdadeiro prazer nas leituras que partilhamos com eles.

 

Com tanta carga emotiva associada, é natural que os livros sejam muito amados cá em casa. Para mim - digo-o com humildade, mas com convicção - não me surpreendem cenas como estas, várias vezes ao dia:

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Os nossos serões são, às vezes, bastante silenciosos:

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E como já contei neste blogue,há dias em que estou tão ocupada a trabalhar ao computador, durante o meu serão, que me esqueço das crianças que deixei a ler na minha cama. Ena, já passa da sua hora de dormir, e ainda ali estão!

Que livros lemos? Sobre isso, já escrevi vários posts, e podem recordá-los com a tag "livros". Não, não lemos tudo o que se publica, e há livros que não entram cá em casa. Sim, fazemos censura :) Mas a boa notícia é que entre os livros bons há suficientes para encher uma vida, segundo a minha própria experiência.

Hoje - e como professora ouço isto quase todos os dias - a grande maioria das crianças e dos jovens não gosta de ler e só lê por obrigação. Dizem-me que gostos não se discutem. Aceito que haja algumas crianças que não gostem de ler, como há crianças que não gostam de ver televisão ou de comer chocolate. Mas estou convencida de que, com outro tipo de abordagem familiar, essas crianças - que existem - seriam uma minoria. Se quiserem discordar de mim, têm de o fazer - para a discussão ser justa - nos mesmos termos que eu o fiz, ou seja: apresentem-me uma criança que ouça histórias, grandes histórias, desde pequenina, todos os dias, envolta em paciência e carinho, até cerca dos doze anos, sem concorrência (desde a primeira infância) da televisão, do tablet, do computador, e mesmo assim não goste de ler. Então eu aceitarei a derrota...

 

Mas será que os nossos filhos não vão à internet, como todos os outros? E não frequentam qualquer atividade extracurricular? Amanhã continuamos

 

 

 

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E vivam as Bodas!

por Teresa Power, em 18.01.16

O dia amanhece cedo, como sempre, mas desta vez, acordo os meninos com um "refrão" diferente:

- Levantem-se, filhos, hoje é o dia das Bodas de Caná!

Na verdade, este ano, o Evangelho do Domingo Segundo do Tempo Comum é o Evangelho das Bodas de Caná, e há que celebrar.

Pouco a pouco, todos aparecem na cozinha.

- Vamos começar a festa com panquecas? - Pergunta o David, muito prático.

- Claro. O pai já está a fazê-las. Se te despachares, ainda vais a tempo de ajudar!

 

Segue-se a alegria das Bodas de Caná verdadeiras, as mais completas, aquelas em que o vinho novo, o vinho bom, o vinho guardado para o fim, se torna no Sangue do Cordeiro Imolado: as Bodas da Eucaristia. Foi para que pudéssemos viver a alegria destas Bodas que Jesus deu a sua Vida, na Cruz! E pensar que um mistério tão imenso está ao alcance de qualquer cristão, na igreja mais próxima de sua casa! Qualquer cristão, não: há no mundo irmãos nossos que têm de caminhar quatro horas pelo mato para encontrar uma igreja, ou que têm de celebrar a Eucaristia às escondidas, no meio da noite. Nós somos uns privilegiados, e fazemos tão pouco caso dos nossos privilégios!...

Durante a Eucaristia, trocamos olhares cúmplices com as outras Famílias de Caná. Todos nos sentimos verdadeiramente felizes por podermos partilhar este momento...

Regressamos a casa, com o entusiasmo próprio dos dias de festa. Para o almoço, temos pizza, a pedido da maioria:

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 E depois, enquanto o pai e a mãe arrumam a cozinha, os filhos preparam o teatro das Bodas de Caná. Que grande festa fazemos! Cantamos, dançamos, batemos palmas, e finalmente, as Bodas:

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 - Oh, já acabou?

- Foi curtinho, Sara, este texto é mais rápido que o do Natal...

Um ar amuado:

- Posso ficar com o vestido?

- Claro!

- Mas convém tirar antes de ajudares a fazer os bolinhos!

Sim, porque a festa ainda não terminou... Cá em casa, temos a bênção de ter uma Clarinha especialmente dotada para a doçaria, arte que não herdou da mãe!

