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Natal

por Teresa Power, em 28.12.15

- Sara, amanhã é dia de Natal! Não chores!

A Sara estava triste porque não queria ir embora. Estávamos na casa das avós, onde passámos toda a tarde e a consoada de dia 24. Depois de um belo jantar, cantámos cânticos de Natal em volta do presépio e agora chegara a altura de ir para casa. Mas a Sara não queria ir embora.

- Amanhã, Sara, quando acordares é Natal! Sabes o que é Natal?

A Sara sabia:

- Jesus vai nascer.

- Pois é, Jesus vai nascer. E para celebrar tão grande festa, tu vais ter prendas!

Por esta não esperava a Sara.

- Prendas?

- Sim! - Os manos conhecem todos os segredos do Natal: - Amanhã, quando acordares, acordas o papá e a mamã, porque eles têm a chave da sala bem guardada debaixo da almofada...

- Claro! Não queremos correr o risco de ter os presentes todos desembrulhados às duas da manhã, como já quase aconteceu! E não se atrevam a acordar-nos antes das seis horas, que nós só abrimos a porta às seis!

A expetativa das prendas de Natal convenceu a Sara a entrar no carro para regressar a casa. A viagem de regresso, pelas estradas desertas, sob a luz das estrelas e ao som dos cânticos de Natal, é em si mesma uma oração.

Sete da manhã, dia de Natal:

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E quando a porta se abriu, que alegria! Papel de embrulho por todo o lado, gritos de excitação, a sala transformada em cenário de fantasia...

Depois, entre exclamações de felicidade, ajoelhámos e agradecemos ao Menino todas as bênçãos deste ano e deste Natal.

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E depois de um pequeno almoço de festa, com bolos e panquecas, chegou o momento principal do Natal: a missa.

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 O dia foi de festa, entre muitas brincadeiras com os primos e tempo de conversa calma para os adultos. Natal é também esta disponibilidade para estar com a família alargada, sem pressas.

- Meninos, vamos rezar o terço - Anunciei, na viagem de regresso de Coimbra até casa. Geralmente, o terço leva pouco mais de quinze minutos a rezar, mas desta vez durou a viagem inteira, cerca de meia hora. É que a cada mistério da alegria, aproveitei para contar a história do Natal com todos os pormenores. Há tantos detalhes que as crianças desconhecem, e que tornam a história tão bela! Porque ficou Maria perturbada com o anúncio do anjo? Como se chamava a terra onde vivia Isabel? Porque teve Maria de ir a Belém? Quem estava no Templo à espera de Jesus, quando Maria e José O foram apresentar?

- Vamos para o último mistério da alegria - Anunciei, já muito perto de casa. - Quem sabe qual é?

- Eu sei! Eu sei!

- Então diz lá, António.

- Jesus e os médicos!

- ???????

Pois... Que outros "doutores" conhece o António? Por entre gargalhadas, fui explicando a diferença entre os médicos e os doutores da Lei. A oração do Rosário é para nós a forma mais simples e eficaz de ensinar a Palavra.

Chegou a noite, e com ela, a hora de oração familiar. O dia foi perfeito, e há que agradecer. Agora temos mais dois belos instrumentos a encher de música esta nossa oração:

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 E apesar de só terem passado doze horas desde que o David e a Clarinha descobriram os seus presentes de Natal, o som já é maravilhoso!

A Árvore de Jessé está pronta, cada símbolo uma história de amor...

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Por sobre o Presépio, as estrelinhas das nossas obras de misericórdia iluminam a noite...

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Que segredos de misericórdia guardará cada uma delas?

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"Anuncio-vos uma grande notícia: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador!" (Lc 2, 11)

 

Feliz Natal!

 

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publicado às 06:00

As obras da misericórdia e as estrelinhas do presépio

por Teresa Power, em 07.12.15

Hora de catequese e oração familiares. Nestes dias de advento, este tempo tem vindo a alongar-se alegremente. Em torno do presépio, aquecidos pela lareira, iluminados pelas luzes da Árvore de Jessé, vamos meditando e rezando. A novena da Imaculada Conceição e a Árvore de Jessé têm-nos dado a oportunidade de recordar e recontar várias histórias da Bíblia, no meio de grande animação. Também as leituras da missa do dia, neste tempo de Advento, são particularmente profundas e sugestivas, gerando grandes conversas entre nós. De olhos postos no presépio, vamos falando com o Senhor e deixando que Ele nos fale...

