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Crianças na Casa de Deus

por Teresa Power, em 01.06.16

- Eu também vou à catequese - Afirmou a Sara, muito séria, quando viu a Lúcia, o António e a Clarinha a trocarem de roupa e a lavarem a cara.

- Não, Sara, tu não vais porque só tens três anos - Explicavam-lhe os irmãos.

- Vou sim!

- Não vais.

- Vou, vou ficar na sala da Lúcia porque lá vêem filmes de Jesus e cantam canções e fazem desenhos e contam histórias.

- Mas a Lúcia está no segundo ano, e tu ainda nem entraste na escola. Não vais à catequese.

- VOU SIM! EU VOU À CATEQUESE!

E as palavras decididas transformaram-se em gritos histéricos, bater de pé no chão e uma cascata de lágrimas.

- Deixa-a ir, Niall - Intercedi eu, por fim.

Mas o Niall não se queria deixar convencer:

- Tu não achas que o João e a Isabel já têm que fazer, com vinte meninos da idade da Lúcia? Como podemos pedir-lhes que cuidem também da Sara?

Chegou a hora de entrar no carro, e a Sara entrou também. O Niall ficou desarmado.

- Pronto, anda lá!

Ao chegar ao Santuário, a Sara correu para junto da Isabel e do João, catequistas da Lúcia, que a acolheram com imensa alegria e o carinho habitual. Mais tarde, a Isabel enviou-me estas duas fotos, tiradas com o seu telemóvel:

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- A Sara é a nossa catequisanda mais empenhada - Comentaram os catequistas no final, a rir. E tem convite feito para ir sempre que quiser!

 

Entretanto, o António e o David tiveram uma conversa séria entre os dois, que resultou nesta afirmação do António:

- Mamã, amanhã vou ser acólito.

- Ai sim? Não és ainda pequenino para tanta concentração?

- Não. Não sabes que já tenho seis anos?

Perante tanta convicção, não nos restou alternativa senão apoiar o nosso filho nesta sua grande decisão. Lindo, sereno, muito sério, muito compenetrado, o António serviu o altar do Senhor com imenso entusiasmo. No final da eucaristia, teve direito a uma salva de palmas...

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 Os filhos crescem, e como Jesus, crescem em todas as áreas da sua humanidade:

 

"Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens." (Lc 2, 52)

 

É um privilégio tão grande, este que o Senhor nos concede de os podermos acompanhar!

Também o nosso primogénito cresceu. Sexta-feira participará na missa dos finalistas do Colégio Nossa Senhora da Assunção, Colégio a que tanto, tanto deve, e que embora não tenha podido frequentar este ano letivo, o continua a considerar como aluno.

Será também no Colégio que, no próximo domingo às três da tarde, o Francisco fará um espetáculo de Ilusionismo. Querem vir? Temos bilhetes para vender, e só precisam de me escrever para o mail. O espetáculo foi a forma que o Francisco encontrou de reunir algum dinheiro para, no final de Julho, ir a Cracóvia, às Jornadas Mundiais da Juventude, inserido num grupo de jovens salesianos. Que grande graça! O Francisco terá oportunidade de ver o Papa, de conviver com milhões de outros jovens crentes, de escutar catequeses fantásticas, de participar em atividades divertidas e sérias, de visitar o Santuário da Misericórdia, de me trazer uma imagem de Jesus Misericordioso :)  

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Apareçam no domingo!

E hoje, Dia mundial da Criança, rezemos ao Senhor por todas as crianças do mundo, para que todas cresçam bem pertinho da Casa de Deus! Ámen.

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Estrela

por Teresa Power, em 30.05.16

A nossa querida gata Tiger tem sido uma mãe exemplar. Já deu à luz duas ninhadas, e de cada vez entregámos a famílias nossas amigas todos os gatinhos exceto um, ficando assim sempre com uma cria em casa, o que nos tem permitido observar a forma carinhosa com que as gatas cuidam dos seus bebés.

