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A Deus...

por Teresa Power, em 06.06.16

Hoje podia contar-vos como foi magnífico o espetáculo de ilusionismo do Francisco, no colégio, e como todos saímos de coração cheio - porque o Francisco encantou, e porque a amizade faz milagres, e o Francisco já tem quase metade da viagem para Cracóvia paga, graças a tanta generosidade!

Também vos podia contar como foi lindo ver o António de novo no altar, pequeno acólito do Senhor.

Ou falar-vos da conversa, longa e saborosa, que o Niall e eu tivemos com o nosso bispo no sábado, dia do Imaculado Coração de Maria, em que recebemos a promessa da aprovação do nosso movimento ainda este mês, se Deus quiser.

Mas não vos vou falar de nada disto.

 

Há dois anos e meio, eu estreava-me no mundo dos blogues, escrevendo o primeiro de 772 posts, que durante um ano, diariamente, depois várias vezes por semana, vos entraram pela casa dentro. Lembro-me, a rir, dos dias em que consultava as estatísticas para ver se mais alguém, que não eu, lia o que eu escrevia, e lembro-me da alegria que foi quando um dia verifiquei ter vinte visualizações - para concluir depois, com um suspiro resignado, terem sido todas minhas... Lembro-me dos primeiros comentários que chegaram, dos blogues e jornais que entretanto falaram de nós e nos deram a conhecer... Mas lembro-me sobretudo dos dias especiais em que fizemos amigos novos, amigos a valer, amigos para a vida.

Graças a este blogue, temos agora todos nós - pais e filhos - amigos em vários pontos do país, com quem não nos limitamos a conversar virtualmente, mas que encontramos com muita frequência para brincar, conversar, rir à gargalhada, partilhar uma refeição, rezar. Sabe tão, mas tão bem!

O blogue acompanhou o nosso crescimento como pessoas, como família, como filhos de Deus. Hoje estamos mais perto do Senhor do que há dois anos e meio atrás, e daqui a outros dois anos e meio esperamos estar muito, muito mais perto ainda. Afinal, que é a vida senão uma bela peregrinação em direção a Casa? Assim, todos vocês foram testemunhas da nossa caminhada, das nossas falhas, das nossas conquistas, da força e da fraqueza, da alegria e da tristeza. Partilhámos a vida, a oração, a fé com simplicidade e generosidade, dia após dia, sempre iguais a nós próprios.

E a grande maravilha foi receber em troca, nos comentários e nos mails, a vossa partilha, tão rica, tão bela, tão forte, que nos estimulou e nos encorajou ainda mais. Transbordamos de gratidão por tudo isto!

O blogue deu-nos a conhecer muito do bem que se faz em Portugal, nas paróquias e comunidades, pelas famílias. Graças ao blogue, aproximámo-nos de pessoas e movimentos que antes desconhecíamos - e crescemos.

O blogue veio preencher uma falha que existia no ciberespaço português, de partilha da vida católica familiar no concreto de cada dia. Hoje, graças a Deus, existem muitos outros blogues católicos escritos por portugueses, onde se partilha vida verdadeiramente cristã. O nosso impulso foi a forma que Deus teve de chamar tantos outros a partilhar, e como "servos inúteis", agora deixamos de ser necessários.

O blogue tornou possível as Famílias de Caná. Nunca louvaremos suficientemente o Senhor por este dom que Ele quis fazer à sua Igreja, nestes tempos novos, nestes tempos em que o Papa nos pede que evangelizemos o mundo em clave familiar. Através do blogue, o Senhor enviou-nos um punhado de famílias especiais, pilares bem sólidos deste novo movimento. São famílias que vivem em profundidade o chamamento do Senhor:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas todos os que encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Sem estas famílias, não teríamos hoje as Famílias de Caná, mas apenas a Família Power. E o mundo estaria muito mais pobre!

 

O tempo do blogue chegou ao fim. Queria pedir-vos desculpa se por acaso feri alguém, se fui indelicada em algum comentário, se não ajudei como devia. Queria pedir-vos desculpa e dizer-vos que sim, que sempre vos desiludirei, pois todos os seres humanos se desiludem uns aos outros. Apenas Deus, o Senhor, nunca desilude!

E depois de vos pedir desculpa, queria agradecer-vos. Por tudo, tudo. Pelas oportunidades que me deram para pensar, para ler a minha Bíblia à procura da Palavra certa, para rezar por vós. Pelas vezes em que me escreveram para o mail, encorajando-me e dizendo-me o quanto foi importante este blogue, palavras que me fizeram tão bem especialmente em alguns momentos mais duros de partilha. Pelas vezes em que os vossos comentários me alegraram, e pelas vezes em que me magoaram, permitindo-me assim a honra de carregar a Cruz. Agradecer-vos pelas vezes em que comentaram, e pelas vezes em que deixaram passar sem nada dizer. Pelas vezes em que rezaram por mim, por nós. Pelas vezes em que partilharam connosco tanto conhecimento e tanta experiência de vida. Pelas vezes em que nos visitaram, na missa dominical das dez horas no Santuário, apenas para dizerem "olá", ou nos cumprimentaram na rua. Pelas surpresas e miminhos que nos enviaram pelo correio. Pelas vezes em que abriram, literalmente, a porta da vossa casa para nos receber. Bem hajam!

