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A mulher forte

por Teresa Power, em 08.03.16

- Teresa, trouxe-te um presente! - O Niall acabava de entrar em casa e ainda nem sequer tirara o casaco, mas o entusiasmo era enorme. Tirei-lhe a mala das mãos e abri-a, curiosa. Depois soltei um grito de alegria.

- Há um ano que espero por este livro, Niall! Eu não sabia que ele já tinha sido escrito, mas tinha a certeza de que, um dia, alguém iria escrever esta história. Tinha a certeza! E como vês, não me enganei... Há histórias que precisam de ser escritas, para não serem esquecidas, para brilharem nas trevas. E esta é uma delas! Obrigada, oh, obrigada!

Lembram-se da Meriam Ibrahim? Escrevi vários posts sobre ela aqui aqui, aqui, aqui.   A mulher de 27 anos, com um filho pequenino e grávida novamente, que o Sudão condenou à morte por ser cristã? E que nunca, por um segundo, renegou a sua fé? E que deu à luz acorrentada, sozinha na escuridão da cela? E que foi depois recebida pelo Papa Francisco?

A Bíblia apresenta-nos muitas mulheres fortes. Nos Provérbios, descreve-as assim:

 

"Uma mulher de valor, quem a poderá encontrar? O seu preço é muito superior ao das pérolas. O coração do marido nela confia e jamais lhe falta coisa alguma. Ela proporciona-lhe o bem e nunca o mal, em todos os dias da sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha de boa vontade com as suas mãos. Levanta-se, ainda de noite, distribui o alimento pelos da sua casa... Cinge fortemente os seus rins, e os seus braços têm sempre força. A sua lâmpada não se apaga durante a noite." (Pr 31)

 

A lâmpada de Meriam também nunca se apagará. A mim, ela ilumina-me e aquece-me o coração. Escrevo este post às onze da noite, cheia de pressa, porque quero sentar-me na cama para ler o meu presente do Dia da Mulher... Que neste dia o Senhor abençoe todas as mulheres da Terra, a todas proteja, e a todas fortaleça com a sua graça como fez com Meriam! Ámen.

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Tempos livres II - Livros e mais livros

por Teresa Power, em 26.01.16

E continuamos na série de posts sobre a forma como os Power ocupam os seus tempos livres. Repito que estou a falar dos Power, não estou a formular nenhuma teoria educativa! Se escrevo sobre a nossa experiência é porque adoro ler sobre as experiências dos outros, em variados blogues e livros, e aprender com elas (eu estou sempre a aprender), pelo que calculo que outros queiram ler e aprender, se acharem bem, connosco.

Uma das maiores fontes de prazer e de liberdade cá em casa são... os livros. Quem entrar em nossa casa a qualquer hora do dia, vai de certeza tropeçar em dois ou três livros logo ali à entrada, porque os mais novos esquecem-se de os arrumar depois de os lerem ou de verem as imagens; e vai encontrar livros na sala, na cozinha, no chão dos quartos, na casa-de-banho, livros no jardim e livros na garagem. Todos os nossos filhos adoram livros.

Uma questão de sorte? Pode ser, claro. Como diz a Pipi das Meias Altas - tenho andado a ler a história à Lúcia todas as noites, capítulo a capítulo, e por isso ela é uma referência constante nestes dias - estamos num país livre, pelo que cada um pode pensar como quiser. Mas eu tenho outra teoria, e como ando em maré de revelar segredos, aqui fica:

Na nossa casa, os livros nunca sofreram concorrência desleal. Refiro-me à televisão, aos jogos de vídeo e de computador, aos telemóveis, aos tablets e a tudo o que as crianças desde muito pequeninas manuseiam para terem acesso a aventuras e histórias. Todos os professores sabem que hoje, para conseguirmos a atenção das crianças, precisamos de estímulos constantes de som e imagem. Para quem cresce num ambiente altamente estimulado sensorialmente, um livro é mesmo uma grande sensaboria!

Com a televisão desligada e sem jogos de computador, "livros", cá em casa, significam aventuras, histórias, suspense, enredo, alegria. Aliás, não só significam, como são mesmo essenciais para uma viagem ao mundo da ficção, visto não haver alternativas. Os meus filhos gostam do cheiro dos livros, de virar as páginas, de os meter na mochila e os levar para a escola, para ocupar os "tempos mortos" em sala de aula.

Mas "livros" significam ainda outra coisa: significam tempo de família, tempo de carinho, tempo de atenção privilegiada dos pais. Através da leitura partilhada, cumpre-se também a Palavra do Senhor:

 

"Farei com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais..." (Ml 3, 24)

 

De facto, desde muito pequeninos que os nossos filhos têm direito a pelo menos uma história por dia. Uma história contada enroscados no sofá ao colo dos pais, ou junto da lareira, ou no jardim, ou sob os cobertores da cama, ou à volta da mesa acompanhada de um chocolate quente. Nunca, para nós, os livros foram uma obrigação (bem, com exceção de Os Maias, leitura obrigatória no secundário, que o Francisco, muito embora o 18 a Português, ainda não leu por inteiro); pelo contrário, os livros são uma recompensa: "Se arrumares depressa o quarto, leio dois capítulos da Pipi em vez de um!" "Hoje foste tão lindo, ajudaste tanto a mãe, que tens direito a uma longa história antes de dormir!"

