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Harmonia - ou convivência forçada?

por Teresa Power, em 24.07.15

A nossa casa é uma casa extremamente barulhenta, entre crianças, galinhas, gatos e cães; mas é também uma casa extremamente pacífica. Senão vejam:

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 Sim, os cães e os gatos gostam de se enroscar uns nos outros e de brincar em grande grupo!

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 Se repararem bem nestas fotos, verão como os gatinhos se entretêm a observar os franguinhos, sem um único gesto ofensivo. Afinal, nasceram quase ao mesmo tempo!

Mais ainda: numa noite de inverno, no ano passado, descobri que a Tiger - a mãe dos gatinhos - dormia encostada às galinhas, provavelmente à procura de calor... A sério!

Já observaram esta oliveira florida? Aposto que não conheciam esta espécie, capaz de produzir flores brancas tão belas...

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Ora aqui fica a solução deste enigma: não, as flores não são da oliveira, mas de uma lindíssima trepadeira que decidiu abraçar a nossa oliveira, casando-se com ela vestida de alvura!

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Às vezes, também os nossos filhos experimentam momentos de intensa harmonia. Vejam, por exemplo, a felicidade dos mais novos, quando o Francisco se oferece para os ajudar a construir objetos especiais em lego:

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Ou a alegria da Sara, aos saltos nas ondas com os mais velhos:

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O David só se aventura nas ondas grandes se a Clarinha ou o Francisco estiverem por perto...

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E o António também!

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 Reparem neste trabalho conjunto na cozinha, enquanto a mãe escreve um "post"... O David lê a receita a partir do tablet da Clarinha, a Lúcia vai encontrando o material necessário, a Clarinha faz o bolo e a Sara, claro, rapa as tigelas!

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Depois, o piquenique no jardim sabe bem melhor:

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 - Lúcia, a Sara quer uma história, mas eu tenho de ir levar a Clarinha ao treino! Contas-lha tu?

- Sim, mamã!

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Os cães, os gatos e as galinhas não têm alternativa senão dar-se bem. A nossa casa não permite que vivam separados, e a porta do galinheiro está constantemente a ser aberta por mãozinhas pouco cuidadosas, que se esquecem de a fechar... A oliveira e a trepadeira também não têm alternativa: o espaço é pouco e ambas precisam de crescer!

Quanto aos nossos filhos... Bem, talvez o segredo não seja muito diferente! Um mesmo espaço continuamente partilhado por uma família numerosa, e multiplas ocasiões para se servirem uns aos outros e para cuidarem uns dos outros...

 As férias são tempo privilegiado para que os irmãos brinquem juntos, trabalhem juntos, se aborreçam juntos, discutam juntos, e se ajudem uns aos outros. Nos dias que correm, é frequente as férias separarem as famílias: os mais novos têm de frequentar o ATL, porque os pais trabalham; os jovens participam em inúmeras atividades longe de casa... Tudo faz parte e tudo é bom, claro! Mas corremos o grande risco de transformar as férias em mais uma sessão de "cada um por si".

Para que os irmãos aprendam a ser irmãos, é necessário que nós, pais, lhes ofereçamos contínuas oportunidades de cuidarem uns dos outros, dando-lhes responsabilidades de acordo com as suas idades e capacidades. Que não falte, nas férias, um tempo largo para unir pais e filhos e para unir os irmãos entre si!

 

"Como é bom e agradável os irmãos viverem em harmonia!" (Sl 133)

 

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Todos diferentes, todos iguais

por Teresa Power, em 22.06.15

Na última semana, passei algumas tardes a recolher as avaliações de todos os meus filhos. Só numa tarde fui prendada com quatro entregas de avaliações! Foi uma semana muito interessante, por tudo aquilo que escutei e refleti sobre cada um dos meus filhos, sobre a sua escola e sobre os seus professores.

Em cada sala, para além dos resultados escolares medidos em números, procurei informar-me sobre o caráter, as qualidades e os defeitos de cada um dos Power. Esforçam-se? Dão o seu melhor? São honestos com os professores quando se esquecem dos trabalhos de casa? Ajudam os colegas? Dão bom exemplo? Contribuem para manter o bom ambiente na sala de aula? São criativos? O que devem melhorar? O que podem corrigir?

