Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Corpo Místico

por Teresa Power, em 07.03.16

- Meninos, podem ligar a televisão! - Aviso, ao fim da tarde de sábado. Como já todos os leitores devem saber, sábado é dia de televisão para os Power mais novos, que durante a semana nem se lembram dela.

- Ena, que bom! Está a dar Jake e os Piratas! - Anuncia a Lúcia, a primeira a chegar à sala.

- Falta o David! - Reparo, quando a Sara e o António se instalam no sofá. - Quem o vai chamar?

- Hoje eu não vou ver televisão - Diz o David, entrando na sala. - Vou já tomar banho e depois vou ler para o quarto.

- E porquê? Tu adoras Jake e os Piratas!

- Para fazer um sacrifício. Hoje quero fazer um sacrifício dos grandes...

 

- Mãe, quero uma fatia de bolo!

- Já comeste ao lanche, António. Agora esperas pelo jantar. Só depois de jantar é que comes bolo outra vez.

- Mas eu quero agora.

- Já te disse que não. Depois de jantar.

- Agora!

- Não vale a pena, António.

Lágrimas. Parece que as birras ainda não acabaram de todo...

- António, vou explicar-te: não vais comer bolo agora, quer faças birra, quer não. Isso é certo. Mas restam-te duas escolhas: podes não comer bolo e ficar de mau humor, a chorar, zangado, e eu grito contigo e perco a paciência, e só temos tristeza para dar a Jesus; ou podes não comer bolo e sorrir, oferecendo a Jesus o teu sacrifício, e logo à noite pões uma flor no Canto de Oração. A escolha é tua!

O António suspira, e limpa as lágrimas. A escolha está feita.

 

Hora de oração familiar. Sentados no sofá da sala, rezamos o terço como todos os dias. Geralmente, antes de começarmos, precisamos de repetir muitas e muitas vezes: "Meninos, sentados como deve ser!" "Meninos, não se reza de qualquer maneira, é preciso respeito!" "Meninos, costas direitas no sofá!" Mas hoje não parece ser necessário. Antes de começarmos, o Niall ajoelha-se no chão. Duas avé-marias mais tarde, também a Clarinha se ajoelha. Mais duas avé-marias, e é a minha vez... E logo em seguida, o Francisco. Olhamos uns para os outros e rimo-nos: quando um decide oferecer um bocadinho mais a Jesus, ninguém quer ficar atrás! Sem que seja essa a nossa intenção, acabamos por nos desafiar uns aos outros todos os dias neste belo e difícil caminho da santidade.

 

- Mãe, explica-me outra vez o que faz Jesus com todos os nossos sacrifícios!

- Então eu explico: cada vez que tu fazes um sacrifício, Jesus recebe-o nas suas mãos, com todo o carinho. Depois transforma-o numa graça especial para alguém também especial, que só Ele conhece... Assim, talvez Jesus tenha aproveitado o teu sacrifício de não ver televisão para derramar felicidade sobre um menino da tua idade, que estava a chorar no meio da guerra na Síria. Quem sabe? Talvez...

- Mas no céu vou saber, não vou, mãe?

- Sim, no céu vais poder brincar com todos os meninos que receberam graças através de ti. E também vais conhecer todos os meninos que, com os seus sacrifícios, obtiveram graças para ti!

- Nem posso esperar...

Estas conversas surreais acontecem muitas vezes em nossa casa. Podem conter uma ou duas imprecisões teológicas em termos de linguagem, eu sei, mas não encontro melhor forma de explicar às crianças esta maravilha que é a comunhão dos santos, em que nós, católicos, afirmamos acreditar. É deste imenso tesouro dos sacrifícios e sofrimentos de todos os santos, conhecidos e desconhecidos, vivos na Terra e vivos no céu, que cada um de nós recebe graça sobre graça.  Como diz S. Paulo, as nossas vidas individuais são preciosas quando unidas ao sofrimento pascal de Jesus:

 

"Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, pelo seu corpo que é a Igreja." (Col 1, 24)

 

Porque no único Corpo formado por Jesus e pela sua Igreja, circulam de uns para os outros todas as graças, todas as bênçãos, todas as alegrias, todas as dores, como o sangue que percorre todos os membros:

 

"Os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros." (Rm 12, 5)

 

E de sacrifício em sacrifício, no Canto de Oração é quase primavera...

DSC05708.JPG

DSC05710.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

Via Sacra caseira

por Teresa Power, em 23.02.16

Todas as quaresmas rezamos a Via Sacra em família, uma vez por semana. Podemos fazê-lo na igreja, podemos fazê-lo em Fátima (esperemos que sim também este ano) e, claro, podemos fazê-lo em casa. No sábado fizemos a Via Sacra em casa, diante do Canto de Oração. No chão deitámos a cruz de madeira que os jovens construíram no Primeiro Retiro das Famílias de Caná, naquele magnífico dia da Exaltação da Santa Cruz de 2013. Este crucifixo tem pois para nós um significado muito especial...