O tempo do blogue chegou ao fim, porque um novo tempo se inicia: o tempo do Site das Famílias de Caná, que inauguraremos muito em breve, no mesmo dia em que o movimento for aprovado. Teremos então uma grande festa, e todos estão convidados para as "Bodas", sejam ou não Famílias de Caná! Sim, voltarei ao blogue para anunciar este grande dia - que também será anunciado nos meios de comunicação social católicos - antes de mudar definitivamente de "casa"... Gostaria de ter feito tudo ao mesmo tempo - passar de uma "casa" para outra - mas não consigo encontrar tempo para escrever aqui e trabalhar no site em simultâneo nesta altura de final de ano letivo.

Estaremos sempre muito perto de vocês, se assim o desejarem! No site terão imensas surpresas, desafios, ensinamentos, gravações das nossas canções em mp3 para as poderem aprender aí em casa, histórias do que as Famílias de Caná vão fazendo um pouco por todo o lado, e - naturalmente - os meus posts, talvez de uma forma diferente, mas com a mesma alegria e simplicidade, porque eu sou a mesma aqui ou lá.

Ah, e depois do verão - quem sabe? - talvez ao espreitar para alguma livraria vejam um livro que vos pareça familiar... E mais não digo :)

O blogue chegou ao fim. Este é mesmo o penúltimo post, antes do que escreverei a anunciar o lançamento do site. Lembram-se da fotografia inicial do blogue?

 

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Aqui fica a última:

 

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 Ámen!

 

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Blogues, gatos e a Vida Nova pascal

por Teresa Power, em 29.03.16

Uma das maiores alegrias que experimentamos no nosso apostolado é o nascimento de novas Famílias de Caná. Não imaginam como nos pula o coração cá dentro quando recebemos um mail, geralmente depois de um retiro, com a notícia: "Queremos ser Família de Caná..." Nesses dias, fazemos uma verdadeira festa durante a oração familiar! Na verdade, as Famílias de Caná, tal como a Igreja, existem por causa das Palavras de Jesus Ressuscitado:

 

"Ide e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado." (Mt 28, 19-20)

 

Quando alguma destas Famílias de Caná decide começar a escrever um blogue, festejamos a duplicar... Ora ultimamente surgiram dois novos blogues, que temos a alegria de vos dar a conhecer. O primeiro é o blogue da Família Sécio de Almeida, que fez o primeiro retiro Famílias de Caná em Almada, no dia 20 de setembro de 2014. Esta família tem uma linda história para contar, uma história de dor e de alegria, na doença e na saúde... Espreitem, que vale a pena!

O segundo é o blogue da Família Vieira, que fez o retiro Famílias de Caná em Lordelo, no dia 6 de março. Ao longo de todo o retiro, não pude deixar de reparar no brilho nos olhos do pai Marco, que cheio de entusiasmo, cantava, sorria, acenava com a cabeça. Não foi surpresa quando, no dia seguinte, me escreveu contando a sua decisão de se tornarem Família de Caná... A surpresa foi o nascimento deste blogue, que nos encheu de alegria. Visitem-no!

Mas há mais novidades aí do vosso lado: no retiro na Quinta do Conde, no dia 27 de setembro de 2015, conheci uma família linda, de Caldas da Rainha. A Joana já seguia o blogue diariamente quase desde o seu início, e apesar de não ser católica, estava cheia de vontade de nos conhecer. Pouco depois deste nosso encontro, a Joana escreveu-me a dizer que estava a preparar-se para o batismo. Eis a grande novidade: nesta Páscoa, a Joana foi batizada na Vigília Pascal, e no Domingo de Páscoa, recebeu o sacramento do matrimónio antes dos seus dois filhos serem também batizados. Haverá coisa mais bonita, neste Jubileu da Misericórdia? Convido-vos a todos a dar graças ao Senhor com ela, com a sua família, connosco... Afinal, nós e vós, leitores fiéis deste blogue, já formamos uma bela família, não é verdade? Alegremo-nos e rejubilemos juntos!

Ah, antes de terminar o post de hoje... Não, nesta Páscoa não celebrámos com ovos e coelhinhos, mas com... Bem, com... Vejam vocês mesmos:

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 Aceitam-se encomendas :)

Uma Santa Páscoa para todos! Aleluia! Aleluia!

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Missões aqui e agora

por Teresa Power, em 09.10.15

No sábado passado, participei, juntamente com o grupo de catequistas de Mogofores, no Mega Encontro de Evangelização – E-vangelizar – dos salesianos, no Porto. Foi um dia magnífico! Coube-me dinamizar um Workshop sobre Catequese Familiar, mas ainda me sobrou tempo para participar, como formanda, num workshop muito a propósito: As Obras da Misericórdia na Catequese. Lindo!

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Uma das coisas giras deste dia foi o encontro com algumas Famílias de Caná da zona norte, bem como o encontro com alguns leitores do blogue. O Luís e a Jacinta, que vivem na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, perto de Aveiro, fizeram o Retiro de Neiva. No E-vangelizar partilhámos a vontade de realizar um retiro na sua paróquia, que entretanto já conhece o seu testemunho de Família de Caná. Tanto o Luís como a Jacinta estão acostumados a trabalhar com crianças e jovens e a dinamizar muitas coisas. E por falar no Luís – conhecem o seu blogue As Contas de Deus? Vale a pena visitá-lo!

