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Outras formas de fecundidade

por Teresa Power, em 09.05.16

Ontem, sentada na cama antes de dormir, como costume, li alguns pontos da exortação pastoral A Alegria do Amor. E enquanto lia, o pensamento divagou e recordei-me de duas grandes lições de solidariedade das nossas famílias de origem que marcaram, uma a minha juventude, outra a juventude do Niall.

Era inverno em Castelo Branco, terra de muito frio. Sete e pouco da manhã. À porta, a minha mãe esperava um rapazito, que apareceu de boné enfiado e cabeça baixa. Na cozinha, nós as três, jovenzinhas, aguardavamos impacientes a visita, enquanto contemplávamos a mesa abundante que a minha mãe preparara: croissants, cereais, leite com chocolate, sumo de fruta. Ele chegou, sentou-se meio envergonhado, e comeu, comeu, comeu, um prato após o outro, como quem não comia há muito tempo... O ritual manteve-se até ao final do ano letivo. Quem era o rapazinho? Era um aluno da minha mãe, que faltava muito às aulas porque - descobriram as funcionárias - tinha fome a sério e, logo que a cantina abria para o almoço, não suportava nem mais uma aula. Numa altura em que a ajuda social escolar ainda não era um dado adquirido, a minha mãe decidiu resolver o assunto com as suas próprias mãos: de acordo com a mãe do menino, combinou que, de futuro, ele iria sair do autocarro na paragem anterior à escola, onde ficava a nossa casa, para o seu pequeno-almoço. E o menino deixou de ter fome - e de faltar às aulas. No ano seguinte, a minha mãe saiu Castelo Branco e deixou de poder dar o pequeno-almoço ao Hugo. Encontrou-o muitos anos depois, numa paragem de autocarro, quando ele, reconhecendo a sua antiga professora, foi ao seu encontro... Tinha crescido, era mecânico.

 

Irlanda, inverno também, mas certamente ainda mais frio. Lá fora levantara-se uma terrível tempestade. Era quase de noite, mas o pai do Niall ainda tinha que fazer na rua:

- Niall, Niall, veste o impermeável que temos de ir ao acampamento cigano - Disse-lhe ele.

Assim fizeram. O Niall recorda ainda hoje o pavor que sentiu dos cães do acampamento, que ladraram insistentemente à sua chegada. Mas nada deteve o seu pai, diretor da escola primária daquela zona da cidade, frequentada por muitas crianças ciganas. O chefe do acampamento recebeu o diretor com respeito.

- É perigoso ficarem aqui esta noite - Disse o pai do Niall, decidido - Venham, tragam as caravanas e os cavalos e podem ficar no recinto da escola, que tem algumas coberturas para vos proteger. Vou abrir-vos as portas da escola para usarem os chuveiros e a cozinha.

E foi assim que o acampamento cigano, com crianças e cavalos, foi transferido para o abrigo da escola primária, numa das noites mais terríveis do inverno irlandês.

 

Passaram os anos. O testemunho de solidariedade das nossas famílias, de que estes dois episódios são um pequeníssimo exemplo, continua a ecoar nos nossos corações e nas nossas vidas, e a impulsionar-nos a fazer o mesmo, aqui e agora. Tanto eu como o Niall, no seguimento do que vimos fazer em nossas casas, encaramos a vida profissional como missão, como testemunho cristão. Será que o conseguimos? As palavras de Jesus são claras:

 

"Tudo o que fizestes ao mais pequenino dos meus irmãos, a Mim o fizestes." (Mt 25, 40)

 

E que ponto da exortação pastoral foi este que me fez recuar tanto no tempo e contemplar demoradamente o testemunho recebido? Foi o ponto em que o Santo Padre relembra as famílias de que não se pode ser católico "separado" do mundo, fechado na sua casa sem relação com a sociedade circundante. Aqui fica então:

 

"Convém lembrar-nos também de que a adoção e a procriação não são as únicas maneiras de viver a fecundidade do amor. Mesmo a família com muitos filhos é chamada a deixar a sua marca na sociedade onde está inserida, desenvolvendo outras formas de fecundidade que são uma espécie de extensão do amor que a sustenta. As famílias cristãs não esqueçam que « a fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele. (...) A cada um de nós cabe um papel especial na preparação da vinda do Reino de Deus ». A família não deve imaginar-se como um recinto fechado, procurando proteger-se da sociedade. Não fica à espera, mas sai de si mesma à procura de solidariedade. Assim transforma-se num lugar de integração da pessoa com a sociedade e num ponto de união entre o público e o privado. Os cônjuges precisam de adquirir consciência clara e convicta dos seus deveres sociais." (181)

 

Assim seja!