 

"Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor te conduziu..." (Deut 8, 2)

 

Assim nos diz o Senhor de cada vez que contemplamos esta tosca cruz. Nela encontramos a obra da salvação de Jesus, que por nós deu a vida; mas também encontramos o chamamento para reunir as primeiras Famílias de Caná e todo o caminho percorrido desde então, caminho de Cruz e de Ressurreição como todos os caminhos do amor. Olhando, pois, para a cruz deitada no chão, nós recordamos as graças que Deus derramou sobre nós, perdoando-nos os pecados, curando-nos as feridas, libertando-nos do poder do mal, fazendo de nós suas testemunhas e enviando-nos em missão pelo país inteiro, congregando as Famílias de Caná. Ena, tantas bênçãos!

 

Assim, no domingo depois do almoço, acendemos as velas, preparámos as meditações (as mesmas que os ofereci no ano passado e que disponibilizo novamente: Via Sacra.pdf ) e espalhámos pelo chão as imagens da Via Sacra que os meninos recortaram, pintaram e colaram em corações de cartolina, também no ano passado. Depois cantámos um cântico e iniciámos o Caminho da Cruz. À vez, cada menino procurava entre os corações a estação correspondente, e colava-a sobre a cruz. No final, foi diante de uma cruz iluminada e cheia de corações que concluímos a nossa oração da tarde. Dentro de nós, um silêncio contemplativo calava os pensamentos mundanos e subia até Deus como incenso...

DSC05666.JPG

DSC05673.JPG

DSC05676.JPG

DSC05677.JPG

DSC05679.JPG

DSC05681.JPG

DSC05683.JPG

DSC05685.JPG

DSC05687.JPG

DSC05689.JPG

DSC05690.JPG

DSC05693.JPG

DSC05696.JPG

DSC05700.JPG

DSC05703.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:00

O Perdão e a Festa do Céu

por Teresa Power, em 15.02.16

- Sara, quantas vezes te disse que não se pode escrever na parede? E tu sempre a escrever! Ainda ontem limpei tudo, com tanto trabalho, e agora chego aqui e tenho a parede toda riscada!

A Sara não parece muito importada com a minha conversa. Aliás, fica até bastante ofendida, e reage de imediato:

- Já não te convido para a minha festa de anos!

Abafo uma gargalhada, mas decido entrar no jogo:

- Oh, Sara, que pena! E a tua festa de anos é em setembro, deixa lá ver, daqui a oito meses... Tens a certeza de que não me vais convidar?

- Não vou! - Continua ela, de mãos na cintura e a fazer beicinho.

- Bem, e se eu te preparar a festinha? Por exemplo, eu podia fazer o lanche, escrever os convites, pôr a mesa para os meninos, e até, imagina, arrumar tudo no fim...

Mas a decisão está tomada:

- Não convido!

Já não consigo evitar a gargalhada:

- Ainda tens tempo para mudar de ideias. E agora desaparece daqui, que tenho uma parede inteira para limpar!

A Sara vai então pregar para outra freguesia (e muito provavelmente pintar outras paredes):

Sara e a sua escolinha de bonecas.JPG

 Durante todo o dia diverti-me com esta ameaça da minha filha mais nova, tão segura do alto dos seus três anos. Mas à noite, já deitada, enquanto fazia o meu exame de consciência, assaltou-me um terrível pensamento: e se Deus não nos perdoasse os nossos pecados? E se, de cada vez que eu pecasse, eu fosse imediata e definitivamente excluída da festa eterna, essa festa em que espero viver daqui a muitos, muitos anos? E se de nada valesse oferecer-me para, ao menos, limpar os vestígios da festa, porque o meu pecado era imperdoável? Um pensamento destes é mais assustador que o pior dos pesadelos...

Será que já nos demos conta do que significa sermos perdoados? Num único instante, Deus apaga por completo o mal que fizémos e derruba o muro que construímos à nossa frente, abrindo-nos de par em par a Porta Santa da eternidade. E faz isto à custa do Sangue precioso de Jesus! Talvez estejamos tão habituados à ideia de que Deus perdoa, que nos esquecemos da imensa graça que significa essa simples afirmação. Diz S. Pedro:

 

"Fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, como prata e ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha." (1Pe 1, 18-19)

 

O Cardeal Kasper explica o que significa "graça barata", essa falta de gratidão e de gestos correspondentes a que todos nós estamos sujeitos, se não meditarmos o suficiente neste mistério do perdão que Deus nos obteve na cruz:

"A palavra misericórdia pode ser mal entendida quando a misericórdia se confunde com uma débil indulgência e uma atitude de laissez faire. Surge então o perigo de fazer da graça divina - "comprada" e "merecida" por Deus na cruz a troco do seu próprio sangue - uma graça barata (...), isto é, o anúncio do perdão sem penitência, do batismo sem disciplina comunitária, da Ceia sem reconhecimento dos pecados, da absolvição sem confissão pessoal." (in: Misericórdia, Walter Kasper)

Que esta quaresma nos encha de gratidão perante o dom maravilhoso que o Senhor nos faz em cada dia, ao perdoar o nosso pecado, abrindo com o seu Sangue a Porta Santa que nos lança na festa eterna do céu! E que nenhuma penitência, nenhuma obra de misericórdia, nenhum sacrifício nos pareça excessivo perante este dom que supera todos os dons - este per dom, este perdão. Ámen!

