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Dia da família

por Teresa Power, em 15.05.16

Que o Senhor abençoe hoje e sempre todas as famílias da Terra!

Que o Espírito Santo desça hoje e sempre sobre todos nós e nos espalhe pelo mundo como testemunhas da alegria do amor!

Deixo-vos a entrevista que ontem dei no Grupo Renascença, no programa Lusofonias. A entrevista pode ser ouvida a partir do minuto catorze e tem a duração de cerca de vinte minutos. Disfrutem!

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"Santo subito"

por Teresa Power, em 20.04.16

Quatro e meia da tarde. À porta do Colégio, aguardo que os meus filhos saiam das salas de aula e entrem no carro. O António e a Sara, que frequentam a pré-escola, já estão a meu lado, de mãos dadas comigo. Como sempre, a Lúcia é a última a chegar. Segundo me explicou a Clarinha - responsável por recolher os irmãos dispersos... - a Lúcia esquece-se sistematicamente de se dirigir para o portão da escola no fim do dia, tão ocupada está a brincar com as suas amigas. Assim, hoje, antes de abraçar a minha "ovelha perdida", sou brindada com uma interessante conversa com uma sua amiga, também ela à espera do pai, ao portão da escola:

- És a mãe da Lúcia?

- Sou sim!

- Ah, és tão velhinha!

 

A amiga da Lúcia originou boas gargalhadas lá em casa, sentados à mesa, à hora de jantar.

- Mamã, não és nada velhinha - Defendia-me o David, sempre muito cuidadoso com os outros - A Leonor disse isso por causa dos teus cabelos brancos. Sabes, tens alguns cabelos brancos!

Eu sei, claro. Nunca me maquilhei nem nunca pintei o cabelo (não por qualquer razão específica, descansem, apenas por feitio), por isso é natural que ele esteja mais branco do que o da maioria das mamãs.

- E se calhar és mais velha do que a mãe dela - Atalhava o António - Na minha escola, as mamãs costumam ser mais novas do que tu!

Isso eu também sei: há quinze anos que vou buscar crianças à mesma pré-escola, dia após dia, ano após ano. Durante estes quinze anos, já vi passar pela pré-escola muitas gerações de pais, e de todos eles, apenas eu continuo, teimosa, fiel, no mesmo sítio, como uma aluna repetente. É o que faz ser mãe de uma família numerosa...

Mas o comentário da Leonor fez-me pensar neste grande dom que Deus nos faz ao oferecer-nos o tempo.

A vida na Terra passa muito depressa. Um ano, vinte anos, cem anos - que é isso, comparado com a eternidade? A cada um de nós é-nos concedido apenas algum tempo, sempre muito curto, para prepararmos a nossa eternidade. A Jacinta de Fátima tornou-se santa em dez curtos anos de vida, e Chiara Badano, em dezoito... Outros santos precisaram de muitos mais anos, convertendo o seu coração ao Senhor depois de uma juventude desbaratada, como Agostinho e Francisco de Assis, ou até num último momento, como o Bom Ladrão crucificado ao lado de Jesus. Penso ainda nos mártires dos nossos dias, prontos para celebrar as Bodas do Cordeiro a qualquer idade, de um momento para o outro, entrando solenemente no céu pela Porta Santa do Sangue de Jesus... Há santos que o Senhor leva para Casa assim que conquistam a santidade, como Domingos Sávio ou Pier Giorgio Frassatti; e santos que o Senhor deixa na Terra por longo tempo, a fim de cumprirem a sua missão, como a Madre Teresa de Calcutá ou a Irmã Lúcia. Alguns santos partem para a eternidade deixando uma obra completa atrás de si, como Chiara Lubich e João Paulo II; outros partem de coração apertado, porque sabem que vão fazer muita falta a quem fica: Joana Molla, Chiara Petrillo, Zélia Martin - mães de família que, pela sua morte prematura, deixam crianças pequeninas e maridos em sofrimento. Mas diante do Senhor, que nos julga somente pelo amor, também a sua obra foi completa. Oh, se foi!

