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Uma missa, um site, um piquenique

por Teresa Power, em 27.06.16

Queridos amigos leitores, o site está pronto, com a graça de Deus. E todos podem assistir em direto ao seu lançamento, quer aqui connosco, quer nas vossas casas. Será no domingo, dia 3 de julho, na Eucaristia das 10 h no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, Mogofores. O Santuário tem cobertura de internet e tem projeção de imagem, pelo que no final da Eucaristia, pelas 11h, faremos o lançamento.

Convido para este momento de graça as Famílias de Caná, mas convido também todos os nossos amigos e todos os nossos leitores, com fé ou sem fé, católicos ou evangélicos, cristãos ou ateus. Façam festa connosco! Acompanhem-nos, aqui ou nas vossas casas! Pelas 11h, entrem connosco no site. Depois, os que estiverem connosco no Santuário continuarão a fazer festa no pátio, no meio das brincadeiras das crianças e das conversas dos crescidos, e em seguida partilharemos o almoço na cantina do colégio salesiano, onde está o Santuário. Tragam portanto um piquenique para partilharmos entre nós! Teremos ainda tempo para refletir sobre a nossa caminhada de Famílias de Caná, pois farei um ensinamento no início da tarde. Terminaremos com oração familiar.

Li atentamente todos os comentários que fizeram ao último post. Rezei a partir deles e com eles. E quero dar-vos a minha palavra de que o site é mesmo para todos, Famílias de Caná ou não, pessoas mais religiosas e pessoas menos religiosas. Há tantos e tão variados "menus", que ninguém ficará de fora!

Na página principal, eu continuarei, como sempre fiz, a escrever  para todos, a partir da vida e da Palavra, com a simplicidade e a profundidade deste blogue. Em literatura, sempre recusei ler ou dar a ler aos meus filhos as "obras simplificadas" dos grandes autores clássicos, preferindo ler menos a ler resumos, que matam a letra e o espírito da obra. Assim também com a Palavra de Deus: sempre anunciei e continuarei a anunciar a Palavra na sua integridade, tanto a quem não tem fé, como a quem tem mais fé do que eu. De outra maneira, não sei falar ou escrever.

O desafio que faço pois a todos e a cada um de vós é o mesmo: o desafio da santidade. Cada um responde a ele com os dons e a fé possíveis em cada momento. Nunca falei para um "clube", e as Famílias de Caná são tudo menos um "clube de sócios", porque a sua vocação já foi há muito definida por Jesus:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas a todos quantos encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Encontramo-nos domingo, e encontramo-nos sempre que Deus quiser! A todos, a promessa da minha oração e o convite do Senhor: vinde às Bodas!

E antes de fechar definitivamente este blogue, deixo-vos um breve resumo fotográfico dos nossos últimos dias, dos tempos em família que conseguimos encaixar entre exames, festas de final de ano, espetáculos de dança, ginástica e ilusionismo, testemunhos, trabalho no site e arranjos na casa...

Os buracos que o Niall escava no jardim à procura de canalização rota são ótimos para brincar:

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A pizza sai sempre melhor a quatro pares de mãos:

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Ao fim da tarde, nada como um passeio em família:

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E a oração familiar também se faz no meio do campo:

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Às vezes distraímo-nos, e não nos apercebemos de que alguém adormeceu no meio da brincadeira:

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Entretanto, há quem aproveite as férias para pôr a leitura em dia:

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Subir às árvores é uma paixão familiar bem experimentada:

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E este ano, tanto a Clarinha como o Francisco fazem mortais na praia! Ainda não os apanhei em pleno salto, com a máquina fotográfica, por isso deixo-vos com um pino:

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Por falar em subir às árvores... Conseguem identificar alguém neste eucalipto de Náturia?

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Eu sei que é difícil de acreditar, mas há quem o suba quando precisa de espaço e silêncio para pensar... Vou fazer zoom:

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E se estiverem no cimo das vossas árvores, desçam depressa e venham às bodas! Venham às Bodas, que os servos estão preparados:

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 Ámen!