DSC05572.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As flores da misericórdia

por Teresa Power, em 12.02.16

- Mãe, faz um sacrifício e deixa-nos fazer tintas!

Estou quase a responder que não, quando me dou conta de que é mesmo um sacrifício deixá-los trabalhar com tintas, brilhantes, pinceis, papeis, colas e afins, tudo espalhado na toalha de plástico sobre a mesa da cozinha, sobre o chão, sobre as paredes, sobre o teto; e finalmente, quando se cansam e se vão embora, depois de distribuirem os desenhos molhados por todas as superfícies planas para que sequem, sobra para mim...

- Bem, eu deixo, porque está a chover lá fora e há poucas alternativas... Mas depois arrumam tudo!

Arrumam, claro, embora não "tudo", nem sequer "quase tudo". Suspiro e tento um sorriso. Tenho direito a oferecer uma flor no Canto de Oração. E eles sabem disso.

Com o início da Quaresma, duplicam os nossos esforços por oferecer ao Senhor pequenos sacrifícios, pequenos gestos de generosidade e, neste ano especialmente, pequenas obras de misericórdia.

- Mãe, eu consolei a Sara que estava a chorar - Diz-me o António, triunfante, com uma Sara sorridente pela mão.

- Mãe, eu barrei o pão da Sara porque ela não conseguia. Dei de comer a quem tinha fome! - Afirma a Lúcia.

- Eu deixei o António escolher o jogo, e fiquei a contar em vez de me esconder, como preferia - Proclama o David.

- E eu cortei as flores todas em papel para vocês oferecerem - Diz a Clarinha, assertiva.

- Eu, bem, eu evitei entrar na cozinha durante toda a tarde em que a Clarinha fez os bolos para a festa do António, para não cair na tentação da gulodice em quarta-feira de cinzas - Sorri o Francisco, piscando o olho à irmã.

Todos multiplicam "coisas bonitas para Deus" (something beautiful for God), como a Madre Teresa gostava de dizer. Depois, ao serão, durante a nossa oração familiar, os mais novos colam no Canto de Oração uma pequena flor de papel de lustro. Quando chegar a Páscoa, os nossos desertos estarão plenamente floridos.

 

DSC05575.JPG

  "Então o deserto e a terra árida alegrar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio, ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano ser-lhe-á dada, o esplendor do Carmelo e de Saron..." (Is 35, 1-2)

 

Ah, a primavera depois do inverno, a alegria depois do sacrifício, a felicidade depois do sofrimento, a Ressurreição depois da Cruz... Que belo final para o caminho de renúncia, generosidade e penitência que a Quaresma nos oferece!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Canto de Oração quaresmal 2016

por Teresa Power, em 10.02.16

O dia em que preparamos o Canto de Oração para novo tempo litúrgico é sempre um dia de festa cá em casa, e todos querem participar.

- Vamos falar de portas este ano, não vamos?

- Sim, Clarinha, este é um ano especial, especialíssimo. É o primeiro Ano Santo na História da Igreja em que o Papa autorizou a abertura de milhares de Portas Santas em todo o mundo, para além das quatro Portas Santas de Roma...

- E por que é que se fala tanto em Porta Santa?

- Porque Jesus disse que Ele mesmo é a Porta. No Evangelho de S. João, Jesus afirma:

 

"Eu sou a porta das ovelhas. Se alguém entrar por Mim estará salvo; há de entrar e sair e achará pastagem." (Jo 10, 7.9)

 

Pouco a pouco, durante a refeição familiar do almoço, as ideias foram nascendo. À tarde, a Clarinha e eu pusemos mãos à obra, enquanto os mais novos entravam e saíam da sala, exclamando de vez em quando "Que lindo! Que lindo!" Pontualmente, pedíamos alguma ajuda ao Francisco, que como sempre prefere ver o trabalho final concluído.

A festa não seria completa sem um lanche apropriado, claro! E para isso, não há melhor que a Clarinha. Todas as famílias deviam ter uma Clarinha, acreditem em mim! Ora vejam só este lanchinho:

lanche da Clarinha 1.JPG

lanche da Clarinha 2.JPG

É preciso gastar o chocolate todo que há em casa antes de começar a quaresma, pois uma das nossas renúncias é sempre o chocolate...

