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A Deus...

por Teresa Power, em 06.06.16

Hoje podia contar-vos como foi magnífico o espetáculo de ilusionismo do Francisco, no colégio, e como todos saímos de coração cheio - porque o Francisco encantou, e porque a amizade faz milagres, e o Francisco já tem quase metade da viagem para Cracóvia paga, graças a tanta generosidade!

Também vos podia contar como foi lindo ver o António de novo no altar, pequeno acólito do Senhor.

Ou falar-vos da conversa, longa e saborosa, que o Niall e eu tivemos com o nosso bispo no sábado, dia do Imaculado Coração de Maria, em que recebemos a promessa da aprovação do nosso movimento ainda este mês, se Deus quiser.

Mas não vos vou falar de nada disto.

 

Há dois anos e meio, eu estreava-me no mundo dos blogues, escrevendo o primeiro de 772 posts, que durante um ano, diariamente, depois várias vezes por semana, vos entraram pela casa dentro. Lembro-me, a rir, dos dias em que consultava as estatísticas para ver se mais alguém, que não eu, lia o que eu escrevia, e lembro-me da alegria que foi quando um dia verifiquei ter vinte visualizações - para concluir depois, com um suspiro resignado, terem sido todas minhas... Lembro-me dos primeiros comentários que chegaram, dos blogues e jornais que entretanto falaram de nós e nos deram a conhecer... Mas lembro-me sobretudo dos dias especiais em que fizemos amigos novos, amigos a valer, amigos para a vida.

Graças a este blogue, temos agora todos nós - pais e filhos - amigos em vários pontos do país, com quem não nos limitamos a conversar virtualmente, mas que encontramos com muita frequência para brincar, conversar, rir à gargalhada, partilhar uma refeição, rezar. Sabe tão, mas tão bem!

O blogue acompanhou o nosso crescimento como pessoas, como família, como filhos de Deus. Hoje estamos mais perto do Senhor do que há dois anos e meio atrás, e daqui a outros dois anos e meio esperamos estar muito, muito mais perto ainda. Afinal, que é a vida senão uma bela peregrinação em direção a Casa? Assim, todos vocês foram testemunhas da nossa caminhada, das nossas falhas, das nossas conquistas, da força e da fraqueza, da alegria e da tristeza. Partilhámos a vida, a oração, a fé com simplicidade e generosidade, dia após dia, sempre iguais a nós próprios.

E a grande maravilha foi receber em troca, nos comentários e nos mails, a vossa partilha, tão rica, tão bela, tão forte, que nos estimulou e nos encorajou ainda mais. Transbordamos de gratidão por tudo isto!

O blogue deu-nos a conhecer muito do bem que se faz em Portugal, nas paróquias e comunidades, pelas famílias. Graças ao blogue, aproximámo-nos de pessoas e movimentos que antes desconhecíamos - e crescemos.

O blogue veio preencher uma falha que existia no ciberespaço português, de partilha da vida católica familiar no concreto de cada dia. Hoje, graças a Deus, existem muitos outros blogues católicos escritos por portugueses, onde se partilha vida verdadeiramente cristã. O nosso impulso foi a forma que Deus teve de chamar tantos outros a partilhar, e como "servos inúteis", agora deixamos de ser necessários.

O blogue tornou possível as Famílias de Caná. Nunca louvaremos suficientemente o Senhor por este dom que Ele quis fazer à sua Igreja, nestes tempos novos, nestes tempos em que o Papa nos pede que evangelizemos o mundo em clave familiar. Através do blogue, o Senhor enviou-nos um punhado de famílias especiais, pilares bem sólidos deste novo movimento. São famílias que vivem em profundidade o chamamento do Senhor:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas todos os que encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Sem estas famílias, não teríamos hoje as Famílias de Caná, mas apenas a Família Power. E o mundo estaria muito mais pobre!

