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Coelhos, ovos e a cruz de Jesus

por Teresa Power, em 18.03.16

- Mãe, tens de me ajudar a desenhar coelhos.

- Sim, Lúcia, ajudo, mas para quê?

Estamos no carro, a caminho de casa, e os meninos atropelam-se para falar e contar as novidades do seu dia de escola.

- Porque o trabalho de casa é fazer um desenho sobre a Páscoa.

- E o que é que a Páscoa tem a ver com os coelhos? Não entendo, Lúcia! - Digo, fingindo-me realmente surpreendida.

- Ora, na Páscoa há coelhinhos que põem ovos de chocolate!

- Que tolice! Tu não sabes que os coelhos são mamíferos? - Pergunta o David, abanando a cabeça em jeito de censura.

- Lúcia, a Páscoa é a maior festa dos cristãos, a festa da morte e da ressurreição de Jesus. Por que não fazes tu um desenho lindo sobre a Cruz de Jesus?

- Tenho vergonha.

- Vergonha? Mas vergonha de quê?

- Vergonha que os meus amigos se riam quando eu apresentar o desenho à turma. Eles vão todos desenhar coelhos...

- Isso é que é tolice! A cruz de Jesus é muito mais bonita - Atalha a Clarinha, divertida com a conversa. - Os teus amigos fazem coelhos e ovos porque se estão a referir à festa da Primavera, não à festa da Páscoa. Como a Páscoa se celebra na Primavera, às vezes as pessoas confundem as duas coisas.

- Ah!

- Lúcia, a vida passa muito depressa, sabes? - O David parece um pequeno padre pregador, e nós escutamo-lo com gosto - O que conta mesmo é a vida eterna. E a vida eterna demora muito, muito! Nunca acaba. Se desenhares coelhos, isso não vai valer nada para a tua vida eterna. E nessa altura nem te vais lembrar de teres passado ou não vergonha! Jesus disse qualquer coisa sobre sermos capazes de falar dele... Como é mesmo a frase, mãe?

- A frase é do Evangelho. Diz assim:

 

"Todo aquele que se declarar por Mim, diante dos homens, também Me declararei por ele diante de meu Pai que está no céu. Mas aquele que Me negar diante dos homens, também o hei de negar diante de meu Pai que está no céu." (Mt 10, 32-33)

 

Chegamos a casa. A Lúcia dá-me um grande abraço e senta-se na mesa da sala, a fazer o seu desenho enquanto eu, a seu lado, escrevo este mesmo post. Terminamos quase ao mesmo tempo.

- Lúcia, não guardes sem antes eu fazer uma digitalização, sim? Vou mostrar o teu desenho no blogue...

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Guardamos as duas o nosso trabalho. Amanhã, a Lúcia dará testemunho da Cruz do Senhor. Agora, se nos permitem, vamos brincar para o jardim!

 

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Meditações desenhadas

por Teresa Power, em 01.03.16

Hora de oração familiar.

- Mãe, posso desenhar os mistérios?

- E eu também?

O David e a Lúcia olham para mim com esperança.

- Sim, claro. Hoje vamos rezar os mistérios da alegria.

- É a história de Jesus pequenino, não é?

- Sim, é. Agora despachem-se a arranjar os lápis e o papel, para começarmos!

Começamos. Instalados no sofá, almofadas ao colo a servir de mesas, papel e lápis na mão, os meninos vão rezando e vão desenhando... E que desenham eles? A sua meditação. Enquanto nós, adultos, meditamos mentalmente, construindo imagens mentais dos mistérios que contemplamos, os mais pequeninos precisam de materializar o seu pensamento. Que melhor forma do que ir desenhando o que vamos contemplando?

terço desenhado.JPG

O terço chega ao fim. O David e a Lúcia estendem-me os seus desenhos, orgulhosos. Vou colocá-los no Canto de Oração. Mas antes vou digitalizá-los para que vocês também os possam ver. Conseguem identificar os cinco mistérios da alegria, que o David desenhou? A Anunciação do anjo a Maria, a Visitação de Maria a Isabel, o Nascimento de Jesus, a Apresentação de Jesus no Templo, Jesus entre os doutores... Tudo aí está, desenhado com rigor!

