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A Providência Divina

por Teresa Power, em 23.10.15

Catequese. O meu grupo é constituído por adolescentes de catorze anos, atentos e mais ou menos interessados. Juntos, lemos o Evangelho:

 

"Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! Não temais, pois valeis muito mais do que os pássaros." (Mt 10, 29-31)

 

- Acreditam mesmo, mesmo nas palavras que acabámos de escutar? - Pergunto, perante o silêncio. Um encolher de ombros, alguns sorrisos.

- Isso é simbólico, Teresa!

- Alguém aqui acredita que Deus sabe quantos cabelos temos na cabeça?

Silêncio.

- Alguém acredita que Deus tem tempo para se preocupar com os passarinhos que caem do céu?

- Eu acho que não...

- Eu também acho que não deve ser bem assim...

A conversa está a ganhar forma. Durante meia hora, conversamos sobre a Providência Divina.

Mais tarde, de regresso a casa, escuto um piar aflitivo vindo do galinheiro. Os pintaínhos nasceram há poucos dias, e fazem as delícias dos mais novos. Que se passará? Corro ao galinheiro, e reparo que um deles, muito pequenino, conseguiu sair pela rede e está a tentar regressar, numa grande algazarra. Carinhosamente, pego-lhe com uma mão e devolvo-o à sua pobre mãe, que cacareja incessantemente.

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Depois recordo-me da conversa com os meus catequisandos. Será que eu acredito verdadeiramente que Deus cuida dos meus pintainhos, das minhas galinhas, dos cabelos da minha cabeça? Será que acredito verdadeiramente que Deus cuida de cada refugiado sírio, de cada criança com fome, de cada mãe abandonada? Segundo a Clarinha aprendeu em Geografia, parece que a cada trinta segundos morre uma criança com malária no mundo. Acredito verdadeiramente que Deus cuida dela?

O que é isto da Providência Divina? Até que ponto eu acredito - sem ver, sem compreender, sem sondar as profundezas, sem encontrar nenhum sentido - num Deus que me deixa livre de fazer o bem e de fazer o mal, num Deus que me ama mas permite que O não ame, num Deus que me acolhe mas permite que O rejeite, num Deus que morreu para que eu vivesse, num Deus que é só Amor?...

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publicado às 06:00




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