 

O tempo do blogue chegou ao fim. Queria pedir-vos desculpa se por acaso feri alguém, se fui indelicada em algum comentário, se não ajudei como devia. Queria pedir-vos desculpa e dizer-vos que sim, que sempre vos desiludirei, pois todos os seres humanos se desiludem uns aos outros. Apenas Deus, o Senhor, nunca desilude!

E depois de vos pedir desculpa, queria agradecer-vos. Por tudo, tudo. Pelas oportunidades que me deram para pensar, para ler a minha Bíblia à procura da Palavra certa, para rezar por vós. Pelas vezes em que me escreveram para o mail, encorajando-me e dizendo-me o quanto foi importante este blogue, palavras que me fizeram tão bem especialmente em alguns momentos mais duros de partilha. Pelas vezes em que os vossos comentários me alegraram, e pelas vezes em que me magoaram, permitindo-me assim a honra de carregar a Cruz. Agradecer-vos pelas vezes em que comentaram, e pelas vezes em que deixaram passar sem nada dizer. Pelas vezes em que rezaram por mim, por nós. Pelas vezes em que partilharam connosco tanto conhecimento e tanta experiência de vida. Pelas vezes em que nos visitaram, na missa dominical das dez horas no Santuário, apenas para dizerem "olá", ou nos cumprimentaram na rua. Pelas surpresas e miminhos que nos enviaram pelo correio. Pelas vezes em que abriram, literalmente, a porta da vossa casa para nos receber. Bem hajam!

O tempo do blogue chegou ao fim, porque um novo tempo se inicia: o tempo do Site das Famílias de Caná, que inauguraremos muito em breve, no mesmo dia em que o movimento for aprovado. Teremos então uma grande festa, e todos estão convidados para as "Bodas", sejam ou não Famílias de Caná! Sim, voltarei ao blogue para anunciar este grande dia - que também será anunciado nos meios de comunicação social católicos - antes de mudar definitivamente de "casa"... Gostaria de ter feito tudo ao mesmo tempo - passar de uma "casa" para outra - mas não consigo encontrar tempo para escrever aqui e trabalhar no site em simultâneo nesta altura de final de ano letivo.

Estaremos sempre muito perto de vocês, se assim o desejarem! No site terão imensas surpresas, desafios, ensinamentos, gravações das nossas canções em mp3 para as poderem aprender aí em casa, histórias do que as Famílias de Caná vão fazendo um pouco por todo o lado, e - naturalmente - os meus posts, talvez de uma forma diferente, mas com a mesma alegria e simplicidade, porque eu sou a mesma aqui ou lá.

Ah, e depois do verão - quem sabe? - talvez ao espreitar para alguma livraria vejam um livro que vos pareça familiar... E mais não digo :)

O blogue chegou ao fim. Este é mesmo o penúltimo post, antes do que escreverei a anunciar o lançamento do site. Lembram-se da fotografia inicial do blogue?

 

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Aqui fica a última:

 

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 Ámen!

 

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Uma caixa cheia

por Teresa Power, em 31.08.15

- Mãe, mãe, vem ver o que eu encontrei em Náturia! Vem depressa! Vem depressa!

Corro para o jardim.

- O que foi, Lúcia?

- Amoras! Tantas, tantas! Olha, posso levar uma caixa para trazer para todos?

- Claro. Leva esta.

Dez minutos mais tarde, nova algazarra:

- Mãe, mãe, olha só! Tantas! Tantas!

Espreito para dentro da caixa. Escondo um sorriso para não ofender a Lúcia. Querem espreitar também?

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 A verdade é que, alertados pelos gritos de entusiasmo, o David, a Sara e o António correram para o jardim; e contagiados pela alegria da Lúcia, também concordaram que a caixa estava cheia de amoras escuras e doces. Com jeitinho, cada um deles tirou uma amora da caixa, que saboreou delicadamente, e - surpresa! - ainda sobraram amoras! Deu para outra ronda e deu para a mãe também provar...

A enorme crise de migração que estamos a viver nestes dias na Europa revela-nos a dificuldade, também enorme, que temos em partilhar. Cada um dos países deste velho continente tem muito mais do que uma caixa cheia de amoras para dar... No entanto, continuamos a achar que, se dermos tudo, ficaremos sem nada.