 

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Invernos renovados

por Teresa Power, em 26.04.16

 A primavera chegou! Desta vez é mesmo a sério, pois tropeçamos nela logo ao sair de casa pela manhã: o céu azul, as nuvens brancas, a relva verde, as flores amarelas, vermelhas e laranjas, o cantar das cigarras, as melodias dos pássaros, os gatinhos a brincar na relva... Tudo nos repete, como o Amado no Cântico dos Cânticos:

 

"Levanta-te, minha irmã, minha amada!

Eis que passou o inverno, a chuva já se foi

Aparecem as flores na terra, chegou o tempo das canções

A voz da rola ouve-se na nossa terra.

A figueira já deu os seus figos verdes,

e as vinhas em flor exalam seu aroma..."

(Cant 2, 10-13)

 

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Com a primavera, chegam os dias tranquilos e longos, e renovam-se os encontros com os amigos. A Olívia e a sua família vieram visitar-nos, e encheram a nossa casa de alegria! Que dizem a estas três princesas?

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 Lembram-se da pequenina Lúcia, que tanto sofreu ao nascer? Ora aqui está ela, transbordando saúde e felicidade:

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 Para a festa ser completa, também a Isabel e o João, catequistas da Lúcia, vieram visitar-nos e estar com a família Batista. Ser Família de Caná significa ter amigos espalhados um bocadinho por todo o país, não é verdade? Sentados no jardim, pusemos a conversa em dia. Sentados no jardim, quer dizer, alguns de nós... Outros preferiram as árvores:

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 Segunda-feira foi feriado, e o dia amanheceu cheio de sol. Quem lê este blogue há algum tempo já consegue imaginar onde nos dirigimos de imediato... Ou não?

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 A primavera está a chegar assim de repente, da noite para o dia... Na semana passada ainda acendíamos a lareira, ontem tomaram-se banhos no mar!

De repente? Ah, nós só vemos a superfície das coisas! Porque durante todo o inverno, durante os longos dias de chuva, durante os serões de frio à lareira e durante as tempestades de granizo, a terra preparava-se para esta renovação.

Há dias em que eu olho para a minha vida passada e, no meio de belas recordações, também vejo tempestades, chuva abundante, frio intenso. Por que terá sido tudo tão difícil, meu Deus? Porquê a morte, porquê a dúvida, porquê a luta, porquê a incompreensão, porquê o emprego longe, porquê as turmas complicadas, porquê? Depois contemplo os meus filhos a brincar no jardim que cultivámos, vejo os meus amigos empoleirados nas árvores que ajudámos a crescer, e escuto as gargalhadas da "Bebé de Caná" que a Olívia segura nos braços. Ao longo dos muitos invernos da nossa vida, Deus foi preparando as nossas muitas primaveras. E com o seu vento, espalhou por aí as sementes que nasceram das nossas chuvas, tal como espalha nos nossos jardins interiores sementes que nasceram em outras chuvas.

E assim continuará a ser: as tempestades que hoje experimentamos levar-nos-ão certamente a novas primaveras, e as sementes que cultivamos nos nossos jardins florirão certamente noutros quintais, porque o nosso Deus é o Deus das estações, o Senhor da vida e da morte, Aquele que, no primeiro livro da Bíblia, tudo cria do nada, e no último livro da Bíblia, tudo recria, já não do nada, mas a partir de tudo o que Lhe oferecermos:

 

"Eis que faço novas todas as coisas!" (Ap 21, 5)

 

Ámen!

 

 

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Férias e bênçãos

por Teresa Power, em 04.04.16

Férias! Não há nada de que eu mais goste do que ter estes dias inteiros em casa, vendo os meus filhos saltitar a meu lado, brincando e desarrumando, rindo e chorando, descobrindo mundos novos em Náturia, passeando de bicicleta...

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...fazendo origamis, construindo puzzles, espalhando os legos pelo chão e migalhas de bolo pela casa inteira, e chegando ao ponto de usar um sapato diferente em cada pé porque não se conseguem lembrar onde puseram o par completo. Às vezes parece-me que talvez fosse boa ideia dar uma arrumação à casa, mas logo desisto. Quando eles regressarem à escola penso nisso!