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Felizes os pobres que o são no seu íntimo

por Teresa Power, em 22.09.15

De três em três dias, tenho de fazer o penso pós-operatório. Numa destas "agradáveis" sessões de enfermagem, tive uma interessante conversa com a enfermeira que me atendeu. O assunto vinha a propósito:

- Amamentou todos os seus filhos? - Perguntou-me ela delicadamente. Contei-lhe a minha história:

- Amamentei os três primeiros até eles não quererem mais. Tive três filhos sem nunca comprar um biberão! Tudo mudou com a morte do Tomás. O David nasceu três meses depois, e para minha grande tristeza, não tive nem uma gotinha de colostro para lhe oferecer... Quando a Lúcia nasceu, vibrei de entusiasmo perante a perspetiva de voltar a ter um bebé ao peito. Mas não foi assim: durante vários dias, esforcei-me por amamentar, fiz tudo o que pude, aguentei estoicamente as dores mais fortes, vi o peito ficar inflamado, vi a Lúcia chorar de fome, e por fim, desisti.

- Desistiu?

- Percebi que amamentar a Lúcia se estava a tornar numa fonte de angústia e stress totalmente desnecessária. Chorava ela, chorava eu, e isto dia após dia. A única solução era tirar o leite com uma máquina para lhe dar, o que me parecia bem mais arteficial do que dar um biberão de leite em pó, e sobretudo, impossível de praticar numa casa tão atarefada como a minha. Lembrei-me de uma frase que, muitos anos antes, o pediatra me dissera: "A hora da alimentação é a mais importante na vida de um bebé. É mil vezes preferível um biberão tranquilo que uma mama angustiada." Nunca esqueci aquilo... Decidi optar pelo biberão tranquilo. Foi uma experiência belíssima para todos - para mim, para o Niall, para os nossos outros filhos e, acima de tudo, para a pequena Lúcia. Quando o António e a Sara nasceram, eu já tinha feito as pazes com a minha incapacidade de amamentar, e voltei a dar biberão.

A enfermeira respirou fundo. Depois disse-me:

- Nem imagina o bem que me faz escutar isso! Eu estava no serviço de obstetrícia quando engravidei e tive o meu bebé. Eu não só sabia tudo sobre amamentação, como ajudava as outras mulheres a amamentar. Por isso foi uma imensa vergonha para mim descobrir que não era capaz de amamentar o meu próprio filho... Sofri horrores! Quando desisti de tentar, senti-me tão, mas tão envergonhada! Parecia que falhava no mais importante, e percebi que ninguém ali me compreendia.

Ficámos em silêncio durante uns breves instantes. Depois confidenciei-lhe:

- Nunca senti qualquer diferença, em termos de proximidade com o bebé,  entre o ato de amamentar os meus filhos e o ato de lhes dar o biberão, acredita? Sempre fiz ambas as coisas com total concentração, com total amor, com os bebés bem juntinho a mim e sem cair na tentação de delegar esta doce tarefa a outros. O que alimenta um bebé é, acima de tudo, o amor, e esse não é, de todo, uma questão de biologia! Tentámos, esforçámo-nos, esquecemo-nos de nós para servir o nosso bebé - não conseguimos. Aceitámos o nosso fracasso de cabeça erguida, como um ato de amor, e isso é o que importa!

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De regresso a casa, deparei com a cena do costume: os dois gatinhos bebés agarrados à mãe, mamando sofregamente... Parei a contemplá-los, como de costume também. Há poucas coisas mais bonitas na natureza que a visão de uma mãe a amamentar os filhos!

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Enquanto os contemplava, relembrei a nossa conversa. Pensei na mãe de Santa Teresinha, em breve canonizada, que não conseguiu amamentar vários dos seus bebés, e na forma desprendida e prática como sempre contornou a situação, sem frustrações nem lamentações.

Depois lembrei-me então que também eu, quatro filhos atrás, já estivera do lado daqueles que acham facílimo dar o peito e vergonhoso dar um biberão... Foi a minha própria experiência de fracasso, de vergonha, de pobreza, que me tornou mais humana e mais humilde, capaz de entender as experiências de fracasso, de vergonha e de pobreza dos outros.

Ter partos naturais, amamentar com facilidade, engravidar quando se quer são tudo dons gratuitos do Senhor, que Ele concede de acordo com a sua vontade. No entanto, quantas e quantas vezes nos apropriamos deles como riquezas pessoais, ou pior ainda, os associamos à nossa fé, como se fossem algo merecido pela nossa grande santidade, ou como se a sua falta fosse um castigo pelos nossos pecados... Seremos muito mais felizes fazendo as pazes, sorrindo, com as nossas limitações naturais. Ah, como é triste a vida de quem acha que Deus lhe deve alguma coisa!

"Tu queres, Jesus? Então eu também quero!" Assim rezava a jovem Chiara Luce Badano, perante a doença incapacitante que lhe roubou a juventude. E em vez do dom da saúde, recebeu de Deus o dom de uma alegria perfeita.