Ah, dois mil anos de cristianismo não chegaram para nos revelar o rosto de Deus! O nosso Deus é o Senhor da multiplicação, o Deus da abundância, e para fazer milagres só precisa que lhe ofereçamos o pouco que temos, com amor. A Jesus, bastaram cinco pães e dois peixes oferecidos por um rapazinho generoso. Sabem o que aconteceu então?

 

"Então Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelo que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.» Recolheram, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer." (Jo 6, 11-13)

 

Felizmente, há cada vez mais gente disposta a aceitar o desafio da multiplicação e a experimentar o poder imenso do amor...

Senhor, transforma o nosso coração de pedra num coração de carne, generoso e disponível, capaz de partilhar, de acolher e de amar como Tu sempre fazes! Senhor, dá-nos a audácia para sermos verdadeiramente cristãos, e experimentaremos na nossa vida os teus milagres de amor. Ámen!

 

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Festa da partilha

por Teresa Power, em 11.02.15

- Mãe, tenho de levar bolachas ou fruta para a partilha - Diz-me o António, vestindo a bata para ir para a escola.

- Sim, António, levas. Lúcia, veste o casaco! Clarinha, por favor, lava-me a cara da Sara, que está cheia de ranho! Francisco, despacha-te!

- Mãe, assina depressa este teste...

- Agora? Não tiveste o dia todo ontem?

- Alguém mexeu no meu saco de Educação Física?

- Por favor, meninos, vamos chegar atrasados! Já são quase oito e um quarto! Corram, para o carro!

- O vidro do carro está congelado. Eu vou ligar a chaleira para aquecer água.

- Obrigada, Francisco. Vamos, entrem no carro!

 

Chegamos ao colégio em cima da hora das aulas dos mais velhos. Os do primeiro ciclo têm mais um quarto de hora de recreio, para grande alegria deles. Resta-me tirar os dois mais novos do carro e entrar na Escolinha. Com um sorriso, o António e a Sara cumprimentam a Irmã na portaria e as educadoras que vão chegando também.

De repente, o António desata a chorar:

- Não trouxe as bolachas!

Na verdade, a pressa e a confusão da manhã fizera-me esquecer.

- Não faz mal, António, trazes amanhã!

Mas o meu filho está inconsolável. E inconsolável fica, depois de lhe dar um beijo, depois da auxiliar lhe dar um abraço, depois dos amiguinhos o puxarem para brincar com eles.

 

A hora da partilha, na escolinha, é uma hora muito importante: a meio da manhã, todos os meninos têm um pequeno lanche, geralmente composto de uma peça de fruta e uma bolacha. Ao contrário das outras refeições, este lanche matinal é oferecido pelos pais. Como? De vez em quando, sem ordem fixa, os pais mandam pelos meninos um pacote de bolachas ou um cesto de fruta. Quando, no lanche da manhã, os meninos vêem a sua fruta e as suas bolachas a serem distribuídas, sentem um orgulho especial. Afinal, os autores da partilha são eles!

O António não estava a chorar por ir ficar sem lanche, claro, pois naturalmente iria ter direito a ele. Estava a chorar, porque naquele dia não iria dar, mas apenas receber. E como disse Jesus:

 

"Há mais alegria em dar do que em receber." (At 20, 35)

 

Hoje, o António vai chegar à escola com um grande cesto de quivis. E como hoje é também o dia do seu quinto aniversário, para além dos quivis, o António levará um belo bolo, feito pela nossa fada madrinha, que como o António, também gosta de dar! Já estou a adivinhar o seu sorriso de pura felicidade, primeiro ao cumprimentar a Irmã, depois ao cumprimentar as educadoras e auxiliares, e finalmente, durante a manhã, ao distribuir os quivis pelos seus amigos... Quando, à tarde, lhe cantarem os parabéns e lhe fizerem uma festa, o António já terá experimentado a outra festa, a festa da partilha. Parabéns duplamente, querido filho!

