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A chuva de graças

por Teresa Power, em 16.02.16

O Retiro em Coimbra foi das experiências mais belas que temos tido. Digo-o de coração cheio, e de coração profundamente grato pela partilha de vida com famílias verdadeiramente fantásticas. Deus nunca Se deixa vencer em generosidade, e dá-nos sempre muito, muito mais do que ousamos pedir...

Tinhamos oito famílias inscritas - três de Coimbra, duas do Porto, uma de Tomar, uma de Lisboa e outra de Cantanhede. Mas ao longo de todo o sábado, no meio da chuva torrencial que alagou o nosso país, cortou estradas, fechou barras, espalhou viroses e a todos encerrou nas suas casas, as desistências foram chegando. Ficámos com apenas cinco famílias.

- Achas que vale a pena continuar a pensar em fazer retiro? - Perguntava-me o Niall, quase à noite, quando a querida Lilian nos comunicou que estava de cama cheia de febre e, portanto, não podia ir.

- O quê? Desistir agora? Depois do trabalho todo que a Cláudia e o Cristóvão, o João e a Sónia têm tido? E como vais dizer aos teus filhos mais pequenos que já não vão brincar com os seus queridos amigos? Eles estão ansiosos por encontrar a Alice, a Leonor, a Madalena, o Gaspar, o António e o bebé Matias... Não, não podemos fazer uma desfeita dessas!

- Bem, então se não aparecer nenhuma família, ficamos nós e as famílias da Cláudia e da Sónia em amena cavaqueira de Caná.

- Assim é que se fala!

O domingo acordou cheio de chuva, e Coimbra encontrava-se no centro da tempestade. Onde nos iríamos nós meter? Mas as crianças acordaram felizes: era dia de retiro! Sorrimos um para o outro: a Sara nunca conheceu a vida sem retiros Famílias de Caná, e para ela, ir a um retiro é tão natural como ir à escola ou a casa da avó.

-Uum, que cheirinho! - Diziam os meninos, ao acordar. - Bifes panados?

- Sim, estamos a preparar o piquenique - Respondi, da cozinha. Eles riram:

- Piquenique com esta chuva toda? Vai ser divertido!

- Não se preocupem, porque vamos estar sempre dentro do Centro Paroquial. E lá não chove!

Mas durante a viagem choveu. E quando saímos do carro, em Coimbra, caía granizo... Nada que pudesse perturbar o sentimento de felicidade ao sermos acolhidos pelas duas Famílias de Caná com quem já partilhamos tão grande amizade. O Cristóvão, a Cláudia, o João e a Sónia tinham tudo preparado para um dia em cheio, e um abraço amigo para nos receber.

E num instante, o salão encheu-se com as cinco famílias que vieram. Ena, que grande festa! Pudemos finalmente conhecer ao vivo - porque virtualmente já nos conhecíamos e já nos tratávamos por amigos - a família da Sónia e do Tiago , com os seus três lindos filhos, e a família da Marta e do António. Já ouviram falar no projeto que este casal - divertidíssimo, alegre e transbordante de simplicidade - desenvolve? Chama-se  datesCatólicos.org  e promove o encontro entre pessoas católicas solteiras, que gostariam de encontrar o seu futuro marido ou mulher num ambiente católico. Um projeto bem adequado ao dia de S. Valentim!

Conhecemos também mais algumas famílias, que nos encantaram pela sua simplicidade e disposição de coração, revemos os nossos amigos de Tomar, que com a família da Olívia, dinamizam a Aldeia de S. João Batista, e fomos maravilhosamente acolhidos pelo senhor padre Carlos Pinho na sua paróquia. Quanta profundidade e quanto amor nas suas palavras e nos seus gestos! "Façam boa viagem para lá e para cá!" Disse-nos o senhor padre à despedida, com uma gargalhada simpática. Claro que voltaremos!

Deixo-vos as fotos do dia - o espaço acolhedor, os corações de S. Valentim (ou os nossos corações misericordiosos...) a sorrir e a fazer cara feia, acolhendo ou rejeitando o amor do Senhor, as brincadeiras dos mais novos e os trabalhos dos mais crescidos, a oração, o terço, a adoração, os ensinamentos, a magia, a música, a alegria... Deixo-vos as fotos mas o resto, o essencial, terão de imaginar. Ou, se quiserem, terão de vir experimentar um dia!