E ao fim da tarde, o Canto de Oração estava pronto. Querem ver?

DSC05553.JPG

- Mamã, por que é que a cruz de Jesus está dentro da Porta?

- Porque foi pelo seu sacrifício, pela sua morte e ressurreição que Jesus nos abriu a Porta Santa, David.

- É por isso que puseste os cartões com os mistérios dolorosos a toda a volta?

- Sim. Foram os mistérios dolorosos - o Caminho da Cruz - que nos salvaram. Abrir uma Porta Santa dá trabalho! A Lena explicou no seu blogue que é preciso primeiro derrubar um muro inteiro, pois a Porta Santa fica não só trancada, como murada de jubileu para jubileu. Jesus derrubou o muro do nosso pecado com a sua entrega de amor...

DSC05557.JPG

- Ah, e então a bilha representa o Coração de Jesus, não é?

- Sim. A bilha representa o seu Corpo entregue por nós, a jorrar o Sangue da Nova Aliança, perfurado por três cravos. As bilhas das Famílias de Caná têm tanta, tanta simbologia... Que símbolo tão rico o Senhor nos ofereceu!

DSC05561.JPG

- E estão aí os cartões da Via Sacra! Há tanto tempo que não rezamos a Via Sacra!

- É verdade, vamos rezá-la, como todas as quaresmas, nos domingos à tarde.

- Havemos de ir rezá-la também a Fátima...

- Esperemos que sim! E à nossa igreja. E aqui em casa, com os cartões que vocês fizeram, tão bonitos.

DSC05554.JPG

O Canto de Oração Quaresmal está pronto, desde domingo à tarde. A quaresma é sempre um tempo tão intenso na vida de cada um de nós, e na nossa vida familiar, que tivemos pressa em preparar o espaço familiar de oração ainda antes do carnaval, para o fazermos com calma durante a interrupção letiva. Hoje começa verdadeiramente esta aventura de conversão, sempre começada, sempre fracassada, sempre perdoada, sempre renovada, a cada ano e a cada ciclo... Como Deus é bom!

Rezemos então uns pelos outros durante este tempo magnífico de misericórdia! A todos os leitores deste blogue, uma santa quaresma! Ámen.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um pequeno passo...

por Teresa Power, em 08.02.16

Há duas semanas atrás, quase todos os Power estiveram doentes. Os mais pequenos trouxeram para casa uma belíssima virose de vómitos, os mais velhos andaram enjoados e sem forças, e por fim, na noite de sábado para domingo (da outra semana), foi a minha vez.

- Meninos, despachem-se, vistam-se para a missa que hoje a mamã não vos pode ajudar - Disse o Niall, procurando orientar a manhã dos seis filhos.

- Porquê?

- Porque vomitou a noite toda e continua muito aflita - Explicou. - Quando viermos da missa já vai estar melhor. Agora vistam-se!

A Lúcia e o António entraram apressadamente no meu quarto.

- Mamã, que devemos vestir para a missa?

- O que quiserem - Respondi eu sem pensar, procurando controlar as dores de barriga - Vistam o que quiserem, mas deixem-me em paz!

Só na segunda-feira de manhã, quando finalmente saí da cama, é que me dei conta do erro que cometera com esta minha inocente resposta... Pelas camas e cadeiras estava espalhado todo o tipo de roupa, desde t-shirts a vestidos de verão.

- Clarinha, que aconteceu aqui? - Perguntei, desanimada.

- Ora, mãe, não lhes disseste para vestirem o que quisessem? Eles levaram à letra a tua resposta, e deram volta às roupas todas! Não tive como os controlar!

Bem, mas esta conversa foi na segunda-feira de manhã, porque durante todo o domingo eu lutei na cama contra a bela virose que me assaltou de surpresa. "Que perda de tempo!" Pensava, quando conseguia pensar. "Hoje que tencionava corrigir uma turma de testes... Hoje que escolhera cânticos tão bonitos para cantar e tocar na missa... Hoje que prometera à Sara construir um castelo de legos com ela... E em vez disso, estou na cama sem fazer nada!" Mas depois o meu pensamento foi buscar uma outra lógica, a lógica divina, que o Papa Francisco tão bem explicou em A Alegria do Evangelho: "Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode agradar mais a Deus que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar grandes dificuldades." (nº44) E logo exultei de alegria, tanto quanto pode exultar de alegria alguém doente na cama.

De facto, é muito mais fácil ser-se simpático, amável, misericordioso, quando se está saudável, quando se comeu bem e dormiu melhor, quando a vida não nos apresenta grandes dificuldades. Mas como é difícil sorrir quando sofremos! Então é altura de dar esse "pequeno passo", de oferecer ao Senhor um pequeno esforço. Talvez o sorriso seja um pouco "amarelo", mas é de certeza bem valioso! Um dia doente de cama é uma experiência extraordinária de humildade...

