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Guardas do nosso irmão

por Teresa Power, em 06.02.15

Cinco horas da tarde. Em menos de cinco minutos, saio da minha escola e páro em frente do Colégio dos meninos. A Clarinha e o Francisco já seguram os quatro irmãos mais novos pela mão ou ao colo, e nem preciso de desligar o motor do carro: de uma vez, todos entram no carro, e lá se vão ajeitando e colocando os cintos de segurança, enquanto eu faço a manobra e conduzo em direção a casa.

- Que tal o dia? - Pergunto, como habitualmente. E como habitualmente também, as vozes excitadas e cheias de pressa vão-se sobrepondo.

- Fiz teste, e correu bem, apesar de ser Matemática.

- Que bom, Clarinha!

- E eu estive a treinar para as Jornadas Culturais. Estou a organizar uma competição de "cubos mágicos" para os mais pequeninos.

- Bela ideia, Francisco!

- E eu! E eu! - Vai dizendo a Sara, que nunca perde a ocasião de repetir o que ouve aos mais velhos.

- Hoje foi o melhor dia de sempre!

- Porquê, Lúcia?

- Porque estivemos com os nossos padrinhos! Jogámos ao "Lencinho vai na mão" e ao "Gato e Rato", todos juntos numa grande roda. Foi tão divertido!

 

Os padrinhos e as madrinhas são uma das melhores invenções do Colégio. No início de cada ano letivo, os alunos do 12º ano apadrinham, cada um, um ou dois alunos do primeiro ano. Os mais velhos, prestes a partir, e os mais novos, acabados de chegar, tornam-se assim aliados na grande aventura escolar. Durante o ano, os padrinhos oferecem algumas das suas horas de almoço para organizar brincadeiras com os seus pequeninos afilhados. Às vezes, a Lúcia traz rebuçados ou gomas para casa, oferta dos seus padrinhos, ou ainda, um pequeno cartão com uma mensagem - gestos de amizade que tornam seguro, para ela, o espaço escolar. Os "grandes" deixam de ser vistos como uma ameaça, o recreio torna-se uma festa de irmãos.

 

Conheço vários pais preocupados com a tendência crescente em agrupar numa mesma escola as crianças do primeiro ciclo ao secundário. Penso que, trabalhando com afinco nas Associações de Pais, a proposta de apadrinhamento - tanto dos alunos uns pelos outros, como dos professores pelos alunos, como contei aqui - é uma proposta transformadora do espaço escolar. E, claro, uma proposta profundamente cristã: a Bíblia inteira é atravessada pela pergunta de Deus a Caim, lá no início dos tempos:

 

"Onde está o teu irmão (mais novo)?" (Gen 4, 9)

 

 O Francisco faz parte dos "grandes". Enquanto conversávamos, ele contou-me como está a pensar organizar a competição de "cubos mágicos" para os alunos do colégio. Afinal, foi o Francisco que introduziu a moda dos cubos no colégio, há alguns anos atrás! Contou-me também como tenciona ajudar os professores a preparar a grande festa que são as Jornadas Culturais. Ser "grande", de verdade, é fazer valer a sua força e colocar os mais novos aos ombros...

DSC00883.JPG

 

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publicado às 06:25


3 comentários

De Família Lopes Palma a 06.02.2015 às 06:50

Muito interessante...Que beleza está interacção escolar.

Que Deus nos ajude a "colaborar" para uma escola partilhada porque neste momento os colegas mais velhos das nossas filhas só estão a ajudar pouco positivamente

Deus nos ajude

Até breve

De Bruxa Mimi a 06.02.2015 às 08:14

Em várias escolas por onde passei, e nesta onde estou atualmente, faz-se o apadrinhamento dos alunos do 1º ano pelos mais velhos, que são do 4º ano. Apesar de a diferença de idades ser de apenas três anos, também se nota que faz bem aos grandes e aos pequeninos. É um dos aspetos de ser do 4º ano que os alunos do 3º ano mais anseiam. E os do 1º ano sentem-se protegidos e ajudados pelos, para eles, crescidos!
Nas escolas que têm alunos do J. I. até ao 9º ano, não sei de nenhuma onde os mais velhos sejam padrinhos, mas acho que seria uma ótima ideia!

De Joana Tav. a 09.02.2015 às 23:31

Que boa ideia, sem duvida deveria ser uma proposta para todas as escolas... Que bom seria se pudéssemos todos crescer com esta harmonia de espírito com este equilíbrio cívico. Vocês são um exemplo e eu não me canso de o dizer fazem justiça ao vosso nome :) obrigada família Power. Querida Teresa fico comovida com as suas palavras e tudo o que escreve fortalece a minha caminhada. Beijinhos e um sempre obrigada!

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