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E não, não deixamos de contar histórias em voz alta quando os meninos aprendem a ler. Continuamos a fazê-lo até eles o desejarem, geralmente por volta dos doze anos. Todas as noites? Sim, todas as noites (ninguém disse que alimentar o gosto pela leitura não dava trabalho!): uma história para a Sara, outra para o António e a Lúcia, outra para o David, pois as idades e os interesses são diferentes. E não julguem que os mais velhos já não gostam de ouvir histórias: a Clarinha pousa tudo o que está a fazer para escutar a Pipi, ou a Heidi, ou a Casa na Pradaria, ou a Anne of Green Gables, ou a Princesinha, ou o Pequeno Lord que nós lemos aos mais novos, e até o Francisco tira os auscultadores dos ouvidos quando repara que todos nos rimos à gargalhada com um episódio.

- Oh, mãe, tenho de lavar a loiça agora? Mas tu vais ler a Pipi! Eu queria ouvir! - Disse-me ontem a Clarinha, quando acabámos de jantar.

- Conta lá outra vez como é que o gato que ensinou a gaivota a voar apanhava as moscas! - Pedia o António ao pequeno-almoço.

- Deixa-me contar-te o que lemos ontem na Casa na Pradaria - Diz-me o Niall, às vezes, ao deitar. E vai buscar o livro, que deixou na mesa de cabeceira do David, para me reler uns parágrafos. Também nós parecemos duas crianças, entusiasmados com as histórias que contamos filho após filho até quase, quase as conhecermos de cor. Como em tudo o resto, o Senhor recompensa o nosso esforço dando-nos doses abundantes de verdadeiro prazer nas leituras que partilhamos com eles.

 

Com tanta carga emotiva associada, é natural que os livros sejam muito amados cá em casa. Para mim - digo-o com humildade, mas com convicção - não me surpreendem cenas como estas, várias vezes ao dia:

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Os nossos serões são, às vezes, bastante silenciosos:

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E como já contei neste blogue,há dias em que estou tão ocupada a trabalhar ao computador, durante o meu serão, que me esqueço das crianças que deixei a ler na minha cama. Ena, já passa da sua hora de dormir, e ainda ali estão!

Que livros lemos? Sobre isso, já escrevi vários posts, e podem recordá-los com a tag "livros". Não, não lemos tudo o que se publica, e há livros que não entram cá em casa. Sim, fazemos censura :) Mas a boa notícia é que entre os livros bons há suficientes para encher uma vida, segundo a minha própria experiência.

Hoje - e como professora ouço isto quase todos os dias - a grande maioria das crianças e dos jovens não gosta de ler e só lê por obrigação. Dizem-me que gostos não se discutem. Aceito que haja algumas crianças que não gostem de ler, como há crianças que não gostam de ver televisão ou de comer chocolate. Mas estou convencida de que, com outro tipo de abordagem familiar, essas crianças - que existem - seriam uma minoria. Se quiserem discordar de mim, têm de o fazer - para a discussão ser justa - nos mesmos termos que eu o fiz, ou seja: apresentem-me uma criança que ouça histórias, grandes histórias, desde pequenina, todos os dias, envolta em paciência e carinho, até cerca dos doze anos, sem concorrência (desde a primeira infância) da televisão, do tablet, do computador, e mesmo assim não goste de ler. Então eu aceitarei a derrota...

 

Mas será que os nossos filhos não vão à internet, como todos os outros? E não frequentam qualquer atividade extracurricular? Amanhã continuamos

 

 

 

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Tempo para ler

por Teresa Power, em 25.07.15

Durante o tempo de férias, a televisão está definitivamente desligada - exceto quando queremos ver juntos algum filme - e os livros parecem nascer por todo o lado. Há livros na casa de banho, na cozinha, no chão, no sofá, misturados com os brinquedos, misturados com os pratos, livros no Canto de Oração e livros no jardim. Os nossos filhos, simplesmente, adoram ler!

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Talvez uma das coisas que tenha ajudado a desenvolver o gosto pela leitura seja a história diária lida todas as noites, sem exceção, até pelo menos à entrada no segundo ciclo... E o facto dos irmãos mais velhos adorarem ler, visto o Francisco e a Clarinha serem os modelos dos mais novos.

