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E aconteceu...

por Teresa Power, em 04.07.16

Domingo, 3 de julho de 2016. A Igreja estava em festa. O Santuário Nossa Senhora Auxiliadora acolheu famílias de vários pontos do país, e durante toda a Eucaristia, a música mais bela foi a das crianças e bebés de peito. Aliás, era de crianças e bebés de peito que nos falava a primeira leitura deste domingo:

 

"Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, vós todos que a amais. Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os seus joelhos. Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados.»" (Is 66, 10-13)

 

Foi uma festa linda... Divina... E para saberem mais, e continuarem a acompanhar esta aventura que ainda desponta no horizonte como sol nascente, visitem-nos e fiquem connosco no site das Famílias de Caná!

 

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FIM

 

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ALTERAÇÃO DE ÚLTIMA HORA

por Teresa Power, em 27.06.16

Queridos amigos, o senhor bispo acaba de telefonar: ele faz questão em estar presente connosco no dia 3, para nos dar a aprovação do movimento, a nível diocesano, por um período de três anos. Deus, de facto, dá sempre muito mais do que Lhe pedimos! Que grande graça, a presença do nosso bispo e a certeza da aprovação!

Para que o senhor bispo possa estar presente, a Eucaristia será às 15h30, uma Eucaristia celebrada especialmente para nós. Não é fantástico? Assim, os nossos planos ficam um bocadinho alterados: a todos - todos mesmo - convido a estar presentes às 15h30 no Santuário, para a Eucaristia, e para o lançamento do site pelas 16h30, no final. Tragam o piquenique para celebrarmos depois, num grande lanche ajantarado, que partilharemos enquanto conversamos e as crianças brincam. Uma vez que temos a presença do nosso bispo, ele mesmo nos fará um belo ensinamento durante a Eucaristia, como sabem aqueles que já o escutaram no retiro de quaresma.

Não faltem às Bodas! Deem-nos essa grande, grande alegria!

 

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Pobreza, Obediência, Castidade e S. João Batista

por Teresa Power, em 24.06.15

Na sexta-feira à noite, como tinhamos aqui anunciado, fomos participar no Painel da Vida Consagrada, em Aveiro, a convite do senhor bispo.

O Painel era às nove horas da noite, pelo que foi preciso sair de casa pouco depois das oito horas. O Francisco e a Clarinha ficaram encarregues de deitar os irmãos e fazer as tarefas rotineiras do nosso serão - tratar dos cães e dos gatos, fechar as portadas da casa, etc. Estávamos a chegar a Aveiro quando recebemos um sms da Clarinha: "Os manos pequeninos já estão a dormir. O David, o Francisco e eu estamos a rezar o terço. Adoramo-vos. Bjs." Suspirei, e entreguei-os de novo a Deus, numa breve oração. Também o Niall e eu rezáramos o terço durante a nossa viagem, unidos de coração à família que ficara em casa.

No Salão da Sé de Aveiro esperava-nos uma assembleia de irmãs, a grande maioria já de bastante idade. Olhavam para nós um pouco surpresas: que teria um casal a dizer sobre os votos de pobreza, obediência e castidade? Que percebíamos nós desse assunto? Suspirei novamente... Mas de repente, quatro caras conhecidas: a Lena, a Vera e o casal Menício - quatro belos membros de Famílias de Caná. Não estávamos sós! Logo depois, chegou o senhor bispo. Agora sim, sentimo-nos em casa!

O encontro começou. Os consagrados deram o seu testemunho, que muito nos impressionou, especialmente a história da vocação de uma irmã jovem, da Aliança de Santa Maria, congregação também jovem e bem portuguesa. Que palavras inspiradoras! Tive pena que o Francisco e a Clarinha não pudessem escutar o seu testemunho.

Por fim, tivemos a palavra. Tal como planeáramos, falámos à vez, partilhando a nossa vivência dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, ajudados pelos slides com fotografias da nossa família, para que não houvesse qualquer dúvida da escola que frequentamos: uma família católica.