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E os mistérios da glória, desenhados também pelo David, no domingo?

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Que dizem a esta felicidade estampada no rosto de Nossa Senhora, nos dois primeiros mistérios da alegria que a Lúcia desenhou?

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Terei eu estado tão atenta a cada mistério como o David e a Lúcia estiveram? A grande maravilha da oração do terço é precisamente permitir-nos, num ciclo semanal, meditar na vida inteira de Jesus: segundas e sábados, meditamos na sua infância: são os mistérios da alegria; quintas, meditamos na sua vida pública, entre o batismo e a instituição da Eucaristia: são os mistérios luminosos; terças e sextas, meditamos no seu sofrimento e na sua morte: são os mistérios da dor; quartas e domingos, meditamos na sua glorificação, bem como na de sua Mãe: são os mistérios da glória. As famílias que rezam o terço todos os dias têm a graça de, semana a semana, percorrer a vida inteira de Jesus, e não apenas alguns episódios. Afinal, rezar o terço é imitar a Mãe de Jesus... Diz-nos S. Lucas:

 

"Sua Mãe guardava todas estas coisas em seu coração..." (Lc 2, 51)

 

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publicado às 06:00

As macieiras e a Imaculada Conceição

por Teresa Power, em 30.11.15

- Mamã, se não fosse o pecado das macieiras, agora vivíamos no paraíso?

- O quê?

- O pecado das macieiras! Sabes, aquela história da Bíblia!

Gargalhada geral. Estamos na hora da oração e da catequese familiar diárias, e falávamos da guerra do mundo e da paz que Jesus quer trazer a todos os homens de boa vontade.

- Quem te disse que eram macieiras? Na Bíblia só fala em árvore de fruto!

- Vá, não gozes, responde-me!

Ficamos mais sérios. É preciso responder... Todos olham para mim, com muita curiosidade. Eu também estou curiosa, claro! Como posso eu falar de pecado original a uma criança de nove anos? Bem, pelo menos o dogma do pecado original é o dogma mais simples de comprovar. Basta olhar à nossa volta para entender que o pecado nos é anterior, que o pecado atinge todas as pessoas nas suas consequências como uma onda que, na praia, engole justos e injustos. Os atentados de Paris e as guerras do mundo inteiro estão aí como sinais evidentes do poder do mal.

 

- David - Começo - a origem do mal é um mistério muito grande, que ninguém pode explicar totalmente. Mas a grande notícia é que já conhecemos o fim da história! Vês a Bíblia? Eu já li o fim do livro. O fim do livro diz que a paz vai triunfar, que Jesus vai ser aclamado Rei por toda a Terra. O Advento não recorda apenas a vinda de Jesus, há dois mil anos atrás; é também a nossa preparação para a sua vinda em cada dia, na Igreja, e para a sua vinda no fim dos tempos, esses tempos que Deus já visitou e que nos promete serem felizes! A Bíblia, David, é um livro com um final feliz!

O David, que tem alguma tendência para o medo, parece mais descansado.

- Mas se não fosse a história das macieiras...

- Se não fosse o pecado de Adão e Eva, não teríamos tido a história maravilhosa de Maria e de Jesus. Logo no início da Bíblia, Deus promete-nos Maria e Jesus para que Eles possam vencer o mal na nossa vida. Ora lê:

 

"Farei reinar a inimizade entre ti (a serpente) e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Ela esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar." (Gn 3, 15)

 

- Há uma oração muito antiga que diz: "Bendito o pecado de Adão, que nos mereceu um tão grande Redentor!" Sabes, David, se Deus não fosse capaz de fazer o bem triunfar, não teria permitido o mal! Deus é capaz de tirar o bem mesmo do que é mau. Da humanidade pecadora, Deus foi capaz de fazer surgir Maria, sem qualquer mancha de pecado...

- É por isso que dizemos que Maria é conseguida sem pecado?

- Lúcia, quantas vezes te dissemos que não é conseguida, mas concebida?

- Não é a mesma coisa?

