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Cem vezes mais

por Teresa Power, em 14.10.15

Neste fim-de-semana, como tínhamos anunciado, participámos numa verdadeira maratona de evangelização. A catequese arrancou em grande força, com imensas crianças a chegar e muita alegria; reunimos de novo a Aldeia de Caná de Mogofores, para rezarmos juntos e adorarmos o Senhor; e finalmente, no domingo à tarde, fomos dar testemunho de vida familiar católica no Centro Paroquial de Meadela, diocese de Viana do Castelo. Gostava tanto de ter muitas, muitas fotografias de cada um destes momentos para vos mostrar! A falta absoluta de fotos é, contudo, sinal de que estivemos demasiado ocupados para as tirar. Acreditem! Especialmente no domingo!

Domingo, uma hora da tarde. Cheios de pressa, entramos no carro - nos dois carros - para rumar a Meadela.

- Vamos passear, mãe?

- Vai ser giro? Que aventura vamos ter?

- Onde é o passeio?

As crianças estão animadíssimas. Hesito na minha resposta. Eis o grande desafio que nos é feito neste momento: transformar uma viagem cansativa - duas horas para lá, outras duas para cá, uma hora e meia de trabalho de evangelização num centro paroquial - numa grande aventura, capaz de proporcionar alegria à família completa.

Estou tentada a responder: Meninos, não se entusiasmem demasiado, porque a viagem é longa, e quando chegarmos a Meadela não vai acontecer nada de especial para vocês!

Mas não vou responder assim. Nos meus ouvidos ressoam ainda as Palavras do Evangelho desta manhã:

 

"Quem deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, casa, filhos ou terras por minha causa, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em irmãos, irmãs, mães, casas, filhos e terras, juntamente com perseguições; e no mundo futuro, a vida eterna!" (Mc 10, 29-30)

 

Se há desafio que me alicie na vida, é o de verificar, em cada dia, a verdade do Evangelho. Agora é hora de experimentar, numa tarde chuvosa de domingo, a recompensa já nesta vida de deixarmos tudo para anunciar o Senhor!

Entramos no carro, e a viagem começa. Lá fora, a chuva miudinha não pára de cair.

- Ah, adoro estar dentro do carro quentinho quando chove lá fora! - Diz a Clarinha.

- Eu também!

- E eu! É tão reconfortante! Adoro viagens com chuva!

Estamos a começar bem, penso para comigo, enquanto pisco interiormente um olho a Jesus. São horas de rezar o terço, aproveitando para recontar a história do Evangelho da missa desta manhã, que talvez já não esteja bem lembrada.

Uma hora mais tarde, gritos de entusiasmo:

- Olha, é o Porto! A ponte, vejam a ponte!

- Estão a ver o comboio naquela ponte ao longe? Eu atravessei-a de bicicleta a caminho de Santiago!

- Foi, Frankie? Ena, que sorte!

- Já viram como os raios de sol querem romper as nuvens e secar a chuva? E a ponte tão bonita por baixo...

- Ah...

- Mamã, contas outra história?

- OK, alguma sugestão?

- A do general que tinha lepra!

- Sim, chamava-se Naamã. É tão gira! 

Viajo mentalmente até ao tempo do profeta Eliseu, à casa do general que tinha a sorte de ter uma criada judia. Os meninos escutam cheios de atenção. Depois, sonhadores, conversam sobre muitas coisas, cantam e fazem jogos de palavras e de números uns com os outros.

Uma hora mais tarde:

- Olha, agora é a ponte do rio Lima! Que linda! 

- Ena, temos tanta sorte em fazer este passeio!

Volto a piscar o olho a Jesus, divertida. E chegamos a Meadela! Saímos do carro sob a chuva miudinha e entramos numa magnífica igreja vazia. Bem, vazia não, porque a luz junto do sacrário indica a Presença omnipotente do Senhor Jesus. 

- Meninos, vamos rezar a nossa consagração! - Diz o Niall, ajoelhando. Rezamos com ele. Entretanto, chega a nossa anfitriã, a Madalena, que nos leva até ao Centro Paroquial. 

- Parece que ainda não chegou muita gente - Diz-nos, um pouco envergonhada, olhando as cadeiras vazias.

- Ainda não está na hora! - Conforto-a. Quem não precisa de conforto algum são os meus filhos: o Francisco está ocupadíssimo a montar o espetáculo de ilusionismo para os pequenos, e a Clarinha ajuda-o; os outros quatro correm e saltam no salão, divertidíssimos a subir e descer escadas, a saltar do estrado para o chão, a vasculhar as salas de catequese e a experimentar os microfones. 