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 E depois do lanche, jogamos cartas. Lembram-se do jogo "House" que jogámos nas nossas férias? Os meninos não o esqueceram e, de vez em quando, repetimos a dose! Não exige grandes quantidades de tempo, e dez minutos de "House" são suficientes para proporcionar alegres gargalhadas:

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Depois das cartas, o pictionary. Mais gargalhadas!

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 Não julguem que é fácil adivinhar o significado dos rabiscos da Sara, do António, e especialmente, bem... da mãe!

 Lá fora, há frio e chuva. Mas cá dentro, brinca-se sem parar. Até o pai e o Francisco jogam dardos na garagem. A Clarinha precisa de estudar um bocadinho, e vem ter comigo, de livros na mão:

- Há algum lugar nesta casa em que eu possa trabalhar?

É nestes momentos que as chaves dão jeito:

- Clarinha, tranca-te no escritório e não abras a porta aos manos até acabares! Entretanto, e para estares sossegada, vou contar-lhes uma história.

Há poucos momentos mais cobiçados cá em casa que aqueles em que nos sentamos no sofá de livro na mão. Hoje cabe à Lúcia o direito a escolher a história.

Uma das vantagens de se terem vários filhos é que a brincadeira precisa de nós apenas em pequenas doses. A dose maior é sempre entre eles! Assim, durante a tarde, e aos bocadinhos, vou trabalhando no novo site Famílias de Caná, que está quase, quase pronto...

À noite, antes de dormir, a Lúcia tem uma coisa para me dizer:

- Depois dos dias dos retiros e das festas de anos, este foi o melhor dia!

E o melhor dia ainda não está terminado para os mais velhos. Ainda falta a hora de oração paroquial, diante do Santíssimo, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. É aí que Maria, como em Caná, nos diz:

 

"Fazei tudo o que Ele vos disser!" (Jo 2, 5)

 

E é isso mesmo o que queremos fazer.

Um grande abraço a todas as Famílias de Caná, as que conhecemos e as que o são no seu coração, sem que nunca nos tenham dito! Que a todas, o Senhor abençoe! Ámen!

 

 

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Tempo para brincar

por Teresa Power, em 11.01.16

A chuva cai desalmadamente do céu, como tem acontecido quase ininterruptamente nas duas últimas semanas. No jardim, apenas as galinhas esgravatam, felizes. Já pensámos até em vestir os fatos-de-banho para fazer natação no jardim, pois não sabemos de que outra forma podemos aproveitar o "lindo" relvado...

Mas é o último dia de Natal, e há que festejar! À mesa, acendemos as cinco velas da nossa "Coroa de Advento" e cantamos cânticos natalícios.

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Durante a tarde, ao desmanchar e arrumar o Presépio e a Árvore de Jessé, recordamos as férias de Natal.

- Lembras-te do passeio de bicicleta que fizemos?

- Sim, David, e aquele jogo de bola?

- Ah, a mãe fez um castelo de legos comigo!

- E o pai levou-nos ao parque...

- Estava tanto sol!

Sorrio, enquanto escuto os meus filhos a conversar sobre tanta brincadeira. Férias significa muita coisa. E uma das mais importantes é, sem dúvida alguma, a brincadeira. Em férias, temos tempo para brincar juntos, pais e filhos, sem pressas, sem horários. Ah, com que sofreguidão nós aproveitámos aqueles dias bonitos de sol! Mal sabíamos que seriam os últimos durante longas semanas!

Brincámos na praia...

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Brincámos no parque da Mealhada...

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Brincámos no parque da Curia...

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Brincámos no dia do Retiro, brincámos ao acordar e brincámos ao deitar. Quando chegou a chuva, brincámos em casa, pois então...

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E não pensem que só brincamos com os mais novos! Vejam como o Niall e o Francisco têm passado os seus serões, desde que o Natal trouxe este lindo presente ao Francisco...

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- Teresa, já reparaste no tempo que passamos a brincar? - Pergunta-me o Niall, feliz, depois de todos os enfeites de Natal arrumados e da sala aspirada. - Há quarenta e poucos anos que, mais do que tudo, brincamos... Brincámos em crianças, brincámos em jovens, os filhos vieram pouco depois e retomámos a brincadeira. E como ainda não deixámos de ter crianças em casa, ainda não deixámos de brincar!

- Tens razão!

- Para muitas pessoas, brincar é uma memória do passado, uma memória da sua infância ou da infância do seu filho, que entretanto cresceu. Há dezassete anos que temos crianças pequeninas... Ainda vai faltar algum tempo para que brincar com elas seja uma memória!

