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A geografia da vida

por Teresa Power, em 04.10.14

Fui buscar os meninos ao colégio, como de costume. No meio da algazarra, ainda no carro, a Clarinha disse-me que estava muito confusa com a aula de Geografia. Sugeri que conversássemos quando chegássemos a casa, pois o choro, o riso e o barulho dos seis não permite grandes conversas durante a nossa curta viagem.

E assim foi. Enquanto lanchava, a Clarinha disse-me:

- Mamã, a professora disse hoje uma coisa que não entendi. Foi mesmo no fim da aula, por isso não deu tempo para perguntar!

- E que disse a professora?

- É sobre a taxa de natalidade e de mortalidade. Estávamos a falar nos países sub-desenvolvidos, e ela disse que ambas as taxas são muito elevadas nesses países. Disse depois que a taxa de mortalidade está a baixar, graças aos esforços de muitos.

- E o que é que tu não entendeste?

- Não entendi o que a professora disse a seguir: disse que agora faltava conseguir que nesses países baixasse também a taxa de natalidade! Por que razão querem as pessoas baixar a taxa de natalidade nesses países? Eu pensei que era sempre muito bom quando nascia um bebé!

Senti o sangue a ferver. Os manuais escolares são muito eficazes na propagação de mensagens subliminares (ou nem tanto), favorecendo uma visão da vida, da ciência e da cultura, geralmente contrária aos valores cristãos. Uma das mais belas tarefas dos professores é ensinar a pensar, a desmontar dados adquiridos, a questionar a realidade tal como ela nos é apresentada. A Clarinha tem uma óptima professora de Geografia, e frequenta uma escola católica, o que me dá esperança de que este questionamento venha a acontecer nas próximas aulas. Afinal, Jesus passou o tempo a desmontar preconceitos e a abrir as mentes dos seus ouvintes, oferecendo-lhes uma nova percepção da vida e de Deus. Os cristãos, ao imitar Jesus, não podem fugir a esta tarefa tão importante!

Assim, respirei fundo e sentei-me com a Clarinha.

- Clarinha, pensa comigo: que culpa tem um bebé de ser pobre? Que culpa têm os seus pais de viverem num país onde o alimento não é distribuído por todos?

- Nenhuma.

- Quem tem culpa então? Os políticos e todos nós, que desperdiçamos comida, que não distribuímos a riqueza, que somos gananciosos. Claro que é muito mais fácil dizer: "Vamos reduzir o número de pobres, impedindo que eles nasçam"  do que dizer: "Vamos reduzir o número de pobres, redistribuindo a riqueza imensa do nosso planeta." Faz-se uma lavagem cerebral aos pobres e diz-se-lhes que é mau terem tantos filhos... E nós, os ricos - sim, nós somos todos ricos - continuamos na nossa vida, sem um beliscão.

Clarinha, o problema dos países subdesenvolvidos não é o elevado número de crianças pobres e inocentes; o problema dos países subdesenvolvidos é o elevado número de políticos ricos e corruptos.

- Foi o que eu pensei - Respondeu a Clarinha com simplicidade.

Hoje à tarde decorrerá em Lisboa a quinta Caminhada pela vida - Pelo direito a nascer. Alguns passos para recordar ao mundo que a vida é o primeiro e o mais belo dom que nos é confiado; que as crianças são o bem mais precioso da humanidade; que todos nós já fomos mórula, embrião, feto, bebé; que ninguém está a mais neste mundo, mas infelizmente, muitos estão a menos; que a humanidade continuará num estádio de barbárie enquanto permitir a morte dos seus semelhantes, dentro ou fora do útero materno. É triste precisarmos desta caminhada... Mas é de uma enorme coragem fazê-la!

 

"Tu modelaste as entranhas do meu ser

e formaste-me no seio de minha mãe.

Dou-Te graças por tão espantosas maravilhas;

admiráveis são as tuas obras.

Quando os meus ossos estavam a ser formados,

e eu, em segredo, me desenvolvia,

tecido nas profundezas da terra,

nada disso Te era oculto.

Os teus olhos viram-me em embrião." (Sl 139/138)

 

Amanhã vou sentar-me com a Clarinha diante do seu manual de Geografia, porque suspeito que muito mais haverá por lá a desmontar e questionar. Teremos de continuar então a nossa conversa - por aqui também...

 

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publicado às 06:23




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