Escreveu S. Paulo:

 

"Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. Se, entretanto, eu viver corporalmente, isso permitirá que dê fruto a obra que realizo. Que escolher então? Não sei. Estou pressionado dos dois lados: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, já que isso seria muitíssimo melhor; mas continuar a viver é mais necessário por causa de vós.(Fl 1, 21-24)

 

Também eu vivo nesta tensão entre a vontade imensa de chegar a Casa o quanto antes - tenho grandes expetativas em relação ao Céu! - e a vontade imensa de cumprir o meu dever aqui na Terra, junto da minha família e de todos os que ainda precisam de mim, completando a obra que o Senhor me entregou. Talvez eu não chegue ao fim do dia de hoje... Ou talvez eu ainda esteja apenas a metade da minha vida na Terra. Só Deus sabe. Que triste seria se, no momento da morte, não estivesse preparada, vestida com o traje nupcial! É urgente ser santo, aqui e agora, já. "Santo Subito", como diziam os cartazes no funeral de S. João Paulo II...

"Ah, és tão velhinha!" Sim, Leonor, já passaram quarenta e três anos desde que me foi oferecido o dom da vida. Quando se é pequenino como tu, quarenta e três anos é muito, muito tempo... Mas ainda não foi tempo suficiente para me converter e me santificar, acreditas? Por isso, hoje, do alto dos meus cabelos brancos, quero agradecer ao Senhor cada nova manhã, cada nova graça, neste caminho tão curto que separa o meu nascimento na Terra do meu nascimento no Céu... Ámen!

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O mais velho de muitos irmãos

por Teresa Power, em 21.12.15

Escrito pelo Francisco:

 

Eu gosto de imensa coisa, tenho sempre imenso para fazer, muitas atividades… mas também tenho muitos irmãos. Nem sempre é fácil conciliar a magia, cubo mágico, invenções e construções que vou fazendo com a tarefa de grande responsabilidade, divertida (e trabalhosa) de tomar conta dos meus irmãos, em particular da Sara. Esta, quando só eu é que estou a tomar conta dela, passa o tempo agarrada a mim e a querer fazer tudo o que faço, seja ilusões com fogo ou projetos com eletricidade. Claro que assim que ouço “podes tomar conta da Sara uns minutinhos (ou umas horas)?” tenho de parar imediatamente qualquer atividade mais perigosa do que resolver um cubo mágico, se não quero sarilhos…

Mas com a prática comecei a conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, continuar a trabalhar com os mais pequenos ao colo ou agarrados às minhas pernas enquanto me atiram almofadas à cara. Sei os riscos de me sentar ao computador para editar um novo vídeo para o meu canal do youtube, mas já sei as técnicas para ter a Sara ao meu colo sem que ela clique no “Delete” demasiadas vezes e o António e a Lúcia suficientemente sossegados para não ficar com ruido de fundo numa gravação.

Faço muitos espetáculos de magia com crianças e treinar com os meus irmãos dá muito jeito para saber o que é que eles compreendem e não compreendem, ou evitar pequenos erros de ofício no que toca a motivar as crianças (não quero que, depois de um espetáculo meu, vão para casa enrolar uma corda à volta do pescoço e tentar soltar!). Se vejo que o António tenta imitar-me logo a seguir, já sei que tenho de ter cuidado com aquele truque, se vejo a Lúcia com ar de quem está a apanhar uma seca, vou logo ao documento onde tenho a rotina do espetáculo e apago esse truque da lista…

Mas não é tudo! Isto ajuda-me a ser muito mais paciente. Não é fácil estar a meio de soldar um LED a dois cabos num emaranhado de fios e ser interrompido pelo David a pedir ajuda com uma conta de dividir. E também não é fácil estar a ajuda-lo e pensar que o ferro de soldar pode estar a queimar a mesa de trabalho… Tenho de ter paciência e ordenar as tarefas por ordem de importância na minha mente: 1º Ajudar os manos, 2º salvar o trabalho no PC antes que a Sara o elimine. É uma luta na minha consciência, pois o cubo mágico de 5x5x5 está quase resolvido e demorou 10 min para chegar aquele ponto e o António está perigosamente entusiasmado com ele, mas a Clarinha está a precisar de ajuda para o teste do dia seguinte. Tenho que ir contra a minha vontade para seguir o lema JOY: Jesus first, Others second, You last.

 

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Jovens inspiradores

por Teresa Power, em 28.10.15

- Francisco e Clarinha, que tal se concorressem aos Jovens Inspiradores? Acabo de receber um mail da APFN. Parece-me que têm ambos o perfil adequado!