- Meninos, todos aqui! Vamos começar! - Chamo, minutos mais tarde, quando o salão está suficientemente cheio. Subimos para o palco, e de microfone na mão, todos nos apresentamos à vez, começando pela Sara. Muito séria, ela enche o peito de ar como quem se prepara para soltar uma frase muito comprida, e diz de um só fôlego: "Sara". Rimo-nos todos! 

Depois de cantarmos e rezarmos juntos ao Senhor, os mais novos acompanham o Francisco, enquanto o Niall e eu damos o nosso testemunho. Um momento muito bonito e muito participado.

Finalmente, o encontro termina. Todos nos querem cumprimentar, dar uma palavra, partilhar uma confidência, encorajar. Sentimo-nos muito acolhidos e fazemos planos para, um dia, ali voltarmos com um retiro completo.

A Madalena chama-nos a uma salinha junto do grande salão, onde um magnífico lanche nos espera. Ena, há bolinhos, pão, bolachas, leite com chocolate... Sentamo-nos em roda, com o senhor padre, e comemos de tudo, muito satisfeitos. 

- Ah, este lanche é mesmo bom! - Dizem todos, com a boca bem cheia. Não apetece partir...

Mas são horas de regressar. No carro, sob a chuva a cair, enquanto a noite se acende à nossa volta, vamos conversando.

- Quem gostou desta tarde? - Pergunto.

- Eu!

- Eu!

- Eu!

Parece que todos gostaram.

- A magia correu mesmo bem - Diz o Francisco, satisfeito. - Os meninos eram muito bem comportados e estavam muito atentos.

- Eu adorei escutar-te - Diz-me a Clarinha, como de costume.

- E os mais pequenos, do que é que gostaram mais?

- Das cortinas!

- As cortinas, António? Porquê?

- Carregava-se num botão e elas abriam e fechavam no palco. O senhor padre deixou-me carregar um bocadinho!

- E eu gostei de saltar do palco para o chão!

- E eu, de dizer o meu nome ao microfone!

- Do lanche!

- Sim, do lanche!

- Do lanche!

- Então valeu a pena uma viagem tão grande?

- Ah, claro que valeu!

- Obrigada, mãe, foi mesmo bom vir a Meadela!

- Adorei!

- Quando eu contar aos meus amigos do botão das cortinas... Acho que eles não vão acreditar!

Enquanto o carro se enche de gargalhadas, canções e muito barulho, eu agradeço interiormente ao Senhor por, mais uma vez, cumprir a sua Palavra na nossa vida. A tarde foi longa, oferecida, entregue, mas a recompensa foi uma reconfortante sensação de bem-estar, toda ela feita de coisas tão simples como um copo de leite com chocolate, uma brincadeira nas escadas, uma cortina a abrir, uma ponte sobre o Lima, um comboio sobre o Douro, uma história da Bíblia, um raio de sol a romper as nuvens...

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Somos todos Jesus

por Teresa Power, em 12.06.15

- Mamã, gostaste do meu teatro da catequese?

- Adorei, Lúcia! Estavas muito bonita, a segurar a letra do nome de Jesus.

- Eu gosto tanto da catequese!

- Tens amigos no teu grupo?

- Tenho. Todos somos amigos! E os meus catequistas são muito bons. Sabem muitas histórias da Bíblia, mamã, assim como tu!

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 Os catequistas - evangelizadores, como aqui na paróquia preferimos chamar - da Lúcia são pais de uma Família de Caná muito simpática. Este ano foi a sua estreia como evangelizadores, e a experiência foi magnífica, tanto para as crianças, como para eles. No sábado passado, na hora de louvor com que terminamos sempre a catequese, fizeram com as crianças uma breve apresentação, que a todos encantou. O João começou por ler este texto, onde exprime bem aquilo que viveram ao longo do ano:

