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O jardim e o deserto

por Teresa Power, em 23.05.16

Os dias têm sido difíceis cá por casa. Primeiro foi a gripe, que decidiu atacar a família um a um, num mês que, nos anos anteriores, já costumava ser, para nós, de praia e afins. Olhem só para a imagem do nosso início de maio:

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 Depois, uma série de problemas profissionais nas nossas vidas, que nos têm deixado um pouco em baixo, bem como toda a problemática da escola que escolhemos para os nossos filhos e que eles não querem deixar.

Maio é também o mês em que festejamos a entrada do Tomás no céu, há dez anos atrás. Nestes dias, e enquanto vou arrumando a casa e limpando o pó às estantes, preciso de um grande esforço de vontade para evitar folhear os albuns de fotografias ou remexer na caixa das recordações; porque se busco um Tomás terreno, corro o risco de me desligar do verdadeiro Tomás, que é eterno, como tão bem explica o Papa Francisco em A Alegria do Amor:

"O amor possui uma intuição que lhe permite escutar sem sons e ver no invisível. Isto não é imaginar o ente querido como era, mas poder aceitá-lo transformado, como é agora. Jesus ressuscitado, quando a sua amiga Maria Madalena O quis abraçar intensamente, pediu-lhe que não O tocasse para a levar a um encontro diferente." (nº255)

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Como se não bastasse, a canalização na nossa casa tem-nos dado muito que fazer: o contador da água sempre a rodar, a conta mensal de água sempre a triplicar, e nós sem descobrir a origem do problema. Foi preciso esburacar o jardim um pouco por todo o lado para ir arranjando furo atrás de furo, mas parece que ainda não está tudo no sítio... Um quadro desolador:

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Mas não é a qualidade da saúde da nossa família ou a qualidade da canalização da nossa casa que mais nos tem entristecido: é a qualidade moral do nosso país, lei após lei, decisão após decisão. Vamos esburacando o "jardim" à procura de um furo, e quando o encontramos, já outro faz rodar o contador da água e elevar a fatura moral para níveis insuportáveis. Os "buracos na relva" são tantos, que já não podemos falar de um "jardim à beira-mar plantado", mas antes de um deserto... O pecado, que destruiu o Jardim do Paraíso, continua a corromper todos os nossos jardins.

No início deste mês, como todos os anos, as estradas encheram-se de peregrinos a caminho de Fátima. E quando o Papa Bento XVI nos veio visitar, foram milhares a querer vê-lo de perto. Ouvi dizer que já está tudo lotado em Fátima para a visita do Papa Francisco, que ainda nem sequer foi confirmada. Pergunto-me o que estará errado na educação católica do nosso povo. Onde estão os milhares, quando chega a hora de votar ou de nos manifestarmos? Que fizemos da nossa fé? O que queremos verdadeiramente dizer, quando afirmamos que somos católicos? Como podem as pessoas afirmar-se católicas, ir à missa, comungar, e simultaneamente apoiar ou mesmo militar em partidos que aprovam o aborto, a eutanásia, as barrigas de aluguer e tudo o mais que por aí vem? Tantas perguntas que me têm ocupado a mente e o coração...

E as Famílias de Caná a surgir, cada vez com maior clareza, dentro de mim como uma resposta do Senhor. O "vinho melhor" que Jesus prometeu e ofereceu em Caná já está entre nós, nesta ânsia de evangelizar toda a família, dos mais pequeninos aos mais crescidos, dos bebés batizados assim que nascem aos avós que não se cansam de contar histórias da Bíblia.

Permitam-me que vos lance um desafio: vamos fazer uma grande corrente de oração e jejum por Portugal! Vamos oferecer ao Senhor as nossas "bilhas" e suplicar-Lhe que faça hoje o milagre de Caná, para que o vinho da fé, da esperança e do amor nunca acabe no nosso país! Comecemos hoje mesmo a rezar e a jejuar do que acharmos melhor, e façamo-lo a sério, para doer. Estão dispostos? Nove dias por Portugal, todos os leitores de Uma Família Católica e todos os que, a partir de vocês, se quiserem unir a nós!