- Que disparate! - Responde-me o Francisco, encolhendo os ombros - Que tenho eu de inspirador? Não faço nada de especial, mãe.

- Nem eu! - Continua a Clarinha.

- Tudo depende do que entenderem por inspirador - Explico - Ser inspirador é mais uma forma de estar na vida do que qualquer outra coisa. Não se trata de um concurso de talentos!

Silêncio.

- Por exemplo, a forma como ambos ocupam os tempos livres é sem dúvida inspiradora para a juventude. Vocês não perdem um minuto do dia com futilidades! Ambos têm passatempos muito interessantes. A Clarinha pode falar das prendas que faz para oferecer às amigas com a sua máquina de costura. E o Francisco pode falar do tempo que gasta a aprender ilusionismo, e de como depois faz render o seu talento animando festas de anos e encontros de famílias.

- Já estou a entender - Diz a Clarinha, muito séria - Acho que também pode ser inspirador o facto de eu gostar de tomar conta dos manos e fazer bolos para os seus lanches...

- Claro! E porque não falar da tua perseverança na ginástica? Sorrindo através do esforço...

- Bem, eu levei a moda do "cubo mágico" para o colégio, há alguns anos atrás...

- Sim, Francisco, e continuas a ser modelo de jovem para muitos dos meninos que lá andam, aliando o estudo sério ao divertimento de qualidade. Isso é ser inspirador!

- Fala do teu guindaste hidráulico! E do teu canal, claro!

Sorrio:

- Bem, aqui têm o link do concurso. Agora fica nas vossas mãos!

 

Na quarta-feira passada, o Francisco e a Clarinha souberam que tinham ambos sido selecionados para a grande final do concurso Jovens Inspiradores. Que bela surpresa, para quem concorrera sem muita esperança! Agora era preciso ir a Lisboa para as entrevistas e para uma tarde festiva, no sábado. O Niall, naturalmente, ofereceu-se para os levar. Aproveitariam também para visitar uns amigos, que os acompanhariam na grande final.

As entrevistas foram momentos muito engraçados para ambos. O Francisco teve ocasião de resolver o cubo de Rubik diante do júri, e a Clarinha mostrou orgulhosamente a mochila feita por ela. 

- Francisco, sendo o mais velho de uma família numerosa, deves estar um pouco cansado de cuidar de crianças... Quantos filhos queres ter? - Perguntou o júri, já no final.

- Os que vierem - Foi a resposta pronta.

A da Clarinha não foi muito diferente:

- Muitos!

Por fim, gargalhadas descontraídas perante a pergunta do costume:

- Não ver televisão, não ter Facebook e não ter telemóvel não te faz sentir mal junto dos amigos?

 

Entretanto, em casa, eu e os quatro mais novos aguardamos notícias com o telemóvel na mão. A tarde vai passando, com muita chuva, e os meninos estão impacientes:

- Quando chega o pai?

- Quero o mano!

- Hoje a Clarinha não brinca comigo?

O telemóvel vibra. É um sms a chegar. Abro, e leio em voz alta:

"O FRANCISCO GANHOU!"

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       (fotografia na página do Facebook da APFN)

 

 Tento falar com o Niall ao telemóvel, mas ele está ocupado a bater palmas e a escutar as amáveis palavras dos promotores do concurso.

- Mamã, o júri disse que eu também devia ter ganho o prémio, mas só podia ganhar um, pois concorremos ambos no mesmo grupo dos catorze aos dezassete - Conta-me à noite a Clarinha, muito feliz - E disse também que toda a nossa família está de parabéns, porque para educar dois jovens assim é preciso que a família seja toda ela inspiradora. Ficas contente?

Fico, sim, fico contente... Penso na Carta de S. Paulo ao seu querido Timóteo:

 

"Permanece firme naquilo que aprendeste e de que adquiriste a certeza, bem ciente de quem o aprendeste. Desde a infância conheces a Sagrada Escritura, que te pode instruir, em ordem à salvação pela fé em Cristo Jesus." (2Tm 3, 14-15)

 

Mas que prémio foi esse que o Francisco recebeu?

- Recebi um computador Touchscreen, fantástico! Mas como eu já tenho um ótimo computador, este fica para a Clarinha. Ela estava a precisar de um... - Explica-me o Francisco, com simplicidade.

