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A Via Sacra de Nossa Senhora

por Teresa Power, em 18.04.14

S. João termina o seu evangelho dizendo:

 

"Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever." (Jo 21, 25)

 

Ao longo da História, Deus tem colmatado esta "lacuna" através de visões e revelações oferecidas a santos que a Igreja já canonizou ou beatificou. Ontem contei-vos como cá em casa gostamos de meditar nos escritos da irmã Faustina, tão querida de João Paulo II. Hoje quero falar-vos da Beata Anna Catharina Emmerich, ainda pouco conhecida pela generalidade dos cristãos, e que é para a nossa família uma fonte de inspiração. Catharina foi uma irmã alemã que viveu no século XIX e que teve comoventes visões da paixão de Jesus e da vida de Nossa Senhora depois dos grandes acontecimentos da Páscoa. Ler os seus escritos é mergulhar no mistério do amor de Deus de uma forma profundamente avassaladora. Mel Gibson inspirou-se nestes escritos para o seu magnífico filme A Paixão de Cristo. Ora leiam esta passagem e digam lá se não reconhecem a cena do filme de Mel Gibson:

 

"Quando Jesus, depois da flagelação, caíra ao pé da coluna, mandara Cláudia Prócula, a mulher de Pilatos, um fardo de grandes panos à Mãe de Deus. Não sei mais se julgava que Jesus ficaria livre e a Mãe do Senhor lhe devia tratar as feridas com esses panos ou se a pagã compadecida mandou os panos para o fim o qual SS. Virgem os empregou.
Maria, voltando a si, viu passar o Divino Filho dilacerado, conduzido pelos soldados; Ele enxugou o sangue dos olhos com a túnica, para fitar a SS. Virgem, que Lhe estendeu as mãos, num transporte de dor e Lhe seguiu com a vista as pegadas sangrentas. Logo depois vi a SS. Virgem e Madalena, quando o povo se dirigia mais para o outro lado, aproximarem-se do lugar da flagelação. Cercadas e ocultas pelas outras santas mulheres e outra gente boa, que se aproximara, prostraram-se por terra, ao pé da coluna da flagelação e apanharam com os panos todo o sangue de Jesus, por toda a parte onde encontraram algum vestígio."
 

De acordo com Catharina Emmerich, a oração preferida de Nossa Senhora depois da morte e da ressurreição de Jesus era a Via Sacra. Ou melhor: foi a oração de Nossa Senhora que deu origem à Via Sacra! Maria encontrava grande consolo em percorrer o caminho que Jesus percorrera com a cruz. Ela lembrava-se perfeitamente de cada passo, de cada queda, de cada olhar. Acariciava a rocha que Jesus cobrira de sangue, beijava a terra que O amparara, chorava sentada nos degraus que Ele pisara.

Mais tarde, Maria mudou-se para Éfeso, para uma pequena casa de pedra mandada construir por S. João. Os detalhes da visão desta humilde freira conduziram a escavações e à descoberta desta casa de Maria, em tudo condizente com a descrição de Catharina. Hoje, as ruínas da casa de Nossa Senhora em Éfeso foram transformadas um humilde Santuário Católico, visitado por milhares de cristãos, entre eles os últimos papas. Aí, Maria meditava na Via Sacra em forma de caminhada, marcando, na colina por detrás da sua casa, cada acontecimento doloroso da paixão de Jesus com uma pequena cruz:

 

"Por trás da casa, até certa distância, na encosta da montanha, Maria Santíssima fizera para si uma Via Sacra. Enquanto morava em Jerusalém nunca deixara, desde a morte do Senhor, de percorrer-lhe o caminho da Paixão, chorando de saudade e compaixão. De todos os lugares do caminho onde Jesus sofrera, ela tinha medido a distância a passos: o amor imenso de Mãe extremosa não lhe podia viver sem a contínua contemplação desse caminho doloroso.
Pouco tempo depois de chegar àquela região, eu via-a diariamente, em visão interior, caminhar até certa distância, subindo a colina atrás da casa, nessa meditação da Paixão e morte do Filho amado. A principio ia sozinha, medindo pelo número de passos que tantas vezes contara as distâncias dos lugares onde Jesus sofrera certos tormentos. Em todos esses lugares erigia uma pedra ou, se havia ali uma árvore, marcava-a. O caminho conduzia a um bosque onde, numa elevação, marcou o Monte calvário e numa gruta de outra colina, o sepulcro de Jesus Cristo.
Depois de ter medido desse modo as doze estações da Via Sacra, percorria-a, em silenciosa meditação, acompanhada da criada; em cada estação da Paixão se sentavam, recordando no coração o mistério do respectivo sofrimento e louvando ao Senhor por seu infinito amor, com lagrimas de compaixão. Depois arranjaram as estações ainda melhor e vi que a Santíssima Virgem escrevia com um buril, na pedra assinalada, a significação do lugar, o número dos passos, etc. Vi também, depois da morte da Santíssima Virgem, os cristãos percorrerem esse caminho, prostrando-se por terra e beijando o chão”. (Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus, Anna Catharina Emmerich)

 

E assim nasceram as estações da Via Sacra!

 

 

Hoje à noite, teremos na nossa paróquia a via sacra, percorrendo as ruas da nossa aldeia. Iremos cantar, rezar e meditar, como Maria gostava de fazer. As ruas estarão iluminadas com centenas de pequeninas velas e perfumadas com flores primaveris. Jesus vai passar, e nós estaremos a seu lado...

 

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publicado às 08:58




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