"Está quase no final este nosso primeiro ano de evangelização.
Foi uma estreia para todos. Para as nossas pequeninas e pequeninos, mas também para mim e para a Isabel…
Para muitos de nós este foi o primeiro contato, mais ou menos elaborado, com a religião e com a fé.
Nem sempre conseguimos, mas estivemos sempre todos com a noção de que não queríamos falhar, o que quer que fosse, nesta grande experiência e nesta responsabilidade de iniciar, mais formalmente, uma caminhada importante. Caminhada esta que esperemos seja longa e não se esvazie com o tempo. Que Deus nos Ajude para que esta fé não deixe de ser alimentada.
Durante esta nossa jornada pedimos ajuda a Nossa Senhora que nos auxiliasse, rezámos, rimos, brincámos, conversámos… e ganhámos todos novos amigos.
Fizemos uma tenda gigante no meio de uma sala de aula no nosso “deserto” e subimos ao monte para rezar, provámos um delicioso e suculento maná, sentimos o espírito santo de uma forma diferente e como ele pode tornar-se efervescente na nossa vida. A ressurreição de Jesus foi explosiva aos nossos olhos fazendo brotar pétalas perfumadas e corações por todos.
Ouvimos, muitos de nós pela primeira vez, nomes como Abraão, Tobias, Moisés, Tobite, Sara, Isabel, Elias e Jeremias, João, Maria, Pedro ou Simão e tantos outros… e até conhecemos de perto um anjo, que carinhosamente foi chamado de Anjo Rafa…. Imaginem! Que como Gabriel protagonizou algumas das nossas “aventuras”.
São pedaços de uma história magnífica e que acreditamos ser verdadeira, que relata muitos dos feitos também de um super-herói, um super-homem, com a vantagem que Este existe e não é ficção. E que é o nosso verdadeiro protector… JESUS
É sobre esse nosso grande amigo que vamos falar hoje.
Em muitas tarefas, pinturas, dinâmicas, musicas e vídeos, houve alguns que momentos que nos marcaram… este que vamos ver é um deles… Quem é Ele Afinal?"

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E à pergunta do João, as crianças foram respondendo, uma a uma, com uma palavra: Amor, Paz, Alegria...

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Por fim, cada uma segurou bem alta uma letra que apanhou do chão, e juntos formaram a frase:

"Somos todos Jesus".

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 Lembrei-me da afirmação de S. Paulo:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2, 20)

 

E lembrei-me do nosso lema de Famílias de Caná, expresso na primeira "bilha": Nós, Jesus. Ao longo deste mês, as Famílias de Caná foram desafiadas a meditar sobre esta união intensa com Jesus, procurada e vivida em cada circunstância, boa ou má, da nossa vida.

Cá em casa, durante o mês de junho - e hoje é o dia do Sagrado Coração de Jesus - repetimos muitas vezes a oração:

"Jesus, manso e humilde de Coração, tornai o meu coração semelhante ao Vosso."

O João e a Lúcia, catequista e catequisanda, estão convencidos da necessidade de conhecer a Palavra de Deus e todas as histórias da nossa salvação para aprender a ser como Jesus. Ao longo do ano, como o texto do João exprimiu, fizeram destas histórias vida e movimento, encheram-nas de cor, recrearam-nas, representaram-nas, recontaram-nas e trabalharam-nas até que a Palavra descesse da mente ao coração. A vida encarregar-se-á de mostrar se conseguiram...

E nós? Passamos tempo suficiente com Jesus, em oração e meditação, escutando as batidas do seu Sagrado Coração, para aprendermos a ser como Ele?...

 

 

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Festa mariana e a criatividade dos filhos de Deus

por Teresa Power, em 01.06.15

No sábado, a nossa catequese foi diferente: tratava-se de celebrar a presença de Maria, nossa Mãe, na vida de cada dia e na vida da nossa paróquia, agradecendo-lhe de coração e suplicando-lhe que permaneça ao nosso lado nesta caminhada. E que forma melhor de celebrar o amor de Nossa Senhora do que a oração do rosário?

Juntámos no santuário todas as crianças e jovens da catequese, com as suas famílias. Cantando, cada uma ofereceu uma flor a Maria (finalmente, David!), que depositámos sobre o altar, enquanto cantávamos alegremente.

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 Depois, começámos a oração do terço. No sábado anterior tínhamos encarregado cinco grupos de catequese de preparar a apresentação dos cinco mistérios da alegria. Tivemos meninos vestidos de anjos, várias Nossas Senhoras, nenucos a representar Jesus, estrelas de papel, velas acesas, estrelas luminosas. Vejam só esta pequena imagem da cena da Natividade! A Lúcia segura orgulhosamente a estrela mais brilhante de todas, sobre Maria e José com o Menino:

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A Vera, educadora e catequista (já experimentaram as receitas que ela partilha no seu blogue, sempre acompanhadas de tão belas reflexões?), fez em casa cinquenta e três flores de esponja, e mais cinco ligeiramente diferentes, para que cada Avé-Maria e cada Pai-Nosso pudessem ser representados por uma flor. Enquanto rezávamos, uma criança, à vez, ia colocar uma flor no chão do altar, formando assim, com as orações de todos, um belíssimo terço. Foi uma oração bastante animada e bastante movimentada, cheia de luz e cor, cheia de alegria!