Penso que também ajudou nunca termos elevado a televisão ao nível de recompensa ou castigo ("Se te portares mal, não vês televisão!" "Se te portares bem, podes ver televisão!"), mas termo-lo feito com os livros ("Se te portares mal, não te deixo ler hoje à noite!" "Se te portares bem, tens uma história extra!"). Quando uma coisa é usada para recompensar ou castigar, essa coisa ganha novo valor. Tornámos a televisão insignificante, ao ponto de não merecer entrar em negociações. Já ir dormir sem história, bem, isso é assunto muito sério cá em casa e fonte de muitas lágrimas!

 

Ontem senti a casa muito silenciosa. Quando fui à sala espreitar, deparei com esta cena:

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Durante o verão, a nossa oração familiar acontece de manhã, a caminho da praia, ou ao fim da tarde, quando o pai chega a casa. Assim, ao serão temos mais tempo para ler. Como o António e a Sara se deitam antes das nove, nenhum dos outros experimenta o prazer de ler na cama, pois os quartos estão escuros. Mas ultimamente, o David e a Lúcia descobriram uma alternativa magnífica: sentam-se na nossa cama de casal, aconchegados e felizes, e lêem em silêncio durante dez a quinze minutos antes de eu os mandar dormir, pelas nove e um quarto.

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Mas no outro dia, o silêncio no meu quarto era tão grande, que me esqueci de os mandar dormir... É caso para dizer: longe da vista, longe do pensamento! A verdade é que só me apercebi de que ainda não os tinha mandado dormir quando, pelas dez menos um quarto, entrei no meu quarto. Assustada, dei um pequeno grito.

- Que foi, mamã? - Perguntou o David, dando um salto também.

- Esqueci-me que vocês ainda estavam a ler! - Respondi, com uma gargalhada. - Vamos, toca a dormir!

A Lúcia olhou para mim muito séria:

- Faz mal ler assim tanto?

- Não, querida, não faz! Vamos, agora toca a dormir!

 

Nos retiros, há sempre coisas que ficam esquecidas. Desta vez, foi o nosso missal ferial, que tínhamos levado para rezar durante a viagem. Só dei conta segunda-feira, quando quisemos ler as leituras da missa diária, como costume, durante a oração familiar.

- E agora? Como vamos fazer para ler as leituras? - Perguntei, um pouco aborrecida com o meu esquecimento.

- Eu tenho-as no tablet - Respondeu-me a Clarinha, solícita. Pelos vistos, ela subscreve as leituras da missa diária... Grande filha, a minha Clarinha!

Lemos e meditámos então a partir do tablet, mas eu senti-me desconfortável. Talvez por ter nascido e crescido no século passado, tenho necessidade de tocar no papel, de folhear, de ler o que está para trás e o que vem à frente. Quando leio as leituras diárias gosto de ir ver as anteriores, para fazer a ponte, e gosto de ler os comentários de quem escreveu o missal.

Assim, no dia seguinte pedi ao Niall que me trouxesse de Aveiro um novo missal ferial.

- E para quem fica o nosso missal antigo, quando a Rute no-lo trouxer de Proença? - Perguntou ele.

- Para mim! - Disse o David, com um sorriso rasgado. Na verdade, há duas semanas atrás o David pedira-me uma prenda especial: queria ter um missal só dele, para ler quando quisesse no seu quarto...

- Um missal com imagens, histórias para crianças, e coisas assim, David? - Perguntei-lhe.

- Não: um missal a sério, com a Bíblia a sério, sem desenhos. Um missal igual a este...

No fim do verão, o David terá o seu missal!

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"Quanto amo, Senhor, a tua lei!

Nela medito todos os dias.

A tua palavra é farol para os meus passos

e luz para os meus caminhos."

(Sl 118 / 119, 97.105)

 

Que a nossa leitura preferida seja, como para o David, a leitura da Palavra de Deus... Ámen!

 

 

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Saboreai e vede

por Teresa Power, em 18.04.15

Hora de oração familiar. Na sala, diante do Canto de Oração, rezamos o salmo da missa do dia. Um dos versículos diz assim:

 

"Saboreai e vede como o Senhor é bom!" (Sl 34/33)

 

- David, que te lembra este versículo? - Pergunto.

O David fica confuso, depois reage com alegria e surpresa:

- A hóstia! Saborear o Senhor! Ver como Ele é bom...

- Claro! Vais fazer a tua primeira comunhão. Vais pela primeira vez saborear e ver como o Senhor é bom!

- Mas eu já sei que Ele é bom.

- Agora falta saborear o Pão que Ele te dá, o Pão que é a sua carne, o seu próprio corpo entregue por ti.

- Como é saborear? Tenho de deixar a hóstia na boca muito tempo?

- Não. Jesus vai entrar na tua boca, mas Ele quer chegar ao teu coração. Saborear um alimento significa comer com gosto, pensando no que estamos a fazer, não é? Saborear o Senhor significa tomar gosto no seu amor, pensar na sua Palavra, estar consciente da sua presença. Quando Jesus entrar no teu coração, podes dizer com toda a verdade: "Nós, Jesus." Porque a partir desse momento, Jesus e tu estarão para sempre unidos.

