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Blogues, gatos e a Vida Nova pascal

por Teresa Power, em 29.03.16

Uma das maiores alegrias que experimentamos no nosso apostolado é o nascimento de novas Famílias de Caná. Não imaginam como nos pula o coração cá dentro quando recebemos um mail, geralmente depois de um retiro, com a notícia: "Queremos ser Família de Caná..." Nesses dias, fazemos uma verdadeira festa durante a oração familiar! Na verdade, as Famílias de Caná, tal como a Igreja, existem por causa das Palavras de Jesus Ressuscitado:

 

"Ide e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado." (Mt 28, 19-20)

 

Quando alguma destas Famílias de Caná decide começar a escrever um blogue, festejamos a duplicar... Ora ultimamente surgiram dois novos blogues, que temos a alegria de vos dar a conhecer. O primeiro é o blogue da Família Sécio de Almeida, que fez o primeiro retiro Famílias de Caná em Almada, no dia 20 de setembro de 2014. Esta família tem uma linda história para contar, uma história de dor e de alegria, na doença e na saúde... Espreitem, que vale a pena!

O segundo é o blogue da Família Vieira, que fez o retiro Famílias de Caná em Lordelo, no dia 6 de março. Ao longo de todo o retiro, não pude deixar de reparar no brilho nos olhos do pai Marco, que cheio de entusiasmo, cantava, sorria, acenava com a cabeça. Não foi surpresa quando, no dia seguinte, me escreveu contando a sua decisão de se tornarem Família de Caná... A surpresa foi o nascimento deste blogue, que nos encheu de alegria. Visitem-no!

Mas há mais novidades aí do vosso lado: no retiro na Quinta do Conde, no dia 27 de setembro de 2015, conheci uma família linda, de Caldas da Rainha. A Joana já seguia o blogue diariamente quase desde o seu início, e apesar de não ser católica, estava cheia de vontade de nos conhecer. Pouco depois deste nosso encontro, a Joana escreveu-me a dizer que estava a preparar-se para o batismo. Eis a grande novidade: nesta Páscoa, a Joana foi batizada na Vigília Pascal, e no Domingo de Páscoa, recebeu o sacramento do matrimónio antes dos seus dois filhos serem também batizados. Haverá coisa mais bonita, neste Jubileu da Misericórdia? Convido-vos a todos a dar graças ao Senhor com ela, com a sua família, connosco... Afinal, nós e vós, leitores fiéis deste blogue, já formamos uma bela família, não é verdade? Alegremo-nos e rejubilemos juntos!

Ah, antes de terminar o post de hoje... Não, nesta Páscoa não celebrámos com ovos e coelhinhos, mas com... Bem, com... Vejam vocês mesmos:

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 Aceitam-se encomendas :)

Uma Santa Páscoa para todos! Aleluia! Aleluia!

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Ressuscitou! Aleluia!

por Teresa Power, em 26.03.16

Chegou, finalmente, a noite mais santa do ano! O Senhor Jesus ressuscitou, tal como havia prometido, e precede-nos a caminho de Casa! Cantemos aleluias sem fim, exultemos de alegria e festejemos!

Ao fim da tarde, à lareira, conto aos mais novos as histórias das leituras bíblicas desta noite santa, e que os mais velhos irão escutar pela noite dentro, na Vigília Pascal. Uma pequena Bíblia ilustrada fornece-nos as imagens, e todos recordam as histórias já bem conhecidas: A Criação do Mundo, Abraão, Moisés... Por fim, contamos com entusiasmo a história da ressurreição. Que maravilha!

- Agora conto eu, mamã - Diz-me a Sara, tirando-me a Bíblia ilustrada das mãos e sentando-se num banquinho. É a minha vez de escutar com atenção!

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Entretanto, o Canto de Oração vestiu-se de festa: é a Páscoa do Senhor!

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Depois de jantar, reunimo-nos para fazer a nossa "vigília pascal caseira", como todos os anos. Os meninos apressam-se a ir buscar as suas velas batismais e acendem-nas à entrada da sala, para a nossa breve procissão.

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De pé, cantando aleluias, levantamos bem alto as velas acesas dos nossos batismos. A luz que um dia se acendeu dentro de nós ilumina a noite, ilumina a vida, ilumina o mundo...