- Não: concebida quer dizer que Maria foi formada totalmente pura já na barriga da sua mamã.

- Ah!

 

Luís e Zélia Martin, pais de santa Teresinha, recentemente canonizados em conjunto, rezavam diariamente em família diante de uma belíssima imagem de Nossa Senhora das Vitórias. A Imaculada Conceição é verdadeiramente a grande vitória do povo cristão, Aquela que nos oferece a vitória divina do bem sobre o mal. Num dia treze de maio, muito tempo antes de Fátima, esta imagem sorriu a Teresinha, curando-a milagrosamente da sua doença. Desde então tem sido venerada como a Virgem do Sorriso:

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Nossa Senhora do Sorriso.jpg

                  (imagens tiradas da net)

Lembrei-me do sorriso de Maria perante esta divertida catequese familiar que tivemos. Certamente que, no céu, escutando a nossa conversa sobre macieiras, Maria nos sorri e nos abraça com carinho, enquanto esmaga a seus pés o nosso pecado!

 No ano passado compus uma novena bíblica para prepararmos juntos o grande dia da Imaculada Conceição. Deverá começar hoje, dia 30 e terminar no dia 8. Querem voltar a fazê-la connosco? Aqui fica pois, com a promessa da nossa oração por todos vós nestes dias santos. E que a Senhora do Sorriso nos ajude a vencer sempre o mal com o bem, a guerra com a paz, o ódio com o amor! Novena da Imaculada Conceição.pdf

Esta semana ainda, fica prometido um post sobre o nosso Canto de Oração de Advento...

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Olhares (des)cruzados

por Teresa Power, em 16.11.15

No domingo passado, de manhã cedo, o Niall encontrou os quatro filhos mais novos empoleirados no frágil portão que separa o jardim do pátio. Estavam divertidíssimos, rindo à gargalhada e fingindo que o portão era um baloiço.

- Meninos, que é isso? SALTEM IMEDIATAMENTE DAÍ! - A voz do Niall não deixava margem para dúvidas: estava mesmo, mesmo zangado.

Os meninos saltaram para o chão, com ar comprometido e cabeças baixas. Mas já era tarde: o portão estava partido.

- Quantas vezes vos avisei de que o portão não é um baloiço? E agora, o que faço?

Depois, o Niall olhou para o David:

- Tu és o mais velho dos quatro. Não sabias que não podias fazer esta brincadeira estúpida?

O David acenou com a cabeça, muito sério. Ele sabia. Sem proferir palavra, afastou-se para se arranjar para a missa, porque estávamos quase na hora de sairmos para o santuário.

Alguns minutos mais tarde, entrei no carro com o Francisco, a Clarinha, o David e a Lúcia. O Niall, como costume, iria mais perto da hora da missa com a Sara e o António, que ainda não fazem parte do coro. Quando, portanto, o Niall chegou ao santuário, já o David estava na sacristia, para se preparar para servir o altar como acólito. O Niall engoliu em seco: como iria concentrar-se na Eucaristia sem fazer as pazes com o David? Como lhe iria comunicar o seu perdão e fazê-lo sentir-se amado? A missa estava quase, quase a começar...

Cântico de entrada. O David entrou no santuário ao lado do senhor padre e ocupou o seu lugar junto do altar. "Talvez ele olhe para mim, e com um só olhar farei com que perceba que está tudo bem", pensou o Niall, cheio de esperança. Ao longo de toda a Eucaristia, o Niall tentou, em vão, cruzar o seu olhar com o David. Mas o David é um rapazinho muito sério e muito compenetrado, que durante a missa apenas olha para os outros acólitos para tentar perceber se está a fazer tudo corretamente.

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Pouco a pouco, o Niall deixou-se invadir por um outro pensamento; e do olhar do David passou para o seu próprio olhar. Quantas vezes desviamos o nosso olhar do Senhor, ocupados com tantas outras coisas, ou envergonhados das nossas ações? Não andará o Senhor desesperadamente à procura do nosso olhar, como o Niall à procura do olhar do David? Que gestos, que sinais nos fará Ele, procurando, em vão, que cruzemos o nosso olhar com o seu?

