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Santo António

por Teresa Power, em 13.06.15

Hoje é dia do santo padroeiro do António. Cá em casa, a festa vai começar com um pequeno-almoço de panquecas (a receita aqui) e muitas histórias das aventuras deste grande santo português.

E aí em casa? Conhecem histórias de Santo António? Para mostrar aos mais novos, aqui ficam duas: uma contada ontem pelo David, sobre um burro que um dia se ajoelhou diante do ostensório com a Eucaristia...

E a outra contada pelo António, no inverno passado, sobre a pregação aos peixinhos. Para quem não viu o vídeo na altura, aqui fica:

São tantas e tão belas as histórias da vida deste santo! Divirtam-se a contá-las aos mais novos, e a meditar sobre elas com os mais crescidos! Santo António viveu plenamente a profecia de Jesus:

 

"Eis os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem: em meu Nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, pegarão em serpentes com as mãos e, se beberem veneno, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados." (Mc 16, 17-18)

 

Santo António, rogai por nós!

 

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publicado às 06:20

Santos imperadores

por Teresa Power, em 15.04.15

- Vou contar-vos uma história verdadeira, que descobri outro dia na net.

Estávamos todos sentados num prado florido, a fazer o nosso piquenique em Fátima. A toda a volta, milhares de flores pequeninas e os sons da primavera.

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- Conta, mãe, o que foi?

- A história de um casal de imperadores...

- Imperadores?

- Sim, imperadores santos do século vinte.

- O quê?

- Um deles está sepultado, imaginem, na Ilha da Madeira. Sabiam que havia um imperador já beatificado, Carlos da Áustria, sepultado no nosso país?

- Nunca tal ouvi falar!

- Pois nem eu. Carlos e Zita casaram-se em 1911, e em 1914 eram imperadores do império austro-húngaro. Zita cuidava dos pobres desde pequenina. Clarinha, ela também gostava de costurar, como tu. Quando tinha mais ou menos a tua idade, pediu como presente de anos uma máquina de costura. Imagina para quê? Para fazer roupas para as crianças pobres!

- Que lindo!

- Carlos governou sempre com justiça, empregando todos os esforços para alcançar a paz, antes do rebentar da primeira guerra. Ficou conhecido como "O príncipe da paz". Ele e Zita tiveram oito filhos, que educaram na fé católica todos os dias da sua vida.

- Os imperadores tinham tempo para educar os filhos?

- Tinham. Zita ensinava-lhes o catecismo e preparava-os para os sacramentos; Carlos contava-lhes histórias da Bíblia. Vêem, como nós gostamos de fazer cá em casa! Todos os dias rezavam em família.

- E depois, que aconteceu?

- Depois veio a guerra, a queda do império, e o exílio. Em 1921, Carlos e Zita foram exilados na Madeira, primeiro sem os filhos, depois com permissão de terem os filhos com eles. Juntos, conheceram a pobreza e até alguma fome. Mas tudo aceitaram com alegria e simplicidade. Tinham sido ricos e felizes, agora eram pobres mas continuavam felizes, porque queriam acima de tudo cumprir a vontade de Deus. O povo madeirence levava-lhes leite e ovos para ajudar a alimentar as crianças. Eles aceitavam e sabiam que era Deus a cuidar deles. Entretanto, Zita estava grávida do oitavo filho...

- E depois?

- Carlos apanhou uma pneumonia. Naquele tempo não havia antibióticos, e Carlos ficou de cama, gravemente doente, até morrer. Morreu dois meses antes do nascimento da última menina. Morreu com os olhos fixos no Santíssimo, dizendo ora a Jesus, ora a Zita o seu amor por eles.

- Que triste!

- Durante o seu funeral, o povo aglomerava-se para tocar na urna e prestar a sua homenagem a um príncipe que consideravam santo.

- E Zita? Ficou só?

- Zita cuidou dos filhos sozinha, com coragem, numa vida de oração profunda. Dedicou-se aos pobres e às causas da paz, aos orfãos e aos soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial, e até ao fim da vida esteve envolvida em causas humanitárias. Quando o marido morreu, Zita tinha vinte e oito anos, imaginem! Nunca mais voltou a casar, e pouco antes de morrer alegrava-se com o pensamento de em breve voltar a ver o seu Carlos. Morreu em 1989. Há tão pouco tempo!

- E são santos?