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Mas hoje é preciso fazer uma catequese especial, pois o Ano Santo da Misericórdia está à porta.

- Meninos, sabem quais são as sete obras da misericórdia corporais? Há muitas, claro, mas a Igreja fala em sete, para nos ajudar a concretizar alguns gestos que estão ao alcance de todos.

- E quais são?

- Ora escutem: dar de comer a quem tem fome, e dar de beber...

- ... a quem tem sede!

- Mamã, precisamos de levar pacotes de leite para a escola. É para uma campanha para a Casa do Gaiato!

- Ora aí está uma bela ideia. Outra obra: vestir os nus...

- Isso inclui as horas passadas ao ferro ou a dobrar roupa?

Gargalhadas.

- Acho que sim! Outra: visitar os presos, dar pousada aos peregrinos, enterrar os mortos, visitar os doentes...

- Na minha sala, quando um menino está doente na escola e não pode ir ao recreio, um de nós fica na sala com ele. Eu fico muitas vezes a fazer companhia!

- Que boa obra de misericórdia!

- Visitar a bisavó também conta?

- Conta, claro! E agora escutem: a Igreja também nos fala das obras de misericórdia espirituais. E olhem que bonitas: dar bom conselho...

- Eu costumo dar bons conselhos aos meus amigos.

- Então fazes uma obra de misericórdia, David. E aqui vai outra: corrigir os que erram, ensinar os ignorantes...

- A minha professora passa a vida a corrigir os meus erros! Ela faz muitas obras de misericórdia!

Gargalhadas.

- Pois faz, Lúcia. Ser professor pode ser uma bela obra de misericórdia, e eu sei-o bem! Outra: perdoar a quem nos faz mal...

- Eu perdoo aos manos quando eles destroem as minhas construções!

- E eu desculpei a Sara quando ela me rasgou o desenho.

- Escutem esta: consolar os tristes...

- Isso fazemos nós sempre na escola, junto dos amigos!

- E eu faço em casa convosco quando choram! Há outra obra de misericórdia muito interessante: suportar as fraquezas do próximo com paciência.

- Que significa isso?

- Significa que todos nós somos imperfeitos, e por vezes é difícil viver com a imperfeição dos outros. Especialmente se temos de lidar com essa imperfeição várias vezes por dia! É o que acontece na família. E ser misericordioso é ser capaz de aceitar os defeitos do outro, mesmo quando nos incomodam, com paciência...

- Como nós aceitamos quando gritas connosco?

- Ou como eu aceito quando os manos não me deixam estudar em paz.

- Mas nós também aceitamos que ocupes o quarto todo a fazer ginástica!

- E que não arrumes depois...

- Não ouvir à primeira conta?

- Temos de ser pacientes com os gatos e os cães?

- Se formos mais pacientes uns com os outros, estamos a fazer uma belíssima obra de misericórdia. E sabem qual é a última? Rezar pelos outros.

- Essa nós fazemos todos os dias!

- Ouçam então: ao longo do Advento, vamos fazer todos os dias várias obras de misericórdia, em casa, na escola, em todo o lado. Depois, durante a oração familiar, iremos colocar no presépio uma estrelinha. Quando chegar o Natal, o Canto de Oração será um céu estrelado, digno da noite de Natal.

- Podemos começar já?

- Fizeste uma obra de misericórdia hoje?

- Fiz! Deixei a Sara fazer o puzzle comigo, e ela rasgou uma peça...

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 "«Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede e te servimos, doente ou na prisão e te visitámos, peregrino ou estrangeiro e te acolhemos?» E o Rei responderá: «Sempre que fizestes estas coisas a um dos meus irmãos, a Mim o fizestes.»"

(Mt 25, 37-40)

 

No encontro de Aldeia de Caná de sábado, o Pedro e a Sandra fizeram-nos um belíssimo ensinamento sobre o Ano Santo e as obras de misericórdia. Para as crianças, levaram desenhos para colorir sobre o tema, que foram buscar a este blog. Os desenhos são realmente sugestivos e permitem-nos aprender de cor as obras da misericórdia. Querem usá-los aí em casa? Aqui ficam: obras de misericórdia

Feliz Ano Santo da Misericórdia para todos!

