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Os trava-línguas da Bíblia e as histórias do Rei David

por Teresa Power, em 21.01.16

Gostam de trava-línguas? Experimentem este, retirado textualmente do Evangelho que lemos na missa diária há uns dias atrás:

 

"Os discípulos de João guardavam jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os teus discípulos não jejuam?» Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles?»" (Mc 2, 18-22)

 

Se conseguirem ler todos os "j" como deve ser, e ler "Jesus" com "s" e não com "j" no meio também, estão de parabéns! Cá em casa, bem nos esforçámos por ler direitinho o Evangelho, mas não tivemos êxito. Fomos passando a leitura de uns para os outros, e as gargalhadas já eram tantas, que desistimos.

- Ah, então os judeus jejuam com João, mas não jejuam com Jesus! - Dizia o Francisco, brincalhão, no meio da festa.

- E quando Jesus partir, jejuarão - Acrescentava a Clarinha, também muito divertida.

Sim, cá em casa brincamos com a Bíblia, com todo o respeito que a nossa inocência e a nossa simplicidade nos permitem. Deus tem um grande sentido de humor, e gosta da nossa alegria! Depois de um trava-línguas tão engraçado, nenhum de nós se esquecerá desta passagem...

E os nomes? Já repararam na abundância de nomes que as leituras da missa diária ultimamente nos oferecem? Elcana, Fenena, Abiatar, Eliab, Aminabab... Quando os lemos cá em casa, não evitamos uma gargalhada. E às vezes, para os meninos estarem com atenção, fazemos o jogo: "Quem consegue memorizar os nomes na leitura que vou fazer?"

Bem, e ainda nos podemos divertir com os pormenores de alguns episódios. Há poucos dias lemos como Saul se tornou rei enquanto procurava as suas jumentas, ontem lemos como David venceu Golias com uma fisga, e agora, preparem-se, vêm aí os episódios mais divertidos, de como David poupou Saul à morte (não vos conto como foi, mas digo-vos já que vale a pena descobrir) e como Absalão foi morto. Cá em casa, estes episódios fazem furor!

Enfim, de brincadeira em brincadeira, de jogo em jogo, vamos memorizando a Palavra de Deus. Depois, com todo o respeito, beijamo-la, e colocamo-la de novo no Canto de Oração. E conversamos longamente sobre ela.

Tudo isto para vos dizer: não percam as histórias do Rei David, que todos os dias as leituras da missa nos oferecem, neste início de ano! David foi um grande santo, mas também um grande pecador. Disse o Papa Francisco ontem, na homilia, que David nos ensina esta grande verdade: "Não há santo sem passado, não há pecador sem futuro." David pecou muito, mas arrependeu-se muito também, chorou o seu pecado até ao fim da sua vida, e aceitou como merecidos todos os seus infortúnios. Longe de desbaratar a graça recebida, David lavou o seu pecado na misericórdia de Deus e mudou radicalmente o seu caminho. Profundamente humilde, louvou e amou a Deus como poucos. E talvez com exceção de Moisés, não há no Antigo Testamento personagem mais querido do Senhor.

Possa a nossa "telenovela" diária ser a Palavra do Senhor, no meio de alegria, de brincadeira, de oração, de meditação, de muita e profunda conversa! Nos serões familiares, com os mais novos ao colo, imitemos os passarinhos que levantam voo em bando, uns atrás dos outros, uns protegendo os outros, uns puxando pelos outros... em direção ao Coração de Deus...

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De cor(ação)

por Teresa Power, em 18.09.15

Hora de oração familiar. O evangelho de hoje, bastante longo, contém alguns dos ensinamentos mais fortes e desafiantes de Jesus. Leio uma primeira vez, pedindo aos meninos que memorizem uma ou duas palavras, de acordo com a sensibilidade do seu coração.

 

"A vós, porém, que me escutais, eu digo: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. E a quem te levar a capa, deixa-o levar também a túnica. Dá a quem te pedir e, se alguém tirar do que é teu, não peças de volta. Assim como desejais que os outros vos tratem, tratai-os do mesmo modo. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Os pecadores também agem assim. E se prestais ajuda somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores prestam ajuda aos pecadores, para receberem o equivalente. Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande. Sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste, pois a medida que usardes para os outros, servirá também para vós." (Lc 6, 27-38)

 

- Perdoai! - Grita o António, ainda mal acabei de ler.

- Amai! - Continua a Lúcia.

- Recompensa! O que é recompensa?

- É prémio, António.

- Miseri...miseri...

- Misericordioso. Deus é misericordioso. Significa que Deus é bom para com os bons e os maus.

- E porque é que Ele é bom para os maus?

- Porque é misericordioso, David: Deus não nos ama porque nós somos bons; Deus ama-nos porque Ele é bom! Deus só consegue amar, só consegue perdoar, só consegue ser bom.

- Ah!