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Cuidado ao sair da cozinha para o jardim! Ainda fico presa nalgum desenho...

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Realmente, procurar botas e sapatos na gaveta do calçado é um bocadinho perda de tempo:

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- Mãe, vamos ver o mar? Por favor! Há tanto tempo que não vamos à praia!

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Bem, a verdade é que na Semana Santa o tempo não esteve muito propício a praia. Deixo-vos algumas fotos sugestivas, e poupo-vos os detalhes relacionados com a excitação, a alegria e a confusão em nossa casa durante os vinte minutos em que durou a tempestade - e nas horas que se seguiram:

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DSC06003.JPGDurante as férias fomos ainda várias vezes ao parque:

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Férias é também o tempo ideal para o encontro com os amigos, e nestas férias tivemos e fizemos várias visitas muito simpáticas, que nos encheram de alegria.

E férias é também tempo para o encontro com a família alargada, especialmente os tios e os primos, já que a avó é presença mais frequente em nossa casa. Ora vejam só se conseguem identificar os seis Power, no meio destes doze Castel-Branco:

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Hoje, a mãe e os seis filhos regressam à escola (o pai não chegou a ter férias)... Olhamos para estes quinze dias - de sol e de granizo, de frio e de calor, de neve e de mar - como uma verdadeira bênção do Senhor, que nos permitiu fazer tantas coisas boas. Lembro-me do salmo:

 

"Terra, louva o Senhor!

Monstros do mar e todos os abismos,

fogo e granizo, neve e neblina

vento tempestuoso, que obedece à sua Palavra,

montanhas e todas as colinas,

árvores de fruto e todos os cedros,

feras e todos os rebanhos!

Louvai-O, jovens e donzelas, velhos e crianças!

Aleluia!" (Sl 148)

 

E olhamos para este novo período como outra verdadeira bênção do Senhor, naturalmente! A escola, os amigos, os livros, os exames... Quantas crianças e quantos jovens no mundo davam tudo para ter esta oportunidade?

Agora que eles estão todos na escola, volto a ter o meu tempo de oração diante do sacrário, e algum tempo para escrever. E todos nós, pais e filhos, voltamos a experimentar aquela alegria magnífica do reencontro diário, depois de um dia de escola, em que nos abraçamos e todos falamos ao mesmo tempo, desejosos de partilhar a vida. Outra bênção...

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Quando perdemos o pé...

por Teresa Power, em 17.09.15

Durante todo o mês de julho, o David, a Lúcia e o António frequentaram um curso intensivo de natação, ao fim do dia. O David já tinha frequentado um ano de natação, mas a Lúcia e o António nunca tinham tido oportunidade, pelo que, para eles, o curso foi a primeira experiência a sério de natação.

A Sara e eu assistimos à primeira aula. Digam lá se não estavam felizes?

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 Durante todo o mês de julho também, o David, a Lúcia e o António brincaram na praia, quase todas as manhãs. E eu pude avaliar o sucesso do curso intensivo pela sua confiança crescente no mar. De facto, no início do mês a Lúcia e o António brincavam assim na água calma da Praia da Barra:

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 No fim do mês, pelo contrário, mesmo as águas mais agitadas do mar da Costa Nova não pareciam meter-lhes medo:

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 Pouco a pouco, os meninos foram aprendendo a entrar no mar, afastando-se cada vez mais da praia, quase sem darem conta... Até chegarem a perder o pé por breves instantes, sob uma onda maior:

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 E tanto no mar, como nos lagos, aprenderam a mergulhar, fechando os olhos com força e esticando muito os braços. Que felicidade!

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 - Mãe, olha para mim! Vê como eu mergulho!

 - Mãe, agora vou mais longe! Vê como já sei nadar!

- Mãe, vou bater os pés com força! Olha, olha para mim!

- Mãe, já não tenho pé!

 

Uma tão grande evolução num tão curto espaço de tempo fez-me pensar...