Ah... Tudo o que Deus nos quer dizer é que sim, que já fomos perdoados, que Ele não guarda ressentimento, que há muito esqueceu o nosso pecado... tudo o que Deus nos quer dizer é que podemos regressar a Casa.

Afinal, na história que Jesus contou, não foi isso mesmo o que o pai do filho pródigo fez o tempo todo que o seu filho se ausentou? A cada entardecer, o pai subia a colina e prescrutava a distância, esperando cruzar o seu olhar com o de seu filho. Foi assim que...

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos..." (Lc 15, 20)

 

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Os padres ganham dinheiro?

por Teresa Power, em 21.10.15

Hora de oração familiar. Juntos, lemos o Evangelho do dia. É a minha vez de ler em voz alta, e leio assim:

 

"Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos Anjos de Deus. Mas quem Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos Anjos de Deus." (Lc 12, 8-9)

 

- Que significa negar? - Pergunta a Lúcia, atenta.

- Alguém quer explicar?

- Eu explico - Diz a Clarinha - Imagina que um amigo te pergunta se vais à missa, e tu dizes que não. Isso é negar Jesus.

Silêncio.

- Às vezes tenho vergonha de dizer que quero ser padre - Diz o David, hesitante. - Mas depois ganho coragem e consigo dizer. Não estou a negar Jesus, pois não?

- Ainda bem que tens coragem - Sorrio - Assim não estás a negar Jesus! Cada um é livre de dizer o que pensa vir a ser, quando crescer. E, claro, és livre para mudar de ideias e vires a ser outra coisa qualquer. Mas se agora achas que queres ser padre, então ainda bem que tens coragem de o dizer.

- Sabes o que é que os meus amigos me respondem logo?

- Não faço ideia! O que é?

- Eles dizem que os padres não ganham dinheiro!

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Ficamos todos em silêncio. Por onde andam os sonhos infantis de heroismo, os desejos de ser bombeiro, enfermeiro do INEM, piloto aviador? Por onde anda a infância dos nossos filhos? Que fizemos dela? Aos nove anos já não têm direito a sonhar? Lembrei-me do Principezinho, daquela passagem em que Saint-Exupéry fala da diferença entre os adultos e as crianças:

 

"As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam: «Como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz coleção de borboletas?» Em vez disso, perguntam: «Que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?» Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo. Se contarem às pessoas crescidas: «Hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...», as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: «Hoje vi uma casa que custou quinhentos mil euros.» Então já são capazes de a admirar: «Mas que linda casa!»

 

 "O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males" (1Tm 6, 10)

 

Assim escreveu S. Paulo a Timóteo.

Talvez seja um bom exercício verificarmos a frequência com que falamos de dinheiro na nossa casa, em brincadeiras, em comentários mais ou menos maledicentes sobre a roupa e o carro dos outros, em discussões sobre poupanças e gastos, em ralhetes, em... É que pela frequência com que falamos de um assunto pode medir-se a importância que esse assunto tem para nós. Os nossos filhos observam atentamente todos os nossos gestos e escutam até as palavras que calamos. Que mensagens lhes transmitimos sobre o dinheiro?

Ah, a Palavra de Deus a identificar as nossas feridas antes de as poder curar...

 

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Exaltação da Santa Cruz e dois aniversários

por Teresa Power, em 14.09.15

Hoje é dia de festa, e de festa em grande!

Hoje, 14 de setembro, o David faz nove anos. Nove anos! Nove anos que encheram a nossa vida de verdadeira alegria. Era um bebé tão pequenino e tão frágil ao nascer, com os seus dois quilinhos de ternura e de lembranças dolorosas - a maior parte da gravidez tinha sido passada no hospital, acompanhando a doença e morte do irmão - e tornou-se um rapazinho tão alegre, tão tranquilo e tão gentil! PARABÉNS, DAVID!

