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O mistério do saco roubado e os gigantes de Canaã

por Teresa Power, em 14.08.15

Durante as nossas férias na montanha, os cães estiveram sempre connosco. Que alegria para nós e para eles, podermos disfrutar juntos de tanta natureza!

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À noite caíam, redondos, no tapete da sala, donde só se levantavam de manhã. Mas houve uma noite em que ladraram imenso, excitadíssimos. Que se passaria lá fora? Decidimos esperar pelo dia para descobrir, pois já estávamos todos na cama.

E descobrimos: de manhã, o saco de três quilos de comida de cão tinha... desaparecido! Como era possível? Quem teria vindo roubar a comida dos cães? Surpreendidos e ávidos de aventura, os meninos decidiram investigar.

Descobriram então um rasto abundante de comida de cão desde o portão da casa até ao tanque. Que estranho fenómeno! 

- Cá para mim foi uma raposa - Disse o Niall, verdadeiramente surpreso. - Nenhum ladrão que se preze deixaria um rasto assim!

- Ou um lobo. Há lobos no Gerês, não há?

- Há, claro. Alguns. Pode ter sido um lobo...

À medida que o dia passava, as pistas iam-se acumulando:

- Mãe, mãe, vê só o que encontrei! - Gritou a Lúcia, entrando a correr em casa.

- O que foi, filha?

- Isto!

Olhei. Era uma pena de galinha.

- O que é que tem?

- É uma pista! Esta pena estava junto do portão. Acho que quem roubou a comida foi um monstro!

- Um monstro com penas?

Nesse momento, o António chamou da rua:

- Anda, Lúcia, vem investigar mais!

- Já vou! - Respondeu-lhe ela, correndo para fora. Mais uns minutos, e voltaram ambos a entrar.

- Mãe, mãe, encontrámos mais pistas!

- O que foi agora?

- Estamos cheios de medo! Ouvimos gargalhadas de monstro ao pé do tanque!

- Sim, é mesmo um monstro, tipo fantasma, e está a dar gargalhadas! Ele não quer que a gente encontre a comida de cão!

Entre brincadeiras e investigações, apercebi-me de que o António e a Lúcia, levados por uma fértil imaginação, estavam a ficar realmente com medo. Foi mais ou menos nessa altura que os vizinhos nos perguntaram:

- Ouviram barulho ontem à noite? Sim? Anda aí um cão a incomodar. Penso que o dono o solta à noite para ele passear, mas tem causado estragos.

- Terá sido ele a roubar a comida dos nossos cães? - Perguntei, contando a história.

- Ah, certamente que sim! É um cão muito grande. Era bem capaz de arrastar o saco pelo monte abaixo!

Mistério resolvido. A Lúcia e o António ficaram um bocadinho desiludidos - afinal, o seu monstro com penas e gargalhadas não passava de um cão...

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Lembrei-me então de Moisés e dos investigadores de Canaã. Conhecem a história? Lemo-la a semana passada, nas leituras da missa diária. É uma história muito importante da Bíblia, pois o acontecimento em causa foi responsável pela demora de quarenta anos do povo no deserto.

O povo estava acampado diante da terra prometida de Canaã. Antes da conquista final, era preciso conhecer o terreno, os povos, as culturas, as histórias. Moisés enviou investigadores, que durante quarenta dias visitaram Canaã, provaram os seus frutos e conheceram as suas gentes. Por fim, regressaram. Mas o seu relato não foi o esperado:

 

"«A terra que fomos observar é um país que devora os seus habitantes e toda a gente que ali vimos são homens de grande estatura. Vimos lá os gigantes, os filhos de Anac, descendentes de gigantes. Ao seu lado, nós parecíamos gafanhotos e era assim que eles também nos olhavam.» Então toda a comunidade de Israel levantou a voz em altos brados e o povo passou aquela noite a chorar." (Nm 13, 32.14, 1)

 

O que o medo é capaz de fazer! Quando o deixamos dominar as nossas emoções e o nosso pensamento, o medo alimenta a imaginação, transformando os cães em monstros, os irmãos em gigantes, os vizinhos em gafanhotos, a vida numa grande e difícil batalha sem vencedores. Quantas vezes recuamos perante os desafios que se nos propõem - o trabalho na vida da paróquia, a decisão por uma vocação, o assumir de mais um filho, a mudança de terra ou emprego - porque vemos gigantes e gafanhotos por todo o lado?

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 Jesus ensinou-nos que Deus dá de acordo com a nossa fé. Se esperarmos muito, muito alcançaremos; se esperarmos pouco, pouco alcançaremos. Israel não acreditava na vitória? A resposta veio de acordo com a sua fé: o povo de Deus vagueou quarenta anos no deserto, um ano por cada dia que os exploradores passaram em Canaã a duvidar do poder do Senhor.

E nós? Quantos anos passaremos no deserto, cheios de medo e sem fé, rodeados de gigantes e gafanhotos ou, como o António e a Lúcia, de monstros com penas e gargalhadas aterradoras?

Senhor, dá-nos a tua paz, a tua serenidade, a tua confiança, para assumirmos os desafios que colocas no nosso caminho e entrarmos vitoriosos na "terra" onde corre leite e mel, a terra que prometeste a nossos pais, a Abraão e a toda a sua descendência para sempre. Ámen!

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