Que lições tão importantes assim tiveram a Lúcia e o António, para permitir tamanha mudança de atitude em trinta dias? Segundo pude observar nas suas aulas, a Lúcia e o António aprenderam a fazer a respiração dentro de água e aprenderam um ou outro movimento de natação, como bater os pés com força. E o resto do tempo? O resto do tempo - e é sobre esse resto do tempo que vos quero falar hoje - fizeram jogos e brincadeiras, procurando no fundo da piscina brinquedos que a professora atirava, passando no meio dos arcos, perseguindo os amigos, rindo e jogando sem cessar. Numa palavra: A Lúcia e o António passaram a maior parte do tempo de aula aprendendo a... perder o medo!

O profeta Ezequiel tem um texto belíssimo sobre este avanço confiante em águas profundas, falando sobre a torrente de graça que jorra, abundante, do Templo do Senhor:

 

"O homem levou-me de volta à entrada do templo, e vi água saindo de debaixo da soleira do templo e indo para o leste, pois o templo estava voltado para o oriente. A água descia de debaixo do lado sul do templo, ao sul do altar. Ele então levou-me para fora, pela porta norte, e conduziu-me pelo lado de fora até a porta externa que dá para o leste, e a água fluía do lado sul.

O homem foi para o lado leste com uma linha de medir na mão e, enquanto ia, mediu quinhentos metros e levou-me pela água, que batia no tornozelo. Ele mediu mais quinhentos metros e levou-me pela água, que chegava ao joelho. Mediu mais quinhentos e levou-me pela água, que batia na cintura. Mediu mais quinhentos, mas agora era um rio que eu não conseguia atravessar, porque a água havia aumentado e era tão profunda que só se podia atravessar a nado; era um rio que não se podia atravessar andando." (Ez 47, 1-5)

 

Nunca avançaremos nas águas profundas do amor do Senhor andando, com segurança, perto da praia... É preciso perder o medo, perder o pé e avançar a nado! Ah, quando chegará para  nós o dia feliz em que mergulharemos, confiantes, nas torrentes de graça que jorram do seu Coração aberto, o Templo da Misericórdia?...

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Bicicletadas

por Teresa Power, em 17.07.15

Na próxima semana, o Francisco vai de bicicleta a Santiago de Compostela, juntamente com alguns colegas e professores do colégio. Irão em peregrinação e em passeio, e serão com toda a certeza cinco dias memoráveis. Pode ser que ele vos conte depois!

Assim, o Francisco tem aproveitado as férias para se tornar um verdadeiro ciclista, praticando todos os dias um pouco, geralmente na companhia dos seus amigos. Na quarta-feira passada saiu de casa com um amigo pelas oito da manhã:

 

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 Duas horas e trinta quilómetros mais tarde, os dois amigos chegaram à praia, e têm uma selfie a prová-lo:

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 Mais duas horas e trinta quilómetros, e chegaram a casa ao mesmo tempo que nós, vindos também de uma outra praia, mas no conforto do nosso carro! Almoçámos todos juntos, partilhando histórias e gargalhadas. Sessenta quilómetros numa manhã! Acho que estão preparados para a grande aventura...

 

De vez em quando, na nossa vida, somos confrontados com desafios maiores do que nós mesmos, capazes de testar até ao limite a matéria de que somos feitos. Para uns, é uma mudança de país, para outros, uma doença, para outros ainda, a perda de um ente querido, ou uma situação de desemprego, ou uma gravidez indesejada. De vez em quando, na nossa vida, somos desafiados a "partir de bicicleta" rumo ao desconhecido. E porque estas "peregrinações" forçadas não costumam fazer-se anunciar, é preciso estar preparados... Jesus não se referia apenas ao momento da morte, mas a todas as situações de batalha na nossa vida, quando contou aos seus discípulos esta parábola sobre a vigilância:

 

"Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais." (Mt 24, 42-44)

 

Que seria do Francisco para a semana, se não estivesse em boa forma física? Que será de nós, quando a grande prova chegar - porque chegará para todos, alguma vez na vida - se não estivermos em boa forma espiritual? O ideal mesmo é começar a treinar em criança - como o Francisco em relação à bicicleta -, trabalhando o carácter, praticando a virtude, adquirindo bons hábitos. Mas para Deus, nunca é tarde para começar!