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Há sempre muita competição para ver quem segura a vela do batismo do Tomás!

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 Depois, ajoelhados, fazemos a Novena da Divina Misericórdia, com especial empenho neste Ano Santo.

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 O Niall e os mais velhos saem para a Vigília Pascal. Os quatro mais novos vão para a cama, e em breve dormem a sono solto, cansados das longas noites da Semana Santa e da muita brincadeira com os primos. A casa fica mergulhada em silêncio...

O silêncio do túmulo vazio.

 

"Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito!" (Lc 24, 5)

 

Amanhã de manhã - muito, muito cedo - acordaremos com o repicar dos sinos, anunciando a visita pascal, que começa às nove horas no início da rua, praticamente em nossa casa. Sim, Ele ressuscitou, não podemos ficar a dormir! Anunciemos por todo o mundo que Ele está vivo, que Ele nos dá a Vida, que n'Ele vivemos para sempre!

Uma Santa Páscoa para todos, todos vós! Aleluia! Aleluia!

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Cabelo bem lavado

por Teresa Power, em 26.08.15

- Hoje é praia ou missa, mamã?

- Hoje é missa, Sara. Tu gostas da missa?

- Gosto. Mas olha, diz ao senhor padre que eu não quero que ele me lave o cabelo!

- ?????

 

Levei alguns segundos a compreender o problema da Sara: durante todos os domingos de agosto, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, a missa paroquial inclui a celebração de um ou mais batismos. E o batismo significa, - como é que eu nunca pensara nisto? - lavar a cabeça aos mais novos, claro! A Sara, que detesta lavar o cabelo, deve ter sofrido um pouco nas últimas missas, à espera que o tormento diário da água a escorrer sobre a sua cabeça pudesse também acontecer na igreja, onde julgava estar em segurança. Ai como é difícil ter-se quase três anos!

 

- Sara - continuei eu - Não tenhas medo, porque o senhor padre já lavou o teu cabelo uma vez, e não vai lavar mais nenhuma!

- Ai já?

- Já. Queres ver? - Fui buscar um album de fotografias - Olha, vês? O senhor padre lavou-te o cabelo com esta conchinha da praia, que os manos encontraram enquanto tu estavas na minha barriga e guardaram especialmente para a ocasião!

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- Sabes, Sara, o senhor padre não lava o cabelo com shampô... Não! Não entra nada nos olhos. O senhor padre não está a tentar tirar a terra do jardim ou a areia da praia ou os restos de comida ou os bocados de cola do teu cabelo... Está a lavar o teu coração!

- O coração?

- Sim, o coração...

Enquanto eu explicava à Sara, com palavras muito simples, o sacramento do batismo, fiquei a pensar... Será que os pais que, aproveitando este mês de férias e encontro familiar, levam os seus filhos a ser batizados, experimentam dentro de si a urgência do sacramento? Ou será que simplesmente aproveitam a ocasião do batismo para festejar com a família e os amigos o nascimento do seu filho?

Apercebo-me de que, mesmo entre os católicos mais empenhados, existe uma vaga ideia de que o batismo é um símbolo, um gesto belo, mas incapaz de causar uma alteração profunda na natureza do ser humano. "Todos somos filhos de Deus", ouve-se dizer. Para quê a pressa então? Por que não esperar por uma reunião familiar, por uma situação financeira mais estável ou por umas férias para batizar os nossos filhos?

É verdade que todos os seres humanos são amados por Deus com amor infinito, antes ainda de serem concebidos; e que Deus tem milhares de formas diferentes de oferecer a sua salvação, a cristãos, a budistas, a ateus, pois como diz o Catecismo da Igreja Católica, "Deus não está prisioneiro dos seus sacramentos" (CIC nº1257). Mas também é verdade que o Evangelho diz:

 

"Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus." (Jo 3, 5)

 

Se o batismo não nos traz nada de novo; se não altera em nada a nossa própria natureza humana; se não tem poder para nos abrir o Céu, então não vale a pena perdermos tempo.