Mas na semana passada ficámos muito tristes: a Estrela, a gatinha multicolor que conservámos desta última ninhada, desaparecera. A Tiger parecia irrequieta e confusa, sem nenhum dos seus gatinhos para amamentar e lamber, e os meninos suspiravam de tristeza, imaginando cenários de frio e fome para a pequena Estrela.

- Ela não morreu atropelada, isso tenho eu a certeza - Dizia o Niall, que ao serão se dedicava a percorrer a berma da estrada para cima e para baixo, à procura de sinais da Estrela. - Certamente que alguém a viu sobre o muro e a levou para sua casa.

- Achas que tratam bem dela? - Perguntava a Lúcia especialmente, muito preocupada.

- Sim, Lúcia, não tenhas medo!

Mas nem a Lúcia, nem ninguém descansou. Até que sábado de manhã bem cedo, enquanto passeava os cães, o Niall ouviu um miar aflitivo para além do jardim. Depois de procurar um bocado, descobriu a Estrela, escondida sob um carro. Feliz, aproximou-se e pegou nela com jeitinho, para logo a trazer para casa abrigada dentro do seu casaco.

- Olha, Teresa, o que eu encontrei! - Disse-me assim que abriu a porta.

Dei um pulo de alegria: - Dá cá, vou acordar a Lúcia com a gatinha!

E assim fiz: devagarinho, enfiei a gatinha na cama da Lúcia, que abriu os olhos de espanto e deu um salto como não é nada habitual nas manhãs de sábado.

- Ah! Voltaste, Estrela! Ah, querida Estrela!

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Mas se pensam que a maior festa foi a da Lúcia, estão bem enganados...

- Vamos levar a gatinha à mãe dela - disse eu por fim, pegando na Estrela e levando-a para o jardim. A Tiger estava por lá, muito parada, como costume. Pousei a gatinha no chão e chamei a Tiger. E de repente, num salto único e simultâneo, mãe e filha entrelaçaram-se, rebolando depois pelo chão. Finalmente, ronronando de pura felicidade, a Tiger lambeu a Estrela de alto a baixo, enquanto a Estrela mamava, e assim ficaram, imóveis, por longo, longo tempo.

Durante o resto do dia, mãe e filha não se separaram. No jardim, nos sofás, sobre as camas dos meninos, no meio dos bonecos e dos brinquedos, mãe e filha brincaram uma com a outra, intercalando lambidelas e mamadas com um quieto ronronar.

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Os pensamentos que às vezes me passam pela cabeça poderiam ser considerados sacrílegos, se Jesus não se tivesse também lembrado de comparações semelhantes... Sim, ao olhar para as duas gatas tão felizes com o reencontro, lembrei-me do Evangelho.

Nem sempre é fácil entender afirmações chocantes de Jesus, como por exemplo:

 

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão."

(Lc 15, 7)

 

Jesus fez esta afirmação, se bem se lembram, depois de contar a história do pastor que deixa noventa e nove ovelhas sozinhas para ir buscar uma única que andava perdida. Jesus com ovelhas, eu com gatos...

Como? Mais alegria por um que regressa do que por noventa e nove que nunca sairam de casa? O reencontro da mãe Tiger com a filha Estrela não podia ser melhor ilustração. Quanta alegria! Naturalmente que a Tiger teria preferido que a sua gatinha nunca tivesse saído de casa, mas lá que a alegria que sentiu com o seu regresso foi mil vezes superior à que sentia antes da sua partida, lá isso foi.

Assim também com o Senhor, quando de todo o coração regressamos ao aconchego do seu abraço paternal. É que todos os dias, ao fim da tarde, Ele sobe ao cimo da colina e prescruta o horizonte, desejoso de que seja esse o dia do nosso regresso...

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos." (Lc 15, 20)

 

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Com o dedo na areia

por Teresa Power, em 29.02.16

Grande agitação na minha turma do Curso Vocacional.