"Tu queres, Jesus? Então eu também quero!" Assim podemos nós rezar também perante a nossa vergonha, o nosso fracasso. E descobriremos que o Senhor tem para nós outros dons que não aqueles que tanto desejávamos - dons que nos irão surpreender, quando os quisermos aceitar...

É a experiência de fracasso e de pobreza que nos permite conhecer a verdadeira felicidade, a felicidade da Bem Aventurança que Jesus proclamou um dia, sobre a montanha:

 

"Bem aventurados os pobres que o são no seu íntimo, porque é deles o Reino dos Céus." (Mt 5, 3)

 

 

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Anjos disfarçados

por Teresa Power, em 16.09.15

15 de setembro. Primeiro dia de escola. O pai leva os filhos de manhã, e à hora de almoço - o primeiro dia é só uma manhã - a Isabel traz-mos a casa, pois ainda não posso conduzir.

Aguardo, impaciente, o som do carro a parar diante de casa, os passinhos apressados dos meninos, os sorrisos, os abraços. Foi só uma manhã, mas a primeira manhã de escola é uma manhã enorme para todos!

Finalmente, ei-los à porta.

- Olá mãe! Tenho uma menina nova na sala! - Diz-me a Lúcia de um fôlego só.

- Sim, vi as duas de mãos dadas no recreio a correr e a rir à gargalhada - Sussurra-me a Clarinha, com um sorriso cúmplice.

- E como se chama a tua amiga?

- Já não me lembro... Tem nome de desenho animado...

- Nome de desenho animado?!

- Chama-se Elsa - Diz o David, solícito como sempre.

- Ah, é isso! Elsa...

- Na minha sala há um rapaz com um nome bem mais esquisito - Diz a Clarinha. - Deve ser russo, ou ucraniano.

- Só eu não tenho meninos novos na sala...- Lamenta-se o David.

Sorrio, orgulhosa dos meus filhos, sempre desejosos de conhecer pessoas diferentes e disponíveis para acolher os que vêm de fora. Depois lembro-me que também eu, durante a manhã, me dediquei a estudar os nomes e os rostos da minha nova direção de turma, registados numa folha de papel que recebi por mail... Cheia de curiosidade, olhei cada rostinho simpático e pronunciei o nome correspondente. Como serão eles? Como será a nossa amizade?

A escola tem esta coisa fantástica de nos obrigar - professores e alunos - a sair do nosso pequeno círculo de amigos para ir ao encontro do outro. Acolhendo-nos uns aos outros nas nossas diferenças, aceitando os valores do outro sem deixar de vincar os nossos, pronunciando com carinho nomes estranhos - de desenhos animados ou com melodias exóticas - pomos em prática um dos mais elevados princípios bíblicos, praticado pelo povo de Deus desde tempos imemoriais: a hospitalidade. Disse S. Paulo, numa alusão a  Abraão e outros personagens bíblicos:

 

"Não vos esqueçais da hospitalidade, pois graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos." (Hb 13, 2)

 

Quantos anjos disfarçados chegam todos os dias à Europa, e em breve, a cada uma das nossas escolas! Quantos anjos disfarçados nos desafiam todos os dias nas nossas salas de aula, e aos nossos filhos nos recreios onde brincam! Geralmente chamamos-lhes muitas outras coisas...

Senhor, que eu não desperdice nenhuma oportunidade de acolher os anjos que me envias! Ámen!

 

Por falar em disfarce...

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publicado às 06:12

Bicicletas e o burrito de Nossa Senhora

por Teresa Power, em 05.09.15

Há 417 anos que a paróquia de Mogofores faz a sua peregrinação anual, no primeiro sábado de setembro, a Nossa Senhora da Paz, na aldeia do Beco, a trinta quilómetros. A história desta peregrinação é muito curiosa e vem contada no blogue da Lena Barros, As Surpresas de Deus, aqui.

Nas últimas semanas, todos nós, europeus, temos experimentado sentimentos de profunda tristeza perante as imagens chocantes que nos chegam dos migrantes que fogem da guerra. E temos dentro do peito uma pergunta constante: como poderemos transformar as nossas lágrimas e a nossa dor em algo de útil para quem tanto sofre? A Renascença sugeriu aqui várias coisas que talvez muitos de nós possamos fazer. Vale a pena refletir sobre elas e deixarmo-nos desafiar! Mas faltou sugerir - tratando-se de uma emissora católica - duas coisas essenciais: a oração e o sacrifício.