- Bem, este Evangelho tem tanta coisa bonita para aprender! Vamos ver se nos lembramos do mais importante. Eu vou voltar a ler algumas partes, e vocês completam-nas. Combinado?

Grande entusiasmo. Ninguém quer falhar. Os meninos ajeitam-se no sofá e são todos atenção. Começo o jogo:

- Amai...

- ...os vossos inimigos! - Respondem quase em coro.

- Falei bem...

- ...dos que falam mal de vós!

- Se alguém te bater numa face...

-...apresenta-lhe também a outra!

- A quem te levar a capa...

-... dá-lhe também a túnica!

- Se te levarem o que é teu...

- ... não te queixes!

- Se amais aqueles que vos amam...

-... que agradecimento mereceis?

- Sede misericordiosos...

- ... como o vosso Pai é misericordioso!

- Não julgueis...

- ... e não sereis julgados!

- Não condeneis...

- ... e não sereis condenados!

- Perdoai...

- ... e sereis perdoados!

- Dai...

- ... e dar-se-vos-á!

- A medida que usardes com os outros...

- ... será usada também convosco!

Todos, dos maiores aos mais pequenos, se atropelam para responder primeiro, com grande alegria. Terminamos o jogo com alegres gargalhadas.

Aprender a Palavra de Deus de cor, bocadinho a bocadinho, com jogos, charadas e brincadeiras, é um caminho seguro para dar cumprimento à Palavra de S. Paulo, que lemos neste mesmo dia:

 

"Habite em vós com abundância a Palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria." (Col 3, 15)

 

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Agora é preciso pôr em prática...

 

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Tempo para ler

por Teresa Power, em 25.07.15

Durante o tempo de férias, a televisão está definitivamente desligada - exceto quando queremos ver juntos algum filme - e os livros parecem nascer por todo o lado. Há livros na casa de banho, na cozinha, no chão, no sofá, misturados com os brinquedos, misturados com os pratos, livros no Canto de Oração e livros no jardim. Os nossos filhos, simplesmente, adoram ler!

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Talvez uma das coisas que tenha ajudado a desenvolver o gosto pela leitura seja a história diária lida todas as noites, sem exceção, até pelo menos à entrada no segundo ciclo... E o facto dos irmãos mais velhos adorarem ler, visto o Francisco e a Clarinha serem os modelos dos mais novos.

Penso que também ajudou nunca termos elevado a televisão ao nível de recompensa ou castigo ("Se te portares mal, não vês televisão!" "Se te portares bem, podes ver televisão!"), mas termo-lo feito com os livros ("Se te portares mal, não te deixo ler hoje à noite!" "Se te portares bem, tens uma história extra!"). Quando uma coisa é usada para recompensar ou castigar, essa coisa ganha novo valor. Tornámos a televisão insignificante, ao ponto de não merecer entrar em negociações. Já ir dormir sem história, bem, isso é assunto muito sério cá em casa e fonte de muitas lágrimas!

 

Ontem senti a casa muito silenciosa. Quando fui à sala espreitar, deparei com esta cena:

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Durante o verão, a nossa oração familiar acontece de manhã, a caminho da praia, ou ao fim da tarde, quando o pai chega a casa. Assim, ao serão temos mais tempo para ler. Como o António e a Sara se deitam antes das nove, nenhum dos outros experimenta o prazer de ler na cama, pois os quartos estão escuros. Mas ultimamente, o David e a Lúcia descobriram uma alternativa magnífica: sentam-se na nossa cama de casal, aconchegados e felizes, e lêem em silêncio durante dez a quinze minutos antes de eu os mandar dormir, pelas nove e um quarto.

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Mas no outro dia, o silêncio no meu quarto era tão grande, que me esqueci de os mandar dormir... É caso para dizer: longe da vista, longe do pensamento! A verdade é que só me apercebi de que ainda não os tinha mandado dormir quando, pelas dez menos um quarto, entrei no meu quarto. Assustada, dei um pequeno grito.

- Que foi, mamã? - Perguntou o David, dando um salto também.

- Esqueci-me que vocês ainda estavam a ler! - Respondi, com uma gargalhada. - Vamos, toca a dormir!

A Lúcia olhou para mim muito séria:

- Faz mal ler assim tanto?

- Não, querida, não faz! Vamos, agora toca a dormir!

 

Nos retiros, há sempre coisas que ficam esquecidas. Desta vez, foi o nosso missal ferial, que tínhamos levado para rezar durante a viagem. Só dei conta segunda-feira, quando quisemos ler as leituras da missa diária, como costume, durante a oração familiar.

- E agora? Como vamos fazer para ler as leituras? - Perguntei, um pouco aborrecida com o meu esquecimento.

- Eu tenho-as no tablet - Respondeu-me a Clarinha, solícita. Pelos vistos, ela subscreve as leituras da missa diária... Grande filha, a minha Clarinha!