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Podem as famílias viver a sua vida como uma consagração total ao Senhor, seguindo os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade? Claro! Todos, sem exceção, somos chamados a seguir Jesus deixando tudo para trás - pai, mãe, marido, esposa, filhos, terras, bens, emprego... Deixar tudo para trás? Sim: centrar em Deus o nosso coração. E como Ele prometeu, receberemos a cem por um - receberemos de volta o pai, a mãe, o marido, a esposa, os filhos, as terras, os bens, o emprego... Complicado? S. João Batista, cuja festa hoje celebramos, deixou-nos um lema de vida:

 

"É preciso que eu diminua para que Ele cresça" (Jo 3, 30)

 

Por isso celebramos o seu nascimento no solstício do verão, quando os dias começam a diminuir - e o nascimento de Jesus no solstício do inverno, quando os dias começam a crescer...

 

 

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Crismado

por Teresa Power, em 01.05.15

O Domingo do Bom Pastor foi, na nossa família, um domingo muito especial: o dia do Crisma do Francisco, o primogénito!

O dia amanheceu tranquilo. O Francisco estava sereno, como é seu costume. Quando se vestiu a rigor, todo soltámos uma exclamação de espanto. Afinal, não é seu hábito preocupar-se com o vestuário, e raramente o vemos assim:

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Mas este domingo era mesmo um dia muito especial, e o cuidado exterior devia simplesmente refletir toda a beleza interior do seu coração, purificado pelo sacramento da confissão e preparado ao longo de anos de catequese e oração: o Francisco ia ser ungido testemunha de Jesus pelo seu bispo, D. António Moiteiro. Que honra, o sacramento do crisma! Que voto de confiança da parte de Deus, ao ungir-nos suas testemunhas!

 

Eram dezanove os jovens preparados pelo Niall para este grande dia. Entraram no santuário em procissão solene, e tal como os meninos da primeira comunhão no domingo anterior, também eles se mantiveram ao longo da coxia central, ao lado das respetivas famílias.

- Estais dispostos a ser testemunhas de Cristo? - Perguntou o senhor bispo, depois de todos os jovens, um a um, responderem "presente!" à chamada.

- Sim, estamos.

- E nós estaremos cá para ver! - Foi a resposta do senhor bispo, arrancando uma bela gargalhada à assembleia.

Os jovens fizeram o ofertório, as leituras e a oração dos fiéis. Na sua alegria, não esqueceram os migrantes que atravessam o Mediterrâneo todos os dias, os cristãos perseguidos, os sacerdotes desanimados, os jovens do mundo inteiro.

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Ao lado do senhor bispo, o David acolitava. Estava muito feliz, porque era a segunda vez que acolitava ao lado do seu Pastor, e porque ia fazer a sua segunda comunhão. Antes de começar a missa, o David teve este diálogo caricato com a São, também acólita:

- Sabes, São, estou muito contente porque agora já não tenho fome na missa.

- Ai não? E porquê?

- Porque já vou comer a hóstia!

A São escondeu um sorriso:

- Pobre David, passavas assim tanta fome?

- Pois...

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Num momento de grande beleza, os jovens crismandos foram junto do círio pascal acender a sua vela batismal. O sacramento do crisma é precisamente isto: tomar na sua própria mão a Luz recebida em bebé. No dia longínquo do seu batismo, a fé foi-lhes dada de presente, de uma forma totalmente gratuita, sem lhes dar tempo para dela tomar consciência, para a pedir, ou sequer desejar - tal como o dom da vida, que ninguém pede ou deseja, mas simplesmente acolhe. O batismo é o parto que nos lança na grande família da Igreja de Cristo.

Mas o crisma é diferente: o crisma é o assumir deste dom, o reafirmar do batismo, agora em plena consciência e adultez.