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O David deitou-se cheio de alegria, a pensar na sua primeira comunhão, tão próxima. Eu fui para a sala e procurei na estante um livro magnífico: O Preço a Pagar por me tornar Cristão, de Joseph Fadelle. Já referi várias vezes este livro. Conta a história verídica e atual de um muçulmano que se converteu ao cristianismo, e as torturas e os tormentos por que teve de passar a partir de então, até finalmente conseguir ser batizado e refugiar-se em França, onde vive com a mulher e os filhos. Na base da sua conversão esteve um sonho, e foi esse sonho que me fez procurar de novo o livro na estante. Passo a citar:

"Este sonho - e lembro-me dele muito nitidamente - coloca-me na margem de um rio, não muito largo. Na outra margem, uma personagem com cerca de quarenta anos, talvez mais velha, vestida com uma roupa bege de uma só peça, à oriental, sem gola. E sinto-me irresistivelmente impelido para aquele homem, desejando passar para o outro lado, para me encontrar com ele.

Quando começo a atravessar o regato, fico suspenso no ar, durante alguns minutos que me parecem uma eternidade. E receio até com algum horror não poder descer à terra.

Como tinha sentido que o meu mal-estar aumentava, o homem da outra margem estende-me a mão, para me ajudar a atravessar o curso de água e aterrar ao seu lado. Nesse instante, posso facilmente observar o seu rosto: olhos azuis acizentados, uma barba rala e cabelos meio longos. Fiquei impressionado com a sua beleza.

Pousando sobre mim um olhar de uma doçura infinita, o homem dirigiu-me suavemente uma única frase, enigmática, com um timbre de voz tranquilizador e convidativo: «Para atravessares o ribeiro, precisas de comer o pão da vida.»"

Nesse mesmo dia, este jovem muçulmano tem pela primeira vez na mão o Novo Testamento (terão de ler o livro para perceber como teve acesso a ele!). Sem saber por onde começar, decidiu-se pelo último evangelho, o de João:

"Quando chego ao capítulo seis, paro repentinamente a minha leitura, atordoado, no meio de uma frase. Tenho o cérebro em ebulição: "Eu sou o Pão da Vida", leio. Então passa-se em mim algo extraordinário, como se repentinamente, uma luz deslumbrante iluminasse a minha vida de maneira inteiramente nova e lhe desse todo o seu sentido. No mesmo instante, compreendo que o meu sonho da noite anterior era mais do que um sonho: sinto, muito nitidamente, que havia nele como que um chamamento ou uma mensagem pessoal que me era dirigida através daquelas palavras..."

 

Saborear e ver como o Senhor é bom... Comer o Pão da Vida para podermos passar para a outra margem, a margem da eternidade e da perfeita felicidade... É já amanhã, a primeira comunhão do David!

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   (David e Lúcia ontem de manhã na Gruta de Lourdes, no seu Colégio)

 

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Que tenho para Te dar?

por Teresa Power, em 10.01.15

Dia de Reis. Diante do presépio, fazemos a nossa oração, muito animada porque no dia de Reis os mais pequeninos têm direito a coroa real! Depois, com jeitinho, colocamos os Reis Magos junto da manjedoura. Um deles tem a cabeça colada, pois a Sara decidiu passeá-lo um bocadinho pelos montes e prados do presépio, e num segundo de distracção, o Rei tropeçou e partiu a cabeça. Nada que a Clarinha não resolvesse com super-cola.

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"Abrindo os seus cofres, os magos ofereceram presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)

 

E nós? Que temos nós para Lhe oferecer? No início de um novo ano, é altura de oferecer os nossos presentes. Teremos nós um coração de ouro para Lhe dar? Teremos o incenso da nossa oração? Ou talvez a mirra do nosso sofrimento? Tudo, absolutamente tudo pode ser oferecido ao Senhor. 

Recordo aqui um livro que li há muitos anos atrás: Do Robbins Cough? 

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Conta a história verídica de uma mulher inglesa, casada e mãe de um filho já quase adulto, com uma vida estável e em tudo vulgar. Esta mulher tinha quarenta anos quando viu na televisão a reportagem chocante sobre os orfanatos romenos, depois da queda do ditador Ceaucesco. Eu lembro-me bem de assistir a estas reportagens, nos anos noventa, e de chorar com as imagens! Crianças atadas às camas e aí abandonadas dia e noite, ao frio e quase sem alimento... Enfim, o mundo chorou diante do televisor durante alguns dias. E no mundo, alguns decidiram agir. Os primeiros, como sempre, foram as missionárias da Madre Teresa de Calcutá. E de seguida, voluntários de vários países ocidentais.