Lemos e meditámos então a partir do tablet, mas eu senti-me desconfortável. Talvez por ter nascido e crescido no século passado, tenho necessidade de tocar no papel, de folhear, de ler o que está para trás e o que vem à frente. Quando leio as leituras diárias gosto de ir ver as anteriores, para fazer a ponte, e gosto de ler os comentários de quem escreveu o missal.

Assim, no dia seguinte pedi ao Niall que me trouxesse de Aveiro um novo missal ferial.

- E para quem fica o nosso missal antigo, quando a Rute no-lo trouxer de Proença? - Perguntou ele.

- Para mim! - Disse o David, com um sorriso rasgado. Na verdade, há duas semanas atrás o David pedira-me uma prenda especial: queria ter um missal só dele, para ler quando quisesse no seu quarto...

- Um missal com imagens, histórias para crianças, e coisas assim, David? - Perguntei-lhe.

- Não: um missal a sério, com a Bíblia a sério, sem desenhos. Um missal igual a este...

No fim do verão, o David terá o seu missal!

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"Quanto amo, Senhor, a tua lei!

Nela medito todos os dias.

A tua palavra é farol para os meus passos

e luz para os meus caminhos."

(Sl 118 / 119, 97.105)

 

Que a nossa leitura preferida seja, como para o David, a leitura da Palavra de Deus... Ámen!

 

 

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Somos todos Jesus

por Teresa Power, em 12.06.15

- Mamã, gostaste do meu teatro da catequese?

- Adorei, Lúcia! Estavas muito bonita, a segurar a letra do nome de Jesus.

- Eu gosto tanto da catequese!

- Tens amigos no teu grupo?

- Tenho. Todos somos amigos! E os meus catequistas são muito bons. Sabem muitas histórias da Bíblia, mamã, assim como tu!

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 Os catequistas - evangelizadores, como aqui na paróquia preferimos chamar - da Lúcia são pais de uma Família de Caná muito simpática. Este ano foi a sua estreia como evangelizadores, e a experiência foi magnífica, tanto para as crianças, como para eles. No sábado passado, na hora de louvor com que terminamos sempre a catequese, fizeram com as crianças uma breve apresentação, que a todos encantou. O João começou por ler este texto, onde exprime bem aquilo que viveram ao longo do ano:

"Está quase no final este nosso primeiro ano de evangelização.
Foi uma estreia para todos. Para as nossas pequeninas e pequeninos, mas também para mim e para a Isabel…
Para muitos de nós este foi o primeiro contato, mais ou menos elaborado, com a religião e com a fé.
Nem sempre conseguimos, mas estivemos sempre todos com a noção de que não queríamos falhar, o que quer que fosse, nesta grande experiência e nesta responsabilidade de iniciar, mais formalmente, uma caminhada importante. Caminhada esta que esperemos seja longa e não se esvazie com o tempo. Que Deus nos Ajude para que esta fé não deixe de ser alimentada.
Durante esta nossa jornada pedimos ajuda a Nossa Senhora que nos auxiliasse, rezámos, rimos, brincámos, conversámos… e ganhámos todos novos amigos.
Fizemos uma tenda gigante no meio de uma sala de aula no nosso “deserto” e subimos ao monte para rezar, provámos um delicioso e suculento maná, sentimos o espírito santo de uma forma diferente e como ele pode tornar-se efervescente na nossa vida. A ressurreição de Jesus foi explosiva aos nossos olhos fazendo brotar pétalas perfumadas e corações por todos.
Ouvimos, muitos de nós pela primeira vez, nomes como Abraão, Tobias, Moisés, Tobite, Sara, Isabel, Elias e Jeremias, João, Maria, Pedro ou Simão e tantos outros… e até conhecemos de perto um anjo, que carinhosamente foi chamado de Anjo Rafa…. Imaginem! Que como Gabriel protagonizou algumas das nossas “aventuras”.
São pedaços de uma história magnífica e que acreditamos ser verdadeira, que relata muitos dos feitos também de um super-herói, um super-homem, com a vantagem que Este existe e não é ficção. E que é o nosso verdadeiro protector… JESUS
É sobre esse nosso grande amigo que vamos falar hoje.
Em muitas tarefas, pinturas, dinâmicas, musicas e vídeos, houve alguns que momentos que nos marcaram… este que vamos ver é um deles… Quem é Ele Afinal?"

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E à pergunta do João, as crianças foram respondendo, uma a uma, com uma palavra: Amor, Paz, Alegria...

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Por fim, cada uma segurou bem alta uma letra que apanhou do chão, e juntos formaram a frase:

"Somos todos Jesus".

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 Lembrei-me da afirmação de S. Paulo:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2, 20)

 

E lembrei-me do nosso lema de Famílias de Caná, expresso na primeira "bilha": Nós, Jesus. Ao longo deste mês, as Famílias de Caná foram desafiadas a meditar sobre esta união intensa com Jesus, procurada e vivida em cada circunstância, boa ou má, da nossa vida.