A vela do Francisco está minúscula, pois costumamos acendê-la em casa, durante a oração familiar, duas a três vezes por ano - e dezasseis anos representam muita cera!

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Por fim, chegou o tão aguardado momento. Enquanto invocávamos o Espírito, cantávamos sem cessar: "Vem, Espírito de verdade! Vem, Espírito de Santidade! Vem, Espírito de Caridade! Vem, nós Te esperamos!"

Um a um, com os padrinhos a seu lado, os jovens aproximaram-se do senhor bispo, que ungiu a sua testa com óleo, marcando-os com o selo do Espírito. Depois, ao ouvido de cada um e com um carinho verdadeiramente paternal, desafiou-os à santidade.

- Segue o exemplo de S. Francisco de Assis - Sussurrou o senhor bispo ao Francisco. - E deixa-te inspirar pelo nosso Papa Francisco!

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Antes da Eucaristia terminar, os jovens crismados leram uma simpática e comovente mensagem de agradecimento ao Niall, seu catequista desde que chegámos a Mogofores, tinham eles nove ou dez anos. O Niall contemplava o seu grupo com serena alegria, enquanto na sua mente já surgiam planos para os conduzir ainda mais além como grupo de jovens...

Estávamos todos felizes, com os olhos a brilhar. Os nossos "meninos" eram agora adultos na fé.

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Um último presente: um crucifixo e uma pagela com uma oração, que o Niall escolhera com cuidado para lhes oferecer:

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Na sua homilia, o senhor bispo desafiou os jovens a colocar os seus pés nas pegadas de Jesus, seguindo o seu caminho sem se desviar. Enquanto o Niall entregava a cada crismado a cruz e a pagela, cantámos o cântico que escrevi há alguns anos e que as Famílias de Caná e a nossa paróquia tanto gostam de cantar, pedindo a Jesus que nos ajude a nunca retirar os nossos pés das suas pegadas.

(Se quiserem cantar connosco, vão à tag "cânticos", e encontrarão um vídeo caseiro com este nosso cântico).

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"Põe teus pés nas minhas pegadas e acerta o teu passo comigo

Elas estão de sangue manchadas, mas meu passo é alegre e decidido!

          Nós, Jesus, Tu e eu! Juntos na Cruz, juntos no céu! (2x)

Põe teus pés nas minhas pegadas, não te canses de evangelizar

Elas estão de sangue manchadas, mas por elas a Vida vais encontrar!"

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E agora, é hora de ser testemunha de Jesus, como os Apóstolos depois do Pentecostes:

 

"Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam." (Mc 16, 20)

 

 Que assim seja. Ámen! Aleluia!

 

 

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A sexta bilha

por Teresa Power, em 27.04.15

No sábado, os crismandos estiveram grande parte da tarde no santuário, a preparar-se para receber o crisma. O senhor bispo D. António Moiteiro veio para estar com eles e suas famílias pelas cinco horas, e falou-lhes com simplicidade e alegria do sacramento que iam receber. Aproveitei a sua estada entre nós para lhe apresentar as "bilhas" das Famílias de Caná.

Não sei se estão lembrados: no Retiro de Quaresma, o senhor bispo sugeriu-nos a mudança do tema das "Cinco Pedrinhas" para as "Seis talhas de Caná", para que as Famílias de Caná se centrassem verdadeiramente no mistério das Bodas de Caná. Como a palavra do nosso Pastor é, para nós, interpretação viva da Palavra do Senhor, nós aceitámos a sugestão como vinda de Jesus. Hoje, não temos qualquer dúvida de que foi o Senhor a inspirar o nosso Pastor, porque imediatamente se abriram para nós as torrentes de Água Viva presentes no mistério de Caná, e de repente, o nosso singelo movimento foi inundado de Espírito.