- Meninos, por favor, sentem-se! Mas que se passa? O que aconteceu?

- Foi a J. Ela colocou umas fotos no Facebook sobre uns assuntos que já se espalharam por todo o lado.

J. chora a um canto.

- Pronto, meninos, párem com essa conversa. De certeza de que J. já está arrependida do que fez. Vamos esquecer!

- Esquecer como, professora? Todo o mundo pode ver! A professora não sabe que já não dá para apagar? O que está online está online!

- Sim, e não adianta ela dizer que não é verdade, porque todos o podemos provar!

- E agora está cheia de problemas, e por isso é que está a chorar. Se desse para voltar atrás...

A conversa prolonga-se por toda a aula, sem que eu tenha a capacidade (ou o jeito) para a interromper e para ensinar algum Inglês. J. sai para apanhar um pouco de ar, e regressa com grande tristeza. Uns choram com ela, outros riem, outros encolhem os ombros, outros lançam mais achas para a fogueira.

 

J. precisa de aprender a lidar com a internet, e creio que o susto que apanhou lhe servirá de lição, a ela e aos colegas. Mas as novas gerações, que vivem no mundo real e no mundo virtual quase indistintamente, que assistem aos grandes "reality shows" modernos e que se comprazem na descoberta dos pecados alheios também precisam de aprender algo sobre o perdão.

Lembro-me da história do Evangelho, em que uma mulher, apanhada em flagrante delito de adultério, é conduzida à presença de Jesus. O evangelista recorda um pormenor curioso, aparentemente sem qualquer importância:

 

"Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra." (Jo 8, 6)

 

É difícil, hoje, um jovem recuperar de um pecado grave passado, pois a internet e os telemóveis não perdoam, e no espaço virtual não há absolvição. Deus, pelo contrário, não coloca os nossos pecados online, não os revela ao mundo inteiro num grande Big Brother televisivo, nem os escreve na pedra ou no bronze: inclinando-Se para o chão, Deus escreve os nossos pecados sobre a areia... E uma única onda do seu amor misericordioso apaga-os de uma vez.

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O Perdão e a Festa do Céu

por Teresa Power, em 15.02.16

- Sara, quantas vezes te disse que não se pode escrever na parede? E tu sempre a escrever! Ainda ontem limpei tudo, com tanto trabalho, e agora chego aqui e tenho a parede toda riscada!

A Sara não parece muito importada com a minha conversa. Aliás, fica até bastante ofendida, e reage de imediato:

- Já não te convido para a minha festa de anos!

Abafo uma gargalhada, mas decido entrar no jogo:

- Oh, Sara, que pena! E a tua festa de anos é em setembro, deixa lá ver, daqui a oito meses... Tens a certeza de que não me vais convidar?

- Não vou! - Continua ela, de mãos na cintura e a fazer beicinho.

- Bem, e se eu te preparar a festinha? Por exemplo, eu podia fazer o lanche, escrever os convites, pôr a mesa para os meninos, e até, imagina, arrumar tudo no fim...

Mas a decisão está tomada:

- Não convido!

Já não consigo evitar a gargalhada:

- Ainda tens tempo para mudar de ideias. E agora desaparece daqui, que tenho uma parede inteira para limpar!

A Sara vai então pregar para outra freguesia (e muito provavelmente pintar outras paredes):

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 Durante todo o dia diverti-me com esta ameaça da minha filha mais nova, tão segura do alto dos seus três anos. Mas à noite, já deitada, enquanto fazia o meu exame de consciência, assaltou-me um terrível pensamento: e se Deus não nos perdoasse os nossos pecados? E se, de cada vez que eu pecasse, eu fosse imediata e definitivamente excluída da festa eterna, essa festa em que espero viver daqui a muitos, muitos anos? E se de nada valesse oferecer-me para, ao menos, limpar os vestígios da festa, porque o meu pecado era imperdoável? Um pensamento destes é mais assustador que o pior dos pesadelos...