Que poder têm a minha oração e o meu sacrifício para combater a miséria, a guerra, a perseguição, a fome, a dor? O poder que Deus lhes quis atribuir, e que é imenso... Sim, quando unimos a nossa oração e a nossa dor à Cruz de Jesus, o que em nós é pequeno torna-se grandioso, o que é frágil torna-se poderoso, o que é nada torna-se tudo n'Aquele que é Tudo em todos. A pequenina gota de água da nossa oração e do nosso sacrifício, derramada no cálice do Sangue do Senhor, torna-se verdadeira bebida, capaz de dessedentar os nossos irmãos mais necessitados. É afinal o mistério que proclamamos na recitação do Símbolo dos Apóstolos: "Creio na comunhão dos santos". Que boa notícia! Quer dizer que a minha oração sincera e aliada a um profundo esforço de santidade pode frutificar lá longe, junto dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo em busca de felicidade!

Bem, e o que tem a peregrinação ao Beco a ver com a triste história dos migrantes e o mistério da comunhão dos santos? Essa é a parte interessante deste post:

Este ano, pela primeira vez, a nossa família decidiu participar nesta peregrinação; e decidiu desafiar, em particular, a Aldeia de Caná de Mogofores e os jovens crismados que o Niall acompanha, para juntos fazermos uma peregrinação diferente: de bicicleta, pelos migrantes, a Nossa Senhora da Paz!

Sete da manhã. No santuário, junto à imagem de Nossa Senhora Auxiliadora em Saída, os nossos ciclistas rezaram o Shemá e a Consagração à Mãe de Caná e ofereceram a sua peregrinação pelos migrantes. Depois de uma curta meditação orientada pelo Niall, estavam prontos a partir, cheios de entusiasmo!

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O caminho foi feito de risos, de partilha, de algum esforço e de alguma meditação pessoal, como combinado:

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Quase a chegar ao Beco, numa descida acentuada, uma das jovens ciclistas perdeu o controlo da bicicleta durante uns breves segundos que a todos fez gelar o sangue, e com grande aparato, lançou-se em voo picado até ao chão, magoando uma mão e um joelho. Não vinha nenhum carro em sentido contrário... Mais uns metros à frente teria galgado um pequeno muro, precipitando-se numa ravina até ao rio... Bendita sejas, Mãe de Deus e nossa Mãe!

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Entretanto, em casa com os quatro mais novos, eu preparei o piquenique, e por fim fizemo-nos também à estrada, mas de carro. Pelo caminho, rezámos o terço, e chegámos ao Beco precisamente ao mesmo tempo!

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Ao redor da pequena igreja, foram-se reunindo os peregrinos, vindos uns a pé - entre os quais o nosso pároco -, outros de carro e autocarro, e outros, claro, de bicicleta. Depois, fizemos uma pequena procissão, rezando a Ladainha de Nossa Senhora e o Angelus:

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Por fim, entrámos na igreja, para celebrar a Eucaristia, em grande festa. Que alegria! O coração de todos exultava no Senhor, que nos desinstalara, que nos fizera sair de casa e do nosso conforto, e que nos reunia no seu amor. 

Como é bonita, a igreja do Beco! Tudo nela respira luz, cor e beleza. De entre todas as imagens, uma em especial tocou o meu coração:

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Nossa Senhora com o Menino, sentada num burrinho e conduzida por S. José... Foi há dois mil anos atrás, quando também a Sagrada Família foi uma família migrante e refugiada, fugindo a um rei louco e sanguinário. S. Mateus fez a reportagem de então:

 

"José levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes. (...) Então Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo..." (Mt 2, 10-18)

 

Dois mil anos passados, e a Sagrada Família continua migrante, escondida em cada mulher, em cada homem, em cada criança que procura asilo junto de nós...

Nossa Senhora da Paz, dai-nos a paz!

 

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Os charcos, as torrentes e a Europa

por Teresa Power, em 04.09.15

O verão está quase a terminar. Os dias longos na praia e na montanha estão a chegar ao fim... Com a ânsia de não desperdiçar a mais pequena parcela do verão, temos multiplicado as manhãs de praia e os piqueniques no Caramulo, pelo menos ao fim-de-semana. Assim, no sábado passado lá fomos nós até ao nosso lago preferido.

Mas o lago não estava com a transparência do costume:

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- Mãe, olha, a água está cheia de folhas e algas!

- Vamos apanhar o lixo todo com as nossas redes antes de mergulharmos!

- Sim, vamos!

- Não se preocupem, meninos, que este lixo não é lixo humano - Apressei-me a explicar - É simplesmente o resultado da falta de chuva.

- Nós sabemos! Anda, David, vem mergulhar!

E lá fomos todos!

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Enquanto os meninos brincavam na água, aproximei-me da fonte que alimenta o lago. Que diferente estava! Em vez de correr em bica, abundante, transparente e fresca, a água pingava vagarosamente no pequeno tanque, onde adormecia numa poça de musgo e algas.