 

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Estrelas

por Teresa Power, em 23.11.15

Quase todas as noites, antes dos meninos se deitarem, vamos ao jardim ver o céu estrelado. O ar ameno, a brisa suave, o silêncio da noite apenas interrompido pelo leve cantar de algum grilo, tudo parece acalmar o nosso interior e preparar-nos para o descanso da noite.

Estrelas. O céu coberto de estrelas. Primeiro, o olhar, ainda ofuscado com as luzes da casa, mal as distingue. Mas pouco a pouco, habituando-se à escuridão, os olhos aprendem a definir os seus contornos e a identificar constelações.

- Onde é a Ursa Maior? Sabes, Francisco?

- Olha, não vês ali? Isso, aquelas estrelas formam a cauda...

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- E onde está o T?

- O T?

- Não conhecem a história? O pai de Santa Teresinha, S. Luís, costumava passear com a menina à luz das estrelas, aos domingos à noite. Num desses belos passeios, Teresinha descobriu no céu aquela constelação ali... Vêem? Forma um T! E disse: "Papá, papá, o meu nome está escrito no céu!"

- E acertou!

- Pois acertou. O nome de todos nós está escrito no céu, no Coração de Deus...

- Olha, mamã, uma estrela cadente! Passou no céu tão depressa!

- Onde?

- Onde? Bolas, não vi!

- Olha outra!

- Agora vi!

- Sabem uma história que vi outro dia num dos canais de ciência que costumo ver na net?

- Conta, Frankie!

- Há uns anos atrás, houve um apagão total em Nova Iorque. Durante várias horas, não houve uma única luz. Por fim, quando a luz regressou, muitas pessoas telefonaram para as televisões a anunciar que tinham visto estranhas luzes e cores no céu...

- Quer dizer que há pessoas que não sabem o que são estrelas?

- Elas sabiam que há estrelas, e já tinham provavelmente visto estrelas, mas não tinham nunca visto a Via Láctea tal como se vê quando não há luz alguma. Tu também ainda não viste! As imagens mostram cores, formas, luzes brilhantes no céu escuro, para além das próprias estrelas... Deve ser impressionante! Mas para isso é preciso que esteja tudo, tudo escuro.

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Enquanto os meus filhos conversavam sobre estrelas, contemplando o céu nocturno, fiquei a pensar no apagão de Nova Iorque, e desejei interiormente também eu poder experimentar, no mais profundo do meu ser, um apagão assim de vez em quando... As nossas luzes materiais, mundanas, terrenas, brilham tão intensamente, que raramente temos oportunidade de contemplar a verdadeira Luz.

O Advento está aí. Nas montras, na televisão, na publicidade, na música, nas escolas, nos cafés, nas ruas, as luzes do mundo brilham sem cessar. Se os magos vivessem aqui e agora, seriam capazes de encontrar no céu a estrela que os conduziu ao Presépio?

Advento é tempo de olhar para o céu em busca da estrela. Mas não vale a pena levantar os olhos na noite antes de apagar todas as luzes da casa...

 

"Ao verem a estrela, sentiram imensa alegria. E entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e prostrando-se, adoraram-n'O" (Mt 2, 10)

 

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Fios de luz

por Teresa Power, em 27.02.15

Francisco:

 

"Eu e a Clarinha nunca fazemos trabalhos em conjunto na escola. Primeiro porque temos dois anos e meio de diferença, mas essencialmente porque temos gostos e talentos muito diversos. No entanto, nas Jornadas Culturais do nosso colégio este ano, tivemos a oportunidade rara de trabalharmos em conjunto no mesmo projeto, cada um a fazer coisas completamente diferentes mas de tal modo que, sem um, o trabalho do outro não faria sentido: juntos e com mais uma colega do 9º ano, preparámos uma dança executada pelas duas, com efeitos especiais feitos por mim e projetados nelas. A inspiração veio de um vídeo do Youtube, que procurámos imitar e adaptar.