Mas se o batismo opera em nós um milagre - um milagre imenso, infinito e impossível de abarcar com a nossa pobre inteligência; se o batismo faz de nós participantes da vida do próprio Deus, realmente filhos no único Filho; se o batismo apaga em nós, definitivamente, a marca herdada do pecado; se o batismo faz jorrar para dentro de nós uma abundância de graça nunca antes vista, completamente absurda e totalmente gratuita - então eu vou ter imensa pressa em batizar os meus filhos. Diz o Catecismo da Igreja Católica: "A Igreja e os pais privariam a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o batismo pouco depois do seu nascimento." (CIC nº 1250)

Cá em casa, batizei todos os meus filhos com um, dois ou três meses de vida. Se hoje tivesse outro bebé, batiza-lo-ia na semana seguinte a sair da maternidade...

 

- O senhor padre não vai lavar-me o cabelo!

 

"« Senhor, Tu não vais lavar-me os pés!» Disse-lhe Jesus: «Se não te lavar os pés, não terás parte comigo.» Disse-Lhe então Simão Pedro: «Nesse caso, Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!»" (Jo 13, 6-10)

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Crismado

por Teresa Power, em 01.05.15

O Domingo do Bom Pastor foi, na nossa família, um domingo muito especial: o dia do Crisma do Francisco, o primogénito!

O dia amanheceu tranquilo. O Francisco estava sereno, como é seu costume. Quando se vestiu a rigor, todo soltámos uma exclamação de espanto. Afinal, não é seu hábito preocupar-se com o vestuário, e raramente o vemos assim:

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Mas este domingo era mesmo um dia muito especial, e o cuidado exterior devia simplesmente refletir toda a beleza interior do seu coração, purificado pelo sacramento da confissão e preparado ao longo de anos de catequese e oração: o Francisco ia ser ungido testemunha de Jesus pelo seu bispo, D. António Moiteiro. Que honra, o sacramento do crisma! Que voto de confiança da parte de Deus, ao ungir-nos suas testemunhas!

 

Eram dezanove os jovens preparados pelo Niall para este grande dia. Entraram no santuário em procissão solene, e tal como os meninos da primeira comunhão no domingo anterior, também eles se mantiveram ao longo da coxia central, ao lado das respetivas famílias.

- Estais dispostos a ser testemunhas de Cristo? - Perguntou o senhor bispo, depois de todos os jovens, um a um, responderem "presente!" à chamada.

- Sim, estamos.

- E nós estaremos cá para ver! - Foi a resposta do senhor bispo, arrancando uma bela gargalhada à assembleia.

Os jovens fizeram o ofertório, as leituras e a oração dos fiéis. Na sua alegria, não esqueceram os migrantes que atravessam o Mediterrâneo todos os dias, os cristãos perseguidos, os sacerdotes desanimados, os jovens do mundo inteiro.

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Ao lado do senhor bispo, o David acolitava. Estava muito feliz, porque era a segunda vez que acolitava ao lado do seu Pastor, e porque ia fazer a sua segunda comunhão. Antes de começar a missa, o David teve este diálogo caricato com a São, também acólita:

- Sabes, São, estou muito contente porque agora já não tenho fome na missa.

- Ai não? E porquê?

- Porque já vou comer a hóstia!

A São escondeu um sorriso:

- Pobre David, passavas assim tanta fome?

- Pois...

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Num momento de grande beleza, os jovens crismandos foram junto do círio pascal acender a sua vela batismal. O sacramento do crisma é precisamente isto: tomar na sua própria mão a Luz recebida em bebé. No dia longínquo do seu batismo, a fé foi-lhes dada de presente, de uma forma totalmente gratuita, sem lhes dar tempo para dela tomar consciência, para a pedir, ou sequer desejar - tal como o dom da vida, que ninguém pede ou deseja, mas simplesmente acolhe. O batismo é o parto que nos lança na grande família da Igreja de Cristo.

Mas o crisma é diferente: o crisma é o assumir deste dom, o reafirmar do batismo, agora em plena consciência e adultez.

A vela do Francisco está minúscula, pois costumamos acendê-la em casa, durante a oração familiar, duas a três vezes por ano - e dezasseis anos representam muita cera!