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Hoje, 14 de setembro, é o aniversário oficial das Famílias de Caná. Celebramos dois anos desde aquele dia tão simples em que desafiámos o nosso pároco e algumas famílias amigas a partilhar connosco a sua vida e a escutar o nosso testemunho de vida católica em família. Foi um retiro ainda muito rudimentar, mas que Deus abençoou, de acordo com o seu já velhinho princípio bíblico de escolher os mais fracos, os mais pobres e os mais novos para realizar os seus planos grandiosos! PARABÉNS, FAMÍLIAS DE CANÁ!

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Hoje, 14 de setembro, é a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Conta a Tradição que Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, mandou fazer escavações em Jerusalém para encontrar a verdadeira Cruz de Jesus. Encontraram as três cruzes numa vala. Como saber qual a de Jesus? Simples: levaram um doente agonizante até ao local e deitaram-no sobre as três cruzes, à vez. Quando deitado sobre uma delas - madeira tosca e pobre, em tudo igual às outras - ele ficou miraculosamente curado...

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Encontrar a verdadeira Cruz de Jesus é tarefa de uma vida inteira! É que não basta escavar: é preciso deitarmo-nos sobre ela - ah, e é tão bom deitarmo-nos sobre ela, numa cama de hospital ou em qualquer outra circunstância da vida! É preciso depositar aí as nossas dores, as nossas doenças, o nosso pecado, a nossa fraqueza, a nossa falta de fé, as nossas dúvidas, os nossos sonhos... Então experimentaremos, como aquele agonizante e como tantos irmãos nossos ao longo da História, o poder salvador da Cruz do Senhor!

 

"Pelas suas chagas fomos curados." (Is 53, 5)

 

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Rebuliço por detrás do altar

por Teresa Power, em 01.09.15

Domingo. Missa às dez da manhã, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. Chegamos à igreja pelas nove e meia, para o ensaio do coro. Como costume, o David entra na sacristia com um salto, para se preparar para acolitar.

Alguns minutos antes da missa, reparo que o David entra na igreja, já vestido com a alva, e acende, um a um, os castiçais. Depois, sempre muito compenetrado, faz mais uma ou duas coisas por detrás do altar, e regressa à sacristia. Finalmente, o sino da torre toca as dez horas, e o cântico de entrada irrompe, triunfante, no santuário, enquanto o sacerdote e os acólitos sobem as escadas e se dispõem em redor do altar.

É então que me apercebo de alguma movimentação fora dos esquemas previstos. O que está o David a fazer? Porque insiste ele em trocar de lugar com outro acólito? Não o imaginava tão assertivo...

Durante as leituras, reparo que o David está confortavelmente sentado na sua cadeira, com o seu missal dominical na mão. O missal é um pequeno caderno infantil da Paulus Editora, que o David recebe mensalmente pelo correio. Dentro de cada caderno, encontram-se as leituras de cada domingo do mês, bem como jogos, histórias e desenhos para colorir relacionados. É a primeira vez que o David segue as leituras pelo missal, desde que se tornou acólito. Como terá ele levado o caderno consigo, assim vestido?

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No final da missa, não resisto a perguntar:

- David, o que é que se passou hoje? Porque trocaste de lugar com a Lurdes? Não estavas bem no teu lugar?

- Ah, não é por isso, mamã!

- Então o que se passou? Fizeste um bocadinho de rebuliço por detrás do altar...

- Sabes, antes da missa eu pensei num esquema para conseguir ler o meu missal: escondi-o debaixo da almofada da cadeira onde costumo ficar sentado. Mas quando entrámos na igreja, percebi que a Lurdes se ia sentar no meu lugar! Tive de trocar com ela, porque senão ficava sem missal.

Sorri.

- Realmente, depois de tanto trabalho para pensares nesse esquema, seria uma pena...

- Pois seria! Assim pude ter o meu missal durante a missa. Quando não precisava dele escondia-o debaixo da almofada, e pronto!

 

No dia 23 de agosto, na sua homilia, o Papa Francisco lançou alguns desafios:

"Quem é Jesus para mim? É um nome? Uma ideia? É apenas uma figura histórica? Ou é realmente aquela pessoa que me ama, que deu sua vida por mim e caminha comigo? Para ti quem é Jesus? Procuras conhecê-lo na sua palavra? Lês o Evangelho todos os dias, uma passagem do Evangelho para conhecer Jesus? Trazes um pequeno Evangelho em seu bolso, bolsa, para lê-lo em qualquer lugar? Porque quanto mais nós estamos com Ele mais cresce o desejo de permanecer com Ele”.