Cá em casa, durante o mês de junho - e hoje é o dia do Sagrado Coração de Jesus - repetimos muitas vezes a oração:

"Jesus, manso e humilde de Coração, tornai o meu coração semelhante ao Vosso."

O João e a Lúcia, catequista e catequisanda, estão convencidos da necessidade de conhecer a Palavra de Deus e todas as histórias da nossa salvação para aprender a ser como Jesus. Ao longo do ano, como o texto do João exprimiu, fizeram destas histórias vida e movimento, encheram-nas de cor, recrearam-nas, representaram-nas, recontaram-nas e trabalharam-nas até que a Palavra descesse da mente ao coração. A vida encarregar-se-á de mostrar se conseguiram...

E nós? Passamos tempo suficiente com Jesus, em oração e meditação, escutando as batidas do seu Sagrado Coração, para aprendermos a ser como Ele?...

 

 

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Tesouros perdidos e encontrados

por Teresa Power, em 12.05.15

Na semana passada, um daqueles pesadelos que às vezes nos assustam de noite aconteceu-me: abri a pasta da escola e não encontrei a minha capa com os resultados dos testes e outras avaliações dos alunos. Sim, eu ainda faço as cotações em papel quadriculado; não, não tenho todas as informações em excel, porque gosto de ir tomando notas sobre o trabalho de cada aluno durante as aulas, e não sinto a necessidade de posteriormente passar essa informação para computador; sim, eu sei, devia passar... Mas não passo. E a capa plástica não estava na minha pasta. Fiquei literalmente em pânico. E agora?

Depois de procurar por toda a casa e por toda a escola, não esquecendo os lugares mais óbvios, como as almofadas dos sofás, o cesto dos brinquedos, o cesto da roupa para passar a ferro e o chão por debaixo dos armários, decidi que teria de ir às várias escolas por onde tenho andado a fazer provas orais de Inglês, nas últimas semanas.

- Que vais fazer se não aparecer? - Perguntavam-me os meus filhos. - Vais dar cinco a todos os alunos?

Eu suspirava, e nem queria pensar na hipótese da pasta não aparecer. Durante dois dias, não pus roupa a lavar e quase não cozinhei, pois todos os momentos livres eram passados a vasculhar a casa à procura da dita capa.

- Que é hoje o jantar? - Perguntou-me o Niall no segundo dia, olhando para a banca da cozinha, vazia.

- Sopa, e depois, o que houver no frigorífico - Respondi, sem parar de procurar.

Ele abriu o frigorífico e começou a tirar pequenas caixas com sobras de comida.

- Vou pedir a Jesus que faça o milagre da multiplicação das sobras - Disse, divertido - Ele é perito em multiplicar alimentos, não é verdade?

Jesus não se fez rogado, e sobre a mesa conseguimos colocar um belo e variado jantar. Foi então que o telefone tocou.

- Olá Teresa! Olha, hoje de manhã dei-me conta de que tenho andado com uma capa plástica que te pertence... Já tinhas dado pela sua falta? Imagino... Não te preocupes! Está aqui!

Caí sobre o sofá, dando uma gargalhada de verdadeiro alívio. Deus escutara as minhas orações e as de muitos outros que rezavam por mim! Nunca o jantar me soube tão bem.

 

O meu rodopio durante aqueles dois dias, à procura de uma pequena capa plástica carregada com o meu trabalho do ano inteiro, fez-me pensar numa bela e curiosa história da Bíblia: a história do Rei Josias. Conhecem? Vem narrada no Segundo Livro das Crónicas, no capítulo 34. Tratei dela no segundo volume do meu livro, Os Mistérios da Fé.

Josias tinha oito anos quando subiu ao trono. A sua principal preocupação era seguir as pegadas do Rei David, e fazer o que é reto diante de Deus. Assim, Josias decidiu purificar os lugares santos, abolir os ídolos, e empreender reformas religiosas. Contudo, faltava uma coisa: faltava conhecer o Livro da Lei, ou seja, a Bíblia da altura, que ninguém conseguia encontrar. Tinha sido muito bem guardado algumas gerações atrás, para evitar a sua profanação aquando de grandes perseguições religiosas, e desde então estava perdido.

Um dia, durante as escavações e os trabalhos de recuperação do Templo, os trabalhadores tiveram uma grande surpresa: o Livro da Lei surgiu debaixo de uma pedra. Imediatamente foi levado a Josias, que deixou tudo o que estava a fazer para escutar a Palavra. Então...