Confiar seis irmãos a uma mesma escola é uma fonte de aprendizagem para todos. Ao longo dos anos, os professores de uns tornam-se também professores dos outros, e pouco a pouco, todos conseguem comparar os Power entre si. Felizmente - e essa é a primeira grande lição -, já todos se deram conta de que há coisas que não são comparáveis, como a personalidade e a capacidade de cada um e, consequentemente, os resultados escolares. Assim, alguns dos Power são teimosos, outros dóceis; alguns são  belíssimos alunos, outros mais medianos; alguns são faladores, outros calados. Como me disse a auxiliar que toma conta do recreio, foi preciso a Lúcia entrar na escola para ela chamar à atenção um Power... Espere até chegar o António!

Porque os Power são todos diferentes, estamos a ser injustos comparando resultados e sucessos. É que o sorriso pronto da Lúcia pode ter menos mérito que o sorriso esforçado do António, e as notas mais medianas, mas esforçadas, do David podem ter mais mérito que as notas excelentes do Francisco.

Conversando com os professores, apercebi-me que, apesar de todas estas diferenças, há coisas que são comparáveis e que permitem dizer: "Aquela menina é uma Power". Que coisas são essas? Talvez não sejam fáceis de nomear... Talvez seja apenas um traço de alegria, uma presença tranquila, uma forma simples de estar na vida. Talvez seja apenas o facto de se deixarem amar e educar pelo mesmo pai e pela mesma mãe...

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Não seria fantástico se os cristãos fossem facilmente identificáveis pela educação recebida do mesmo Pai e da mesma Mãe? Diferentes em personalidades, capacidades, histórias de vida, diferentes nos genes, na inteligência, no sotaque, na cor, na classe social, diferentes em tudo - mas iguais no amor... ?

 

"Permanecei unidos no mesmo pensar, no mesmo amor, no mesmo ânimo, no mesmo sentir. Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus." (Fl 2, 2.5)

 

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Amor de irmão

por Teresa Power, em 22.05.15

Na viagem de regresso do Retiro Famílias de Caná em Castelo de Neiva, a Lúcia lembrou-me:

- Mãe, amanhã vou a uma visita de estudo!

- É verdade, Lúcia, ainda nos falta essa! Chegar a casa, despejar os restos do piquenique e preparar novo piquenique para ti!

A Lúcia bateu palmas de excitação:

- Vou ao Portugal dos Pequeninos! E vou comer gelado. O gelado é grátis!

Ao chegarmos a casa, como se devem recordar, tínhamos uma ninhada de gatinhos recém-nascidos à nossa espera, e tralha e mais tralha para arrumar. Pouco tempo sobrou para pensar na merenda da Lúcia ou no seu passeio. De vez em quando, contudo, ela lembrava-nos:

- Mamã, não podemos esquecer de levar o banquinho do carro! É obrigatório! E eu quero levar Nuggets. O papá pode ir comprar?

Respondíamos a tudo que sim, e lá continuávamos a arrumar. Até que chegou a hora de deitar. Um a um, deitámos os mais pequeninos, depois foi a vez do David... Fechei as luzes dos quartos e regressei à cozinha, onde continuei a trabalhar.

Foi então que senti passinhos no corredor. Era o David.

- David, não estás a dormir? Passa-se alguma coisa?

Baixinho, para não acordar ninguém, o David murmurou:

- Vim dizer-te para não te esqueceres da visita de estudo da Lúcia... Ela tem de levar uma boa merenda, mamã!

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Tenho recebido mails e trocado palavras com mães de um ou dois filhos, cansadas e sobressaltadas com todo o trabalho que envolve a maternidade.

Eu lembro-me muito bem da passagem de um para dois filhos, e de como foi difícil gerir uma família a crescer! Lembro-me das crises de ansiedade, do stress, do cansaço, do desânimo. Lembro-me das lágrimas, das dores de cabeça. Lembro-me das noites mal dormidas e das birras longas e difíceis dos mais velhos. Lembro-me de achar que não ia ser capaz... Lembro-me de ver outras famílias com muitos filhos e de me perguntar: "Como é que eles fazem?" Lembro-me de perguntar à minha cunhada, na altura com três filhos, se dava banhos todos os dias ou como fazia para dar de mamar e ao mesmo tempo impedir que o mais velhito não se atirasse de uma escada abaixo. Lembro-me de me sentir incapaz e inútil. Lembro-me...

Mas lembro-me de outras coisas também! Lembro-me das gargalhadas, das festas, dos saltos, da alegria. Lembro-me da primeira vez que o Francisco pegou na Clarinha ao colo. Lembro-me dos abraços que os dois davam ao Tomás. Lembro-me da festa que foi o nascimento do David, três meses depois da morte do Tomás. Lembro-me de como o Francisco, então com sete anos, me repetia vezes sem conta:

- Obrigada, mamã, por me dares este mano!