 

"Então se abrirão os olhos do cego, os ouvidos do surdo ficarão a ouvir, o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo dará gritos de alegria; porque as águas jorrarão no deserto, e as torrentes na estepe. A terra queimada mudar-se-á em lago, e as fontes brotarão da terra seca..." (Is 35, 5-7)

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Passeios orantes

por Teresa Power, em 31.03.16

- Meninos, estão a bater à porta! Alguém que abra, por favor!

- Mãe, é para ti. É um senhor, e não parece muito simpático.

Enxugo as mãos, pois estou a fazer o jantar, e apresso-me a chegar à porta. O senhor que me aguarda não está, realmente, com ar de grandes amigos.

- Não quero ter problemas com a senhora - Diz-me. Mentalmente e no espaço de dois segundos, revejo a minha vida nos últimos quarenta e três anos à procura de algum crime esquecido.

- Desculpe, não estou a entender...

- Este cão aqui é seu?

Já estou a entender.

- Sim, é. Jack, vem cá!

- Pois há dois minutos atrás, e como acontece todos os dias, ele estava na minha casa. Tal como estava às seis da manhã.

- Seis da manhã? Mas nós só o soltamos quando nos levantamos, pelas seis e meia...

- Então eram seis e meia.

- Na sua casa? A fazer o quê? Nós só o soltamos para eles esticarem as pernas e fazerem as suas necessidades no descampado aqui atrás da nossa casa. Depois eles entram em casa e ficam aqui connosco...

- Não, eles não fazem as necessidades no descampado; eles fazem-nas no meu jardim, que fica duas ruas atrás desta.

- Ah! Desculpe! Não sabia! Como eles não mordem a ninguém, nem se atravessam diante dos carros, costumamos tê-los soltos, à nossa volta... Nunca demos conta de irem para longe!

- Prenda os cães e não vamos ter problemas.

- Pois... Assim farei.

- Muito boa tarde então.

- Boa tarde!

Fecho a porta, volto-me e deparo-me com seis pares de olhos, fixos em mim.

- Que vais fazer agora, mãe?

- Eu? Vocês é que vão fazer! A partir de hoje, meus meninos, começam a levar os cães a passear com trela, como o resto do mundo faz.

- Mas nós só chegamos da escola às cinco horas!

- Bem, vamos fazer uma escala. O pai passeia-os de manhã, ao acordar, eu passeio os cães à hora de almoço, e vocês ao fim da tarde. Combinado?

Chegamos a um acordo, e mais relaxados, deixamo-nos cair no sofá a rir à gargalhada, imaginando um pouco a situação que deu origem às queixas do vizinho. Depois, suspiro. Não sei como vou conseguir encaixar mais esta atividade no meu horário...

Diz a Escritura: 

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus." (Rm 8, 28)

 

Nem sempre me recordo deste versículo, ao longo do meu dia. Quantas vezes uma pequena contrariedade é suficiente para me entristecer ou oprimir? Se, pelo contrário, me recordar da Escritura, deixo-me tomar por um sentimento de "santa" curiosidade: que quererá Deus que eu aprenda desta vez? Que planos terá Ele para mim? Tenho procurado fazer assim com tudo, absolutamente tudo - como diz S. Paulo - que me acontece, especialmente os contratempos, sejam eles no trabalho, na escola, na paróquia, com as Famílias de Caná, com os meus filhos... e, claro, com os meus cães.

A Palavra de Deus não mente. Graças a este vizinho pouco simpático mas cheio de razão, teve início, há cerca de dois meses atrás, um dos meus rituais preferidos: levar os cães a passear pelas ruas da minha terra. Quase todas as tardes encontro vinte a trinta minutos para a nossa bela passeata. Há muito tempo que eu sentia a necessidade de fazer caminhadas ou outra forma de exercício físico que não apenas aspirar e arrumar a casa, sem nunca conseguir tempo para tal. Eis que um vizinho rabugento me oferece precisamente a oportunidade procurada!