 

Quem é Jesus para mim? Será Ele suficientemente importante, para que eu medite na sua Palavra todos os dias? Será que o meu amor por Jesus é suficientemente grande para justificar a compra de um pequeno missal, de um Evangelho de bolso, de uma Bíblia? Ou, nas versões modernas, para me dar ao trabalho de descarregar aplicações com a Palavra de Deus no meu telemóvel? 

O David está muito feliz com os seus cadernos mensais. A assinatura destes cadernos foi o presente de aniversário dos seus padrinhos, faz agora quase um ano. Há por aí padrinhos e madrinhas a precisar de sugestões para prendas com estilo? :)

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Os golos falhados e o poder de Deus

por Teresa Power, em 25.06.15

Hora de oração familiar. A primeira leitura da missa diária é de S. Paulo, da Segunda Carta aos Coríntios.

 

"Falarei agora das visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo, que há catorze anos - com o seu corpo ou sem o corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao terceiro Céu. E sei que esse homem ouviu palavras inefáveis, que um homem não pode repetir. Mas não me gloriarei senão das minhas fraquezas. Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne, para que não me orgulhe. Por três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder.» Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte." (2Cor 12, 1-10)

 

- Não percebi muito bem essa história do espinho na carne. - Diz a Lúcia.

- Um espinho espetado no nosso corpo é algo que nos incomoda, não é verdade? Ninguém sabe ao certo a que é que S. Paulo se referia, mas ele falava de alguma coisa nele mesmo que o irritava, que o fazia perceber como era apenas humano, como não era perfeito. Podia ser uma lembrança dolorosa, um defeito físico, um problema espiritual, enfim, qualquer coisa que o humilhava.

- E isso é bom?

- Claro! Sem isso, talvez S. Paulo se tivesse tornado muito vaidoso. A primeira parte da leitura diz-nos que S. Paulo teve visões de Jesus fantásticas. Ora  ninguém chega ao céu por ter visões, aparições, orações cheias de ardor, emoções fortes no campo da fé. Se essas visões não forem acompanhadas de uma grande humildade, tornam-se fonte de vaidade, e lá se vai o Céu! Nós falamos muito em humildade, mas a verdade é que, para nos tornarmos humildes, precisamos de sofrer humilhações.

- Sabes - Diz o David, depois de pensar um pouco - Ao jogar futebol sozinho, eu faço uma coisa que se calhar não é muito certa: quando marco golo, faço festa achando que sou o maior; mas quando falho, faço de conta de que sou outra pessoa, isto é, que foi o meu adversário que falhou.

Sorrisos.

- Realmente, David, S. Paulo diz-nos que as nossas fraquezas são uma bela oportunidade para aprendermos que sem Deus, nada somos.

- Então eu não me devia irritar tanto ao perder contra mim mesmo?

- Nem contra ti mesmo, nem contra ninguém. O importante é dares o teu melhor. Depois, se ganhares, ficas feliz, e se perderes, ficas feliz na mesma, porque descobres que nada vales, e só Deus vale tudo em ti!

- Eu também já experimentei isso muitas vezes - Confessa o Francisco - As minhas fraquezas ajudam-me a ser humilde, ajudam-me a perceber que os meus dons, foi Deus quem mos deu, e que não sou melhor do que ninguém por ter mais facilidade para algumas coisas.

- Sim - Diz a Clarinha - Eu às vezes fico desanimada comigo mesma, com o meu feitio...

- Mas até o teu feitio te foi dado por Deus, para te santificares!

- Sim, tudo nos foi dado... Não há qualquer razão para nos envaidecermos!

A conversa prolonga-se muito para além do esperado. Todos têm uma história a contar, um desabafo a fazer, um desafio a lançar a si mesmos. A Palavra, meditada diariamente em família, torna-se verdadeiramente espelho no qual contemplamos a nossa vida, os nossos valores, os nossos pecados e as nossas virtudes. É a Palavra meditada e partilhada que abre caminho à nossa frente, resolvendo conflitos e aperfeiçoando temperamentos.