Pensámos longamente na palavra a utilizar. As talhas parecem-nos demasiado grandes para a simplicidade das nossas famílias. Sobretudo, não podem ser transportadas por crianças muito pequeninas, e o nosso movimento pretende desafiar todos à santidade, incluindo as crianças muito pequeninas. Pensámos então em bilhas, aquelas bilhas de barro que os nossos avós tinham nas aldeias cheias de água fresquinha.

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 A sexta bilha, a bilha em falta, surgiu magnífica e luminosa diante dos nossos olhos, num breve momento de oração: como não tínhamos pensado nela antes? Hoje sabemos que ela sempre ali esteve, central na vida de cada Família de Caná.

O senhor bispo escutou-me com imensa alegria e atenção. Disse-me que já falara a outros bispos do movimento, e que todos esperavam agora pelos frutos, para que sejam os frutos a dar testemunho. Fiquei feliz: se a aprovação do movimento está dependente dos frutos, então ela acontecerá brevemente, porque os frutos são doces, belos e abundantes, e estão espalhados um pouco por todo o país!

Tenho estado ansiosa por vos apresentar a "bilha" em falta, mas não o queria fazer sem antes a apresentar ao nosso bispo, que no sábado me encorajou a avançar com confiança e determinação. Ora aqui vai:

 

As Bodas de Caná foram celebradas entre dois noivos, provavelmente amigos de Jesus e de Maria, visto terem-nos convidado para a festa. Mas S. João, autor do quarto Evangelho, das Cartas e do Apocalipse, não falava apenas nestas bodas singelas: na sua mente e no seu coração estavam outras Bodas, as Bodas anunciadas e preparadas ao longo de toda a Bíblia, da primeira à última página: as Bodas do Cordeiro. Diz o Apocalipse:

 

"Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as Bodas do Cordeiro, e a sua esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente. Felizes os convidados para as Bodas do Cordeiro!" (Ap 19, 7-9)

 

Assim, o mistério de Caná é também o mistério profundo da nossa comunhão com o Senhor, que quer ser para cada um de nós o Amado, o Esposo, Aquele que se deixou apaixonar profunda e eternamente por cada um de nós. É connosco que o Senhor quer viver uma história de amor, bela, verdadeira, mesmo que acidentada e cheia de aventura como a história do seu povo, narrada ao longo de toda a Bíblia.

A sexta bilha das Famílias de Caná - que passa a ser a primeira - é, portanto, a bilha que nos permite viver a alegria das Bodas do Cordeiro no concreto das nossas vidas, construindo a comunhão entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos entre si, família e Igreja, Jesus e cada um de nós. Várias vezes por dia, para aprofundar este mistério de comunhão, a Família de Caná reza esta curta oração: “Nós, Jesus!”.

Eis então a bilha que nos faltava, e que o Senhor já fizera nascer no nosso coração há tanto tempo: "Nós, Jesus!"

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Tenho a certeza de que o vinho novo derramado nesta bilha será verdadeiramente fecundo nas Famílias de Caná... À medida que provarem deste vinho e tiverem histórias para contar, escrevam-me para o mail!

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Ao encontro das periferias

por Teresa Power, em 11.03.15

No dia seguinte ao retiro, o senhor bispo enviou-me um mail. Nele dizia uma frase muito bonita:

"Esta forma de ser família penso que vai de encontro aquilo que o nosso papa Francisco nos pede: sairmos ao encontro de outros casais e propor-lhes a alegria da fé como sentido para a vida."

Na verdade, uma das alegrias do nosso bispo foi a abertura do movimento a todo o tipo de famílias. É engraçado que este ponto, para nós fundamental desde o início, era um dos pontos que eu mais receio tinha de apresentar ao nosso pastor quando nos encontrámos na sua casa. Como iria o senhor bispo reagir à notícia de que, entre as Famílias de Caná, há várias famílias recasadas, mães divorciadas, pessoas casadas com não-crentes, famílias que só têm em comum a imensa vontade de descobrir o amor de Deus e de lhe responder com a vida?