- Bem, o mais provável é que, ao deixarmos de brincar com os filhos, comecemos sem intervalo a brincar com os netos...

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Retomamos a conversa já depois dos filhos estarem todos a dormir.

- Sabes, Niall, para brincar com os filhos, como tu dizes, é preciso algum esforço. A brincadeira de que tu falas não é a brincadeira infantilizada de muitos adultos, que ocupam os seus tempos livres à volta de si mesmos, deixando a família sentada diante do televisor. Tu falas de uma brincadeira diferente, a brincadeira de quem se esquece de si mesmo para dar alegria ao outro...

- Sim, claro que sim. A partir do momento em que temos uma família ao nosso cuidado, a nossa felicidade passa sempre por ela. Brincar com os filhos, ou proporcionar aos filhos momentos divertidos, é bem mais interessante do que deixar os filhos em casa para satisfazer os nossos interesses pessoais!

- Nem todos acham isso...

- Porque nunca experimentaram verdadeiramente esquecer-se de si. Como fez Maria, correndo a visitar Isabel.

- Sabes o que descobri outro dia? Descobri que o Antigo Testamento termina com uma frase muito sugestiva.

- Ai sim? E que frase é essa?

- Ora escuta:

 

"Fará com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais..." (Ml 3, 24)

 

- E assim somos lançados no Novo Testamento, com Jesus. Não é bonito? Só Jesus pode fazer com que os corações dos pais e dos filhos se aproximem. Porque só Jesus pode dar sentido à nossa renúncia, à capacidade de nos esquecermos de nós para que o outro, o filho, se sinta amado.

- E o paradoxal é que é precisamente nesse esquecimento que encontramos a felicidade... Não te sentes plenamente feliz com tanta brincadeira, mesmo que com isso não tenhas tanto tempo para os teus hobbies pessoais?

- Se queres que seja sincera, nunca reparei numa contradição entre uma coisa e outra... Os meus hobbies pessoais passam cada vez mais pelo tempo de qualidade que passamos juntos. Acho que faz sentido: quando Deus repara no nosso esforço em renunciar ao nosso tempo livre para o dar à família, Ele também aumenta o prazer que encontramos neste tempo familiar, ao mesmo tempo que nos faz perder o interesse nos prazeres também bons, mas mais egoístas.

- Oh, de que maneira! Deus nunca Se deixa vencer em generosidade...

 

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Sarau de Natal

por Teresa Power, em 30.12.15

- Meninos, hoje durante o dia todos preparam uma peça para o sarau de Natal - Anuncia o Niall ao pequeno-almoço.

Grande excitação:

- Uma peça? Pode ser uma canção?

- Um truque de magia?

- Um poema?

- Ou uma história...

- Uma rima!

- O que quiserem. E claro, também vamos fazer a representação completa da história do Natal. Decidam entre vocês as personagens e procurem as roupas apropriadas!

Todos lançam mãos à obra. Não há tempo a perder, e os saraus na nossa casa costumam ser bem divertidos. Ninguém quer ficar para trás! Durante todo o dia, trocam-se segredinhos, procuram-se histórias, o Francisco fecha-se no quarto a preparar a sua magia, a Lúcia escreve a sua peça numa folha de papel e ensaia a Sara a preceito.

Jantamos cedo, para termos tempo para o nosso sarau. Ainda não são oito horas quando a festa começa! Eu sou a narradora:

 

"Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recensada toda a terra... Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém..." (Lc 2)

 

- Depressa, Sara, não deixes cair as asas! Anda, sobe para a cadeira! Isso...

 

"E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de Maria dar à luz. E ela teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria." (Lc 2)

 

- Truz-truz! Ó da casa!

O António é um S. José muito compenetrado.

- Olha, Maria, ninguém nos abre a porta! Anda, está ali uma gruta!

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 "Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles. E tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo. Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.»" (Lc 2)

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- Sara, podes voltar para o teu lugar, que a pastorinha já vai visitar o Jesus. Isso, vai batendo as tuas asas!

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 "Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente..."

(Mt 2)

 

- Olha o Francisco com o telescópio que a Lúcia recebeu no Natal!

- Achas que os magos tinham telescópio?

- Bem, acho que não tinham cachecóis de Portugal. Mas vamos ouvir a história...

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 "Os magos puseram-se a caminho. E a estrela seguia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra." (Mt 2)

 

- O que é "prostrando-se"?