Juntos, os cães e eu, demos as boas vindas à Primavera, nos campos em redor - eu com os olhos postos nas flores, nas ervas e nas nuvens, eles com os olhos postos nas lagartixas... Juntos, os cães e eu, descobrimos que as ovelhas tinham parido, e que os cordeirinhos se divertiam a saltitar nas quintas... E o engraçado é que continuo a ter tempo para arrumar a casa, tempo para preparar as minhas aulas e tempo (pouco, muito pouco) para escrever neste blogue.

Vinte a trinta minutos de contemplação são naturalmente vinte a trinta minutos de oração. Sozinha com os cães, pelos campos ao redor da minha casa, eu vou conversando com o Senhor, partilhando tudo com Ele - "Nós, Jesus"... Como já referi várias vezes, gosto especialmente de rezar em voz alta, louvando, cantando, rindo ou chorando, suplicando, agradecendo... As ovelhas, as lagartixas, os passarinhos e os cães não parecem achar que seja maluca ao falar assim "sozinha", e por isso aproveito o passeio para dar asas ao meu coração. Regresso a casa saciada, em profunda comunhão com Deus e toda a sua Criação.

Ao fim do dia e ao fim-de-semana, os passeios são feitos em família. Os cães trouxeram-nos novas oportunidades para passearmos juntos, para observar a natureza, para nos divertirmos em conjunto. Que bom!

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 E até a avó parece ter tomado o gosto pela passeata! Ora digam lá se não lhe fica bem?!

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 Senhor, Deus das surpresas, Deus que até do mal és capaz de retirar o bem, ensina-me a arte de tudo agradecer, bom e mau, na minha vida! Hoje, pequenos detalhes de falta de tempo ou de excesso de trabalho; amanhã, um problema mesmo a sério... Tudo, tudo concorre para o meu bem, como disse a jovem Chiara Badano: "Tu queres, Jesus? Então eu também quero!" Ámen.

 

 

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Ressuscitou! Aleluia!

por Teresa Power, em 26.03.16

Chegou, finalmente, a noite mais santa do ano! O Senhor Jesus ressuscitou, tal como havia prometido, e precede-nos a caminho de Casa! Cantemos aleluias sem fim, exultemos de alegria e festejemos!

Ao fim da tarde, à lareira, conto aos mais novos as histórias das leituras bíblicas desta noite santa, e que os mais velhos irão escutar pela noite dentro, na Vigília Pascal. Uma pequena Bíblia ilustrada fornece-nos as imagens, e todos recordam as histórias já bem conhecidas: A Criação do Mundo, Abraão, Moisés... Por fim, contamos com entusiasmo a história da ressurreição. Que maravilha!

- Agora conto eu, mamã - Diz-me a Sara, tirando-me a Bíblia ilustrada das mãos e sentando-se num banquinho. É a minha vez de escutar com atenção!

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Entretanto, o Canto de Oração vestiu-se de festa: é a Páscoa do Senhor!

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Depois de jantar, reunimo-nos para fazer a nossa "vigília pascal caseira", como todos os anos. Os meninos apressam-se a ir buscar as suas velas batismais e acendem-nas à entrada da sala, para a nossa breve procissão.

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De pé, cantando aleluias, levantamos bem alto as velas acesas dos nossos batismos. A luz que um dia se acendeu dentro de nós ilumina a noite, ilumina a vida, ilumina o mundo...

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Há sempre muita competição para ver quem segura a vela do batismo do Tomás!

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 Depois, ajoelhados, fazemos a Novena da Divina Misericórdia, com especial empenho neste Ano Santo.

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 O Niall e os mais velhos saem para a Vigília Pascal. Os quatro mais novos vão para a cama, e em breve dormem a sono solto, cansados das longas noites da Semana Santa e da muita brincadeira com os primos. A casa fica mergulhada em silêncio...

O silêncio do túmulo vazio.

 

"Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito!" (Lc 24, 5)

 

Amanhã de manhã - muito, muito cedo - acordaremos com o repicar dos sinos, anunciando a visita pascal, que começa às nove horas no início da rua, praticamente em nossa casa. Sim, Ele ressuscitou, não podemos ficar a dormir! Anunciemos por todo o mundo que Ele está vivo, que Ele nos dá a Vida, que n'Ele vivemos para sempre!