O senhor bispo não podia ter reagido melhor. Em vez de nos censurar, entusiasmou-nos a abrir as portas, porque todos são amados por Deus com amor infinito. O importante não é o ponto de partida, mas o ponto de chegada. O caminho que propomos é exigente, mas acessível a todos os homens, mulheres e crianças de boa vontade...

 

A nossa caminhada para a santidade começa no dia em que cruzamos o nosso olhar com o de Jesus. Se abrirmos os Evangelhos, deparamo-nos com as situações mais variadas: houve quem cruzasse o olhar com o de Jesus em pleno dia de trabalho, sentado na banca dos impostos... Houve quem estivesse a lavar as redes depois de uma noite infrutífera; houve também quem tivesse tocado o fundo, e de rastos no chão, não se atrevesse senão a beijar os pés do Senhor, tal era o seu pecado! Houve quem se encontrasse com Jesus empoleirado no cimo de uma árvore, e até houve alguém que só descobriu o amor de Jesus no momento em que estava a morrer, crucificado a seu lado.

 

Durante o almoço, no retiro, o senhor bispo perguntou-me se estava ali algum casal de divorciados recasados. Respondi-lhe que sim, e chamei este casal para apresentar ao senhor bispo. Depois afastei-me, e os três ficaram a conversar. Enquanto me afastava, ainda escutei:

- O Senhor ama-vos muito. Nunca vos sintais excluídos da Igreja!

 

Cada Família de Caná tem uma história para contar. Algumas têm uma história de vida toda ela feita na Igreja, mas outras têm uma história de vida feita longe, longe da Casa de Deus. E o que acontece, no momento em que Jesus cruza o seu olhar com cada uma destas famílias? Ah, nesse momento, tudo muda! Olhando para Jesus, descobrimos o nosso pecado, pedimos perdão, e mudamos de vida - sim, mudamos de vida! Caminhando sob o olhar de Jesus, em íntima comunhão com Ele ("Nós, Jesus..."), descobrimos a beleza dos ensinamentos da Igreja, e acolhemo-los não como "coletes de forças", mas como asas, que nos transportam na liberdade do amor até ao Céu.

O importante é o que está para a frente, o caminho que se estende até ao infinito. O importante é chegar a Casa... Afinal, todos somos pecadores, e ai de quem se considerar justo, como os fariseus que questionaram Jesus e ouviram d'Ele esta resposta:

 

"Não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes.

Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Lc 5, 31-32)

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As bilhas

por Teresa Power, em 10.03.15

Em Caná da Galileia havia talhas, bilhas e muita água. Em Caná da Galileia havia festa, alegria e partilha. Em Caná da Galileia havia uma família nascente... Em Caná da Galileia, Jesus aceitou a nossa água e transformou-a no vinho novo do seu amor, por intercessão da Mãe - a sua, que naquele momento se tornou também nossa. Bendito sejas, Senhor, por tanto amor!

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 Antes das Famílias de Caná nascerem, já existiam as Cinco Pedrinhas. Na nossa casa, mariana desde o início, falava-se naturalmente na Mulher que vence o Dragão, e no pastorinho que vence o gigante com as suas pedrinhas. Em Medjugorje, onde eu estive em peregrinação durante o primeiro congresso internacional de jovens - era eu jovem também -, e que inspira a nossa oração familiar desde sempre, fala-se nas Cinco Pedrinhas, tornadas marianas pela simplicidade da imagem. Assim, quando nasceram as Famílias de Caná, usámos a sua simbologia sem nos darmos conta de que elas não eram necessárias no contexto do novo movimento. E porquê?

Porque a mesma ideia de simplicidade, de contraste entre o nosso nada e o tudo de Deus, de entrega do que somos ao Senhor para que Ele, e só Ele, faça milagres, essa mesma ideia surge em Caná através de uma imagem poderosa, profundamente bíblica, que nasce no Génesis e termina no Apocalipse: a água, recolhida em cântaros, bilhas ou talhas, e tornada Vida. E se as Famílias de Caná nasceram em João 2, então é em João 2 que devem crescer, respirar, viver.