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Por fim, chegou o tão aguardado momento. Enquanto invocávamos o Espírito, cantávamos sem cessar: "Vem, Espírito de verdade! Vem, Espírito de Santidade! Vem, Espírito de Caridade! Vem, nós Te esperamos!"

Um a um, com os padrinhos a seu lado, os jovens aproximaram-se do senhor bispo, que ungiu a sua testa com óleo, marcando-os com o selo do Espírito. Depois, ao ouvido de cada um e com um carinho verdadeiramente paternal, desafiou-os à santidade.

- Segue o exemplo de S. Francisco de Assis - Sussurrou o senhor bispo ao Francisco. - E deixa-te inspirar pelo nosso Papa Francisco!

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Antes da Eucaristia terminar, os jovens crismados leram uma simpática e comovente mensagem de agradecimento ao Niall, seu catequista desde que chegámos a Mogofores, tinham eles nove ou dez anos. O Niall contemplava o seu grupo com serena alegria, enquanto na sua mente já surgiam planos para os conduzir ainda mais além como grupo de jovens...

Estávamos todos felizes, com os olhos a brilhar. Os nossos "meninos" eram agora adultos na fé.

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Um último presente: um crucifixo e uma pagela com uma oração, que o Niall escolhera com cuidado para lhes oferecer:

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Na sua homilia, o senhor bispo desafiou os jovens a colocar os seus pés nas pegadas de Jesus, seguindo o seu caminho sem se desviar. Enquanto o Niall entregava a cada crismado a cruz e a pagela, cantámos o cântico que escrevi há alguns anos e que as Famílias de Caná e a nossa paróquia tanto gostam de cantar, pedindo a Jesus que nos ajude a nunca retirar os nossos pés das suas pegadas.

(Se quiserem cantar connosco, vão à tag "cânticos", e encontrarão um vídeo caseiro com este nosso cântico).

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"Põe teus pés nas minhas pegadas e acerta o teu passo comigo

Elas estão de sangue manchadas, mas meu passo é alegre e decidido!

          Nós, Jesus, Tu e eu! Juntos na Cruz, juntos no céu! (2x)

Põe teus pés nas minhas pegadas, não te canses de evangelizar

Elas estão de sangue manchadas, mas por elas a Vida vais encontrar!"

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E agora, é hora de ser testemunha de Jesus, como os Apóstolos depois do Pentecostes:

 

"Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam." (Mc 16, 20)

 

 Que assim seja. Ámen! Aleluia!

 

 

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A Imaculada Conceição e a nossa veste branca

por Teresa Power, em 08.12.14

Três dos nossos filhos foram baptizados no dia solene da Imaculada Conceição: o Francisco, o David e a Lúcia. Hoje é portanto um dia de muita festa cá em casa!

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 O dia vai começar com a Eucaristia no Santuário, seguida de procissão, percorrendo as ruas da nossa terra enquanto cantamos e rezamos o rosário. Depois, ao almoço, concluiremos solenemente, cá em casa, a novena da Imaculada Conceição. E à noite, na nossa oração familiar, os três aniversariantes acenderão as suas velas baptismais, para darmos graças em grande alegria.

 

Gosto de chamar a esta solenidade a festa da santidade. Nossa Senhora foi santa desde a sua concepção, no seio de Ana, porque Deus assim quis. S. Luís Maria Monfort tem uma frase, no seu Tratado da Verdadeira Devoção, que sempre me fez sonhar, pela sua poesia e a profundidade:

"Deus juntou todas as águas e chamou-lhes mar; juntou todas as graças e chamou-lhes Maria."

Maria viveu, desde o início, aquilo a que todos somos chamados: a graça da santidade. A leitura da festa de hoje diz assim:

 

"Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos altos céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.

Foi assim que Ele nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença, no amor.

Ele predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com a sua vontade." (Ef 1, 3-5)

 

Somos chamados à santidade antes ainda de existirmos, tal como Maria... Maria nasceu com a veste nupcial vestida; nós recebemos esta veste no dia santíssimo do nosso baptismo, graças ao poder do sangue de Jesus, capaz de branquear o pecado mais escuro. Não somos capazes, como Maria, de manter branca a nossa veste? Confessemo-nos sem medo muitas e muitas vezes, e multipliquemos os gestos de amor, pois o amor cobre uma multidão de pecados.