Pois bem, Beverly também se sentiu chamada a partir como voluntária, oferecendo o seu mês de férias. Quando se viu com os papéis na mão, para fazer a sua candidatura, deparou com várias perguntas sobre o que tinha para oferecer às crianças romenas. Muito desanimada, Beverly viu-se obrigada a responder “não” a todas elas:


“Eu não apenas não possuía as qualidades profissionais que me eram pedidas, como também não possuía as qualidades amadoras: Sabe guiar? Não. Sabe pintar? Não. Sabe tocar um instrumento musical? Não. Não havia uma única questão que eu pudesse responder afirmativamente. Seria eu um fracasso tão grande? Não teria eu mesmo nada para oferecer? Durante a noite, sem conseguir dormir, levantei-me e sentei-me à secretária. Comecei então a escrever o que sabia fazer. Escrevi que estava sempre bem-disposta, que fazia de boa vontade qualquer tarefa que me atribuíssem, que era muito boa a trabalhar em equipa e que gostava de obedecer. No dia seguinte enviei o formulário. E alguns dias depois recebia a resposta: tinha sido aceite.”

 

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Beverly partiu para a Roménia, e a sua vida nunca mais foi a mesma. Na Roménia, onde o mês de férias se estendeu por longos períodos nos anos seguintes, Beverly reencontrou a fé, regressou à religião, descobriu o amor no serviço dos mais pobres, e encontrou um segundo filho a quem amar. Afinal, o pouco que Beverly tinha para dar era mais do que suficiente...

 

Que tenho eu para dar ao Menino neste ano novo? Uma vida cheia de dons e talentos que todos valorizam? Fantástico! Talvez possa tocar violino na missa, ou ensinar teatro às crianças de um orfanato, ou pintar um quadro para oferecer, ou dar catequese na paróquia... Está na hora de me colocar ao serviço!

Mas talvez eu não tenha talentos que brilham... Talvez eu tenha apenas a minha capacidade de trabalho, os meus braços que gostam de abraçar, a disponibilidade para escutar quem está só e precisa de desabafar...Talvez eu saiba cozinhar, ou fazer arranjos de electricidade, ou acartar tijolos... Não haverá quem precise desta ajuda também?

Talvez eu nem sequer tenha isso para dar: talvez me reste uma dor imensa, a solidão, a tristeza de quem vê ruir todos os sonhos, a doença ou a incapacidade... Também isso é dom que posso fazer ao Senhor.

Como os magos, como Beverly, iremos descobrir que aquilo que damos muda um pouco o mundo que nos rodeia - mas muda por completo o nosso coração...

 

 

 

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Esposos e Santos

por Teresa Power, em 14.12.14

Como eu tenho muito pouco tempo livre, costumo ter dois ou três livros de leitura espiritual espalhados pela casa, para poder aproveitar cada dois minutos disponíveis. Tenho geralmente também um livro na pasta da escola, para quando chego mais cedo às aulas ou durante os intervalos. Assim, somando todos os meios minutos aqui e ali, consigo uma boa dose de leitura espiritual diária. E confesso que sem ela, acho difícil rezar sem cessar, isto é, pensar em Deus o tempo todo. A leitura espiritual ajuda-me a manter o pensamento ocupado com as coisas divinas e estimula a minha criatividade para as coisas santas.

As crianças aprendem por imitação, claro! Com quem acham que a Sara aprendeu esta forma construtiva de aproveitar o tempo?

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 Há uns tempos atrás, ao chegar a casa, tinha na caixa do correio uma bela surpresa: um embrulho muito bonito com o livro "Esposos e Santos", enviado pelos nossos amigos Carmina e Edu, Tirciana e Vitor, com quem estivemos no retiro de Almada. Já contei aqui uma das histórias que li neste livro magnífico, e vou certamente continuar a falar dele. Afinal, a Palavra de Deus é para todos: 

 

"Sede santos, porque Eu, o Senhor, sou Santo."(Lv 19, 2)

 

Entretanto, pedi à Carmina e ao Edu que me contassem o que descobriram com a leitura deste livro. Deixo-vos aqui o texto que me enviaram, e fica a sugestão deste livro como presente de Natal para toda a família!