Controlar a fúria perante uma situação enervante no trabalho, calar uma resposta à provocação do conjuge, aguentar uma dor de cabeça sem um queixume, não fazer as conversas girar à volta de si mesmo, aceitar uma injustiça na escola ou um professor implicante, desligar o televisor à primeira chamada da mãe, repetir vezes sem conta o "Nós, Jesus", ou "Tu queres, Senhor? Então eu também quero!" Tudo isto são pequenas pedaladas, aparentemente insignificantes. Mas são estes "passeios curtos" que nos vão permitir, de um momento para o outro, arrancar na grande peregrinação da nossa vida!

Ofereçamos aos nossos filhos muitas ocasiões de treino, educando-os com carinho, mas com firmeza. Quanto a nós... Porque não começamos hoje mesmo a treinar?

 

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O relógio adiantado e a felicidade conjugal

por Teresa Power, em 16.07.15

Cá em casa, estar de férias significa, entre muitas outras coisas, acordar cedo, às vezes mais cedo - e com muito mais vontade - do que em tempo de aulas. Quando vivíamos ao pé da praia, antes do Tomás morrer, costumávamos estar na areia pelas oito e meia. Nessa altura, havia quem brincasse connosco, dizendo que tínhamos as chaves da praia... Agora temos quarenta minutos de viagem diária a separar-nos do mar, mas mesmo assim, gostamos de chegar à praia entre as nove e as nove e meia, para contemplar as gaivotas que  ainda saltitam na areia e a praia que se estende, solitária, à nossa frente. Ao meio-dia, quando a praia começa verdadeiramente a encher-se de gente, nós já estamos de regresso a casa, com a sensação de ter brincado, rido, saltado e nadado por um dia inteiro!

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 Mas não foi sempre assim. Quando nos casámos, o Niall e eu tivemos naturalmente de orquestrar hábitos e gostos, temperamentos e sonhos. E não foi tarefa fácil! Às diferenças naturais que existiam entre nós, havia ainda a juntar a diferença cultural - o Niall é irlandês - que era significativa. O nosso primeiro ano de casados foi talvez o mais difícil...

Como portuguesa, criada no interior e habituada ao calor, eu achava que a praia só era boa com muito sol. Como irlandês, habituado ao mau tempo e a baixas temperaturas, o Niall gostava de caminhar na areia contra o vento e de nadar à chuva. Ao fim-de-semana ou durante as férias, eu ficava na cama até depois das nove horas, enquanto o Niall se levantava de madrugada. Para mim, antes das nove horas, em férias, não valia a pena estar acordado, porque aqui no litoral está sempre fresco, pelo que a praia não seria uma experiência agradável. O Niall sentia-se frustrado. Para ele, o melhor do dia estava perdido.

Uma manhã de sábado, acordei com o seu chamar entusiasmado:

- Teresa, Teresa, levanta-te depressa, já passa das nove e tu prometeste que íamos passear à beira-mar!

Abri os olhos, estremunhada. Estava ainda cheia de sono. Seria possível ser tão tarde? Olhei para o meu relógio de pulso: nove e um quarto. Olhei para o relógio de parede: nove e um quarto. E quando cheguei à cozinha, olhei para o relógio no micro-ondas: nove e um quarto (nessa altura, nós não tínhamos ainda telemóvel). Tomei o pequeno-almoço à pressa, vesti-me e saímos para o prometido passeio. Cá fora, na rua, o vento fresco e o silêncio da manhã souberam-me deliciosamente bem. Quanta beleza! Entrámos no carro, e naturalmente olhei para o relógio: marcava sete da manhã.

- Niall, que se passa? O relógio do carro... Sete da manhã? Mas... O meu relógio...?

O Niall sorriu, triunfante, enquanto conduzia a caminho da praia.

- Enganei-te bem, não foi?

Não contive uma gargalhada:

- Tu deste-te ao trabalho de mudar todos os relógios lá de casa? Nem te esqueceste do micro-ondas...

- Sim, mudei os relógios todos. Não tinha outra forma de te convencer a vires fazer este passeio comigo. Vais ver que valeu a pena!

