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Tempo para brincar

por Teresa Power, em 11.01.16

A chuva cai desalmadamente do céu, como tem acontecido quase ininterruptamente nas duas últimas semanas. No jardim, apenas as galinhas esgravatam, felizes. Já pensámos até em vestir os fatos-de-banho para fazer natação no jardim, pois não sabemos de que outra forma podemos aproveitar o "lindo" relvado...

Mas é o último dia de Natal, e há que festejar! À mesa, acendemos as cinco velas da nossa "Coroa de Advento" e cantamos cânticos natalícios.

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Durante a tarde, ao desmanchar e arrumar o Presépio e a Árvore de Jessé, recordamos as férias de Natal.

- Lembras-te do passeio de bicicleta que fizemos?

- Sim, David, e aquele jogo de bola?

- Ah, a mãe fez um castelo de legos comigo!

- E o pai levou-nos ao parque...

- Estava tanto sol!

Sorrio, enquanto escuto os meus filhos a conversar sobre tanta brincadeira. Férias significa muita coisa. E uma das mais importantes é, sem dúvida alguma, a brincadeira. Em férias, temos tempo para brincar juntos, pais e filhos, sem pressas, sem horários. Ah, com que sofreguidão nós aproveitámos aqueles dias bonitos de sol! Mal sabíamos que seriam os últimos durante longas semanas!

Brincámos na praia...

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Brincámos no parque da Mealhada...

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Brincámos no parque da Curia...

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Brincámos no dia do Retiro, brincámos ao acordar e brincámos ao deitar. Quando chegou a chuva, brincámos em casa, pois então...

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E não pensem que só brincamos com os mais novos! Vejam como o Niall e o Francisco têm passado os seus serões, desde que o Natal trouxe este lindo presente ao Francisco...

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- Teresa, já reparaste no tempo que passamos a brincar? - Pergunta-me o Niall, feliz, depois de todos os enfeites de Natal arrumados e da sala aspirada. - Há quarenta e poucos anos que, mais do que tudo, brincamos... Brincámos em crianças, brincámos em jovens, os filhos vieram pouco depois e retomámos a brincadeira. E como ainda não deixámos de ter crianças em casa, ainda não deixámos de brincar!

- Tens razão!

- Para muitas pessoas, brincar é uma memória do passado, uma memória da sua infância ou da infância do seu filho, que entretanto cresceu. Há dezassete anos que temos crianças pequeninas... Ainda vai faltar algum tempo para que brincar com elas seja uma memória!

- Bem, o mais provável é que, ao deixarmos de brincar com os filhos, comecemos sem intervalo a brincar com os netos...

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Retomamos a conversa já depois dos filhos estarem todos a dormir.

- Sabes, Niall, para brincar com os filhos, como tu dizes, é preciso algum esforço. A brincadeira de que tu falas não é a brincadeira infantilizada de muitos adultos, que ocupam os seus tempos livres à volta de si mesmos, deixando a família sentada diante do televisor. Tu falas de uma brincadeira diferente, a brincadeira de quem se esquece de si mesmo para dar alegria ao outro...

- Sim, claro que sim. A partir do momento em que temos uma família ao nosso cuidado, a nossa felicidade passa sempre por ela. Brincar com os filhos, ou proporcionar aos filhos momentos divertidos, é bem mais interessante do que deixar os filhos em casa para satisfazer os nossos interesses pessoais!

- Nem todos acham isso...

- Porque nunca experimentaram verdadeiramente esquecer-se de si. Como fez Maria, correndo a visitar Isabel.

- Sabes o que descobri outro dia? Descobri que o Antigo Testamento termina com uma frase muito sugestiva.

- Ai sim? E que frase é essa?

- Ora escuta:

 

"Fará com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais..." (Ml 3, 24)

 

- E assim somos lançados no Novo Testamento, com Jesus. Não é bonito? Só Jesus pode fazer com que os corações dos pais e dos filhos se aproximem. Porque só Jesus pode dar sentido à nossa renúncia, à capacidade de nos esquecermos de nós para que o outro, o filho, se sinta amado.

- E o paradoxal é que é precisamente nesse esquecimento que encontramos a felicidade... Não te sentes plenamente feliz com tanta brincadeira, mesmo que com isso não tenhas tanto tempo para os teus hobbies pessoais?

