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Tempos livres III - A net, a escola, os cavalos...

por Teresa Power, em 27.01.16

Continuamos a sequência de posts sobre a ocupação dos tempos livres dos Power, e de novo repito que esta é a nossa opção, sem qualquer juizo de valor sobre outras opções de outras famílias felizes!

Os nossos filhos têm muitos e bons amigos, mas já toda a gente sabe: não adianta convidar os Power para dormir lá em casa, porque eles dormem sempre na sua própria casa, a não ser que o convite venha de outro lugar no país, e aí tem de haver uma boa razão... Para nós, o tempo de família por excelência é o fim do dia e o serão, pelo que não sacrificamos estas horas sem uma razão muito forte. Não somos fãs de "festas do pijama"!

Jogos de computador, não temos, nem eles jogam online. Mas vão à net, claro. É com o tablet na mão que a Clarinha faz as suas receitas de bolos e bolachas, ou costura com a sua máquina. Se precisa de alguma ajuda, pedimos a quem domina a arte, com a tia Inês ou a Isabel, madrinha da Lúcia. E tudo se resolve!

Foi também pela Internet que o Francisco aprendeu ilusionismo, vendo e revendo mágicos como Luís de Matos, David Copperfield e outros cujos nomes nem sequer consigo pronunciar. E pela Internet que descobriu como resolver o cubo mágico e como participar em competições. A Internet também lhe oferece ideias e conhecimentos científicos para os seus projetos, que ocupam fins-de-semana inteiros:

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Depois, claro, é preciso aspirar e limpar o quarto - e isso também é ocupação dos tempos livres...

Os mais novos, encorajados pelos irmãos, vão dando os primeiros passos nas suas descobertas. Com a ajuda de livros, vídeos e dos irmãos, aprendem a fazer origamis, a construir objetos interessantes, a desenvolver projetos, a costurar.

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Para todos eles, o tempo livre é sobretudo isso: livre. E porque é livre, é feliz.

- Mãe, amanhã preciso que me acordes às seis e meia da manhã, se fazes favor - Pediu-me o Francisco nas últimas férias do Natal. Ele não tem despertador porque dorme num quarto de três.

 - Ai sim? E porquê?

- Combinei com o João irmos dar uma grande volta de bicicleta. Vou ter com ele a Aveiro de comboio, e o comboio é às sete da manhã. Seguimos de bicicleta para as praias, e regressamos pela hora de almoço. Não te preocupes, já verifiquei o boletim meteorológico, e o tempo vai estar bom.

- Ah... Então está tudo combinado?

- Tudo. Só preciso que me acordes a essa hora.

O resultado desta fantástica liberdade está neste vídeo, que o Francisco publicou a semana passada no seu canal:

Ser capaz de escolher uma madrugada às seis da manhã para um passeio de bicicleta em vez de uma noitada até às seis da manhã numa qualquer discoteca só faz sentido quando se cresce no ambiente correspondente, observando as escolhas felizes dos pais, passando a infância longe de centros comerciais e de noitadas. Não se chega a este nível de liberdade responsável e feliz por acaso... Digo eu, claro!

A Clarinha também adora passear de bicicleta com as amigas que têm autorização para o fazer, e os três mais novos (com exceção da Sara) já dão os seus passeios sozinhos, de bicicleta ou com os cães, ao redor da nossa casa, dentro do nosso campo de visão:

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Brincar em Náturia é a maior fonte de aventuras cá em casa. Mas não se preocupem: há sempre alguém a vigiar, e se não puder ser a mãe, os irmãos mais velhos arranjam forma de o fazer sem perderem o direito ao seu próprio tempo livre. Vejam como a Clarinha contornou a situação!

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Que mais se pode aprender em família, sem recurso a aulas exteriores? A nadar. Nos lagos, nos rios, no mar, vamo-nos desafiando uns aos outros. Um curso intensivo de verão ou, em alternativa, uma aula por semana durante alguns meses, também podem ajudar, mas não substituem a aprendizagem livre em família.