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"Esposos e Santos
Ser Santo deve ser objectivo de qualquer baptizado independentemente da forma como vive a fé em Deus ou da vocação à qual é chamado. Crescemos a achar que a santidade não está ao nosso alcance por ser o destino de poucos (certamente muito diferentes de nós), por terem uma vida extraordinária, capacidades sobrenaturais ou uma vida pia, orante ou contemplativa da qual não somos capazes.
Apesar dos constantes apelos à santidade que insistimos em ignorar durante toda a nossa vida (por acreditar que ela é apenas para os outros), a santidade não só é possível, como está acessível e é um dever de todo aquele que, como nós, acredita em Cristo.
O amado Santo João Paulo II não só acreditava nisto como, na sua sabedoria, estava certo de que a santidade não é só para indivíduos, mas também para casais que escolham viver plenamente a sua vocação matrimonial, na fidelidade do amor a Deus vivido através da entrega total ao outro todos os dias, no dia-a-dia da sua vida conjugal e na abertura dos dois aos outros. Assim procurou e encontrou casais que pelo seu testemunho de vida vieram confirmar o que já sabia, que os esposos também podem ser santos.
Se as notícias pareciam boas, estão prestes a tornar-se óptimas: não é preciso ser-se um casal especial nem extraordinário para ser santo, basta amar, o resto vem por acréscimo.
Se formos capazes de viver cada dia confiando em Deus, procurando fazer a Sua vontade e aceitando que a vida não nos pertence temos meio caminho andado, independentemente dos tropeços, quedas ou pecados de ambos ou de cada um.
A cada um de nós compete ser o arauto, o guardião e o garante da santidade daquele que Deus nos confiou para connosco ser um. É nessa unidade, na vida em comum, na certeza da pertença um ao outro e dos dois a Deus que a santidade se torna possível.
Curiosamente, é por sermos dois que escolheram (com e em Deus) viver como um só que temos a vida facilitada no nosso caminho rumo à santidade. O outro não é um estorvo, mas uma ajuda preciosa para o caminho. E esse caminho faz-se todos os dias com e por amor ao outro e Àquele que nos une. Amor esse que se manifesta e se concretiza na entrega e no serviço aos filhos de sangue e/ou de coração, à família, aos amigos, aos colegas, à comunidade, à paróquia, aos estranhos, aos pobres…. em suma, ao próximo.
Para ser santos não precisamos mudar de casa, de vida, nem de rotina, basta trazer Deus para a dentro da nossa casa, para viver connosco e fazer parte da nossa rotina.
O livro Esposos e Santos recentemente publicado pelas Edições Paulinas traz-nos dez maravilhosos testemunhos de casais que, como nós, se amavam, amavam a Deus e estavam dispostos a fazer a Sua vontade. São dez vidas diferentes entre si, mas comuns no amor a Deus e à Igreja, na entrega e no serviço aos outros que só um amor que vem de Deus consegue justificar.
Leiam, deliciem-se e atrevam-se a fazer o que o matrimónio nos exige e Cristo nos pede: sede Santos.


Eduardo e Carmina Cardoso"

 

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Falando de poesia...

por Teresa Power, em 19.10.14

Há duas semanas atrás, lemos todos os dias ao serão um verdadeiro poema, dos bons, dos grandes, dos que fazem borbulhas na pele e suster a respiração. Falo da primeira leitura da missa diária, retirada do Livro de Job. Ora escutem só um dos trechos que lemos:

 

“O Senhor falou a Job do meio da tempestade: «Porventura alguma vez na vida deste ordens à manhã e marcaste à aurora o seu lugar, para que ela agarre as extremidades da terra e dela sacuda os malfeitores? Deste ordens à terra para ela se moldar como a argila debaixo do sinete e tingir-se como um vestido, recusando a luz aos malfeitores e quebrando a força do braço erguido? Acaso desceste às nascentes do mar e andaste pelo fundo do abismo? Foram-te abertas as portas da morte e viste os portões do país das trevas? Abrangeste com o olhar a extensão do mundo? Fala!»” (Job 38, 1.12-21)

Na universidade, há vinte anos atrás, tive uma professora de Estudos Literários que não era crente. No primeiro dia de aulas, contudo, ela recebeu-nos assim:

- Quero dizer-vos desde já que há um livro de leitura obrigatória por todos os que desejam estudar literatura. Sem o conhecimento deste livro, não serão capazes de entender profundamente a literatura ocidental, seja ela qual for. Não entenderão Goethe, Shakespeare, Camões, Júlio Dinis, Saramago. Serão analfabetos literários. Este livro é a Bíblia.

 

Nunca mais esqueci aquelas palavras. Na verdade, a Bíblia marca toda a nossa cultura, toda a nossa arte, toda a nossa herança ocidental. Podemos fazer leis para a proibir, podemos retirar as referências à religião cristã das constituições de todos os países europeus, mas não podemos retirar a influência profunda e marcante da Palavra de Deus na vida de todos nós. E se isto é verdade para os não crentes, quanto mais será verdade para os crentes!

 

Ao escutar a leitura do Livro de Job, imaginei como seria uma escola onde, de vez em quando, a par de tantos outros textos, os textos bíblicos fossem trabalhados… Onde se aprendessem algumas histórias do povo judeu, como se aprendem as histórias dos deuses gregos ou do romantismo alemão… Onde se analisasse a poesia dos salmos como se analisa a dos poemas antigos… Não precisava de ser na escola católica, claro, porque como bem nos explicou a minha professora, a Bíblia é património mundial; mas pelo menos na escola católica…

 

PS - Ontem, no seu blog, a Marisa escreveu um post sobre o seu plano bíblico anual e desafiou-nos a acompanhá-la! Vão até lá e aproveitem o desafio :)

 

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As figuras de estilo e as mães

por Teresa Power, em 10.10.14

Num destes dias, li à Lúcia e ao David, durante o nosso tempo de leitura ao serão, A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Deliciámo-nos - eu conscientemente, eles em cada vibração da sua alma - com a magnificência das descrições, o som das palavras na boca, o marulhar das ondas de verão de regresso ao pensamento. Sophia escreve muito bem, claro. E é muito diferente ler uma história escrita por um "amador" das letras, contida num dos milhares de livros infantis à venda, ou ler uma história escrita por uma Sophia.