- Carlos já é beato; Zita está em processo de beatificação. Em breve teremos um casal de beatos, queira Deus! Precisamos de muitos casais de santos.

- Porquê?

- Porque eles existem, e é preciso que a Igreja no-los dê a conhecer. Jesus disse:

 

"Não se acende uma lâmpada para colocar debaixo da mesa, mas sobre o candelabro, e assim iluminar todos os que estão em casa." (Mt 5, 15)

 

- Em História, nós falamos no Império Austro-Húngaro e na dinastia dos Habsburg, mas ninguém nos fala deste casal!

- Tens, razão, Francisco, e eu lamento imenso que não haja em Portugal um punhado de cristãos capazes de editar livros de História, Português, Inglês, Ciências e todas as disciplinas escolares a partir de uma visão cristã, dando a conhecer os santos e divulgando os valores cristãos. Estes manuais fazem falta nas escolas católicas! Esperemos que surjam um dia, como já surgiram nos E.U.A. e noutros países...

- Eu ia adorar, aprender sobre a vida dos santos nas aulas de História!

- Eu sei, Clarinha. Às vezes, ficamos com a ideia de que os imperadores e reis eram todos corruptos, e afinal havia  - e há - santos entre eles. Tenho de investigar mais!

O piquenique estava muito saboroso, o sol brilhava, os sinos de Fátima tocavam as Ave-Marias, e os passarinhos cantavam no céu. A toda a volta, flores e mais flores...

 

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Se quiserem ver um dos vídeos que eu encontrei na net, aqui fica:

 

 

 

 

 

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Qual és tu?

por Teresa Power, em 16.01.15

Hora da história. Sentados ao meu lado no sofá, a cabeça aninhada no meu ombro, uma manta quentinha a cobrir-nos a todos, o David, a Lúcia, o António e a Sara escutam atentamente uma das suas histórias preferidas. É uma história sobre animais, muitos animais, animais do pólo norte, da selva, da savana, da floresta. Ainda mal abri o livro e já o António aponta para um elefante:

- Eu sou este!

- E eu sou este! - Avança o David, apontando para um hipopótamo.

- Não, eu é que sou! - Atalha a Lúcia - Ontem foste tu esse, hoje sou eu!

- Sou eu! Sou eu! - Conclui a Sara, que nunca perde a ocasião.

Sorrio para mim própria, enquanto leio a primeira página da história. Depois viro a folha com jeitinho. Ainda não comecei a ler, e já sou presenteada com a mesma lengalenga:

- Eu sou este!

- E eu sou este!

E assim vamos avançando, devagarinho, página a página, até chegarmos à linha final, onde todos os animais alcançam a vitória em conjunto.

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Enquanto deito os quatro meninos, dou comigo a pensar na sua sabedoria ao escutar uma história: sem precisarem de fazer grande esforço, as crianças são perfeitamente capazes de escolher uma personagem e se identificarem com ela, experimentando a sua força, a sua coragem, a sua dor. Assim, quando chegam ao final da história, a vitória dos seus heróis tornou-se a sua própria vitória.

E pensei então... Qual a minha atitude ao ler a Bíblia? Serei eu capaz, como as crianças, de penetrar na história que leio, não como espectador de algo que aconteceu uma vez no passado, mas como personagem de algo que acontece agora na minha vida? Serei eu capaz de me identificar com Abraão, David, Gedeão, Ester, José, Maria, Zaqueu, Madalena, Pedro, João, Paulo? Serei eu capaz de me identificar com as desconfianças dos fariseus, o pecado da adúltera, a surpresa do centurião, a humildade do Bom Ladrão, a alegria de Mateus? Estarei eu sempre no lado dos "bons"? Ou consigo assumir o meu eu "mau", capaz de atirar tantas pedras? Estarei eu atenta, profundamente atenta à voz de Jesus, aos gestos de Jesus, ao andar de Jesus, ao olhar de Jesus, como estavam todos os que com Ele se cruzavam?

Quando eu conseguir ler assim o Evangelho, então estarei verdadeiramente a meditar, como diz o salmo 119/118:

 

"Teu mandamento tornou-me mais sábio que meus inimigos,

pois tenho-o sempre comigo.

Tornei-me mais perspicaz que todos os meus mestres,

pois meditei na tua Lei.

Tenho mais discernimento que os anciãos,

pois observei os teus preceitos."