Fazer isto não foi fácil. Foi necessário uma sincronização perfeita (ou quase!) entre as bailarinas e o vídeo com os efeitos especiais. Isso foi possível filmando as bailarinas, contruindo os efeitos nesse vídeo, removendo o fundo e adicionando outro. Uma complicação! Eu tive de seguir as mãos das bailarinas com pontos a cada segundo do vídeo, o que deu uma trabalheira enorme. Só assim pude, por exemplo, unir as bailarinas com raios de luz.

Depois de dois dias a fazer o vídeo sem parar, chegou a vez da Clarinha e a amiga começarem a treinar os movimentos todos de modo a sincronizarem com o vídeo que foi feito sincronizado com elas (sim, eu também fiquei confuso!). Isso requereu prática, mais uns ajustes da minha parte, umas improvisações da parte delas, mas creio que no final tudo ficou bem, como podem avaliar pelo vídeo.

Foi muito interessante trabalhar em conjunto com a minha irmã. Primeiro porque podia ir consultando uma das bailarinas para ver se ela “aprovava” o meu trabalho, segundo porque ela podia ir vendo e imaginando na sua mente o que teria de fazer em palco, no dia das Jornadas, por último porque… bem, é minha irmã e é raro fazermos este tipo de trabalhos! Foi divertido, valeu a pena!"

 

Clarinha:

 

"Este ano participei de uma forma diferente nas Jornadas Culturais. Um grupo de professores desafiou-me a mim, a uma amiga e ao meu irmão a construir uma "dança das estrelas".

A primeira vez que experimentámos dançar com a projeção foi no ensaio geral, e por vezes não conseguimos fazer a dança sincronizadas com os efeitos especiais. Tivemos de encontrar estratégias, contar os passos, etc.

Depois de muito praticar com a minha colega, entrámos em palco. Foi engraçado como, sem ver, tínhamos de "agarrar as estrelas" sem nos enganarmos.

Quando terminámos a apresentação, saímos do palco e demos saltos de alegria por termos conseguido trabalhar em equipa e lançar estrelinhas!"

 

Foi preciso concentrar toda a sua atenção no outro, no trabalho do outro, nos movimentos do outro, no talento do outro...

Foi preciso ser generoso e oferecer o seu tempo livre...

Foi preciso ter fé para acreditar que os gestos e movimentos no ar, aparentemente vazios, lançaram estrelas no palco.

Alguns santos receberam de Deus dons especiais, permitindo-lhes ver a luz ou as trevas que iluminam ou escurecem o interior de cada pessoa. Deus ofereceu-lhes a oportunidade de ver os homens como Ele os vê. S. João, na sua primeira Carta, diz-nos:

 

"Deus é Luz e n'Ele não há nenhuma espécie de trevas. Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário, se caminhamos na luz, como Ele, que está na luz, então temos comunhão uns com os outros..." (1Jo 1, 5-7)

 

O Francisco, a Matilde e a Clarinha descobriram que estavam unidos por fios de luz; e que, mesmo sem verem nem sentirem, podiam agarrar as estrelas.

Seremos nós capazes, ao cruzarmos todos os dias a nossa vida com a dos irmãos, ao rezarmos no silêncio de uma igreja vazia... de fazer a mesma descoberta?

 

 

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Lançando estrelas no céu

por Teresa Power, em 02.12.14

Com o início do Advento, chegam também as estrelas:

 

"Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!" (Gen 15, 5)

 

Abraão, dizia-nos ontem o símbolo que colocámos na Árvore de Jessé, levantou os olhos para o céu e viu os milhões e milhões de estrelas que brilhavam, sem qualquer interferência das luzes humanas que hoje obscurecem o nosso céu nocturno. Não, Abraão não era capaz de contar as estrelas! Nem nós somos capazes de contar as graças infinitas que todos os dias o Senhor derrama sobre nós. Como podemos então agradecer ao Senhor tanto amor?

Cá em casa, decidimos oferecer-Lhe, em gratidão, as nossas próprias estrelas: pequenos sacrifícios que todos os dias do Advento vamos fazendo, a fim de iluminar o sorriso de Deus. É pouco, claro, mas estrela, com estrela se paga!

Nestes dias, é mais fácil conseguir a obediência dos filhos ou a paz entre os irmãos:

- O primeiro a fazer as pazes pode lançar uma estrela no céu!

- Não vais fazer o que a mãe diz? Preciso de pedir mais vezes? Não te esqueças que, quando custa, então é altura de lançar uma estrela no céu!