- Senhor bispo, as Famílias de Caná estavam necessitadas de um Pai, de um Pastor, para poderem pôr alguma ordem na salganhada de imagens que nós construímos - Comentei no retiro, entre risos animados e muita simplicidade, depois do ensinamento que escutámos. O senhor bispo riu-se também, feliz. Todos estávamos felizes!

Em Caná estavam seis bilhas. As Pedrinhas eram cinco. Qual a sexta bilha então? Ontem, durante a oração aqui em casa, ela surgiu luminosa. Estava lá desde o início, meu Deus, e nunca nos tínhamos dado conta! Mas não vos vou dizer qual é por enquanto... Primeiro irei apresentá-la ao nosso Pastor! Até lá, rezem connosco, para que o Espírito venha em nosso auxílio e para que nós sejamos fiéis. Afinal, tudo o que queremos é obedecer ao pedido de Maria, Mãe de Caná:

 

"Fazei tudo o que Jesus vos disser." (Jo2, 5)

 

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O nosso retiro de quaresma

por Teresa Power, em 09.03.15

Sábado tivemos, como anunciado, o nosso retiro. Logo de manhã cedo, já estava tudo a postos:

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O dia estava lindo, e chegar ao Centro Social foi uma alegria. Os triciclos estavam todos livres, contrariamente ao que acontece em dia de escola, e os mais novos deliraram com a sensação de terem o Centro inteiro por sua conta! Na verdade, desde o início das Famílias de Caná que as Irmãs colocam a casa à nossa disposição, permitindo-nos oferecer às crianças um dia perfeito.

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Foi engraçado ver as crianças a sair dos carros, um pouco envergonhadas e agarradas à mão dos pais. Assim que se davam conta dos triciclos e dos três parques infantis à disposição, imediatamente corriam para longe dos pais. No final do dia, houve choro e algumas birras, porque ninguém queria ir embora...

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 As educadoras Vera e São, mães de Famílias de Caná habituadíssimas a cuidar de crianças, tinham preparadas atividades magníficas, que todas as crianças adoraram. O Francisco colaborou, fazendo um pequeno espetáculo de magia. Algumas crianças ficaram verdadeiramente confusas...

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Para os jovens se conhecerem e criarem laços de amizade, o Niall tinha preparado um jogo bem divertido com lego e muitos desafios:

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E a partir de Os Mistérios da Fé, aprofundaram a história de Tobias e a história do paralítico que quatro amigos apresentaram a Jesus:

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Pouco depois de chegarmos ao Centro, chegou também o nosso querido bispo, D. António Moiteiro. Como prometido, vinha para estar connosco, para ver as Famílias de Caná de perto, para conversar, para escutar, e também para nos ensinar. Que belíssimo ensinamento nos fez sobre o sonho de Deus para a família!

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Enquanto escutava, ia registando algumas das suas palavras no meu bloco de notas. Posso assim partilhá-las aqui convosco:

"O Evangelho não é um livro, mas uma pessoa: Jesus. Jesus é a Boa Notícia do Pai.

O Evangelho dá o que exige. Somente à sua luz e na sua força é possível entender e cumprir os mandamentos.

O Evangelho da família não quer ser uma carga que se põe às costas das pessoas, mas enquanto dom da fé, uma alegre notícia, luz e força da vida na família."

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Falando-nos dos sonhos de Deus para as famílias, o senhor bispo percorreu a Bíblia, começando no Génesis e terminando em S. Paulo, que por onde passava nos seus trabalhos de evangelização, deixava famílias - casas - responsáveis por toda a comunidade. Os cristãos de Paulo reuniam-se em Igrejas Domésticas, como também hoje as Famílias de Caná pretendem fazer.