A patinar. Nem o Niall, nem eu sabíamos patinar quando, num Natal há muitos anos, oferecemos ao Francisco e à Clarinha o seu primeiro par de patins. Eles aprenderam sozinhos, e os irmãos aprenderam com eles. Desde então, a diversão é imensa, como podem (re)ver neste vídeo feito no inverno passado:

 

Também não é preciso frequentar atividades extracurriculares para se aprender, por exemplo, a subir e descer do telhado, ou pelo menos do cimo da garagem. Ora vejam só esta arte, filmada há dois anos (e não se assustem, que desde então o David já repetiu a proeza centenas de vezes):

Qual é então o nosso papel enquanto pais? Penso que é sobretudo o de facilitar e encorajar a aprendizagem, estando atentos aos interesses e às necessidades de cada um. Que grande alívio! Não é preciso dominar todos os saberes do mundo para se ser pai e mãe. Eu não sei costurar; origamis, só sei fazer um barquinho; magia, faço alguma, como curar um "doi-doi" com um beijinho, mas nada de mais; a minha ginástica é toda feita enquanto aspiro a casa ou movo vigorosamente os braços a lavar vidros cheios de dedadas e lambidelas... O Niall e eu ensinamos os nossos filhos a tocar guitarra, quando eles manifestam vontade de o fazer, mas a Clarinha aprendeu a tocar bandolim pela Internet. O Francisco gosta de fazer parkour, aprendendo com vídeos do Youtube.

 

E se eles quiserem aprender alguma coisa fora de casa? O Francisco, quase por acaso, descobriu a equitação. Como a atividade acontecia na sua tarde livre e era suficientemente perto para ele ir e vir de bicicleta, encorajámo-lo a tentar. E o Francisco adorou. Andar a cavalo às quartas-feiras à tarde tornou-se para ele uma forma de descontrair e desanuviar da escola, sonhar, desafiar-se a si próprio.

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À hora de almoço e nas tardes de quarta-feira, o colégio oferece atividades como ginástica, xadrez, desportos com bola. Todos os nossos filhos aproveitam a oportunidade, que não rouba tempo familiar e torna alguns recreios da semana mais interessantes. Para a Clarinha, a ginástica artística praticada em desporto escolar, nas tardes de quarta-feira, foi durante anos o momento alto da sua semana.

Assim, as nossas atividades extracurriculares são simplesmente formas divertidas de crescer e de explorar o mundo e o universo, pondo a render os talentos que o Senhor inscreveu em cada um, segundo a Palavra:

 

"A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade." (Mt 25, 15)

 

Um dia, há dois anos atrás, ao entrar na minha escola, esbarrei com um cartaz na porta envidraçada: uma menina pequenina e sorridente fazia uma espargata com uma bola vermelha na mão, vestida com um fatinho de brilhantes... O meu coração deu um pulo no peito. Mas sobre isso, conto-vos amanhã!  

 

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Na crista da montanha

por Teresa Power, em 18.08.15

Escrito pela Clarinha:

 

Houve um dia durante as férias na serra do Gerês em que eu me senti um pouco assustada, nervosa e ansiosa. Foi o que eu chamei "o momento do cavalo".

No dia anterior, ouvi os meus pais a falarem em me inscreverem a mim e ao Francisco num passeio a cavalo, com monitores, no Centro de Atividades da Montanha, que víamos todos os dias na estrada da barragem de Vilarinho das Furnas. Quando eu era mais nova, eu também montava a cavalo, mas um dia caí do cavalo, e alguns dias mais tarde desisti. Depois apaixonei-me pela ginástica e já nem me passava pela cabeça montar outra vez. Portanto, quando soube que ia voltar a montar um cavalo, senti-me assutada. O meu irmão procurava acalmar-me. Ele estaria sempre a meu lado.

Chegou a hora...

"Mãe, dói-me a barriga!"

"Como é que eu subo?"

"Será que me lembro do que tenho de fazer?"

Mas em poucos minutos, já todos os movimentos me eram familiares e relaxei.cavalos 2.JPG

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 Partimos! Que bom! Atravessámos a estrada. O cavalo da frente começou a descer por um trilho  pequeno, mas inclinado. O meu coração desatou aos saltos, mas fui acalmando à medida que avançávamos em terreno de terra batida e floresta e pedras e buracos. 

Valeu a pena! Chegámos à crista da montanha e tudo o que víamos à nossa volta era montanha. Ao longe víamos a aldeia onde ficámos. Era tudo tão belo! Apetecia montar umas tendas e passar ali a noite!

Por fim, regressámos ao Centro de Atividades da Montanha. Tinha passado uma hora! Não podia ser, pareciam apenas uns minutos!