Será que já nos demos conta do que significa sermos perdoados? Num único instante, Deus apaga por completo o mal que fizémos e derruba o muro que construímos à nossa frente, abrindo-nos de par em par a Porta Santa da eternidade. E faz isto à custa do Sangue precioso de Jesus! Talvez estejamos tão habituados à ideia de que Deus perdoa, que nos esquecemos da imensa graça que significa essa simples afirmação. Diz S. Pedro:

 

"Fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, como prata e ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha." (1Pe 1, 18-19)

 

O Cardeal Kasper explica o que significa "graça barata", essa falta de gratidão e de gestos correspondentes a que todos nós estamos sujeitos, se não meditarmos o suficiente neste mistério do perdão que Deus nos obteve na cruz:

"A palavra misericórdia pode ser mal entendida quando a misericórdia se confunde com uma débil indulgência e uma atitude de laissez faire. Surge então o perigo de fazer da graça divina - "comprada" e "merecida" por Deus na cruz a troco do seu próprio sangue - uma graça barata (...), isto é, o anúncio do perdão sem penitência, do batismo sem disciplina comunitária, da Ceia sem reconhecimento dos pecados, da absolvição sem confissão pessoal." (in: Misericórdia, Walter Kasper)

Que esta quaresma nos encha de gratidão perante o dom maravilhoso que o Senhor nos faz em cada dia, ao perdoar o nosso pecado, abrindo com o seu Sangue a Porta Santa que nos lança na festa eterna do céu! E que nenhuma penitência, nenhuma obra de misericórdia, nenhum sacrifício nos pareça excessivo perante este dom que supera todos os dons - este per dom, este perdão. Ámen!

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O nosso Retiro de Natal

por Teresa Power, em 05.01.16

No sábado tivemos o nosso Retiro de Natal, em Fátima. Que dia tão cheio de bênçãos! Ainda estamos em clima de retiro nos nossos corações, depois de uma experiência tão forte da misericórdia do Senhor.

E forte porque começou logo de madrugada, com a perceção da sua imensa bondade, nos raios do sol nascente que atravessavam as nuvens ao longo da nossa viagem. Depois de tantos dias de chuva intensa, o sol brilhou para nós! Das trevas nasceu a Luz...

Apesar de muitas baixas de famílias inteiras neste retiro, sobretudo por causa dos vírus da época, estávamos cerca de quinze famílias no Centro Pastoral Paulo VI. Algumas destas famílias fizeram um esforço muito grande para ali estar, pois vinham com bebés muito pequeninos! A mais pequenina era, claro, a Lúcia, da querida Família Batista. E que bem que ela se portou o dia inteiro!

É sempre uma grande alegria ver chegar as famílias aos nossos encontros. Que saudades uns dos outros, durante os períodos mais ou menos longos em que apenas comunicamos por mail - ou por oração!

Com a pontualidade característica das Famílias de Caná, começámos o nosso retiro com oração cantada e dançada, cheios de alegria no Senhor. Rezámos o Shemá, consagrámo-nos a Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, e por fim, o David ajudou-me a orientar um mistério do Rosário.

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Depois, enquanto as crianças saíam com o Niall e a Clarinha para brincar e falar de Jesus numa outra sala, eu fiz a meditação sobre a Misericórdia e o Natal, na sala S. João Paulo II. Os sorrisos abertos fizeram-me sentir que o Senhor estava connosco, também através desta meditação. A Palavra que Ele nos ofereceu ao longo de três quartos de hora foi verdadeiramente desafiante e cheia de esperança:

 

“Alarga o espaço da tua tenda sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas, alonga as cordas, reforça as estacas, porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.” (Is 54, 1-3)

 

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 Seguiu-se a missa na Basílica da Santíssima Trindade, onde o nosso encontro foi referido, no início, como tratando-se do Encontro Nacional das Famílias de Caná. Na verdade, podemos ser poucas famílias, mas já somos de âmbito nacional... E se continuarmos a alargar o espaço da nossa "tenda", a "reforçar as estacas", a "estender as lonas", em breve conquistaremos o mundo para Deus.