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Descanso em... férias?

por Teresa Power, em 02.01.15

Os meus sobrinhos, através das suas caríssimas mamãs, ou seja as minhas irmãs, pediram-me uma prenda de Natal diferente: uma ou duas noites cá em casa! Assim, antes do Natal tive a agradável companhia da Isabelinha e do Pedrinho, que vivem em Coimbra. O mano mais novo ficou em casa, que eu cá só recebo meninos que dormem a noite inteira :)

Os dois dias que passaram connosco foram tão cheios de aventuras, que quando chegaram a casa, a minha irmã disse que estavam KO... Juntos fomos ao gelo - sim, porque Anadia não é uma cidadezinha qualquer, perdida algures entre a serra e o mar! Anadia, este Natal, teve uma pista de gelo, e era ver as filas de miúdos (e alunos meus) à espera! Claro que quando os Power com os seus primos e mais duas amiguinhas chegaram à pista, ocuparam quase o espaço todo...

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Juntos, fomos ao parque, e fomos à Curia de bicicleta, carro, patins, trotinetas e skates:

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Depois do Natal, foi a vez dos meus três sobrinhos catalães. Nove crianças em casa, sete delas com menos de oito anos, não é tarefa fácil! Mas se o barulho e a confusão foram muitos, as gargalhadas e a alegria foram ainda mais:

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 Reparem bem neste sofá: sim, dispostas organizadamente, estão as roupas de muitas crianças, para as vestir na manhã seguinte à medida que saltarem das camas! Graças a Deus, o Francisco e a Clarinha já são suficientemente crescidos para não precisarem que organize as suas roupas...

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A mesa de que tanto nos orgulhávamos por ser tão grande, afinal é um bocadinho apertada:

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Vejam agora como um quarto de três meninas se converte numa camarata:

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Hoje, a casa está mais arrumada, mas também está mais vazia - tão arrumada e tão vazia quanto é possível com seis filhos, claro está...

A família alargada é uma oportunidade única de treinar o amor...

 

"Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos." (1Jo 3, 14)

 

PS - Apareçam em Fátima se quiserem, que ainda vão a tempo! Há muito espaço, pois alugámos uma sala maior... Venham rezar connosco!

 

 

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Privacidade (ou a falta dela)

por Teresa Power, em 27.08.14

Escrito pelo Francisco:

 

De sábado até ontem (terça-feira) tivemos, cá em casa, a companhia dos nossos primos de Barcelona. Três crianças, da idade do António, da Lúcia e do David. “Só” mais três crianças para juntar à confusão que os meus cinco irmãos já fazem. Eles divertiram-se imenso, mas o seu divertimento implicou que a minha privacidade (que já não era muita) fosse reduzida a um mínimo. Quando eu queria ler um livro, praticar magia em paz, pesquisar qualquer coisa na internet, etc., eu ia para o meu quarto. Mas lá estavam o David e o primo a jogar Lego. Tentava o escritório mas ora estava lá a minha mãe a trabalhar ou estava lá o António e o primo a jogar Lego ou a disfarçar-se. Por estranho que pareça a sala era impensável, pois como é a divisão da casa com mais entradas, estava sempre a ser “visitada” por crianças aos gritos (isso quando o órgão não estava com o volume no máximo com eles a tocar, e eles não tocam propriamente Beethoven). Em suma, não havia nenhum lugar confortável onde eu pudesse estar em paz. Tive que me contentar com esta falta de privacidade.