- É adorando com a cabeça por terra, assim...

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 - Vamos cantar?

- Toca, David, na tua guitarra nova! A Clarinha acompanha no bandolim. Vamos cantar...

- O Menino está dormindo nas palhinhas deitadinho!

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Depois desta belíssima representação, chega a hora de cada um fazer a sua peça no sarau. O David explica-nos o significado de algumas palavras bíblicas, como "confins" da terra. Segundo podemos perceber, o seu pequeno missal mensal traz muitas informações interessantes!

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 A Clarinha canta-nos uma canção de Natal acompanhada do seu novo bandolim, enquanto com os pés toca outros instrumentos, no mínimo, interessantes:

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A Lúcia e a Sara leem juntas uma bela história. A Sara está tão bem ensaiada pela irmã, que não falha uma única das suas falas, memorizadas a rigor! Ora vejam como são difíceis as falas da Sara: "Uma história de Jesus" e "Eu sou a Sara, de três anos". Quanto à Lúcia, a sua versão dos acontecimentos de há dois mil e quinze anos atrás é simplesmente fantástica!

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 O António fala-nos da difícil tarefa de S. José, a bater de porta em porta. Nas mãos tem um belo desenho, que ilustra na perfeição a sua narrativa:

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 O Francisco conta-nos toda a história do Natal num único truque de magia. Que delícia, ver como a Rainha de Corações dá à luz o Messias, que é o Rei de Corações! Os Corações de Maria e de Jesus também podem ser representados num baralho de cartas, pois então!

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Por fim, a mãe e o pai declamam dois poemas de Natal.

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 O sarau chega ao fim. São nove e meia da noite, e os mais pequeninos têm de dormir. Mas ninguém quer que a festa termine. A Sara vem ter comigo de mansinho e faz-me uma pergunta:

- Podemos fazer tudo outra vez?

- Não, Sara, não podemos fazer tudo outra vez. Mas vamos terminar com uma canção. Queres cantar sozinha, enquanto bates as tuas asas de anjinho?

A Sara concorda. Deixo-vos com a sua canção, e desejos de um 2016 cheio de bênçãos do Senhor!

Venham a Fátima, fazer retiro e passar a Porta Santa connosco! É já no dia 2, e queríamos tanto encher a sala maior do Centro Paulo VI! Ainda faltam muitas famílias para o conseguirmos, mas Natal é tempo de milagres. Inscrevam-se! Na coluna lateral deste blogue têm toda a informação necessária!

 

 

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Natal

por Teresa Power, em 28.12.15

- Sara, amanhã é dia de Natal! Não chores!

A Sara estava triste porque não queria ir embora. Estávamos na casa das avós, onde passámos toda a tarde e a consoada de dia 24. Depois de um belo jantar, cantámos cânticos de Natal em volta do presépio e agora chegara a altura de ir para casa. Mas a Sara não queria ir embora.

- Amanhã, Sara, quando acordares é Natal! Sabes o que é Natal?

A Sara sabia:

- Jesus vai nascer.

- Pois é, Jesus vai nascer. E para celebrar tão grande festa, tu vais ter prendas!

Por esta não esperava a Sara.

- Prendas?

- Sim! - Os manos conhecem todos os segredos do Natal: - Amanhã, quando acordares, acordas o papá e a mamã, porque eles têm a chave da sala bem guardada debaixo da almofada...

- Claro! Não queremos correr o risco de ter os presentes todos desembrulhados às duas da manhã, como já quase aconteceu! E não se atrevam a acordar-nos antes das seis horas, que nós só abrimos a porta às seis!

A expetativa das prendas de Natal convenceu a Sara a entrar no carro para regressar a casa. A viagem de regresso, pelas estradas desertas, sob a luz das estrelas e ao som dos cânticos de Natal, é em si mesma uma oração.

Sete da manhã, dia de Natal:

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E quando a porta se abriu, que alegria! Papel de embrulho por todo o lado, gritos de excitação, a sala transformada em cenário de fantasia...

Depois, entre exclamações de felicidade, ajoelhámos e agradecemos ao Menino todas as bênçãos deste ano e deste Natal.

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E depois de um pequeno almoço de festa, com bolos e panquecas, chegou o momento principal do Natal: a missa.

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 O dia foi de festa, entre muitas brincadeiras com os primos e tempo de conversa calma para os adultos. Natal é também esta disponibilidade para estar com a família alargada, sem pressas.