Sorrio, agora com muito mais orgulho. Fico a pensar no que significa ser inspirador... A própria forma de se receber um prémio pode ser inspiradora! Afinal, foram mesmo ambos os vencedores... São nove horas da noite, e os meus seis filhos estão reunidos em torno de uma caixa de cartão. A Clarinha abre-a, muito feliz, e retira de lá o seu computador, novinho em folha. Todos querem ver como funciona. O Francisco vai ajudar a instalar o que for necessário. As exclamações de alegria são muitas e barulhentas...

 

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O argueiro, a trave e os filhos

por Teresa Power, em 24.09.15

Hora de oração familiar. Junto ao Canto de Oração, lemos as leituras da missa do dia.

 

"E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão." (Lucas 6:41,42)

 

Ainda não acabei de ler, e já as perguntas chovem:

- O que é um argueiro?

- E uma trave?

- Um argueiro é uma coisa pequenina, um grão de poeira, e uma trave é uma coisa grande - Explica o Francisco, solícito.

- Não percebi o que Jesus disse então...

- Quem quer explicar?

A Clarinha aventura-se:

- Quer dizer que, antes de apontarmos os erros dos outros, temos de corrigir os nossos.

- Mas - Intervém o David com ar importante - os pais passam a vida a fazer isso mesmo! Eles zangam-se quando fazemos as coisas erradas, mas eles também fazem coisas más!

O Niall e eu trocamos um sorriso cúmplice. O tema que o David trouxe à nossa discussão não nos é absolutamente nada estranho. Quantas e quantas vezes conversamos entre nós sobre as oportunidades de crescimento que os filhos nos proporcionam!

- David - respondo - Tens toda a razão! Os pais não têm o direito de dizer aos filhos para não gritar, se eles gritam por todo o lado; ou de lhes dizer que não se deve mentir, se eles lhes mentem; ou de os mandar rezar, se não rezam; ou de os obrigar a estudar, se eles fogem às suas obrigações de trabalho!

- Nós sabemos disso - Acrescenta o Niall - E podes ter a certeza, David, que ter seis filhos é uma escola de santidade magnífica! Por vossa causa, para vos podermos educar corretamente, nós sentimo-nos desafiados a corrigir os nossos defeitos.

 

Já depois de os deitarmos, o Niall e eu continuámos a nossa conversa:

- Já pensaste em tudo o que aprendemos graças aos filhos? - Perguntou-me ele.

- Oh, sim! Lembras-te do caos da nossa casa só com um filho? Da nossa insegurança, da nossa incapacidade em atender a várias frentes ao mesmo tempo...

- Nessa altura, também discutíamos por tanta coisa sem importância!

- E perdíamos tanto tempo com futilidades! Ter todos estes filhos obrigou-nos a selecionar muito bem as nossas atividades, leituras, conversas, passatempos...

- Mas talvez o mais importante tenha sido a nossa relação com Deus.

- Sim, foram os nossos filhos que nos desafiaram a construir um Canto de Oração cada vez mais bonito, e sobretudo, foi para os educar na fé que a nossa oração familiar se transformou na rotina maravilhosa que é hoje.

- É verdade... São as suas perguntas, as suas dúvidas, a sua curiosidade que nos lançam na procura das respostas!

- E são eles que, nos dias de maior agitação, nos desafiam: então hoje não rezamos?

- Deus tem formas diferentes de ajudar as pessoas a alcançar a santidade. O sofrimento é uma escola magnífica, o serviço dos outros é outra, a vida sacerdotal ou consagrada outra. A nossa escola é uma família numerosa, que todos os dias nos desinstala, que nos obriga a interromper os nossos trabalhos e o nosso descanso vezes sem fim, que nem sequer nos permite rezar em paz!

- Ninguém se santifica sentado num sofá...

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A Sara e o bocadinho (a) mais

por Teresa Power, em 21.09.15

A Sara fez ontem três anos, e a nossa casa está em festa!

Meu Deus, já foi há três anos atrás que ela nasceu... A minha prenda dos quarenta anos! Como cresceu depressa, enchendo a nossa casa de alegria e gargalhadas! Ontem, no fim da missa, teve direito à canção dos parabéns - e o David, claro, também!

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Antes da Sara existir dentro de mim, a nossa vida familiar tinha atingindo um equilíbrio (quase) perfeito. Com cinco filhos, conseguíamos viajar todos no mesmo carro de sete lugares e chegávamos ao fim do mês sem dinheiro, mas também sem dívidas. Além do mais, tínhamos recuperado a tranquilidade do nosso quarto de casal, pois o António acabara de se mudar para o quarto dos rapazes. E que bem que sabia poder voltar a ler na cama sem medo de incomodar um bebé!