 

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós. Amén!

 

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Um baptismo em dia de S. Martinho

por Teresa Power, em 12.11.14

O dia de S. Martinho tem na verdade muitas festas associadas! Para além da festa de S. Martinho, que merece um post à parte, já aqui falei na festa da Ana Maria Javouhey, que foi baptizada a 11 de novembro. Pois bem, cá em casa há ainda uma outra festa: a memória do baptismo da Sara! Foi também no dia de S. Martinho que a Sara, com quase dois meses, foi baptizada. Um dia que recordamos com muito carinho!

Recordo a sensação de estar à porta da Igreja, com a minha filha ao colo, pedindo a Deus e à comunidade cristã licença para entrar... Que emoção, e que experiência profunda de fé! Faz-nos bem tomar consciência de que a fé é um dom, e de que ninguém entra na Igreja de Deus senão através dos irmãos, que nos acolhem, que nos transmitem a fé e que nos ajudam a crescer. Assim, faz-nos bem bater à porta e escutar a voz sonora da comunidade a cantar, e a voz sonora do sacerdote que nos recebe de braços abertos. Disse o Papa Francisco na sua catequese sobre o baptismo:

"O baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna. Eu não posso baptizar-me sozinho, devo pedir o baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, um acto de filiação na Igreja." (8.1.14)

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Como foi bonito, então, caminhar pela igreja dentro com a Sara nos braços, e contemplar os sorrisos nos rostos que se voltavam para nós, em jeito de acolhimento fraterno!

Mais um pouco, e a Sara foi finalmente baptizada. Continua o Papa Francisco a explicar, na sua catequese:

"Com o baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos."

 

Lembro-me da alegria nova, pura e profunda que senti quando a água se derramou sobre a sua cabecita. Foi verdadeiramente um novo nascimento... De repente, ela já não era minha filha, já não estava dependente da minha história ou do meu pecado, mas era toda de Deus!

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Pensando em mim e na minha natural tendência para o pecado, penso também em todas as mães solteiras, abandonadas, traídas que se abeiram da Igreja de Jesus para poderem baptizar os seus bebés... Penso na alegria que devem sentir ao perceber que, a partir do baptismo, aquele bebé está liberto do peso da história dos seus pais, e renasce como filho muito amado de Deus. Que nada nem ninguém nos impeça de pedir o baptismo para os nossos bebés!

 

Envolta numa veste branca, a Sara foi para todos nós, naquela igreja, sinal do poder santificante da graça de Deus. Como diz o Apocalipse:

 

"Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas túnicas e as branquearam no Sangue do Cordeiro." (Ap 7, 14)

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Perceber que a Sara, tão pequenina, antes de alguma vez ter sequer pecado, foi salva pelo Sangue de Jesus, é profundamente comovente. Jesus não espera que pequemos para nos salvar! Jesus nem sequer espera que sejamos capazes de Lhe agradecer! O baptismo dos bebés, ao não exigir sequer que eles se apercebam do dom que recebem, é talvez o sacramento que melhor exprime a gratuidade do amor divino.

 

Os padrinhos seguraram connosco a vela, símbolo da fé. E desde então, nunca deixaram de acompanhar a Sara na sua descoberta do amor de Deus:

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Nem eles, nem, claro, a avó, comovida como sempre fica em todos os baptismos dos seus netos! E tem razão em se comover: a simplicidade da cena de um baptismo esconde uma verdade tão profunda...

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Ontem, dois anos depois deste belo dia, fizemos festa, seguindo o conselho do nosso Papa Francisco na mesma catequese:

"É importante conhecer o dia em que fui imergido nessa corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar-vos um conselho, que é até um dever: hoje em casa, procurai, perguntai a data do baptismo. Conhecer a data do nosso baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não a saber é o de perder a consciência daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Devemos despertar a memória do nosso baptismo."

 

Assim, ontem à noite, para grande surpresa da Sara, colocámos-lhe entre as mãos a vela do seu baptismo, de novo acesa, e cantámos a plenos pulmões, no meio de muitas palmas: "Esta luz pequenina, vou deixá-la brilhar..." Olhem bem para a cara de felicidade:

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Querida Sara, que a luz que seguras entre as mãos brilhe por toda a eternidade, e guie sempre os teus passos! Tu que foste baptizada em Cristo, estás revestida de Cristo! Aleluia! Aleluia!