DSC04918.JPG

Que desculpa terei eu a dar a Deus por não ter sido santa, quando um dia O encontrar face a face, se tudo na minha vida me facilita o caminho? Sem qualquer mérito meu, nasci e cresci num país do primeiro mundo, longe da guerra, da fome, da violência, numa família onde sempre fui amada e muito bem tratada, numa casa praticamente ao lado de uma igreja... Nunca tive de percorrer quatro quilómetros a pé, debaixo de sol e de chuva, para ir à missa, nem tive de participar em celebrações clandestinas durante a noite sob ameaça de bombas, nem tive de atravessar o Mediterrâneo numa gincana, nem tenho de suportar um marido violento, nem tenho de enfrentar uma família avessa à religião, nem tenho de roubar para comer, nem... Ah, que seria de mim, se a minha vida fosse feita de doença, sofrimento, solidão...? Seria eu a mesma mulher de fé? Seria eu capaz de me esforçar por ser santa e por educar os meus filhos na Lei de Deus? Não seria antes tentada a baixar os braços e a responder "Façam como quiserem", como respondi aos meus filhos naquele único dia de mal-estar?

Recebo muitos e-mails de leitoras deste blogue, confidenciando-me como a sua vida é difícil, e como procuram manter a sanidade mental, a fé, ou simplesmente o seu casamento, no meio de grandes adversidades. Como eu admiro estas pessoas! Algumas partilham comigo terem conseguido, finalmente, levar os filhos à missa, ou rezar em família à hora das refeições. Tenho a certeza de que esta missa esforçada ou esta oração rápida e meio envergonhada tem, diante do Senhor, mais valor que a minha missa confortável e a nossa longa oração diária... Um pequeno passo no meio de grandes limitações vale mais que todo o ouro do mundo. Lembro-me da viúva do evangelho:

 

"Levantando os olhos, Jesus viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas. Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas e disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»" (Lc 21, 1-4)

 

Animada com este espírito, procurei aproveitar muito bem o meu dia de sorte, naquele domingo passado na cama, não desperdiçando nenhuma oportunidade para sorrir no meio da dor, ser amável quando apetecia responder torto, calar-me quando apetecia queixar-me. Não consegui corrigir testes, não consegui trabalhar neste blogue durante uma semana inteira (graças a Deus tinha o post sobre o retiro preparado nos rascunhos), mas certamente que os meus pequenos sofrimentos foram mais valiosos que muitos textos aqui escritos, e certamente que Deus sorriu ao ver o meu (vão) esforço.

Já passou... Foram apenas algumas horas oferecidas - pobremente oferecidas - ao Senhor. Agora vem aí a Quaresma, e com ela, o grande convite à mortificação, à renúncia, ao jejum, ao silêncio. Serei capaz de a aproveitar?...

PS - Prometo compensar esta semana a falta de posts da semana passada!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Do Lava-pés à Via Sacra

por Teresa Power, em 04.04.15

Hoje, sábado santo, é dia de imitar Nossa Senhora, que guardava no seu coração todos os acontecimentos alegres, tristes, luminosos ou dolorosos da vida de Jesus, para neles meditar continuamente. Sem quebrar o silêncio deste dia, deixo-vos as fotografias dos momentos mais solenes e dramáticos que vivemos, em comunhão com toda a Igreja, uns com os outros, e todos e cada um de nós com Jesus - "Nós, Jesus":

 

Quinta-feira Santa, Eucaristia às nove da noite. Celebrámos em comunidade a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Reconhecem o David?

DSC01468.JPG

DSC01470.JPG

S. João diz-nos que a Eucaristia significa receber em nós a vida de Jesus, deixarmo-nos lavar por Ele e imitar o seu amor. O Lava-pés simboliza isto mesmo. Na nossa comunidade, o senhor padre lavou os pés a uma criança, adolescente ou jovem de cada um dos doze anos de catequese:

DSC01480.JPG

DSC01488.JPG

DSC01482.JPG

DSC01495.JPG

 Ups! Estas fotografias estão aqui por engano:

DSC01498.JPG

DSC01499.JPG

Não, não estão! Os dias santos são também dias de muita brincadeira. Sem brincadeira familiar, é difícil explicar aos mais novos o que é isso do amor...

 

Sexta-feira santa. De manhã, o David foi ao ensaio de acólitos, e nós fizemos o ensaio dos cânticos. Depois, às três horas da tarde, a hora de Jesus, todos nos reunimos no santuário para celebrar a Paixão do Senhor. A cerimónia da Paixão do Senhor é impressionante pela sua densidade dramática e a sua universalidade. Ali, aos pés da Cruz imensa de Jesus, colocamos o mundo inteiro:

DSC01507.JPG

À noite, as ruas de Mogofores encheram-se de luz e de povo, para juntos colocarmos os nossos pés nas pegadas de Jesus e seguirmos atrás da sua cruz, como diz o Livro de Job:

 

"Tenho os meus pés colados às suas pegadas, segui os seus caminhos sem me desviar."