Tanta tranquilidade (relativa, claro, porque cinco filhos... não deixam de ser cinco filhos!) deixou-nos incomodados. O Niall e eu sabíamos que eramos capazes de dar um bocadinho mais ao Senhor. Não estaria Ele a bater à nossa porta, esperando de nós um sim alegre?

Foi por isso que nos abrimos conscientemente (embora nunca tivessemos estado fechados) a uma nova vida. E a recompensa do nosso pequeno sim foi esta bela prenda, a nossa querida Sara!

Com o nascimento da Sara, deixámos de caber todos no mesmo carro; já não chegamos ao fim do mês sem dívidas; o cesto da roupa para passar ficou um bocadinho maior; voltámos a ter, por mais um ano, um bebé no quarto e a deitarmo-nos às escuras... Mas em contrapartida, temos mais ocasiões para dar gargalhadas; voltei a passear um bebé no "pano", bem juntinho ao meu coração, que é das melhores coisas da vida; a casa voltou a encher-se daquele delicioso cheirinho a bebé; e voltámos a viver os momentos únicos e absolutamente extraordinários do primeiro passo, da primeira palavra, do primeiro beijo. A Sara foi um bocadinho mais de esforço oferecido ao Senhor; mas foi sobretudo um bocadinho mais de bênçãos que o Senhor nos ofereceu!

 

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Quando alguém me diz: "Agora a nossa vida está perfeita: temos o número certo de filhos, e outro que viesse seria a mais", fico sempre a pensar, num misto de brincadeira e seriedade que, se calhar, é o momento perfeito para... mandar vir outro bebé! É que um sinal claro da passagem de Deus é precisamente uma doce perturbação. Não é isso o que o Evangelho nos diz? Quando o Anjo do Senhor anunciou a Maria a Boa Notícia do Evangelho, diz-nos Lucas que

 

"Maria ficou perturbada, pensando no que poderia significar tal saudação." (Lc 1, 29)

 

Contudo, como o Papa Francisco disse já repetidas vezes, alguns cristãos têm na porta do coração um letreiro a dizer: "Não perturbar"...

Senhor, vem hoje de novo, com o teu sopro, desarrumar a minha vida, despentear os meus cabelos, perturbar a minha falsa paz!

Senhor, que eu não tenha receio das tuas visitas - em qualquer área da minha vida - mesmo as mais inesperadas! Ajuda-me a dar-te sempre "um bocadinho mais", porque qualquer um de nós, teus filhos, é capaz de muito mais do que imagina...

E graças, mil graças pelo dom da Sara, que é mil vezes melhor do que eu o sonhei!

Ámen.

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Feliz Dia dos Irmãos!

por Teresa Power, em 31.05.15

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Haverá melhor presente que um irmão?

 

"Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!" (Sl 133)

 

Feliz Dia dos Irmãos!

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publicado às 06:10

Tempo ganho e tempo desperdiçado II

por Teresa Power, em 30.05.15

Um dia destes, deparei-me com este texto de autor desconhecido (acho eu), circulando pela Internet:

 

Queres saber quanto vale…

Um ano? Pergunta a um estudante que falhou nos exames finais.
Nove meses? Pergunta a uma mulher grávida.
Um mês? Pergunta a uma mãe que deu à luz um bebé prematuro.
Um dia? Pergunta ao editor de um jornal diário.
Uma hora? Pergunta ao casal apaixonado que espera para se encontrar.
Um minuto? Pergunta a alguém que acaba de perder um comboio.
Um segundo? Pergunta a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.
Um milésimo? Pergunta a alguém que ganhou uma medalha de prata nos 100 metros rasos nas Olimpíadas.

 

Como é verdade! Cada milésimo de segundo do nosso dia é importante, e é-nos oferecido por Deus como oportunidade para o amor.