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 - Mamã, quando é o próximo retiro? - Perguntava uma simpática menina loira.

- Oh, temos de ir já embora? - Refilava um rapazinho.

- Só podemos ir embora quando eu encontrar as chaves do carro grande - Respondia eu, já aflita, depois de todo o salão varrido, lavado e arrumado, e do Niall ter carregado o nosso carro mais pequeno. - Niall, ajuda-me! Não encontro as chaves do carrro! - Começávamos a ficar bastante nervosos, os amigos reviraram novamente os caixotes e os restos dos piqueniques, quando o Niall decidiu ir procurar... ao próprio carro. E descobriu que eu deixara as chaves na ignição o dia inteiro

Nos testemunhos finais, antes da última oração, as famílias partilharam a sua perceção do dia e os seus sentimentos. Procurando encontrar uma frase que exprima o sentimento comum manifestado, ocorre-me esta passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos:

 

"Os primeiros cristãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum..." (At 2, 42-44)

 

 

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publicado às 06:00


7 comentários

De Bruxa Mimi a 16.02.2016 às 08:10

Bom dia!
Continuo sem perder pitada dos posts que aqui aparecem, mas ando a comentar menos... falta de inspiração minha ou inspiração a mais nos posts (que me deixam com tantas palavras que não dá para escrever tudo e então não escrevo nada)!
Os retiros são sempre uma boa experiência, mas confesso que gostaria de estar num com poucas famílias - até agora só estive com a "casa" muito cheia!
Beijinhos

P.S. - A Sara não faz anos em setembro? Estive a reler o post anterior e desta vez reparei que dizes que a festa de anos dela é em outubro e fiquei a pensar no assunto! :-)

(*revimos os nossos amigos)

De Teresa Power a 16.02.2016 às 08:43

Pois é, enganei-me na data de aniversário da Sara. Talvez não mereça mesmo ir à sua festa :) Vou já corrigir o post!!!! É o que faz ter filhos a mais :)
Quanto aos retiros, acho que tens razão: a experiência com dez famílias ou menos é mais intimista, e gera mais amizades. Tens de experimentar! Bjs

De Olívia a 16.02.2016 às 09:16

Tu não tens filhos a mais!!! Então eu com três troco-lhes sempre os nomes... e tenho de pensar com calma nas datas imagino o teu esforço (e o teu cansaço...)


Gostei de "estar" um bocadinho no retiro pelas vossas palavras e imagens!

Bjs grandes

De Anónimo a 16.02.2016 às 16:27

A menina que está na fotografia n.º 2 é a Sara? Está a ficar com feições de menina crescida. Mas está muito séria para o costume. Gosto muito do sorriso dela. Na fotografia n.º 14 já está mais risonha.
Rezem também por nós que não estivemos lá.

De Teresa Power a 16.02.2016 às 17:04

No terço familiar, rezamos todos os dias pelos leitores do blogue :) Rezem também por nós!

De Cláudia Duarte Sousa a 16.02.2016 às 23:09

Olá!
Para nós foi grande a satisfação de vos receber por cá. Apesar de todas as dificuldades, foi um dia de muito "Sol", de muitas bençãos. Obrigada pela presença de todos, venham mais retiros! Gostámos muito da experiência.
Beijinhos a todos.

De Cristóvão a 16.02.2016 às 23:24

Eu senti que apesar de todo o temporal lá fora, o sol irradiava nos nossos corações. Com a alegria que só a esperança em Deus dá!
E no final do dia, logo depois do momento de partilha, quando saí à rua para religar o disjuntor (ficámos sem electricidade algumas vezes), uns raios de sol romperam as nuvens e eu vi um lindo arco íris. Para mim, foi um sorriso de Deus!

Ah e os corações que as crianças fizeram, uns eram corações que se alegram com o amor, e outros eram os nossos corações de pedra que, se o permitirmos, o Senhor transformará em corações de carne ao longo da Quaresma

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