(Jb 23, 11)

DSC01511.JPG

DSC01513.JPG

DSC01518.JPG

DSC01528.JPG

DSC01521.JPG

DSC01519.JPG

O Niall ficou em casa, rezando a Via Sacra na companhia do Papa Francisco, pela televisão, enquanto vigiava o sono do António e da Sara.

O Francisco foi o fotógrafo da noite, a Clarinha cantou sempre a meu lado. O David segurava a sua tocha com extrema atenção, e a Lúcia saboreava a sua "saída noturna" com entusiasmo. "Já saio à noite!" Repetia, de mão dada comigo. E a cada velinha iluminando a rua, dava saltinhos de alegria.

DSC01531.JPG

DSC01535.JPG

DSC01529.JPG

DSC01539.JPG

DSC01544.JPG

DSC01548.JPG

DSC01543.JPG

 Cá fora, a lua cheia da Páscoa iluminava o céu...

DSC01550.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:25

Primavera e oração

por Teresa Power, em 21.03.15

Dia do Pai. Pequeno almoço. Os meninos acordam com o doce cheirinho da apple crumble irlandesa.

- Feliz Dia do Pai!

- Feliz Dia do Pai!

As exclamações de alegria repetem-se, enquanto todos correm para a cozinha para um pequeno-almoço esmerado. Entre duas garfadas, o Francisco comenta, em tom de brincadeira:

- Para quaresma, as nossas refeições nem têm sido más!

- Sim, são mais as exceções que a regra! - Acrescenta a Clarinha - Dia do pai, dia de S. Patrício, os meus anos, o retiro...

- Ah, o retiro! A comida do retiro é sempre a melhor comida do mundo! Não sabe a quaresma, não...

- E depois os domingos de panquecas, que o domingo é sempre dia de festa, quaresma ou não quaresma...

- Bem, a alimentação não tem sido a base do nosso sacrifício quaresmal. No entanto, acho que esta quaresma temos rezado muito, não é verdade?

- Sim, mamã, temos rezado muitas vezes a Via Sacra, e feito adoração em silêncio. E temos contado muitas histórias da Bíblia!

- E eu estou sempre a pensar em Jesus, sabes, mãe?

- Ai sim, David?

- Sim. Quando estou na escola penso muitas vezes: "Jesus fica ou não contente com o que eu estou a fazer?" Há uma menina na minha sala que me irrita tanto! Está sempre a implicar comigo. Então eu fico a pensar como é que Jesus fazia se fosse eu.

- Que boa ideia, David! Não estás nunca sozinho nessas lutas. Jesus está sempre a teu lado! Lembra-te de rezar sempre: "Nós, Jesus!"

- E eu lembro.

O pequeno-almoço está terminado. Enquanto os meninos acabam de se arranjar, o Niall e eu arrumamos a montanha de louça espalhada pela mesa. São quase horas de sair para a escola, mas estamos habituados a aproveitar todos os minutos a sós - com ou sem louça pelo meio - para conversar:

- Quando nos acostumamos a rezar a Via Sacra, pensamos mais vezes no que significa realmente o sacrifício de Jesus - Diz-me o Niall.

- Sim, faz-nos bem meditar em cada passo do seu caminho doloroso. Quanto mais meditamos na cruz de Jesus, mais os nossos afazeres nos parecem triviais. Começamos a perceber que realmente, só o amor importa...

- E deixamos de dar importância ao que não tem importância.

- A oração serve mesmo para isso, não é? Rezar não serve para mudar a vontade de Deus, porque a vontade de Deus é perfeita; serve antes para mudar a nossa vontade, converter o nosso coração, assimilar os critérios do Evangelho, aprender a ver a vida através do olhar de Jesus.

- Meditar na Via Sacra e adorar Jesus no Santíssimo Sacramento são duas formas de imitarmos Verónica, que ao enxugar o rosto de Jesus, descobriu os traços do Senhor gravados no seu véu, no seu coração, na sua vida...

- Sim, Verónica é uma bela imagem do que acontece a quem reza! E penso que todos nós cá em casa estamos a experimentar esta união crescente com o Senhor.

Antes de sairmos para a escola, a Lúcia quer oferecer uma flor a Jesus, depois de fazer as pazes com o António. O nosso Canto de Oração cheira a primavera...