 

 


Esta falta de privacidade não é assim tão má como parece por uma razão: ensina-me (ou devo dizer “obriga-me”) a ser menos egoísta. Ensina-me que nunca tenho tempo só para mim. Quando penso que tenho algum tempo só meu aparece o António a pedir que lhe faça um avião de papel, ou um primo a pedir que eu faça magia.
Eu tenho noção de que quando partilho alguma coisa com os meus irmãos essa coisa não vai acabar no mesmo estado em que começou. Desde que partilhei a minha colecção de Lego com o David, o que antes eram camiões, aviões ou helicópteros de Lego é agora um monte de peças soltas. Ou o meu cubo mágico que já perdeu dois autocolantes desde que o David começou a usá-lo. Sim, partilhar é difícil e até perigoso para mim, mas desde que estou numa família numerosa tornou-se inevitável.
Cá em casa gostamos muito do acrónimo J.O.Y.: "Jesus first, Others second, You last. That is the secret of joy" (Jesus primeiro, os outros em segundo, tu em terceiro, eis o segredo da alegria). E a verdade é que apesar desta falta de privacidade sou muito feliz.

 

 

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A boneca assassinada

por Teresa Power, em 03.07.14

Na semana passada, o David passou uma tarde inteira de brincadeira aqui em casa, com dois amigos. De espadas de pau nas mãos e capas às costas, eles foram super heróis durante largas horas. No fim do dia, a Lúcia veio ter comigo com os olhos cheios de lágrimas, com uma das suas bonecas preferidas na mão. Estendendo para mim a boneca, disse-me com voz fininha:

- Eles mataram-na com a espada!

Tive de concordar que a boneca estava definitivamente morta: faltava-lhe um olho e metade dos dedos da mão. E se estes pequenos defeitos não equivalem realmente à morte num ser humano, numa boneca já suja e velha, podem acreditar que sim! Só faltava enterrá-la...

- Lúcia, acho que não a podemos salvar - Concordei. - Vamos ter de a deitar para aquele saco especial... Sim, o saco do lixo!

A Lúcia deu um abraço à boneca e depois entregou-ma. Guardei-a num saco de plástico no armário do meu quarto, como faço com todos os brinquedos importantes antes de os deitar no lixo. Assim, durante alguns dias estão ainda ao alcance do dono, no caso de uma crise de saudades tornar impraticável o acto derradeiro. Mas hoje, e porque a Lúcia não voltou a falar na boneca, discretamente deitei-a no contentor.

 

Numa casa com várias crianças, onde se partilham quartos e brinquedos, é mais fácil aprender a pobreza, aquela pobreza que Jesus fez equivaler à felicidade nas Bem-Aventuranças:

 

"Bem aventurados os pobres que o são no seu íntimo, porque é deles o Reino dos Céus!" (Mt 5, 3)

 

Ser pobre no seu íntimo não significa não ter bens. Podemos ser ricos - desta riqueza que nos impede de ser felizes - mesmo sem ter dinheiro! Podemos ser ricos, por exemplo, dos nossos "espaços pessoais de autonomia e relaxamento", como diz o Papa Francisco n' A Alegria do Evangelho, número 78; ou do nosso "tempo pessoal", como acrescenta no número 81. Ricos, porque não deixamos que perturbem o nosso descanso ou o nosso espaço. O Papa deu o exemplo de pobreza ao renunciar aos seus aposentos papais no Vaticano, partilhando antes a Casa de Santa Marta com muitas outras pessoas! Podemos ser ricos dos nossos objectos pessoais - o telemóvel, o computador... - gritando com quem se atreve a tocar-lhes; podemos ser ricos do nosso carro, examinando atentamente cada risco na pintura, como vejo tanta gente a fazer; podemos ser ricos de uma boneca, de um carrinho, de um desenho, de uma bola - são só objectos, por muito especiais que sejam para nós! Podemos ser ricos de nada e de coisa nenhuma, perdendo assim a felicidade da pobreza.

Se queremos experimentar a alegria do Evangelho, recorda-nos o Papa Francisco, temos de redescobrir a pobreza. Olhemos um pouco para as nossas coisas pessoais, para a nossa casa, para a nossa vida... O que preciso de deitar fora se quiser ser pobre? O que preciso de aprender a partilhar? O que preciso de deixar que me roubem ou estraguem? Isso é mais difícil... Estragaram a boneca da Lúcia, e a Lúcia aprendeu a viver sem a boneca e sem perder a alegria. E eu?