Nesse mesmo dia, o Francisco orientava um workshop de ilusionismo para adolescentes no Clube Prisma, em Coimbra. Quem tem talentos tem de os colocar ao serviço dos outros, naturalmente! O Francisco chegou a casa quase ao mesmo tempo que eu, cansado mas muito feliz.

E o resto da família? Bem, enquanto nós trabalhávamos, eles divertiam-se no Parque da Mealhada…

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Amanhã, sábado, iremos recomeçar o nosso trabalho de catequistas na nossa paróquia. Já não víamos a hora! É tão gratificante partilhar a nossa fé com as crianças e os jovens, ajudando-os a correr ao encontro de Jesus!

Domingo iremos dar testemunho da nossa vida de fé e apresentar as Famílias de Caná na diocese de Viana, na igreja paroquial de Meadela. Teremos a escutar-nos os pais das crianças da catequese. Enquanto isso, o Francisco fará ilusionismo e evangelização para as crianças. Vai ser um grande encontro! Haverá por aí leitores do blogue com vontade de nos cumprimentar e escutar? Apareçam domingo, dia 11, pelas 15h30 na igreja paroquial de Meadela, que para nós será um prazer!

Ontem, enquanto lia o Novo Testamento, encontrei esta passagem de S. Paulo:

 
“Três vezes naufraguei, e passei no abismo uma noite e um dia. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidadãos, perigos dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre os falsos irmãos. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez!”

(2Cor 11, 25-27)

 

Depois, dei comigo a pensar… É cansativo percorrer o país testemunhando a alegria de ser família católica. Mas nós viajamos de carro – bem, de dois carros – e em belíssimas estradas, e geralmente temos direito a grandes merendas! S. Paulo foi testemunha de Cristo a pé, de carroça, de cavalo, de noite e de dia, por terra e por mar, com fome e com sede… Ainda nos falta muito, muito, para chegarmos aos seus calcanhares! Que o Senhor nos ajude a todos a sermos suas testemunhas alegres e corajosas. Ámen!

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publicado às 06:00

Acólito

por Teresa Power, em 31.03.15

No sábado, o David participou pela primeira vez num convívio dos acólitos de Mogofores, no Santuário de Schonstatt, perto de Aveiro. Eu estava com algum receio de o deixar ir, porque o David é sem dúvida o acólito mais novo, e eu não queria que ele se sentisse só durante o dia. Mas a Lena, responsável pelos acólitos da nossa paróquia, assegurou-me de que o David não se iria sentir deslocado, e de que todos cuidariam dele. A Vera e a São, as duas educadoras que nos ajudam nos retiros Famílias de Caná (a propósito... Já se inscreveram no Retiro de Viana?) e que são também acólitas, vieram cá a casa de propósito "implorar" para eu deixar o David ir, que "as cotas" tomavam conta dele... A Vera até prometeu fazer um bolo especial caso o David fosse: um bolo que, a cada fatia que se corta, transborda de pintarolas! Bem, perante tanta amizade e tanto entusiasmo, não tive outro remédio senão deixar ir o meu rapazinho.

E que bem que eu fiz! O David chegou a casa felicíssimo, cheio de histórias para contar e de vontade de participar em novo encontro. A Vera, a São e a Lena falaram-me da alegria do David ao longo de todo o dia e, sobretudo, do seu imenso interesse em aprender. O David escutou, observou, fez jogos, comeu o bolo das pintarolas, brincou, rezou, adorou o Senhor na Eucaristia. Como o Menino Jesus no Templo, também o David surpreendeu com as suas imensas perguntas e algumas respostas, que foi buscar ao tesouro das histórias bíblicas que bem conhece. Por fim, participou na Missa Vespertina de Ramos.

Ontem, a Lena enviou-me as fotografias do encontro:

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- Mamã, hoje já não preciso de rezar o terço, porque já rezei - Disse-me o David, enquanto jantava.

- Que bom, rezar o terço no Santuário de Nossa Senhora! E que mais rezaste tu?

- Estivemos a fazer adoração. Havia lá uns papelinhos onde podíamos escrever uma oração secreta, e depois deitar num vaso.

- E tu escreveste?

- Sim, escrevi.

- E que escreveste tu?

- Eu não te disse que é segredo?

- Ah, pois disseste. Mesmo para a mãe?

- Se calhar posso contar à mãe. Eu pedi a Jesus que me fizesse santo, e outras coisas assim. Também fomos à missa.

- Ena! Não te cansaste, numa missa tão longa?

- Não foi longa! Foi até curta. Eu gostei muito. Ouvimos a história da morte de Jesus, e tu sabes como eu gosto dessa história. Amanhã, na nossa missa dos ramos, vou levar a caldeirinha da água abençoada.

- E que mais aprendeste tu?

- Aprendi a história do padre de Schonstatt. Sabias que ele esteve num campo de concentração?

- Sabia.

- Oh! Tu sabes tudo!

- Ah, mas já não me lembro bem! Contas-me?