DSC01358.JPG

 "Todos nós, de face descoberta, refletimos a glória do Senhor como um espelho, e somos transformados nesta mesma imagem, sempre mais gloriosa, pela ação do Senhor." (2Cor 3, 18)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:29

O nosso retiro de quaresma

por Teresa Power, em 09.03.15

Sábado tivemos, como anunciado, o nosso retiro. Logo de manhã cedo, já estava tudo a postos:

DSC01220.JPG

O dia estava lindo, e chegar ao Centro Social foi uma alegria. Os triciclos estavam todos livres, contrariamente ao que acontece em dia de escola, e os mais novos deliraram com a sensação de terem o Centro inteiro por sua conta! Na verdade, desde o início das Famílias de Caná que as Irmãs colocam a casa à nossa disposição, permitindo-nos oferecer às crianças um dia perfeito.

DSC01224.JPG

 

Foi engraçado ver as crianças a sair dos carros, um pouco envergonhadas e agarradas à mão dos pais. Assim que se davam conta dos triciclos e dos três parques infantis à disposição, imediatamente corriam para longe dos pais. No final do dia, houve choro e algumas birras, porque ninguém queria ir embora...

DSC01253.JPG

 As educadoras Vera e São, mães de Famílias de Caná habituadíssimas a cuidar de crianças, tinham preparadas atividades magníficas, que todas as crianças adoraram. O Francisco colaborou, fazendo um pequeno espetáculo de magia. Algumas crianças ficaram verdadeiramente confusas...

DSCF5365.JPG

 

DSCF5232.JPG

Para os jovens se conhecerem e criarem laços de amizade, o Niall tinha preparado um jogo bem divertido com lego e muitos desafios:

DSC01230.JPG

DSC01248.JPG

 

DSC01263.JPG

E a partir de Os Mistérios da Fé, aprofundaram a história de Tobias e a história do paralítico que quatro amigos apresentaram a Jesus:

DSCF5366.JPG

Pouco depois de chegarmos ao Centro, chegou também o nosso querido bispo, D. António Moiteiro. Como prometido, vinha para estar connosco, para ver as Famílias de Caná de perto, para conversar, para escutar, e também para nos ensinar. Que belíssimo ensinamento nos fez sobre o sonho de Deus para a família!

DSC01265.JPG

Enquanto escutava, ia registando algumas das suas palavras no meu bloco de notas. Posso assim partilhá-las aqui convosco:

"O Evangelho não é um livro, mas uma pessoa: Jesus. Jesus é a Boa Notícia do Pai.

O Evangelho dá o que exige. Somente à sua luz e na sua força é possível entender e cumprir os mandamentos.

O Evangelho da família não quer ser uma carga que se põe às costas das pessoas, mas enquanto dom da fé, uma alegre notícia, luz e força da vida na família."

IMG_6099.JPG

Falando-nos dos sonhos de Deus para as famílias, o senhor bispo percorreu a Bíblia, começando no Génesis e terminando em S. Paulo, que por onde passava nos seus trabalhos de evangelização, deixava famílias - casas - responsáveis por toda a comunidade. Os cristãos de Paulo reuniam-se em Igrejas Domésticas, como também hoje as Famílias de Caná pretendem fazer.

 

Depois de assim nos ensinar, o senhor bispo celebrou a Eucaristia, na capela do Colégio Nossa Senhora da Assunção. O David não cabia em si de alegria por poder acolitar ao lado do seu bispo amigo!

.DSCF5324.JPGIMG_6107.JPG

DSCF5314.JPG

Seguiu-se um belíssimo almoço partilhado - as Famílias de Caná têm como marca distintiva a abundância e a qualidade da sua refeição, ou não tivessem elas nascido à sombra de umas bodas bem especiais

Enquanto comíamos, íamos descobrindo os nomes por detrás dos rostos. Afinal, a Bruxa Mimi não tem chapéu... E aquela rapariga simpática é que é a Jovem Católica? Aquelas duas manas tão amigas são as filhas de Adotar Amar Viver? E a linda família da Rute também aqui está? Ah, e finalmente, a Família a Caminho conseguiu fazer uma pausa nas doenças infantis lá de casa e apareceu! Foi engraçado ver as reações dos participantes perante o encontro face a face com os "famosos bloguistas católicos".

 

A tarde continuou então com os ensinamentos que eu tinha prometido sobre o amor de Deus, escutados e meditados em clima de recolhimento. Depois, sempre em silêncio, deixámo-nos amar e contemplar por Jesus-Eucaristia. Foi um momento de intenso amor tornado oração, em que Jesus falou verdadeiramente no coração de todos nós. Era quase palpável a sua presença... Cada um de nós pôde tornar suas as palavras da meditação da tarde, do Cântico dos Cânticos:

 

"Eu sou do meu Amado e Ele é meu." (Cc 2, 16)

 

Entretanto, o nosso pároco, o senhor padre salesiano José Fernandes, estava ocupadíssimo com confissões, que continuaram até terminar o retiro.