 

"O Rei Josias convocou todos os anciãos de Judá e de Jerusalém. Depois, ele próprio subiu ao templo do Senhor seguido por todo o povo, do maior ao menor. Proclamou-lhes integralmente as palavras do livro da aliança, encontrado no templo do Senhor. Pondo-se de pé sobre um estrado, o rei fez uma aliança na presença do Senhor, segundo a qual se comprometia a seguir o Senhor, a guardar os seus mandamentos, as suas ordens e os seus preceitos, de todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo todas as palavras da aliança escritas nesse livro." (2Cr 34, 29-31)

 

Eu pus a minha casa de pernas para o ar à procura de uma capa plástica... Teria o mesmo empenho em procurar a minha Bíblia? Bem, posso sempre comprar outra, coisa que os nossos antepassados não podiam, e que milhares de cristãos no mundo inteiro não podem fazer, porque lhes é proibido e correm risco de morte...

Que empenho coloco eu em conhecer e estudar o Livro da Aliança, a Palavra do meu Senhor, proclamada na Bíblia e explicada no Catecismo da Igreja Católica? Será que a meditação da Palavra de Deus ocupa o primeiro lugar, à frente do cesto da roupa, à frente do jantar, à frente da televisão...? Não é preciso deixar de cozinhar para ler a Bíblia, mas talvez seja preciso deixar muitas outras coisas. Que o jovem rei Josias seja um modelo de fé para nós!

 

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publicado às 06:22

Charadas bíblicas

por Teresa Power, em 08.05.15

Dia um de maio. Dia de chuva, todos dentro de casa.

- Que vamos brincar agora? - Perguntava a Lúcia, aos saltinhos. Tinha estado grande parte da tarde a brincar comigo e com o Niall, na companhia da Sara e do António, pois os restantes irmãos estavam fora noutras atividades.

Suspirei, um pouco cansada. Já tinha brincado ao lego, às escondidas e contado histórias. De repente, o Niall teve uma ideia brilhante:

- Vamos brincar às charadas bíblicas. Cada um vai representar uma história da Bíblia, e os outros vão tentar adivinhar!

- Viva! Viva! - Gritavam eles, entusiasmados.

E assim fizemos. O António e a Lúcia estavam cheios de ideias, o Niall e eu representámos algumas histórias, e a Sara saltitava entre todos, imitando os gestos de cada um e batendo palmas de alegria.

Vejam lá se adivinham as histórias da Bíblia representadas:

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Exatamente: Samuel a dormir, a escutar o Senhor a chamá-lo e a correr para o quarto de Eli, batendo à porta, convencido que fora Eli quem o chamara! 

E agora?

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 Bem, esta é a Lúcia a pescar no mar de Tiberíades! A noite toda sem nada pescar, claro, até Jesus chegar junto dela...

E aqui?

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A Lúcia é o povo de Israel, caminhando em solene procissão em redor das muralhas de Jericó. Pelos vistos, a Lúcia pertence ao grupo dos músicos, que à frente tocavam trompete, cheios de alegria!

Finalmente, tentem adivinhar quem é o bebé que se tenta meter dentro deste cesto de roupa...

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 Claro! O pequeno Moisés escondido num cestinho de vime e cuidadosamente colocado nas águas do Nilo, perto do local onde as princesas iam tomar banho... A princesa, claro, foi a Lúcia:

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Experimentem aí em casa! As charadas bíblicas são das formas mais divertidas de recordar, recontar e meditar as histórias da Bíblia, o grande livro da nossa fé. Diz o Deuteronómio:

 

"Estas palavras que hoje eu te dou estarão no teu coração. Repeti-las-ás aos teus filhos e refletirás sobre elas, tanto sentado em tua casa, como ao caminhar, ao deitar ou ao levantar." (Deut 6, 6-7).

 

E também - acrescento eu - ao brincar!

 

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Polícias, pastorinhos e um polvo gigante

por Teresa Power, em 06.05.15

Oração familiar. Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos. O Francisco lê sobre a prisão de Pedro e de João, decretada pelos fariseus.

- Esses polícias são os mesmos que prenderam os pastorinhos de Fátima? - Pergunta a Lúcia com simplicidade.

Entre gargalhadas, explicamos-lhe que não, que viveram algum tempo antes...

No dia seguinte, o António e a Lúcia brincam animadamente com blocos de madeira, enquanto conversam. O António reune várias figurinhas e vai explicando:

- Estes vão à missa, estes não vão...

- Mas somos todos polvo de Deus, António - Explica a Lúcia, com ar superior - Um polvo com muitos braços!

Interrompo a sua conversa, divertida:

- Lúcia, não é polvo, querida, é povo, povo, ou seja, muitas pessoas juntas!

- Ah, eu não sabia...

- Eu sabia! - Interrompe o António, muito seguro do alto dos seus cinco anos.

- Ai sabias, António? - Reage a Lúcia, indignada - A professora Rosário diz que os meninos que sabem tudo podem ir para o décimo segundo ano.

- Não discutam, meninos! Ninguém sabe tudo. A mãe também não sabe tudo. O importante é mesmo querer saber sempre mais, querer conhecer e descobrir sempre mais!