Uma Santa Páscoa para todos, todos vós! Aleluia! Aleluia!

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Queres ser curado?

por Teresa Power, em 11.03.16

Hora de oração familiar. No Canto de Oração, lemos as leituras do dia. O Evangelho é de S. João, e relata-nos a cura de um paralítico junto à piscina de Betzatá, em Jerusalém. Os meninos escutam com atenção.

 

"Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos. Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim, perguntou-lhe: «Queres ser curado?» Respondeu-lhe o doente: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, pois enquanto eu vou, algum outro desce antes de mim.» Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.» E no mesmo instante, aquele homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a andar." (Jo 5, 5-9)

 

- Mãe, por que é que Jesus pergunta "Queres ser curado?" Não é óbvio que o pobre homem queria ser curado?

Todos se riem, divertidos. Mas a pergunta de Jesus é uma pergunta aberta, séria, que procura uma resposta também séria, como todas as suas perguntas no Evangelho - e segundo o padre Ronchi, que está a pregar os exercícios espirituais da Cúria Romana, os Evangelhos trazem cerca de 220 perguntas de Jesus...

- Nem todos os que estão doentes querem ser curados - Explico.

- Como assim?

- Talvez os que estão doentes no corpo manifestem geralmente vontade de serem curados. Mas os que estão doentes no espírito, nem sempre...Vocês não têm amigos que se portam mal nas aulas, todos os dias, e que não têm qualquer disposição para mudar de atitude? Ou meninos que dizem não entender a Matemática e por isso já nem sequer abrem o livro quando o professor manda?

- Sim!

- É o que Jesus quer dizer! Só muda, só se converte quem o deseja realmente. Claro que, mesmo depois de desejarmos mudar, iremos cair muitas e muitas vezes; mas sem vontade, nada se consegue, e nunca seremos verdadeiramente curados!

- Acho que já estou a perceber...

 

É mais fácil permanecer no pecado do que mudar de vida. O Papa Francisco refere muitas vezes aquilo a que chama "pecados de estimação", ou seja, os pecados que não temos qualquer intenção de deixar de cometer, dia após dia, confissão após confissão - e a falta de arrependimento impede a graça do sacramento da confissão, como ensina o Catecismo...

"Queres ser curado?"

É mais fácil dizer que não temos tempo, do que encontrar alguns minutos para a oração; é mais seguro convencermo-nos a nós mesmos que não é da nossa responsabilidade mudar o mundo, do que dar o nosso tempo, o nosso suor, o nosso esforço numa qualquer obra de apostolado ou solidariedade da Igreja; é bem mais simples desculparmo-nos com um "não sou capaz" do que esforçarmo-nos por mudar de rotinas, de hábitos, de práticas, de vida; é mais confortável descartar os desafios do Senhor como demasiado exigentes, do que seguir atrás da sua Cruz.

"Queres ser curado?"

A pergunta de Jesus é séria, e exige uma resposta. Sabemos que Jesus só olha à nossa boa vontade, pois na sua omnipotência, Ele faz o trabalho mais difícil... Porque não aproveitar a quaresma para responder ao Senhor?

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24 horas para o Senhor

por Teresa Power, em 04.03.16

A todos os leitores do blogue, desejamos umas felizes 24 horas para o Senhor! Que durante o dia de hoje e de amanhã, os nossos pensamentos, os nossos sentimentos, o nosso tempo, a nossa vida sejam para o Senhor! Diante de Jesus-Eucaristia, Jesus entregue por nós, Jesus feito Pão, feito Sangue, feito Vida, a nossa oração seja fecunda!

Certamente todos vós tendes intenções fortes no coração pelas quais rezar. A essas, peço que acrescenteis uma oração especial pelas Famílias de Caná, que estão a crescer com a bênção de Deus e do nosso bispo de Aveiro, D. António Moiteiro. Peço especial oração pelo retiro de Lordelo, Guimarães, já no próximo domingo! As inscrições têm chegado em abundância e continuam a chegar, ao ponto de termos tido de reforçar a equipa que vai trabalhar com as crianças. Vai ser um dia muito belo... Rezemos por esta intenção!