- Meninos, vamos rezar o terço - Anunciei, na viagem de regresso de Coimbra até casa. Geralmente, o terço leva pouco mais de quinze minutos a rezar, mas desta vez durou a viagem inteira, cerca de meia hora. É que a cada mistério da alegria, aproveitei para contar a história do Natal com todos os pormenores. Há tantos detalhes que as crianças desconhecem, e que tornam a história tão bela! Porque ficou Maria perturbada com o anúncio do anjo? Como se chamava a terra onde vivia Isabel? Porque teve Maria de ir a Belém? Quem estava no Templo à espera de Jesus, quando Maria e José O foram apresentar?

- Vamos para o último mistério da alegria - Anunciei, já muito perto de casa. - Quem sabe qual é?

- Eu sei! Eu sei!

- Então diz lá, António.

- Jesus e os médicos!

- ???????

Pois... Que outros "doutores" conhece o António? Por entre gargalhadas, fui explicando a diferença entre os médicos e os doutores da Lei. A oração do Rosário é para nós a forma mais simples e eficaz de ensinar a Palavra.

Chegou a noite, e com ela, a hora de oração familiar. O dia foi perfeito, e há que agradecer. Agora temos mais dois belos instrumentos a encher de música esta nossa oração:

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 E apesar de só terem passado doze horas desde que o David e a Clarinha descobriram os seus presentes de Natal, o som já é maravilhoso!

A Árvore de Jessé está pronta, cada símbolo uma história de amor...

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Por sobre o Presépio, as estrelinhas das nossas obras de misericórdia iluminam a noite...

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Que segredos de misericórdia guardará cada uma delas?

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"Anuncio-vos uma grande notícia: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador!" (Lc 2, 11)

 

Feliz Natal!

 

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publicado às 06:00

É Advento, feliz ano novo!

por Teresa Power, em 02.12.15

O dia amanheceu luminoso. Os meninos saltaram da cama com grande entusiasmo: é advento! E isso significa o início de um novo ano litúrgico e uma grande azáfama em nossa casa.

Depois da missa e do almoço, o pai foi com os quatro mais novos apanhar musgo.

- Descobri um sítio perfeito - Disse o Niall, antes de partirem. - Vamos de carro para podermos transportar todo o musgo.

Parece que o sítio era mesmo perfeito! Ora vejam as fotos:

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 Entretanto, em casa, a Clarinha, o Francisco e eu estávamos muito ocupados a preparar o Canto de Oração. Enquanto eu e a Clarinha passávamos a ferro e procurávamos os panos mais bonitos, o Francisco martelava, cortava e colava, porque a cabana do Presépio sofreu um pequeno acidente durante o ano em que esteve guardada...

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 - Vejam, tanto musgo! - Gritaram os mais novos, entrando de rompante em casa e deixando um trilho de terra e ervas atrás de si.

Abrimos as caixas dos enfeites, a Árvore de Jessé, as caixas com o presépio, e a sala encheu-se de exclamações e risos felizes.

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- O que fazemos aos reis magos?

- Fazemos, como?

- Eles só chegaram ao presépio no dia 6 de janeiro, não é?

- Tens razão, David! Vamos fazer assim: vamos colocar um rei em cada quarto. A cada domingo, vamos aproximá-los um bocadinho... Podem passar dos quartos para o escritório, do escritório para a cozinha, até chegarem ao presépio.

- Boa!

E lá fomos nós...

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Quando o presépio e a árvore de Natal ficaram prontos, a sala parecia uma cidade arrasada por um terramoto. Era preciso varrer, aspirar, limpar, arrumar. Para facilitar a tarefa, os mais novos tiveram autorização para patinar à luz das estrelas, enchendo a noite de gargalhadas, enquanto o Francisco, a Clarinha, o Niall e eu fazíamos o que tinha de ser feito. Por fim, a nossa casa brilhava à luz do Advento.

- Meninos, depressa, vamos cantar à volta do presépio!

- É para rezar agora?

- Já podemos entrar?

- Está tudo pronto?

- Vamos, vou contar a primeira história da Árvore de Jessé!

Reunidos na sala, acendemos as velinhas no presépio e ligámos as luzes da Árvore de Jessé. Depois, e porque era domingo, o António acendeu a primeira vela da nossa Coroa de Advento. Para a semana, a Lúcia acenderá duas velas, e no terceiro domingo será a vez do David acender três velas...