Estava eu absorvida a pensar neste texto, enquanto lavava a louça, quando deparei com a carita da Sara esborrachada contra o vidro da janela da cozinha, do lado de fora, a olhar para mim e a rir-se. Ela sobe para o parapeito da janela puxando uma cadeira do jardim. Basta um segundo, pensei eu, e ela cai redonda no chão... Devagar, para não a assustar, saí da cozinha e agarrei-a com ambas as mãos, colocando-a no chão. Nesse mesmo instante, o António entrou a gritar na cozinha, com o joelho a sangrar, depois de uma brincadeira no jardim. E ainda eu desinfetava o seu joelho, quando o David veio ter comigo com o livro de Estudo do Meio e duas perguntas por responder.

Queres saber o valor de um segundo? Pensava eu... Vem a minha casa naquela a que eu chamo a "hora de ponta"! E de novo, a possibilidade de escolha: posso desperdiçar esta oportunidade, como faço tantas vezes, desatando a gritar que esperem, que não posso atender a todos ao mesmo tempo; ou posso aproveitar esta oportunidade que Deus me oferece para crescer em paciência e eficiência. "Nós, Jesus!" A santidade joga-se em cada segundo da nossa vida, e quem sabe disso, tem o segredo da sabedoria. Diz-nos o Salmo 90/89:

 

"Ensina-nos a contar os nossos dias,

Para podermos chegar ao coração da sabedoria."

 

Ámen!

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Amor de irmão

por Teresa Power, em 22.05.15

Na viagem de regresso do Retiro Famílias de Caná em Castelo de Neiva, a Lúcia lembrou-me:

- Mãe, amanhã vou a uma visita de estudo!

- É verdade, Lúcia, ainda nos falta essa! Chegar a casa, despejar os restos do piquenique e preparar novo piquenique para ti!

A Lúcia bateu palmas de excitação:

- Vou ao Portugal dos Pequeninos! E vou comer gelado. O gelado é grátis!

Ao chegarmos a casa, como se devem recordar, tínhamos uma ninhada de gatinhos recém-nascidos à nossa espera, e tralha e mais tralha para arrumar. Pouco tempo sobrou para pensar na merenda da Lúcia ou no seu passeio. De vez em quando, contudo, ela lembrava-nos:

- Mamã, não podemos esquecer de levar o banquinho do carro! É obrigatório! E eu quero levar Nuggets. O papá pode ir comprar?

Respondíamos a tudo que sim, e lá continuávamos a arrumar. Até que chegou a hora de deitar. Um a um, deitámos os mais pequeninos, depois foi a vez do David... Fechei as luzes dos quartos e regressei à cozinha, onde continuei a trabalhar.

Foi então que senti passinhos no corredor. Era o David.

- David, não estás a dormir? Passa-se alguma coisa?

Baixinho, para não acordar ninguém, o David murmurou:

- Vim dizer-te para não te esqueceres da visita de estudo da Lúcia... Ela tem de levar uma boa merenda, mamã!

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Tenho recebido mails e trocado palavras com mães de um ou dois filhos, cansadas e sobressaltadas com todo o trabalho que envolve a maternidade.

Eu lembro-me muito bem da passagem de um para dois filhos, e de como foi difícil gerir uma família a crescer! Lembro-me das crises de ansiedade, do stress, do cansaço, do desânimo. Lembro-me das lágrimas, das dores de cabeça. Lembro-me das noites mal dormidas e das birras longas e difíceis dos mais velhos. Lembro-me de achar que não ia ser capaz... Lembro-me de ver outras famílias com muitos filhos e de me perguntar: "Como é que eles fazem?" Lembro-me de perguntar à minha cunhada, na altura com três filhos, se dava banhos todos os dias ou como fazia para dar de mamar e ao mesmo tempo impedir que o mais velhito não se atirasse de uma escada abaixo. Lembro-me de me sentir incapaz e inútil. Lembro-me...

Mas lembro-me de outras coisas também! Lembro-me das gargalhadas, das festas, dos saltos, da alegria. Lembro-me da primeira vez que o Francisco pegou na Clarinha ao colo. Lembro-me dos abraços que os dois davam ao Tomás. Lembro-me da festa que foi o nascimento do David, três meses depois da morte do Tomás. Lembro-me de como o Francisco, então com sete anos, me repetia vezes sem conta:

- Obrigada, mamã, por me dares este mano!

Custa, dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Custa. Irá ser difícil adaptarmo-nos? Sim. Vão surgir momentos em que nos parece que fizemos asneira? Vão. Os mais velhos irão fazer birras? Certamente que sim, não porque tiveram um irmão (nós é que gostamos de fazer associações...), mas porque todas as crianças fazem birras ao crescer.