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As águas que deixam de correr tornam-se pouco a pouco num charco lamacento e mal cheiroso... Sem força para rebentar os diques e transbordar, as águas paradas perdem a frescura, a novidade e a beleza. Lembrei-me de Isaías:

 

"Assim como a chuva e a neve descem do céu, e não voltam mais para lá, senão depois de empapar a terra, de a fecundar e fazer germinar, para que dê semente ao semeador e pão para comer, o mesmo sucede à Palavra que sai da minha boca. Não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão." (Is 55,  10-11)

 

A Palavra do Senhor é chuva que faz as fontes romper a terra e os rios transbordar. A Palavra do Senhor é água de torrente, capaz de romper os diques e inundar os campos. A Palavra do Senhor desimpede charcos e desinstala vidas, incapaz de se deter.

Não tenho qualquer dúvida de que as torrentes de migrantes que chegam às praias do Mediterrâneo todos os dias são, para nós Europa, Palavra do Senhor, a única capaz de nos desinstalar e de nos desafiar ao amor... Como o pequeno lago do Caramulo, também o nosso continente e os nossos corações precisam de se deixar inundar, derrubando todos os muros, para que a Água Viva nos limpe, nos liberte, nos purifique e nos salve.

Queremos escutar a voz de Deus no conforto de um sofá, mas Ele só Se faz ouvir na torrente que desinstala...

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publicado às 06:10

Amor de irmão

por Teresa Power, em 22.05.15

Na viagem de regresso do Retiro Famílias de Caná em Castelo de Neiva, a Lúcia lembrou-me:

- Mãe, amanhã vou a uma visita de estudo!

- É verdade, Lúcia, ainda nos falta essa! Chegar a casa, despejar os restos do piquenique e preparar novo piquenique para ti!

A Lúcia bateu palmas de excitação:

- Vou ao Portugal dos Pequeninos! E vou comer gelado. O gelado é grátis!

Ao chegarmos a casa, como se devem recordar, tínhamos uma ninhada de gatinhos recém-nascidos à nossa espera, e tralha e mais tralha para arrumar. Pouco tempo sobrou para pensar na merenda da Lúcia ou no seu passeio. De vez em quando, contudo, ela lembrava-nos:

- Mamã, não podemos esquecer de levar o banquinho do carro! É obrigatório! E eu quero levar Nuggets. O papá pode ir comprar?

Respondíamos a tudo que sim, e lá continuávamos a arrumar. Até que chegou a hora de deitar. Um a um, deitámos os mais pequeninos, depois foi a vez do David... Fechei as luzes dos quartos e regressei à cozinha, onde continuei a trabalhar.

Foi então que senti passinhos no corredor. Era o David.

- David, não estás a dormir? Passa-se alguma coisa?

Baixinho, para não acordar ninguém, o David murmurou:

- Vim dizer-te para não te esqueceres da visita de estudo da Lúcia... Ela tem de levar uma boa merenda, mamã!

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Tenho recebido mails e trocado palavras com mães de um ou dois filhos, cansadas e sobressaltadas com todo o trabalho que envolve a maternidade.

Eu lembro-me muito bem da passagem de um para dois filhos, e de como foi difícil gerir uma família a crescer! Lembro-me das crises de ansiedade, do stress, do cansaço, do desânimo. Lembro-me das lágrimas, das dores de cabeça. Lembro-me das noites mal dormidas e das birras longas e difíceis dos mais velhos. Lembro-me de achar que não ia ser capaz... Lembro-me de ver outras famílias com muitos filhos e de me perguntar: "Como é que eles fazem?" Lembro-me de perguntar à minha cunhada, na altura com três filhos, se dava banhos todos os dias ou como fazia para dar de mamar e ao mesmo tempo impedir que o mais velhito não se atirasse de uma escada abaixo. Lembro-me de me sentir incapaz e inútil. Lembro-me...

Mas lembro-me de outras coisas também! Lembro-me das gargalhadas, das festas, dos saltos, da alegria. Lembro-me da primeira vez que o Francisco pegou na Clarinha ao colo. Lembro-me dos abraços que os dois davam ao Tomás. Lembro-me da festa que foi o nascimento do David, três meses depois da morte do Tomás. Lembro-me de como o Francisco, então com sete anos, me repetia vezes sem conta:

- Obrigada, mamã, por me dares este mano!

Custa, dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Custa. Irá ser difícil adaptarmo-nos? Sim. Vão surgir momentos em que nos parece que fizemos asneira? Vão. Os mais velhos irão fazer birras? Certamente que sim, não porque tiveram um irmão (nós é que gostamos de fazer associações...), mas porque todas as crianças fazem birras ao crescer.

Vale a pena dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Dificilmente lhes daremos presente melhor! Oferecer um irmão a uma criança é oferecer-lhe a oportunidade de amar e cuidar de alguém. Os irmãos fazem-nos vencer o nosso egoísmo natural, ensinam-nos a resolver conflitos, forçam-nos a partilhar afetos, tempo e brincadeiras, e despertam em nós a solidariedade e a compaixão.