Todo aquele medo inicial para quê? Ao ver o belo que me rodeava tudo desapareceu. Fiquei eu, o cavalo e Deus. Não posso esperar por uma aventura igual!

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Parabéns, Francisco!

por Teresa Power, em 08.10.14

Uma das alegrias numa família numerosa é o constante ambiente de festa, com aniversários atrás de aniversários. Cá em casa, entre setembro e outubro são logo quatro! Hoje, o Francisco encerra em beleza a época de aniversários de outono, festejando os seus dezasseis anos.

Francisco. Tinha escolhido este nome na minha juventude, muito antes de pensar em casar. Francisco, como o santo de Assis, apaixonado por Deus e cantando as suas glórias na natureza e na pobreza!

Francisco. Um bebé que me fez passar vários meses deitada, em repouso (como contei aqui), para poder nascer. Como saboreei então as dores intensas que me anunciaram a vitória!

Francisco. Com o primeiro filho, abre-se um universo inteiro diante de nós! Tantas dúvidas, tantas descobertas, tantas lágrimas, tantos erros, tantos dramas... O Francisco diz, no seu estilo brincalhão, que foi a nossa cobaia. E tem razão! Com ele, aprendemos tudo o que não devíamos fazer; mas com ele, também aprendemos muita coisa que continuámos a repetir até hoje! E o resultado não foi mau de todo, não é verdade, Francisco? (Eu sei que ele vai ler este post como faz com todos...)

Quando não se vêem novelas nem filmes, quando não se têm consolas nem videojogos, quando se passa o tempo livre quase todo a brincar, no jardim e na rua, é-se criança e preserva-se a inocência até muito tarde. Com o Francisco, foi assim. As aventuras em Náturia davam um livro! Mas agora, o Francisco cresceu... Continua a passar horas na rua, fazendo tiro com arco, lançando papagaios de papel feitos por ele e boomerangs, fazendo competições de bicicleta contra ele mesmo (marcando records no seu relógio), andando a cavalo... mas já não é uma criança.

Na sua mente e no seu coração, amadurecem pensamentos e ideias, que partilha com amigos fiéis. Já toma algumas decisões quanto ao dinheiro, tendo uma pequena conta onde guarda o dinheiro que vai recebendo de prémios escolares e de espectáculos de magia em festas de anos. Apaixonado por física e engenharia, tem uma gaveta no quarto com pedaços de lixo, leia-se restos de objectos partidos, fios eléctricos retirados a aspiradores estragados, motores de máquinas de lavar a roupa avariadas, que de tempos a tempos transforma em máquinas da sua invenção. Aluno de excelência, não precisa que ninguém vigie os seus estudos, e esforça-se sinceramente por ser o mais prestável possível em casa. Ainda suspira discretamente quando lhe peço para dar de comer às galinhas, aspirar a sala ou passar a ferro. Mas não está escrito em lado algum que suspirar seja um problema! E é mesmo muito discretamente... O Francisco cresceu.

Vi-o regressar, na quarta-feira passada, de bicicleta da equitação. Vinha feliz e transpirado, confiante e belo. Ao entrar no portão, pegou ao colo na Sara e atirou-a ao ar, fazendo-a rir; mais à frente, respondeu com um apropriado "uau" à Lúcia, que lhe mostrou um desenho; e ainda antes de arrumar a bicicleta, teve de subir ao telhado para ir buscar a bola do António, que um chuto mais distraído (ou propositado) atirou para lá. Depois entrou em casa, com um "Olá mãe" simpático, e logo a Clarinha o chamou para lhe pedir ajuda com a Matemática. Vi o esforço que fez para responder a todas estas solicitações sem fugir para o longo banho, que gosta de tomar ao chegar da sua tarde de cavaleiro.

Mais um pouco, e o Francisco entra na universidade, encontra uma namorada, decide partir para Erasmus... Mais um pouco, e o Francisco deixa de ser meu.

Nunca foi, claro! Como todos os filhos, o Francisco é um dom que Deus me fez, um presente de amor para me ajudar a crescer.

Hoje, querido Francisco, peço para ti a bênção do Senhor com as palavras bíblicas antigas, tão antigas, de bênção, e que o teu santo padroeiro gostava de repetir:

 

"Que o Senhor te abençoe e te guarde!

Que Ele volte para ti a sua face e tenha piedade de ti!