 

 

 

 

 

 

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Aquele indivíduo

por Teresa Power, em 08.11.14

Os alunos de uma das minhas turmas do curso vocacional (curso alternativo ao percurso escolar normal, que visa permitir a conclusão do ensino básico a alunos que, de outra forma, nunca o fariam) estão a ter sérios problemas de comportamento. Em conjunto, temos procurado estabelecer regras e delinear estratégias, mas nada parece resultar. Na última reunião que tivemos, o director de turma contou-nos:

- Sabem como é que o pai do B. se referiu ao filho, quando o convoquei para vir à escola tomar conhecimento das faltas disciplinares? Não vão acreditar... Ele nunca disse "o meu filho"; mas repetiu vezes sem conta "aquele indivíduo"...

 

É chocante, para nós pais dedicados, imaginar o tipo de relação que existirá numa família assim. Se o jovem B. é para o seu pai "aquele indivíduo", para quem será ele filho? E se não for filho para ninguém, com quem aprenderá a amar?

Mas o jovem B. tem um pai, sim - o Pai que em primeiro lugar o chamou à vida, e que o ama ao ponto de, por ele, dar a vida: o Senhor, nosso Deus. Terá B., algum dia, a felicidade de descobrir a sua verdadeira filiação? Se a descobrir, a sua vida não terminará na delinquência ou na droga, mas converter-se-á, isto é, mudará de rumo de uma forma absoluta e total. É que nada é mais poderoso que a descoberta do amor de Deus por nós!

 

Teremos já nós feito esta descoberta? Será Deus para todos nós um Pai, com quem gostamos de estar e que amamos e respeitamos? Sabemo-nos filhos queridos, profundamente amados? Ou referimo-nos ainda a Deus como "aquele indivíduo", falando das regras de convivência da sua Casa como imposições grosseiras, evitando sentarmo-nos com Ele à mesa da Eucaristia, recusando os seus convites para uma conversa íntima através da oração, ignorando a sua Palavra paternal? Quem é Deus para nós? E quem somos nós para Deus?...

 

Quando Jesus se levantou das águas do Jordão, depois de ter sido baptizado por João, 

 

"...os céus abriram-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele de forma corpórea, como uma pomba. E do céu ouviu-se uma voz:  «Tu és o meu filho muito amado, em quem pus todo o meu enlevo.»" (Lc 3, 22)

 

O maior título de glória de Jesus, aquele no qual somos abençoados todos os dias da nossa vida, não é o de Senhor, Messias ou Salvador, mas o de Filho. E o maior título de glória de Deus Pai não é o de Criador, mas precisamente o de Pai. Quando nos revelou o nome de Deus, tornando-o pronunciável, Jesus revelou-nos a Trindade:

 

"Ide e fazei discípulos em todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." (Mt 28, 19)

 

Em Jesus, Deus adoptou-nos a todos como filhos muito amados. No preciso instante em que surgimos do nada, um espírito e um corpo numa minúscula célula dentro das nossas mães, a voz de Deus ressoa, paternal, por toda a eternidade:

 

"Tu és o meu filho muito amado."

 

No dia soleníssimo do nosso baptismo, quando os céus se abrem e o Espírito desce sobre nós, a voz de Deus ressoa de novo, desta vez acompanhada do sinal poderosíssimo do Sangue de Jesus entregue por amor, no qual somos baptizados:

 

"Tu és o meu filho muito amado."

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Deixemos que esta voz ressoe agora dentro de nós... Deixemo-nos amar incondicionalmente pelo Pai! Então, o nosso coração converter-se-á, totalmente rendido a este amor absoluto e eterno.

Que assim seja para B., e que assim seja para cada um de nós! Ámen.

