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Jantar ou não jantar, ter razão ou amar

por Teresa Power, em 15.06.15

- Conta mais coisas do teu passeio, António - Pedi, enquanto nos sentávamos à mesa para jantar.

- O comboio anda muito depressa mas não faz "pouca-terra".

- Ai não?

- Não, nem "UUUUU". Não faz nada. Só anda.

- E almoçaste bem?

- Sim. As Irmãs foram ter connosco ao Portugal dos Pequenitos e levaram o almoço. Mas foi só almoço, não foi jantar.

- Claro! - Atalhou o David - Tu nunca jantas nos passeios, nem na escola!

- Ai janto sim.

- Não jantas nada!

- Janto!

- Não jantas, António! Ninguém janta na escola! - Continuou o David.

- EU JANTO!!!!

- A nossa doce e suave família num agradável momento de partilha - Comentou o Francisco ironicamente, entre duas garfadas.

- Mamã, diz ao António que não se janta na escola.

- Deixa lá, David. Que importa isso?

- Importa sim! Porque é mentira! Porque ele tem de aprender!

- EU SEMPRE JANTO NA ESCOLA!

- NÃO JANTAS!

- E os momentos agradáveis não cessam de se repetir cá em casa - Continuou o Francisco - Ai como é agradável um jantar em família!

- António, pára de gritar. E tu, David, pára de arreliar o António. Não importa que o António esteja errado. Isso é o que menos interessa aqui.

- Ai é? E como é que ele vai aprender?

- Ele vai aprender quando for importante aprender. Agora, o importante é ser amigo. Não vês que o António vem cansado do passeio da escola e está cheio de sono? Não o irrites!

- Mas que ele não janta na escola, não janta.

- JANTO!!!

- NÃO JANTAS!

 

Quando finalmente se fez algum silêncio em volta da mesa, fiquei a pensar em como é importante aprender a calar sobre coisas triviais, mesmo quando temos razão; e como é difícil calar sobre coisas triviais, quando temos razão! Calamo-nos mais facilmente sobre coisas realmente graves, e ficamos mudos quando atacam os valores maiores em que acreditamos; mas insistimos e tornamos a insistir em casa, junto da mulher ou do marido, junto dos irmãos ou dos amigos, forçando a nossa opinião sobre coisas triviais. Quantas discussões familiares se evitariam, se em vez de nos especializarmos na arte da argumentação, nos especializássemos na arte do amor... É que amar o próximo é sempre, sempre mais importante do que ter razão.

 

"Começar uma briga é desencadear uma enxurrada: desiste antes que se exaspere a disputa!"(Pro 17, 14)

 

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publicado às 06:14


4 comentários

De Sandra a 15.06.2015 às 11:40

Faz-me lembrar o meu David que teima que o almoço se chama lanche e o lanche não tem nome!! Ele tem quatro anos e, nessa idade, é complicado tentar que eles aprendam a fazer a distinção!! Tudo tem o seu tempo nas nossas vidas, não é verdade?

De Fabíola a 15.06.2015 às 15:09

E como é difícil conseguir ter essa paciência e abnegação quando estamos no "calor da situação" ou da briga! Saber quando falar e quando calar!
Obrigada por essa reflexão!

Bjs

De Anónimo a 15.06.2015 às 16:06

Eu sou o David. Quando tenho a certeza que tenho razão, insisto e torno a insistir. Às vezes, infelizmente, também insisto quando não tenho, mas costuma ser quando tenho. Mas não tenho a desculpa do David. Ele estava bem intencionado e queria ensinar o irmão. Eu tenho a obrigação de saber que é estúpido criar problemas ensinando a adultos que não se janta na escola e, mesmo assim, faço-o tantas vezes!

De Teresa A. a 16.06.2016 às 09:14

Apesar de o blog ter acabado, nao consigo deixar de cá vir, nem que seja para ler os comentários ao último post do blog. E hoje li o comentário de uma pessoa, que disse que passou a ler os posts do arquivo.
Eu decidi fazer o mesmo e dei com este post, que para variar, parece que foi escrito para mim.
Queridos Power, acho que ireis continuar a colher os frutos daquilo que semeastes neste blog durante muito tempo....
Mais uma vez, obrigada por tudo!

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