- Conto. Ele esteve preso e sofreu muito, mas depois ele rezou muito a Nossa Senhora e fez-se santo.

Já na caminha, o David tinha outra coisa para me dizer:

- Olha, a Irmã que nos contou a sua história disse que o pai dela não queria que ela fosse Irmã. Mas ela foi! Então eu perguntei: "Quando Deus pede uma coisa e os pais pedem outra, a quem devemos obedecer?" E a Irmã respondeu-me. Ela disse que temos de obedecer a Deus primeiro, porque só quando obedecemos a Deus é que somos felizes.

- A Irmã tem toda a razão, David! Mas eu espero nunca te pedir nada que vá contra a vontade de Deus. Agora dorme!

- Posso ir a outro encontro de acólitos?

- Podes, claro! Boa noite, querido filho!

O David já descobriu o primado de Deus. A sua descoberta lembrou-me a resposta de Jesus a Maria e a José, quando era pouco mais velho do que o meu filho:

 

"Não sabíeis que Eu devia estar em casa de meu Pai?" (Lc 2, 49)

 

Nessa noite, já deitada, a minha oração, transbordante de gratidão pelo dom do meu filho, foi assim: Senhor, que os pais e as mães cristãos nunca afastem os seus filhos da Casa do Pai. Ámen!

 

PS - A Lena, responsável pelo grupo de acólitos de Mogofores, é mãe de uma bela Família de Caná. E sabem que mais? Há poucos dias decidiu começar a partilhar as suas vivências num blogue, que a todos convido a visitar: As surpresas de Deus. Haja muitas Famílias de Caná a inundar de Deus a internet! Para quando, um blogue brasileiro das Famílias de Caná? ...

 

 

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A responsabilidade de expressão e um novo blogue

por Teresa Power, em 19.01.15

No início de dezembro, se não me falha a memória, a Sónia descobriu este blogue. Lembro-me muito bem do dia em que isso aconteceu. Como? - Perguntam vocês, e com razão! Na verdade, eu não tenho qualquer forma de saber quem lê ou deixa de ler o blogue, nem de onde é, nem qualquer outro detalhe. Mas soube que a Sónia descobriu o blogue numa tarde de dezembro, porque nessa tarde ela fez vários comentários a diferentes posts, e enviou-me vários mails a propósito de diferentes tópicos que desenvolvo no blogue. Ao longo de toda a tarde, a Sónia foi lendo - a mim pareceu-me que leu o blogue de ponta a ponta - , foi pensando, foi questionando, e foi partilhando comigo o que lia. À noite, sentada à mesa para jantar com a minha família, contei-lhes:

 - Temos uma nova leitora do blogue e chama-se Sónia.

Eles ficaram curiosos:

- De onde é? Tem filhos? É simpática?

E eu fiquei feliz por poder responder a todas estas questões, pois tinha bastado uma tarde para ficar bem informada! Continuo a não saber como é o seu rosto, mas já vi uma fotografia da sua imagem de Nossa Senhora com o Menino, que entretanto a Sónia comprou para o Natal e para o seu novo Canto de Oração:

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A Sónia decidiu ser Família de Caná. Quando tiver possibilidade, fará connosco um retiro. Mas não ficou à espera da oportunidade para começar a viver as Cinco Pedrinhas do nosso compromisso com o Senhor e a Mãe de Caná! O Senhor chamou-a através desta nossa partilha de vida, e a Sónia respondeu "sim". O seu receio de não ser capaz de viver o compromisso na perfeição dissipou-se naturalmente, ao perceber que a santidade se conquista passo a passo, caindo e levantando-nos de novo, avançando e recuando; porque o importante é manter o olhar fixo no Céu.

Esta semana, descobri que a Sónia tinha um blogue desde 2014, onde partilha a sua caminhada. A partir da sua decisão de se tornar Família de Caná, o seu blogue passou a estar mais cheio de partilha de fé também. Li-o com imenso prazer! A Sónia tem uma escrita simples e profunda, conhece as Escrituras e conhece o seu Autor. Fica a sugestão para uma visita: Momentos e Apontamentos.

 

No avião a caminho das Filipinas, e a propósito do ataque terrorista a Charlie Hebdo, o nosso querido Papa Francisco falou precisamente nos limites da liberdade de expressão, que só é liberdade se for também responsabilidade. A liberdade de expressão, exercida com espírito cristão, tem destas coisas fantásticas: se quisermos, podemos encher a Internet de conteúdo cristão, alargando ao mundo inteiro a partilha do Evangelho vivido em cada dia. Afinal, é esta a responsabilidade a que o apóstolo nos chama, ao exclamar:

 

"Ai de mim se não evangelizar!" (1Cor 9, 16)

 

Possamos nós, cristãos, inundar a internet de blogues católicos! Possamos nós afirmar com palavras, com a vida e com todo o nosso ser: "Eu sou cristão". Ámen!

 

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Uma caravana no deserto e um novo blogue

por Teresa Power, em 20.12.14

O Advento já vai adiantado. Cá em casa, a cortina sobre o presépio está replecta de estrelas luminosas:

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No início do Advento, lancei o desafio de me enviarem as fotos do vosso Canto de Oração iluminado com as boas obras dos vossos filhos. Respondendo ao desafio, muitos dos nossos leitores não tardaram em me enviar belas fotografias, que hoje aqui publico com imenso orgulho.