O David estava cheio de sono, mas na sua cabecinha de criança de oito anos não passavam apenas imagens do passeio do fim-de-semana: na sua cabecinha de criança de oito anos estava bem marcada a imagem da sua querida irmã Lúcia, que corria sérios riscos (segundo ele, claro...) de acordar de manhã e não ter uma merenda digna de visita de estudo. O seu amor fraternal foi mais forte que o cansaço, e o David não hesitou em saltar da cama para me recordar as minhas obrigações maternais...

 

"Que fizestes de teu irmão?" (Gen 4, 10)

 

A voz de Deus ecoa ao longo de toda a Bíblia. Possam os nossos filhos aprender, em família, a fraternidade dos filhos de Deus. Ámen!

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E por falar em irmãos... Já assinaram a Petição pelo Dia dos Irmãos? São precisas quatro mil assinaturas. Assinem e passem palavra!

 

 

 

 

 

 

 

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Guardas do nosso irmão

por Teresa Power, em 06.02.15

Cinco horas da tarde. Em menos de cinco minutos, saio da minha escola e páro em frente do Colégio dos meninos. A Clarinha e o Francisco já seguram os quatro irmãos mais novos pela mão ou ao colo, e nem preciso de desligar o motor do carro: de uma vez, todos entram no carro, e lá se vão ajeitando e colocando os cintos de segurança, enquanto eu faço a manobra e conduzo em direção a casa.

- Que tal o dia? - Pergunto, como habitualmente. E como habitualmente também, as vozes excitadas e cheias de pressa vão-se sobrepondo.

- Fiz teste, e correu bem, apesar de ser Matemática.

- Que bom, Clarinha!

- E eu estive a treinar para as Jornadas Culturais. Estou a organizar uma competição de "cubos mágicos" para os mais pequeninos.

- Bela ideia, Francisco!

- E eu! E eu! - Vai dizendo a Sara, que nunca perde a ocasião de repetir o que ouve aos mais velhos.

- Hoje foi o melhor dia de sempre!

- Porquê, Lúcia?

- Porque estivemos com os nossos padrinhos! Jogámos ao "Lencinho vai na mão" e ao "Gato e Rato", todos juntos numa grande roda. Foi tão divertido!

 

Os padrinhos e as madrinhas são uma das melhores invenções do Colégio. No início de cada ano letivo, os alunos do 12º ano apadrinham, cada um, um ou dois alunos do primeiro ano. Os mais velhos, prestes a partir, e os mais novos, acabados de chegar, tornam-se assim aliados na grande aventura escolar. Durante o ano, os padrinhos oferecem algumas das suas horas de almoço para organizar brincadeiras com os seus pequeninos afilhados. Às vezes, a Lúcia traz rebuçados ou gomas para casa, oferta dos seus padrinhos, ou ainda, um pequeno cartão com uma mensagem - gestos de amizade que tornam seguro, para ela, o espaço escolar. Os "grandes" deixam de ser vistos como uma ameaça, o recreio torna-se uma festa de irmãos.

 

Conheço vários pais preocupados com a tendência crescente em agrupar numa mesma escola as crianças do primeiro ciclo ao secundário. Penso que, trabalhando com afinco nas Associações de Pais, a proposta de apadrinhamento - tanto dos alunos uns pelos outros, como dos professores pelos alunos, como contei aqui - é uma proposta transformadora do espaço escolar. E, claro, uma proposta profundamente cristã: a Bíblia inteira é atravessada pela pergunta de Deus a Caim, lá no início dos tempos:

 

"Onde está o teu irmão (mais novo)?" (Gen 4, 9)

 

 O Francisco faz parte dos "grandes". Enquanto conversávamos, ele contou-me como está a pensar organizar a competição de "cubos mágicos" para os alunos do colégio. Afinal, foi o Francisco que introduziu a moda dos cubos no colégio, há alguns anos atrás! Contou-me também como tenciona ajudar os professores a preparar a grande festa que são as Jornadas Culturais. Ser "grande", de verdade, é fazer valer a sua força e colocar os mais novos aos ombros...

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Jacintos selvagens

por Teresa Power, em 30.01.15

Num destes dias, recebi um mail muito simpático do diretor de uma das minhas turmas de Curso Vocacional: todos os professores estavam convidados a participar numa celebração festiva de "padrinhos e madrinhas" dos alunos!  Que celebração seria esta?

Em conjunto com a psicóloga da escola, cada aluno escolhera um professor com quem se sentia mais identificado, mais à vontade, mais em sintonia. Esse professor iria desempenhar junto do aluno o papel de padrinho /madrinha, ajudando-o a crescer como pessoa. No mail, descobri que fora selecionada por um dos alunos para madrinha. Senti-me particularmente honrada!