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 Que alegria, passar pela Porta Santa!

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 O almoço foi partilhado em grande festa, e durante o tempo livre do início da tarde, muitos tiveram ocasião de se confessar. Depois demos início à Via Stellae, a nossa meditação natalícia, pelo Caminho dos Pastorinhos. O céu ameaçava chuva, pelo que fizemos o caminho com passo rápido e sem demoras. Mas o Senhor segurou as nuvens com a sua mão poderosa, não permitindo senão algumas gotas de chuva de vez em quando!

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Como a Cláudia tinha esquecido o carrinho da Alice em casa, decidimos que a Sara faria o caminho a pé e cederia o seu carrinho à amiga, bem mais pequenina. Para nossa grande surpresa, a Sara percorreu o caminho inteiro a pé, como gente grande. Um grande "viva" à Sara!

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As crianças fizeram a sua caminhada quase por inteiro no meio das flores, que brotavam abundantes nas ervas dos campos em redor. Felizes, colhiam flores que iam oferecendo aos pais e uns aos outros.

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Em cada estação, ajoelhámos, guardámos uns momentos de silêncio e meditámos no texto que vos tinha proposto. Depois, sempre em clima de oração e silêncio, continuávamos o nosso caminho até à estação seguinte.

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Ouvido de passagem:

- Coitado de Jesus aqui nesta estação! Vou dar-lhe as minhas flores!

E a Lúcia depositou o seu ramo aos pés de Jesus, caído sob o peso da cruz.

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- Os pastorinhos faziam este caminho todos os dias?

- Sim, todos os dias! Sem estrada marcada, claro, sempre pelos montes...

- E sem sapatos também...

- Ah...

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Alguns bebés foram carregados ao colo, outros às costas, e outra ainda, muito pequenina, teve de voltar atrás porque precisava de mamar e a chuva miudinha dificultava a operação ali, em plena Via Sacra. Mas que sentido teria uma Via Sacra - uma Via da Estrela - sem algum sofrimento? Amor rima sempre, sempre com dor. No Natal também.

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Finalmente chegámos ao Calvário Húngaro, onde terminámos a nossa caminhada. A chuva cá fora empurrou-nos para dentro da capela, e como não estava lá mais ninguém, pudémos cantar e rezar em voz alta, agradecendo ao Senhor, ali presente entre nós no Santíssimo Sacramento, o dom deste dia.

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A Via Stellae terminou. Chegou o tempo de brincar! De um momento para o outro, a chuva parou, o sol brilhou, e as crianças puderam correr de novo, felizes, brincando na Loca do Anjo e junto das casas dos pastorinhos, que visitámos por fim.

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Quantas lições de humildade e simplicidade, nestas casas pequeninas e pobres!

Tal como no ano passado, também neste retiro terminámos o nosso encontro junto ao poço da casa da Lúcia. Algumas famílias já tinham ido embora, mas ainda tínhamos crianças suficientes para cobrir o poço de canções...

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A Sara recuperou o seu carrinho de passeio para um muito merecido descanso e uma bolacha:

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 "Alarga o espaço da tua tenda", foi-nos dizendo o Senhor ao longo de todo o dia. E nós alargámos... E o milagre da alegria, da paz, da esperança aconteceu!

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 Ámen.

 

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Retiro de Natal e peregrinação à Porta Santa de Fátima

por Teresa Power, em 09.12.15

É com imensa alegria que convidamos todos os leitores deste blogue e todas as Famílias de Caná a virem fazer connosco o Retiro de Natal, no próximo dia 2 de janeiro, sábado, em Fátima! Aqui fica o programa: Programa Retiro Natal 2016

Para podermos decidir qual o tamanho da sala do Centro Paulo VI que reservaremos (gostaríamos que fosse o auditório principal...), pedíamo-vos uma breve inscrição online, aqui.