E valeu. Valeu tanto a pena, que nunca mais preferi a cama a um passeio pela madrugada...

 

Quem, como eu, já fez quarenta anos, recorda-se certamente da primeira telenovela brasileira difundida em Portugal, Gabriela Cravo e Canela, baseada no belíssimo romance de Jorge Amado. A música, cantada por Maria Bethânia, parece contudo ser o refrão de muitos casamentos fracassados: "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim..."  Quanta gente recusa a mudança na sua vida! E quanta gente acaba por incorporar na sua vida, não as virtudes, mas os defeitos do conjuge, baixando os braços e desistindo do esforço necessário para que a mudança aconteça!

Quando olhamos para trás, quase dezanove anos depois do dia do nosso casamento, e procuramos o segredo que nos permitiu chegar até aqui com tamanha felicidade, encontramos um refrão contrário... No meio de muitos defeitos e muitos erros, o Niall e eu tivemos sempre uma virtude: a vontade de aprender com o outro o melhor que ele tem para dar, e de o incorporar na nossa vida conjunta. Os hábitos que hoje temos resultam deste desafio constante que fomos fazendo um ao outro a todos os níveis, e da forma como aceitámos ser desafiados, recusando o "vou ser sempre assim". Ao longo dos anos, o Niall adquiriu muitos dos meus melhores hábitos e eu adquiri muitos dos dele, e juntos esforçámo-nos por abandonar hábitos destrutivos e adquirir novos hábitos vencedores. Acordar cedo, para nós, é um deles!

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"Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e desta maneira, ambas as coisas se conservam." (Mt 9, 16-17)

 

 

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As férias da Clarinha

por Teresa Power, em 14.07.15

Escrito pela Clarinha:

 

Na primeira semana de férias sinto-me sempre um pouco perdida. Tudo acaba ao mesmo tempo - os horários, os estudos, os TPC's, as aulas mais cansativas... Nesses dias vou deitar-me cedo e acordo tarde (8h30 em minha casa é "tarde"), e durante o dia parece que tudo passa muito devagar e que não há nada para fazer. Após esta semana de adaptação às férias começo a ter ideias para fazer coisas.

Geralmente, vamos todas as manhãs que a mãe tem livre à praia. Chegámos lá pelas nove e meia e regressamos ao meio-dia. Divertimo-nos imenso porque não paramos. Corremos e saltamos, gritamos e mergulhamos, uns perfeitos doidinhos. Mas divertimo-nos e na viagem para casa, o carro vem muito silencioso, excetuando o ressonar dos mais novos!

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 Quando os meus pais precisam, ajudo-os a tomar conta dos manos ou a arrumar a cozinha. Às vezes estendo uma máquina de roupa ou passo a ferro.

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Gosto imenso de ler e faço-o bastante nas férias. Faço alguns trabalhos manuais como esta gruta - o túmulo de Jesus - que estou a preparar para a Páscoa. Durante as férias temos mais tempo para preparar coisas que, durante o ano, vamos querer ter feitas!

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 Também faço alguns trabalhos de costura, como almofadas para as minhas irmãs:

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 Gostam desta bonequinha e do vestidinho que lhe fiz com a minha máquina de costura? Ainda lhe falta o cabelo. Foi um presente para a Sara:

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Também costumo fazer os presentes de aniversário das minhas amigas, como este saco e estes cadernos personalizados:

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No verão há tempo para fazer estes presentes para o ano inteiro!

 

Adoro dançar e fazer ginástica. Gosto tanto de fazer novos exercícios que na semana passada me magoei no joelho ao fazer a roda sem mãos. Uns dias antes tinha chegado a casa muito contente porque tinha feito a roda sem mãos. O meu pai filmou-me quando me foi buscar ao Velódromo. Querem ver?

 

Quando cheguei a casa, tentei fazer outra vez no jardim, e foi um desastre. Caí sem fletir o joelho e a partir daí não tentei fazer de novo. De facto, mesmo que quisesse não conseguia. Agora é uma pena, porque dia 11 tinha um espetáculo que há muito andava a preparar, e não pude ir. Em vez de aulas de ginástica tenho sessões de fisioterapia. E tenho aproveitado para aprender a tocar novas músicas na guitarra.