- Se queres que seja sincera, nunca reparei numa contradição entre uma coisa e outra... Os meus hobbies pessoais passam cada vez mais pelo tempo de qualidade que passamos juntos. Acho que faz sentido: quando Deus repara no nosso esforço em renunciar ao nosso tempo livre para o dar à família, Ele também aumenta o prazer que encontramos neste tempo familiar, ao mesmo tempo que nos faz perder o interesse nos prazeres também bons, mas mais egoístas.

- Oh, de que maneira! Deus nunca Se deixa vencer em generosidade...

 

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A Sara e o bocadinho (a) mais

por Teresa Power, em 21.09.15

A Sara fez ontem três anos, e a nossa casa está em festa!

Meu Deus, já foi há três anos atrás que ela nasceu... A minha prenda dos quarenta anos! Como cresceu depressa, enchendo a nossa casa de alegria e gargalhadas! Ontem, no fim da missa, teve direito à canção dos parabéns - e o David, claro, também!

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Antes da Sara existir dentro de mim, a nossa vida familiar tinha atingindo um equilíbrio (quase) perfeito. Com cinco filhos, conseguíamos viajar todos no mesmo carro de sete lugares e chegávamos ao fim do mês sem dinheiro, mas também sem dívidas. Além do mais, tínhamos recuperado a tranquilidade do nosso quarto de casal, pois o António acabara de se mudar para o quarto dos rapazes. E que bem que sabia poder voltar a ler na cama sem medo de incomodar um bebé!

Tanta tranquilidade (relativa, claro, porque cinco filhos... não deixam de ser cinco filhos!) deixou-nos incomodados. O Niall e eu sabíamos que eramos capazes de dar um bocadinho mais ao Senhor. Não estaria Ele a bater à nossa porta, esperando de nós um sim alegre?

Foi por isso que nos abrimos conscientemente (embora nunca tivessemos estado fechados) a uma nova vida. E a recompensa do nosso pequeno sim foi esta bela prenda, a nossa querida Sara!

Com o nascimento da Sara, deixámos de caber todos no mesmo carro; já não chegamos ao fim do mês sem dívidas; o cesto da roupa para passar ficou um bocadinho maior; voltámos a ter, por mais um ano, um bebé no quarto e a deitarmo-nos às escuras... Mas em contrapartida, temos mais ocasiões para dar gargalhadas; voltei a passear um bebé no "pano", bem juntinho ao meu coração, que é das melhores coisas da vida; a casa voltou a encher-se daquele delicioso cheirinho a bebé; e voltámos a viver os momentos únicos e absolutamente extraordinários do primeiro passo, da primeira palavra, do primeiro beijo. A Sara foi um bocadinho mais de esforço oferecido ao Senhor; mas foi sobretudo um bocadinho mais de bênçãos que o Senhor nos ofereceu!

 

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Quando alguém me diz: "Agora a nossa vida está perfeita: temos o número certo de filhos, e outro que viesse seria a mais", fico sempre a pensar, num misto de brincadeira e seriedade que, se calhar, é o momento perfeito para... mandar vir outro bebé! É que um sinal claro da passagem de Deus é precisamente uma doce perturbação. Não é isso o que o Evangelho nos diz? Quando o Anjo do Senhor anunciou a Maria a Boa Notícia do Evangelho, diz-nos Lucas que

 

"Maria ficou perturbada, pensando no que poderia significar tal saudação." (Lc 1, 29)

 

Contudo, como o Papa Francisco disse já repetidas vezes, alguns cristãos têm na porta do coração um letreiro a dizer: "Não perturbar"...

Senhor, vem hoje de novo, com o teu sopro, desarrumar a minha vida, despentear os meus cabelos, perturbar a minha falsa paz!

Senhor, que eu não tenha receio das tuas visitas - em qualquer área da minha vida - mesmo as mais inesperadas! Ajuda-me a dar-te sempre "um bocadinho mais", porque qualquer um de nós, teus filhos, é capaz de muito mais do que imagina...

E graças, mil graças pelo dom da Sara, que é mil vezes melhor do que eu o sonhei!

Ámen.