(Sl 119/118, 98-100)

 

Então, só então, Jesus será para mim verdadeiramente o Salvador, estendendo-me a mão e chamando-me para fora dos meus túmulos. E o meu encontro com Ele mudará a minha vida...

 

 

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Uma capa para Jesus

por Teresa Power, em 16.11.14

- Meninos, vamos sentar aqui, que eu vou contar a história de S. Martinho!

Passinhos apressados no corredor. Os mais novos sobem para o sofá e apertam-se bem, à procura de um lugar confortável.

- Sabem quem foi S. Martinho?

- Sim! Um soldado!

- É verdade, Martinho era um soldado. E um dia, enquanto fazia a ronda, viu um mendigo cheio de frio...

- Estava a chover!

- Sim, estava mau tempo e o mendigo não tinha roupa. Então, Martinho pegou na sua espada e...

- Zás! Cortou a capa ao meio e deu metade ao mendigo!

- Muito bem, António, foi isso mesmo! E o que é que aconteceu depois?

- A chuva parou e o sol brilhou, porque Deus ficou muito contente.

- Sabes, Lúcia, quando nós fazemos uma coisa boa, Deus faz-nos a nós uma ainda melhor.

- Ai é?

- É. Nós nunca ganhamos a Deus! Ele nunca Se deixa vencer em generosidade...

- E que coisas boas é que Deus faz por nós?

- Olha, não viste que fez brilhar o sol?

- Sim, David, às vezes Deus faz brilhar o sol no céu. Mas sempre, sempre, Deus faz brilhar outro sol: o sol da alegria, da paz, da felicidade! Quando fazemos o bem, nós somos os primeiros a ganhar com esse bem, porque ficamos muito felizes! Os que fazem o mal podem ser mais ricos, podem viver com mais roupa do que o pobre Martinho viveu depois do seu acto tão belo, podem viver mais confortavelmente, mas não são mais felizes do que os que fazem o bem. Mas este não foi o fim da história.

- Ai não?

- Não. É que nessa noite em que Martinho ofereceu metade da sua capa ao pobrezinho, Martinho teve um sonho especial: Martinho viu Jesus...

- Eu também queria ver Jesus!

- Eu sei. Martinho viu Jesus, e imaginem só como Jesus estava vestido!

- Com roupas de ouro e muito luminosas?

- Não: com a metade da capa que Martinho dera ao mendigo!

- Ah!

- Jesus apareceu em sonhos a Martinho e disse-lhe: "Martinho, obrigado, porque hoje tu deste-me a tua capa para Eu me cobrir!"

- Uau!

- Jesus quis ensinar a Martinho que, quando nós fazemos o bem a alguém, estamos a fazer o bem...

- A Jesus!

- Claro. Lembram-se do Evangelho dos Cinco Dedos?

Todos estendem a mão, para eu tocar nos dedos abertos e repetir, sílaba a sílaba, em inglês:

- YOU DID IT TO ME! (A mim tu o fizeste!)

- Era assim que a Madre Teresa explicava às pessoas esta grande verdade. Tudo o que fazemos aos outros, a Jesus fazemos!

- Tudo, mesmo?

- Sim. Quando ajudas um amigo na escola, estás a ajudar Jesus; quando bates no António, estás a bater em Jesus...

- Oh não!

- Mas é esta a verdade! Bem, este ainda não é o fim da história...

- Há mais?

- Há: Martinho ficou tão feliz, depois de ver Jesus, que decidiu ir viver para um mosteiro e rezar, rezar, rezar o tempo todo. Mas Deus queria que Martinho fizesse outras coisas para além de rezar: Deus queria que Martinho ensinasse aos homens a amar Jesus. Assim, Martinho tornou-se padre e depois bispo. No seu tempo, na Europa as pessoas ainda não conheciam Jesus. Muitas eram pagãs, e rezavam em templos feitos aos deuses. Martinho teve muito trabalho! Até ao fim da sua vida, Martinho não deixou de ensinar aos homens a amar Jesus e de fazer o bem a todos. 

- É por isso que é santo?

- Claro! É por isso que é santo! E nós também podemos ser...

- ... se fizermos aos outros o bem!

- Como diz o evangelho:

 

"O que quiserdes que os homens vos façam, fazei-vos vós também a eles, pois esta é a Lei e os Profetas." (Mt 7, 12)

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No seu blogue, a Olívia escreveu sobre S. Martinho e vale a pena ler! Na caixa de comentários ao post sobre a Ana Maria Javouhey, um leitor deixou um link muito interessante para um PowerPoint sobre a lenda de S. Martinho.