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 Embora ainda não frequentem a catequese, o António e a Sara também estiveram nesta tarde de sábado, por ser diferente e lhes ser tão acessível. Afinal, rezar o terço é-lhes familiar!

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Os jovens costumam dizer-me que, para eles, rezar o terço faz-lhes lembrar as velhinhas da aldeia dos seus avós, repetindo orações com vozes monocórdicas na igreja. O terço, dizem-me, deixou de fazer sentido. Que fizemos nós da criatividade que Deus nos ofereceu? Na A Alegria do Evangelho, o nosso querido Papa Francisco diz:

"A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: «fez-se sempre assim». Convido todos a serem ousados e criativos..." (Nº33)

E S. Paulo escreve assim aos romanos:

 

"Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade..." (Rm 12, 2)

 

Quando chegarem os dias mais longos de verão, com as crianças em casa sem muito para fazer, porque não experimentam pedir-lhes que façam flores de cartão, esponja ou outro material, para poderem fazer uma oração do terço dinâmica? E porque não lhes sugerem também preparar pequenas representações, ou ilustrações ou outro tipo de construção para um ou vários mistérios do Rosário? Às vezes basta um pouco de criatividade para que a oração familiar se torne atraente para todos. Experimentem! E enviem as vossas fotos para eu as divulgar aqui!

 

 

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publicado às 06:18

Uma rádio e uma praia

por Teresa Power, em 24.04.15

Ontem passei uma manhã especial: estive em Vagos, uma vila do distrito de Aveiro, nas dependências da igreja paroquial. Não, não estive a rezar: estive a gravar um programa de rádio, para a Rádio Vagos FM, 88.8,  a convite da Susana Pires. O programa de rádio chama-se O Mundo nas Tuas Mãos. Foi a primeira vez que gravei uma entrevista em estúdio, e achei tão engraçado, que pedi licença à Susana para lhe tirar uma fotografia, e assim vos poder mostrar como era simpática a minha interlocutora:

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A nossa conversa na rádio foi franca e profunda, e continuou muito para além do programa. Fiquei encantada com esta rádio de inspiração cristã. "Procuro transmitir os valores cristãos em todos os temas abordados", explicou-me a Susana, que é leiga consagrada na Verbum Dei. "Gosto de comunicar boas notícias, notícias que tornem as pessoas mais felizes. Gosto de me centrar no tu, naquele que me escuta, e chegar ao seu coração." Para mim, foi um prazer imenso poder falar das famílias cristãs com esta tonalidade alegre e positiva, distante de moralismos farisaicos ou de pessimismos derrotistas. O mundo está nas nossas mãos, diz a Susana, e ao ver como ela faz uso da sua profissão para evangelizar, só lhe posso dar razão.

Saí da entrevista com o coração cheio. Percebi que estivera a trabalhar lado a lado com a Susana para o mesmo Reino, e percebi que partilhávamos a mesma ânsia de anunciar o Evangelho, embora em apostolados diferentes. O mundo está polvilhado de cristãos simples e alegres, como nós as duas naquele estúdio, desejosos de levar a Boa Nova ao seu próximo. Quando dois ou mais cristãos assim decididos se encontram, podem causar um verdadeiro "terramoto"... Precisamos de nos encontrar mais vezes uns com os outros em projetos de evangelização, dentro e fora das Famílias de Caná, cruzando caminhos entre os diversos movimentos de leigos na Igreja. Disse Jesus:

 

"Onde dois ou três se reunirem em meu nome, Eu estou no meio deles."

(Mt 18, 20)

 

Quando saí do estúdio, e porque Vagos é perto da praia, decidi fazer um curto desvio no meu percurso para ver o mar. Guiei durante alguns minutos por estradas de floresta. Podia escutar o marulhar das ondas e cheirar o seu perfume. A praia é só uma, estendida sem interrupção entre a Barra de Aveiro e a Figueira da Foz, mas os acessos são inúmeros e variados. Finalmente, estacionei o carro diante desta bela escadaria:

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Os degraus cobertos de areia fizeram-me sorrir. A Susana e eu, cada uma de nós no seu trabalho quotidiano e na sua vocação específica, estamos ambas empenhadas em construir, degrau a degrau, uma escada singela e artesanal, capaz de levar ao Céu... Subi, e emocionei-me diante da tranquilidade da praia banhada pelas ondas brancas e luminosas:

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Tantas escadas diferentes, tantas formas diferentes de alcançar a mesma praia!  De joelhos diante do mar, fiz uma oração... Que todos os degraus das nossas vidas, dispersos pelas mais variadas dunas e nascidos nos mais variados caminhos, conduzam à mesma praia do teu Amor, Senhor Jesus. Ámen. Aleluia!