O dia da "cerimónia de investidura" chegou. Dirigi-me para a escola com muita curiosidade. Em que sala estariam os alunos do Curso Vocacional? O barulho não me deixou enganar.

Entusiasmadíssimos, os alunos saltitavam entre as carteiras, indicando aos professores o seu lugar. Sentei-me na carteira que me foi atribuída, sentindo-me um bocadinho estranha "deste lado" da sala de aula, e esperei. A psicóloga conduzia a actividade, com um sorriso feliz.

- Podemos começar? - Perguntou. Todos estávamos ansiosos!

Ligando o som do computador, a canção dos Delfins "Nasce Selvagem" percorreu a sala. Sempre adorei esta canção pop, e relacioná-la com as fotografias dos meus alunos, que entretanto iam sendo projectadas na tela, causou-me um arrepio. Cada um daqueles meninos cheios de problemas, cada um daqueles meninos com pouca higiene e nenhuma educação era afinal o protagonista de um vídeoclip musical, e de um filme real, a percorrer lentamente a tela cinematográfica da vida.

"Para ti serás alguém nesta viagem..." Cantavam os Delfins. E os meus alunos, em poses divertidas e fotogénicas, sucediam-se na tela, com sorrisos desafiantes, tentando descobrir para quem seriam eles "alguém"...

"Quando alguém nasce, nasce selvagem..." Viamo-los ali, nascidos mas não amados, "selvagens" desde a primeira hora, à espera de um abraço que lhes ensinasse o sentido de pertença...

 

Depois, na tela surgiu projetado o texto que, com a ajuda da psicóloga, eles tinham escrito para nós:

 

"APELO aos Padrinhos- MESTRES DE VIDA

O peso dum passado
A dor do presente
Que nos impedem de viver e ser homens
E voar……
Quem me dá a mão para não me afundar
Para sobreviver
Respirar.
Me acalma os ânimos
Ouve as minhas lágrimas escondidas?

Quem me dá abrigo
Amizade
Me faz rir
Me ensina a multiplicar
A escrever palavras de amor
A RECLAMAR A VIDA

Preciso que não desistam de mim
Me façam sentir com valor
Me ensinem do aço fazer aviões para voar
Me ajudem a ver e cuidar das flores que não vejo
QUE NÂO CONSIGO VER
Há Mestres de OBRAS
INSTRUTORES
EDUCADORES

Nós requeremos mãos de obra , TÉCNICOS ESPECIALIZADOS em vida pois ás vezes somos material perigoso, explosivo, poluente…
PRECISAMOS de Mestres de Vida: Moldadores de Homens
Mestres Mentores que me ajudem a tirar as vendas, abrir a mente e a ALMA

FAÇA-SE OBRA
DO BARRO SE MODELE VIDA
DO METAL SE GEREM ASAS PARA VOAR"

 

 

Cada "afilhado" ofereceu ao "padrinho / madrinha" um bolbo de jacinto, para plantarmos nos nossos jardins e nos recordamos que devemos ajudar a fazer crescer e a fazer florir. Enquanto dava um forte abraço ao meu "afilhado", recordei-me da Palavra do Senhor:

 

"O meu Amado desceu ao seu jardim.

Foi pastorear nos jardins e colher jacintos..."

(Cc 6, 2)

 

São precisas tantas combinações de elementos, para uma flor brotar e crescer! A minha contribuição é certamente limitada, mas nem por isso menos importante...

Senhor, que eu nunca desista de trabalhar nos canteiros que me ofereces para jardinar! Que eu perceba sempre a Tua presença suave, caminhando no teu jardim por entre as tuas flores...

bolbo.JPG

 

 

 

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A teologia das lágrimas

por Teresa Power, em 22.01.15

Costumo passar grande parte do meu serão, depois de deitar os meninos, ao computador, a trabalhar. O Niall, por seu lado, gosta de ver as notícias, e chama-me por vezes para me contar o que se passa no mundo.

- Repara nestas imagens do sofrimento causado pelo ébola - Disse-me, ontem à noite, enquanto assistia às notícias na BBC - A situação está o pior possível!

- Não tinha dado conta de que está tão grave.

- É natural. Os grandes temas da nossa televisão são o futebol e a crise, e o verdadeiro sofrimento do outro, a verdadeira crise que aflige os nossos irmãos em África e noutras partes do mundo passa-nos ao lado. Um dia dar-nos-emos conta do flagelo que o ébola significou, mas nessa altura já será tarde. Como o genocídio no Ruanda, por exemplo, que só chamou a atenção do mundo depois de ter feito oitocentas mil mortes em cem dias.

- Vivemos tão centrados em nós...

- Pois vivemos. Fazemos muito pouco pelos outros. E sabes porquê? Porque vivemos demasiadamente confortáveis.

- É verdade. Não entenderemos nunca o sofrimento do outro enquanto não experimentarmos um pouco de sofrimento também.

