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Rebento de oliveira

por Teresa Power, em 02.10.15

Quando viemos viver para Mogofores, em agosto de 2007, a nossa casinha estava acabada de construir, mas o jardim ainda era um monte de pedras e silvas. Trabalhando arduamente, o Niall limpou o terreno, encomendou a terra, semeou a relva, plantou árvores de fruto e flores. Que alegria, ver o jardim a ganhar forma pouco a pouco!

Entretanto, uns amigos ouviram-me falar de um dos meus sonhos: ter uma oliveira no centro do jardim. Eu cresci na Beira Baixa, e as oliveiras evocam em mim as recordações mais autênticas e doces da minha infância. A minha casinha só estaria pronta quando a oliveira chegasse...

E chegou: os nossos amigos tinham um olival, e decidiram oferecer-nos uma das suas oliveiras, frondosa e bela, com mais de duzentos anos. Que maravilha!

Mas quando o trator, em outubro, deixou a oliveira no nosso jardim, na cova que, entretanto, o Niall cavara noite após noite para a receber, a minha desilusão foi grande: a oliveira alta e frondosa era simplesmente um tronco! Nem ramos, nem folhas: um tronco castanho e seco.

 

IMG_20151001_0001.jpg

- Que aconteceu, Niall? - Perguntei, aflita. Ele riu-se:

- É assim mesmo! Para transplantar a oliveira foi preciso cortar os ramos, pois de outra forma, ela morria. Agora temos de esperar que voltem a crescer!

- E vão crescer?

- Claro! O senhor disse-nos que a próxima primavera será o exame final: ou a oliveira rebenta por todos os lados, lançando pequenos ramos que logo crescerão, ou não rebenta, e nesse caso, está morta.

Durante todo o inverno, cuidámos da oliveira, na esperança de que tivesse aguentado bem a mudança de habitat. Mas eu estava impaciente pela prova final: estaria ela verdadeiramente viva?

Durante todo o inverno também, parecia-me escutar a voz de Deus, pedindo-me que acolhesse um novo filho. Era um chamamento distinto, persistente, percebido no mais íntimo do meu ser. O Niall e eu estávamos abertos à vida, e esperávamos, com curiosidade, a visita do Senhor.

Manhã de fevereiro, 2008. É sábado, e por isso não há pressa em sair de casa. Já é quase primavera... Haverá sinais de vida, na nossa oliveira? Espreitar o seu tronco rugoso tornou-se um hábito matinal: dirijo-me ao jardim, e observo.

E eis que, de repente, sou tomada pela visão de uma folhinha minúscula a espreitar do tronco. Sim, é o primeiro rebento! A oliveira está viva!

Então, antes de gritar de alegria, antes de correr a anunciar a boa notícia, vem-me à memória o versículo de um salmo:

 

"Teus filhos serão como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa." (Sl 128, 3)

 

Instintivamente, levo a mão ao ventre: não preciso de teste de gravidez. Aquele rebento de oliveira faz-me saber, com uma certeza inusitada, que o meu ventre já está habitado... Não sei que notícia dar primeiro.

Foi assim que a Lúcia se fez anunciar, há sete anos atrás. Dia 2 de outubro, dia do Anjo da Guarda, ela nascia, rebento de oliveira em flor, para encher a nossa casa de risos. Hoje, celebrando o seu aniversário, vendo-a saltar de alegria ao desembrulhar as prendas, recebendo os seus abraços, fazendo-lhe as tranças marotas, eu recordo o tronco rugoso, a espera impaciente, o rebento minúsculo a anunciar a primavera, e a Palavra surgindo cá dentro... Quem, senão o Senhor, faz milagres assim? Ele enche a Terra de sinais do seu amor, e nós andamos tão distraídos...

Parabéns, querida filha!

DSC04539.JPG

 

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publicado às 06:00


13 comentários

De Marisa Milhano a 02.10.2015 às 07:31

Muitos parabéns Lúcia! :D
Desejo-te um abençoado e imensamente feliz dia de aniversário! Que o Senhor que cubra de bençãos todos os dias da tua vida!

Uau Teresa! Ao ler esta tua partilha só pensava: foi quase como se a Teresa tivesse a sua própria Anunciação! ;) Deus é maravilhoso!

Beijinhos para todos

De Joana Tav. a 02.10.2015 às 07:38

Muitos Parabéns Lúcia ;-) Um dia e uma vida repleta destas bonitas histórias da mama... Beijinhos também a si Teresa que é uma verdadeira Mãe.

De Helena Atalaia a 02.10.2015 às 07:40

A Teresa tem um coração lindo e muito generoso. A atenção aos pequenos sinais (e a sua partilha) vistos com os olhos da fé, faz da Teresa uma pessoa muito especial para todos os que a conhecem. Parabéns a toda a família pelo lindíssimo dia!

De Bruxa Mimi a 02.10.2015 às 08:11

Lúcia, envio-te o maior e mais enfeitiçado (com um feitiço bom, que eu sou uma bruxa boa) beijo de parabéns do mundo! Desejo-te um dia muito feliz!

Abracadabra!

:-)

Bruxa Mimi

De D. a 02.10.2015 às 11:16

Muitos parabéns à menina Lúcia! Que tenha um dia muito feliz! :)

De Teresa A. a 02.10.2015 às 13:36

Querida Lúcia (que nome tao bonito, tao cheio de significado), a tua mae sabe contar histórias lindas.

Eu, como a Teresa, nasci e cresci na Beira Baixa, a minha infância foi passada (fins-de-semana e férias) com os meus avós maternos, que eram agricultores e tinham muita oliveiras. No tempo da apanha da azeitona levavam-nos com eles, andávamos na carroca (primeiro), depois no trator, com as cabras atadas atrás de nós e passávamos o dia inteiro nas veredas do rio Ocreza a apanhar azeitonas, ou melhor, a subir às oliveiras, que para nós, criancas, eram "casas" e os ramos eram as divisoes.
Obrigada, Teresa, por me trazeres à memória estas recordacoes felizes....

Que Deus vos abencoe a todos, e hoje especialmente a Lúcia.

De Teresa Power a 03.10.2015 às 21:26

Ah, as memórias desses olivais, Teresa!...

De Lucilia a 02.10.2015 às 14:45

Muitos Parabéns à Lúcia e seus pais por este dia.
Que Deus abençoe esta linda família.

De Isabel a 02.10.2015 às 16:37

Teresa, um beijinho especial de aniversario à "minha" Lúcia, e um grande abraço aos papás.

De Joana a 02.10.2015 às 22:37

Que mensagem tão bonita. :) Muitos parabéns à Lúcia e à sua família! Beijinho

De Manuela a 03.10.2015 às 09:01

Que histórias bonitas nos chegam através deste blog. E ainda o que dava para explorar com a história desta oliveira, sobre o "acarinhar" de um tronco feio e despido, ao longo de um Inverno, sem perder esperança que, como diz a letra de uma música que gosto muito, "a Primavera vem depois do Inverno, a Alegria virá depois da Cruz", os rebentos hão-de despontar!
Obrigada por todas os testemunhos deste Blog e parabéns à Lúcia... e aos outros rebentos de oliveira! :-)

De Teresa Power a 03.10.2015 às 21:22

Manuela, a oliveira é uma parábola viva no nosso jardim... Tanto, tanto que ela nos diz! Quantas vezes rezo a contemplá-la... Segredos só meus :) Bj

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