 

 

 

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publicado às 07:02

Via-Sacra com piquenique II

por Teresa Power, em 15.03.14

Ir a Fátima em retiro familiar e em clima de festa, nos primeiros dias da primavera. Que dia tão feliz na terra de Nossa Senhora!

Começámos o dia na Capela da Reconciliação, acolhendo o perdão de Jesus através do sacramento da confissão dos pecados. Só a Sara, o António e a Lúcia não se confessaram. É uma simbologia tão bonita, descer as escadas para nos confessarmos, e voltar a subir para a Luz, depois de lavados de todas as nossas faltas!

Com o coração cheio de paz, entrámos na Igreja da Santíssima Trindade e participámos na missa. Coincidiu aquela missa ser especialmente dedicada às crianças, pelo que os nossos mais pequenos puderam subir ao altar e receber uma bênção especial!

 

 

Depois fomos visitar as casas dos pastorinhos. Foi com toda a certeza a melhor catequese do dia! Entrar naquelas casas tão simples, tão pobres, tão pequeninas, e pensar que nelas couberam famílias tão numerosas...

 

- Onde dormia a Lúcia? - Perguntou a Lúcia à simpática senhora que nos recebeu na Casa da Lúcia.

- Dormia nesta cama pequenina, com duas outras irmãs...

- Três meninas numa cama tão pequena?

- Sim...

- E onde está a mesa para eles comerem? - Quis saber o David, na Casa da Jacinta e do Francisco.

- Mesa? Não cabia aqui uma mesa para tantos! Sentavam-se em volta do lume, em banquinhos, com a malga na mão...

- Nunca mais me queixo de estar apertada à mesa - murmurou-me a Clarinha ao ouvido. Na verdade, as nossas refeições começam quase sempre com muitos resmungos entre os irmãos, que se sentem apertados na mesa da cozinha. Quando a Sara se sentar numa cadeira como as nossas, não sei como será!

 

O que estarão os meninos a ver tão atentamente, por detrás da casa da Lúcia?

 

Ah, já percebi! Olhem só...

- E é a sério, mamã!!!!!

 

Junto ao muro onde os três pastorinhos tiraram a sua mais célebre foto, tirámos nós também uma foto dos nossos seis. O António está quase tão sério como eles estavam!

 

E já repararam nesta menina, a descer as escadas da casa da Jacinta e do Francisco?

 

Visitar as casas dos pastorinhos e ler As Memórias da Irmã Lúcia II, onde Lúcia descreve o dia-a-dia da sua aldeia no tempo das aparições, é uma lição de vida para as famílias de hoje. Temos tanto, e queixamo-nos tanto! As casas dos pastorinhos, onde viviam tantas crianças, cabiam inteiras na minha sala!

 

Registo aqui apenas dois dos muitos exemplos que a Lúcia dá, nas suas Memórias, sobre o clima de partilha que se vivia então:

 

"Por vezes, a mãe, quando ia à salgadeira buscar a carne para a refeição da família, trazia um bocadinho mais, metia-o na gaveta da mesa que estava na cozinha, dentro de uma folha de couve, e dizia:

- Isto é para o primeiro pobre que aparecer, a pedir esmola." (Memórias da Irmã Lúcia II, página 15)

 

"Outras vezes, a mãe preparava um pequeno açafate que havia lá em casa, entre rosas e flores, com pequenas ofertas que me mandava levar a várias pessoas que ela sabia que não tinham. Umas vezes era com carne, quando se matava o porco, outras com filhoses pelo Natal, etc., outras vezes com fruta conforme o que havia no próprio tempo: figos,maçãs, pêras, ou queijinhos dos que ela fazia do leite das nossas ovelhas; e mandava-me ir a casa dessas pessoas para que comessem à ceia com migas de pão." (Memórias da Irmã Lúcia II, página 96)

 

E agora, em frente da Casa da Lúcia, 3 segundos de oração:

 

Amanhã descreverei a nossa caminhada, rezando a Via-Sacra, e o piquenique, claro!

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publicado às 22:45



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