 

O programa que a Susana gravou vai passar domingo, dia 26 às onze da manhã :)

 

 

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Autocontrolo e a ressurreição de Jesus

por Teresa Power, em 11.04.15

Regresso às aulas. Turma do Vocacional. Antes de entrar na sala, respiro fundo, rezo uma Avé Maria e entrego-me a Jesus: "Nós, Jesus: Tu e eu vamos dar aulas à turma do Vocacional."

Entrada bastante atribulada. Alguém passa uma rasteira e outro cai no chão, mas porque não é bom ficar "por baixo", logo atira com uma mochila sobre as carteiras. A meio do "voo", mais dois ou três ficam magoados e decidem vingar-se. Consigo, a custo, controlar a situação e fazê-los sentar nas cadeiras.

Nas reuniões de avaliação, fui informada que o meu pior aluno foi institucionalizado. Sinto-me muito envergonhada do sentimento de alívio que me invade...

- Têm tido notícias do vosso colega? - Pergunto, quando o barulho acalma um pouco.

- Ele diz que aquilo é um galinheiro.

- O quê?

- Não ligue, professora. Acho que ele anda bem.

- E vocês, que fizeram nas férias? Aprenderam alguma coisa nova nos estágios nas empresas?

- Aprender? A mim só me mandavam limpar o pó!

- Eu aprendi. E até já tenho emprego para as férias, que o dono da oficina disse que eu podia ir ajudar.

- Fantástico!

- Eu também. A costureira disse-me que eu podia ir nas férias grandes trabalhar com ela.

- Isso é que é sorte! Agarra a tua oportunidade, D., que podes não voltar a ter outra!

- Eu também aprendi.

- Aprendeste? - Olho com expetativa para o meu aluno. Do "novo" grupo (sem o aluno que foi institucionalizado), é talvez o que mais dores de cabeça me causa...

- Aprendi a controlar-me.

A maior parte destes alunos está habituada a reagir a provocações da pior maneira. Julgo que é esse o modelo que têm em casa, e é essa a estratégia de sobrevivência que desenvolveram ao longo da sua triste vida. Quebrar o ciclo e aprender o auto-controlo não é tarefa fácil, nem se consegue de um dia para o outro. Percebo que L. está a falar com sinceridade, e dou-lhe os meus parabéns.

- Sabes, L., seres capaz de te controlar é a melhor lição que podes aprender. Quando nos deixamos levar pelos nossos impulsos imediatos, tornamo-nos escravos e perdemos a liberdade. Podes ver isso, por exemplo, no teu colega que deixou a turma. Incapaz de se controlar, precisou que outros o controlassem.

L. está a ouvir, mas faz de conta que a conversa não lhe interessa.

- Sermos capazes de nos controlarmos faz de nós livres. Tu é que escolhes se te deixas provocar ou não. A resposta é tua, não do colega que te provocou. A decisão está nas tuas mãos. No dia em que conseguirmos controlar os nossos impulsos, seremos senhores de nós mesmos. Nesse dia, podes levantar a cabeça, porque venceste a batalha!

 

Não lhe digo mais nada, mas enquanto observo os seus esforços evidentes para se comportar (serão duradouros?) lembro-me de S. Paulo. Numa longa explicação na Carta aos Romanos, ele falou precisamente deste assunto, que eu vi exemplificado na minha sala de aula:

 

"Deparo-me, pois, com esta lei: em mim, que quero fazer o bem, só o mal está ao meu alcance. Sim, eu sinto gosto pela lei de Deus, enquanto homem interior. Mas noto que há outra lei nos meus membros a lutar contra a lei da minha razão e a reter-me prisioneiro na lei do pecado que está nos meus membros. Que homem miserável eu sou!" (Rm 7, 21-24)

 

S. Paulo está aqui a falar dos meus alunos, que estão prisioneiros do mal que os rodeia; mas S. Paulo está também a falar de mim, que sei muito bem qual é a Lei de Deus, que cresci com acesso livre a ela, e que mesmo assim, me deixo imprisionar pelo pecado... Quantas vezes, na relação com os outros, me deixo levar pelos meus instintos de cansaço, irritação, impaciência? Os meus alunos têm mais desculpa do que eu.

