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O António e a graça divina

por Teresa Power, em 11.02.16

Hoje o António faz seis anos. Ena, é difícil acreditar que já passaram seis anos desde aquele dia em que o tomei nos meus braços pela primeira vez, bebé pequenino mas tão cheio de força, de doces olhos castanhos... Seis anos!

- Há quanto tempo não escrevo um post sobre as birras do António! - Comentei eu outro dia com o Niall.

- É verdade! Até nos esquecemos de que ele fazia tantas, tantas birras! Quando foi a última vez que fez uma?

- Nem consigo lembrar-me...

O António cresceu. Um crescimento cheio de desafios e lutas interiores, que ele, apesar da sua tenra idade, tão bem tem sabido gerir. Birra após birra, o António foi tomando consciência de como o seu comportamento precisava de afinação. Rezou, com a sua confiança infantil, pedindo a Jesus que o ajudasse a ser bom.

- Todos os dias peço ao Jesus para ser bom, sabes, mãe? Quando me deito, antes de adormecer...

E Jesus atendeu a sua oração pura. Já vão longe, as birras que duravam uma manhã inteira, ou que deixavam o António especado no chão, imóvel e inamovível, a gritar, perante os olhares surpresos de quem passava e a minha triste impotência. Já vão longe, as birras que nos faziam perder a paciência e reagir com palavras ou gestos violentos, de tão cansados ficávamos. Agora, as birras do António duram apenas alguns segundos, o suficiente para ele se dominar e acalmar. E nós suspiramos de alívio.

O mesmo carácter forte que se manifestava em birras sucessivas, revela-se agora numa força interior invejável. De todos os nossos filhos, nenhum supera o António em fortaleza! Confiante e seguro de si, o António adora novos desafios e não tem medo de nada. Se o Francisco encontrar uma salamandra no jardim, é o primeiro a ter coragem para pegar nela, antes de a devolver à natureza:

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  Se é preciso cuidar da horta, levar os cães a passear, limpar o galinheiro, ajudar o pai a montar qualquer coisa ou simplesmente varrer o chão da garagem, o António é o primeiro (ou o único...) a oferecer-se. Assim, teve direito, no ano passado, a considerar suas as flores que nasceram no nosso jardim, pois foi ele quem as semeou e quem as acompanhou, desde a terra à jarra no Canto de Oração:

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Patins, bicicletas, bolas, árvores, nada o assusta e tudo ele gosta de dominar com mestria.

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As lágrimas sempre prontas deram lugar a gargalhadas também sempre prontas, e o António enche a casa de felicidade.

O António mostrou-me que lá onde residem as nossas maiores fraquezas podem também residir as nossas maiores virtudes, se nos abrirmos à graça divina; porque a teimosia pode ser transformada em fortaleza, a mesma vontade insistente que nos faz persistir na birra pode ser transformada na vontade insistente que nos torna santos. Não foi assim que S. Paulo passou de perseguidor dos cristãos para o seu maior apóstolo, e que Pedro passou de pescador de peixes a pescador de homens?

Aprendi com o António a pedir o auxílio da graça divina na construção do meu caráter. Como ele, também eu peço ao Senhor todos os dias que me faça boa, e que transforme os meus maiores defeitos nas minhas maiores virtudes. Disse o Papa Francisco:

"Se levantarmos o olhar humilde do nosso pecado e das nossas feridas para o Senhor, e deixarmos pelo menos uma abertura à acção da sua graça, Jesus faz milagres também com o nosso pecado, com aquilo que somos, com o nosso nada, com a nossa miséria." (in O Nome de Deus é Misericórdia). Como diz S. Paulo:

 

"Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm 5, 20)

 

Bem hajas por tudo o que me ensinas a cada dia, querido filho. Parabéns, António!

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Um euro

por Teresa Power, em 05.06.15

O David chegou a casa excitadíssimo, depois da sua visita de estudo. Na lancheira, trazia dois pães e uma maçã, deixando-me cheia de curiosidade sobre o que, de facto, comera durante o dia.

- Não tiveste fome, David?

- Não - Respondeu-me - Comi os nuggets todos e as batatas fritas, mãe! Ah, e comi um gelado. No papel dizia que era para levarmos um euro para o gelado e tu esqueceste-te!

- Ai dizia? Devo ter lido o papel à pressa. E então, como é que compraste o gelado?

- Um amigo deu-me um euro.

- Amanhã levas-lhe o euro de volta - Disse, enquanto procurava na carteira uma moeda. - Aqui tens. Não te esqueças!

- Não.

Dois dias depois, de manhã ao entrar no carro, o David pediu-me:

- Mãe, tens um euro para mim?

- Para quê, David?

- Para dar ao amigo que me comprou o gelado.

- Mas pensei que já to tinha dado!

- Já. Mas ele faltou à escola nesse dia, e como o Lucas estava muito triste porque tinha vomitado, eu dei-lhe o euro a ele.

- ??????

 

Guardei para mais tarde a conversa necessária sobre a imensa possibilidade de ofertas que o David pode fazer aos amigos a partir daquilo que lhe pertence, como cromos e carrinhos, e não a partir do que pertence aos pais, como euros e cêntimos. Mas naquele momento lembrei-me da economia divina... Quantas graças perdemos por "faltarmos ao encontro" com o Senhor - na eucaristia dominical, no sacramento da reconciliação, na meditação da Palavra! E pelo contrário, quantas graças podemos receber de forma totalmente imerecida, se estivermos atentos aos acontecimentos de cada dia, apenas porque o Senhor assim decidiu, compadecido da nossa fraqueza! Ponhamo-nos "a jeito" e aproveitemos bem a generosidade divina...