O almoço é livre, podendo quem quiser trazer merenda ou ir a um dos muitos restaurantes em Fátima. Nós levaremos a nossa merenda habitual. Durante a tarde percorreremos o Caminho dos Pastorinhos, meditando nos mistérios do Natal. Servir-nos-á de meditação o mesmo texto do ano passado, que deverão descarregar e levar convosco: Via Stellae

Como todos os nossos retiros, também este é aberto a todos, bebés, crianças, jovens, adultos. Venham, e aproveitem a ocasião para fazer uma obra de misericórdia espiritual - dar bom conselho - convidando uma família amiga a vir também!

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Neste Ano Santo, neste grande Jubileu da Misericórdia, o Santo Padre convida-nos a todos a fazer uma peregrinação a uma das Portas Santas, abrindo o coração à grande indulgência de Deus, ao Grande Perdão. Na Bula de Proclamação do Jubileu, o Santo Padre diz assim: "A peregrinação é um sinal peculiar no Ano Santo, enquanto ícone do caminho que cada pessoa realiza na sua existência. Também para chegar à Porta Santa, cada pessoa deverá fazer, segundo as próprias forças, uma peregrinação. Esta será sinal de que a própria misericórdia é uma meta a alcançar que exige empenho e sacrifício. Ao atravessar a Porta Santa, deixar-nos-emos abraçar pela misericórdia de Deus e comprometer-nos-emos a ser misericordiosos com os outros como o Pai o é connosco."

Depois, na Carta sobre as Indulgências deste ano santo, o Santo Padre especifica: "Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, a qual vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido. Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia. Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro."

 

Em Fátima, a Porta Santa foi aberta ontem, dia 8, ao mesmo tempo que o Santo Padre abria a Porta Santa na Basílica de S. Pedro. Assim, ao longo de todo este ano santo, a Porta de S. Tomé - o Apóstolo do Evangelho proclamado no Domingo da Misericórdia - na Basílica da Santíssima Trindade estará aberta para nos acolher nos braços do Pai, oferecendo-nos gratuitamente, por pura misericórdia, a grande indulgência. 

Façamos então a nossa peregrinação a esta Porta Santa, entregando-nos ao abraço do Pai! Teremos tempo para confissões, para um ensinamento sobre a Misericórdia, para a Eucaristia, para a meditação na Via da Estrela, a "Via Sacra do Natal", e por fim, para grande e alegre brincadeira, visitando as casas dos pastorinhos e saltitando nos seus montes.

O ano jubilar é uma oportunidade na vida que não podemos desperdiçar! Diz-nos o Senhor, com palavras que ecoam desde os tempos antigos, na Lei de Moisés:

 

"No dia do grande Perdão, fareis ressoar o som da trombeta através de toda a vossa terra. Este será para vós um jubileu!" (Lv 25, 9-10)

 

Que o som da trombeta a todos nos reuna, preparando desde já a reunião definitiva, um dia, em casa do Pai. Ámen!

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As obras da misericórdia e as estrelinhas do presépio

por Teresa Power, em 07.12.15

Hora de catequese e oração familiares. Nestes dias de advento, este tempo tem vindo a alongar-se alegremente. Em torno do presépio, aquecidos pela lareira, iluminados pelas luzes da Árvore de Jessé, vamos meditando e rezando. A novena da Imaculada Conceição e a Árvore de Jessé têm-nos dado a oportunidade de recordar e recontar várias histórias da Bíblia, no meio de grande animação. Também as leituras da missa do dia, neste tempo de Advento, são particularmente profundas e sugestivas, gerando grandes conversas entre nós. De olhos postos no presépio, vamos falando com o Senhor e deixando que Ele nos fale...

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Mas hoje é preciso fazer uma catequese especial, pois o Ano Santo da Misericórdia está à porta.

- Meninos, sabem quais são as sete obras da misericórdia corporais? Há muitas, claro, mas a Igreja fala em sete, para nos ajudar a concretizar alguns gestos que estão ao alcance de todos.

