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Estrela

por Teresa Power, em 30.05.16

A nossa querida gata Tiger tem sido uma mãe exemplar. Já deu à luz duas ninhadas, e de cada vez entregámos a famílias nossas amigas todos os gatinhos exceto um, ficando assim sempre com uma cria em casa, o que nos tem permitido observar a forma carinhosa com que as gatas cuidam dos seus bebés.

Mas na semana passada ficámos muito tristes: a Estrela, a gatinha multicolor que conservámos desta última ninhada, desaparecera. A Tiger parecia irrequieta e confusa, sem nenhum dos seus gatinhos para amamentar e lamber, e os meninos suspiravam de tristeza, imaginando cenários de frio e fome para a pequena Estrela.

- Ela não morreu atropelada, isso tenho eu a certeza - Dizia o Niall, que ao serão se dedicava a percorrer a berma da estrada para cima e para baixo, à procura de sinais da Estrela. - Certamente que alguém a viu sobre o muro e a levou para sua casa.

- Achas que tratam bem dela? - Perguntava a Lúcia especialmente, muito preocupada.

- Sim, Lúcia, não tenhas medo!

Mas nem a Lúcia, nem ninguém descansou. Até que sábado de manhã bem cedo, enquanto passeava os cães, o Niall ouviu um miar aflitivo para além do jardim. Depois de procurar um bocado, descobriu a Estrela, escondida sob um carro. Feliz, aproximou-se e pegou nela com jeitinho, para logo a trazer para casa abrigada dentro do seu casaco.

- Olha, Teresa, o que eu encontrei! - Disse-me assim que abriu a porta.

Dei um pulo de alegria: - Dá cá, vou acordar a Lúcia com a gatinha!

E assim fiz: devagarinho, enfiei a gatinha na cama da Lúcia, que abriu os olhos de espanto e deu um salto como não é nada habitual nas manhãs de sábado.

- Ah! Voltaste, Estrela! Ah, querida Estrela!

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Mas se pensam que a maior festa foi a da Lúcia, estão bem enganados...

- Vamos levar a gatinha à mãe dela - disse eu por fim, pegando na Estrela e levando-a para o jardim. A Tiger estava por lá, muito parada, como costume. Pousei a gatinha no chão e chamei a Tiger. E de repente, num salto único e simultâneo, mãe e filha entrelaçaram-se, rebolando depois pelo chão. Finalmente, ronronando de pura felicidade, a Tiger lambeu a Estrela de alto a baixo, enquanto a Estrela mamava, e assim ficaram, imóveis, por longo, longo tempo.

Durante o resto do dia, mãe e filha não se separaram. No jardim, nos sofás, sobre as camas dos meninos, no meio dos bonecos e dos brinquedos, mãe e filha brincaram uma com a outra, intercalando lambidelas e mamadas com um quieto ronronar.

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Os pensamentos que às vezes me passam pela cabeça poderiam ser considerados sacrílegos, se Jesus não se tivesse também lembrado de comparações semelhantes... Sim, ao olhar para as duas gatas tão felizes com o reencontro, lembrei-me do Evangelho.

Nem sempre é fácil entender afirmações chocantes de Jesus, como por exemplo:

 

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão."

(Lc 15, 7)

 

Jesus fez esta afirmação, se bem se lembram, depois de contar a história do pastor que deixa noventa e nove ovelhas sozinhas para ir buscar uma única que andava perdida. Jesus com ovelhas, eu com gatos...

Como? Mais alegria por um que regressa do que por noventa e nove que nunca sairam de casa? O reencontro da mãe Tiger com a filha Estrela não podia ser melhor ilustração. Quanta alegria! Naturalmente que a Tiger teria preferido que a sua gatinha nunca tivesse saído de casa, mas lá que a alegria que sentiu com o seu regresso foi mil vezes superior à que sentia antes da sua partida, lá isso foi.

Assim também com o Senhor, quando de todo o coração regressamos ao aconchego do seu abraço paternal. É que todos os dias, ao fim da tarde, Ele sobe ao cimo da colina e prescruta o horizonte, desejoso de que seja esse o dia do nosso regresso...

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos." (Lc 15, 20)

 

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Regresso

por Teresa Power, em 14.08.14

A nossa viagem de regresso começou ainda não eram quatro horas da manhã:

 

À saída do aeroporto, em Lisboa, enfiámo-nos de novo o melhor que pudemos no carro de sete lugares, sabendo no entanto que, em casa, nos esperava o nosso carrinho de cinco lugares já bem arranjado (felizmente foi apenas o motor de arranque!) e pronto para novas aventuras...

Quando, finalmente, chegámos a casa, foi uma festa! A algazarra dos cães, dos gatos e das galinhas, a alegria de toda a Criação com que Deus nos abençoou, as flores no jardim, os tomates e as alfaces na horta, tudo festejou a nossa chegada!

 

 

Os cães não paravam de pular à nossa volta, excitadíssimos. Estavam muito bem cuidados, graças ao amigo do Francisco que, todas as tardes, os levava a passear.

Ao entrarmos em casa, esperavam-nos muitas surpresas. Logo à entrada, um enorme cartaz desejava-nos as boas vindas. Fora preparado com amor por uma Família de Caná que nos ajudou a tomar conta dos animais:

 

Mais à frente, no frigorífico, outra bela surpresa: o almoço pronto a comer, com direito a sobremesa, deixado na véspera com muito carinho pela "avó portuguesa"!

E muitas outras surpresas nos esperaram, deixando-nos sem palavras para poder agradecer, e com o coração cheio de gratidão. Deus, que vê o que está oculto, tratará de recompensar a generosidade de quem assim nos quer tanto bem!

 

Durante o resto da tarde, enquanto eu desfazia as malas e o Niall tratava do jardim e dos animais, os meninos brincaram com os cães e os gatos, correram pelo jardim e redescobriram os seus brinquedos. A Clarinha agarrou-se à guitarra, tocando música após música, depois de quase duas semanas sem tocar, e encheu o ar de canções.

É bom regressar a casa, sentir a presença de tantos amigos e da família portuguesa, saborear a alegria da vida com que Deus nos abençoou e continua a abençoar. No Canto de Oração, e como por um milagre de Deus, as plantas cresceram na nossa ausência. Acendemos as velas, pegámos nas guitarras, e dançámos, louvando o Senhor que nos criou...

 

Este mês, propus às Famílias de Caná um ensinamento sobre a parábola do tesouro e do campo:

 

“O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Quem o encontra, esconde-o de novo e, cheio de alegria, vai vender tudo o que tem e compra o campo.” (Mt 13, 44)

 

A cada um de nós, Deus confiou um campo: a nossa casa, a nossa família, a nossa vida. Somos responsáveis pelo nosso campo, como o Principezinho era responsável pelo seu pequeno planeta. Diz-nos o Evangelho que foi neste campo que Deus escondeu um tesouro!

O nosso campo é cada vez mais vasto e mais belo, pois deixou de ser apenas a nossa família para incluir as Famílias de Caná. E o tesouro, esse, faz com que tudo o resto seja apenas lixo...

 

(Passeando pelas ruas da nossa aldeia, utilizando meios de transporte variados :) no dia do nosso 18ºaniversário de casamento)

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publicado às 06:22



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