Custa, dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Custa. Irá ser difícil adaptarmo-nos? Sim. Vão surgir momentos em que nos parece que fizemos asneira? Vão. Os mais velhos irão fazer birras? Certamente que sim, não porque tiveram um irmão (nós é que gostamos de fazer associações...), mas porque todas as crianças fazem birras ao crescer.

Vale a pena dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Dificilmente lhes daremos presente melhor! Oferecer um irmão a uma criança é oferecer-lhe a oportunidade de amar e cuidar de alguém. Os irmãos fazem-nos vencer o nosso egoísmo natural, ensinam-nos a resolver conflitos, forçam-nos a partilhar afetos, tempo e brincadeiras, e despertam em nós a solidariedade e a compaixão.

O David estava cheio de sono, mas na sua cabecinha de criança de oito anos não passavam apenas imagens do passeio do fim-de-semana: na sua cabecinha de criança de oito anos estava bem marcada a imagem da sua querida irmã Lúcia, que corria sérios riscos (segundo ele, claro...) de acordar de manhã e não ter uma merenda digna de visita de estudo. O seu amor fraternal foi mais forte que o cansaço, e o David não hesitou em saltar da cama para me recordar as minhas obrigações maternais...

 

"Que fizestes de teu irmão?" (Gen 4, 10)

 

A voz de Deus ecoa ao longo de toda a Bíblia. Possam os nossos filhos aprender, em família, a fraternidade dos filhos de Deus. Ámen!

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E por falar em irmãos... Já assinaram a Petição pelo Dia dos Irmãos? São precisas quatro mil assinaturas. Assinem e passem palavra!

 

 

 

 

 

 

 

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O cordel dobrado em...seis

por Teresa Power, em 11.01.15

Educar uma família numerosa é uma escola de vida. Olhando para cada um dos meus filhos, dou-me conta da grande aprendizagem que é ter irmãos.

Naturalmente que não se aprendem as mesmas lições como irmão mais velho ou como irmão mais novo! As lições são diferentes. Assim, um irmão mais velho aprende cuidando dos mais pequenos, vendo o seu espaço a ser progressivamente invadido, os seus brinquedos e objectos pessoais usados e abusados, os seus pais cada vez mais partilhados. Os mais novos, ao contrário, não precisam de muitas lições para aprender a partilhar, a ceder, a deixar tirar, porque nascem num espaço que já pertence a todos e crescem num colo que já pertencia a outros antes deles nascerem. Contudo, também precisam de aprender muitas coisas: aprender a esperar pela sua vez, aprender a escutar os mais velhos, aprender a obedecer.

- Es-pe-ra! - Soletrava a Sara com a mão erguida, dirigida ao primo que me estendia o pé para eu apertar o sapato, enquanto eu tentava vestir o António.

Também nós, pais, precisamos de aprender lições diferentes. Por exemplo, em relação aos filhos mais velhos, precisamos de aprender a não deixar de dar mimo, enquanto aumentamos a responsabilidade; e em relação aos filhos mais novos, a não facilitar na responsabilidade, enquanto aumentamos o mimo.

Como em todas as escolas, também na escola da família se aprende tanto nas "aulas" como no "recreio". O Niall e eu estamos muito conscientes da importância deste "recreio familiar" na educação dos nossos filhos: é preciso que todos os irmãos cresçam uns com os outros, brincando uns com os outros e partilhando a vida uns com os outros. É muito fácil "deixar andar"! Mas quando se "deixa andar", apercebemo-nos de que o irmão mais velho já saiu para a universidade antes de ter tido tempo de conhecer o irmão mais novo. E assim se perdem os laços únicos que os deviam unir pela vida fora...

As famílias modernas sofrem grandes tentações de individualismo. Os irmãos tendem a ter amigos diferentes e interesses diferentes, passando pouco tempo uns com os outros, mesmo em férias. Cabe-nos a nós, pais, proporcionar e incentivar tempos fortes de lazer em família, mesmo à custa de algum prazer pessoal dos mais velhos. Para nós, é uma alegria quando vemos repetirem-se cenas como estas:

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Diz o Livro do Eclesiastes:

 

"É melhor dois do que um só.

tirarão melhor proveito do seu esforço.

Se caírem, um ergue o seu companheiro.

Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;

o cordel dobrado em três não se parte facilmente."

(Ecl 4, 9-12)

 

Não deixemos a educação da nossa família ao acaso, nem permitamos que o individualismo destrua a nossa casa familiar! Aproveitemos a calma do domingo para proporcionar aos nossos filhos brincadeiras e actividades em família, "um por todos, e todos por um"

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publicado às 06:42



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