Mas eles próprios se lembram das suas estrelas:

- Mãe, vem cá! Olha espreita só o meu quarto: fui eu que arrumei tudo sozinha! Posso oferecer uma estrela a Jesus?

 

Hora da oração familiar. Depois de cantarmos e agradecermos, escutamos o pequeno texto da Árvore de Jessé, procuramos o símbolo e enfeitamos a Árvore. Em seguida, é hora de lançar as estrelas no céu.

- Todos ganharam uma estrela? - Pergunto.

- Eu sim! Não te lembras, mãe? Não bati na Lúcia, e apetecia-me tanto!

- Eu também! Fui para o banho logo logo quando chamaste!

Todos querem uma estrela. Atarefada, distribuo a fitacola e peço ao Francisco que pegue na Sara ao colo, pois a Sara quer colocar a sua estrela bem lá no alto. A Clarinha ajuda o António, enquanto o David e a Lúcia esperam que eu prepare mais estrelas.

- Eu ponho esta, que é maior - Diz o David muito depressa.

- Não, esta é para mim! A outra está mal cortada - Responde a Lúcia.

- Bem, o que ficar com a que está mal cortada, oferece um sacrifício ainda melhor a Jesus - Respondo. A Lúcia estende imediatamente a mão e oferece a Jesus a estrela mal cortada. O David fica com lágrimas nos olhos:

- Eu é que queria oferecer este sacrifício a Jesus, e agora já não posso!

- Podes, sim. Quando perdemos a oportunidade de fazer o bem, podemos sempre oferecer a Jesus o sacrifício de sorrir, apesar da nossa raiva por não termos sido capazes. Entendes?

É uma lição importante, e quero que o David a compreenda bem. Vai ser-lhe útil muitos dias na sua vida!

O David força um sorriso. Quanta luta!

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Que o Senhor nos ajude a cobrir o seu céu de estrelas! Possamos nós, na eternidade, descobrir que espalhámos a luz, com as estrelas do nosso amor!

 

E já agora... Se puserem esta ideia em prática, ou outra semelhante, oferecendo a Jesus diariamente um símbolo em sinal dos vossos esforços, enviem-me as fotos para o mail pessoal (indicado no fundo de cada post), para eu poder partilhar aqui no blogue!

 

 

 

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A estrela escondida

por Teresa Power, em 21.09.14

- Mamã, posso comer uma maçã?

- Podes, claro. Podes colher da macieira, se preferires, e assim não precisas de lavar.

- Mas eu quero que tu cortes, para eu ver a estrela!

- Então traz cá... Pronto, já está! Que estrela tão bonita!

 

Todas as maçãs escondem uma estrelinha no seu interior. Para a encontrarmos, precisamos de cortar a maçã da forma correcta, que é geralmente a forma menos comum de a cortar. A recompensa é este lindo desenho, capaz de extrair grandes exclamações de miúdos e graúdos cá em casa. É que não há duas estrelas iguais, e algumas são tão perfeitas, que custa a acreditar que tenham estado escondidas no interior de uma simples maçã...

 

Há uma estrela no interior de cada criança. Só Deus a conhece, pois

 

"o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16, 7)

 

Para a encontrarmos, precisamos de educar a criança, amando-a e disciplinando-a. É preciso cortar, sim, é preciso abrir, é preciso trazer para fora a estrela de cada um. Ah, mas é preciso fazê-lo de forma correcta, porque de outra forma, a estrela morre...

 

 

 

 

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Pirilampos

por Teresa Power, em 21.06.14

Estas últimas semanas têm sido muito cansativas, cheias de reuniões de avaliação, relatórios, acções de formação e milhares de papéis. O Niall também tem tido muito que fazer aos serões, diante do computador, pelo que o nosso tempo de casal tem sido muito limitado! Costumamos medir esta falha de tempo pela quantidade de gargalhadas que damos em conjunto. Ninguém me faz rir como o Niall, e se um dia nos deitamos sem nos rirmos com gosto, nota-se logo a diferença!

O nosso "tempo de casal" não precisa de ser longo. Às vezes são quinze minutos ao serão, depois de todos já estarem a dormir; outras, são quinze minutos de manhã, antes de todos acordarem. O importante é rirmo-nos juntos, brincarmos um com o outro, abraçarmo-nos, aprendermos a não levar muito a sério os conflitos que vão surgindo entre nós. Mas não podemos viver sem este tempo!