 

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Filha de Deus

por Teresa Power, em 18.07.14

No domingo, durante a Eucaristia onde também participaram várias Famílias de Caná, a Sofia foi baptizada, e eu tive a grande honra de ser a madrinha:

 

Atentas, sentadas à volta da pia baptismal, as crianças do último retiro assistiram a este grande milagre do amor de Deus:

 

Pensar que um gesto tão simples, como a água derramada sobre a cabeça, pode operar um milagre tão imenso no ser humano! De um momento para o outro, de uma forma totalmente gratuita, sem qualquer mérito da nossa parte, tornamo-nos filhos e filhas de Deus. Não admira que João Paulo II, ao ser interrogado sobre qual fora o dia mais importante da sua vida, tenha respondido: "O dia do meu baptismo"!

 

Em nome da pequena Sofia, acendi a vela baptismal, professando a fé católica:

 

Que festa tão simples e tão bonita, a do baptismo! Na verdade, o baptismo dos bebés manifesta como nenhum outro sacramento a gratuidade do amor divino: somos baptizados antes de sermos capazes de merecer, de pedir ou até de desejar o baptismo... Tal como o dom da vida humana, também o dom da vida divina é gratuito, oferecido a quem não é capaz de o pedir, apenas "porque sim", por amor. E como no nascimento biológico a nossa mãe nos "dá à luz", também no nascimento divino a Igreja nos "dá à luz", entregando-nos o dom da fé. Tanta profundidade num gesto tão simples... Para mim, esse é o sinal de autenticidade: só Deus é capaz de tornar simples o que é grandioso! O ser humano complica muito mais...

 

As leituras da missa falaram-nos da semente que cai na terra e dá muito fruto. A primeira leitura dizia assim:

 

"Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, mas regam a terra para ela ficar fértil e produtiva, para dar semente ao semeador e pão para comer, assim acontece com a Palavra que sai da minha boca: não volta para Mim vazia, sem ter realizado a minha vontade, sem ter cumprido a sua missão" (Is 55, 10-11)

 

Como prometemos no dia do baptismo de cada um dos nossos filhos, possamos nós trabalhar a terra que é o seu coração e a sua mente, para que eles sejam sempre capazes de acolher a semente, a chuva, a Palavra de Deus! O mundo não se cansa de "fazer chover" sobre eles a sua palavra mundana... Não nos cansemos nós também de "fazer chover" a Palavra de Deus sobre os nossos filhos, dia e noite, a toda a hora! E veremos os frutos, sim, veremos...

 

 

 

 

 

 

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Brincando aos manos

por Teresa Power, em 23.03.14

Os meus filhos mais novos gostam muito de brincar aos pais e às mães. O António é o filho, a Lúcia a mãe, o David o pai, e vão trocando papéis até todos estarem felizes na sua função. Mas ontem dei com eles a brincar de forma diferente: estavam a brincar aos manos.

- Olá mana! - Dizia o António.

- Olá mano! - Respondia a Lúcia.

- Vamos dar um passeio, mana? - Perguntava o António.

- Vamos, mano! - Respondia a Lúcia.

Fiquei a observá-los durante uns instantes. Depois não resisti:

- A que é que vocês os dois estão a brincar?

- Aos manos! - Foi a resposta.

- Mas vocês são mesmo manos!

- Pois, mas agora estamos a brincar aos manos. É diferente - Explicaram.

 

Fiquei a pensar na utilidade de tal brincadeira.

Também nós, cristãos, somos todos irmãos. A nossa oração distintiva diz assim: "Pai Nosso..." No entanto, quantas vezes nos lembramos de que somos, de facto, irmãos? Se nos lembrássemos disso mais vezes, haveria tanta gente a morrer de fome no mundo?

 

Timothy Tadcliffe, um autor que muito admiro, escreveu assim a propósito do baptismo:

 

"Muitas vezes, os pais preferem um baptismo privado, em família. Mas isto é um pouco estranho, já que no baptismo a criança é entregue à família mais alargada do amor ilimitado de Cristo. E por isso, faz mais sentido realizar-se o baptismo no dia de reunião de assembleia paroquial e, até, que haja muitos bebés diferentes a serem baptizados ao mesmo tempo, rodeados dos seus novos irmãos e irmãs em Cristo, o primeiro e mais importante título de cada cristão." (Imersos na Vida de Deus, página 64)

 

E Bento XVI escreveu, quando ainda era cardeal:

 