Já depois da aula terminar, e de eu ter lutado arduamente contra os meus instintos mais primários, que me incitavam a gritar, a ridicularizar, a responder no mesmo tom; já depois de todos os meus alunos sairem da sala, percebo que só há uma forma de vencer este combate. E essa forma está contida naquelas duas palavrinhas: "Nós, Jesus." De facto, é também essa a conclusão de S. Paulo:

 

"Quem me há-de libertar deste corpo que pertence à morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo, Senhor nosso! (...) Se com Cristo sofremos, também com Ele seremos glorificados." (Rm 7, 25.8, 17)

 

Jesus, ajuda-me a morrer contigo para o pecado, para contigo ressuscitar para a felicidade. Sei que não o conseguirei sem luta, sem sofrimento, sem cruz; mas também sei que é esse o único caminho que leva à ressurreição, pois ninguém ressuscita sem antes morrer - e morrer para si mesmo! Nós, Jesus... Ámen!

 

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Rotinas, Inglês e oração

por Teresa Power, em 04.02.15

Na maior parte do material didáctico das nossas escolas, o tema religioso foi completamente branqueado. Em nenhum texto do manual de Inglês se lê que as famílias vão à missa, ao culto, à sinagoga ou a qualquer outro acto religioso que não, claro, as festividades paganizadas, como o Natal do Pai Natal ou a Páscoa dos ovos e dos coelhos. No entanto, a America, a Inglaterra e todos os outros países anglófonos estão cheios de cristãos que vivem a sua fé. Porque desapareceram eles da literatura?

Será proselitismo falar de fé? Não é antes a fé religiosa - qualquer que seja a religião - um dos temas da vida? Não poderemos nós, numa escola pública, partilhar os temas da fé do ponto de vista cultural, conversando com naturalidade sobre as realidades que a fé toca? Já tive alunos Adventistas, que sexta-feira ao último tempo, durante o período de inverno, tinham de faltar à minha aula de Inglês, por ela ter lugar depois do pôr-do-sol. Já tive alunos Geová que não estavam autorizados pelos pais a cantar Christmas Carols na minha aula. E os alunos católicos? Poderemos falar de religião?

 

Turma de sétimo ano. Aproveito o tema da "Rotina Diária", nas aulas de Inglês, para falar um bocadinho de Deus. Como não tenho a ajuda do manual, escrevi eu mesma um texto, que distribuo pelos alunos. Já perto do final, o texto diz assim: "After dinner, they pray the rosary" (depois do jantar, rezam o terço). Na parte inicial, uma outra curta frase: "On Sundays, they go to mass" (Aos domingos, vão à missa).

- A rotina desta família é semelhante à vossa? - Pergunto, depois da leitura do texto.

- Mais ou menos. Eles fazem uma coisa que eu não faço: rezar!

- E vão à missa ao domingo! Eu só vou quando é obrigatório.

- Obrigatório?

- Sim, professora, quando a catequista manda.

- Ah, então tu vais à catequese?

- Vou sempre. Todos os sábados e nunca falto!

- Mas faltas à missa...

- A missa não é assim tão importante, professora. O importante é ir à catequese. A missa é só quando calha! A professora não percebe nada...

- Olha que eu também sou católica, sabes, e acho que não é bem assim!

- A professora vai à missa?

- Vou. Todos os domingos! Para os católicos, a missa é o que existe de mais importante na vida. É melhor faltar à catequese do que à missa!

- Tem a certeza, professora? Mas a missa é uma seca!

- Eu por mim nunca vou.

- E eu também não!

- E alguém aqui reza o terço, como aquele menino do texto?

- Rezei um dia com a minha avó, na igreja. Ena, demorou uma eternidade! Pensei que ia ficar lá para sempre!

- Olha que não. Deve ter sido um terço especial! Sabes, na minha casa o terço demora quinze minutos.

- A professora reza o terço?

- Rezo. Todos os dias! Vocês agora, quando voltarem à catequese, já podem dizer à catequista que sabem dizer "rezar o terço" em inglês!

- Ai, que ela ainda me manda rezar o terço!

 

No fim da aula, um menino vem ter comigo:

- Eu também vou à missa todos os domingos, professora...

Sorrio, e faço-lhe uma festa na cabeça enquanto saímos, juntos, da sala.

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Dar testemunho da nossa fé não é complicado. Fala-se naturalmente de quem se ama, e se verdadeiramente amamos o Senhor, falamos naturalmente d'Ele. Façamo-lo com simplicidade, sem afetações nem imposições, na atitude de quem partilha a vida com tudo o que a compõe, e abertos à partilha do outro. Recordemo-nos da Palavra de Jesus:

 

"Todo aquele que der testemunho de Mim diante dos homens,

também Eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus."(Mt 10, 32)

 

 

 

 

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Infância missionária

por Teresa Power, em 08.01.15

- Mamã, a minha amiga * não conhece histórias da Bíblia. Ela diz que a mãe também não conhece e o pai também não!