 

Santos como S. Martinho estão no coração das celebrações europeias, pois a eles devemos todo o trabalho de primeira evangelização da Europa. Temos para com S. Martinho uma dívida de gratidão! Nos tempos actuais, em que se procuram arrancar à força as raízes cristãs da Europa, espezinhando-as sob os pés, enquanto se faz tábua rasa da memória histórica, não deixemos de celebrar este grande santo, associando-o à festa do sol e das castanhas...

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As três árvores II

por Teresa Power, em 16.04.14

Como prometi, contei aos meus filhos a história das três árvores. O David deu um salto quando falei na manjedoura para animais:

- Já sei! Nossa Senhora vai lá colocar Jesus, e assim já fica o tesouro na árvore!

Quando cheguei à parte do barco, foi a vez da Lúcia dar um salto na cadeira:

- Tu já nos contaste como Jesus disse "shiu" ao mar e ao vento, por isso nesse barco só pode estar Jesus!

Finalmente, falámos da cruz, aquele pedaço de madeira esquecida tornado, afinal, verdadeiramente Árvore da Vida, quando Jesus, o Salvador, estendeu os braços e Se deixou cravar nela.

-Durante estes dias, vamos olhar para a cruz com muita atenção - Expliquei - porque a Cruz deu-nos a mais bela prenda do amor de Deus!

 

O Francisco e a Clarinha também escutaram a história com imenso prazer. E eu fiquei com lágrimas nos olhos quando contei como aquela árvore se transformou em cruz. É que estava a pensar na vida de tanta gente que eu conheço... Parecem vidas destruídas, parecem sofrimentos sem sentido, e afinal, basta darem um passo, para que o Crucificado tome posse do seu Trono Real - a cruz das nossas existências...

 

O David quis fazer um desenho sobre a história, e fez esta bela banda desenhada:

 

Contaram a história aí em casa? Se tiverem desenhos bonitos como este, enviem para o meu mail, que eu publico aqui!

 

 

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publicado às 16:12

As três árvores

por Teresa Power, em 15.04.14

Uma das coisas mais bonitas que têm acontecido neste blogue é a amizade. Ela nasce virtual, mas depois cresce, amadurece e torna-se real. Foi assim com o Serge, a Rute e os seus três pequeninos, que depois de nos "conhecerem" virtualmente no blog vieram fazer a experiência do retiro para Famílias de Caná. Entre nós nasceu uma belíssima amizade, que já não precisa do blogue para se alimentar. E é assim que vai acontecendo também com outros leitores, que esperamos encontrar em breve num próximo retiro para Famílias de Caná (fiquem atentos!).

De uma destas nossas grandes leitoras, chegou-me ontem aos comentários do blogue esta belíssima história. Foi retirada de um livro, que aqui indico como sugestão de prenda de Páscoa para filhos e afilhados: Parábolas sobre a Fé de Darlei Zanon (Editora Paulus Brasil 2005). É um pequeno livro com 23 parábolas e tópicos para meditação. Obrigada, Olívia, pela partilha!

 

                       As três árvores


Diversas coisas que acontecem na natureza parecem um acaso, mas podemos sempre tirar boas lições delas. O destino de algumas árvores, por exemplo.
Havia três árvores que sonhavam com o seu destino após serem cortadas e levadas da floresta. Uma delas a olhar para o céu, viu as estrelas e disse:
- Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Faria tudo para isso acontecer.
A segunda árvore olhou para o riacho que corria ali perto e até podia senti-lo nas suas raízes e disse:
-Eu quero ser um grande navio. Quero transportar reis e rainhas nas suas demoradas viagens. Por fim a terceira árvore manifestou-se dizendo:
- Quero ser uma torre no alto da montanha. Quero crescer tanto que as pessoas ao ver-me, levantem os olhos e pensem em Deus.
Passados alguns anos a vida continuava normal e as árvores estavam sempre a pensar no futuro que as aguardava. Certo dia vieram alguns lenhadores e cortaram as três árvores ao mesmo tempo. - Chegou o dia! - pensaram.
Contudo, lenhadores e árvores não falam a mesma língua. Por isso não podiam saber qual o sonho de cada uma delas.
A primeira árvore foi usada para construir uma manjedoura de animais, coberta de feno. A segunda para um pequeno e simples barco de pesca, para carregar pescadores e peixes todos os dias. A terceira foi cortada e deixada de lado num depósito para usar no futuro. Com uma grande frustração desabafavam: - Como é que aconteceu uma coisa destas? Eu não sou nada, não tenho utilidade.
Dias depois, numa noite mais iluminada do que costume, com um ar de paz e alegria, uma jovem mulher pôs o seu bebé recém-nascido na manjedoura.
O maior tesouro do mundo estava depositado na simplicidade da manjedoura.
A segunda, depois de anos a levar pescadores pelo mar, acabou por transportar o Homem que usou o barco para uma série de milagres, que andou sobre as águas para o alcançar, que chamou os seus donos para seguirem os seus passos. Percebeu que transportou o Rei do Universo por diversas vezes.