- E quais são?

- Ora escutem: dar de comer a quem tem fome, e dar de beber...

- ... a quem tem sede!

- Mamã, precisamos de levar pacotes de leite para a escola. É para uma campanha para a Casa do Gaiato!

- Ora aí está uma bela ideia. Outra obra: vestir os nus...

- Isso inclui as horas passadas ao ferro ou a dobrar roupa?

Gargalhadas.

- Acho que sim! Outra: visitar os presos, dar pousada aos peregrinos, enterrar os mortos, visitar os doentes...

- Na minha sala, quando um menino está doente na escola e não pode ir ao recreio, um de nós fica na sala com ele. Eu fico muitas vezes a fazer companhia!

- Que boa obra de misericórdia!

- Visitar a bisavó também conta?

- Conta, claro! E agora escutem: a Igreja também nos fala das obras de misericórdia espirituais. E olhem que bonitas: dar bom conselho...

- Eu costumo dar bons conselhos aos meus amigos.

- Então fazes uma obra de misericórdia, David. E aqui vai outra: corrigir os que erram, ensinar os ignorantes...

- A minha professora passa a vida a corrigir os meus erros! Ela faz muitas obras de misericórdia!

Gargalhadas.

- Pois faz, Lúcia. Ser professor pode ser uma bela obra de misericórdia, e eu sei-o bem! Outra: perdoar a quem nos faz mal...

- Eu perdoo aos manos quando eles destroem as minhas construções!

- E eu desculpei a Sara quando ela me rasgou o desenho.

- Escutem esta: consolar os tristes...

- Isso fazemos nós sempre na escola, junto dos amigos!

- E eu faço em casa convosco quando choram! Há outra obra de misericórdia muito interessante: suportar as fraquezas do próximo com paciência.

- Que significa isso?

- Significa que todos nós somos imperfeitos, e por vezes é difícil viver com a imperfeição dos outros. Especialmente se temos de lidar com essa imperfeição várias vezes por dia! É o que acontece na família. E ser misericordioso é ser capaz de aceitar os defeitos do outro, mesmo quando nos incomodam, com paciência...

- Como nós aceitamos quando gritas connosco?

- Ou como eu aceito quando os manos não me deixam estudar em paz.

- Mas nós também aceitamos que ocupes o quarto todo a fazer ginástica!

- E que não arrumes depois...

- Não ouvir à primeira conta?

- Temos de ser pacientes com os gatos e os cães?

- Se formos mais pacientes uns com os outros, estamos a fazer uma belíssima obra de misericórdia. E sabem qual é a última? Rezar pelos outros.

- Essa nós fazemos todos os dias!

- Ouçam então: ao longo do Advento, vamos fazer todos os dias várias obras de misericórdia, em casa, na escola, em todo o lado. Depois, durante a oração familiar, iremos colocar no presépio uma estrelinha. Quando chegar o Natal, o Canto de Oração será um céu estrelado, digno da noite de Natal.

- Podemos começar já?

- Fizeste uma obra de misericórdia hoje?

- Fiz! Deixei a Sara fazer o puzzle comigo, e ela rasgou uma peça...

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 "«Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede e te servimos, doente ou na prisão e te visitámos, peregrino ou estrangeiro e te acolhemos?» E o Rei responderá: «Sempre que fizestes estas coisas a um dos meus irmãos, a Mim o fizestes.»"

(Mt 25, 37-40)

 

No encontro de Aldeia de Caná de sábado, o Pedro e a Sandra fizeram-nos um belíssimo ensinamento sobre o Ano Santo e as obras de misericórdia. Para as crianças, levaram desenhos para colorir sobre o tema, que foram buscar a este blog. Os desenhos são realmente sugestivos e permitem-nos aprender de cor as obras da misericórdia. Querem usá-los aí em casa? Aqui ficam: obras de misericórdia

Feliz Ano Santo da Misericórdia para todos!

 

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