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 - Que lindo que está tudo, mãe!

- Olha, este pastorinho está à procura do caminho...

- E esta ovelhinha está mesmo ao lado do Jesus!

Vamos rezando de olhos fixos no presépio. Bem, olhos, mãos, e se nos distraímos, até pés...

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 - E agora, chegou o momento de colocarmos o primeiro símbolo na Árvore de Jessé.

- Eu!

- Eu!

- Não: o primeiro é para a Sara. Eu leio a frase, e a Sara encontra o símbolo. Podem ajudar, mas ela é que o coloca na Árvore! Ouçam então...

Com um sorriso escancarado, a Sara pegou no símbolo da pomba e colocou-o na Árvore, triunfante.

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 Por sobre o presépio, eu escrevi a Palavra que este ano nos vai iluminar. É a Palavra que os habitantes de Belém não conseguiram escutar, naquela noite de Natal em que Maria e José procuravam desesperadamente um lugar para Jesus; é a Palavra que o mundo ainda não conseguiu compreender, dois mil e quinze anos passados; é a Palavra do Ano Santo, a Palavra que abrirá a grande Porta da Misericórdia, no próximo dia 8, e que abrirá a porta dos nossos corações...

 

"Eis que estou à porta e bato. Se alguém abrir, entrarei e cearei com ele, e ele comigo." (Apo 3, 20)

 

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 Para todos, um feliz ano novo!

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Árvore de Jessé e o Advento

por Teresa Power, em 26.11.15

O Retiro Diocesano das Famílias, em Castelo Branco, terminou com a eucaristia presidida pelo senhor bispo D. Antonino. Durante o ofertório, os jovens e as crianças ofereceram ao Senhor o seu trabalho do dia inteiro: a Árvore de Jessé, artisticamente decorada com luzes, sinos e bolas, como convém a qualquer Árvore de Natal, e ricamente vestida da Palavra de Deus através dos símbolos de Jessé.

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 Ali, no retiro, a Árvore de Jessé foi feita num único dia. O Niall contou história após história, que intercalou com divertidos jogos, e os meninos foram procurando os símbolos correspondentes às histórias. Nas nossas casas, esta atividade deve demorar o Advento inteiro, como expliquei no ano passado, neste post. Querem experimentar?

Dizem os Evangelhos que Jesus é descendente do Rei David. As histórias do Rei David - cheias de dramatismo e suspense como convém a qualquer rei - estão narradas no Primeiro e no Segundo Livro de Samuel. Aí ficamos também a saber que David era filho de Jessé. Mais tarde, Isaías profetizará:

 

"Brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes, um ramo surgirá." (Is 11, 1)

 

Se quisermos, pois, fazer a árvore genealógica de Jesus, teremos de ir até Jessé, pai de David. Mas Jesus não descende apenas de Jessé: Jesus é verdadeiramente o Filho do Homem, prometido por Deus desde o início da humanidade, no Jardim do Éden, como o Redentor do género humano. Assim, se quisermos traçar a árvore genealógica de Jesus, precisamos de fazer como Lucas no início do seu Evangelho, e subir até Adão.

Então tomemos a Bíblia nas mãos e comecemos! A cada dia do advento, tomemos uma história bíblica, começando no Génesis, passando pelo Êxodo, juízes, profetas, reis, até chegar à história do Natal. E por cada história, penduremos na Árvore de Natal uma imagem, até a revestirmos por inteiro da Palavra! Os símbolos, fui buscá-los a este post num blogue americano; as passagens bíblicas correspondentes podem ser encontradas neste PDF: Árvore de Jessé

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No advento passado, a aventura foi magnífica. Domingo iniciaremos a aventura deste advento! Que o Senhor a todos abençoe, para que também nós, descendentes de Adão, sejamos descendentes de Jesus, unidos na única família dos Filhos de Deus. Ámen!

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O caminho do presépio em dia de Cristo Rei

por Teresa Power, em 25.11.15

- Viva, hoje é dia de retiro!

Foi com o entusiasmo do costume que os meninos entraram nos carros, domingo de madrugada. Às nove e meia da manhã deveríamos estar no seminário de Alcains, perto de Castelo Branco, para orientar o Retiro Diocesano das Famílias. E para os meus filhos, "retiro" é sinónimo de festa, amigos velhos e amigos novos, boa comida e muita, muita alegria.