Que Ele te mostre o seu rosto e te dê a paz!" (Nm 6, 24-26)

 

Ámen.

 

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O telemóvel e a liberdade dos filhos de Deus

por Teresa Power, em 08.07.14

Cá em casa, só o pai e a mãe possuem telemóvel. O Francisco é o único adolescente de quinze anos que eu conheço que não tem telemóvel, mas também não deseja ter. Para quê? Os amigos conhecem o meu número de telemóvel e de casa, e telefonam quando querem:

- Boa tarde, posso falar com o Power? - Pergunta geralmente uma voz forte masculina (por enquanto...) do outro lado.

- Ó rapaz, Powers há muitos por aqui. Tens de ser mais específico! - Respondo na brincadeira, porque sei bem quem é o "Power" desejado.

 

Ontem, como de costume, o Francisco foi de bicicleta até à quinta onde monta a cavalo, e por lá ficou toda a tarde. Geralmente, costuma regressar entre as seis e as sete, mas ontem eram oito horas e ele ainda não tinha voltado. Confesso que eu já estava com o estômago às voltas, e na minha mente passavam algumas imagens pouco agradáveis, desde acidentes com cavalos, a acidentes com a bicicleta no caminho de regresso. Por fim, não aguentando mais a ansiedade, pedi ao Niall que fosse ver o que se passava. Ele foi de carro e voltou pouco depois, com um sorriso divertido na cara.

- O Frankie está a saltar obstáculos neste momento - Disse-me - Vi-o ao longe, e graças a Deus, ele não me viu. O que iria ele dizer? Portanto, fica descansada que ele há-de regressar.

E regressou!

 

Quando eu tinha a idade do Francisco, e tal como o Francisco, saía de casa para as minhas inúmeras actividades e regressava quando elas terminavam. Antes de sair, escutava os conselhos dos meus pais, e durante as minhas actividades, lembrava-me muitas vezes das suas palavras. No entanto, eu sabia que eles não estavam ali para me salvarem de qualquer situação, sabia que não era possível telefonar se me visse em apuros e sabia também que eles dificilmente iriam saber o que eu estava realmente a fazer com o meu tempo, fossem algumas horas ou alguns dias, como no caso dos campos de férias. Excepção, claro está, para acidentes.

Por outras palavras: eu era livre e, consequentemente, responsável. Livre e responsável para ser santa, e livre e responsável para pecar. A escolha, boa ou má, era minha. Se errasse, talvez a minha única testemunha diante de Deus fosse o meu anjo da guarda! Eu podia então abeirar-me do confessionário, com confiança, pedir perdão a Deus e recomeçar a minha vida com a certeza de que o meu passado estava apagado.

Olhemos agora para os adolescentes de hoje, que geralmente classificamos de livres, independentes e radicais. Que liberdade têm eles realmente? Haverá algum momento do seu dia em que estejam "incontactáveis", verdadeiramente por sua conta e risco? Haverá algum momento em que não se sintam controlados? Onde está a liberdade cristã, se os controlamos à distância através do telemóvel? E a responsabilidade, que só nasce no solo da liberdade? Se errarem, será que podem mesmo recomeçar do zero? E as dezenas de fotos no Facebook e nos telemóveis a guardar (save) para sempre o seu pecado? Que fizémos nós da misericórdia do Bom Pastor?

 

"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me farei escravo de nada." (1Cor 6, 12)

 

Assim explicou S. Paulo, falando da liberdade e da responsabilidade. Outro dia, fiquei agradavelmente surpreendida quando o Francisco me disse:

- Sabes, mãe, às vezes escuto os meus colegas, e dou-me conta de que tu me dás mais liberdade do que eles têm.

Admirei-me, porque objectivamente falando, não me parece verdade! O Francisco não tem Facebook, não tem telemóvel, nunca foi a uma discoteca, e tem uma série de obrigações a cumprir, das tarefas domésticas ao estudo, da missa à oração familiar. O que é que faz com que ele não as sinta como obrigações, mas antes as viva como responsabilidades naturais?

Mas também é verdade que desde os doze anos o Francisco - para grande espanto dos seus amigos e dos pais dos seus amigos - vai para todo o lado de bicicleta, sozinho, e passa tardes inteiras em casa de amigos ou em cima dos cavalos, sem telemóvel...

 

 

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