Até segunda, se Deus quiser!

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Meditações desenhadas

por Teresa Power, em 01.03.16

Hora de oração familiar.

- Mãe, posso desenhar os mistérios?

- E eu também?

O David e a Lúcia olham para mim com esperança.

- Sim, claro. Hoje vamos rezar os mistérios da alegria.

- É a história de Jesus pequenino, não é?

- Sim, é. Agora despachem-se a arranjar os lápis e o papel, para começarmos!

Começamos. Instalados no sofá, almofadas ao colo a servir de mesas, papel e lápis na mão, os meninos vão rezando e vão desenhando... E que desenham eles? A sua meditação. Enquanto nós, adultos, meditamos mentalmente, construindo imagens mentais dos mistérios que contemplamos, os mais pequeninos precisam de materializar o seu pensamento. Que melhor forma do que ir desenhando o que vamos contemplando?

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O terço chega ao fim. O David e a Lúcia estendem-me os seus desenhos, orgulhosos. Vou colocá-los no Canto de Oração. Mas antes vou digitalizá-los para que vocês também os possam ver. Conseguem identificar os cinco mistérios da alegria, que o David desenhou? A Anunciação do anjo a Maria, a Visitação de Maria a Isabel, o Nascimento de Jesus, a Apresentação de Jesus no Templo, Jesus entre os doutores... Tudo aí está, desenhado com rigor!

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E os mistérios da glória, desenhados também pelo David, no domingo?

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Que dizem a esta felicidade estampada no rosto de Nossa Senhora, nos dois primeiros mistérios da alegria que a Lúcia desenhou?

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Terei eu estado tão atenta a cada mistério como o David e a Lúcia estiveram? A grande maravilha da oração do terço é precisamente permitir-nos, num ciclo semanal, meditar na vida inteira de Jesus: segundas e sábados, meditamos na sua infância: são os mistérios da alegria; quintas, meditamos na sua vida pública, entre o batismo e a instituição da Eucaristia: são os mistérios luminosos; terças e sextas, meditamos no seu sofrimento e na sua morte: são os mistérios da dor; quartas e domingos, meditamos na sua glorificação, bem como na de sua Mãe: são os mistérios da glória. As famílias que rezam o terço todos os dias têm a graça de, semana a semana, percorrer a vida inteira de Jesus, e não apenas alguns episódios. Afinal, rezar o terço é imitar a Mãe de Jesus... Diz-nos S. Lucas:

 

"Sua Mãe guardava todas estas coisas em seu coração..." (Lc 2, 51)

 

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Via Sacra caseira

por Teresa Power, em 23.02.16

Todas as quaresmas rezamos a Via Sacra em família, uma vez por semana. Podemos fazê-lo na igreja, podemos fazê-lo em Fátima (esperemos que sim também este ano) e, claro, podemos fazê-lo em casa. No sábado fizemos a Via Sacra em casa, diante do Canto de Oração. No chão deitámos a cruz de madeira que os jovens construíram no Primeiro Retiro das Famílias de Caná, naquele magnífico dia da Exaltação da Santa Cruz de 2013. Este crucifixo tem pois para nós um significado muito especial...

 

"Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor te conduziu..." (Deut 8, 2)

 

Assim nos diz o Senhor de cada vez que contemplamos esta tosca cruz. Nela encontramos a obra da salvação de Jesus, que por nós deu a vida; mas também encontramos o chamamento para reunir as primeiras Famílias de Caná e todo o caminho percorrido desde então, caminho de Cruz e de Ressurreição como todos os caminhos do amor. Olhando, pois, para a cruz deitada no chão, nós recordamos as graças que Deus derramou sobre nós, perdoando-nos os pecados, curando-nos as feridas, libertando-nos do poder do mal, fazendo de nós suas testemunhas e enviando-nos em missão pelo país inteiro, congregando as Famílias de Caná. Ena, tantas bênçãos!