Mas quando acabei de ler, e depois de uns segundos de silêncio pensativo, o David perguntou:

- O Rapaz não tinha mãe?

Sorri para mim própria. Realmente, não dá para acreditar que uma criança com mãe pudesse decidir de repente ir embora da vida, mergulhando num mar estranho, atrás da Menina do Mar. É difícil imaginar o Rapaz feliz ao abandonar a sua casa para sempre e de forma tão radical, a não ser se o imaginarmos maltratado ou órfão. A pergunta do David fez-me compreender o porquê daquela estranha sensação que sempre me fica na alma depois de ler um livro de Sophia.

Dei-lhe a única resposta possível:

- Acho que não, David.

Depois de os deitar, arrumei o livro na estante, ao lado de outros livros da Sophia. Suspirei. Nem pensar em ler A Floresta, onde a menina principal vive rodeada de criadas e criados, numa casa enorme e num bosque magnífico, mas onde continua a não haver uma única mãe; ou A Fada Oriana, onde a família numerosa do moleiro não é capaz de se organizar e cuidar dos seus filhos, a família do lenhador quase morre de fome e de frio, e a única pessoa sensata vive sozinha; no Cavaleiro da Dinamarca há uma família à espera, eu sei; mas não tem nome nem acção. Há nos livros de Sophia, por detrás da beleza das palavras e da rectidão de valores básicos, uma torre incontornável de solidão e aspereza e uma perturbadora ausência da família. Nos seus livros (como na sua vida) falta o colo de uma mãe.

Todos os anos, na nossa casa, há sempre alguém que tem como leitura obrigatória escolar uma história de Sophia. E apesar de todos os valores transmitidos na sua obra, confesso que estou um pouco cansada, pelos valores que nela faltam. Eu sei que é mais simples escolher uma obra já bem trabalhada. E o "sempre se fez assim" tem muita força! Mas as figuras de estilo não são mais importantes que a noção de família, e um professor cristão tem de estar atento a ambas.

 

Não me levem a mal... Não estou apenas a falar de literatura. Também estou a falar de Geografia, de Matemática, de Física, de Artes, de Inglês. Como professora cristã, tenho a obrigação de estar vigilante! Um problema matemático sobre lucro é importante, mas um cristão precisa de se certificar que as crianças resolvem problemas suficientes sobre partilha e doação; um texto em inglês sobre Shakira pode ser muito giro, mas é preciso que seja contrabalançado com textos suficientes sobre personalidades verdadeiramente motivadoras de valores cristãos. Enfim, S. Paulo deu aos filipenses uma sugestão que continua válida como critério nas nossas escolhas:

 

"De resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, tende isso em mente." (Fl 4, 8)

 

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Uma tarefa grandiosa e humilde

por Teresa Power, em 07.10.14

No sábado estive no Porto, no E-vangelizar, um encontro fantástico organizado pelos salesianos para catequistas, feito de workshops onde podemos aprender, treinar e partilhar várias formas de evangelizar. De Mogofores, fomos um bom grupo de catequistas, e o convívio foi óptimo.

As edições salesianas tinham no encontro uma mesa onde vendiam as últimas novidades para catequistas. Entre elas, o terceiro volume do meu livro Os Mistérios da Fé. Finalmente pude pegar no meu livro, folheá-lo e cheirá-lo! É uma sensação estranha, esta de ver o fruto do nosso trabalho à venda. Enfim, se o quiserem adquirir, cliquem na imagem do lado direito e encomendem às edições!

Na viagem de carro, conversávamos animadamente sobre muitas coisas, entre elas, a catequese.

- Que responsabilidade tão grande a nossa - disse um dos catequistas, num tom levemente preocupado. Pai de uma bela Família de Caná, ele vai pela primeira vez ser catequista, tendo a seu cargo um grande grupo de crianças de seis anos. Entre elas, a Lúcia!

- Responsabilidade porquê? - Perguntei.

- Então, vou ser responsável por apresentar Jesus a tantos meninos... Muitos deles nunca antes ouviram falar de Deus! O primeiro encontro é sempre tão marcante... Quero ser fiel. Não quero falhar no essencial... Quero manter o rumo. Quero ser digno desta tarefa grandiosa!