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Deus nunca Se deixa vencer em generosidade

por Teresa Power, em 23.07.15

Quando o Senhor nos chama para orientarmos um Retiro Famílias de Caná, eu fico sempre cheia de curiosidade. Sim, curiosidade ante as surpresas que o Senhor nos reserva! Esta vida de missão tem-me revelado um Deus que nunca Se deixa vencer em generosidade. No Evangelho, Jesus disse:

 

"Quem der um copo de água fresca a um destes pequeninos por ele ser meu discípulo, não ficará sem recompensa." (Mt 10, 42)

 

Jesus não estava a brincar quando disse isto! Ele falava a sério. Na verdade, nos Retiros Famílias de Caná nós oferecemos aos pequeninos do Reino um pouco de água fresca, nas bilhas singelas da nossa vida; e que nos oferece Deus em troca? Amigos em todo o país e doses extra de felicidade!

É realmente giro escutar os mais novos a falar dos amigos que têm em Viana e na Raposa, em Almada e em Cascais, em Coimbra e em Proença; ou escutar o Francisco a conversar sobre cavalos com cavaleiros a sério, daqueles que o Francisco só via em filmes... e que agora são Famílias de Caná!

Bem, escutem então a surpresa deste nosso retiro:

 

A Clarinha foi para o Retiro de Proença a coxear, como se devem lembrar. Uma lesão nos ligamentos impedira-a de participar no espetáculo final do ano do clube de ginástica, arrancando à Clarinha muitas lágrimas e um sorriso de aceitação. Em vez de sessões de ginástica, a Clarinha passara a ter sessões de fisioterapia, mas a dor no joelho não cedia. E foi assim que chegámos ao retiro.

Ora quis a Providência Divina que uma das famílias participantes neste retiro - e que já conhecíamos do Retiro de Natal e do Retiro de Quaresma - fosse um casal de fisioterapeutas. O Tiago tem uma vasta experiência no trabalho com atletas de alta competição, bem como uma vasta experiência de ensino de fisioterapia como professor universitário. Enquanto caminhávamos da igreja paroquial para o seminário, depois da missa, fomos conversando, e lembrei-me de lhes falar da Clarinha.

- Terei todo o gosto em ver o que se passa com o seu joelho - Disse o Tiago, como se uma sessão de fisioterapia de alta qualidade, gratuita, no meio de um retiro fosse a coisa mais natural deste mundo.

Agradeci-lhe a generosidade, e depois do almoço, a Clarinha, de calças de ganga, deitou-se num dos bancos compridos do seminário. O Tiago manipulou o joelho da Clarinha através da ganga, durante algum tempo, sem recorrer a qualquer tipo de instrumento. Meia hora mais tarde, a Clarinha apareceu ao meu lado, com um sorriso de orelha a orelha:

- Mãe, estou curada!

Olhei para a minha filha sem conseguir falar. Como podia ser isso? Depois sorri, piscando interiormente o olho a Jesus, capaz de me surpreender a cada dia com a sua generosidade. E lembrei-me que o grande objetivo do retiro era encontrarmo-nos pessoalmente com o mesmo Cristo que passou na Galileia fazendo o bem e curando todas as doenças... Naquela tarde de domingo, como há dois mil anos atrás, Jesus passou e tocou a minha filha, devolvendo-lhe a saúde.  Fê-lo através da generosidade e do talento de um outro seu filho muito amado, porque acima de tudo, Deus gosta de fazer os seus milagres através uns dos outros!

 

Ontem, a Clarinha regressou aos treinos de ginástica e às piruetas na praia. A sua felicidade transbordante encheu o meu coração de gratidão. Que o Senhor abençoe quem assim nos ajudou! E que o nosso coração seja sempre um coração agradecido. Ámen!

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Vocação de leigos

por Teresa Power, em 26.08.14

Entre os 124 mártires coreanos que o Papa Francisco acaba de beatificar, apenas um era sacerdote chinês. Os restantes 123 eram, portanto, leigos coreanos! O Papa Francisco não se cansou de exaltar a beleza, a dignidade e a grandeza desta vocação no seio da Igreja. Na verdade, foram os leigos que introduziram o cristianismo na Coreia e que permitiram o seu crescimento até hoje! Já várias vezes antes o Papa Francisco se referira ao papel dos leigos na Igreja:

 

"Mas os leigos têm uma potencialidade nem sempre bem aproveitada. Basta pensar que o Batismo pode ser suficiente para ir ao encontro das pessoas. Faz-me lembrar aquelas comunidades cristãs do Japão que ficaram sem sacerdotes durante mais de 200 anos. Quando os missionários voltaram, encontraram todos os fiéis batizados, catequizados, validamente casados pela Igreja. Além disso, vieram a saber que todos os que tinham morrido tiveram um funeral católico. A fé tinha permanecido intacta pelos dons da graça que alegraram a vida dos leigos, que só tinham recebido o Batismo e viveram a sua missão apostólica." (Papa Francisco - Conversas com Jorge Bergoglio, ed. Paulinas)