 

Depois de assim nos ensinar, o senhor bispo celebrou a Eucaristia, na capela do Colégio Nossa Senhora da Assunção. O David não cabia em si de alegria por poder acolitar ao lado do seu bispo amigo!

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Seguiu-se um belíssimo almoço partilhado - as Famílias de Caná têm como marca distintiva a abundância e a qualidade da sua refeição, ou não tivessem elas nascido à sombra de umas bodas bem especiais

Enquanto comíamos, íamos descobrindo os nomes por detrás dos rostos. Afinal, a Bruxa Mimi não tem chapéu... E aquela rapariga simpática é que é a Jovem Católica? Aquelas duas manas tão amigas são as filhas de Adotar Amar Viver? E a linda família da Rute também aqui está? Ah, e finalmente, a Família a Caminho conseguiu fazer uma pausa nas doenças infantis lá de casa e apareceu! Foi engraçado ver as reações dos participantes perante o encontro face a face com os "famosos bloguistas católicos".

 

A tarde continuou então com os ensinamentos que eu tinha prometido sobre o amor de Deus, escutados e meditados em clima de recolhimento. Depois, sempre em silêncio, deixámo-nos amar e contemplar por Jesus-Eucaristia. Foi um momento de intenso amor tornado oração, em que Jesus falou verdadeiramente no coração de todos nós. Era quase palpável a sua presença... Cada um de nós pôde tornar suas as palavras da meditação da tarde, do Cântico dos Cânticos:

 

"Eu sou do meu Amado e Ele é meu." (Cc 2, 16)

 

Entretanto, o nosso pároco, o senhor padre salesiano José Fernandes, estava ocupadíssimo com confissões, que continuaram até terminar o retiro.

Por fim, houve um breve momento de partilha de experiências. Três Famílias de Caná falaram da riqueza que esta espiritualidade tem trazido às suas vidas, da abundância da alegria e de vida a jorrar no seu meio.

Concluímos o dia em clima de oração familiar. Por esta altura, já ninguém estava tímido ou isolado, antes se viviam laços fortes e alegres de amizade e partilha. Todos cantaram, louvaram, partilharam louvores e súplicas, e com muita devoção, todos rezaram o terço. Bem, todos... As crianças iam acompanhando à sua maneira, enquanto entravam e saíam pelas portas abertas, porque os triciclos e os parques continuavam lá fora!

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Não sei se, ao longo deste post, se aperceberam da decoração especial deste nosso encontro. Não estou a falar na linda decoração do Centro Social, feita pelas educadoras no seu trabalho diário com as crianças, mas da decoração que a Olívia e a sua mãe prepararam com tanto carinho e que ajudou os nossos corações a meditar no mistério das Bodas de Caná:

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É verdade, aos pés de Maria, Mãe de Caná, não estão as famosas Cinco Pedrinhas, mas antes as Seis Bilhas de Caná. O senhor bispo já falara comigo, e eu comuniquei a ideia à Olívia, que com o seu empenho característico recolheu seis bilhas entre as vizinhas da sua aldeia antes de rumar para norte. Mas sobre isto falaremos noutro post :)

 

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A casa paterna

por Teresa Power, em 21.01.15

Sábado, nove e meia da manhã. A família Power estaciona os dois carros em frente do Paço Episcopal: o senhor bispo D. António Moiteiro vai conceder-nos gentilmente uma hora do seu tempo, para conversarmos sobre as Famílias de Caná!

- Ah, veio a família inteira! Quantos são? - Pergunta a senhora que nos abre a porta, com um sorriso simpático, ao ver tantas crianças a subir a escadaria a correr.

- Seis - Esclareço, cumprimentando-a. - Eu sei que o senhor bispo está à minha espera e do meu marido, mas decidimos trazer também as crianças...

E as crianças já entraram na casa episcopal.

- Ena, que giro! - Diz o David, adiantando-se na sala e observando os cadeirões vermelhos.