Levar Jesus às crianças é verdadeiramente uma tarefa grandiosa, e nenhum de nós está à altura, claro! Como diz S. Paulo:

 

"Levamos este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não nosso." (2Cor 4, 7)

 

Dizia-nos o padre Rui Aberto, no encontro, com muita graça, que há dois tipos de catequistas que se devem evitar: os que acreditam que tudo depende do nosso esforço, e não deixam espaço à novidade de Deus; e os que acreditam que o Espírito Santo faz tudo, de tal forma, que nem precisamos de preparar a catequese! Não, o Espírito Santo não é o espírito da preguiça, mas da graça, e o Papa Francisco alertou-nos na sua exortação que é preciso, sim, preparar as homilias, preparar as evangelizações, preparar as pregações:

 

"Um pregador que não se prepara não é «espiritual»: é desonesto e irresponsável quanto aos dons que recebeu." (A Alegria do Evangelho, nº 145)

 

Escutei as palavras do meu amigo catequista com agrado. Um catequista apaixonado por Jesus, que tira tempo para fazer formação, que tira tempo para ler e meditar na Palavra e nas palavras que nos levam até Deus, e que o faz com humildade, consciente da sua fraqueza e da grandiosidade da tarefa que lhe é proposta, é de certeza um bom catequista. A Lúcia fica bem servida!

Pensei então na nossa responsabilidade enquanto pais... Somos os primeiros evangelizadores dos nossos filhos. Seremos suficientemente fiéis ao Senhor? Estaremos suficientemente preparados? Lemos, estudamos e aprofundamos a nossa fé, ou contentamo-nos com o que aprendemos na nossa própria catequese, quando éramos crianças? Conhecemos a Palavra de Deus? Conhecemos a Palavra da Igreja?

 

Os Mistérios da Fé foram escritos porque também eu ando à procura, porque também eu estou consciente da minha imensa pequenez e da minha imensa responsabilidade enquanto mãe e enquanto catequista. Escavei, escavei, escavei a Palavra de Deus, lendo a propósito e a despropósito, estudando, meditando. Procurei servir os catequistas e sobretudo as famílias, no seu tempo semanal de evangelização (sim, também na família é preciso encontrar um tempo semanal de evangelização formal!). A obra escrita está terminada com este terceiro volume; mas a obra vivida, essa ainda só está a começar...

 

 

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História de uma Alma

por Teresa Power, em 01.10.14

Hoje é dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, a minha padroeira. O Canto de Oração está mais florido, com as "rosas de Santa Teresinha", que crescem no nosso jardim em sua honra e estão sempre cobertas de flores nesta altura!

Conheci santa Teresinha com dez anos, através do livro Amor sem Fronteiras, de Januário dos Santos, e desde então a nossa amizade não parou de crescer. Um pouco mais tarde li pela primeira vez a História de Uma Alma, que depois reli vezes sem conta, e continuo a reler. Sorri quando o Papa Francisco, na viagem ao Rio de Janeiro, disse diante das câmaras que levava entre os seus objectos pessoais também um livro sobre Santa Teresinha. Quem não ama esta santa tão jovem, tão pura, tão bela e tão grande?

Mas não foi "apenas" a história de Santa Teresinha que conquistou o meu coração; foi também, e muito especialmente, a história dos seus pais e da sua família. Ainda antes de casar, comprei o livro História de Uma Família, sobre a família de Santa Teresinha, e tenho-o todo sublinhado e anotado, como se faz com um livro de estudo. A grande preocupação destes pais era a santidade dos seus filhos e um do outro. Nada no seu dia, nas suas decisões, nas suas escolhas - desde a escola das meninas à casa onde viver - foi deixado ao acaso! Zélia e Luís Guérin procuravam em tudo, mesmo tudo, a santificação da sua família. Sofreram muito, pois viram morrer quatro filhos, Zélia morreu de cancro da mama aos quarenta e cinco anos, e Luís sofreu de grave demência no final da sua vida. Mas nada os separou do amor de Deus. A esta família santa aplicam-se com justiça as palavras de Jesus:

 

"Todo aquele que escuta as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha." (Mt 7, 24-25)

 

Santa Teresinha aprendeu pois a ser santa ao colo do pai e da mãe, que entretanto foram beatificados por Bento XVI a 19 de outubro de 2008. As relíquias deste casal de santos serão expostas à veneração dos fiéis durante o sínodo da família, como forte sinal de que as famílias cristãs são chamadas à santidade. Já é tempo de colocar sobre o candelabro a vida de santidade das famílias verdadeiramente cristãs, para poderem iluminar as nossas dificuldades na educação dos nossos filhos, as nossas escolhas diárias, as nossas lutas e as nossas vitórias.

O sínodo irá trazer-nos algumas respostas pastorais sobre vários assuntos relacionados com as famílias modernas, segundo espero; mas eu desejo que, acima de tudo, nos aponte caminhos de santidade, nunca baixando a fasquia que nos faz pular alto e alcançar a verdadeira felicidade do Céu!

 

 

 

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