 

"É da sua abundância que todos nós recebemos, graça sobre graça." (Jo 1, 16)

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Um por todos e todos por um

por Teresa Power, em 18.03.15

- Hoje foi mesmo mau. Os meninos portaram-se mal, e por causa deles não pude ir brincar lá para fora. E o solinho brilhava tão bonito!

- É assim, António. Na escola, por causa de um, pagam todos. Comigo também costuma acontecer! Farto-me de ouvir sermões. E não sou eu que falo!

- E eu também, David!

- Espera lá, Lúcia - Interrompi - Tu costumas falar um bocadinho, não é verdade?

- Não!

Continuei a conduzir, e a escutar.

- É mesmo injusto! Perder um intervalo por causa dos outros! Tu fazes injustiças dessas, mamã?

- Faço, David. E fico sempre cheia de pena dos meninos que se portam bem, como tu. Mas às vezes tem de ser! O Francisco e a Clarinha já sofreram muitos castigos coletivos sem qualquer culpa, e estão aqui. Não pensem mais nisso! Estamos quase a chegar a casa e podem ir todos brincar no jardim.

- Ah, que bom ser primavera!

Enquanto os meninos saíam do carro em grande alegria para correr e brincar na relva, fiquei a pensar...

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 "Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, pelo que todos pecaram.

Se pelo pecado de um morreram todos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só Homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

Pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores; assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.

Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm 5, 12-20)

 

A nossa consciência individualista moderna quer-nos fazer acreditar que o nosso pecado apenas a nós diz respeito. Esquecemo-nos de que o pecado, como o amor, é uma pedra lançada na água, provocando circulos concêntricos cada vez mais vastos... Não há pecado inocente; e sim, por um, todos pagam! A guerra que rebenta lá longe, o tsunami que mata nos confins da terra, a crise económica ao nosso lado, o sofrimento dos pobres e de tantos infelizes conhecidos e desconhecidos é nossa culpa também. Jesus não morreu na cruz apenas pelos grandes pecadores: morreu por mim, e a coroa de espinhos que carregou, e as feridas que empaparam de sangue a terra, foram causadas também por mim.

 

Mas se o pecado de um só causa tanto sofrimento no mundo, a santidade de um só também é capaz de santificar o mundo. Jesus, o Santo de Deus, já nos amou até ao fim. Unamos a Ele os nossos gestos de amor, para que ninguém tenha de "ficar de castigo" por nossa causa, mas antes, por nossa causa, todos sejam salvos, em Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen!

 

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Os cachorrinhos e as migalhas do Reino

por Teresa Power, em 17.08.14

A Winnie é a nossa cadela mais velhinha. Tinha apenas umas semanas de vida quando a fomos buscar à ninhada que havia nascido na casa de um vizinho. O Francisco, de quatro anos apenas, escolheu-a imediatamente de entre os vários cachorrinhos: "Quero a preta!" E assim foi. A Winnie veio para nossa casa e adoptou-nos tão depressa quanto nós a adoptámos também.

De início, fez imensos disparates, como todos os cachorros. Depois foi crescendo e entendendo as normas da vida em sociedade de humanos, e nunca mais tivemos problemas. Já foi mãe por duas vezes, e de ambas as vezes entregámos a amigos todos os cachorrinhos com excepção de um. Assim, à Winnie juntou-se primeiro a Jenny, uma bela cadelinha branca, que infelizmente morreu envenenada há dois anos; e depois o Jack, o cão castanho com pêlo áspero e ar assustador, mas mais manso que uma pomba:

 

  Primeira ninhada da Winnie - a Jenny a mamar - outubro de 2006

 O Francisco e a Clarinha a brincar com a ninhada da Winnie - a Jenny ao colo da Clarinha...

   Segunda ninhada da Winnie - o Jack é o único cachorro castanho - maio 2007!

                O David a brincar com um dos muitos cachorrinhos...

                  A Winnie a brincar com a Jenny e o Jack!

 

Ouvi um dia um humorista dizer: "Quem me dera ser a pessoa que o meu cão acha que eu sou!" Na verdade, não há maior lealdade que a do nosso cão. Por nós, eles fazem tudo! A Winnie viu chegar à nossa família cinco bebés, e aos cinco adoptou de imediato como seus donos. Sempre que alguém vinha visitar o recém-nascido, a Winnie colocava-se estrategicamente ao lado do berço, com ar protector.

 

A hora preferida dos nossos cães é a hora da nossa refeição. Entusiasmadíssimos, a Winnie e o Jack colocam-se debaixo da cadeira da Sara, em primeiro lugar, e do António, em segundo. É aí que caem a maior parte das migalhas, e os nossos cães não deixam que nenhuma se perca! Com estes dois aspiradores naturais, o nosso chão está sempre limpo de restos alimentares...

A que propósito estou eu para aqui a escrever sobre os nossos cães? A propósito do Evangelho de hoje:

 

"Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós.» Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.» Mas a mulher veio prostrar-se diante d'Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» Mas ela insistiu:«É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.» Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas.» E a partir daquele momento, a sua filha ficou curada." (Mt 15, 21-28)

 

Jesus gostava de provocar a fé nos que O rodeavam! Já aqui falei do cão de Tobias. Agora falo-vos do cão do Evangelho... e dos nossos cães. Possamos nós, como eles, revelar pelos que nos são próximos um amor incondicional; e possamos nós também aproveitar todas, todas, todas as migalhinhas de graça divina que vão caindo no chão ao longo do nosso dia... Tantas graças desperdiçadas! Às vezes estamos tão concentrados nos grandes pedidos que fazemos a Deus, que não aproveitamos devidamente as migalhinhas de bem com que Ele nos vai brindando de forma tão gratuita. Ah, não deixemos que os cães sejam mais inteligentes que nós...

 

 

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