 

Assim, no domingo depois do almoço, acendemos as velas, preparámos as meditações (as mesmas que os ofereci no ano passado e que disponibilizo novamente: Via Sacra.pdf ) e espalhámos pelo chão as imagens da Via Sacra que os meninos recortaram, pintaram e colaram em corações de cartolina, também no ano passado. Depois cantámos um cântico e iniciámos o Caminho da Cruz. À vez, cada menino procurava entre os corações a estação correspondente, e colava-a sobre a cruz. No final, foi diante de uma cruz iluminada e cheia de corações que concluímos a nossa oração da tarde. Dentro de nós, um silêncio contemplativo calava os pensamentos mundanos e subia até Deus como incenso...

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publicado às 06:00

Eu não sabia...

por Teresa Power, em 22.02.16

Hora de oração familiar. Sentados no sofá da sala, o Canto de Oração iluminado, a Porta Santa chamando-nos à conversão. Leio em voz alta a primeira leitura, do Livro do Levítico.

- Que livro é esse, mãe?

- O Livro da Lei do povo de Deus. Os Primeiros cinco livros da Bíblia são também chamados os livros de Moisés, e formavam a Lei de Israel. Neste livro vamos encontrar muitas palavras de Deus, que nos ensinam como nos devemos comportar. Vamos ouvir?

 

"Assim fala o Senhor: «Sede santos porque Eu, o Senhor, sou santo. Que cada um de vós respeite a sua mãe e o seu pai, e guarde os meus sábados (...) Não te vingarás nem guardarás rancor aos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo.»"

(Lv 19, 1-18)

 

- O que é vingar-se? - Pergunta a Lúcia.

- É pagar com o mal, o mal que te fazem. Por exemplo, um menino empurra-te, e tu empurra-lo de volta. Um menino estraga-te uma caneta, e tu rasgas-lhe um desenho. Isso é vingança.

A Lúcia fica calada, assente com a cabeça, e continuamos a oração, com a leitura do salmo e do Evangelho e com a recitação do terço. E é precisamente durante o terço que eu reparo num brilho estranho nos seus olhos.

- Lúcia, estás bem? - Pergunto. Ela assente de novo com a cabeça, mas eu percebo que nada está bem, e as lágrimas começam a rolar pela sua face. No final da oração pego-lhe ao colo e, enquanto o pai deita os mais novos, converso com ela.

- O que se passa, Lúcia?

- Mãe, eu não sabia que a vingança era pecado. Eu já fiz isso muitas vezes com os manos, porque eu não sabia. Eu achava que podia fazer se eles me faziam também. E nunca me confessei disso... Achas que agora tenho o coração metade limpo e metade sujo?

- Não, Lúcia, não acho. Acho que tens o coração todo limpo, e sabes porquê? Precisamente por causa dessas tuas lágrimas marotas... Porque tu estás arrependida de teres feito esses pecados. E o que lava o coração é o arrependimento! No preciso instante em que tu ficas triste por teres feito uma coisa feia e pedes perdão a Deus, Ele perdoa-te de imediato.

- E como faço eu para pedir perdão a Deus?

- Queres rezar comigo o Ato de Contrição?

- Sim.

- Então vamos. Dá-me a mão... "Meu Deus, porque sois tão bom, tenho muita pena de Vos ter ofendido. Ajudai-me a não tornar a pecar!"

O rosto da Lúcia abre-se num largo sorriso.

- Agora já estou limpa? Mas eu ainda não me confessei...

- Lúcia, o teu coração está todo limpo. Podes estar descansada. O teu arrependimento, a tua tristeza e o ato de contrição que acabaste de fazer são suficientes para apagar os pecados leves. Jesus abraçou-te de imediato cheio de alegria!

- O meu pecado era pequenino?

- Era porque tu não sabias que o estavas a fazer. A partir de agora já tens de ter mais cuidado, claro, porque já sabes. Tu estás a aprender, Lúcia, e Jesus está felicíssimo contigo esta noite porque aprendeste uma coisa nova. Mas quando fores à confissão da próxima vez, deves confessar-te deste pecado, porque Jesus fica contente quando somos capazes de confessar as nossas culpas sem receio ao sacerdote.