- Ai é?

- É. Eu disse-lhe que as histórias da Bíblia são muito giras.

- E ela o que achou?

- Ela pediu-me para lhe contar uma. Contei-lhe a história de Samuel.

- Logo vi...

- Tu sabes que eu adoro essa história!

- Sei. Ela gostou?

- Gostou. E sabes o que fez? Contou a história à mãe. E depois a mãe contou-lhe outra vez a história a ela, e assim ela escutou uma história da Bíblia em casa!

- Que bela ideia!

- Então eu decidi que todos os dias lhe conto uma história da Bíblia diferente. Assim, ela vai ter uma história nova para contar à mãe todos os dias. E assim, a mãe conta-lhe uma história nova todos os dias! E pronto.

- E pronto mesmo :)

 

A Lúcia contou-me este belo exemplo de evangelização na última semana de aulas. Alguns dias mais tarde, nas férias, fui dar com ela a brincar com a Sara e a prima, passando as contas do terço a toda a velocidade:

- Estamos a brincar à oração! Eu era a mãe e estava a ensinar a rezar o terço - Explicou-me ela.

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O Francisco, a Clarinha, o David e até o António também têm as suas pequenas histórias para contar! São geralmente exemplos muito práticos e muito simples de evangelização, de testemunho cristão no meio dos seus amigos, sem beatices ou afectações. A sua forma de demonstrar a amizade que sentem pelos colegas passa pela necessidade de lhes oferecerem Jesus. São vários os colegas do Francisco e da Clarinha que começaram a frequentar a catequese um pouco por contágio de amizade!

 

O Dia de Reis é também o Dia da Infância Missionária. Neste dia, recordamos às nossas crianças que a evangelização é o imperativo de todo o cristão, de qualquer idade. Transmitir, por palavras e por obras, o Evangelho de Jesus a todos os que nos rodeiam não é um luxo ou uma vocação específica, mas um mandamento do Senhor. São de S. Paulo estas palavras fortes e incomodativas:

 

"Ai de mim se não evangelizar!" (1Cor 9, 16)

 

Podemos ser missionários aos quarenta anos,  ou aos seis como a Lúcia. A pequena Jacinta de Fátima tinha sete anos quando Nossa Senhora lhe apareceu, e desde então não deixou de falar de Jesus e de Maria a todos os que a rodeavam!

Há algumas gerações atrás, as crianças eram evangelizadas em casa, pelas suas famílias. Hoje, nas nossas escolas, há crianças cristãs que nunca, nunca ouviram falar de Jesus. Quem chamará Jesus para as evangelizar? É urgente que os nossos filhos, que receberam a graça de aprender a rezar ao colo, que conhecem as histórias da Bíblia, que frequentam os sacramentos, se tornem evangelizadores dos seus amigos. Não desiludamos o Senhor!

 

 

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As Bodas de Caná

por Teresa Power, em 13.06.14

No sábado passado, encerrámos as actividades da catequese deste ano lectivo. Mas não foi um encerramento qualquer: foi uma festa de casamento! É verdade: anunciámos previamente este belo casamento e pedimos a todos, pais e filhos, que trouxessem arroz e pétalas para deitar aos noivos, bem como um lanche para partilhar no fim - parece que os noivos não quiseram gastar dinheiro no Copo de Água!

Segundo ouvi dizer, houve muita gente intrigada com esta história do casamento, e foram feitas muitas suposições. Ainda bem! Quando chegou a tarde de sábado, as crianças e os pais aglomeraram-se no exterior do Santuário, à espera da saída dos noivos. E então...

 

 

Que belos noivos! Estamos em Caná, há 2000 anos atrás. E quem está entre os convidados?

Maria e Jesus, de Nazaré, amigos de infância dos noivos! Que grande alegria reina entre todos! Muito divertidos, dirigimo-nos ao refeitório, onde se comemorarão as famosas Bodas:

 

 

Finalmente, no refeitório, começamos a festa. Há "vinho" para todos!

Ou não? Parece que há ali uns meninos a pedir mais, e parece que já se acabou... Será possível? Maria está atenta. E vai ter com Jesus:

- Filho, eles não têm vinho.

- Que temos nós com isso, Mãe? Ainda não chegou a minha hora!