- Tu viveste em Castelo Branco, não foi, mamã?

- Sim, vivi em Castelo Branco até entrar na universidade. Depois a vida deu muitas voltas... O meu papá morreu, a minha mãe regressou à sua terra natal, Aveiro. Desde então, talvez não tenha ido a Castelo Branco mais do que duas ou três vezes.

- E tu gostavas de Castelo Branco?

- Adorava! Adorava mesmo... O céu muito azul, as ruas brancas, o frio e o calor, os amigos, e sobretudo, a minha casa onde cresci com tanto amor... Tudo me deixou saudades!

A viagem foi feita sempre no limite superior de velocidade, e ao passarmos ao largo de Castelo Branco mal tive tempo de apontar para o castelo, os prédios, os campos, as recordações de infância e juventude que deslizavam, velozes, à beira da estrada. Por fim, o seminário de Alcains e um belíssimo grupo de quase cem pessoas à nossa espera. Que alegria!

O retiro foi magnificamente preparado pela equipa da pastoral familiar, que nos presenteou com espaços bem organizados, lanches deliciosos e um belo almoço. Como sinal visível do Evangelho, e muito ao jeito do Papa Francisco, o almoço foi servido pelos dois sacerdotes que acompanharam o retiro. Bonito testemunho de caridade!

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Começámos o retiro por nos apresentar enquanto família. A Sara adorou o momento, claro!

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Depois, todos juntos louvámos o Senhor com cânticos e danças, e meditámos nos mistérios do Rosário.

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Durante o dia, fiz três ensinamentos sobre a caminhada familiar que o Advento nos propõe. Enquanto isso, o Niall deveria estar a trabalhar com os jovens, enquanto outra pessoa deveria estar a trabalhar com as crianças. Por motivos desconhecidos dos próprios organizadores do retiro, essa pessoa nunca apareceu.

- Vou ficar sozinho com trinta crianças e jovens, entre os três e os dezassete anos? - O Niall olhava para mim com os olhos muito grandes. Sim, era mesmo isso que estava a acontecer!

Enquanto eu fazia os ensinamentos, na sala ao lado a animação era completa. Podíamos perceber risos, cantos, brincadeiras e muitas gargalhadas. Eu sorria para mim mesma: o Senhor não tinha abandonado o Niall na sua tarefa de evangelização! De facto, nos intervalos, eu fui testemunha do entusiasmo dos mais novos que, transbordando felicidade, corriam para junto do Niall:

- Niall, quando é o próximo jogo?

- Niall, qual é a próxima história?

- Para estes retiros podes trazer-me sempre, mãe! - Dizia uma jovem de dezasseis anos que tinha pensado ficar apenas durante a manhã e acabou por ficar o dia inteiro.

As fotografias falam por si:

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- Niall, como conseguiste agradar a crianças e a jovens ao mesmo tempo? - Perguntei, por fim, completamente maravilhada com este dom que o Senhor lhe deu. Ele encolheu os ombros:

- O Francisco e a Clarinha ajudaram-me imenso. Dei-lhes várias tarefas para realizar como animadores, e cumpriram-nas na perfeição. Além disso, todos os meninos eram educados e estavam ali de coração aberto, prontos para escutar, trabalhar e brincar. E claro, a obra é do Senhor, que tomou conta da situação!

(Fica prometido para amanhã um post sobre o conteúdo catequético do trabalho do Niall neste dia...)

O dia estava a chegar ao fim. Faltava o momento mais importante: a Eucaristia. E de repente, surpresa das surpresas: o senhor bispo D. Antonino, bispo da diocese de Portalegre e Castelo Branco, estava diante de nós, pronto para presidir. Que grande alegria! Na homilia falou-nos dos desafios nascidos no sínodo dos bispos sobre a família, segundo o que ele próprio viveu enquanto participante. Que bela prenda o Senhor nos fez!

- Vamos embora de coração cheio - Diziam as famílias, despedindo-se.

Eu pensei nos pastores que visitaram o Menino no Presépio de Belém:

 

"Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. E os pastores voltavam, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido."

(Lc 1, 17-20)

 

Depois pousei os meus olhos na imagem de Cristo Rei, que presidiu ao nosso encontro, neste dia soleníssimo de Cristo, Rei do Universo. E rezei para que sejamos sempre testemunhas deste reinado de amor, correndo apressadamente, como os pastores, entre o presépio e a nossa vida de todos os dias...

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