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A escola das injustiças e o Reino de Deus

por Teresa Power, em 11.06.15

Só quem é professor imagina as angústias que os professores vivem nestes dias de avaliações. Em cada reunião, analisamos os alunos em risco de retenção até à exaustão, fazemos "futurismo", como dizemos na nossa gíria, imaginando o que irá acontecer caso o aluno passe e caso fique retido, recolhemos os bocadinhos de esforço e os restinhos de trabalho demonstrados por alunos mais problemáticos, refletimos, mudamos notas, voltamos atrás, avaliamos o impacto de uma retenção no contexto familiar, contamos pequenas histórias de cada aluno que ajudam a puxar um sorriso, a criar empatia. Um professor nunca é - embora haje quem o pense - indiferente ao destino dos seus alunos, por muito que estes alunos o tenham desafiado e até insultado. As reuniões de avaliação são sempre, para mim, uma grande lição de humanidade.

E no entanto, apesar de todos os esforços, de toda a boa vontade, somos sempre injustos. Porque o João passou, e o José, numa reunião diferente, com um conselho de turma diferente, ficou retido. Porque conseguimos comparar notas, mas não pessoas, histórias de vida, contextos familiares. E esta sensação de termos sido injustos algures durante o caminho insiste em nos acompanhar pela vida.

Nestes dias de avaliações, lembro-me da jovem beata Chiara Badano. Também ela sofreu muito com a escola! Durante a sua adolescência teve inclusive de repetir um ano. Os colegas de Chiara são unânimes a dizer que a Chiara foi vítima de uma enorme injustiça, chumbada num exame para o qual se preparou muito bem, mas avaliada negativamente por uma professora que não gostava dela, num tempo em que as avaliações não eram sujeitas ao controlo dos tempos atuais.

IMG_20150609_0001.jpg

Terá esta injustiça quebrado a fortaleza de Chiara? Pelo contrário: esta injustiça foi, para a jovem Badano, um trampolim para a santidade. Chiara aproveitou a oportunidade de ter sido injustiçada para crescer no amor fraterno: jamais permitiu que, junto dela, se falasse mal da professora em causa; continuou a cumprimentá-la com o seu sorriso pronto; e ofereceu o o seu sofrimento "a Jesus Abandonado". Chiara entrou na escola, no ano seguinte, de cabeça levantada, tomando lugar na sua nova turma com simplicidade e alegria. A injustiça que sofreu desafiou Chiara a tornar-se santa.

Cá em casa, ouço com alguma frequência os meus filhos a queixar-se de injustiças, quer da parte dos professores, quer dos colegas - porque o trabalho de grupo que não foi bem avaliado, porque o teste que foi demasiado curto ou demasiado extenso, porque o colega fez barulho e não deu para ouvir qual era o trabalho de casa. Que fazer com estas pequenas injustiças (e atenção que não estou a falar de bullying ou de coisas realmente graves)?  Ajudemos os nossos filhos a aproveitar estas oportunidades para crescer em perdão, compreensão, auto-controlo, fraternidade. Não os encorajemos a queixar-se por pequenas coisas - geralmente são mais pequenas do que as imaginamos! Ninguém se torna santo sem sofrer contrariedades. Diz Isaías, profetizando sobre Jesus:

 

"Entreguei as minhas costas aos que me batiam, e as minhas faces aos que me arrancavam a barba; não escondi o rosto aos ultrajes e às cuspidelas. Conservei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei envergonhado." (Is 50, 6-7)

 

Ah, vamos ficar tão surpreendidos quando chegarmos ao céu, e descobrirmos quais os trampolins luminosos que nele nos lançaram...

 

 

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publicado às 06:20


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