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Apesar disso, tenho tido umas férias muito boas e divertidas!

 

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Estranho pedido de desculpas

por Teresa Power, em 07.07.15

A Inês tem dezassete anos e trissomia 21. Todos os verões a encontramos na praia, sorridente e afável. Há dez anos atrás, o Francisco e a Clarinha brincavam com ela na areia, fazendo castelos e procurando conchinhas. Agora, cabe a vez à Lúcia, ao António, à Sara. Os anos vão passando, os nossos filhos vão crescendo, mas a Inês continua criança, feliz por saltar nas ondas e brincar na areia com qualquer criança que responda à sua simpatia.

Ontem, a Inês deu a mão à Sara para a ajudar a molhar os pés no mar, e conversámos um bocadinho. Então recordei-me de uma conversa que eu tive no verão passado com a sua avó, mulher sábia e forte, de quase oitenta anos, que cuida da Inês como uma filha desde a morte prematura da mãe da menina.

- Quando a Inês nasceu - dizia-me a avó, de olhos fitos na sua menina - o médico pediu desculpa à minha filha. Eu sei, porque ela mo disse. Pediu desculpa... Ele deve ter falhado, realmente, como médico. Se tivesse descoberto o problema da nossa menina antes dela nascer, podia tê-la curado, não é verdade?

- Olhe que não - Respondi eu - A trissomia 21 não tem cura. Não teria adiantado nada saber antes!

A senhora ficou muito surpresa. Sem tirar os olhos da sua menina, que brincava nas ondas, perguntou em voz alta, mais a si própria do que a mim:

- Então por que razão terá o médico pedido desculpa?

Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Como explicar áquela avó, que vive para que a neta seja feliz, que o médico pediu desculpa por não ter dado à mãe a oportunidade de matar a sua filha antes dela nascer? A Inês dava gargalhadas alegres no mar, ao lado do António e da Lúcia. Não tive coragem de desfazer a ilusão... Seria demasiado doloroso. Encolhi os ombros e fingi não saber a resposta.

Ainda me falta encontrar uma mãe que me diga que teria preferido abortar o seu filho deficiente...

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 "Teus olhos viam o meu embrião,

e em teu livro foram registados

todos os dias prefixados,

antes que um só deles existisse..."

(Sl 139/138)

 

 

 

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Neblinas de verão

por Teresa Power, em 26.06.15

Sair de casa às nove da manhã, entrar no carro e fazer trinta quilómetros com o limpa-parabrisas a funcionar...

- Isto é chuva, mãe?

- Não, filha, não é. São só gotas de orvalho!

Seria uma pena não aproveitar a única manhã livre de todos, sem exames do Francisco ou trabalho na escola da mãe - exceção feita para o pai, que só terá férias em agosto.

O nosso destino é o paredão dos pescadores, na Praia da Barra, onde a ria se encontra com o mar e os navios entram para o porto... A neblina é húmida e fresca, mas ninguém se importa: de patins nos pés ou com os pés no chão a dar balanço na bicicleta sem pedais, a alegria é completa.

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 Depois de uma hora a patinar, o lanche sabe mesmo bem!

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O mar estende-se, imenso, diante de nós...

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 - Mãe, estamos cheios de calor! Podemos ir tomar banho ao mar?

- Vá lá!

- Vá lá!

Há duas grandes vantagens em ir à praia com mau tempo: temos muito espaço para brincar, e não gastamos tempo e dinheiro em... protetor solar!

- OK, então vão lá dar um mergulho!

E assim acontece... E não, não encontrei cubinhos de gelo a boiar na água, embora tenha procurado :)

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Não será esta também uma forma de pobreza evangélica? Aproveitar as circunstâncias da nossa vida, sejam elas quais forem, para saborear o amor de Deus? Só um coração verdadeiramente pobre é um coração grato, porque reconhece que nada lhe é devido e a nada tem direito... Embora o tempo atmosférico seja das circunstâncias mais fáceis de aceitar - quando comparado a uma doença, ao desemprego, a um divórcio, a uma traição - é capaz de gerar tanto descontentamento no nosso povo!