 

Como sei que a História é conduzida por Deus, não me surpreendo nada com a crise actual das vocações sacerdotais. Sei que nunca nos faltarão sacerdotes, pois Jesus prometeu estar connosco até ao fim dos tempos, e sem sacerdotes não há Eucaristia, ou seja, Jesus entre nós; mas sei também que, se não fosse a escassez de sacerdotes, os leigos não teriam arregaçado as mangas e lançado a mão ao arado!

 

Faz este mês sete anos que deixámos os arredores de Aveiro para virmos morar em Mogofores. Nessa altura andávamos cansados - O Tomás morrera há um ano, o David era bebé, a minha profissão de professora fazia-me cirandar de escola em escola. Antes de irmos pela primeira vez à missa aqui em Mogofores, o Niall sugeriu-me:

- Teresa, acho que estamos a precisar de umas "férias paroquiais", ou seja, acho que não nos devemos envolver já nesta nova paróquia. Por favor, não te ofereças já para trabalho nenhum! Vamo-nos dar um tempo e ganhar algumas raízes aqui primeiro, OK?

 Prometi-lhe que sim.

No final da missa, dirigi-me ao sacerdote para lhe apresentar a minha família.

- Bem-vindos! - Respondeu-me o padre José Fernandes. - Vejo que têm três filhos... E vão frequentar a catequese?

- Sim, senhor padre. O Francisco acaba de fazer a primeira comunhão!

- Ah, que bom! O que nós precisávamos mesmo era de catequistas. Por acaso não estão interessados...?

- ... Bem... Acho que não...

- Que pena! É sempre assim. Quem pode não sabe, quem sabe não pode...

Respirei fundo:

- Está bem, senhor padre, seremos catequistas se assim deseja!

- Ótimo. Para a semana teremos a nossa primeira reunião. E por acaso sabem tocar algum instrumento, cantar...? O nosso coro está tão fraquinho!

Respirei fundo novamente, e nem me atrevi a olhar para o Niall:

- Bem, senhor padre, eu estou habituada a conduzir coros infantis... Toco guitarra, canto, isso tudo!

- Fantástico! Então domingo conto já consigo aqui na condução do coro e da assembleia!

Quando saí da igreja olhei pela primeira vez para o Niall. Ele abanava a cabeça, mas tinha um sorriso nos lábios:

- Tu nunca ouves nada do que te digo, pois não?

E cá estamos hoje ainda, na catequese, no coro, no trabalho com as famílias, no grupo de oração, onde for necessário!

 

"Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2, 5) disse Maria aos serventes, nas Bodas de Caná...

 

 

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Sim, há retiro!

por Teresa Power, em 09.07.14

Quando nasceram as Famílias de Caná? Bem, podemos dizer que nasceram quando a nossa família nasceu; mas também podemos dizer que nasceram no dia 14 de setembro, dia da Exaltação da Santa Cruz, quando realizámos o primeiro retiro, arriscando "colocar a luz sobre a mesa" para iluminar algumas famílias mais! Nesse dia, soubémos instintivamente que teríamos pela frente muito trabalho, talvez muitas viagens, porque a obra de Deus não se faz sem suor. Como disse Santa Teresa de Ávila: "É justo que muito custe o que muito vale." No entanto, também sabíamos que o nosso primeiro e principal campo de missão é a nossa própria família, e que Deus não desejava que roubássemos tempo aos nossos para a sua obra. Como conjugar as duas coisas?

Da forma mais simples possível: as Famílias de Caná são uma vocação específica na Igreja de santidade familiar. Uma Família de Caná, neste caso a minha, que oriente um retiro, não poderá nunca orientar um retiro sem o fazer em família. Isso significa que os nossos filhos não são um impecilho, mas antes, elementos essenciais nesta nossa vocação de Igreja e na transmissão da fé a outros!