- Então vamos procurar memorizar este versículo, e repeti-lo muitas vezes, sobretudo quando não nos conseguimos suportar a nós mesmos... Quando, como diria o David, desejaríamos que tivesse sido outra pessoa a falhar o golo, e não nós.

 

"Quando sou fraco, então é que sou forte!"

 

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Jantar ou não jantar, ter razão ou amar

por Teresa Power, em 15.06.15

- Conta mais coisas do teu passeio, António - Pedi, enquanto nos sentávamos à mesa para jantar.

- O comboio anda muito depressa mas não faz "pouca-terra".

- Ai não?

- Não, nem "UUUUU". Não faz nada. Só anda.

- E almoçaste bem?

- Sim. As Irmãs foram ter connosco ao Portugal dos Pequenitos e levaram o almoço. Mas foi só almoço, não foi jantar.

- Claro! - Atalhou o David - Tu nunca jantas nos passeios, nem na escola!

- Ai janto sim.

- Não jantas nada!

- Janto!

- Não jantas, António! Ninguém janta na escola! - Continuou o David.

- EU JANTO!!!!

- A nossa doce e suave família num agradável momento de partilha - Comentou o Francisco ironicamente, entre duas garfadas.

- Mamã, diz ao António que não se janta na escola.

- Deixa lá, David. Que importa isso?

- Importa sim! Porque é mentira! Porque ele tem de aprender!

- EU SEMPRE JANTO NA ESCOLA!

- NÃO JANTAS!

- E os momentos agradáveis não cessam de se repetir cá em casa - Continuou o Francisco - Ai como é agradável um jantar em família!

- António, pára de gritar. E tu, David, pára de arreliar o António. Não importa que o António esteja errado. Isso é o que menos interessa aqui.

- Ai é? E como é que ele vai aprender?

- Ele vai aprender quando for importante aprender. Agora, o importante é ser amigo. Não vês que o António vem cansado do passeio da escola e está cheio de sono? Não o irrites!

- Mas que ele não janta na escola, não janta.

- JANTO!!!

- NÃO JANTAS!

 

Quando finalmente se fez algum silêncio em volta da mesa, fiquei a pensar em como é importante aprender a calar sobre coisas triviais, mesmo quando temos razão; e como é difícil calar sobre coisas triviais, quando temos razão! Calamo-nos mais facilmente sobre coisas realmente graves, e ficamos mudos quando atacam os valores maiores em que acreditamos; mas insistimos e tornamos a insistir em casa, junto da mulher ou do marido, junto dos irmãos ou dos amigos, forçando a nossa opinião sobre coisas triviais. Quantas discussões familiares se evitariam, se em vez de nos especializarmos na arte da argumentação, nos especializássemos na arte do amor... É que amar o próximo é sempre, sempre mais importante do que ter razão.

 

"Começar uma briga é desencadear uma enxurrada: desiste antes que se exaspere a disputa!"(Pro 17, 14)

 

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Santo António

por Teresa Power, em 13.06.15

Hoje é dia do santo padroeiro do António. Cá em casa, a festa vai começar com um pequeno-almoço de panquecas (a receita aqui) e muitas histórias das aventuras deste grande santo português.

E aí em casa? Conhecem histórias de Santo António? Para mostrar aos mais novos, aqui ficam duas: uma contada ontem pelo David, sobre um burro que um dia se ajoelhou diante do ostensório com a Eucaristia...

E a outra contada pelo António, no inverno passado, sobre a pregação aos peixinhos. Para quem não viu o vídeo na altura, aqui fica:

São tantas e tão belas as histórias da vida deste santo! Divirtam-se a contá-las aos mais novos, e a meditar sobre elas com os mais crescidos! Santo António viveu plenamente a profecia de Jesus:

 

"Eis os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem: em meu Nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, pegarão em serpentes com as mãos e, se beberem veneno, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados." (Mc 16, 17-18)

 

Santo António, rogai por nós!

 

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publicado às 06:20



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