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Estes pequenos episódios da nossa vida de evangelização familiar mostram-me com clareza como é importante evangelizar os nossos, diariamente, em família. Se não lhes contarmos as histórias, se não lhes explicarmos a Palavra, como hão-de conhecê-la para a praticar? As nossas conversas ao serão em torno da Palavra revelam-nos, primeiro, o pouco que sabemos; e depois, despertam em nós a vontade de aprender. Perguntando, respondendo, sugerindo, imaginando, uns com os outros vamos desvendando os mistérios da nossa fé e fazendo caminho com Jesus.

Cá em casa, gostamos de seguir o missal, meditando nas leituras da missa diária. Elas permitem-nos uma sequência na leitura da Bíblia, pois em cada semana, a Igreja medita num Livro Sagrado, um bocadinho cada dia, oferecendo no missal uma pequena explicação introdutória. Para nós, é sem dúvida a melhor forma de ler a Bíblia. Assim, ao longo das semanas do Tempo Pascal meditamos no Livro dos Atos dos Apóstolos e no Evangelho de S. João, e a experiência de aprendizagem tem sido fantástica.

Que cada Família de Caná tenha todos os dias alguns minutos para a Palavra de Deus na sua casa, à semelhança da Mãe, que este mês celebramos de uma forma especial. Maria, na verdade,  alimentava-se diariamente desta Palavra, que reconhecia em cada gesto do seu divino filho:

 

"Quanto a Maria, guardava todas estas coisas, ponderando-as em seu coração." (Lc 2, 19)

 

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publicado às 06:27

Um espelho, uma cruz, uma oração

por Teresa Power, em 20.04.15

Há cerca de um mês, fui fazer dois ensinamentos num retiro para pais de meninos da catequese, no seminário de Santa Joana, em Aveiro. O convite veio de um casal de leitores do blogue, catequistas na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no Mamodeiro, uma terra perto de Aveiro. Aceitei com gosto, e regressei ainda mais feliz, ao ver o trabalho lindo de evangelização que a Jacinta e o Luís têm feito. Nesse dia, prometi-lhes que em breve entraria na sua igreja paroquial, situada à beira da estrada nacional entre Aveiro e Mogofores. Há anos que passo por ela sem nunca lá ter entrado!

Na quinta-feira passada aproveitei a tarde sem trabalho na escola e fui a Aveiro, visitar a minha avó. De regresso, no carro, vinha a pensar em qual seria a melhor citação bíblica para escrever nos postalinhos da primeira comunhão do David e do Crisma do Francisco. Tinha para cada um deles uma imagem do Cristo Jovem, e queria que a citação fosse apropriada. Ocorreu-me uma das minhas frases favoritas de S. Paulo:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2, 20)

 

E ainda outra, tão apropriada a este encontro profundo com Jesus nos sacramentos:

 

"Todos nós, com a face descoberta, refletimos a glória do Senhor como um espelho, e somos transformados nessa mesma imagem, cada vez mais gloriosa, por ação do mesmo Senhor, que é Espírito." (2Cor 3, 18)

 

Vinha eu assim a meditar, quando vi que passava junto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Num impulso, e recordada da minha promessa, parei no estacionamento, decidida a rezar cinco minutos diante do Santíssimo. Ao sair do carro, tirei esta fotografia:

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Qual não foi o meu desânimo ao ver que a porta estava trancada... Preparava-me para regressar ao carro, quando alguém se me dirigiu:

- Queria entrar?

- Sim, gostaria de rezar cinco breves minutos diante do Senhor - Expliquei à simpática senhora.

- Então venha, que eu sou catequista e tenho a chave! Também posso gastar cinco minutos a deixá-la rezar - Respondeu-me, enquanto abria a porta. - É a primeira vez que aqui vem? Ah, então vou mostrar-lhe a nossa igreja, que é tão bonita!

E é mesmo! Fiquei profundamente encantada. Mas mais belo que tudo, é o crucifixo sobre o altar. Nunca tinha visto nada igual! Ora reparem:

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 Sim, o Corpo de Jesus, suspenso na Cruz, é feito de múltiplos espelhos, e a luz nele refletida é a luz que entra a jorros pelas janelas superiores da igreja.

- Se caminhar pela coxia central, ver-se-á refletida no Cristo Crucificado - Explicava-me a catequista, enquanto na minha mente se misturavam as duas citações bíblicas em que eu refletia pelo caminho.

Diante da Cruz, na coxia central da igreja, tirei esta foto. Conseguem ver-me, refletida no Corpo do Senhor?

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- Quando entramos na igreja, vamo-nos vendo refletidos no Corpo de Jesus - Continuava a catequista - Depois, durante a missa, todos nos podemos ver uns aos outros, refletidos na Cruz. Eu posso ver o meu irmão que está sentado no banco mais distante através do espelho de Jesus.