 

A Paula contou-nos que, na sua casa, durante o Advento os seus seis filhos procuram oferecer a Jesus o maior número possível de "beijinhos", essas conchas pequeninas e enroladas que se encontram em algumas praias mais solitárias. Cada beijinho de concha representa um beijo de amor a Jesus Menino - um pequeno serviço prestado, uma pequena renúncia. Vejam como está lindo o seu presépio:

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Em casa da Olívia, o céu azul escuro foi-se cobrindo de estrelas muito sentidas e esforçadas. Para ajudar a concretizar a conversão, a proposta de esforço foi semanal, procurando cultivar uma virtude por semana.

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A família Nunes optou por criar um calendário de Advento com uma tarefa para cada dia. Vejam que bela ideia!

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A nossa Árvore de Jessé tem sido um sucesso. Todas as noites, durante a oração familiar, conto aos meninos a história da Bíblia proposta, lendo depois a pequena passagem bíblica ilustrativa. Os mais novos lançam-se então ao tabuleiro dos símbolos, tentando cada um ser o primeiro a encontrar o símbolo correspondente à história. À vez, para evitar conflitos, eles penduram o símbolo na Árvore. Digam lá se não está bonita?

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Também a Olívia tem a sua Árvore de Jessé bem recheada da Palavra de Deus:

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 A Árvore de Jessé da Carla vem directamente do Polo Norte, parece-me...

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Entretanto, os presépios foram surgindo em muitas casas.

Em casa da Alexandrina, todos trabalharam para construir estas belas figuras, com pasta de moldar. O pai, merceneiro, fez o resto. Fantástico!

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No domingo passado, antes da missa, o João, um dos meninos do nosso coro infanto-juvenil, tinha um presente para mim: um presépio miniatura, feito com a ajuda do pai. Achei a ideia muito original, e fácil de imitar aí em casa:

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Na casa da família Nunes, por insistência da pequena Margarida, todos construíram as figuras do presépio com muito carinho:

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A luz não falta também. A Joana enviou-me uma foto da entrada da sua casa, com duas velas de Advento acesas:

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E a família da Helena, que descobriu o blogue há pouco tempo, decidiu neste advento tornar-se... Família de Caná! O seu Canto de Oração está cheio de luz:

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 Há algumas semanas, descobri uma história da Bíblia que desconhecia e que me encantou: Jacob, filho de Isaac, pôs-se a caminho de Canaã, a Terra Prometida, onde se queria instalar. Com ele, levava os rebanhos, as duas mulheres, as escravas, e todos os seus filhos. Quando Esaú, seu irmão, o desafiou a caminharem juntos, Jacob recusou, por uma boa razão:

 

“O meu senhor sabe que as crianças são delicadas e que o gado miúdo e graúdo, que ainda mama, exige os meus cuidados; se os apressarem, ainda que só por um dia, todo o gado novo perecerá. Que o meu senhor queira passar adiante do seu servo; eu caminharei devagar, ao passo da caravana que me precede e ao passo dos meninos, até juntar-me ao meu senhor, em Seir.” (Gn 33, 13-14)

 

Preparar o Natal é, para a maioria de nós, uma longa e árdua caminhada no deserto. Caminhar em família, respeitando os ritmos uns dos outros, caminhar por vezes ao lado de um marido ou mulher não crente, ou ao lado de um esposo difícil, caminhar ao lado de filhos adolescentes com um mundo de perguntas sem resposta, ou de crianças birrentas, ou de bebés exigentes, enfim, não é fácil. As estrelas na cortina, as conchinhas no presépio, as tarefas propostas para cada dia são tudo formas de concretizarmos esta difícil travessia... Somos uma caravana de Jacob.

Ao ler o ensinamento do mês de Dezembro que escrevi para as Famílias de Caná, precisamente sobre a história da caravana de Jacob, a família Nunes sentiu-se desafiada. Lá em casa, a caravana também parece avançar muito lentamente, mas com determinação! Assim, e para minha grande alegria, decidiram criar um novo blogue de Famílias de Caná: Uma Caravana no Deserto. Visitem-no, e deixem-se inspirar!

 

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Família a Caminho e o matrimónio, porta aberta ao Senhor

por Teresa Power, em 04.12.14

Há uns tempos, falei-vos da fresta na porta, que o Senhor aproveita para Se esgueirar para dentro da nossa vida.

Olhando para trás, vejo hoje com clareza que uma das frestas mais importantes na minha porta foi o meu matrimónio com o Niall. Juntos, descobrimos o Senhor de uma forma que não teria sido possível em qualquer outra circunstância. Através do matrimónio, tornámo-nos um para o outro canal da graça divina. Deus tem falado ao Niall através de mim, e tem-me falado a mim através do Niall. Pela graça do sacramento, muitas feridas têm sido curadas, muitas graças derramadas. Quantas histórias teríamos para contar!