Assim, os nossos seis filhos participaram nos quatro retiros e no reencontro de Famílias de Caná, e vão continuar a participar. E com que alegria o fazem! O Niall, que tem coordenado todo o trabalho com os jovens, e as mães de família que têm orientado as crianças têm tido a preocupação de não repetir actividades, exactamente por causa dos nossos filhos. É pois com imenso entusiasmo que eles aguardam o retiro de Proença, no sábado.

 

Mas Deus tinha muitas surpresas reservadas para nós, ao longo deste primeiro ano do movimento: nós pensávamos que iríamos dar, dar, dar, dar tempo, dar alegria, dar entusiasmo, mas não esperávamos receber tanto em troca! A cada retiro, fazemos novos e grandes amigos, amigos para a vida, que nos acompanham de perto e com quem gostamos de rir, brincar, passear e rezar. E o mesmo se passa com os nossos filhos! Quantas amizades têm nascido nestes retiros! No domingo passado, depois do Reencontro no Buçaco, fizémos aqui em nossa casa um churrasco com uma Família de Caná muito bonita, a família da Olívia e do Álvaro. A Olívia chegou a este blog em março, durante a quaresma, e cheia de coragem, inscreveu-se para o retiro em maio. Vinha com muito entusiasmo, mas algum receio: será que nós íamos fazer-lhe perguntas difíceis sobre a sua vida de fé? No retiro, percebeu que não lhe faríamos perguntas sobre a vida de fé ou sobre o que quer que fosse, e hoje, as nossas famílias são grandes amigas!

Amizade semelhante nasceu, como já expliquei, entre a nossa família e a família da Cláudia e do Cristóvão Duarte, ou a família da Rute e do Serge Almeida. Os nossos filhos adoram brincar juntos e contam os dias que faltam para nos reencontrarmos! No domingo, depois do retiro, vou ter a grande alegria de ser madrinha da bebé da Rute e do Serge, a Sofia!

Deus nunca se deixa vencer em generosidade. Quando pensamos que Lhe estamos a dar muito, Ele logo se apressa a dar-nos muito mais em troca! As Famílias de Caná estão a nascer, e já deram tantos e belos frutos. Para nós, a aventura ainda só está no início... É tão bom trabalhar na vinha do Senhor!

 

"Quem der de beber a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, ainda que seja um copo de água fresca, eu vos garanto que não perderá a sua recompensa." (Mt 10, 42)

 

É realmente pouco o que fazemos, mas a água fresca que oferecemos é a água do Coração de Jesus. E também vos garanto que já estamos a receber a nossa recompensa!

Neste momento, já temos as cinco famílias necessárias para que haja retiro. Por isso, até sexta-feira ainda se podem inscrever quantas famílias o desejarem! Venham, que não se vão arrepender! Na coluna lateral desta página estão os links necessários para a inscrição. Esperamos por vós!

 

 (o cestinho de rosas que a Olívia trouxe para o nosso altar na celebração da Eucaristia, no Buçaco)

 

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Irmãos

por Teresa Power, em 30.04.14

Outro dia encontrei o David a chorar, num canto do quarto. Quis saber porquê.

- O Frankie não me ensina nenhum truque de magia! Nem um! Ele sabe tantos e quer todos para ele!

E o David chorava sem parar. Indiferente, o Francisco continuava a praticar a sua magia, com um baralho de cartas na mão.

- Não achas que podias ensinar um truque ao teu irmão? - Perguntei.

- Ele ainda é muito novo e as suas mãos são demasiado pequenas para manipular cartas - Foi a resposta.

Procurei distrair o David e convenci-o a ir jogar à bola lá para fora. À noite, conversei com o Niall. E finalmente, o Niall conversou com o Francisco. A sua conversa foi bastante curta:

- Sabes, Frankie, ainda hoje tenho raiva do meu irmão mais velho, o Donal - Disse o Niall.

- E porquê? - Quis saber o Francisco.

- Porque ele tocava guitarra maravilhosamente bem, e nunca, nunca teve tempo para me ensinar. Ainda me custa perdoar-lhe esta maldade da nossa infância! Eu pedi-lhe tantas vezes que me ensinasse, e ele nem parecia ouvir...

 

No dia seguinte, quando chegaram da escola, o Francisco e o David ficaram fechados no quarto. Meia hora mais tarde, o David apareceu radiante:

- Mamã, queres que te faça um truque de magia?

- Quero - Como devem calcular, eu assisto a espectáculos de magia diariamente, a gosto e a contragosto... - Quem te ensinou?

