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O toque da campainha

por Teresa Power, em 27.10.15

- Professora, falta muito para tocar?

- Porquê, João, já estás cansado da aula?

Bocejos - Se calhar...

- Pois eu acho que a aula passou bem depressa!

- Isso és tu, Mariana, que gostas de Inglês!

- Tu já não dizes o mesmo quando estamos em Matemática, pois não?

- Não, Matemática passa devagar...

Mas todas as aulas acabam por passar, mais ou menos lentamente, e o toque da campainha acaba sempre por chegar.

Uma das maiores lições da escola é o toque da campainha. Eu sei que há movimentos contrários, defendendo as aulas de duração variável, e até há quem defenda que se deve apenas estudar o que apetece, quando apetece e se apetece.Também reconheço que todos precisamos de um tempo sem "toques de campainha" - e que bem que sabem as férias! Mas eu continuo a achar que há algo de libertador no toque da campainha.

A campainha liberta-me das tarefas cansativas ou indesejadas; mas também me liberta do excessivo apego às tarefas desejadas. Se é bom ser interrompido a meio de algo aborrecido, é ainda melhor ser interrompido a meio de algo agradável... É que esta interrupção é uma forma magnífica de treinar a vontade, e com ela, a minha liberdade interior. Este treino será extremamente útil ao longo de toda a vida, quando precisar de desligar o televisor para cuidar do recém-nascido, ou ligar o despertador para chegar a tempo ao trabalho, ou pousar o jornal para fazer o jantar.

Deverei, então, acolher com a mesma serenidade os diversos tempos do meu dia, bons ou maus, ao ritmo dos sucessivos "toques de campainha"? Bem, há um "tanto faz" negativo, provocado pela desilusão ou pela falta de criatividade, muito comum em alguns alunos pouco motivados para o estudo; mas há um "tanto faz" cristão, aquele que santificou Chiara Luce e todos os santos: "Tu queres, Jesus? Então eu também quero." Santo Inácio de Loyola chamava-lhe "indiferença".

Este "tanto faz" cristão ensina-me a dar o meu melhor tanto na aula de Inglês, como na aula de Matemática, tanto com professores simpáticos, como com professores antipáticos, tanto com turmas calmas como com turmas barulhentas, tanto com alunos queridos como com alunos problemáticos. Fácil? Para mim, neste ano letivo, tem sido extremamente difícil... Mas tem sido também a forma de me libertar de mim mesma, dos meus gostos e desejos, para experimentar a única felicidade, aquela que vem de cumprir a vontade do Senhor, agora.

A sabedoria do "toque da campainha" percorre a mais nobre tradição monástica, desde as suas origens - para saber o que está uma carmelita a fazer a qualquer hora do dia, basta consultar o horário do seu convento -, e vai ainda mais atrás, ao livro do Eclesiastes:

 

"Para tudo há um momento

e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu;

Tempo para nascer e tempo para morrer,

tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,

tempo para destruir e tempo para edificar,

tempo para chorar e tempo para rir..." (Ecl 3, 1-8)

 

Quatro horas da tarde. Está na hora de ir buscar os meus filhos ao colégio. É o "toque da campainha", a lembrar-me de que devo interromper o trabalho, desligar o computador e desligar os problemas da escola, para toda eu me concentrar nos meus filhos. Pelo caminho, ainda terei outro "toque": quinze minutos na capela perto do colégio, em colóquio a sós com o meu Senhor...

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