 

Maria nem respondeu. Foi ter com os serventes - crismandos trabalhadores contractados à última hora... - e disse-lhes:

- Está entre nós um grande profeta. Chama-se Jesus. Façam tudo, tudo o que Ele vos disser!

Depois, Maria olhou para Jesus, e Jesus aproximou-Se dos serventes. Já sabem o que aconteceu então...

As "talhas" encheram-se de água, e - milagre! - a água transformou-se em "vinho"!

 

Levaram o vinho ao chefe da mesa, que com voz forte e muitos gestos exagerados (ou não fosse ele o Niall!) exclamou:

- Todos servem primeiro o vinho bom, e só depois de terem bebido bem, o mais fraco. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!!!

No meio de uma enorme animação, partimos então o bolo da noiva, e festejámos a valer!

 

Antes de abrirmos os nossos lanches, escutámos algumas palavras do senhor padre: "Os noivos de Caná tiveram uma ideia maravilhosa: convidar para a sua festa Jesus e Maria! Convidemos nós também, para a festa das nossas vidas, Jesus e Maria, e veremos os milagres acontecer!"

 

As Bodas de Caná (Jo 2, 1-12) são a grande celebração da presença de Deus na família. Em breve teremos novo retiro para Famílias de Caná, desta vez em Proença-a-Nova. Será uma óptima oportunidade para convidarmos Jesus e Maria a fazer a festa em nossa casa! Quem alinha?

 

 

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publicado às 08:50

Ilusionismo e evangelização

por Teresa Power, em 08.04.14

O Francisco, a Clarinha e o David iam ficar sozinhos em casa enquanto eu ia para mais uma reunião de avaliação. Antes de sair, organizei algum trabalho para eles fazerem, como arrumar a cozinha, estender a roupa e tratar das galinhas. E pedi ainda ao Francisco que escrevesse um texto para o blogue sobre ilusionismo e evangelização. Eles lá ficaram, contentes. Quando regressei, trazendo já comigo os três mais novos, deparei com este quadro:

 

 

 

- Que fazes aí em cima, Francisco?

- Estou a escrever o texto que me encomendaste. Agora não fales comigo e deixa-me concentrar!

 

Bem, aqui fica o texto do Francisco, tal qual ele o escreveu, empoleirado no tecto da garagem...

 

Escrito pelo Francisco:

 

Faço ilusionismo desde mais ou menos os treze anos, e desde então tenho vindo a praticar e a aperfeiçoar cada vez mais a minha arte.

Há dois anos atrás, o Colégio Salesiano de Mogofores organizou um espetáculo musical sobre S. João Bosco, e convidaram-me a participar. A princípio não percebi porquê, mas depois descobri que S. João Bosco, quando era jovem, também fazia ilusionismo e utilizava esta arte para evangelizar, explicando, por exemplo, a Santíssima Trindade através de um truque de cordas. Eu participei no musical e fiz de S. João Bosco jovem, não deixando de incluir na minha atuação um truque de magia.

Já faço espetáculos de magia em festas de anos, na escola e noutros eventos desde o ano passado. Aproveitando o facto de eu gostar tanto desta arte, o padre José Fernandes, nosso pároco, desafiou-me a fazer um espetáculo ao estilo de D. Bosco - um espetáculo evangelizador. A princípio fiquei um pouco baralhado, sem saber como poderia evangelizar utilizando magia. Mas começaram a vir ideias, e comecei a preparar truques evangelizadores.

Estreei o meu espetáculo evangelizador no primeiro retiro para Famílias de Caná e tive imenso sucesso. Comecei com um truque de luzes e dediquei o espetáculo a Jesus, a Luz do mundo. Colando uma imagem de Jesus nas costas de uma carta, acabei um truque de cartas dizendo ao espetador que ele tinha escolhido a carta que representava o sentido para a sua vida. Fiz magicamente aparecer um crucifixo do nada e terminei com um truque em que me libertava de uma corda que me prendia as pernas e as mãos, transmitindo a mensagem de que só Deus consegue desatar os verdadeiros nós da nossa vida. Tal como D. Bosco, terminei o espetáculo com uma Avé-Maria.

Dado o sucesso deste espetáculo, comecei a fazer mais e a melhorar a minha atuação e os ensinamentos. Ainda no sábado fiz um truque com cordas na festa de anos da minha tia e utilizei o truque para falar sobre Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que pouca gente conhece mas da qual o Papa Francisco é muito devoto. Todos têm aprendido com estes espetáculos, incluindo eu, que descobri que é possível evangelizar de qualquer maneira. Basta querer e crer!

 

 

 

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publicado às 09:09



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