"A Eucaristia não é um assunto privado no círculo de amigos que constituem um clube de pessoas com as mesmas afinidades, em que todas se buscam reciprocamente. Pelo contrário, do mesmo modo que o Senhor Se submeteu publicamente à cruz, fora das muralhas da cidade, à vista de todo o mundo, e do mesmo modo que as suas mãos se estenderam de tal forma que abraçam a todos, assim também a celebração da Eucaristia significa uma assembleia pública de culto de todos os convocados pelo Senhor, a Quem é indiferente quem são os que a compõem. Os homens de qualquer partido, de qualquer posição ou de qualquer ideologia são congregados no momento culminante da sua palavra e do seu amor." (Homilia para a festa do Corpo de Deus, 25-5-78)

 

Enquanto os cristãos de todas as confissões e com diferentes visões da Igreja não viverem como irmãos, partindo um só Pão, o mundo não vai acreditar no nome de Jesus. Foi Ele quem o disse:

 

"Que eles sejam um, para que o mundo acredite que Tu, ó Pai, Me enviaste." (Jo 17, 21)

 

Aos domingos, na missa, somos tratados por "irmãos" e tratamos os estranhos que se sentam ao nosso lado por "irmãos" também: 

"Confesso a Deus, Todo Poderoso, e a vós, irmãos..."

"Orai, irmãos, para que este sacrifício seja aceite..."

 

Pelo baptismo, somos irmãos de Jesus e irmãos uns dos outros. A missa é uma bela ocasião para "brincar aos manos", treinando em oração o grande jogo da vida!

 

                           (Festa da Palavra, novembro 2012)

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publicado às 08:07

S. José

por Teresa Power, em 20.03.14

Oração familiar, Dia do Pai. Sentados no nosso Canto de Oração, lemos as leituras da missa do dia de S. José.

 

"José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus." (Mt 1, 20-21)

 

- Que privilégio o de S. José! Conviver diariamente com Maria e Jesus! - Comentei, quando acabámos de ler o Evangelho.

- Sim, deve ter sido fantástico, ensinar Jesus a ler, a trabalhar a madeira, a rezar...

- Foi S. José que ensinou Jesus a rezar? Que giro!

- Ensinou-Lhe a rezar o "Escuta Israel" que nós hoje rezamos?

- S. José teve muita sorte!

- E pensar que a Bíblia fala tão pouco dele... Quando chegarmos ao Céu é que vamos conhecer de verdade este grande santo!

- Sim, a sua humildade é tão grande, que até a Bíblia o esquece!

       (Estátua no Centro Social S. José de Cluny)

 

- S. José não teve privilégios muito diferentes de todos os outros pais... - Disse então o Niall, que escutava os filhos com atenção. - Afinal, cada um dos nossos filhos é em primeiríssimo lugar filho de Deus. E como S. José, nós somos convidados a dar-lhes um nome, a educá-los, a ajudá-los a crescer!

- Claro! - Continuei eu, percebendo o seu raciocínio. -O baptismo faz de nós verdadeiramente filhos de Deus! Quando apresentamos um filho à Igreja para ser baptizado, o sacerdote pergunta-nos: "Que nome dais ao vosso filho?" Deus pede-nos, como pediu a José, que demos um nome e um apelido, o nosso, aos seus filhos! Como a José, Deus confia-nos o que de melhor tem, os seus próprios filhos! Eles não são nossos, mas d'Ele.

- É por isso que ontem Jesus dizia no Evangelho:

 

"A ninguém chameis pai na Terra, porque um só é o vosso Pai, que está nos céus" (Mt 23, 9)?

 

- Sim, David. Os nossos pais da terra são, como S. José, os pais que Deus nos deu para que nos eduquem e nos amem em seu nome, enquanto vivermos. Porque Pai, Pai, só há um, Deus!

 

Ser pai é uma responsabilidade imensa. Como S. José, também nós, pais e mães cristãos, recebemos um dom imensurável, um tesouro inegualável nesta vida: um filho de Deus para amar! Saibamos responder à altura de tamanho dom, imitando S. José em santidade! Um dia, Deus pedir-nos-á contas da forma como ensinámos ou não, aos seus queridos filhos, o caminho para Casa...

 

 

 

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publicado às 08:47



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