- David, espera! Temos de esperar aqui - Sussurro.

- Não, o David tem razão, podem entrar e esperar pelo senhor bispo na sala. Talvez os meninos se possam sentar naquele sofá comprido. Cabem todos?

Mas os meninos não querem sentar-se no sofá. Seria uma perda de tempo, quando a toda a volta há coisas tão giras de ver! Entretanto, o senhor bispo entra na sala, cumprimentando-nos. Que alegria, podermos estar com ele nesta manhã! Sentamo-nos, e começamos a nossa conversa. Queremos falar-lhe das Famílias de Caná, da espiritualidade totalmente familiar deste novo movimento, dos milagres e das conversões que o Senhor tem operado, e de como precisamos da sua bênção. Procurando comportar-se adequadamente, mas fazendo algum barulho, as crianças são a perfeita ilustração do que tentamos explicar:

- Na verdade, senhor bispo, não é fácil rezar o terço quando se têm bebés a choramingar e crianças pequenas a brincar por perto - Vou dizendo - Não é fácil estar na missa e ter de mandar calar, ou encontrar tempo para evangelizar em casa...

O senhor bispo acena, concordando, enquanto sorri perante as brincadeiras da Sara e os comentários que os meninos vão fazendo.

- Quero fazer chichi! - Diz de repente o António. A senhora que nos abriu a porta apressa-se a mostrar-lhe a casa de banho, e todos os nossos filhos a seguem para fora da sala.

A conversa torna-se mais calma e fácil, claro está... Que andarão as crianças a fazer? No final da hora, quando entram de rompante novamente na sala, ficamos a saber:

- Já visitámos o teu quarto! - Diz a Lúcia ao senhor bispo.

- E vimos a Princesa!

- Qual princesa? - Pergunto.

- O cão. Deu uma lambidela na cara da Sara!

- O senhor bispo tem um cão?

Ele sorri:

- É o cão da casa...

- E vimos a cozinha. Havia bananas na despensa e um peixe daqueles enormes tipo tubarão!

- É só um bacalhau - Explica-me baixinho o Francisco.

- E vimos o sotão e a cave.

- E vimos o chapéu vermelho especial!

- Olha, e a senhora deu-nos um saco de tangerinas!

- Esta casa é mesmo gira!

- Pois é!

O senhor bispo sorri enquanto nos despedimos.

- Não se esqueçam das tangerinas! - Acrescenta, estendendo-nos o saco que já ficava esquecido na entrada.

Felizes - embora por razões diferentes, segundo me parece - pais e filhos regressamos aos carros. São horas de voltar para casa!

 

Enquanto conduzo de regresso a Mogofores, vou pensando em tudo o que o senhor bispo nos disse, em tudo o que lhe dissemos também, mas sobretudo, na alegria que todos sentimos por termos sido recebidos na casa paterna. Na verdade, correr pelas escadarias do paço episcopal, visitar a cozinha e os quartos, brincar com o cão e provar as tangerinas são gestos infantis de quem se sente em casa!

Os cristãos não são orfãos, pois se no Céu têm um Pai e uma Mãe, na Terra têm pais e mães com fartura: em cada paróquia, temos um pai - em inglês, Father, em português, Padre; em cada diocese, temos um bispo; e finalmente, a servir o mundo inteiro, temos o nosso Papá, ou Papa. Os meus filhos também conhecem muitas Irmãs, a quem se referem sempre com carinho, e a Madre (Mãe) Ana-Maria Javouhey. Jesus não veio fundar um partido nem uma organização, mas uma família...

 

"Quem escuta a Minha Palavra e a põe em prática, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe."

(Lc 8, 21)

terço.JPGQue os nossos sacerdotes e todos os consagrados se descubram, cada vez mais, pais e mães espirituais do seu povo, capazes de nos revelar o rosto familiar do nosso Deus! Ámen.

 

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