Alguém me perguntava outro dia, por mail: "Que diferença podem alguns papéis fazer na nossa vida, se nós nos amamos?" Os papéis não podem fazer diferença alguma; mas a graça de Deus pode. S. Paulo explica assim o poder do sacramento do matrimónio:

 

"Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja." (Ef 5, 31-32)

 

Cristo surge nos Evangelhos como o Esposo, o Amado do Cântico dos Cânticos, aquele que é ardentemente esperado e anunciado pelos profetas ao longo de toda a História de Israel:

 

"Poderão jejuar os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado; então, nesses dias, hão-de jejuar." (Lc 5, 34-35)

 

A Igreja surge no Apocalipse como a Esposa, aquela que acolhe o Esposo divino e a Ele se entrega sem retorno:

 

"Vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo." (Ap 21, 2)

 

Pelo sacramento do matrimónio, o amor entre um homem e uma mulher torna-se espelho deste amor entre Cristo e a Igreja, entre o Esposo divino e a alma humana. O Papa Francisco explicou assim este sacramento na sua catequese de quarta-feira, dia 2 de Abril de 1914:

 

"O matrimónio é uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, por força do sacramento, os esposos são investidos de uma verdadeira missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e comuns, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço."

 

Cada família, selada pelo sacramento do matrimónio, é única e tem uma missão única. Hoje quero falar-vos de uma família em especial: a família Duarte Sousa. A Cláudia descobriu este blogue em Maio deste ano, e dois dias depois, inscreveu-se no retiro Famílias de Caná que iria decorrer no dia 24 desse mês. "Atirou-se de cabeça", como ela nos contou no retiro. Hoje, a sua família é uma belíssima Família de Caná, com muitas histórias para contar. E sim, eles decidiram contar essas histórias num blogue: Família a Caminho.

Li o blogue de ponta a ponta há alguns dias, quando a Cláudia o partilhou comigo. Fiquei muito tocada com a forma como Deus Se esgueirou para dentro da vida da Cláudia, era ela já uma jovem adulta... Depois de uma infância infeliz, a Cláudia descobriu o amor de Jesus e fez a sua primeira comunhão aos vinte anos! O seu matrimónio com o Cristóvão, tal como o meu com o Niall, foi para ela uma porta aberta a Deus. E até hoje, essa porta continua escancarada, deixando Deus entrar a jorros de luz.

Deixo-vos com duas fotos do retiro de 24 de Maio, onde aparecem duas das filhotas da Cláudia e do Cristóvão (a Alice era uma bebé muito, muito pequenina), bem moreninhas e simpáticas:

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 Leiam, que vão gostar!

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Parabéns, Uma Família Católica Blog!

por Teresa Power, em 22.11.14

Faz hoje um ano que demos início a este blogue familiar, e por isso, hoje é dia de festa!

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 Há já algum tempo que me parecia sentir um chamamento para partilhar com uma comunidade mais alargada a nossa vivência cristã. A ideia do blogue surgiu de repente, em forma de imperativo, num livro que estava a ler sobre a Nova Evangelização, escrito pelos autores do site "The Catholics Next Door", indicado na coluna lateral deste blogue. Num capítulo sobre formas de evangelizar no mundo actual, a primeira sugestão era esta: "Inicie um blogue católico". Deu-se um "click" dentro de mim, que partilhei de imediato com o Niall. Para meu grande espanto, ele não me chamou maluca, nem me falou dos perigos da net... A Palavra de Deus ressoava, poderosa, na nossa mente e no nosso coração:

 

"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa." (Mt 5, 14-15)

 

Antes do fim da semana, o blog nascia.

Lembro-me dos dias em que tinha duas, três visualizações; lembro-me da tentação enorme de desistir, porque isto de actualizar um blogue diariamente, incluindo sempre uma citação bíblica e pesquisando, às vezes de forma bastante exaustiva, vários assuntos da fé, leva muito tempo... A pergunta surgia, constante, provocadora, no meu espírito: "Valerá a pena?"

E um dia começaram a chegar os testemunhos na caixa de comentários e especialmente no mail pessoal... Dei-me conta de que o blogue estava a fazer bem a alguém, algures, e se fazia bem a alguém, já valia a pena! Deixei de pensar em desistir, deixei de me preocupar com as visualizações e deixei de temer o tempo gasto com a actualização diária do blogue. Se Deus queria que o blogue existisse, Ele iria dar-me todos os dias o tempo e a inspiração necessários; se Deus queria que o blogue existisse, Ele mesmo iria levar o blogue às pessoas a quem ele se destinava. Pouco a pouco, o blogue deixou de ser problema nosso, para passar a ser problema "d'Ele"...

Em setembro, no final do retiro que fizemos em Almada, já deitados na cama, o Niall e eu demos uma gargalhada conjunta: ali estávamos nós, com os nossos seis filhos, preparados para dormir em casa de uma família que tinhamos conhecido através do blogue, e com quem partilhávamos uma amizade tão bonita! Quando é que alguma vez imaginaramos passar uma noite numa acolhedora casa no Barreiro, onde não temos família nem raízes? Só Deus, para aproximar assim os seus filhos uns dos outros!

Ao longo deste ano, foram certamente muitas as graças que o Senhor derramou sobre os seus filhos, servindo-Se, na maioria das vezes sem nós sequer o suspeitarmos, deste blogue tão simples. Conhece-las-emos no céu... Quanto às graças que Deus derramou sobre nós, elas foram verdadeiramente abundantes:

Através do blogue, Deus permitiu-nos fazer amigos virtuais um pouco por todo o país, no Brasil e na Argentina.