Nestes dois últimos serões, e para compensar a falta de gargalhadas dos últimos dias, decidimos fazer uma pequena caminhada ao serão. Quanto já todos os pequeninos dormem, deixamos o Francisco e a Clarinha a ler na sala e passeamos nas ruas à frente e atrás da nossa casa, suficientemente perto para o Francisco nos chamar se for preciso. Como não nos podemos afastar, damos várias voltas à casa antes de regressar.

Que noites tão bonitas! Ouvem-se as cigarras e as rãs a coaxar no riacho, as estrelas brilham no céu, e por todo o lado esvoaçam pirilampos. São milhares de luzinhas a piscar à nossa volta! Nunca me canso de contemplar a criatividade de Deus, que faz o dia e a noite e que cuida de cada insecto com amor. De mãos dadas, falamos dos filhos, falamos de Deus, falamos do nosso dia e dos problemas e alegrias que tivémos, falamos dos sonhos que temos e falamos das Famílias de Caná. De mãos dadas, rimos e abraçamo-nos. Parecemos dois namorados!

São só quinze minutos...

- Já? - Pergunta-nos o Francisco quando nos vê entrar em casa. E depois, com o seu sorriso divertido e levemente irónico - Mãe, deves estar muito cansada! Foi uma caminhada enorme!

Quem sorri divertida sou eu. Um dia ele irá compreender...

 

                              (a lua no nosso jardim...)

 

Quando Deus criou Adão e Eva, também gostava de os acompanhar nos seus passeios. Segundo consta, Adão, Eva e Deus costumavam "passear no jardim pela brisa da tarde" (Gn 3, 8)...

 

 

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As estrelas e o Sangue de Jesus

por Teresa Power, em 31.03.14

Sempre me encantou a história de Abraão, o fundador do povo hebreu. Imagino a sua surpresa quando Deus, fazendo ouvir a sua voz com clareza cristalina no mais íntimo do seu coração, lhe prometeu:

 

"Conta as estrelas do céu, se fores capaz... Terás mais descendentes do que há estrelas no céu ou areias na praia!" (Gen 22, 17)

 

Olhar para o céu e contar as estrelas é uma paixão cá em casa. Quando, aos serões, passeamos no jardim e contemplamos a noite, como já dissemos aqui, costumamos cantar este pequeno cântico, que compus na quaresma alguns anos atrás:

 

Lá                                              Mi

"Eis-me aqui (eis-me aqui), vou subir (vou subir)

Mi7                           Lá

À montanha do Senhor!

Lá                                                  Mi

Jerusalém (Jerusalém) a tua porta (a tua porta)

Mi7                     Lá

É Jesus, o Salvador!

 

                  Fá#m                            Sim

Conta as estrelas que brilham no céu!

                   Mi                              Lá

Assim é o povo que Deus escolheu!

Fá#m                      Sim    

Nele serão abençoadas

Mi7

todas as nações da terra...

 

Em Jerusalém, Senhor, Tu entraste

Cordeiro Pascal, por mim Te imolaste!

Abriste a Porta das Ovelhas

Quem por Ti passar, a vida há-de achar..."

 

Aproxima-se a celebração do dia em que Jesus, qual Cordeiro Pascal, entrou em Jerusalém. Uma das doze portas da cidade chamava-se a Porta das Ovelhas, e Jesus pregou perto desta porta, segundo Jo 5, 1-2. Era por esta porta que entravam os rebanhos destinados aos sacrifícios no Templo. Um dia, Jesus disse assim:

 

"Eu sou a Porta das Ovelhas. Quem entrar por Mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pastagem." (Jo 10, 9)

 

Jesus, o Cordeiro de Deus, abriu-nos a Porta das Ovelhas. E abriu-a ao derramar todo o seu sangue, no verdadeiro sacrifício do Templo do seu Corpo. Da sua entrega de amor nasceu o novo povo de Deus, esse povo numeroso como as estrelas. Cada gota do sangue de Jesus lançou no céu uma nova estrela cintilante! A promessa que Deus fez a Abraão realizou-se plenamente no mistério da Cruz. Nunca nos esqueçamos do preço do nosso resgate! Se no Céu de Deus brilham milhões de "estrelas", é porque Jesus nos amou até à loucura de dar a vida por nós.