- Foi o Frankie. Olha só o que eu consigo fazer!

 

Quando ontem regressámos da escola, apanhei os dois assim:


 

E meia hora depois, encontrei o Francisco no pátio a ensinar o António a andar de bicicleta:

 

 

 

 

Ter irmãos é uma forma fantástica de combater o nosso egoísmo natural, obrigando-nos a deixar de pensar em nós várias vezes durante o dia. Os irmãos podem ser "chatos", mas fazem de nós pessoas mais generosas!

 

Há ainda outra coisa nesta história toda: fica confirmado que a melhor maneira de ensinar alguma coisa a alguém é através do testemunho! Mil palavras em forma de conselho que eu tivesse dito ao Francisco não teriam valido um décimo do testemunho de vida do Niall.

Se o cristianismo chegou até nós, não foi por causa de todas as coisas bonitas que se escreveram sobre Jesus ao longo da História, mas pelo testemunho de vida dos santos e pelo sangue derramado dos mártires. Na educação, como no cristianismo, vale o que S. João escreveu no Prólogo da sua primeira carta:

 

 "O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida - de facto, a Vida manifestou-se; nós vimo-la, dela damos testemunho e anunciamo-vos a Vida eterna que estava junto do Pai e que se manifestou a nós - o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos" (1Jo 1-3)

 

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publicado às 08:53

As coisas do Pai

por Teresa Power, em 09.02.14

Jesus tinha doze anos quando ficou no Templo, a discutir as Escrituras com os Doutores da Lei. Maria e José, aflitos, procuraram-n'O por todo o lado. Quando O encontraram, Jesus perguntou-lhes, em tom de censura:

 

"Não sabíeis que Eu devia tratar das coisas de meu Pai?" (Lc 2, 49)

 

Ser cristão significa "tratar das coisas do Pai" em primeiro lugar. Só merecemos verdadeiramente o nome de cristãos quando "as coisas do Pai" tiverem prioridade sobre as nossas. Quantas vezes nos entretemos com os nossos pequenos interesses, as nossas pequenas preocupações, os nossos pequenos gostos, e por sua causa deixamos de lado os interesses, as preocupações e os gostos de Deus!

 

Quero ir à missa, mas tenho de arrumar a casa - qual escolher?

Quero fazer o retiro para famílias, mas só tenho o sábado para passar a ferro e pôr a roupa em ordem - qual escolher?

Quero rezar todos os dias em família, mas os filhos têm de estudar e eu tenho de fazer mil e uma coisas para o meu trabalho no dia seguinte - qual escolher?

Quero tirar uma hora por semana para fazer qualquer coisa pelos outros, mas também preciso de uma hora por semana para me divertir - qual escolher?

 

E Jesus, com doze anos, continua a murmurar no fundo do nosso coração:

"Não sabíeis que Eu devia tratar das coisas de meu Pai?"

 

Colocamo-nos a questão: porque nos pede Deus que Lhe demos o nosso tempo? Não quererá Deus que nós sejamos felizes e gozemos a nossa vida como nos dá mais prazer? Ou então... Não será que, dando o nosso tempo a Deus, nos tornamos verdadeiramente felizes? Pois afinal, tudo o que Ele deseja é a nossa felicidade!

O nosso Deus é o Deus que multiplicou o pão e o peixe até alimentar cinco mil pessoas, que fez cair o maná no deserto, que fez jorrar a água da rocha, que multiplicou o azeite da viúva até ela pagar todas as suas dívidas, que multiplicou a farinha de uma outra viúva para que ela não morresse de fome durante todo o tempo que durou a seca, que... tantos milagres narrados na Bíblia! Ainda duvidamos?

Na verdade, quando decidimos cuidar das coisas de Deus, damo-nos conta de que Ele também decide cuidar das nossas. Deus nunca Se deixa vencer em generosidade! Sem saber como, descobrimos que dar tempo à oração e ao serviço dos irmãos não nos tira tempo para arrumar a casa, para cuidar dos filhos, para trabalhar, para estudar ou até para nos divertirmos. Entregando a Deus o nosso tempo, descobrimos que ele se dilata o necessário para que tudo corra bem. 

 

O padre Zézinho diz isto mesmo numa canção belíssima, que eu adoro cantarolar nos breves momentos de oração durante o dia. Aprendam-na a cantar e a viver, porque vale a pena!

 

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publicado às 13:33



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