- Quantos anos é que tu tinhas quando descobriste que a vingança era pecado? Eras mais pequena do que eu?

- Oh, não, era bem mais crescida! Lembro-me de ficar sem falar com as minhas amigas durante alguns dias quando me zangava com elas, e olha que era mais velha do que tu. Pouco a pouco fui aprendendo e fui-me esforçando por ser melhor.

- Ah! Agora eu já sei e também vou ensinar às minhas amigas.

Levo-a ao colo para a cama e dou-lhe um beijo de boas noites. O seu rosto ilumina.

- Boa noite, mamã!

- Boa noite, querida!

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A Lúcia já dormia há muito tempo, e eu continuava a meditar nesta nossa conversa. Embora pequenina, a Lúcia acabava de experimentar uma das mais duras realidades do pecado: a tomada de consciência de que somos capazes de o cometer, de que não somos as pessoas imaculadas que imaginávamos ser. Foi a descoberta de S. Pedro, naquela noite de lua cheia, em que o galo cantou a sua traição; a descoberta de S. Paulo, caindo do cavalo perante a revelação de que todo o seu zelo tinha sido orientado contra o alvo errado; a descoberta do Rei David, quando o profeta Natã lhe contou uma pequena história sobre a ovelhinha do pobre e David se apercebeu do gravíssimo e duplo pecado cometido contra Urias; e a descoberta de todos nós, que olhando para o nosso passado, nos damos conta da quantidade de erros que cometemos julgando estar a fazer algo sem gravidade.

Que fazer, nestes momentos de revelação? Primeiro, agradecer. É verdadeiramente uma graça imensa que Deus nos faz, sermos confrontados com a nossa miséria antes da hora da nossa morte! Não há caminho mais seguro para uma verdadeira humildade, e sem humildade não é possível ser santo.

Depois, pedir perdão e confessar-se com simplicidade e confiança, acreditando de verdade (e é difícil acreditar...) que não há nenhum pecado que o Senhor não possa lavar por completo.

E finalmente, agradecer de novo outra e outra vez, pois não há nada mais belo sobre a Terra do que experimentar a misericórdia de Deus como uma torrente de vida dentro de nós. 

O Jubileu da Misericórdia é o tempo de graça que o Senhor nos oferece para uma profunda e completa revisão de vida. Então experimentaremos a verdadeira alegria, a alegria que nasce das lágrimas...

 

"Se o pecador renunciar a todos os pecados que cometeu, se observar todas as minhas leis e praticar o direito e a justiça, ele deve viver, não morrerá. Não serão lembradas as faltas que cometeu, e viverá..." (Ez 18, 21-22)

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O Evangelho dos Cinco Dedos

por Teresa Power, em 18.02.16

Hora de oração familiar. Com grande entusiasmo, pego no evangelho do dia, que nos faz mergulhar de cabeça na grande passagem das obras de misericórdia, no capítulo 25 de S. Mateus, 31-46.

- Meninos, vejam se conseguem completar as frases da parábola de Jesus:

 

"Vinde, benditos de meu Pai, receber o Reino que está preparado para vós desde o início do mundo; porque tive fome...

- e destes-Me de comer!

"porque tive sede...

- e destes-Me de beber!

"estava nu...

- e destes-Me roupa!

"estava doente ou na prisão...

- e fostes visitar-Me!"

 

A leitura terminou com um coro perfeito de vozes infantis. Já todos sabem a leitura de cor, o que é o primeiro passo para que ela passe da mente ao coração.

- Lembram-se de que forma a Madre Teresa ensinava esta passagem às pessoas?

- Eu lembro! Nas mãos!

- Precisamente! Quando perguntavam à Madre Teresa por que razão ela se dedicava tanto aos mais pobres dos pobres, ela pegava na mão do seu interlocutor e, tocando em cada um dos dedos à vez, soletrava: "You did it to Me".

- Posso fazer na tua mão?

- Faz lá, António!

- "You did it to Me."

- E podemos também fazer em português?

- Sim. Podemos dizer assim: "Foi a Mim que fizeste."