Através do blogue, Deus ofereceu-nos também amigos reais, de carne e osso, que abraçamos e com quem falamos ao telefone, com quem trocamos mails diários, que visitamos e com quem fazemos piqueniques:

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Através do blogue, os nossos filhos fizeram amigos para a vida.

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Foi o blogue que nos levou à aldeia de S. Bento, à "Casa da Paz" onde vive a família Almeida, e onde entre muitas outras coisas bastante mais importantes, também aprendi a ordenhar uma cabrinha, sonho que acalentava desde criança, quando via a "Heidi" na televisão :)

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O blogue serviu ainda para Deus estabelecer uma corrente belíssima de oração de bênção, que se estende pelo país e pela América do Sul.

O blogue inspirou outros blogues a nascer, a crescer e a fazer o seu trabalho de evangelização com beleza e profundidade.

O blogue fez o carteiro precisar de parar mais vezes à nossa porta, trazendo-nos livros, terços e outros presentes simpáticos de leitores amáveis, que quiseram partilhar connosco a sua alegria e nos encheram de gratidão. Alguns presentes são tão belos, mas tão pessoais, que só Deus e nós os conhecemos!

O blogue trouxe-nos imensas sugestões de leitura, meditação, oração, trabalhos manuais e arte cristã, e até, de lugares para piqueniques!

Num e-mail, uma leitora concluía:

"Acredite que o blogue tem um efeito infinito... É que ele inspira uma pessoa a fazer o bem, essa pessoa inspira outra, e assim por diante, sem nunca ter fim, como círculos na água. Não tem como medir o trabalho realizado através do vosso blogue!"

Eu penso que esta leitora acertou em cheio. A ideia é mesmo essa: lançar uma pedrinha - cinco pedrinhas... - nas águas paradas, agitá-las e provocar círculos cada vez mais vastos de esperança, alegria, fé, amor, partilha. Cada vez que um leitor se deixa amar e converter por Jesus, lançando-se na aventura da santidade e agitando as águas com as suas "pedrinhas", este blogue já valeu a pena!

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Obrigada, Senhor, por não Te envergonhares de Te servires de nós, instrumentos tão fracos, para anunciar a Boa Nova do teu Reino a uma multidão! Guia sempre o nosso blogue, para que ele seja fidelíssimo ao teu Evangelho, nunca se desviando da doutrina da Igreja Católica. Guia sempre o nosso blogue, para que ele seja fonte de alegria, esperança e misericórdia para quem o ler!

E tu Maria, queria Mãe de Caná, ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser. Ámen!

 

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A verdadeira alegria e um novo blogue

por Teresa Power, em 19.11.14

Ontem tive um dia de aulas particularmente difícil, distribuído por três escolas diferentes (todas do mesmo agrupamento). Das 15h30 às 17h  dei aulas à turma do Curso Vocacional, a que já me referi várias vezes, composta por alunos muito, muito problemáticos. Entraram na aula extremamente agitados, provocando-se e acusando-se mutuamente, escondendo as mochilas uns dos outros, atirando estojos pelo ar, enfim, uma sequência de atitudes que só quem é professor (sim, só mesmo quem é professor) consegue imaginar. A escalada de mau comportamento foi de tal ordem, que depois de marcar algumas faltas disciplinares vi-me forçada a chamar o Director para controlar a agressividade de alguns destes alunos para com os seus pares. A certa altura, apeteceu-me chorar e fugir, e como não estava em posição de tomar nenhuma dessas atitudes, optei pela única que me restava:

"Nós, Jesus, Tu e eu. Ajuda-me, por favor, a manter a ordem nesta sala. Já falta pouco tempo... Nós, Jesus, Tu e eu."

 

Quando saí da sala, senti a tentação terrível da tristeza. Entrei no carro, respirei fundo e conduzi até ao colégio para recolher os meus seis filhos. Eu sabia que precisava urgentemente de "desligar o botão" de professora e "ligar o botão" de mãe, e que só tinha cinco minutos para o fazer - o tempo que demoro entre a minha escola e o colégio. Rezei uma Avé-Maria muito pausadamente, entregando o fardo pesado a Nossa Senhora, e depois lembrei-me do belíssimo diálogo entre S. Francisco e Frei Leão:

Depois de perguntar a Frei Leão em que consiste a verdadeira alegria, e de sugerir as mais convincentes respostas - a posse de toda a ciência, o perfeito conhecimento das Escrituras, a capacidade de fazer milagres - S. Francisco conclui que a verdadeira alegria está, pelo contrário, na cruz. Deus deu-nos tudo o que possuímos, todos os dons que usamos para O servir; mas a cruz que carregamos é o dom que nós fazemos a Deus. Como diz S. Paulo:

 

"De bom grado prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Por isso me comprazo nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias, por Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte." (2Cor 12, 9-10)

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 Descobri este texto de S. Francisco num novo blogue de uma Família de Caná, que hoje vos quero apresentar. Visitem-no e leiam o diálogo entre S. Francisco e Frei Leão, que vale mesmo a pena!