A terceira árvore já se tinha esquecido do seu sonho. Tantas vezes abandonada, já não tinha esperança.
Todavia, um dia vieram alguns soldados e levaram-na para um monte. Ela estranhou a forma como fora pregada, em forma de cruz, mas esperou para ver o que acontecia. Trouxeram um Homem muito ferido, que mal conseguia andar e pregaram-no nela.
Soube que era um inocente condenado à morte, pela ganancia, pela incompreensão e pela dureza do coração. Como podia ser usada para condenar um inocente? Mas três dias depois sentiu uma grande alegria e realização. Soube que tinha servido como trono para o Salvador da Humanidade e que seria sempre lembrada como símbolo da Salvação.
Cada vez que alguém olha para ela sente a presença de Deus.

 

A Olívia disse que, na sua casa, se vai meditar nesta história num destes serões da semana santa. Vou contá-la hoje aos meus filhos também!

Como ilustração, deixo-vos uma fotografia que a Marina me enviou. A Marina e a sua família são também uma Família de Caná empenhada, e nesta quaresma arriscaram construir o crucifixo de molas de madeira que sugeri há uns tempos. Está ou não está bonito?

 

 

 

 

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publicado às 09:40

Fitas brancas

por Teresa Power, em 21.03.14

Nos meus tempos de jovem animadora dos Convívios Fraternos, costumava escutar com prazer o padre Armando, que já partiu para Casa, falar-nos do perdão. Contava ele, parafraseando a parábola do Filho Pródigo:

 

Um jovem decidira sair de casa. Depois de gastar todo o seu dinheiro, começou uma vida de indigente, drogado e ladrão. Um dia, por fim, pensou em regressar, mas teve receio da reacção do pai. Então escreveu uma carta, onde dizia: "Pai, lembras-te daquela árvore que plantámos juntos, tantos anos atrás, na entrada da nossa quinta? Lembras-te como eu gostava de nela subir, cheio de alegria? Se tu me perdoaste já o meu pecado, se estás disposto a receber-me de volta, peço-te que ates uma fita branca num ramo, para que eu saiba, ao aproximar-me da nossa quinta, que sou bem-vindo..." E o jovem pôs-se a caminho. Um dia depois, subia nervoso a última encosta do percurso. Estava quase a ver a árvore... E eis que de repente, a mais bela visão da sua vida lhe encheu a alma de gratidão: nos ramos da árvore que plantara com o pai não estavam uma, mas milhares de pequeninas fitas brancas, oscilando à brisa da tarde.

 

Nestes dias de primavera, sempre que olho para o jardim e vejo as árvores de fruto cobertas de minúsculas flores brancas, recordo-me desta história. Deus plantou connosco cada uma destas árvores para nos falar do seu perdão. Como diz o papa Francisco,

 

"Deus nunca se cansa de nos perdoar. Não nos cansemos nós de lhe pedir perdão!" (24/3/13)

 

O salmo 50, escrito pelo Rei David depois de ter cometido dois graves pecados em conjunto - adultério e homicídio - é um hino à misericórdia do Senhor. Cheio de confiança filial, David sabe que Deus tem poder para lavar o seu pecado até ao último grão de poeira:

 

"Lava-me, e ficarei mais branco do que a neve!" (Sl 50, 9)

 

A quaresma, como a primavera, é o tempo das flores novas. E hoje, 21 de março, é Dia da Árvore! Apressemo-nos, com alegria e gratidão, a receber o sacramento do Perdão, e encontraremos a árvore do Senhor coberta de fitas brancas...

 

 (fotografia tirada em Fátima, no jardim da Casa da Jacinta e do Francisco)

 

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publicado às 08:36



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