- Agora faço eu!

- E eu também!

- "Foi a Mim que fizeste!"

- Ah, agora o importante é não esquecer... Tudo o que fazemos aos nossos irmãos, fazemos a Jesus. E tudo o que deixamos de fazer, deixamos de fazer a Jesus.

- Eu hoje ajudei os manos a arrumar os legos. E olha que eu não tinha brincado com eles! Posso pôr uma flor no Canto de Oração.

- Eu também fiz uma coisa boa a Jesus. Na escola, com um amigo... Vou pôr uma flor.

Sorrio. O Canto de Oração está a ficar muito primaveril...

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Os trava-línguas da Bíblia e as histórias do Rei David

por Teresa Power, em 21.01.16

Gostam de trava-línguas? Experimentem este, retirado textualmente do Evangelho que lemos na missa diária há uns dias atrás:

 

"Os discípulos de João guardavam jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os teus discípulos não jejuam?» Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles?»" (Mc 2, 18-22)

 

Se conseguirem ler todos os "j" como deve ser, e ler "Jesus" com "s" e não com "j" no meio também, estão de parabéns! Cá em casa, bem nos esforçámos por ler direitinho o Evangelho, mas não tivemos êxito. Fomos passando a leitura de uns para os outros, e as gargalhadas já eram tantas, que desistimos.

- Ah, então os judeus jejuam com João, mas não jejuam com Jesus! - Dizia o Francisco, brincalhão, no meio da festa.

- E quando Jesus partir, jejuarão - Acrescentava a Clarinha, também muito divertida.

Sim, cá em casa brincamos com a Bíblia, com todo o respeito que a nossa inocência e a nossa simplicidade nos permitem. Deus tem um grande sentido de humor, e gosta da nossa alegria! Depois de um trava-línguas tão engraçado, nenhum de nós se esquecerá desta passagem...

E os nomes? Já repararam na abundância de nomes que as leituras da missa diária ultimamente nos oferecem? Elcana, Fenena, Abiatar, Eliab, Aminabab... Quando os lemos cá em casa, não evitamos uma gargalhada. E às vezes, para os meninos estarem com atenção, fazemos o jogo: "Quem consegue memorizar os nomes na leitura que vou fazer?"

Bem, e ainda nos podemos divertir com os pormenores de alguns episódios. Há poucos dias lemos como Saul se tornou rei enquanto procurava as suas jumentas, ontem lemos como David venceu Golias com uma fisga, e agora, preparem-se, vêm aí os episódios mais divertidos, de como David poupou Saul à morte (não vos conto como foi, mas digo-vos já que vale a pena descobrir) e como Absalão foi morto. Cá em casa, estes episódios fazem furor!

Enfim, de brincadeira em brincadeira, de jogo em jogo, vamos memorizando a Palavra de Deus. Depois, com todo o respeito, beijamo-la, e colocamo-la de novo no Canto de Oração. E conversamos longamente sobre ela.

Tudo isto para vos dizer: não percam as histórias do Rei David, que todos os dias as leituras da missa nos oferecem, neste início de ano! David foi um grande santo, mas também um grande pecador. Disse o Papa Francisco ontem, na homilia, que David nos ensina esta grande verdade: "Não há santo sem passado, não há pecador sem futuro." David pecou muito, mas arrependeu-se muito também, chorou o seu pecado até ao fim da sua vida, e aceitou como merecidos todos os seus infortúnios. Longe de desbaratar a graça recebida, David lavou o seu pecado na misericórdia de Deus e mudou radicalmente o seu caminho. Profundamente humilde, louvou e amou a Deus como poucos. E talvez com exceção de Moisés, não há no Antigo Testamento personagem mais querido do Senhor.

Possa a nossa "telenovela" diária ser a Palavra do Senhor, no meio de alegria, de brincadeira, de oração, de meditação, de muita e profunda conversa! Nos serões familiares, com os mais novos ao colo, imitemos os passarinhos que levantam voo em bando, uns atrás dos outros, uns protegendo os outros, uns puxando pelos outros... em direção ao Coração de Deus...

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