Por fim, houve um breve momento de partilha de experiências. Três Famílias de Caná falaram da riqueza que esta espiritualidade tem trazido às suas vidas, da abundância da alegria e de vida a jorrar no seu meio.

Concluímos o dia em clima de oração familiar. Por esta altura, já ninguém estava tímido ou isolado, antes se viviam laços fortes e alegres de amizade e partilha. Todos cantaram, louvaram, partilharam louvores e súplicas, e com muita devoção, todos rezaram o terço. Bem, todos... As crianças iam acompanhando à sua maneira, enquanto entravam e saíam pelas portas abertas, porque os triciclos e os parques continuavam lá fora!

DSC01275.JPGDSCF5396.JPG

Não sei se, ao longo deste post, se aperceberam da decoração especial deste nosso encontro. Não estou a falar na linda decoração do Centro Social, feita pelas educadoras no seu trabalho diário com as crianças, mas da decoração que a Olívia e a sua mãe prepararam com tanto carinho e que ajudou os nossos corações a meditar no mistério das Bodas de Caná:

DSCF5223.JPG

DSCF5224.JPG

É verdade, aos pés de Maria, Mãe de Caná, não estão as famosas Cinco Pedrinhas, mas antes as Seis Bilhas de Caná. O senhor bispo já falara comigo, e eu comuniquei a ideia à Olívia, que com o seu empenho característico recolheu seis bilhas entre as vizinhas da sua aldeia antes de rumar para norte. Mas sobre isto falaremos noutro post :)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um bocadinho mais

por Teresa Power, em 24.02.15

Como já contei, a Clarinha praticou ginástica artística no Colégio, como desporto escolar, até ao ano passado, altura em que finalmente abriu um clube de ginástica rítmica perto de nós, no Velódromo Nacional de Sangalhos. A Clarinha pôde assim concretizar o seu sonho e iniciar a competição em ginástica rítmica. Desde então, de aula em aula, de competição em competição, a Clarinha tem crescido como atleta e como pessoa. E com ela, todos temos crescido também!

 

Quando entrou para a ginástica rítmica, a Clarinha já fazia a espargata com muita facilidade. No entanto, um ângulo de 180º é pouco na ginástica rítmica. Assim, a professora ensinou a Clarinha a treinar a espargata apoiada num banquinho primeiro, depois em duas cadeiras. O treino é duro, mas eficaz: um bocadinho mais de cada vez, durante cinco ou dez minutos, aguentando alguma dor ou até limpando alguma lágrima fortuita, enquanto se põe a conversa em dia com as amigas, e a espargata vai abrindo...

 

- Eu nunca seria capaz de fazer a espargata - Digo-lhe eu muitas vezes.

- Eras, se treinasses - Responde-me a Clarinha. - Na ginástica estão algumas meninas que não conseguiam fazer espargata alguma, e agora já treinam com um banquinho. Um bocadinho mais de cada vez!

espargata 2.JPG

 

espargata 1.JPG

Um bocadinho mais de cada vez. Não apenas na ginástica, claro... "Um bocadinho mais" tornou-se o nosso lema no treino da santidade. É preciso treinar a generosidade, a oração, a renúncia, a vontade, a gratidão...? Um bocadinho mais de cada vez:

Hoje, fazemos quinze minutos de oração; amanhã, podemos fazer dezoito, e depois de amanhã, já conseguiremos fazer vinte minutos...

Hoje, rezamos um mistério do terço em família; amanhã, podemos rezar dois; em breve rezaremos o terço inteiro...

Hoje, levantamos a mesa sem que nos peçam; amanhã, levantamos a mesa e colocamos a louça na máquina; em poucos dias, somos capazes de arrumar a cozinha sozinhos...

Hoje, mordemos o lábio quando queremos responder a alguém que nos insulta; amanhã, um suspiro será suficiente; em breve seremos capazes de sorrir de volta a quem nos insultar...

Hoje, gerimos com facilidade dois filhos; amanhã seremos capazes de arriscar um terceiro; em breve deixaremos de ter medo de uma família numerosa... 

Doi? Um bocadinho. Como a espargata. Nada que não se aguente...

Jesus deixou-nos este conselho no Evangelho:

 

"Se alguém te tirar a túnica, dá-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas." (Mt 5, 40-41)

 

No domingo, a Clarinha competiu nas distritais. A sua alegria, às seis da manhã, antes de sair de casa, era imensa! As distritais foram o culminar de um treino longo e intensivo, e a recompensa do seu esforço. Também nós vivemos um tempo de treino intensivo: a quaresma. Um bocadinho mais cada dia, e a Páscoa despontará finalmente, bela e luminosa, na nossa vida...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds


livros escritos pela mãe

Os Mistérios da Fé
NOVO - Volume III

Volumes I e II



Pesquisa

Pesquisar no Blog  


Arquivos

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D