Vale a pena dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Dificilmente lhes daremos presente melhor! Oferecer um irmão a uma criança é oferecer-lhe a oportunidade de amar e cuidar de alguém. Os irmãos fazem-nos vencer o nosso egoísmo natural, ensinam-nos a resolver conflitos, forçam-nos a partilhar afetos, tempo e brincadeiras, e despertam em nós a solidariedade e a compaixão.

O David estava cheio de sono, mas na sua cabecinha de criança de oito anos não passavam apenas imagens do passeio do fim-de-semana: na sua cabecinha de criança de oito anos estava bem marcada a imagem da sua querida irmã Lúcia, que corria sérios riscos (segundo ele, claro...) de acordar de manhã e não ter uma merenda digna de visita de estudo. O seu amor fraternal foi mais forte que o cansaço, e o David não hesitou em saltar da cama para me recordar as minhas obrigações maternais...

 

"Que fizestes de teu irmão?" (Gen 4, 10)

 

A voz de Deus ecoa ao longo de toda a Bíblia. Possam os nossos filhos aprender, em família, a fraternidade dos filhos de Deus. Ámen!

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E por falar em irmãos... Já assinaram a Petição pelo Dia dos Irmãos? São precisas quatro mil assinaturas. Assinem e passem palavra!

 

 

 

 

 

 

 

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O cordel dobrado em...seis

por Teresa Power, em 11.01.15

Educar uma família numerosa é uma escola de vida. Olhando para cada um dos meus filhos, dou-me conta da grande aprendizagem que é ter irmãos.

Naturalmente que não se aprendem as mesmas lições como irmão mais velho ou como irmão mais novo! As lições são diferentes. Assim, um irmão mais velho aprende cuidando dos mais pequenos, vendo o seu espaço a ser progressivamente invadido, os seus brinquedos e objectos pessoais usados e abusados, os seus pais cada vez mais partilhados. Os mais novos, ao contrário, não precisam de muitas lições para aprender a partilhar, a ceder, a deixar tirar, porque nascem num espaço que já pertence a todos e crescem num colo que já pertencia a outros antes deles nascerem. Contudo, também precisam de aprender muitas coisas: aprender a esperar pela sua vez, aprender a escutar os mais velhos, aprender a obedecer.

- Es-pe-ra! - Soletrava a Sara com a mão erguida, dirigida ao primo que me estendia o pé para eu apertar o sapato, enquanto eu tentava vestir o António.

Também nós, pais, precisamos de aprender lições diferentes. Por exemplo, em relação aos filhos mais velhos, precisamos de aprender a não deixar de dar mimo, enquanto aumentamos a responsabilidade; e em relação aos filhos mais novos, a não facilitar na responsabilidade, enquanto aumentamos o mimo.

Como em todas as escolas, também na escola da família se aprende tanto nas "aulas" como no "recreio". O Niall e eu estamos muito conscientes da importância deste "recreio familiar" na educação dos nossos filhos: é preciso que todos os irmãos cresçam uns com os outros, brincando uns com os outros e partilhando a vida uns com os outros. É muito fácil "deixar andar"! Mas quando se "deixa andar", apercebemo-nos de que o irmão mais velho já saiu para a universidade antes de ter tido tempo de conhecer o irmão mais novo. E assim se perdem os laços únicos que os deviam unir pela vida fora...

As famílias modernas sofrem grandes tentações de individualismo. Os irmãos tendem a ter amigos diferentes e interesses diferentes, passando pouco tempo uns com os outros, mesmo em férias. Cabe-nos a nós, pais, proporcionar e incentivar tempos fortes de lazer em família, mesmo à custa de algum prazer pessoal dos mais velhos. Para nós, é uma alegria quando vemos repetirem-se cenas como estas:

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Diz o Livro do Eclesiastes:

 

"É melhor dois do que um só.

tirarão melhor proveito do seu esforço.

Se caírem, um ergue o seu companheiro.

Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;

o cordel dobrado em três não se parte facilmente."

(Ecl 4, 9-12)

 

Não deixemos a educação da nossa família ao acaso, nem permitamos que o individualismo destrua a nossa casa familiar! Aproveitemos a calma do domingo para proporcionar aos nossos filhos brincadeiras e actividades em família, "um por todos, e todos por um"

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publicado às 06:42



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