Conheço a Lurdes e a Cândida desde que viemos morar para Mogofores, há oito anos. A Cândida tinha então seis anos e pertencia ao meu grupinho de catequese. Com os seus olhos vivos e ouvidos bem atentos, a Cândida esforçava-se por praticar tudo o que aprendia na catequese, e vinha orgulhosamente contar-me as suas conquistas a cada sessão. Alguns anos mais tarde, a sua mãe tornou-se também catequista, e desde então a nossa amizade cresceu. No blogue, elas contam como se deu o seu encontro com as Famílias de Caná, e falam-vos de alegria. Da verdadeira alegria, que a Lurdes e a Cândida descobrem no meio dos espinhos com que muito da sua vida é tecida... Tenho o enorme prazer de vos apresentar Uma Caminhada a Duas. Leiam, que não se vão arrepender!

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        (A Cândida com a cruz às costas, no reencontro das Famílias de Caná no Buçaco)

 

Ah, quando à alegria... Assim que os meninos entraram no carro, confesso que não tive outro remédio senão oferecer a Jesus o episódio da escola e deixá-lo aí mesmo, nos braços do Senhor! É o que faz ter filhos para criar

 

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Trezentos quilos

por Teresa Power, em 05.11.14

Hora de jantar. Aproveito o meio segundo de silêncio que de repente percorre a mesa para contar:

- Sabem o que li hoje no blogue da Bruxa Mimi? Imaginem que, para fazerem o seu Canto de Oração, tiveram de arrastar um piano!

- E isso custa assim tanto?

- Sabes quanto pesa o piano? Trezentos quilos! Sim, trezentos quilos!

- A trabalheira que deve ter sido!

- Parece que ainda lascaram a parede e tudo...

- Bem, tanta coisa por causa do Canto de Oração... Achas que Deus ficou contente, mãe?

- Acho que ficou contentíssimo! Imagino-O a piscar o olho, feliz, a Nossa Senhora... Ver uma família arrastando trezentos quilos para O poder louvar! Quem não ficaria contente?

 

(Imagem do post do blogue Alheia a tudo... ou talvez não!")

 

Depois de nos rirmos com simpatia desta bela aventura da família da "Bruxa Mimi" (os meus filhos não me perdoam eu não lhes ter mostrado quem é a verdadeira "Bruxa Mimi" no Retiro de Almada), fiquei a pensar...

Quantos trezentos quilos muitos de nós não temos de arrastar, para encontrarmos tempo de oração pessoal e familiar?

Alguns têm de arrastar trezentos quilos de actividades extra-curriculares... Todas as actividades extra-curriculares são boas, claro, mas os que querem seguir Jesus não deixam apenas as coisas más para trás. Deixam também as boas, por outras melhores... Lembram-se do que diz o Evangelho? Diz assim:

 

"Atracando em terra os barcos, eles deixaram tudo e seguiram Jesus." (Lc 5, 11)

 

Deixem-me recordar-vos a história do chamamento de Pedro, o pescador, que termina exactamente com o versículo citado: às ordens de Jesus, Pedro acabara de pescar o maior número de peixes da sua vida! As redes quase se rompiam de tanto peixe... Completamente atordoado com o milagre, Pedro atracou então o barco e, como diz o Evangelho, deixou tudo e seguiu Jesus. Tudo? Sim, Pedro deixou sobre a areia todo o peixe que pescara - e o peixe é uma coisa muito boa! Terão sido... trezentos quilos de peixe?...

 

Uma das dificuldades que as famílias apontam para encontrarem tempo de oração e de evangelização familiar é precisamente a correria do seu dia. Porque as actividades extra-curriculares não enchem apenas as vidas dos filhos: enchem também as dos pais, transformados em motoristas, gerando na família níveis de stress e cansaço incompatíveis com a oração. Assim, para termos tempo de rezar, precisamos de arrastar para o lado algumas destas actividades, reduzindo-as a um nível que nos permita encontrar o tempo essencial da vida de oração. Cá em casa somos muito exigentes neste ponto!

 

Outras famílias têm de arrastar um objecto aparentemente bastante mais leve do que um piano, mas talvez lá no fundo seja bastante mais pesado. São trezentos quilos de... televisão! Ou de computador, ou de consolas, ou de telemóveis... Quanto tempo desperdiçado diante das imagens que o mundo nos quer impingir! Quantas horas mal empregues!

Um dos comentários mais frequentes entre pais é este: "Vou inscrever o meu filho em mais uma actividade extra-curricular, para que ele passe menos horas em frente do televisor". Será que a televisão e afins são a única alternativa? Cá em casa temos muito pouco de cada uma destas coisas (refiro-me naturalmente a actividades fora do horário escolar normal), mas um milhão de alternativas! Precisamos de as descobrir com os nossos filhos e de explorar com eles um admirável mundo novo de actividades extra-curriculares que se podem realizar... em casa, com a família ou com os amigos! O "homeschooling" (ensino doméstico) neste campo é fantástico...

 

Enfim, cada família sabe quais os trezentos quilos que tem de arrastar, se quiser encontrar tempo para o Senhor. A verdade é que - e vou usar as palavras com que a Bruxa Mimi concluiu o seu post - vale a pena. Vale mesmo a pena!...

 

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