Contemplemos então o céu nocturno, pensando no outro Céu... Sabendo que cada "estrela" custou a morte de Jesus!

Escutem e cantem connosco...

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publicado às 08:47

O céu nocturno

por Teresa Power, em 12.03.14

A noite, ontem, estava tão amena, o céu tão cheio de estrelas, que decidi levar as crianças ao jardim, depois da oração familiar.

- Depressa! - Disse - O céu está lindo lá fora! Venham ver!

Excitadíssimas por poderem ir ao jardim à noite, as crianças correram lá para fora. Que magnífico céu nos esperava! Ao longe, os sons da primavera enchiam o ar, entre grilos, cigarras e rãs. Passeámos pelo jardim contemplando a noite...

 

 

- Que constelação é aquela tão bonita?

- Onde está o "T" do teu nome, mãe?

- Vi um avião! Olha a luzinha a brilhar!

- Dad, uma estrela cadente! Olhem todos para ali!

 

 

 

- Onde está o Francisco? Ficou lá dentro?

- Estou aqui! - Ouviu-se uma voz vinda do alto. Claro, devíamos ter imaginado...

 

De pé sobre o tecto da garagem, o Francisco foi-nos apontando as constelações que conhece e informando àcerca das últimas descobertas da NASA sobre o universo.

- E pensar que cada uma destas estrelas está a anos-luz de distância! - Exclamou a Clarinha, contente por já ter aprendido em Físico-Química tanta coisa importante.

 

Dez minutos mais tarde estávamos de volta à sala.

- Mamã, porque é que não vemos as estrelas durante o dia? - Quis saber a Lúcia.

- Eu não sabia que havia tantas tantas tantas! - Acrescentou o António.

 

Sorri diante das suas perguntas. Depois pensei em como o céu nocturno nos fala de Deus...

Na vida, é preciso esperar pela noite - pelas dificuldades, pelos obstáculos, pela doença, pela solidão, pela morte... - para descobrir as estrelas. Só avançando no escuro, guiados pela fé, descobrimos a imensidão de Deus. As cores do dia escondem o segredo das estrelas nocturnas. A mundanidade e a superficialidade escondem o mistério de Deus.

E afinal, tal como as estrelas, Ele está sempre lá...

 

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publicado às 21:14

Nós, Jesus

por Teresa Power, em 26.12.13

Jesus nasceu numa gruta, fora da cidade, porque não havia para Ele lugar em nenhuma casa de Belém. Ao longo de todo o advento, procurámos fazer espaço para Ele cá em casa:

 

 Enchemos de estrelas o céu do presépio, cada estrela significando um gesto de amor conseguido. Sabemos que Deus presta muito mais atenção a cada uma das estrelas lançadas neste céu do que a toda a lama que também fomos fazendo!

 

 

Descobrimos que "há mais alegria em dar do que em receber" (At 20, 35).

A véspera de Natal foi bastante movimentada, mesmo com o temporal lá fora. Era preciso levar um presente e um sorriso aos amigos, aos vizinhos, às avós... Depois, com muito cuidado e entusiasmo, os meninos decoraram um cabaz especial, para ser entregue a uma família também muito especial, pois na sua pobreza, foi para nós o sinal do presépio. O cabaz ficou lindo:

 

E mais lindos ainda foram os sorrisos que provocámos com a nossa oferta!

 

Na missa de dia 25, Jesus nasceu para nós. Agora precisamos de viver este grande mistério do Emanuel, Deus connosco, em cada dia da nossa vida. Por isso, gostamos de repetir muitas vezes:

 

"Nós, Jesus, Tu e eu"

 

"Nós, Jesus, vamos trabalhar,

Nós, Jesus, vamos brincar,

Nós, Jesus, vamos lavar a louça,

Nós, Jesus, vamos desenhar,

Nós, Jesus, vamos ver televisão,

Nós, Jesus, vamos estudar..."

 

A partir do Natal de Jesus, nenhum ser humano está realmente só sobre a Terra. Ele está connosco em cada gruta da nossa vida, por mais escura e pobre que ela seja. E tudo o que fazemos com Jesus, tem valor eterno!

 

 

 

 

 

 

 

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