 

Quando a catequista me deixou só, para os meus cinco minutos - já bastante encurtados - de oração, caí de joelhos numa explosão de alegria. Meu Deus, acabava de encontrar o símbolo perfeito para a minha oração contínua: "Nós, Jesus!"

 

"Uma vez que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão." (1Cor 10, 17)

 

Comungar o Corpo de Cristo, na Eucaristia, e receber o Espírito da Unidade, no crisma, faz de nós participantes da vida de Jesus.

Pouco a pouco, cristificamo-nos, adquirindo os mesmos traços de Jesus, sorrindo como Ele sorria, amando como Ele amava, sofrendo como Ele sofria. A nossa vida, como o véu de Verónica ou o espelho de Paulo, torna-se reflexo do nosso Amado, que em nós vive, ama e sofre. Nós, Jesus!

Pouco a pouco, a Palavra de Deus, feita carne no Amor até ao fim da Cruz de Jesus, torna-se o espelho que nos permite contemplar a nossa própria vida. Cada um dos nossos gestos precisa de ser confrontado com a Cruz do Senhor. Nós Jesus!

E quanto mais nos unimos a Cristo, comungando o seu Corpo e recebendo o seu Espírito, mais nos unimos aos irmãos - ao marido ou à mulher, à família, à paróquia, aos amigos, ao mundo inteiro.  Na Cruz de Jesus podemos encontrar todos os irmãos em Cristo, por muito distantes que vivam, no tempo ou no espaço, em qualquer periferia da vida, como gosta de dizer o nosso querido Papa Francisco. O Corpo de Jesus somos todos nós. Nós, Jesus!

CAM00316.jpg

Nós, Jesus: Tu e eu, eu e a minha família, a minha família e a Igreja, Tu e o mundo inteiro: a verdadeira comunhão, aquela pela qual Tu rezaste ao Pai antes de partires, só pode acontecer quando todos nos refletirmos na tua Cruz, e a tua Cruz se refletir em todos nós. Ámen. Aleluia!

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Alegria nas pernas

por Teresa Power, em 10.04.15

Na semana santa, o Niall e eu fomos a celebrações penitenciais diferentes, para que estivesse sempre um em casa com os mais novos. Assim, na quarta-feira santa à noite, foi a vez do Niall e do Francisco irem ao santuário confessar-se.

- Eu também preciso de ir - Disse o David, à hora de jantar.

- Precisas, David? Pensei que te tinhas confessado há duas semanas, na catequese!

- Pois foi, mas já fiz pecados muito feios depois disso e tenho de os confessar antes da Páscoa.

- OK, então vai com o pai e o Frankie. Come depressa, que as confissões começam às oito e meia!

 

O santuário, segundo contou o Niall, estava cheio. O David precisou de esperar pela sua vez, até finalmente conseguir confessar os seus pecados. Chegou a casa cheio de alegria.

- Então, David, confessaste tudo o que querias?

- Confessei. Agora estou prontinho para a Páscoa! O senhor padre que me confessou foi muito simpático. Ele disse para eu rezar o salmo do Rei David. Disse que era o salmo 50. Sabes qual é?

- Sei. Anda, vamos rezar os dois. Melhor: chama o pai e os manos, e rezamos todos!

O David assim fez. Então abri a Bíblia e pedi-lhe para ler:

 

"Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade;

pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.

Lava-me de toda a iniquidade;

purifica-me dos meus delitos.

Reconheço as minhas culpas

e tenho sempre diante de mim os meus pecados.

Lava-me e ficarei mais branco do que a neve.

Faz-me ouvir palavras de gozo e alegria

Desvia o teu rosto dos meus pecados

e apaga todas as minhas culpas...

Dá-me de novo a alegria da tua salvação!" (Sl 50)

 

David a ler (2).JPG

 - Cada um pode partilhar o versículo que mais o tocou - Sugeri.

- Eu gostei da parte da neve - Disse o David. - Os pecados podem ser muito sujos, mas ficam brancos como a neve depois da confissão.

- David, os teus pecados eram assim tão graves? - Eu começava a ficar preocupada.

- Eram. - O David pôs a sua cara mais marota - Posso contar-te, ou é segredo?

- É segredo para o padre! Eu explico: os sacerdotes não podem contar a ninguém o que ouvem em confissão, nem que os matem. Não podem mesmo! Isso seria um pecado gravíssimo. Por exemplo, não podem denunciar um criminoso a partir do que ouviram em confissão. Agora tu não és obrigado a fazer segredo dos teus pecados! Claro que também não tens de mos contar.

- Mas eu quero. O meu pecado foi ter enganado a Lúcia... E o outro ainda foi pior: bati no António! Mas eu já lhes pedi desculpa, e agora fui pedir a Jesus. Por isso agora estou perdoado.

- Pois estás. Que bom! Mais algum versículo que te recordes do salmo?