 

"Aleluia!

Como é bom cantar ao nosso Deus!

O Senhor cobre os céus de nuvens,

prepara a chuva para a terra,

faz brotar a erva sobre os montes...

Ele faz cair a neve como lã,

espalha a geada como cinza,

lança granizo aos punhados.

Aleluia!" (Sl 147)

 

 

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Uma praia, umas vasilhas de barro e um retiro

por Teresa Power, em 25.05.15

 

Escrito pelo Francisco:

 

No dia do retiro, eu e a Clarinha acordámos os dois com o mesmo pensamento: “Qual será a atividade que o meu pai preparou para os jovens do retiro?”. Ele arranja sempre cada uma! Nunca sabemos se vamos fazer um estandarte, uma ponte, um mosaico de arroz, uma torre de papel, um boneco de lego… e o mais surpreendente é que há sempre uma ligação entre estas atividades e a palavra de Deus. “O que será desta vez?”

Depois da missa, o Niall reuniu os jovens e, feitas as apresentações, dirigimo-nos para o mar, uma praia a 200 metros da casa do retiro. Realmente, com aquele espaço fantástico, aquele sol acolhedor, aquele bater das ondas nas rochas, a praia é o melhor sítio para fazer seja o que for! Portanto foi nas dunas, sob a sombra natural das árvores que nos rodeavam, que tivemos o nosso ensinamento da manhã, a partir do livro da minha mãe, Os Mistérios da Fé.

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O tema era… vasilhas!? Sim, começámos por meditar na passagem do Antigo Testamento que conta como uma viúva, vendo que lhe seriam tirados os filhos para se fazerem escravos se ela não pagasse uma certa quantia de dinheiro, foi ter com o profeta Eliseu a pedir ajuda. O profeta disse-lhe para pegar na única vasilha de azeite que ela tinha em casa e com ela encher todas as vasilhas que conseguisse encontrar. A mulher teve fé e assim fez. E o azeite multiplicou-se de modo a encher todas as vasilhas, que ela depois vendeu, podendo assim libertar os filhos. (2Rs 4, 1-7)

Tal como a maior parte das histórias do Antigo Testamento, esta história tem um paralelismo no Novo Testamento que nos é bem familiar: As Bodas de Caná! Foi à volta destas duas histórias, ambas envolvendo muita fé e vasilhas, que fizemos a nossa reflexão. Vimos que, tal como a viúva teve que dar o seu pouco e insignificante azeite e os criados nas Bodas de Caná tiveram que encher as talhas com a insignificante água, nós também temos que colocar os nossos dons, sofrimento, alegrias na nossa “vasilha” e oferece-la a Deus, para Deus os fazer render, valer muito mais. Por muito que façamos de bom, por muitos sacrifícios que façamos, se não oferecermos tudo a Deus, de nada nos vale. O importante é a união com Ele, que podemos viver todos os dias e lembrar na oração: "Nós, Jesus!"

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Para complementar toda esta reflexão, o meu pai sugeriu que construíssemos nós próprios as nossas vasilhas com barro (fiquei a perceber porque é que a mala que trouxemos estava tão pesada…). Acima eu disse que a praia é o melhor sítio para fazer seja o que for. Bem, eu estava errado, a praia é o pior sitio para fazer alguma coisa com barro! Foi um verdadeiro desafio, e muito divertido, fazer vasilhas de barro sem deixar a areia estragar tudo, sem deixar que a maré, que estava a subir, encharcasse os nossos sapatos…

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No final fizemos uma oração em silêncio, pedindo a Deus que fizesse as nossas “vasilhas” render.
Da parte da tarde continuámos as construções de barro e fomos passear pela praia, onde aproveitamos para rezar em voz alta, contra o vento…

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“Valeu a pena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena!” (Fernando Pessoa)

Sim, este dia valeu mesmo a pena, como todos os retiros. Muita reflexão, muita diversão, e voltamos para casa sempre mais alegres e com uma fé maior, com as nossas "vasilhas" a transbordar!

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