- Esse é uma das maiores bênçãos do sofrimento: amolecer o nosso coração, partir a pedra que temos dentro do peito, e tornar-nos humanos, verdadeiramente irmãos uns dos outros.

- Sim, como diz a Escritura:

 

"Dar-lhes-ei um só coração e infundirei neles um espírito novo. Extrairei do seu corpo o coração de pedra e dar-lhes-ei um coração de carne." (Ez 11, 19)

 

Em Manila, diante de 30 000 estudantes reunidos para escutar o Papa Francisco, uma menina de 12 anos chorou ao perguntar ao Papa porque sofrem as crianças. Esta menina vive actualmente numa instituição, mas já tinha procurado comida nos caixotes de lixo e dormido na rua.

As suas lágrimas disseram ao Papa que ela não se esquecera do que era sofrer; que ela experimentava em si mesma a dor do mundo; que o seu coração não era de pedra, mas de carne. Como o Papa depois explicou, as suas lágrimas fizeram teologia:

 

"Certas coisas da vida só podem ser vistas com os olhos limpos pelas lágrimas. Quem não aprender a  chorar, nunca será bom cristão. O mundo de hoje precisa de aprender a chorar, chorar pelos marginalizados, pelos abandonados, mas os que levam uma vida mais ou menos sem necessidades não sabem chorar."

 

Na verdade, precisamos de experimentar um bocadinho de dor para sermos solidários com quem sofre. As pequenas dificuldades de cada dia ou os grandes sofrimentos da vida podem ser bênçãos que o Senhor nos dá para amolecer o nosso coração... Eu preciso de sentir frio em casa para imaginar minimamente o que é ser sem-abrigo, e preciso de reconhecer que sou verdadeira pecadora para entender o que Jesus me ofereceu na Cruz...

 

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O cordel dobrado em...seis

por Teresa Power, em 11.01.15

Educar uma família numerosa é uma escola de vida. Olhando para cada um dos meus filhos, dou-me conta da grande aprendizagem que é ter irmãos.

Naturalmente que não se aprendem as mesmas lições como irmão mais velho ou como irmão mais novo! As lições são diferentes. Assim, um irmão mais velho aprende cuidando dos mais pequenos, vendo o seu espaço a ser progressivamente invadido, os seus brinquedos e objectos pessoais usados e abusados, os seus pais cada vez mais partilhados. Os mais novos, ao contrário, não precisam de muitas lições para aprender a partilhar, a ceder, a deixar tirar, porque nascem num espaço que já pertence a todos e crescem num colo que já pertencia a outros antes deles nascerem. Contudo, também precisam de aprender muitas coisas: aprender a esperar pela sua vez, aprender a escutar os mais velhos, aprender a obedecer.

- Es-pe-ra! - Soletrava a Sara com a mão erguida, dirigida ao primo que me estendia o pé para eu apertar o sapato, enquanto eu tentava vestir o António.

Também nós, pais, precisamos de aprender lições diferentes. Por exemplo, em relação aos filhos mais velhos, precisamos de aprender a não deixar de dar mimo, enquanto aumentamos a responsabilidade; e em relação aos filhos mais novos, a não facilitar na responsabilidade, enquanto aumentamos o mimo.

Como em todas as escolas, também na escola da família se aprende tanto nas "aulas" como no "recreio". O Niall e eu estamos muito conscientes da importância deste "recreio familiar" na educação dos nossos filhos: é preciso que todos os irmãos cresçam uns com os outros, brincando uns com os outros e partilhando a vida uns com os outros. É muito fácil "deixar andar"! Mas quando se "deixa andar", apercebemo-nos de que o irmão mais velho já saiu para a universidade antes de ter tido tempo de conhecer o irmão mais novo. E assim se perdem os laços únicos que os deviam unir pela vida fora...

As famílias modernas sofrem grandes tentações de individualismo. Os irmãos tendem a ter amigos diferentes e interesses diferentes, passando pouco tempo uns com os outros, mesmo em férias. Cabe-nos a nós, pais, proporcionar e incentivar tempos fortes de lazer em família, mesmo à custa de algum prazer pessoal dos mais velhos. Para nós, é uma alegria quando vemos repetirem-se cenas como estas:

brincadeira 1.JPG

brincadeira 2.JPG

brincadeira 3.JPG

Diz o Livro do Eclesiastes:

 

"É melhor dois do que um só.

tirarão melhor proveito do seu esforço.

Se caírem, um ergue o seu companheiro.

Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;

o cordel dobrado em três não se parte facilmente."

(Ecl 4, 9-12)

 

Não deixemos a educação da nossa família ao acaso, nem permitamos que o individualismo destrua a nossa casa familiar! Aproveitemos a calma do domingo para proporcionar aos nossos filhos brincadeiras e actividades em família, "um por todos, e todos por um"

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publicado às 06:42



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