- Sim, aquele da alegria. Quando saí do confessionário senti-me tão, mas tão feliz! Sentia uma alegria muito grande no coração. Não, não era bem no coração, era no corpo todo, mas sobretudo nas pernas.

- Nas pernas?

- Sim: apetecia-me saltar de alegria!

 

Lembrei-me deste episódio nesta quarta-feira, ao ler a passagem dos Atos dos Apóstolos. Pedro e João cruzaram-se com um coxo que pedia esmola. E em vez de lhe darem uma moeda, que fizeram eles?

 

"«Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.» E tomando-o pela mão, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar; depois entrou com eles no Templo, caminhando, saltando e louvando a Deus." (At 3, 1-10)

 

Cada vez que entramos no confessionário, Jesus toma-nos pela mão e levanta-nos. Nesse instante, fortalecem-se as nossas pernas, como as do David, e podemos de novo saltar de alegria... Ámen! Aleluia!

 

 

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O cubo e Palavra

por Teresa Power, em 05.03.15

Um dos passatempos do Francisco é resolver o Rubik's Cube (cubo mágico). Recebeu o seu primeiro cubo num aniversário, ainda em criança. Durante alguns anos, pouco lhe tocou. Um dia, encontrou na net um PDF com dicas de resolução, imprimiu-o e decidiu experimentar. Primeiro com as indicações à frente, depois já sem papel, aprendeu a resolver o cubo todo, e a fazê-lo cada vez mais depressa. De alguns minutos, foi diminuindo o tempo de resolução, até conseguir fazer o cubo em cinquenta segundos.

No verão passado, um dos projetos do Francisco foi aprender a resolver o cubo em menos de vinte segundos. Para o conseguir, precisou de memorizar vinte algoritmos diferentes. A cada dia, o Francisco memorizava dois ou três.

Num destes fins de tarde, em que eu pensava que o Francisco estava calmamente no quarto a estudar, vi o meu filho aos saltos de alegria.

- Que se passa, Francisco?

O Francisco tinha o cubo numa mão e, na outra, o relógio de pulso, com cronómetro:

- Consegui bater o meu record pessoal! Resolvi o cubo em quinze segundos!

cubo.JPG

Outro dia, no grupo de oração, a Clarinha viu-se bastante aflita para encontrar na sua Bíblia a passagem enunciada. Ela escutara as palavras: Carta aos Filipenses, capítulo 3, versículo 1 a 12. Mas depois... Como traduzir estas indicações em Palavra? A seu lado, ajudei-a a procurar. Lembrei-me então do cubo mágico...

Dá jeito conhecer os "algoritmos" que nos permitem procurar na Bíblia a Palavra de Deus. E quanto maior a nossa prática, mais depressa encontramos as passagens que nos falam ao coração. Há algumas que é bom  conhecer "de cor", "de coração", para estarem mais acessíveis na memória quando delas precisamos. No meio de uma aula complicada, ou de um engarrafamento de trânsito, ou numa cama de hospital, sabe tão bem deixar a Palavra de Deus descer à nossa memória para nos apaziguar! Eu gosto de repetir baixinho o salmo do Bom Pastor (Sl 22/23) antes de entrar em algumas aulas ou reuniões, ou o Hino da Caridade (1Cor 13) quando estou prestes a perder a paciência, por exemplo.

Por onde começar? O ideal seria por um curso bíblico, mas na sua falta (e eu nunca fiz nenhum) podemos sempre começar por ler o índice da Bíblia, perceber um pouco como estão agrupados os livros, ler as introduções, que nos situam no tempo e no espaço. Depois, podemos seguir a sugestão de Bento XVI e ler, do princípio ao fim, um livro inteiro da Bíblia. Podemos repetir este gesto até termos lido por inteiro todos os livros da Bíblia, mesmo sem compreender tudo. Os cartões bíblicos vão-nos oferecendo pequenos versículos para memorizar, meditar, viver. Finalmente, há imensos jogos que podemos fazer em família: "Quem encontra mais depressa uma passagem na Bíblia sobre pastores?" "Quem é o primeiro a abrir em Ex 2, 10?" "Quem sabe em que livro vem a história do Rei David?"

Tal como o cubo mágico, a Palavra só é enigmática para quem não tem tempo ou vontade de praticar e memorizar algumas coisas... Chamemos-lhe "os algoritmos da Palavra"!

Se tiverem sugestões para que todos possamos aprender os "algoritmos da Palavra", venham elas daí :)

 

"Trarás no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás muitas vezes e delas falarás, quando estiveres sentado em casa ou a caminhar, quando estiveres deitado ou andando pelos caminhos..." (Deut 6, 6-7)

DSC01192.JPG

PS - Já recebi algumas fotografias de alguns Cantos de Oração quaresmais. Querem enviar-me as vossas, para depois eu as mostrar num post?

 

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