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Caminho de santidade

por Teresa Power, em 22.10.15

Domingo de manhã. Depois do habitual pequeno-almoço de domingo, começa a correria.

- Mãe, posso levar o vestido novo à missa?

- Mãe, as minhas calças ainda não estão lavadas?

- Clarinha, penteias-me? Faz-me uma trança!

De repente, no meio da azáfama da manhã, corro para o computador.

- Meninos, Niall, venham cá! Quase que me esquecia! Hoje é o dia da canonização dos pais de Santa Teresinha, Luís e Zélia! Como é que podemos ver em direto?

Todos querem ver. O Niall liga o canal do YouTube do Vaticano (sim, o Vaticano tem destas coisas!) e de um momento para o outro, todos estamos lá, em Roma, no meio de uma imensa multidão...

São horas de ir para a missa. Os meninos vão entrando no carro, os mais velhos já impacientes porque vamos chegar tarde ao ensaio do coro. Mas eu espero diante do computador, até ver a pequenina que vai levar as relíquias ao altar. Vai vestida de cor-de-rosa, entre a mãe e o pai. Devia estar morta, mas não está, porque o milagre que provocou a canonização foi o seu milagre... As lágrimas correm-me pela cara, e mal consigo falar. É difícil acreditar que estou a viver um momento assim... O momento da canonização do primeiro casal não-mártir da História, em conjunto!

O sínodo da família tem gerado os mais intensos debates de todos os lados. Os meios de comunicação social ocidentais - sim, porque no oriente as questões não passam sequer perto destes temas - querem saber o que vai acontecer aos recasados e aos homossexuais, e toda a sociedade aguarda com expetativa alguma forma de mudança.

Será que os leigos se deram conta da enorme mudança que teve lugar no domingo, às dez horas da manhã em Itália? Diante de uma imensa multidão e do mundo inteiro, a Igreja afirmou que o matrimónio não é um sacramento de segunda, mas uma verdadeira escola de santidade, uma escola capaz de dar ao mundo famílias de santos. De tal forma o matrimónio é reconhecido como caminho de santidade, que o dia de S. Luís e Santa Zélia Martin não é o dia da sua morte, mas o dia do seu matrimónio, 12 de julho.

Zélia e Luís viveram no século XIX, numa época muito diferente da nossa. Por exemplo, no seu tempo a missa era em latim e as pessoas só comungavam com expressa autorização do seu confessor, nunca diariamente. Mas nem por isso eles viviam longe da Eucaristia! Todos os dias, às cinco e meia da madrugada, eles participavam da missa. Ao ouvirem bater a porta da casa dos Martin, os vizinhos voltavam-se na cama: "Podemos dormir mais um bocado, são cinco da manhã!"

É natural que este tema da Eucaristia vá sendo meditado e aprofundado ao longo da História da Igreja, não a partir do ponto de vista dos "meus direitos", mas a partir de um conhecimento cada vez mais perfeito da misericórdia divina. Eu não sei que mudanças o sínodo trará neste ponto concreto para os divorciados recasados ou para qualquer outro católico, mas sei que o exemplo de Luís e de Zélia já trouxe mudanças grandes na minha vida, ao longo dos anos em que eles me têm acompanhado como leitura assídua, ensinando-me a amar, a desejar e a adorar a Eucaristia cada vez mais profundamente.

As famílias - todas as famílias - são chamadas à santidade. Espero sinceramente que o sínodo nos fale em abundância desta vocação específica da família cristã, e rezo para que, no futuro, muitos outros casais sejam propostos à veneração das famílias católicas como exemplos a imitar, segundo as Palavras de Jesus:

 

"Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu." (Mt 5, 13-16)

 

S. Luís e Santa Zélia Martin, rogai por nós! Ámen.

DSC04602.JPG

 

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publicado às 06:00


7 comentários

De Helena Le Blanc a 22.10.2015 às 12:44

Ámen!

De Bruxa Mimi a 22.10.2015 às 13:45

Quando li a "História de uma alma", a parte que mais me tocou foi a parte da infância, da vida em família. Como creio que já aqui escrevi, tenho de reler este livro! :-)

De Teresa Power a 22.10.2015 às 13:53

Eu tenho as obras completas de Santa Teresinha (inclui, para além da História de uma Alma, as suas cartas, poemas, etc) mas tenho também a História de Uma Alma em formato de bolso, para levar comigo. Acredita que dá muito jeito... Se quiseres ler um dos livros sobre a santidade dos pais, também tos empresto :) Bj

De D. a 22.10.2015 às 22:31

Também li a História de uma Alma e recentemente senti vontade de a reler, mas não sabia que havia cartas e poemas publicados de Santa Teresinha. Que bom!
E também terei de ler esses livros acerca dos seus pais, pois parece-me que há mesmo muito a aprender com a vida familiar deste casal.

De D. a 22.10.2015 às 22:49

(Oh, fui ver e afinal tinha lido uma versão contendo também as cartas, poemas e orações, tendo até sublinhado várias coisas! Tenho de reler. Obrigada Teresa por me lembrar da existência destes escritos e peço desculpa pelo "spam" destes meus comentários. Um abraço!)

De Bruxa Mimi a 23.10.2015 às 08:10

Obrigada pela oferta do empréstimo. Para já, vou reler a História de uma ALma e o que me emprestaste há semanas (para um registo das ideias que mais me ajudaram). Quando "chegar a vez" dos pais de Santa Teresinha, eu aviso! ;-)

De Olívia a 22.10.2015 às 14:26

Confesso que antes de pertencer às Famílias de Caná jamais entenderia como podia um casal ser santo.
Para mim, santos seriam pessoas individuais, O santo A ou B. Até me custava a compreender que o sacramento do matrimónio estava lado a lado com o da ordem... e agora todo um novo mundo se abre diante de mim... para quem consagra a sua vida à família!
Obrigada por nos mostrarem isso com simplicidade!
Bjs

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